Biodiversidade e diversidade cultural: empreendedorismo, ambiente e arte entre mulheres ceramistas fluminenses



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Biodiversidade e diversidade cultural: empreendedorismo, ambiente e arte entre mulheres ceramistas fluminenses
Fátima Branquinho1

Gisele de Souza Maria2

Jacqueline da Silva santos3



  1. Formulando o problema:

Durante os últimos trinta anos, foram desenvolvidos estudos iluminados pela teoria do ator-rede sobre objetos e projetos técnicos diversos. Essa teoria e método de trabalho é base para análises sobre a produção do conhecimento empreendida pela antropologia das ciências e das técnicas. Os estudos realizados reúnem-se a uma gama de outros que vêm em resposta à postura adotada pelas ciências humanas e sociais contrária a leituras simplificadas da realidade, levantando a bandeira da complexidade. Mais recentemente, os estudos sociais da ciência – como também pode ser reconhecida tal antropologia – têm examinado práticas de conhecimento buscando considerar que o contraste entre simplicidade e complexidade pode não ser uma simples dicotomia (Law & Mol, 2002), reclamando por mais atenção no uso da referida teoria. Em que pese o questionamento de Law e Mol, vindo de dentro dos estudos sociais da ciência, a teoria do ator-rede vem fundamentando estudos realizados por pesquisadores da América latina4 e restante do mundo. Esses estudos têm como objetivo geral analisar processos onde conhecimento científico esteja sendo construído considerando a construção simultânea da natureza e da sociedade. Tal ponto de vista baseia-se, sobretudo na noção segundo a qual a construção do conhecimento não responde a um modelo linear nem unidirecional e que a circulação e a própria construção do conhecimento realizam-se em diversos espaços e com atores não-científicos e científicos.

A pesquisa que vem sendo realizada pretende confirmar a hipótese segundo a qual argumentos técnicos estão compondo o tecido social: controvérsias sobre o entendimento a respeito de certo objeto atraem atores diferentes e constroem, igualmente, espaços diferentes, criando zonas que claramente favorecem ao desenvolvimento de um campo disciplinar, produtor de conhecimento científico e técnico.

O que justifica a realização dessa pesquisa, exatamente porque vem sendo muito valorizado como ferramenta heurística pela sociologia do conhecimento é:



  • A (in)visibilidade das controvérsias: as diferentes controvérsias que emergem no campo da arte da cerâmica foram ou são raramente transformadas em discussões verdadeiramente públicas; elas restringem-se a um círculo particular que é freqüentemente uma arena de especialistas ( professores de arte, artistas plásticos, acadêmicos, especialistas em arte, técnicos responsáveis pelo patrimônio imaterial, técnicos ligados a ministérios do governo, arqueólogos, historiadores ou literatos).

  • O tempo para a controvérsia surgir e a sua duração: numa controvérsia, o estado da discussão é função do interesse dos atores, seu peso no processo, a estabilização dos argumentos.

  • A reflexão sobre a sociedade brasileira: a cerâmica pode falar da sociedade brasileira, pois toda técnica espelha, em um contexto particular, a complexa organização social. A cerâmica e a análise do campo (inter)disciplinar que se dedica ao seu estudo, construindo argumentos técnicos revelam como pesquisadores do campo da arte, artistas plásticos, designers, técnicos, economistas, historiadores, arqueólogos constróem a sociedade. Fazer cerâmica é uma forma de memorizar e transmitir conhecimentos sobre uma sociedade, pois as peças “falam” aos olhos sobre conceitos, ensinamentos, visão de mundo e conhecimentos. Os estudos, debates, seminários sobre ela são excelente ferramenta para entender a sociedade porque os processos que concebem técnicas e conhecimento científico deságuam num oceano de modos de vida e trabalho, traduzindo-se em aspectos particulares sobre como a sociedade vive e se organiza.

Há, por certo, diversos estudos sobre cerâmica, mas sobre cerâmica fluminense, o conhecimento e a sociedade associados a ela a partir do ponto de vista teórico-metodológico adotado na pesquisa aqui apresentada, não foi feito ainda.

