Beyond the trunk and the lamppost



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PARA ALÉM DO TRONCO E DO POSTE1

O que a capa do jornal Extra diz do jornalismo, da memória e da história
BEYOND THE TRUNK AND THE LAMPPOST

What does Extra cover say of journalism, memory and history
Michele da Silva Tavares e José Cristian Góes2

RESUMO: Este artigo propõe uma reflexão sobre a convocação da memória e da história pelo jornalismo, a partir da composição da capa do Extra, edição de 8 de julho de 2015, em que compara-se uma imagem da escravidão do século XIX com um linchamento e morte em São Luiz/MA, submetendo-a a uma perspectiva analítica verbo-visual. Através dela, podemos perceber uma série de acionamentos de memória e de história que possibilita ir além do jornalismo factual, percebendo-o em meio a complexas articulações e jogos que vão reduzir a análise das temáticas propostas, em uma ação seletiva de memória e de esquecimento. Nessas condições, o jornalismo é agente de memória, uma experiência viva que encadeia passado e futuro, superando a lógica de um presentismo estéreo.
Palavras-chave: Jornalismo. Memória. História. Extra.
ABSTRACT: This article proposes a reflection on journalism’s convening of the memory and history, from Extra’s cover composition, July, 8th, 2015 edition, when it compares an image from the bondage of the 19th century with a lynching and death in São Luiz/MA, submitting it to an analytical verb-visual perspective. Through it, we can realize a series of memory and history settings that makes it possible to go beyond factual journalism, realizing it in the midle of complex joints and games that will reduce the thematic analysis proposals, in a selective action of memory and forgetfulness. In these conditions, the journalism is agent of memory, a living experience that binds past and future, overcoming the logic of a stereo presentism.
KEYWORDS: Journalism; Memory; History; Extra.

1. INTRODUÇÃO

No dia 7 de julho de 2015, uma foto de Cleidenilson da Silva, 29 anos, negro e nu, amarrado em um poste na periferia de São Luís, no Maranhão, circulou em sites noticiosos e nas redes sociais. Ele era acusado de roubo. Foi capturado, espancado e executado por “populares”. No dia seguinte, a capa do jornal Extra (08/07/2015), do Rio de Janeiro, é toda dedicada ao fato (Figura 1). A manchete foi: “Do tronco ao poste”. Abaixo de “tronco”, o jornal usa uma ilustração de Jean Baptiste Debret, que mostra um escravo sendo açoitado no pelourinho. O desenho é do século XIX. Na sequência, vem “ao poste” e a fotografia de Cleidenilson morto.

Ao noticiar o linchamento, o jornal compara uma situação contemporânea, de junho deste ano, com um período da escravidão brasileira do século XIX. O Extra pergunta: “Os 200 anos entre as duas cenas acima servem de reflexão: evoluímos ou regredimos?”.
Figura 1


Capa do jornal Extra de 8 de julho de 2015
Este é um caso rico, entre tantos, para uma série de análises. O que pretendeu o jornal quando associou o passado do “tronco” ao presente do “poste”? Ao perguntar se evoluímos ou regredimos, qual resposta espera? Se sugeriu igualdade entre uma ação do sistema escravagista com um justiciamento contemporâneo, não se corre o risco de apagar ou inverter tanto a barbárie da escravidão quanto a do linchamento? O objetivo desse trabalho é, portanto, discutir a convocação da memória e da história pelo jornalismo, a partir da composição dessa capa do Extra, perguntando: o jornalismo faz emergir memórias e histórias para tentar contar o presente?

A primeira página de um jornal ou revista fornece um meio vital de estabelecer a mensagem ou a identidade da marca para o leitor (CALDWELL e ZAPPATERRA, 2014). A escolha da capa do Extra, em detrimento de outras publicações da mesma natureza, também perpassa a natureza da publicação e da sua representatividade no mercado de impressos. O jornal foi fundado em 1998, no Rio de Janeiro, como jornal popular, diário, combinando preço baixo, notícias de impacto sensacionalistas, grandes imagens em cores e alta circulação. Ele pertence ao Grupo Globo, que detém muitos produtos de imprensa, como o jornal O Globo e a revista Época, além de emissoras de rádio, de TV e portais na internet. Em menos de dez anos esse jornal tornou-se um fenômeno de vendas em banca. Segundo dados do Instituto de Verificação de Circulação (IVC) de 2010, o Extra vendeu 302.697 exemplares, em média, por dia nas bancas naquele ano, ficando em segundo lugar no país, perdendo para o Notícias Populares, de Belo Horizonte.

