Bem vindo ao Mosteiro dos Jerónimos!



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Guião de visita ao Mosteiro dos Jerónimos

Bem vindo ao Mosteiro dos Jerónimos!

A tua visita de estudo deverá começar no exterior do monumento.


Antigamente, entre a cidade de Lisboa e a entrada do Tejo, existia uma pequena praia abrigada de ventos fortes e com boas condições de navegabilidade que, na época dos Descobrimentos, cresceu em importância. Chamava-se a este local “Praia do Restelo”. Era o porto mais seguro e mais procurado quer pelos navios que entravam no Tejo, quer pelos que se preparavam para abandonar Lisboa. Foi daqui que partiu a armada de Vasco da Gama em direcção à Índia, em 1497 e a de Pedro Álvares Cabral que aportou no Brasil, em 1500.
Foi neste sítio que o Rei D. Manuel I decidiu mandar construir o Mosteiro dos Jerónimos. Em 1501 ou 1502 deu-se início à sua construção, tendo a primeira pedra sido colocada no dia 6 de Janeiro e as obras demorado cerca de 100 anos. Diogo de Boitaca foi o primeiro arquitecto responsável pelo projecto muito embora, com o passar dos anos, outros mestres tivessem ficado encarregues da obra, correspondendo a cada um, uma nova fase de construção.

A pedra utilizada é o calcário de lioz, então muito abundante nesta zona.

As despesas deste grande projecto foram pagas com a chamada “Vintena da Pimenta” ou seja, um imposto criado pelo Rei que consistia em 5% de todo o ouro trazido da Guiné bem como das especiarias e pedras preciosas vindas da Índia.
Aqui viveram os monges da Ordem de S. Jerónimo até ao ano de 1833. Estes monges tinham como funções, entre outras, rezar pela alma do Rei e prestar assistência espiritual aos navegadores que da Praia do Restelo partiam à descoberta de novos mundos.

Antes de entrares no Mosteiro dos Jerónimos observa, com atenção, toda a sua fachada. Nem sempre foi assim o seu aspecto. No séc. XIX o edifício sofreu algumas modificações que, embora não tenham alterado a sua estrutura primitiva, vieram dar-lhe a forma que hoje lhe conhecemos.




Portal Sul

Nesta fachada existe um grande portal que, pela sua orientação, é conhecido por Portal Sul. Apesar da sua grandiosidade e da riqueza da sua decoração não é a porta principal do Mosteiro, no entanto, deves olhar, com muita atenção, os seguintes pormenores:




  • a figura central, Nossa Senhora dos Reis ou Santa Maria de Belém, sob a protecção da qual foi construído o Mosteiro. Este monumento é também conhecido por Mosteiro de Santa Maria de Belém. Numa das mãos, Nossa Senhora segura o Menino-Deus; na outra, o vaso de ofertas dos Reis Magos.

  • a figura do Infante D. Henrique, de barba, representado como guerreiro, vestindo uma armadura e com uma espada na mão. Essa estátua está colocada no pilar que se encontra exactamente entre as duas portas. Repara que na base desse pilar existem dois leões, símbolos de S. Jerónimo.

  • o Arcanjo S. Miguel - Anjo Custódio (protector) de Portugal - mesmo no cimo do portal.



Portal Axial (principal)




Embora de dimensões mais pequenas e menos majestoso que o Portal Sul, este é o mais importante Portal dos Jerónimos, quer pela sua localização (frente ao Altar-Mor), quer pela sua decoração. Aqui encontram-se representadas, nos nichos do topo, Cenas do Nascimento de Jesus Cristo: da esquerda para a direita – Anunciação (o anjo anuncia a Maria que vai ser mãe de Jesus); Natividade (nascimento de Jesus); Epifania (adoração dos Reis Magos). Mais abaixo encontram-se as estátuas do Rei D. Manuel I e da Rainha D. Maria, com os seus santos patronos: S. Jerónimo e S. João Baptista, respectivamente. Neste Portal trabalhou Nicolau de Chanterene que aqui introduziu alguns elementos característicos da Arte do Renascimento: os anjos vestidos à romana; os querubins (motivo decorativo composto por uma cabeça de criança com um par de asas); o pormenor e o realismo com que foram representadas as estátuas dos Reis e ainda o excelente estudo do nu de S. Jerónimo.
Ao longo da tua visita irás encontrar várias representações de S. Jerónimo quer em pintura, escultura ou mesmo vitral. Assim, são três as pinturas mais importantes:


  • O Penitente no deserto, (no sub-Coro, junto ao túmulo de Vasco da Gama) o santo é apresentado magro, num local deserto, castigando-se, com uma pedra na mão e meditando em frente de um crucifixo;

  • O Estudioso na sua cela (no Refeitório) – o santo está representado sentado à sua mesa de trabalho, rodeado de livros abertos;

  • O Doutor da Igreja (no Coro-Alto) – o santo encontra-se de pé, numa atitude solene, vestido com um traje vermelho, de cardeal, com o respectivo chapéu.