A publicação da Fundação Nacional de Arte intitulada Artesanato Brasileiro, em 1978, traz a introdução de Clarival do Prado Valladares onde ele afirma que a arte ceramista desenvolveu-se do Amazonas ao Rio Grande do Sul em consonância com peculiaridades locais ou regionais, sendo a “mais rica e transcendental manifestação da cultura material brasileira” (p.29). A Amazônia constitui um importante pólo de introdução da cerâmica no Brasil. Em determinadas porções dessa imensa região se desenvolveram culturas complexas e sofisticadas - genericamente denominadas de Tupi-Guarani - como é o caso da cultura marajoara que ocupou a ilha de mesmo nome. Em seu período de apogeu, Marajó pode ter congregado mais de 100 mil habitantes. Entre eles havia grandes artistas, que fabricavam objetos cerâmicos ricamente decorados, incluindo vasilhas, estatuetas, urnas funerárias e adornos. Este diversificado arsenal de objetos sugere aos arqueólogos (Gallay, A.,1991-92) que as culturas ali presentes alcançaram uma grande complexidade social e política. Embora se constitua num tema importante, não é intenção da pesquisa aqui apresentada formular uma hipótese sobre a relação complexa entre tradições de cerâmica e etnias.

Referindo-se a Artur Ramos, Valladares (1978:29) afirma ainda que o estudo da cerâmica indígena, praticada muitos séculos antes da ocupação e domínio europeus, é “em grande parte tarefa de ordem arqueológica”. De fato, pesquisa desenvolvida no Vale do Açu/RN identificou nos relatórios – sobre o salvamento arqueológico que precedeu a construção da barragem e o alagamento da região – analisados, registro da presença de fragmentos de cerâmica de paleoameríndios, além das figuras rupestres (Branquinho F.T.B., 2007). Valladares (1978:29) afirma que, os europeus introduziram técnicas exógenas que se misturaram às indígenas, modificando a tradição e alterando o regime de trabalho “reunindo pessoal adestrado e capaz de suprir as necessidades imediatas do consumo”. Às telhas, tijolos e utilidades domésticas, logo se somaram as imagens de santos, as figuras de animais, pastores, encontrando enorme aceitação no comércio. Códigos compartilhados se constituem num sistema coerente de significados, o que permite aos arqueólogos investigar manifestações estéticas e comportamentos do passado a partir de determinado referencial teórico.



A etapa de campo que vem sendo realizada no âmbito de uma pesquisa que recebeu auxílio5 Faperj mostra que os ceramistas entrevistados até agora dominam todas as etapas da produção de suas peças até a comercialização, mesmo que o barro venha de outra região. Eles costumam dizer que a argila não pode ser nem “forte” nem “fraca”: “se é forte demais misturo areia fina, se é fraca, coloco pó de caco de telha, cinza de certas plantas...”. Sobre isso Valladares (1978:30) diz:
A ciência do ceramista não está apenas no adestramento das mãos para a criação de peças diversificadas. Está também no conhecimento do barro, na identificação dos depósitos, na escolha e coleta das melhores camadas, na preparação da massa, na lenha que deve ser usada para a queima, na colocação das peças no forno, maiores e mais pesadas por baixo, menores e mais leves por cima. Tudo é conhecimento adquirido “dos antepassados”.
Sobre essa “ciência do ceramista” a qual se refere Valladares existe significativa produção intelectual assinada por professores – mestres e doutores – dos Institutos de Arte de diversas IES. Tal produção intelectual, apenas em parte identificada até agora, indica a amplitude do material empírico que contribuirá para a construção do objeto de análise dessa pesquisa: o campo (inter)disciplinar da arte, em especial da arte em cerâmica e a sociedade e natureza a ele associadas. No processo de fazer cerâmica, da pigmentação do barro ao forno, do brilho dado a cada peça à pintura e apliques decorativos, está presente a concepção de natureza do ceramista e a própria natureza na forma de raízes, seixos rolados, sementes, água, cabaças, fragmentos de galhos de vegetação local temperado por elementos da vida cotidiana, hábitos, sentimentos, amores, saudade assim como, modos de vida, trabalho e tratamentos de saúde. Se eleita como peça de arte, a cerâmica sai do anonimato e transforma-se em objeto de estudo, revelando igualmente concepções de natureza e sociedade de pesquisadores. Se ela pode ganhar estatuto de “arte” e/ou de objeto de estudo, pode ser parte de uma controvérsia, instigando a formulação de perguntas análogas a de Latour (1984) sobre os micróbios e Pasteur: onde estavam os grupos de retirantes antes de Vitalino? Ou ainda: onde estavam os currais de gado ou as casas-de-farinha, antes de Cândido? Parece-me oportuno questionar se, tal como outros campos disciplinares da ciência, as artes importem - além de suas fronteiras disciplinares - critérios para designar/definir seus “fatos científicos”. Em outras palavras, tal como diversos campos disciplinares da ciência, a arte em cerâmica se constitui como campo disciplinar independente do diálogo com outras disciplinas ou com sistema de conhecimento próprio ao popular? Alguns ceramistas entrevistados no âmbito do citado APQ1 afirmam que o trabalho que fazem “não é arte”. Essa questão já foi apontada por Souza (2002), na pesquisa antropológica realizada em Icoaraci (PA) onde buscou analisar as auto-identificações sobre identidades locais - artesão, artesão-artista e artesão-copista - e as que surgiram no processo de mudança ocorrido na organização do saber-fazer nas olarias de cerâmica, em meados da década de 60. Ela mostra em seu trabalho como o processo de (re)elaboração do saber-fazer de homens, mulheres e crianças são transmitidos na dinâmica cotidiana da produção. Uma outra etnografia, essa realizada no Rio de Janeiro, mais especificamente na Escola de Artes Visuais do Jardim Botânico, acerca da aquisição das disposições que transformam seres comuns em possíveis artistas foi realizada por Dabul (2001). Desse modo considero pertinente questionar como dialogam os conceitos, fatos próprios ao campo de conhecimento que estuda a cerâmica e os valores, o contexto social? O modo como tal diálogo se processa não é evidente e não está descrito.