A capa em questão registra a barbárie de uma sociedade que não vive mais sob a lógica do sistema escravagista, mas ele é acionado pelo jornal para abordar um caso de justiciamento no Maranhão em junho de 2015. Nesse sentido, pretende-se compreender como a capa do jornal pode estabelecer uma relação temporal associada aos acontecimentos históricos, destacando os perigos desses acionamentos e dos resgates temporais, muitas vezes com objetivos de contribuir para uma memória manipulada, constituindo-se em matéria de esquecimentos.

Essa reflexão ocorre percebendo as articulações entre o jornalismo, a história e a memória social, esta última entendida como uma coletânea de “rastros deixados pelos acontecimentos que afetaram o curso da história dos grupos envolvidos, e que se lhe reconhece o poder de encenar essas lembranças comuns” (RICOEUR, 2008, p. 129). Para isso, fez-se necessária uma rápida análise sócio-histórica para perceber as relações entre jornalismo e memória na compreensão dos acontecimentos ao nosso redor, principalmente a partir de Zelizer (2008) e Kitch (2008).

Do ponto de vista metodológico, a perspectiva verbo-visual pontuada por Gonzalo Abril (2007) apresenta-se como um caminho analítico pertinente. O autor convida-nos a ver os modos de articulação dos elementos que compõem a capa do jornal, sem separá-los em unidades analíticas distintas, mas em sincronia texto-imagem, produzindo sentidos que são percebidos na leitura da composição como um todo. Promove-se também uma aproximação teórica com Roland Barthes (1990), sobretudo no trato da fotografia no jornalismo, para auxiliar a identificação dessas marcas de memória e história, visíveis e invisíveis. Busca-se pensar o que o jornalismo constitui como realidade no imaginário coletivo e como esse texto verbo-visual pode ser compreendido, a partir da experiência visual para o indivíduo que o produz ou interpreta, em três dimensões: a visual, o olhar e a imagem.


2. A capa e a experiência visual: modos de ver, ler e significar

A capa do jornal Extra que estamos analisando é produzido em formato standard3 e pode estabelecer uma experiência visual com o leitor de diversas formas. Consideremos sua disposição nas bancas de jornal como forma de visualização tradicional: 1) o jornal pode ser encontrado nos pontos de vendas, dobrado em pilhas, possibilitando a leitura de parte da manchete (“Do tronco”) e a visualização da imagem de um escravo sendo açoitado no pelourinho, no Brasil do século XIX, no centro ótico4 da composição; 2) o jornal pode estar em exposição, “desdobrado” e “pendurado” nas bancas, possibilitando a leitura da manchete de forma integral, cujo texto apresenta-se centralizado, em uma relação de associação de parte de seu conteúdo a cada uma das imagens – “Do tronco”, ilustração 1; “Ao poste” – ilustração 2 – com layout complementado pelo fundo em cor preta.

Na primeira situação, o leitor depara-se, imediatamente, apenas com uma ilustração que aciona um fato passado. Na segunda experiência visual descrita, a disposição da capa na íntegra, possibilita ao leitor fazer uma varredura visual completa (Figura 2), onde o olho geralmente inicia o trajeto no centro ótico da página, descendo até a parte inferior do layout, onde encontra a fotografia que registra a cena de Cleidenilson, morto, amarrado em um poste, após ser espancado por populares, culminando no texto que contextualiza o acontecimento. Cabe ressaltar que a capa sugere um movimento visual que se desloca com rapidez em diagonal para o lado inferior oposto, projetando-se do lado superior esquerdo (zona primária de visualização) para o lado inferior direito (zona secundária). Os elementos visuais estão assentados na cor preta, com efeito de contraste “pesado” na relação figura-fundo, preenchendo assim as zonas mortas5 da capa.
Figura 2: Capa e Formas de Visualização


Centro Ótico

Zona Primária

Zona Secundária

Itinerário de apresentação dos elementos

Capa do jornal Extra de 8 de julho de 2015


Além dessas considerações estruturais, identifica-se a presença de memórias e de histórias (do passado) que o jornalismo mobiliza para contar um acontecimento presente. A composição visual da página e o movimento de visualização que ela possibilita, instiga-nos e nos auxilia nesse processo de interpretação da mensagem: na primeira imagem, em preto e branco (denotando um acontecimento passado), a mão direita do algoz, ao alto, segura firmemente um chicote, com o objetivo de punir o escravo despido, amarrado ao tronco. Há também outras figuras perfiladas, escravos, soldados e populares assistindo a certa distância aquele ato de tortura; na segunda imagem, colorida (o que pode denotar alguma proximidade com o tempo presente), pode-se percebe a ausência do “algoz” e do “escravo” personificados. “Populares” vêm perfilados uma certa distância o jovem morto amarrado ao poste. Na sequência, com a análise sócio-histórica ampliaremos nossas interpretações.

