Behaviorismo



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TGA II EVOLUÇÃO DAS TEORIAS ADMINISTRATIVAS

BEHAVIORISMO
ORIGEM
O movimento behaviorista surgiu como evolução de uma dissidência da escola de Relações Humanas, que recusava a concepção de que a satisfação do trabalhador gerava de forma intrínseca a eficiência do trabalho. A percepção de que nem sempre os funcionários seguem comportamentos exclusivamente racionais ou essencialmente baseados em sua satisfação exigia elaboração de uma nova teoria administrativa.

O Behaviorismo ou Teoria Comportamental defendia a valorização do trabalhador em qualquer empreendimento baseado na cooperação, buscando um novo padrão de teoria e pesquisa administrativas. Foi bastante influenciado pelo desenvolvimento de estudos comportamentais em vários campos da ciência, como a antropologia e a psicologia e a sociologia. Adotando e adaptando para a administração conceitos originalmente elaborados dentro dessas ciências, propunha-se a fornecer uma visão mais ampla do que motiva as pessoas para agirem ou se comportarem do modo que o fazem, particularizando as situações específicas do indivíduo no trabalho.

Dentre os trabalhos fundamentais para a eclosão do Behaviorismo destacam-se os de Barnard, acerca da cooperação na organização formal e os de Simon, relativos a participação dos grupos no processo decisório da organização. Eles ofereceram os principais pontos de referencia para a formulação das propostas iniciais dessa abordagem. Posteriormente, essas idéias e propostas foram complementadas pela Teoria X e Y de McGregor, pelo Sistema 4 de Rensis Likert, pelas teorias motivacionais de Herzberg e de McClelland, assim como pelos estudos de Chris Argyris.
ASPECTOS ORGANIZACIONAIS ENFATIZADOS PELO BEHAVIORISMO


  • Processo decisório - Diante de uma série de alternativas, os decisores selecionam (conscientemente ou não) a que representa a melhor opção. Seguindo a hierarquia organizacional, as decisões particulares são reflexos de decisões globais. Os processos administrativos são, por isso, basicamente processos decisórios.


BARNARD E A COOPERAÇÃO NA ORGANIZAÇÃO FORMAL
Diplomado par Harvard. Chester Barnard (1886-1961) foi presidente da United Services Organisation (USO) durante a II Guerra Mundial e presidente da Fundação Rockefeller, entre 1952 e 1954. Ao concluir que as Teorias Clássica e Científica não se aplicavam adequadamente à prática e que a abordagem de Relações Humanas não conseguira estruturar uma teoria que pudesse ser utilizada como guia para o comportamento do executivo, propôs uma teoria da cooperação na organização formal.

Segundo Barnard, o executivo é o fator mais estratégico da organização. Suas funções são comparáveis as do sistema nervoso, incluindo o cérebro, em relação ao resto do corpo: "Ele (o cérebro) existe para manter o sistema corpóreo, dirigindo aquelas ações que são necessárias para um melhor ajustamento ao ambiente, mas não se pode dizer que ele existe para administrar o corpo, do qual uma grande parte das funções é independente dele e das quais ele, por sua vez, depende". Cabe ao executivo desempenhar algumas funções essenciais: prover o sistema de comunicação; promover a garantia de esforços essenciais; formular e definir o propósito organizacional.

O grupo assume um papel muito importante no desempenho de cada uma dessas funções, já que o ser humano não atua isoladamente mas interagindo com os outros, através de relações sociais. Resulta disso a importância dos grupos informais: "As organizações informais são encontradas dentro de todas as organizações formais, as últimas sendo essenciais para a ordem e a consistência; as primeiras, para a vitalidade. Constituem rases de reação mútua da cooperação e são mutuamente dependentes".



  • Liderança - A capacidade de fazer a melhor escolha e característica dos líderes, que flexibilizam a decisão, apoiando-se na colaboração de todos. A liderança se refere a qualidade do comportamento dos indivíduos, através do qual eles guiam pessoas ou suas atividades em esforço organizado". A liderança depende do indivíduo, de seus seguidores e das condições em que ocorre. Portanto, um bom líder deve entender a organização, os indivíduos que a compõem e suas inter-relações. Somente assim poderão estimular ações coordenadas.


SIMON E A PARTICIPACÃO DOS FUNCIONÁRIOS
Herbert A. Simon defendia que a estrutura e o desempenho das funções na empresa são facilitadas pela análise da influência da organização nas decisões e no comportamento geral dos funcionários.

Como toda atividade administrativa e grupal, a empresa retira do trabalhador parte da autonomia decisória e a substitui par um processo decisório organizacional. Com isso, o processo decisório passa a ser o resultado da participação dos vários grupos que formam a empresa.

Simon e Barnard desenvolveram uma teoria acerca da participação dos funcionários nas decisões organizacionais, denominada Teoria do Equilíbrio Organizacional. Segundo ela, a organização é um sistema de comportamentos sociais de várias pessoas, os chamados participantes, que recebem incentivos e fazem contribuições para a empresa. A organização será solvente - e continuara existindo - somente enquanto as contribuições forem suficientes para proporcionar incentivos em quantidade bastante para induzirem à prestação de contribuições".



  • Autoridade e consentimento – “Autoridade é a característica de uma comunicação (ordem) numa organização formal, em virtude da qual ela e aceita por um contribuinte ou membro da organização, como governando a ação com que ele contribui; isto e, dirigindo ou determinando o que ele faz ou o que ele não deve fazer, no que tange a organização". Mesmo quando a aceitação se dá através de coerção física, repousa sobre o consentimento dos indivíduos. Isso só ocorre quando se apresentam simultaneamente as seguintes condições: eles entendem a comunicação; no momento de decidir, acreditam que não é incompatível com o objetivo da organização ou com o seu interesse pessoal; encontram-se mental e fisicamente aptos a concordar com ela.

