Bernard nathanson



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Encontro29.07.2016
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Testemunhas do Amor

BERNARD NATHANSON

Como é possível que um médico convictamente militante pró-aborto, durante bastantes anos, e que praticou, segundo confessa, cinco mil abortos, se converta num activista pela vida, mudando completamente a sua visão? Aconteceu com o médico ginecologista e obstetra norte-americano Bernard Nathanson, falecido no passado dia 21 de Fevereiro, aos 84 anos.

Bernard Nathanson era judeu e, nos anos 60 e 70, do século passado foi um grande promotor da legalização do aborto no seu país, tendo fundado uma associação com a finalidade de promover a revogação das leis que impediam o aborto. Ele próprio, numa conferência em Madrid, explicou a estratégia que usavam com a manipulação e aumento dos números relativos ao aborto:

"É uma táctica importante. Dizíamos, em 1968, que na América se praticava um milhão de abortos clandestinos, quando sabíamos que estes não ultrapassavam os cem mil, mas este número não nos servia e multiplicámos por dez para chamar a atenção. Também repetíamos constantemente que as mortes maternas por aborto clandestino se aproximavam de dez mil, quando sabíamos que eram apenas duzentas, mas esse número era muito pequeno para a propaganda. Esta táctica do engano e da grande mentira, se se repete constantemente, acaba sendo aceite como verdade. Nós lançámo-nos à conquista dos meios de comunicação social, dos grupos universitários e sobretudo das feministas. Eles escutavam tudo o que dizíamos, inclusive as mentiras, e logo divulgavam nos meios de comunicação social, base da propaganda." (Conferência realizada no Colégio Médico de Madrid, em 5 de Novembro de 1982, intitulada: "Eu pratiquei cinco mil abortos).

O ano de 1979 foi aquele em que praticou o seu último aborto. A partir desse ano, conhecendo pelo avanço dos estudos de embriologia que o feto desenvolve uma vida semelhante à da criança fora do útero, começou a interrogar-se sobre sua prática abortista. O ponto de partida para a sua mudança foi o visionamento de um vídeo sobre um dos abortos por ele praticado. Horrorizado com o que viu, converteu-se em defensor do “direito de nascer”.

Em 1996, publicou a sua autobiografia, com o significativo título de “A mão de Deus: uma viagem da morte à vida, pelo Dr. Aborto, que mudou de opinião”. Nesse livro conta como o desenvolvimento da tecnologia de ultra-som lhe permitiu ver imagens de crianças por nascer, o que influenciou decisivamente a sua mudança de mentalidade. Tornou-se então um veemente activista pró-vida. É dele a afirmação de que o aborto é "o holocausto mais atroz da história dos Estados Unidos". Fez dois documentários muito influentes sobre o aborto: "O Grito Silencioso" (1984) e "O eclipse da razão" (1987). Denunciou os grandes interesses económicos que estão por detrás da prática do aborto.

Nathanson era um judeu ateu, mas em 1996 recebeu dom da fé e converteu-se ao catolicismo com a ajuda do Padre John McCloskey, do Opus Dei. Foi baptizado nesse ano pelo cardeal John O'Connor, na catedral de São Patrick, em Nova York, na festa da Imaculada Conceição. "Nathanson foi uma figura de referência no movimento pró-vida - disse o Padre McCloskey. Foi a sua consciência que o levou a reconhecer a evidência científica que mostra que a vida do nascituro existe desde a concepção e deve ser protegida desde a concepção até a morte natural". "Ao mesmo tempo - acrescentou -, depois de muitos anos de pesquisa, recebeu o dom da fé católica”.



P. Jorge Guarda
Este artigo pode ser encontrado também no meu blog, no seguinte endereço: http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt


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