A disposição dos elementos na composição da capa e a ordem de apresentação da manchete, das imagens e do texto noticioso convidam-nos a refletir sobre os significados possíveis que o jornalismo constrói ao abordar os acontecimentos. Considerando aqui a materialidade do jornal e a forma como se apresenta ao público, há suas diversas formas de “ver” e “ler” a notícia que motivam essa composição verbo-visual da capa do impresso. Deixamos claro que há inúmeros caminhos analíticos que possibilitam compreender os questionamentos oriundos da observação crítica da página do jornal.



Neste artigo, consideramos apenas a capa (e seus elementos constituintes) como unidade de análise, com o objetivo de compreender as contraposições e analogias que podem ser destacadas a partir de sua composição, porém sem fragmentá-la em unidades. Um caminho metodológico que dialoga com a natureza do objeto e a proposta da reflexão é a perspectiva de análise verbo-visual defendida por Gonzalo Abril (2007). Essa concepção semiótica, que possibilita a ver os modos de articulação dos elementos texto-visuais que integram a composição da capa, convida-nos a pensar aquilo que o jornalismo constitui como realidade no imaginário coletivo. Segundo o autor, é possível pensar essa experiência visual como uma síntese de três dimensões: a visual, o olhar e a imagem6 (ABRIL, 2007).

O nível visual corresponde ao ato perceptivo “ver algo”, em um encontro construtivo com o objeto visível e invisível. Além disso, a visualidade é intencional e situa-se na esfera filosófica da experiência sensível (o que vemos), que aciona memória prévia, individual e coletiva. É neste sentido que Abril (2007) refere-se à visualidade no sentido de “visão socializada”, que remete a relação visual entre o sujeito e o mundo mediada por um conjunto de discursos, redes significantes, interesses, desejos e relações sociais do observador, sem omitir o que se dá nas situações contingentes da vida diária.

No nível do olhar, a intencionalidade sobrepõe-se e apresenta-se carregada de subjetividades referentes ao desejo e ao afeto, ao hábito e ao comportamento institucionalizado. A forma “como olhamos” é determinada por modos de apropriação simbólica, que incluem o imperialismo panóptico7 (o poder de olhar sem ser observado) e o recato por efeito de algum monopólio político do olhar. O exercício do olhar requer conhecimentos prévios, condições técnicas, estruturas simbólicas determinadas e não envolve apenas condições perceptivas e sensoriais como no ato de ver. Ou seja, não há posse do olhar sem a incidência de regras que regulamentem a “mirada” (ABRIL, 2007).

No caso do Extra é possível pensar no olhar editorializado que se estabelece a partir de regras e de posicionamento político inerentes ao jornal, como o olhar que aposta na tensão, no exagero do impacto visual em relação aos acontecimentos, culturalmente instituídos por esse tipo de publicação. Neste sentido, o itinerário de apresentação dos elementos dispostos na capa pode ser compreendido no nível do olhar, ou seja, é uma forma que o jornal oferece ao leitor para olhar o acontecimento acionando uma carga simbólica histórica ao associar o justiciamento em suas formas de manifestação (“tronco” e “poste”). Neste registro, o jornal possibilita olhar sem ser observado e ainda assim ser coadjuvante.

E, no nível da imagem, o discurso visual remete a uma representação ou auto-representação coletiva e ao peso epistêmico, estético e simbólico da experiência visual. Essa dimensão dá conta da ordem dos conflitos por conquistas e dos imaginários. Destaca-se, entretanto, que embora a noção de imagem seja demasiado genérica e imprecisa, retoma-se que o uso mais habitual refere-se à imagem (ou representações visuais) como uma classe de ícone, de signo relacionado com seu objeto por semelhança (tronco/poste), conforme a perspectiva de Charles Pierce8. Segundo Abril (2007), a relação icônica nunca é imediata e a semelhança atribui-se sempre a partir de alguma convenção, sejam eles os critérios ou os padrões de semelhança próprios de uma cultura.

Ao pensar a cultura visual e sua relação com o espaço público, Abril (2010) destaca que o olhar é orientado e restringido conforme um regime de visão. Ele pontua o papel das imagens visuais na conformação e/ou deformação do espaço público-político e o espaço comum. Para compreendê-las, devem ser abordados o lugar e a função das imagens sobre todos os imaginários, porque os ordenamentos políticos sustentam-se e se expressam precisamente em imaginários culturais. Estes não consistem apenas em repertórios de imagens ou representações compartilhadas, já que as imagens não são entidades ou eventos desconectados. Elas nunca estão sozinhas, nem é possível reconhece-las fora de redes imaginárias (ABRIL, 2010).