A “ciência” a qual Valladares se refere exemplifica o objeto adequado à pesquisa proposta aqui. Ela não distingue ceramistas que estão na academia dos que estão fora dela implicando a descrição dessa rede sociotécnica, descrição que amplia a compreensão sobre a realidade social em que vivemos. Uma consulta ao site www.ceramica.com.br mostra uma reportagem sobre mulheres cujo trabalho realizado com barro em Rio Real/BA representa claramente a expressão técnica e artística que absorveu a fertilidade criadora da cerâmica indígena. A técnica de produção, todo o conhecimento, valores e costumes associados ao fazer, têm sido transmitidos de geração para geração. A tradição da arte do barro preserva ainda a própria região, uma vez que esse grupo de mulheres desempenha importante papel nos cuidados com o mangue de onde tiram matéria prima para o trabalho. E no Estado do Rio de Janeiro? O trabalho dos ceramistas é realizado em suas próprias casas? Contam com a ajuda da família? Há um galpão comunitário como ocorre em alguns locais produtores de cerâmica? Existe região mais concentrada de oficinas do que outras? Como os ceramistas explicam forma, desenho e cores das peças que produzem? O que determina a produção de cerâmica utilitária ou decorativa do ponto de vista dos ceramistas? Como essa distinção se constitui para eles? Como é feita a modelagem das peças? Por quem é feita? Quais os instrumentos/ ferramentas utilizados? Quem os fabrica e com que material? Quais são as etapas de produção da cerâmica? As etapas da produção estão sujeitas a alguma forma de sazonalidade? Como essas perguntas aparecem respondidas nos artigos científicos de pesquisadores que se dedicam ao estudo do tema? Como a bibliografia existente está contribuindo não apenas para a constituição do campo da arte como para a construção da sociedade? Até que ponto o reconhecimento do grande público pode ser considerado como elemento do sistema de conhecimento que pretendo investigar? O que motiva a atribuição de patrimônio imaterial a alguma forma de cerâmica, de processo de fazer cerâmica e não a outras?

Essas e outras questões podem ter sido respondidas para diferentes regiões brasileiras, acrescidas, muitas vezes, de explicações sobre a linha de tradição a qual pertence cada cerâmica identificada. Contudo, apesar de haver arte em cerâmica fluminense não sabemos o que ela conta sobre a relação com a natureza dessa região e sobre o conhecimento que ela vem reunindo por séculos. Tanto a natureza fluminense quanto o conhecimento construído sobre ela no processo de fazer cerâmica constituem a própria sociedade, constituem nós mesmos e falam sobre como podemos valorizar mais essa mesma natureza, conhecimento, tradições. Sem reunir informação como essa, não é possível falar de política ambiental para o Estado que seja eficaz quanto ao propósito de preservar a natureza e de ampliar a consciência de todos para os problemas sócio-ambientais dos quais somos cúmplices (mesmo que por ignorância sobre como contribuir para seu equacionamento). Os resultados parciais aqui apresentados estão, assim, em acordo com Ingold (1996) sobre a pertinência de incluir o mundo natural e físico na construção do mundo social, já que ele assume, tal como os pesquisadores dos estudos sociais da ciência, que o mundo natural molda o mundo humano tanto quanto é moldado por ele, contrariando visões positivistas nas quais princípios, leis e materialidade são exteriores e independentes do social e do todo do conhecimento (Descola, 2002).