  • Homem administrativo - Os homens são racionais diante de uma situação com vários dados: eventos futuros e distribuição de probabilidades desses eventos, alternativas de ação disponíveis e suas conseqüências, princípios próprios de ordem de preferência. Baseando-se em tomada de decisões, o homem administrativo tem um comportamento apenas satisfatório e não otimizante.

  • Conflito de objetivos - O conflito entre os objetivos dos indivíduos e da organização é inevitável. Para Argyris, com o tempo o trabalhador passa por vários estágios, até atingir a maturidade. Entretanto, a estrutura e os processos organizacionais são incoerentes com as aspirações de trabalhadores maduros, que se sentem capacitados a sugerir mudanças e propor inovações para a melhoria do desempenho organizacional mas nem sempre encontram canais de comunicação abertos às suas propostas.


AS TEORIAS X E Y DE McGREGOR
Insatisfeito com a inadequação do modelo de relações humanas as realidades da vida empresarial, Douglas McGregor (1906-1964) centrou seus estudos na relação entre o sucesso da organização e sua capacidade de prever e controlar o comportamento humano. Suas experiências levaram-no a desenvolver o conceito de que as estratégias de liderança são influenciadas pelas crenças do líder acerca da natureza humana. Para ilustrar sua descoberta, construiu duas teorias contrastantes, conhecidas como teorias X e Y.

Segundo a Teoria X, seguidora dos princípios da administração científica:



  • o ser humano tem uma aversão natural ao trabalho;

  • a maioria das pessoas precisa ser controlada, coagida, dirigida e punida para trabalhar;

  • o ser humano prefere ser dirigido, ter pouca responsabilidade, pouca ambição e ter garantia de trabalho.

O homem apresenta-se então como um ser carente, que se esforça para satisfazer suas necessidades e garantir a sua sobrevivência através de atividades compulsórias e pouco interessantes para a sua realização pessoal. Com isso, a motivação por estimulo só funciona até certo ponto e a autoridade passa a ser fundamental para assegurar a direção e o controle dos funcionários.

Entretanto, segundo McGregor, a viabilidade de aplicação da Teoria X é comprometida, por se basear em pressupostos errôneos ou apenas parcialmente verdadeiros acerca da natureza humana, enunciados pelas teorias clássica e científica.

Concluindo pela inadequação da Teoria X às organizações, McGregor contrapõe a ela a Teoria Y, baseada nos seguintes princípios:


  • o dispêndio de esforço físico e mental no trabalho é tão natural quanta o descanso;

  • o homem está sempre disposto a se autocorrigir, para atingir os objetivos com os quais está comprometido;

  • o compromisso com os objetivos depende das recompensas com sua consecução;

  • o ser humano aprende não só a aceitar responsabilidades, como a procurá-las;

  • imaginação, criatividade e engenhosidade na solução de problemas são comuns;

  • na vida industrial moderna são utilizadas as potencialidades intelectuais do homem.




Teoria X

Concepção tradicional de direção e controle

Teoria Y

Integração entre objetivos individuais e organizacionais

O ser humano tem aversão natural ao trabalho

O ser humano vê o esforço físico e mental no trabalho de forma tão natural quanto querer descansar.

A maioria das pessoas precisa ser controlada, dirigida, coagida e punida, para que finalmente trabalhe.

A maioria das pessoas busca naturalmente se autocorrigir, para atingir os objetivos que se propuseram alcançar.

O homem é um ser carente, que se esforça para satisfazer uma hierarquia de necessidades.

O compromisso com um objetivo depende das recompensas que se espera receber com sua consecução.

O ser humano não consegue assumir responsabilidades.

O ser humano não só aprende a aceitar as responsabilidades, como passa a procurá-las.

A participação dos funcionários é um instrumento de manipulação dos mesmos.

A participação dos funcionários é uma forma de valorizar suas potencialidades intelectuais, como: imaginação, criatividade e engenhosidade.

O líder adota um estilo autocrático.

O líder adota um estilo participativo

Assim, enquanto na Teoria X a autoridade determina a direção e a controle, na Teoria Y é a integração que legitima a autoridade.

A integração é a base da Teoria Y; ela sugere autocontrole, quando as necessidades do individuo e da organização são reconhecidas. A administração por integração e autocontrole é vista como uma estratégia de ação, ou seja, uma forma de dirigir as pessoas, integrando seus objetivos aos organizacionais. Sua viabilidade e possibilitada através do esclarecimento das exigências gerais do trabalho do estabelecimento de metas, de um processo gerencial para prazos limitados e da avaliação dos resultados obtidos.

Na prática, o que se percebe quanta às teorias acima e que dificilmente uma empresa se enquadra de forma perfeita nas caricaturas das teorias X e Y. Em particular, o próprio McGregor ressalta a dificuldade de integrar os objetivos pessoais aos organizacionais, conforme proposto pela Teoria Y.


AS CONTRIBUICOES DE CHRIS ARGYRIS
Chris Argyris dedicou-se ao estudo do comportamento organizacional, um campo da ciência do comportamento que enfoca o entendimento e procura explicar a comportamento do individuo e dos grupos nas organizações. Sua hipótese de estudos era que o indivíduo não deve ser visto como uma mera acumulação de suas partes; ao contrario, é dotado de personalidade própria.

Segundo o comportamento organizacional, é fundamental para a redução dos conflitos internos da empresa e seu bom desempenho geral que as propriedades dos dois componentes básicos da organização social (o indivíduo e a organização formal) sejam diagnosticadas. Após estudos desenvolvidos nesse campo, Argyris concluiu que as necessidades dos indivíduos saudáveis tendem a ser incompatíveis com as exigências da organização formal. Para que o indivíduo se mantenha psicologicamente saudável, tem de criar seu próprio grupo de regras informais. Com isso ele consegue:



  • reduzir seu sentimento de dependência, submissão, subordinação e passividade;

  • minimizar a probabilidade de ficar sujeito à arbitrariedade do poder;

  • expressar seus sentimentos reprimidos;

  • criar seu próprio mundo informal, com cultura e valores próprios.