Neste sentido, pelo fato de a imagem (fotográfica) ser característica dominante do layout da capa do Extra – a ilustração de Debret parece ganhar status de fotografia, ou vice e versa - encontramos em Roland Barthes (1990), algumas considerações que auxiliam na identificação dessas marcas de memória e de história, visíveis e invisíveis, e que ao serem acionadas pelo jornalismo, estabelecem relações temporais associadas aos acontecimentos datados na história. O autor, no entanto, tem uma percepção metodológica diferente de Gonzalo Abril. Para Barthes (1990), a análise da mensagem da fotografia jornalística deve focalizar em cada estrutura isolada, ainda que ela não exista dissociada de um texto escrito. Ele propõe uma análise estrutural de cada elemento.

Interessa-nos sua percepção da fotografia como mensagem. Barthes reconhece que, apesar de a fotografia ser um objeto dotado de autonomia estrutural, ela não está isolada, pois identifica-se com o texto que a acompanha (título, legenda ou artigo). A totalidade da informação está apoiada no texto e na fotografia. Tomando como exemplo a fotografia de imprensa e a forma como ela estrutura-se no espaço da publicação e na sua relação com o leitor, Barthes (1990) atenta para a necessidade de analisar o registro fotojornalístico, não apenas ao nível dos seus conteúdos ideológicos, como também dos “códigos” específicos da fotografia. Por isso, defende como hipótese que a mensagem fotográfica no jornalismo seja conotada, pois impõe um sentido, em contraposição à ideia da fotografia artística, cuja mensagem é denotada (ou reprodução análoga à realidade) e impossível de ser descrita, pois significaria uma coisa diferente daquilo que é mostrado.


A conotação não se deixa apreender imediatamente ao nível da própria mensagem (é, ao mesmo tempo, invisível e ativa, clara e implícita), mas já podemos atribuir-lhe certos fenômenos que se passam ao nível da produção e da recepção da mensagem: por um lado, uma fotografia jornalística é um objeto trabalhado, escolhido, composto, construído, tratado segundo normas profissionais, estéticas ou ideológicas, que são outros tantos fatores de conotação; por outro lado, essa mesma fotografia não é apenas percebida e recebida, é lida, vinculada, mais ou menos conscientemente, pelo público que a consome, a uma reserva tradicional de signos [...]. (BARTHES, 1990, p.15).
Neste sentido, Barthes define seis procedimentos de conotação, que não fazem parte da estrutura fotográfica, mas que podem ser traduzidos como termos estruturais da sua mensagem: trucagem, pose, objetos, fotogenia, estetismo e sintaxe. Para fins desta análise, enfatizaremos apenas os três primeiros procedimentos, onde a conotação é produzida por uma modificação do real e das unidades significantes.

A “trucagem” (truque fotográfico) caracteriza-se por intervir no interior do plano de denotação (da ideia de real e de verdadeiro), para conotar algo por meio da manipulação dos elementos da fotografia, aproximando, afastando ou eliminando elementos. Segundo Barthes, a significação a partir desse procedimento só se torna possível quando há reserva de signos, sobretudo para uma determinada sociedade e seus valores socioculturais. Ou seja, o código de conotação é histórico. Em referência à capa do Extra, a trucagem é percebida através da composição da mensagem, a partir da aproximação das duas imagens e da manchete, tal qual já indicando um itinerário de apresentação dos elementos (Figura 2).

A “pose” do modelo na fotografia sugere a leitura dos significados de conotação em virtude da presença de atitudes estereotipadas e de elementos cristalizados de significação. Não se trata da pose em si, mas da mensagem que ela sugere, com finalidades persuasivas. No caso da capa em análise, as duas imagens apresentam um homem na condição de dominado (“amarrado”), em “praça pública”, ou seja, com visibilidade extrema; e como um objeto “nu” (condição humana primitiva), em situação de punição por um ato de transgressão. Uma leitura desatenta pode levar o leitor a imaginar um mesmo processo de culpabilidade entre os dois sujeitos, porém é preciso buscar suas raízes para não cair em armadilhas interpretativas fáceis e disponíveis. As duas cenas têm ligações pela barbárie porque todo ato de barbárie público tem efeito pedagogicamente cognoscível.

E, por fim, a disposição dos “objetos” presentes na fotografia atribui sentido de espontaneidade em determinadas cenas, podendo conotar qualidades, defeitos ou atitudes. Para Barthes, esses objetos são excelentes elementos de significação por se tratarem de indutores de associação de ideias, verdadeiros símbolos e léxicos (por exemplo, biblioteca = intelectual). Na composição do Extra, destacamos mais uma vez a disposição de objetos como “tronco”, “chicote”, “soldados” bem visíveis na primeira imagem, mas que parecem invisibilizados (o que não significa que estejam ausentes) na segunda, o “poste”, “negro”, a “sociedade” que assiste, consente e também pune.