De acordo com a teoria do ator-rede o tempo é um híbrido de tempos e o espaço, igualmente o é. Sendo assim, porque não admitir que o que é tradição no fazer cerâmica no cotidiano continua vivo, se renovando ao interagir com outras tradições? Por que não considerar que o espaço em que antepassados trabalhavam se prolonga até as oficinas de ceramistas atuais no Rio de Janeiro – do Complexo da Maré ao Jardim Botânico –, como também em Cunha, Itaboraí, Búzios ou Friburgo, só para citar alguns dos municípios visitados com o desenvolvimento da pesquisa citada apoiada pela Faperj?

Ao mesmo tempo, é preciso chamar atenção para o fato de que a cerâmica conta a história da culinária, assim como fala da religiosidade e conta outras histórias das quais objetos de barro vêm sendo atores coadjuvantes. Entre uma descrição da cerâmica fluminense e a descrição de outras histórias, como por exemplo, a das técnicas, do comércio, da escravidão, do vestuário, das festas, da religião, da economia antiga, etc., é possível que sejam percebidas algumas relações que estão não apenas, mas também, no conteúdo imagético do suporte cerâmico (que não será examinado nessa pesquisa do ponto de vista da arte, como já foi explicitado). Contudo, essas relações se interpenetram, e é a teoria do ator-rede que permite abordar com segurança o problema que interessa a pesquisa apresentada aqui: o das interferências entre a elaboração das criações culturais/intelectuais e a sociedade como um todo. Não se trata, portanto, de descrever possíveis relações entre “significado imagético e seus vínculos com a cultura vivida” (Brigeiro, M., s.d., p.18), e sim de descrever as controvérsias científicas percebidas nos artigos que têm cerâmica como objeto de estudo, e analisar a relação desse resultado com o significado atribuído à cerâmica, ao processo de sua manufatura e a si mesmos pelos próprios ceramistas fluminenses que pertencem a círculos acadêmicos ou não, isto é, independente do fato de registrarem técnicas, conceitos, valores, tradição por meio da escrita ou da cerâmica propriamente dita. Em síntese, trata-se de descrever a rede sociotécnica tecida pela cerâmica fluminense.

Toda essa argumentação foi reunida para afirmar seguramente que é pouco evidente que não exista “ciência do ceramista”, que este sistema de conhecimento seja homogêneo, não mereça ser investigado ou, ainda, que esteja sendo construído de modo linear, apartado do mundo natural, da sociedade ou apenas por atores acadêmicos e especialistas em arte.

Nesses termos é possível afirmar que, o principal objetivo da pesquisa em andamento é aperfeiçoar o conhecimento social sobre uma realidade particular: a cerâmica no Estado do Rio de Janeiro, a primeira manifestação da técnica nas sociedades humanas, recriação contante de tradições, modos de relação com a natureza, decisões burocráticas relacionadas à legislação sobre patrimônio imaterial, surgimento de novas organizações, integração de novas entidades e sua coletivização com os objetos naturais (a água, o rio, a terra, a lenha, fogo...).

É possível que essa pesquisa possa contribuir também para:



  • uma reflexão sobre uso, limites e possibilidades da teoria do ator-rede pelos estudos sociais da ciência;

  • a construção de um pensamento reflexivo sobre a organização da sociedade por pessoas que tomam parte em decisões nos campos da ciência, da técnica e ambiental;

  • o diálogo entre ceramistas, técnicos, arqueólogos, historiadores, economistas e educadores de diferentes níveis do ensino, facilitando a participação social e construção compartilhada do conhecimento científico do campo (inter)disciplinar da arte;

  • o aumento do conhecimento historicamente e socialmente contingente sobre a interação entre técnica, ciência e sociedade;

  • a construção de um olhar interdisciplinar sobre a cerâmica;

  • a releitura de pesquisas realizadas anteriormente, no sentido de buscar nelas exemplos de construção simultânea de conhecimento, natureza e sociedade.