Baseando-se nas teorias X e Y de McGregor, Argyris propôs um modelo de comportamento dos funcionários na organização associando o padrão de comportamento A à teoria X e o padrão de comportamento B à teoria Y:

Teoria X
Corresponde à falta de confiança nas pessoas e à sua dependência e controle pela administração. Autoridade administrativa centralizada e autoritária.


Teoria Y
Corresponde à melhor distribuição de poder na organização, com delegação de responsabilidades. O homem é visto como um contribuinte ativo.


Padrão A
Representa os comportamentos interpessoais, a dinâmica de grupo e as normas organizacionais associadas à teoria X.


Padrão B
Propõe maior confiança nos funcionários, maior interesse em seus sentimentos. Fornece possibilidade de comprometimento interno e experimentação de novas idéias.






  • A teoria X corresponde à falta de confiança nas pessoas e a sua dependência e controle pela administração, com uma autoridade mais centralizada e autoritária. O padrão A representa os comportamentos interpessoais, a dinâmica de grupo e as normas organizacionais associadas a essa teoria.

  • A teoria Y corresponde à melhor distribuição do poder, com democracia, delegações e responsabilidades, considerando o homem um "contribuinte ativo". O padrão B representa os comportamentos democráticos e participativos.

A passagem de XA para YB reflete o perfil da organização que busca minimizar os conflitos com seus funcionários e aprimorar continuamente seus processos produtivos e gerenciais. Entretanto, a empresa deve estar consciente da possibilidade de enfrentar resistências a mudanças de comportamento, o que resultaria em uma transição penosa e exaustiva. A probabilidade de mover a empresa de XA para YB aumenta com a geração e a difusão de informações úteis por toda a organização, incentivando o comprometimento interno em todos os níveis.


OUTRAS CONTRIBUICÕES
Frederick Herzberg também buscou identificar os fatores que motivam os funcionários. Como resultado de pesquisas em organizações, detectou que os entrevistados associavam insatisfação com o trabalho ao ambiente de trabalho e satisfação com o trabalho ao conteúdo do mesmo.

Agrupando os fatores relativos ao ambiente – supervisão, relações interpessoais, condições físicas de trabalho, salário, políticas e práticas administrativas - denominou-os fatores de higiene. Quando esses fatores ficam abaixo do nível aceitável, o resultado é a insatisfação com o trabalho.

Os fatores que causam satisfação foram chamados de fatores motivacionais: realização pessoal, reconhecimento do trabalho, responsabilidade e progresso profissional. A administração deve perceber que os fatores de higiene são importantes mas, uma vez neutralizada a insatisfação, não geram resultados positivos. Apenas os fatores motivacionais conduzem ao melhor desempenho.

McClelland dividiu os fatores motivacionais, que levam os indivíduos a se comportar de maneiras diferentes, em três categorias:


  • necessidade de realização: relacionada ao desenvolvimento de tarefas e a consecução de desafios, e parcialmente responsável pelo crescimento econômico de um país;

  • necessidade de poder: diz respeito a vontade de alguém influenciar pessoas e sistemas organizacionais, variando de pessoa a pessoa;

  • necessidade de afiliação: consiste no conjunto de impulsos que levam a pessoa a pertencer a um grupo e ser amada.

Como resultado de seus estudos, concluiu que as pessoas com necessidades comuns apresentam algumas características comuns. No que tange a necessidade de realização, por exemplo:

  • só reagem bem a um objetivo quando participam de sua formulação;

  • ao formular suas metas, tendem a optar pelas realistas mas moderadamente difíceis;

  • estão mais preocupadas com a realização pessoal do que com recompensas externas.

A originalidade do trabalho de McClelland também reside na busca de correlações entre as necessidades e as características sócio-políticas de vários paises, dentro do contexto de um estudo acerca da motivação humana.

Rensis Likert e sua equipe desenvolveram uma série de pesquisas comportamentais no Institute for Social Research, da Universidade de Michigan. Discutindo os padrões de gerenciamento vigentes nos Estados Unidos ate os anos 50, Likert concluiu que os líderes mais centrados nos empregados e que praticavam uma supervisão mais geral alcançavam maior produtividade na empresa do que os que se centravam nas tarefas, praticando supervisão cerrada.

"Os supervisores que registram os melhores padrões de desempenho focalizam a atenção primeiramente sabre os aspectos humanos dos problemas de seus subordinados e procuram formar grupos de trabalho realmente eficientes, com elevadas metas de produtividade".

Da mesma forma, a habilidade do dirigente em utilizar métodos de supervisão em grupo aumenta a produtividade e a satisfação dos funcionários:

"Os grupos de trabalho que possuem elevado grau de lealdade entre colegas e objetivos comuns parecem ser eficientes na realização de tais objetivos. (...) Se, por outro lado, a natureza da supervisão que os controla faz com que rejeitem os objetivos da organização e estabeleçam metas conflitantes com os ditos objetivos, as metas por eles adotadas podem ter efeitos surpreendentemente desfavoráveis sobre a produtividade".

Estudando as mudanças ambientais e a necessidade que geram da criação de um modelo organizacional mais produtivo, Likert propôs o que denominou de Sistema 4, resultado da evolução dos sistemas gerenciais anteriores (Sistemas 1, 2 e 3). De forma esquemática, podemos apresentá-lo como segue:





Sistema 1

Sistema 2

Sistema 3

Sistema 4

Liderança:

a) Confiança nos subordinados.

b) Liberdade dos subordinados para falarem sobre o trabalho.

c) Importância atribuída às idéias dos subordinados.