Assim como Gonzalo Abril defende a cultura visual e sua relação com o espaço público na (des)construção e/ou reforço de imaginários coletivos, Barthes (1990) também ressalta o aspecto histórico ou cultural do código de conotação. Esse código consiste em gestos, atitudes, expressões, cores ou efeitos, dotados de certos sentidos em virtude dos usos de uma determinada sociedade. Assim, a significação propriamente dita é historicamente motivada e depende do saber do leitor, tal como se fosse uma verdadeira língua, inteligível para aqueles que aprenderam seus signos.

Ao noticiar o linchamento de Cleidenilson da Silva, na periferia da capital do Maranhão, São Luís, comparando a situação atual do Brasil e a vivida no período da escravidão, o jornal até parece levar o leitor a fazer uma reflexão sobre a sociedade. Contudo, ao associar o linchamento de Cleidenilson ao processo escravagista simplifica e reduz os dois eventos, tirando da historicidade deles. Os contextos, motivações, causas e consequências entre os dois eventos são díspares. Não é sem propósito que o texto escrito da notícia parece um socorro a “explicar” a associação, fazendo acionamentos na história:


Se antes os escravos eram chamados à praça para verem com os próprios olhos o corretivo que poupava apenas os 'homens de sangue azul, juízes, clero, oficiais e vereadores', hoje avançamos para trás. Cleidenilson da Silva, de 29 anos, negro, jovem e favelado como a imensa maioria das vítimas de nossa violência, foi linchado após assaltar um bar em São Luís, no Maranhão. Se em 1815 a multidão assistia, impotente, à barbárie, em 2015 a maciça maioria aplaude a selvageria. Literalmente - como no subúrbio de São Luís - ou pela internet. Dos 1.817 comentários no Facebook do EXTRA, 71% apoiaram os feitores contemporâneos. (EXTRA, 08/07/2015).
Então, se a leitura depende da cultura e do conhecimento de mundo de cada indivíduo, a fotografia jornalística joga com o suposto saber de seus leitores. No caso específico do Extra, ao tentar reconstruir o acontecimento (através do registro fotográfico) e promover uma reflexão sobre as circunstâncias em que ocorreu (através da composição da capa), o jornal busca “[...] encontrar, em sua própria astúcia, as formas que nossa sociedade utiliza para tranquilizar-se, e, assim, captar a medida certa, os desvios e a função profunda desse esforço tranquilizador [...]” (BARTHES, 1990, p.24-25). Ou seja, o registro desse linchamento, como ato punitivo, reforça na composição verbo-visual da capa do jornal, de forma critica, que a morte por meio de atos de barbárie, é o alívio de justiça para a sociedade, apoiado por diversos setores da sociedade, inclusive da imprensa panóptica.
3 JORNALISMO, MEMÓRIA E HISTÓRIA

Podemos perceber que a discussão sobre imagem, foto, texto em um conjunto na capa do jornal está inserida numa concepção que articula jornalismo, memória e história. Mas de que jornalismo estamos falamos? De saída, não o tratamos nem como um produto e nem como uma prática, mas como uma complexa relação experiencial entre sujeitos. Ou seja, a notícia materializada verbo-visualmente não é o resultado da aplicação de receitas industriais. Ao contrário, a notícia será um “estado sempre nascente, revivida a cada momento no mundo da vida onde os sujeitos, tanto quanto a percepção, são construídos pela própria experiência” (MOTTA, 2014, p. 9). Quando o Extra utiliza-se da ilustração do século XIX para conformar informações numa foto do século XXI, e marcadamente na capa - um lugar especial para se fisgar o leitor - propõe uma experiência viva, pró-ativa, mobilizando uma série de elementos, como memórias passadas e histórias conhecidas que podem produzir várias interpretações conectivas e significações.

Além disso, o jornalismo não se isenta dos eventos, não é um assistente privilegiado dos fatos, que vê o mundo à distância e dele faz uma síntese organizativa e explicativa. Ao contrário. Ele está implicado no mundo. O Extra procura estabelecer com seus leitores uma relação de perfilamento diante das cenas de barbaria, mantendo-o a uma certa distância, como se um cordão ilusório de isolamento ali separa-se o outro excluído e morto do nós, algozes. E esse é um processo que não se inicia na capa do jornal. Na medida em que o Extra usa uma ilustração da escravidão do século XIX, ela passa a ser parte central dessa experiência jornalística noticiosa. Para além do “tronco” e do “poste”, e também para além dos demais veículos de comunicação, uma intrincada teia de informações se estabelece na memória antes e depois desse evento. Este trabalho, por exemplo, é parte da continuidade dessa notícia. Ou seja, o jornalismo é um operador sócio-simbólico que age em conjunto com outros operadores e que o público remaneja os sentidos propostos por ele, recolocando-os em seus ambientes culturais (MOUILLAUD, 1997). Sustentamos que o jornalismo constitui-se em uma ampla e confusa teia de relações visíveis e invisíveis e que se entrelaça a outras incontáveis teias e fios de significações, sempre a apontar para fora dos quadros propostos, buscando múltiplas conexões.