II) O objeto da pesquisa em andamento e a compreensão da realidade: um exemplo - em construção da indissociabilidade entre conceito e contexto

O quê está presente nos saberes e fazeres de ceramistas que ecoa no ambiente? E, o quê, do ambiente, ecoa no saber e no fazer dos ceramistas que compõem o universo dessa pesquisa? Essas foram algumas das perguntas que serviram como motivação para a investigação. O manuseio e o contato direto com o barro, o tipo de relação e de conhecimento sobre o ambiente herdado de certa tradição, o contato com a terra que se impõe ao processo de confecção da cerâmica, a organização da produção e da comercialização, os impactos do processo de produção da cerâmica sobre o ambiente, os agravos à saúde que decorrem dessa atividade produtiva são aspectos que indicam que a indissociabilidade entre contexto e conceito - cultura e cognição - merece ser investigada a luz da teoria do ator-rede. A perspectiva desse estudo é divulgar esses saberes para a sociedade como um todo, com destaque para as relações entre ambiente e modos de vida e trabalho, com o objetivo de propor ações que possam mitigar efeitos danosos ao ambiente e à saúde, caso existam.

A pesquisa está mostrando como se agrupam os ceramistas e quais os instrumentos imprescindíveis ao trabalho, como, por exemplo, o forno e a maromba, uma máquina usada para processar o barro e dividi-lo em blocos. O nome das ferramentas, a importância de cada uma no trabalho, as adequações que ceramistas fazem a estas, as freqüências de luz que influenciam na produção da cerâmica, os passos dados para a confecção, por exemplo, de um vaso, os processos pelos quais passa o barro até se tornar moldável, próprio, consistente, limpo, para o uso do ceramista, a divisão do trabalho dentro da fábrica (ou da família), a própria estrutura da fábrica são aspectos que compõem a descrição da atividade do objeto cerâmica. A partir de um olhar sobre esse universo construído em ateliês de ceramistas fluminenses foi possível a elaboração de notas preliminares.

As visitas realizadas a dez ateliês na zona sul da cidade do Rio de Janeiro comparadas às visitas feitas a ateliês de outras regiões do Estado do Rio descortinaram um universo intrigante. Foi possível ver variar, de um lado, tipos de cerâmica e argila utilizadas e de outro, tipos de ceramistas: formação escolar, tom e sentido da entrevista, horizontes vislumbrados pelos ceramistas, suas perspectivas de modo de vida e trabalho etc. Se a entrevista era na zona sul, nada de criar ferramentas a partir de placas velhas deixadas à beira da estrada, afinal, “podemos comprar ou encomendar: para cada trabalho existe uma ferramenta adequada, se não aqui, no exterior!”. Para alguns dos entrevistados, o barro de Itaboraí é grosseiro e, o ideal para determinado tipo de trabalho, é o do Canadá. Os fornos? São desmontáveis, elétricos, não poluentes e caros, “São muito caros. São comprados em dólares. Os tornos são dos EUA ou Canadá”. Por quê? “Porque não fazem barulho!”, afirma um ceramista.

Contudo, não é possível afirmar com segurança, ainda, se condicionantes econômicos permitem aos ceramistas fazer escolhas em relação a seus materiais de trabalho. Há, sim, uma relação entre modos de fazer cerâmica, a região onde o ceramista trabalha e seu poder aquisitivo. Em Tanguá, por exemplo, há o uso de um determinado tipo de barro, o ceramista tem certa função e prestígio social, renda econômica, preocupação e visão do meio ambiente que diferem dos mesmos aspectos examinados na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, a despeito da proximidade geográfica.

Em Tanguá, há fábricas de produção de artefatos, como vasos, cofrinhos, em larga escala. Os próprios revendedores e pintores de cerâmica entrevistados vão indicando os próximos entrevistados. E, assim, em Itaboraí, foi possível encontrar barracas de revenda, lojas especializadas em pintura, fábricas de cerâmica utilitária e decorativa, além de fabricas de construção de tijolos e telhas, todas à beira da estrada. Um escultor que estava exercendo o seu saber-fazer explicou como ele se iniciou neste oficio, o porquê de seu estilo. Na região onde trabalha há muitos oleiros, ajudantes e torneadores trabalhando, muitas máquinas, muitos vasos. Ele diz que “há muita produção, pois vende muito: toda a produção do ano já está encomendada e vendida”.