Nenhuma
Nenhuma


Raramente

Alguma
Não muita


Às vezes

Razoável
Alguma


Freqüentemente

Absoluta
Plena


Sempre

Motivação:

a) Usa medo (1), ameaças (2), castigo (3), recompensas (4) ou participação (5)?

b) Responsável pela consecução dos objetivos organizacionais.



1, 2 e 3, eventualmente 4

Predominância da cúpula

4, algumas vezes 3

Na cúpula e médios escalões

4, algumas vezes 3 e 5

Em quase todos os níveis

5 e 4, cf. os objetivos grupais

Em todos os níveis

Comunicação

a) Fluxo de comunicação.

b) Aceitação de comunicação.

c) Precisão da comunicação para cima.

d) Conhecimento dos superiores dos problemas dos subordinados.



Para baixo

Suspeita

Freqüentemente errada

Pouco

Predominância para baixo

Provável suspeita

Censurada pelo chefe

Algum

Para baixo e para cima

Cautela

Precisão limitada



Bastante

Para todos os lados

De mente aberta

Exata
Muito


Interação

a) Característica.

b) Trabalho cooperativo em grupo.


Pouca, com temor

Nenhuma

Pouca, condescendente

Relativamente pouca

Moderada, c/ certa confiança Moderada


Ampla, com confiança

Considerável

Decisões


a) Nível de tomada de decisões.

b) Origem do conhecimento para a decisão.

c) Envolvimento dos subordinados.

d) Contribuição para a motivação.



Predominância na cúpula

Cúpula

Nenhum


Nenhuma

Cúpula, alguma delegação

Níveis altos e médios

Ocasional

Pouca

Maior delegação

Em toda parte

Normal


Alguma

Geral e integrada

Toda a empresa

Completo


Considerável

Objetivos

a) Estabelecimento.

b) Presença de resistência velada.



Ordens


Forte

Ordens e alguma consulta

Moderada

Discussão e ordens

Alguma

Grupo, salvo crises

Pequena

Controle


a) Concentração de revisão e controle.

b) Existe organização informal?

c) Utilização dos dados.

Acentuadamente na cúpula

Sim

Castigo



Geralmente na cúpula

Normalmente

Recompensa e castigo

Moderada delegação

Às vezes

Recompensa, alguma

auto-orientação

Amplamente compartilhadas

Não

Auto-orientação e



Solução de problemas


O COMPORTAMENTO E A PRÁTICA GERENCIAL
O behaviorismo recebe críticas comuns a outros enfoques, a exemplo da que o acusa de enxergar a prática administrativa a partir dos objetivos dos dirigentes das empresas. De forma mais específica. O que sobressai é a contestação da validade prática da Teoria Comportamental. Pesquisas empíricas levantaram duvidas de que a administração participativa seja a melhor forma de administração. A relação estabelecida entre satisfação moral e nível de produtividade e vista de forma simplista. Em função disso, as propostas do behaviorismo são consideradas por alguns administradores abstratas demais para que possam resolver problemas práticos específicos.
CONCLUSÕES GERAIS DAS PESQUISAS DESENVOLVIDAS NO INSTITUTE FOR SOCIAL RESEARCH


  • Os supervisores de maior êxito valorizam o ser humano, abrindo espaço para a participação dos funcionários nas decisões da empresa.

  • Sua supervisão e orientativa e não punitiva.

  • Para a elevação da produtividade, é fundamental a satisfação dos funcionários com seu emprego e desempenho.

  • A liberdade no ambiente de trabalho e muito importante. Alta produtividade e boa comunicação pressupõem confiança mútua.

  • Pressupostos de uma nova teoria:

  • Garantir alto nível de confiança intergrupal, criando motivações que respeitem os sentimentos de valorização pessoal e segurança, espírito criativo e satisfação econômica dos funcionários.

  • Promover técnicas participativas que integrem os objetivos da organização e dos indivíduos.

  • Implantar medidas de desempenho com objetivo orientativo e não punitivo.

  • Demonstrar interesse pelos subordinados, respeitando suas experiências pessoais, expectativas e valores.

  • Possibilitar comunicação vertical e decisão consensual.

De qualquer forma, a teoria behaviorista revela as crenças e a realidade do mundo empresarial, na década de 50. Suas propostas contribuíram para a evolução do pensamento administrativo, servindo de base para o surgimento de novas abordagens ao estudo da administração.


Lembrando Thompson & Van Houten:

"Conforme as ciências comportamentais desenvolveram suas capacidades, os problemas sociais cresceram e as pressões sabre os cientistas comportamentais aumentaram, no sentido de que busquem soluções para problemas atuais. É claro que, se uma ciência espera continuar recebendo apoio da sociedade, é sua incumbência demonstrar sua utilidade; mas se os cientistas focalizarem apenas os problemas atuais, deverão reduzir a capacidade da ciência de ser relevante amanhã. A utilidade da ciência em qualquer época esta baseada em seu conhecimento acumulado, então sua utilidade futura depende da atenção continuada na acumulação de conhecimentos teóricos significativos".


ESTRUTURALISMO
ORIGEM
A Teoria Estruturalista surgiu como um desdobramento da Burocracia, buscando resolver os conflitos existentes entre a Teoria Clássica (com sua abordagem mecanicista do homem econômico), a Teoria das Relações Humanas (com sua visão ingênua do homem social) e a própria Teoria Burocrática (que propunha a aplicação de um modelo organizacional ideal e universal, inviável na prática). Independentemente das críticas específicas a cada uma dessas teorias, as três forneciam um enfoque somente parcial e fragmentado da organização.
A INFLUÊNCIA DAS CIENCIAS SOCIAIS
A Teoria Estruturalista na administração foi fortemente influenciada pelo estruturalismo nas ciências sociais.