Qualquer que seja, porém, a representação de S. Jerónimo, reconhecê-lo-ás, de imediato, pois junto a ele está quase sempre um leão e a Bíblia.




Igreja

Vais agora entrar na igreja. Lembra-te que este é um local de oração, por isso deves manter-te em silêncio.


Ao entrares, tens a sensação de estar numa gruta. O tecto, em abóbada, é composto por várias nervuras, que são as estruturas de pedra que têm origem nos respectivos cantos para se multiplicarem pelo tecto; chama-se então, uma abóbada polinervada. A juntar cada uma das nervuras, observas um elemento circular, feito de pedra, designado por fecho de abóbada. Nesses elementos podes encontrar motivos que caracterizam o estilo manuelino: cruz da Ordem militar de Cristo, esfera armilar, cordas náuticas e motivos vegetalistas. À medida que avanças em direcção à Capela-Mor, a zona mais escura da entrada vai dando lugar a zonas de maior luminosidade.


Sub-coro

Faz uma paragem no sub-coro. Aqui foram colocados, no séc. XIX, dois túmulos: no lado norte, o de Vasco da Gama; no lado sul, o de Luís de Camões. Começa por observar a abóbada, por cima do túmulo de Vasco da Gama.



Vasco da Gama (1468?-1524), como sabes, descobriu o caminho marítimo para a Índia, um marco fundamental na História de Portugal e do mundo; Luís de Camões (1524?–1580) foi o maior poeta português e um dos mais importantes da literatura europeia. N’ Os Lusíadas descreve, de forma heróica, a aventura marítima dos portugueses. Nos respectivos túmulos estão representados alguns elementos decorativos referentes à vida e aos feitos destes dois personagens da História de Portugal. Observa-os, então, com muita atenção.
Continua o teu percurso e dirige-te ao corredor central da igreja ou seja, à nave central. Observa à tua volta e repara que as colunas aí existentes são ricamente decoradas. A cobertura do tecto é em forma de arco, isto é, uma abóbada. Todos os vitrais do mosteiro são já do séc. XX (1938). Os que cobrem os dois janelões da parede sul representam imagens dos reis fundadores, D. Manuel I e sua mulher, D. Maria, cada um deles com os respectivos santos patronos. D. Manuel, acompanhado por Vasco da Gama, antes da partida para a Índia e D. Maria rodeada das suas aias e de alguns monges jerónimos. Ao centro, podes ver a imagem de Santa Maria de Belém ou Nossa Senhora dos Reis. A Virgem tem o Menino ao colo; em segundo plano, uma imagem de Lisboa antes do terramoto de 1755; em baixo, as naus dos Descobrimentos.
Avança agora até subires um pequeno degrau. Detém-te aí por alguns segundos. Se olhares para cima podes observar uma enorme abóbada decorada com grandes medalhões de bronze dourado - são os fechos da abóbada. Nesses medalhões estão representados vários símbolos:


  • reais (Escudo com as armas reais e Esfera Armilar);

  • religiosos (Cruz da Ordem Militar de Cristo).



Capela-Mor

Caminha, de seguida, em direcção à Capela-Mor. Observa os túmulos de mármore aí colocados sobre elefantes. Aqui encontram-se os restos mortais do rei D. Manuel I e de sua mulher, a rainha D. Maria (lado norte); do seu filho, Rei D. João III e de sua mulher, a Rainha D. Catarina de Áustria (lado sul).

Quis o Rei D. Manuel I que o mosteiro servisse de panteão real (edifício funerário ou igreja onde se colocam túmulos de monarcas), tendo os monges ficado com a obrigação de rezar uma missa, por dia, pela alma do rei e dos seus sucessores.

Esta capela, tal como hoje se encontra, foi mandada construir pela Rainha D. Catarina e foi inaugurada em 1572. Observa as diferenças existentes na arquitectura, entre esta capela e o resto da igreja. O arquitecto responsável por este projecto foi Jerónimo de Ruão que introduziu elementos característicos da arte maneirista. Aqui, encontras colunas de duas ordens clássicas e mármores coloridos, por oposição ao calcário de lioz, empregue no corpo da igreja.