Pensar o jornalismo como uma complexa relação experiencial entre sujeitos obriga-nos a perceber que ele transita em ambiente tencionado, carregado por negociações, por memórias e esquecimentos, por histórias ditas e não-ditas, articulando ao mesmo tempo um retorno (“Os 200 anos que separam”) e uma projeção (“evoluímos ou regredimos?”).

Esclarecemos que memória é um recordar deliberado que exige uma construção do passado/presente, com vistas ao presente/futuro, o que difere de “imaginar”, que não tem o passado como elemento central; e também se diferencia da “lembrança” enquanto uma espécie de lampejo. No entanto, as muitas lembranças articuladas podem constituir-se em memória, mas não se confundem com ela. Outro aspecto importante é que não há fronteiras rígidas entre memória individual e coletiva. Elas são profundamente interdependentes. Para Ricoeur (2008, p. 133) “cada memória individual é um ponto de vista sobre a memória coletiva”. Ainda nessa questão, também concordamos com Nunes:
A memória individual não alcançaria o passado histórico se não a enriquecessem tradições recolhidas dos antepassados “como tempo dos mortos e tempo anterior ao meu nascimento”. Mas a tradição, que é um “sortimento de memórias”, por isso instaurado numa relação com o passado em termos de nós, escapa à órbita e exclusiva da temporalidade como unidade estática, restrita à existência individual, para firmar-se no tempo público. Pela mediação desse que é o passado, o presente e o futuro se vinculam á tríade dos antecessores, dos contemporâneos e dos pósteros (NUNES, 1988, p. 29, grifos do original).
Pollak (1992) assegura que a memória social é fenômeno seletivo e, sendo assim, submetido a oscilações e mudanças permanentes, o que significa reconhecer jogos de poder incessantes. “A memória organizadíssima, que é a memória nacional, constitui um objeto de disputa importante, e são comuns os conflitos para determinar que datas e que acontecimentos vão ser gravados na memória do povo” (POLLAK, 1992, p. 204). Entram em cena também os eventos que ficarão esquecidos. Por isso, a memória e o esquecimento estão rigorosamente no mesmo patamar, ou como diz Ricoeur (2008, p. 435), que “o esquecimento comum está, sob esse aspecto, do mesmo lado silencioso que a memória comum”. Essas considerações levam-nos a pensar a memória e esquecimento submetidos a um regime de seleção, de forma que o recordado ou o esquecido é resultado de disputas por significações.

Aproximamos essa discussão ao jornalismo quando Ricoeur (2008) lembra-nos que a utiliza-se da função mediadora da narrativa para agir, inclusive convertendo-se em abusos de esquecimentos. Esse autor afirma que a “seleção” nas narrativas é ação fundamental, porque é impossível lembrar e narrar tudo e sobre tudo. E é exatamente essa necessidade ou incapacidade que será utilizada, de forma ideológica, para omitir, impedir e manipular.


As estratégias do esquecimento enxertam-se diretamente nesse trabalho de configuração: pode-se sempre narrar de outro modo, suprimindo, deslocando as ênfases, refigurando diferentemente os protagonistas da ação assim como os contornos dela. Para quem atravessou todas as camadas de figuração e refiguração narrativa desde a constituição da identidade pessoal até a das identidades comunitárias que estruturam nossos vínculos de pertencimento, o perigo maior, no fim do percurso, está no manejo da história autorizada, imposta, celebrada, comemorada – da história oficial (RICOEUR, 2008, p. 455).
Podemos sugerir que a capa do Extra não foi gratuita quando associa “tronco” e “poste”. O jornal assegura sequência histórica de “200 anos”, em que o tronco transforma-se em poste, busca garantir igualdades contextuais entre as duas cenas. No entanto, essa ação reduz a complexidade do que foi tanto o sistema escravagista no Brasil e, ao mesmo tempo, não permite compreender e avançar nas causas que levaram à cena do linchamento em São Luiz em junho de 2015. A escravidão no Brasil foi um sistema econômico e político implantado na Colônia, que buscou fixar-se como uma instituição de profunda raiz social, sempre reatualizando-se pela naturalização e domesticação da violência, onde o linchamento revestia-se em condição de poder e de legitimidade. Nele há um efeito pedagógico imitativo. “Nas pancadas nascia o status de senhor” (FAORO, 1979, p. 218).