  • Levy-Strauss lançou a idéia de estruturalismo abstrato, no qual modelos abstratos representam a realidade empírica.

  • Gurwitch e Radcliff-Brow, com o estruturalismo concreto, viam na estrutura um conjunto de relações sociais.

  • Marx, no estruturalismo dialético, via a estrutura como um conjunto de partes que se diferenciam. tornam-se independentes, mantendo-se integradas ao todo por reciprocidade e não por reunião.

  • Weber, criando o estruturalismo fenomenológico, detectava nas relações entre os elementos do todo a impossibilidade de o tipo ideal de estrutura retratar fiel e completamente o fenômeno real.

A idéia básica do Estruturalismo e considerar a organização em todos os seus aspectos como uma só estrutura, fornecendo uma visão integrada da mesma: analisar as influências de aspectos externos sobre a organização, o impacto de seus próprios aspectos internos, as múltiplas relações que se estabelecem entre eles.

Um dos fundadores do Estruturalismo foi Amitai Etzioni.

Critico do Behaviorismo, via a organização como um complexo de grupos sociais, cujos interesses podem ou não ser conflitantes. Minimizando esses conflitos, o trabalho pode se tornar mais suportável, embora não seja fonte de satisfação total do trabalhador.
ETZIONI, O PRECURSOR DO ESTRUTURALISMO
Ao anunciar a origem da teoria estruturalista como uma síntese das teorias clássica e científica, da abordagem de relações humanas e dos estudos de Weber, Etzioni defende que sua derivação mais imediata e da visão humanista.

Os estruturalistas sugeriram que a teoria de relações humanas não permitia uma visão completa da organização e que sua visão parcial favorecia a administração e iludia os trabalhadores.



Os estruturalistas vêem a organização como uma unidade social esses grupos compartilhem alguns interesses (por exemplo, a viabilidade econômica da companhia), têm outros incompatíveis (por exemplo, referentes à maneira de distribuição dos lucros brutos da organização). Compartilham alguns valores, principalmente os nacionais, cuja influência se torna evidente em períodos de crise internacional mas discordam em muitos outros, como, por exemplo, suas avaliações do lugar do trabalho na sociedade. Os diversos grupos poderiam cooperar em certas esferas e competir em outras, mas dificilmente são ou podem tornar-se uma grande família feliz, como freqüentemente dão a entender os autores de Relações Humanas".
CARACTERISTICAS DO ESTRUTURALISMO


  • Submissão do indivíduo a socialização - O desejo de obter recompensas materiais e sociais (como prestígio, reconhecimento de seus pares etc.) faz com que o indivíduo aceite desempenhar vários papéis sociais em seu trabalho. Isso é possível graças à existência de diversos grupos dentro da mesma organização.

  • Conflitos inevitáveis - Os conflitos entre os interesses dos funcionários e os objetivos da empresa são inevitáveis. Ao considerar os aspectos racionais e irracionais das necessidades empresariais e individuais, os conflitos podem ser reduzidos, mas não eliminados. Sua minimização pode tornar o trabalho mais suportável, apesar de não satisfatório. Por outro lado, se forem disfarçados, os conflitos se expressarão de outras formas, como abandono do emprego ou aumento do número de acidentes.

  • Hierarquia e comunicações - A hierarquia é vista como perniciosa à comunicação dentro da empresa. "Mas, seguindo-se a suposição de que a hierarquia é um pré-requisito funcional para a coordenação em uma organização formal, suas disfunções são consideradas um custo inevitável, custo esse que poderá ser reduzido mas não eliminado".

  • Incentivos mistos - Os estruturalistas consideram que, também na questão dos incentivos, tanto os clássicos (incentivo monetário) quanto os humanistas (incentivos sociais) tinham uma visão parcial. Os indivíduos sendo seres complexos, precisam se realizar em diversos aspectos. Vistos de uma forma global, os diversos tipos de incentivos não existem de maneira independente: “Embora se tenha verificado que as recompensas sociais são importantes nas organizações, isso não diminui a importância das recompensas materiais”.


A CONTRIBUIÇÃO DE ALGUNS ESTRUTURALISTAS
Blau & Scott, ao estudarem as organizações formais enquanto organizações rigidamente estabelecidas para atingir determinadas finalidades ressaltam que a formação de grandes empresas industriais tem levado o foco das pesquisas sociais nas organizações a se deslocar do indivíduo para os grupos. Para Blau & Scott, a grande falha da abordagem de Relações Humanas, nesse aspecto, foi "atomizar as relações humanas em grupos de trabalho, tratando-as como se fossem atributos de membros individuais do grupo e, conseqüentemente, ignorando a rede organizada de relações sociais que caracteriza as estruturas de grupo".

Propondo-se a sanar essa falha, apresentam estudos grupais em cuja base deve ser possível distinguir, nas atitudes grupais, o que é influência das atitudes individuais do que é gerado por normas e valores grupais. Para operacionalizar essa análise, os autores recomendam separar dais efeitos do clima de grupo, definido pelos valores e normas que prevalecem entre seus componentes, englobando resistências e coesões:



  • O clima de grupo pode mudar as atitudes dos membros individuais.

  • As atitudes prevalecentes no grupo podem alterar as atitudes de seus componentes, independentemente de suas próprias atitudes individuais.

Thompson atribui à rigidez do modelo burocrático a responsabilidade pela falta de compreensão da organização como um todo. A própria definição dos objetivos organizacionais, por exemplo, não pode ser encarada de forma estática e definitiva. Do mesmo modo, a estratégia seguida pelas organizações para se ajustar a seu ambiente pode seguir vários modelos, conforme a atuação das mesmas quanta a objetivos comuns:

  • Concorrencial - ocorre quando organizações que compartilham dos mesmos objetivos procuram atingi-los em separado. Entretanto, pode também surgir em uma situação monopolística: "A sociedade julga a empresa não apenas por seu produto acabado mas também em termos da conveniência de aplicar recursos para este fim. Mesmo a organização que detém o monopólio de certo produto tem de concorrer para obter o apoio da sociedade".