E relevante dizer da ciência inerente a este ofício: a quantidade de água ideal para a modelagem do barro, o tempo de secagem, o tempo da queima, as misturas de compostos para esse ou aquele efeito de cor na peça, a consistência do barro o domínio técnico das máquinas e da argila... Sem falar da dimensão artística/criadora desse ofício, que para a grande maioria, parece não sofrer influência de condições externas a ela, mas ao contrário, influencia tais condições: “quando começo a trabalhar, esqueço do mundo, dos problemas...é como uma terapia e que me ajuda a resolver os problemas”, como afirma um entrevistado.

Há muito a ser dito sobre o trabalho dos ceramistas fluminenses. Então, para melhor organizar a descrição e ajudar na compreensão da cerâmica como objeto híbrido de natureza e cultura, quase-sujeito, é preciso abordar singularidades/diversidades dos ceramistas da zona sul e da região metropolitana do Rio, respectivamente.

Ao identificar os ateliês de cerâmica da zona sul, foi possível verificar a grandeza, a peculiaridade, a delicadeza, toda a física e química envolvidas no processo de produção da cerâmica, além da habilidade necessária para lidar com questões de ordem burocrática relativa ao ateliê. Foram entrevistados dez ceramistas da zona sul da cidade do Rio de Janeiro, sendo que apenas um deles era do sexo masculino. Os ateliês visitados se situam nos bairros do Jardim Botânico, Urca, Botafogo e Barra da Tijuca.

As entrevistas foram feitas de acordo com a disponibilidade dos ceramistas em relação aos dias e horários que freqüentam o ateliê e que ministram suas aulas. Os encontros foram registrados através dos equipamentos audiovisuais.

A análise das conversas registradas permitiu a identificação de algumas noções recorrentes: sentir, pensar, rotina de trabalho e a história de vida do ceramista e sua relação com a cerâmica.

Sobre a história de vida do ceramista e sua relação com a cerâmica, foi possível elaborar o seguinte quadro-síntese:





Motivação pela qual se envolveram com a cerâmica



Justificativas



Formação/ profissão

antes de se

envolver com cerâmica

Viagem ao exterior


Transferência de local de trabalho de seus cônjugues; procuraram uma ocupação prazerosa enquanto não retomavam suas atividades profissionais no Brasil.


artista plástica,

economista,

arquitetas;



Nova perspectiva

de vida

Mudança de vida ligada a questões pessoais e/ou

particulares.


pedagoga;

cientista social;

administradora;

arquiteta.



Alternativa de trabalho diferente da que exercia.

funcionário público

Ampliação

do trabalho



Ampliar o trabalho artístico da forma plana (pintura) para a tridimensional (escultura).

artista plástica

O trabalho de campo mostrou motivos pelos quais ceramistas foram levados até a cerâmica e a que tipos de cerâmica foram levados. De acordo com os relatos, é possível verificar que esse é um grupo de classe média-alta, onde todos têm nível superior e que em dado momento da vida pessoal e/ ou profissional buscaram outro rumo, nova ocupação. As mulheres conheceram a cerâmica no exterior em razão da transferência de lugar de trabalho de seus cônjuges. Lá, se dedicaram a cursos que se dividiam em módulos como os períodos da faculdade, e conheceram determinadas culturas de cerâmica, trazendo-as para o Brasil quando regressaram. Por isso, se explica a ligação que a cerâmica que produzem tem com métodos, estilos e materiais próprios a outras tradições.

De volta ao Brasil, abriram seus próprios ateliês, para dar continuidade às pesquisas com esmaltes e o aprimoramento das técnicas e ensinar o que tinham aprendido. Assim, teve início a tradição dos ateliês de cerâmica da zona sul do Rio com destaque para o Jardim Botânico, como sendo o “lugar dos ceramistas do Rio”.

De acordo com o trabalho de campo, os ceramistas consideram seu ofício estritamente profissional devendo “ser encarado com a finalidade de aperfeiçoamento de técnicas”. Além disso, eles ressaltam a responsabilidade exigida para a qualificação do que fazem que se expressa tanto na obrigatoriedade no cumprimento dos prazos de entregas de peças, na atenção aos alunos e aos prazos dos pagamentos referentes a manutenção das ferramentas de trabalho e do ateliê.