Essa associação parece apagar/reduzir a escravidão a um ato de linchamento público, e ao mesmo tempo não trata do justiciamento nas cidades brasileiras na complexidade que exige. De fato, o linchamento em São Luiz revela os traços de “colonialidade”, no dizer que Quijano (2009). Basta lembrar que para cada homicídio de não negro no Brasil, 2,4 negros são assassinados, em média; que os negros são maioria entre os trabalhadores sem carteira e entre os domésticos, sendo que as mulheres correspondem a 93% desta última categoria; que em 2010, 14% dos jovens negros de 18 a 24 anos cursavam o ensino superior; que o rendimento médio dos homens negros equivale a 66% do auferido por brancos com a mesma escolaridade e que as mulheres negras percebem 40% da renda dos homens brancos (IPEA, 2013).


4 JORNALISMO: AGENTE E FORMA DE MEMÓRIA

Essas reflexões sobre a história e a memória obrigam-nos voltar a questionar como o jornalismo participa desse processo. Para Kitch (2008), o jornalismo é um dos ambientes para construção da memória, não atuando somente com base em eventos de grande impacto e que entram na categoria de “memoráveis”, mas também agindo sobre os pequenos lances da vida cotidiana. Além disso, “a construção da memória social é um processo de longo prazo de um tecer de pequenos momentos” (KITCH, 2008, p. 313). Essa autora lembra que recebemos informações a constituir memória de várias fontes, ou seja, “estamos todos na mesma sopa da memória e, seus ingredientes, não vêm do jornalismo sozinho” (KITCH, 2008, p. 316). O jornalismo não é o canal para a memória, mas uma das formas de memória e um dos locais de sua construção. Ele “forma uma rede de memória que se liga a outras redes” (KITCH, 2008, p. 317).

Em nossa análise há dois momentos claros: 1) A capa do Extra (Do tronco ao poste) revela bem esse processo da constituição da memória quando convoca um rarefeito saber sobre a escravidão no Brasil e propõe associar ao caso do linchamento em São Luiz; 2) Essa ação de construção de uma memória social transforma o jornalismo em agente de uma memória que articula o silêncio temático sobre o sistema escravagista brasileiro, reduzindo-o, revelando uma memória impedida e manipulada. No entanto, o jornalismo não é agente de uma memória presa ao passado. Em razão do seu compromisso com o presente, ele faz-nos transitar da memória enquanto recordação domesticada e assentada no que passou (“os 200 anos que separam”) à uma memória como expectativa, isto é, um devir partilhado, um presente/futuro (“evoluímos ou regredimos?”). Ao convocar o passado, os jornalistas buscam elementos a projetar o que virá, o que, na prática, produzirá um sentido para o acontecimento.

Quando o Extra usa o desenho de Debret como “fotografia” na capa (além do “tronco” e dos “200 anos que separam”) parece incontornável não se considerar que o jornal recorre à memória do passado para construir uma memória prospectiva (“evoluímos ou regredimos?”). Isso não significa que o jornal e os jornalistas tenham plena consciência desse papel. Na prática, o jornalismo é tencionado por um novelo de temporalidades e a memória participa diretamente dessa tessitura, porém, sem a percepção nítida pelos atores envolvidos no processo. Utilizamos aqui “novelo” a partir de Halbwachs (1990, p. 49) que usa “fios muito finos e entrelaçados” como uma metáfora para explicar as temporalidades.

Para Zelizer (2008, p. 79), os jornalistas não se reconhecem como colaboradores na construção da memória porque eles, como “fornecedores do presente”, acabam desprezando as relações com o passado. Segundo a autora, não há dúvida de que o “jornalismo e jornalistas são um local não óbvio, mas fértil de memória, e seu status como agentes de memória precisa ser melhor compreendido” (ZELIZER, 2008, p. 81). De fato, as notícias verbo-visuais propõem referências ao passado e indicações ao futuro e a memória para jornalistas, regularmente, dará sentido ao presente, “que evolui rapidamente, constrói conexões, sugere inferências, cria estacas de história, agem como bitolas para medir a magnitude e impacto de um evento, oferece analogias e fornece curtas explicações” (ZELIZER, 2008, p. 82). Para essa autora, o passado é um rico repositório aos jornalistas para “explicar” os acontecimentos, oferecendo-se como comparação.