  • Cooperativa - as relações cooperativas entre organizações podem atingir diversos níveis, conforme o grau de trabalho conjunto implantado para a consecução de objetivos comuns. Assim, existem três tipos básicos de cooperação:

  • Negociação - compreende as relações estabelecidas entre duas ou mais organizações, para a troca de bens ou serviços entre si.

  • Co-opção - envolve uma parcela muito mais significativa de penetração de uma empresa no processo decisório da outra. Como exemplo, teríamos a participação de representantes de instituições financeiras nas reuniões de cúpula de empresas que pretendem ampliar seus recursos financeiros; em outras palavras, pode ser vista como um "processo de absorção de novos elementos pela liderança, ou estrutura que determina a política de uma organização, como meio de evitar ameaças a sua estabilidade ou existência".

  • Coalizão - é a combinação de duas ou mais organizações, para a consecução dos objetivos comuns. Requer um compromisso entre seus participantes, no sentido de adotarem decisões conjuntas para ações futuras. A título ilustrativo, temos empresas de setores específicos que se unem para desenvolver pesquisas.


Perrow, analisando o ambiente da organização, conclui que este é influenciado pelas outras organizações e pela sociedade em que se insere. Em função disso, a empresa deve estabelecer objetivos que considerem sua relação com o ambiente.
"O ambiente constitui sempre uma ameaça e um recurso. As vezes e claramente um dos dois e outras vezes o que poderia ter constituído uma ameaça transforma-se em um recurso, a um certo preço, naturalmente". Em função disso, Perrow propõe que a organização subdivida seus objetivos em cinco níveis:
1. Objetivos da sociedade - englobam grandes organizações que preenchem as necessidades da sociedade.

2. Objetivos de produção - tratam de tipos de produção definidos em termos das funções do consumidor.

3. Objetivos de sistemas - indicam a forma de a empresa funcionar, independentemente dos bens e serviços que produz.

4. Objetivos de produtos - caracterizam os bens e serviços produzidos.

5. Objetivos derivados - determinam os usos que a organização faz do poder originado na consecução de outros objetivos. "As organizações criam considerável poder, que podem utilizar de modo consistente, para influenciar seus próprios membros e o ambiente".
CONSIDERAÇÕES ACERCA DA ABORDAGEM ESTRUTURALISTA
As críticas feitas ao Estruturalismo normalmente são respostas às críticas formuladas pelos próprios estruturalistas, em especial à Escola de Relações Humanas. Assim, alguns defensores dessa escola discordam da consideração geral de que ela nega a existência de conflitos e alegam que seus críticos confundem relações humanas com "ser amável com as pessoas".

Várias considerações são formuladas especificamente a Teoria Estruturalista, embora não constituam propriamente críticas a mesma. As duas principais são:


1) Ampliação da Abordagem

A Teoria Estruturalista foge da proposta de tentar compreender como o trabalhador vê sua organização e seu ambiente, passando a ter como objeto de estudo a estrutura da organização em si.


2) Ampliação do Estudo para Outros Campos

A Teoria Estruturalista ampliou o campo de estudos. As empresas normalmente pesquisadas pelos estudiosos da administração eram as empresas industriais. Os partidários da Teoria Estruturalista tiveram o mérito de alargar esse campo, incluindo organizações não-industriais e sem fins lucrativos.


TEORIA DOS SISTEMAS
ORIGEM
A Teoria dos Sistemas surgiu de uma percepção dos cientistas, de que certos princípios e conclusões eram válidos e aplicáveis a diferentes ramos da ciência. Imbuído dessa filosofia, o biólogo alemão Ludwig yon Bertalanffy lançou em 1937 as bases da Teoria Geral dos Sistemas.

A teoria foi amplamente reconhecida na administração, durante os anos 60. Sua difusão se deveu a uma necessidade de síntese e integração das teorias precedentes. De forma concomitante, o desenvolvimento de novas áreas científicas, como a informática, possibilitou a operacionalização e a aplicação de conceitos da Teoria dos Sistemas à administração.


BERTALANFFY E A INTEGRAÇÃO DAS CIÊNCIAS
Bertalanffy defendia a idéia de que não somente os aspectos gerais das diferentes ciências são iguais, como as próprias leis específicas de cada uma delas podem ser utilizadas de forma sinérgica pelas outras.

A partir dessa tese, Bertalanffy desenvolveu a Teoria Geral dos Sistemas, cujos principais pressupostos são:



  • Há uma tendência geral no sentido da integração das várias ciências, naturais e sociais.

  • Esta integração parece centralizar-se em uma Teoria Geral dos Sistemas.

  • Esta teoria pode ser um importante meio para alcançar uma teoria exata nos campos não físicos da ciência.

  • Desenvolvendo princípios unificadores que atravessam verticalmente o universo das ciências individuais, esta teoria aproxima-nos da meta da unidade da ciência.

  • Isto pode conduzir a integração, muito necessária na educação científica.

Os pesquisadores Johnson. Kast e Rosenzweig foram dos primeiros a defender que a integração da Teoria dos Sistemas à teoria administrativa levaria a um aprimoramento da administração.

Churchman desenvolveu sua aplicação a empresa, incluindo o conceito de sistema de informações da administração.