Os ceramistas foram unânimes em dizer que o trabalho em cerâmica é pouco rentável. Apenas parte deles tem na cerâmica a fonte de seu sustento (curiosamente um deles, único homem, afirma que a cerâmica garante sua sobrevivência). Diferente da maioria das ceramistas – que com exceção de uma – contam com o auxílio financeiro de seus conjugues, que as mantêm. A despeito disso, todos concordam com o fato da atividade ser muito prazerosa. Um dos entrevistados diz que:

É uma atividade prazerosa de muita realização pessoal, muitas vezes ligada a questões sentimentais e até espirituais. É uma ferramenta de aproximação com interior da pessoa; é uma forma de se conhecer e se reencontrar.


Os ateliês foram transformados em lugar de ensino, além de lugar de desenvolvimento do trabalho e pesquisa em cerâmica. Eles têm um papel de extrema relevância na propagação do oficio, da arte da cerâmica e na organização financeira do ceramista que só pode mantê-lo se der aulas que custearão os gastos com água, luz, o próprio aluguel do espaço, além da compra de materiais para desenvolvimento das peças, como barro, ceras, esmaltes... Cabe, assim, reiterar entrevistas a fim de definir o que significa “ser rentável”, do ponto de vista dos ceramistas. Afinal, é a exposição das peças, a venda destas e as aulas que formam o tripé sobre o qual se equilibra o ceramista da zona sul do Rio. Que só expõem se tiver dinheiro ou financiamento que custeie uma exposição. Ao expor, divulga seu trabalho e atrai alunos que irão para o seu ateliê receber aula, que custearão a compra de barros, ceras, esmaltes... Esse é m ciclo ininterrupto reconhecido pela totalidade dos ceramistas entrevistados.

O trabalho em cerâmica seja ele utilitário ou decorativo demanda tempo e responsabilidade. O compromisso de entregar as encomendas na data combinada, os pagamentos referentes ao ateliê, às aulas, às exposições... Mas também há nesse trabalho uma dimensão terapêutica, relaxante que quer ser vivenciada por muitos alunos que o procuram. Atividades em cerâmica com cunho terapêutico, de socialização, de estabelecimento de amizade, não é o objetivo de todos os ceramistas entrevistados, embora haja quem tenha enveredado pelo caminho da arte-terapia e quem tenha alunos portadores de necessidades especiais, e outros ainda que recebam alunos que os procuraram recomendados por psicólogos.

Em sua maioria os ceramistas querem desenvolver pesquisas com esmaltes, com a fusão dos esmaltes com as cores dos barros e com os modos de queimas como o Raku6, com o aprimoramento das técnicas que usam, ou o experimento de outras. São seguidos por seu alunado, que quer se profissionalizar, aprimorar e estar entre os que também fazem cerâmica, para darem visibilidade a seus trabalhos.

Há, por parte dos ceramistas “do Rio”, a busca por materiais com alto nível de qualidade como consistência e pureza (barro) e a ausência de ruído (torno). Isso se deve a dificuldade de encontrá-los em nível estadual ou nacional, pela falta de cultura com relação à cerâmica e ao tipo de cerâmica que fazem. As poucas empresas que têm material de qualidade para atender aos ceramistas mais exigentes, estão em São Paulo e possuem o monopólio sobre os produtos. Não cobram barato pelo que fazem.

Uma ceramista alertou sobre a toxidade dos esmaltes, as composições químicas não vêm informadas nas embalagens dos produtos. Talvez por medo de criarem possíveis concorrentes e ou terem sua formulas roubadas, há ainda a possibilidade de esconderem algum elemento tóxico prejudicial à saúde dos usuários.

Quando saíram do país acompanhando seus cônjuges, as ceramistas não viajaram todas para o mesmo lugar. Ao regressarem trouxeram contribuições dessas culturas para o que fazem. O resultado é o grande número de trabalhos muito diversos e ao mesmo tempo muito singulares. Inspirados na mitologia, nos animais, nos índios, na anatomia humana, nas lendas, nas religiões. Há uma escultora em cerâmica, Flori Meneses, que foge à regra das viagens para acompanhar cônjuge, e, por seu próprio interesse, estudou no exterior, formando-se em artes plásticas. Ela diz:


Estava procurando alguma coisa com real volume que seria a matéria, no caso a argila pra formar as peças realmente com os volumes tridimencionalizado. Então eu passei pra escultura, isso então, há doze anos atrás. Assim que eu comecei, digamos, a ganhar pé na escultura, eu percebi que havia uma carência muito grande no mercado de escultores que realmente fossem focados na terracota, o que eu chamo de terracota, a mesma cerâmica que serve para fazer outras coisas como utilitários, vasos de cerâmica, mas utilizados unicamente na proposta escultórica e não na proposta artesanal.