E é aqui que podemos, em certa medida, pensar a capa do Extra. Ao admirar o desenho de Debret, onde o algoz castiga um escravo diante da massa perfilada, também o fazemos na fotografia do justiciamento em São Luiz, porém, onde somos expectadores e algozes numa distância confortável, reatualizando nossos traços de colonialidade violenta, racista e de classe. Assim, tanto o escravo de Debret quanto Cleidenilson da Silva são um outro que não reconhecemos – por conta de um cordão de isolamento invisível – como um nós mesmos. Mas ressaltamos que cenas analisadas juntas reduzem o quadro analítico do sistema escravagista e do linchamento contemporâneo. O castigo ao escravo baseava-se numa instituição oficial e nacional, num sistema de “direito” que poderia ser utilizado ou não, e cujo objetivo não era a morte daquela “peça” econômica. No caso do justiciamento contemporâneo, as bases estão assentadas no extermínio social e no “dever” de execução, tendo a morte como fim “justo”.


CONCLUSÃO: O TRONCO NÃO É O POSTE

Na prática, a associação descontextualizada feita pelo Extra “Do tronco ao poste” pode reforçar o racismo, naturalizando como justa a “punição” contra um outro, “despido” de humanidade, que no caso de São Luiz em 2015, será considerado um perigo, um incômodo e, por isso, será eliminado. Assim, o jornalismo é agente de uma memória que convoca seletivamente agora um passado a manipulá-lo para justificar as ações diante desses casos (“evoluímos ou regredimos?”). Ao final desse percurso, podemos perceber como memória e história, entrelaçadas, são convocadas pelo jornalismo, compreendido como viva experiência visual do ponto de vista material e uma experiência entre sujeitos. Nesse sentido, pontuamos duas possibilidades de constatações imbricadas entre elas, mas com especificidades que destacamos.

A primeira é que a capa do jornal, em razão da análise verbo-visual possibilita ver uma série de marcas de memória e de história, em que o jornalismo as utiliza para “contar melhor” o presente. O Extra busca uma ilustração de Debret do século XIX sobre a escravidão para associar ao linchamento de Cleidenilson, em junho de 2015, em São Luiz. Além disso, a memória do passado também está associada ao “tronco”, aos “200 anos que separam” e se “regredimos”. A busca pela memória e história não se dá numa materialidade especial para tal fim, mas em toda a capa de um jornal popular diário. Os leitores podem ser levados a fazer emergir nessa experiência visual as memórias construídas sobre o que foi a escravidão no Brasil percebendo uma continuidade a partir do crime no Maranhão.

A segunda constatação é a de que, a partir da análise sócio-histórica e das próprias formulações sobre a memória, pode-se observar que a memória é uma construção histórica tencionada, o que pode resultar em um lembrar ou um esquecer interessado. No caso da capa do Extra, a associação imediata entre tronco e poste faz parecer uma sequência única e histórica, o que apaga uma série de traços complexos do sistema escravagista, ao mesmo tempo, em que oculta a contextualização do linchamento ocorrido em São Luiz. O que pode unir as duas cenas é a barbárie do ato. Porém, a escravidão no Brasil foi ação de Estado, que concedia o “direito” aos senhores de “possuir” o outro. Há aqui também uma relação econômica de propriedade e de desejo pelo outro como uma coisa a produzir lucro. No caso de Cleidenilson, as relações são outras. Ele continua sendo um outro, mas construído como perigoso, indesejável e, portanto, é “dever” eliminá-lo. O Estado não suja as mãos. Esta é uma tarefa do “popular” e do leitor que assiste a certa distância sem reconhecer-se no outro como um nós mesmos.


REFERÊNCIAS

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ZELIZER, B. Why memory's work on journalism does not reflect journalism's work on memory. In: Memory Studies. SAGE Publications, p.79-87, 2008.



1 Trabalho apresentado ao GT Dispositivos e Textualidades Midiáticas.

2 Programa de Pós Graduação em Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais; E-mail do(s) autor(es): micheletavaresjor@yahoo.com.br e cristiangoes_brasil@yahoo.com.br.

3 Formato padrão de jornais, em torno de 32X56 cm, muito utilizado no mundo inteiro (COLLARO, 2007, p.149).

4 O ponto visual de um formato limitado que se encontra acima do cruzamento de duas diagonais e determina a divisão de massas visuais que configura a diagramação assimétrica (COLLARO, 2007, p.146).

5 Áreas visuais dos jornais periódicos e layouts em que o olho humano não é estimulado naturalmente, necessitando de um procedimento indicativo do designer para ser vista e lida. Normalmente trata-se do canto superior direito e do canto inferior esquerdo de uma página.

6 Segundo Abril (2007): “Lo visual, la mirada y la imagen”.

7 Em referência aos procedimentos panópticos de vigilância atualizados por Michael Foucault: “O panoptismo é o princípio geral de uma nova ‘anatomia política’ cujo objetivo e finalidade não são as relações de soberania, mas as relações de disciplina” (Castro, 2009, p.314).

8 Optou-se por não aprofundar nesta relação com Pierce, por compreender não se tratar do foco de análise dos conceitos operadores deste trabalho.

VIII Encontro dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação de Minas Gerais

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