PARALELO ENTRE ORGANISMOS E ORGANIZAÇÕES
No sentido de buscar uma melhor compreensão do paralelismo existente entre os organismos vivos e as organizações, Zaccarelli propõe um esquema comparativo, envolvendo alguns aspectos relacionados a origem, ao cicIo de vida, ao conceito e as disfunções de ambos:


Organismos

Organizações

Herdam seus traços

Adquirem estrutura em estágios

Morrem

Podem ser reorganizadas

Têm um ciclo de vida predeterminado

Não têm um ciclo de vida definido

São seres concretos

São seres abstratos

São seres completos (não precisam

praticar parasitismo ou simbiose)



São seres incompletos

A doença é um distúrbio no processo vital

O problema é um desvio nos procedimentos

adotados pela organização


Assim, organismos e organizações apresentam uma série de aspectos específicos que os diferenciam. Uma das características mais particulares das empresas é sua capacidade de ampliar seu ciclo de vida, através de reorganizações contínuas. Percebe-se com isso a necessidade vital de as empresas se modernizarem constantemente, sob o risco de acelerarem o fim de seu ciclo de vida.


CARACTERÍSTICAS GERAIS
Um sistema pode ser visto como um todo organizado ou complexo; uma combinação de coisas ou partes, formando um todo complexo ou unitário. As idéias centrais da teoria de sistemas

OS PRIMÓRDlOS DA TEORIA DOS SISTEMAS
Se fizermos uma análise retrospectiva da teoria da administração, encontraremos a referência a idéia de sistemas, embora eventualmente primária, em obras de vários estudiosos. Taylor preconizava a sistematização da seleção dos trabalhadores e das condições de trabalho. Fayol via a administração como a integração de várias tarefas, integradas para o cumprimento de objetivos comuns. Mayo defendia a empresa como um sistema social, composto por seres humanos.

Follett propunha a unidade integrativa e Barnard defendia o equilíbrio entre as comunicações formal e informal, na empresa e fora dela. O que essas noções tinham em comum?



  • Havia sempre um objetivo que guiava a empresa, uma razão para a sua existência.

  • Para atingir esse objetivo, havia um input na empresa, uma combinação de fatores humanos, equipamentos e materiais utilizados em um processo de trabalho, que gerava um output, isto é, o resultado final da atividade organizacional, materializado em um bem ou serviço.

  • O controle e as medidas de desempenho eram necessários para comparar o desempenho real com o planejado e propiciar informações de feedback, realimentando o sistema para a avaliação das ações passadas e a tomada de decisões futuras.

  • O processo de transformação já era visto como sendo influenciado pelas interações entre funcionários e equipamentos.

aplicada à administração podem ser explicadas a partir dos seguintes aspectos:

  • Homem funcional - os papéis são mais enfatizados do que as pessoas em si. Nas organizações, as pessoas se relacionam através de um conjunto de papéis. Diferentes variáveis interferem nesses papeis: variáveis organizacionais, de personalidade e interpessoais. A interação de todas elas e fundamental para que a organização alcance maior produtividade.

  • Conflitos de papéis- as pessoas não agem em função do que são mas em função dos papéis que representam. Cada papel estabelece um certo tipo de comportamento: transmite uma certa imagem, define o que uma pessoa supostamente deve fazer, o que "não pega bem", "não é de bom tom", não condiz com o comportamento que se espera dela. Da mesma forma, nós não reagimos às ações das pessoas com quem nos relacionamos, mas aos papéis que estas desempenham. As expectativas geradas pelos papéis são em grande parte determinadas pelo contexto organizacional. A forma como cada um se comporta nesse complexo sistema de papéis irá determinar sua alteração ou manutenção. Dado que cada membro influencia e é influenciado pelos outros, as relações com os demais. Expectativas frustradas quanto aos papéis dos outros podem gerar conflitos internos na organização.

  • Incentivos mistos – conforme a integração específica de seus grupos ou subsistemas, a empresa deve encontrar o melhor equilíbrio entre incentivos monetários e não monetários. A obtenção desse equilíbrio irá se refletir no melhor desempenho de seus funcionários.

  • Equilíbrio integrado – “O sistema aberto define-se como um sistema em troca de matéria com seu ambiente, apresentando importação e exportação, construção e demolição dos materiais que o compõem”. Dada a complexidade da integração dos diversos subgrupos na formação do sistema empresarial, qualquer ação sobre uma unidade da empresa atingirá todas as outras unidades. A necessidade de adaptação ou reação obriga o sistema a responder de forma uma a qualquer estímulo externo.

  • Estado estável – Para impedir a entropia (tendência ao desgaste, à desintegração e ao aumento da aleatoriedade), a empresa procura manter uma relação constante na troca de energia com o ambiente. O estado estável pode ser atingido a partir de condições iniciais e através de meios diferentes. A organização se diferencia dos demais sistemas sociais pelo seu alto nível de planejamento.


O ENFOQUE SISTÊMICO NA ORGANIZAÇÃO
Toda organização se insere num meio ambiente onde se originam os recursos utilizados para o desenvolvimento da sua atividade (produção ou prestação de serviços) e para o qual se destinam os resultados do seu trabalho.
CHURCHMAN E A MECÂNICA DE AUTOMÓVEIS

"Os sistemas são constituídos de conjuntos de componentes que atuam juntos na execução do objetivo global do todo. O enfoque sistêmico é simplesmente um modo de pensar a respeito desses sistemas totais e seus componentes". Traçando analogias com situações cotidianas para explicar e defender a Teoria dos Sistemas em um ambiente empresarial, Churchman lembra que a melhor maneira de descrever um carro e fazendo menção à sua função - e não à sua estrutura, que pode variar incrivelmente. Por mais diferentes que possam parecer um jeep da Segunda Guerra e um carro futurista japonês, sua função será sempre a mesma.