Ao fundo desta capela (mesmo por trás do altar) podes apreciar cinco pinturas da autoria de Lourenço de Salzedo, com cenas que representam a Paixão de Cristo, em cima e a Adoração dos Reis Magos, em baixo. As três pinturas de cima representam o sofrimento e a morte de Cristo, enquanto as duas de baixo referem a Adoração dos Reis Magos. Ao centro encontra-se o magnífico sacrário de prata da autoria do ourives João de Sousa e oferecido pelo rei D. Pedro II, cumprindo a promessa de D. Afonso VI, em acção de graças pela vitória alcançada contra os espanhóis na Batalha de Montes Claros (1665), a qual pôs fim à Guerra da Restauração.
Sai da igreja e dirige-te agora para o Claustro.


Claustro

O claustro é uma construção normalmente de forma quadrangular com um ou dois andares constituídos por galerias cobertas, abertas para um pátio através de arcadas. Aparece quase sempre encostado a um dos lados da igreja, localizando-se à sua volta as várias dependências conventuais: Sala do Capítulo; Refeitório e outras.


O claustro do Mosteiro dos Jerónimos é considerado um dos mais belos do mundo. Repara na beleza e riqueza dos pormenores esculpidos. Este local era destinado apenas aos monges que o usavam para a leitura, oração,

meditação e lazer. Por isso, ao longo das suas paredes, por baixo da arcada, poderás observar inúmeros medalhões em pedra, representativos das cenas da Paixão de Cristo, entre outros com símbolos régios. Era também por aqui que os monges tinham acesso ao Refeitório, Sala do Capítulo, Sacristia e Coro Alto.


Dirige-te à Sala do Refeitório.


Refeitório

Os monges tomavam, em conjunto, as suas refeições no Refeitório. O ambiente que se vivia, durante as refeições era de solenidade, obedecendo os monges a regras próprias de comportamento. Não era permitido conversar pois, durante a refeição, um dos monges lia passagens da Bíblia ou algum outro livro religioso. Para que todos pudessem ouvir claramente, utilizavam um púlpito de madeira (espécie de varanda, construída também em pedra, existente nas igrejas e usada pelos sacerdotes quando pretendem pregar).



Esta sala encontra-se revestida de azulejos (séc. XVIII) representando cenas do Antigo e Novo Testamento.

No topo norte dessa Sala, por cima do painel de azulejos que representa o Milagre da Multiplicação dos Pães, vê-se uma pintura de Avelar Rebelo, representando S. Jerónimo (volta a observar as pinturas do Santo). É uma pintura a óleo sobre tela, do séc. XVII. Deves observar, no quadro, os símbolos relacionados com a figura de S. Jerónimo: o leão; a caveira; o chapéu e o manto de cardeal; a vela, a ampulheta (relógio de areia); o crucifixo e os livros.

No topo sul, por cima da lareira (do séc. XIX) e enquadrado por moldura de pedra lavrada está uma pintura mural (óleo sobre estuque) representando a Adoração dos Pastores. Nossa Senhora expõe o Menino Jesus num lençol branco para ser adorado pelos pastores. Do lado direito da Virgem está S. José. Em redor, os pastores. Um deles traz às costas um borrego; outro um cesto e outro ainda, um cabrito. Vê-se o tocador da gaita de foles, o boi e a mula. Esta pintura terá sido feita no final do séc. XVI.
Sai do Refeitório e continua o teu percurso pelo Claustro em direcção à Sala do Capítulo.
À medida que fores andando repara que o Claustro dos Jerónimos tem dois pisos com tectos abobadados. Nas alas e arcos do piso inferior abunda uma decoração manuelina, isto é, como já sabes, representações naturalistas (plantas e animais de terras distantes), símbolos nacionais e emblemas do rei, bem como temas religiosos e náuticos. Olha então, com muita atenção, à tua volta e procura encontrar estes elementos decorativos.
No piso superior a decoração é renascentista obedecendo a uma evolução natural do projecto à medida que ia sendo executado sob a responsabilidade dos mestres João de Castilho e Diogo Torralva.

Mar Português

Ó Mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.


Fernando Pessoa, in Mensagem

A caminho da Sala do Capítulo não podes deixar de reparar no túmulo de Fernando Pessoa. Este poeta nasceu em Lisboa em 1888 e morreu em 1935. Os seus restos mortais foram trasladados (mudados de um local para outro) para o Claustro do Mosteiro dos Jerónimos em 1985. Fernando Pessoa escreveu um livro de poemas alusivos ao tema dos Descobrimentos, que é um marco na literatura portuguesa e se chama Mensagem.