Ela explica, ainda, a diferença entre artesão e escultor:


Qual seria a diferença? O artesão é aquele que vamos dizer assim, se propõe a fazer o ser humano, ele faz um furinho pra ser o olho ele faz uma, ele faz um simbolismo daquela forma, já o escultor não, ele esculpi o olho, esculpi a boca já é um diferencial, e fora isso o artesanato no geral ele tende a ter uma técnica um pouco mais reduzida, ou seja, uma queima de um biscoito entre 800 e 900 graus a maioria do artesanato é queimado em fornos à lenha, olarias, fornos caseiros. Já a escultura, leva a técnica de temperatura a mais de 1000 graus, o que traz certa resistência que é a terracota,ou seja a terra cozida. A durabilidade de uma peça dessas é imensa em relação às outras formas de artesanatos feitos com a mesma argila, por conta não só da forma que é utilizada, do manuseio da argila quanto pela queima.
Outra noção foi recorrente: a do desapego. Sobre isso um entrevistado diz: “O sentimento de perda, quando uma peça quebra, é superado através do exercício de refazer, reconstruir, reaproveitar e solucionar criativamente o que antes era considerado prejuízo”. Foi unânime a referência à peça como um filho.

Quanto a relações que estes estabelecem com o meio ambiente, fica clara a sensibilidade que eles têm para lerem a realidade, tanto do trabalho que fazem quanto das questões sócio-políticas que os influenciam. Contudo, apenas duas ceramistas deste grupo nas suas práticas de trabalho optaram pelo uso de materiais não tóxicos para realizarem as pinturas das peças, preservando o meio ambiente e a saúde delas próprias além da de seus alunos. Todos os ceramistas possuem um sistema de reaproveitamento do barro em seus ateliês. Um deles, ao ser perguntado sobre o porquê de não usar compostos tóxicos diz: “nada aqui é tóxico... Não é por causa do custo não, é por causa do não- tóxico, gosto de usar urucum, extrato de nogueira.....”

O ambiente fornece água e o barro. A necessidade e dimensão criativa do trabalho proporcionam a criação de objetos utilitários e decorativos para desfrute e contemplação. O reaproveitamento da matéria prima principal no trabalho com cerâmica, o barro, feito através das máquinas que o processam depois de amolecido e que o tornam novamente massa moldável, além do uso de ceras ao invés de esmaltes tóxicos são bons exemplos de atitudes de respeito e conservação do ambiente.


  1. Referências Bibliográficas

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1 Procientista Uerj/ Professora Adjunta da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente (PPGMA-Uerj).

2 Bolsista Iniciação à Docência/SR1-Uerj, aluna do Curso de Pedagogia/Uerj.

3 Bolsista Iniciação Científica CNPq, aluna do Curso de Pedagogia/Uerj.

4 A produção intelectual desse campo de conhecimento tem crescido. No último encontro anual da Society for Social Studies of Science (4S), realizado em Montreal em outubro de 2007, a qualidade dos trabalhos justificou a organização da sessão 5.9 denominada Latin American Science and Ways of Knowing, da qual participei apresentando o trabalho Branquinho, F. T. B. About inlanders fiber over the sociotechnical network of Açu's barrage: a history told by flooded rupestrian pictures. In: Annual Meeting Society for Social Studies of Science, 2007, Montreal. Ways of Knowing. Montreal: Society for Social Studies of Science, 2007. v. 1. p. 1-22.

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5 Trata-se de um APQ1 que tem como objetivo identificar tradições no modo de fazer cerâmica no Estado do Rio de Janeiro, estimulando o surgimento de condições favoráveis para sua preservação como, por exemplo, a formação de uma cooperativa fluminense de ceramistas com base em oficinas de arte-educação. O seu desenvolvimento está sendo realizado em parceria com a pesquisadora Isabela Frade do IA/Uerj.

6 Queima de resultado inesperado.





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