Assim, um sistema é um conjunto de partes, coordenadas para realizar determinadas finalidades. O Objetivo do cientista da administração é justamente detalhar o sistema total: seu ambiente (condições importantes mas fora do controle da administração), sua finalidade, a estruturação de seus componentes (atividades) e os recursos disponíveis para as ações específicas do sistema. Daí a necessidade de sistemas de informações gerenciais, registrando as informações importantes para a tomada de decisões, disponibilidade de recursos e oportunidades.
A figura 01 representa esquematicamente o sistema organizacional, como um conjunto de três elementos interdependentes: entradas, processamento e saídas, envolvido pelas forças externas que provocam mudanças na estrutura e no desempenho de cada um desses elementos e como conseqüência afetam o sistema como um todo.

O meio ambiente que envolve a organização é representado nessa figura pelos elementos que influenciam diretamente o desempenho do sistema organizacional. Alguns dos aspectos que consideramos relevantes e que mais influenciam o desempenho do sistema organizacional são:



  • a atuação do Estado nas áreas política e legal, sancionando e estabelecendo leis, decretos e normas que definem prioridades e regulam o funcionamento dos agentes econômicos que atuam no ambiente empresarial;

  • a situação da economia e do sistema. Financeiro do país, que no nosso caso também sofre influência significativa das decisões dos órgãos governamentais, além da significativa participação do Estado na gestão de empresas que operam em setores considerados estratégicos;

  • o desenvolvimento tecnológico ou a disponibilidade de acesso as inovações tecnológicas;

  • o nível educacional e cultural da sociedade, que influi tanto na obtenção de mão-de-obra qualificada, técnica e de nível superior, quanto no comportamento do consumidor, refletido na exigência de um maior grau de qualidade e sofisticação dos produtos colocados no mercado;

  • a concorrência com outras organizações, que provoca a necessidade de um permanente esforço e acompanhamento das condições de mercado e busca de informações sobre clientes, produtos e serviços oferecidos;

  • a preocupação com a ecologia e a preservação do meio ambiente por parte dos órgãos oficiais e/ou não governamentais, que tem forçado as organizações a desenvolver novos processos de produção, utilizar outros componentes na fabricação e criar e manter uma imagem “ecologicamente correta” de sua linha de produtos e serviços.

O modelo representado na figura 2, apresenta os fatores que compõem os três elementos básicos do sistema em qualquer tipo de organização, visto que ele se insere no ambiente onde as mudanças são características intrínsecas.

As entradas (inputs) do sistema organizacional são os recursos que a empresa obtém ou extrai do ambiente. Compreendem as informações, o capital, a mão-de-obra, os equipamentos, a matéria-prima, etc.

O processamento se refere as competências das pessoas, aos procedimentos e a tecnologia adotada pela organização, tanto em termos administrativos quanta operacionais, para a transformação dos recursos utilizados em bens e serviços.

As saídas (outputs) são os resultados do processamento e compreendem os produtos, serviços e informações que serão destinados ao ambiente e mais especificamente aos clientes ou usuários da organização.

O que estamos procurando evidenciar nessa figura é o atendimento aos objetivos que a organização moderna pretende atingir e o efeito de “feedback” que o sistema oferece para a avaliação do desempenho da organização. Embora seja natural se considerar o lucro como objetivo principal da empresa, entendemos que a satisfação dos clientes e usuários é o que efetivamente conduz à obtenção do lucro, porque traz vantagens competitivas mais permanentes como par exemplo, as compras, repetitivas, a valorização da marca, a avaliação da qualidade e participação no mercado.



Figura 2 – O sistema organizacional

O processo de feedback, isto é o retorno das informações para alimentar o sistema, irá aparecer na forma de uma avaliação qualitativa e quantitativa dos resultados da atividade organizacional e do grau de atendimento às necessidades que se pretende satisfazer. A obtenção dessas informações pode ser provocada (através de pesquisa de campo) ou aparecer naturalmente, desde que a organização esteja acompanhando e monitorando os seus registros internos e os dados oriundos do seu próprio meio ambiente.


CRÍTICAS À ABORDAGEM SISTÊMICA
Uma das críticas mais severas com que se defronta a abordagem sistêmica na administração se refere a cientificidade excessiva no tratamento dos problemas da organização. Apesar de apresentar semelhanças com um sistema biológico, o sistema administrativo possui características próprias e as associações entre as relações internas da empresa e as que ocorrem na natureza (mutualismo, simbiose, parasitismo) devem ser consideradas dentro de limites claros. Exageros de paralelismo podem levar a considerar a empresa como um sistema cujo funcionamento é tão previsível quanto o dos sistemas biológicos.

Conforme diz Joan Woodward, uma das precursoras da Abordagem Contingencial que iremos discutir no capitulo VIII, criticando a excessiva ênfase e importância atribuída à teoria de sistemas aplicada a administração:

“A idéia de uma Teoria Geral dos Sistemas esta ganhando popularidade; procura-se desenvolver uma ciência universal usando-se elementos organizacionais comuns encontrados em todos os níveis do sistema como sua estrutura conceitual. Esta abordagem oferece possibilidades atraentes. (...) Mas é perigoso tomar como dado que os elementos organizacionais encontrados nos diferentes níveis do sistema tenham a mesma natureza ou operem da mesma maneira. É impossível saber até que ponto a analogia pode ser feita e é duvidoso que a descrição de um sistema social em termos cibernéticos, neste estágio, leve a uma melhor compreensão do sistema”.

Outro aspecto também contestado par diversos autores esta na ênfase desproporcional no ambiente. Embora a sobrevivência e o sucesso das empresas estejam cada vez mais condicionados a sua adaptação a um ambiente turbulento, a ênfase nas condições empresariais externas não deve ser exagerada. Segundo esses críticos, o ambiente interno da empresa não deve ser continuamente modificado em função de variações ambientais cujo impacto ainda não foi devidamente avaliado. A harmonia do ambiente interno também deve ser alvo de contínua atenção par parte dos gestores.



CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - UEA -


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