Para além disso, Fernando Pessoa gostava de visitar os Jerónimos com frequência.


Sala do Capítulo

Nos Mosteiros, a Sala do Capítulo era a sala de reuniões dos monges. Após a missa da manhã, a comunidade juntava-se na Sala do Capítulo para a reunião diária que começava com a lembrança do santo do dia, seguindo-se a leitura de um Capítulo da Regra de Santo Agostinho. Depois os monges discutiam problemas relativos à sua vida administrativa: compra de terras; atribuição e distribuição de determinadas tarefas entre eles, etc. A disciplina era também um assunto aqui tratado.


Neste Mosteiro, o portal da Sala do Capítulo ficou terminado no séc. XVI. O seu interior é do séc. XIX, conforme podes ver, se olhares para a inscrição num dos fechos da abóbada. Assim, e para funções do “Capítulo” os monges utilizavam outro espaço que não este. Ao centro está colocado o túmulo de Alexandre Herculano, historiador e romancista do séc. XIX e primeiro presidente do Município de Belém.
De novo no Claustro, deves encaminhar-te para a porta que dá acesso ao segundo piso do Claustro e ao Coro-Alto. Antes, porém, repara na parede sul. As várias portas que aqui vês correspondem aos antigos confessionários. Do outro lado da parede ou seja, do lado da igreja, há portas iguais a estas. O confessor entrava pelo Claustro e o penitente pela igreja, ficando ambos separados por uma grade de ferro.
Sobe agora a escadaria que dá acesso ao Coro-Alto. Entra pela porta que se encontra ao cimo dessa escada, mas do teu lado esquerdo.

Coro-Alto
O Coro-Alto era um espaço muito importante para as orações dos monges. A oração comunitária também chamada “Ofício Divino” era o mais significativo dos deveres religiosos. Essa oração repartia-se por sete momentos ou seja sete horas – As Horas Canónicas – ao longo do dia. Assim, sete vezes por dia, os monges entravam no Coro-Alto para rezar, recitando ou cantando o referido “Ofício Divino”. Faziam-no então no Cadeiral (fila de cadeiras de madeira, ligadas umas às outras e fixas aos dois lados das paredes de um Coro). Na primeira parte dessa longa oração, os monges podiam estar sentados nas cadeiras do Cadeiral; na segunda, tinham de rezar de pé. Neste caso, era-lhes permitido apoiar-se nas misericórdias ou seja, numa pequena peça saliente colocada por baixo do assento de cada uma das cadeiras do Coro. Isso permitia então ao monge apoiar-se, aliviando, por momentos, o peso que exercia sobre os seus pés.
O cadeiral foi desenhado pelo arquitecto Diogo de Torralva e executado, em 1550, pelo mestre Diogo de Çarça. Esta obra merece ser admirada na sua globalidade mas especialmente nos pormenores de escultura que apresenta. Existem aqui duas séries de cadeiras. Cada uma possui um assento levadiço no qual se encontra a “misericórdia” decorada com vasos, cabeças de jovens, guerreiros e animais fantásticos. As cadeiras são diferentes umas das outras precisamente pela decoração que possuem. Umas apresentam temas profanos, ou seja, que nada têm a ver com assuntos sagrados: paisagens, homens, etc.; outras, têm uma decoração de inspiração religiosa com imagens de santos.

As pinturas colocadas na parede à volta do cadeiral são do séc. XVIII e representam alguns apóstolos e outros santos, entre eles São Jerónimo e Santo Agostinho.

Antes de saíres do Coro, detém-te um pouco frente à imagem do Cristo Crucificado. Essa imagem é feita de madeira e é uma obra atribuída ao escultor flamengo Philippe de Vries. Foi oferecido pelo Infante D. Luís (filho do rei D. Manuel) ao Mosteiro, em 1551.

Sai do Coro-Alto. Passeia pelos corredores do piso superior do claustro. Observa as gárgulas (escultura saliente que servia para escoar a água da chuva). Estas representam animais. As que têm um sulco são as originais (séc. XVI) e as que não têm, são apenas decorativas e foram acrescentadas no séc. XIX.

À volta da varanda deste piso, podes observar várias esculturas em nichos. Representam o rei D. Manuel I (de chapéu, a apontar para cima), rodeado de virtudes com forma humana, santos e profetas da Bíblia.

Estás a chegar ao fim desta visita. Muito ficou ainda por contar e descobrir. Cabe-te essa tarefa!









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