Biografia de Martin Heidegger


A Metafísica na busca pelo ser



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A Metafísica na busca pelo ser


A palavra metafísica, que comumente se refere a algo além da física, na verdade consubstancia, segundo Aristóteles, uma escalada no mundo do conhecimento, que vai do concreto ao abstrato, do particular ao geral, dos sentidos para a inteligência, do a posteriori ao a priori.

Está abaixo na essência dessa concepção, a oposição entre o sujeito e o objeto de conhecimento, com vistas a constituir uma ciência nova, a ontologia, ou o conhecimento do ser enquanto ser, que permitirá a constituição de um mundo a se, autônomo e independente das condições subjetivas de nosso saber. A partir de então, ficam explicitadas as condições transcendentais e transcendentes da realidade metafísica, que se refere a algo além da física, na verdade consubstancia. Na metódica heideggeriana é estar em busca da verdade, a verdade do Ser. Heidegger mostra como o esquecimento do ser da metafísica, é a maior provocação para a questão do pensamento. A superação da metafísica é, no fundo, uma recuperação originária do esquecimento do ser, o pensamento originário que nos trás as figuras de Heráclito e Parmênides, que consubstancialmente nos revelam o início pela procura serística

A Metafísica nasce de um pensamento que já penetrou na superação da metafísica. A especial oportunidade na qual ela é discutida, a partir de sua essência, já esta engajada com vários modos de representações com outras espécies de produção do ente no elemento característico da verdade, na qual todo ente se caracteriza pela vontade da vontade do ser, e sua verdade, esta vista metaforicamente como o chão no qual a metafísica, como uma raiz da árvore da filosofia, se apóia e do qual retira seu alimento.

Seja qual for o modo de explicação do ente. Sendo então de extrema importância termos como base primária, a Ontologia, o estudo do ser, a imanência e ainda o niilismo.

A Ontologia na Metafísica

Com efeito, segundo Heidegger, a Metafísica consiste propriamente numa doutrina ontológica das categorias e fundamentações da metafísica em estabelecer os pressupostos de tal doutrina

Ainda não tendo adotado termo Ontologia, ele fala de uma concepção transcedental-ontica da noção do objeto, ou ainda de restituir á Filosofia a dimensão translógica, que o direito lhe compete.

Como Onto-lógica, a Metafísica se propõe tematizar as estruturas universais, para as quais o sujeito deve transcender, a fim de conhecer os objetos como objetos, seja determinar os fundamentos desta objetivação. Trata-se de estabelecer as condições de possibilidade do conhecimento do objeto enquanto conhecidos, não enquanto destacados do sujeito. Conceber a Metafísica como Ontológica significa dar aos objetos, uma consistência autônoma, de modo que as formas de categorias não se resumem apenas em pensar, como ponto de vista puramente lógico, trata-se ainda de estruturas do ente, que o pensar descobre objeto material experimentado.

Assim, ele pretende suprir numa síntese superior a antinomia presente na questão do conhecimento, entre o Realismo crítico e o Idealismo transcendental. Encaixando-se no primeiro a questão da imanência, e a partir desta superado. Já no segundo, pela admissão do princípio da especificação das formas por um material que se apresenta ao sujeito como absoluto.

O Princípio da imanência na Metafísica


Reduzindo à expressão mais simples, a idéia de imanência implica apenas que a realidade só nos é acessível enquanto presente à consciência. Seria impossível para o sujeito sair de si mesmo para considerar o ente fora da própria consciência. Daí se segue que a conformidade entre o conteúdo imanente do pensar e o seu objeto não se da através da comparação entre um e o outro. Para Heidegger, é totalmente injusto atribuir aos escolásticos esta explicação absurda da verdade. Compreendido o significado de imanência, longe de suprir a realidade do mundo exterior, é a garantia do valor absoluto da verdade e da autentica objetividade, contra qualquer forma de relativismo. Para os escolásticos, ao contrário do pensamento de Heidegger, a consciência não tem a mínima ressonância, não sendo capaz de alterar a altitude ontológica, que não consideram o objeto em função do sujeito. No pensamento heideggeriano, a consciência é o ponto de partida da doutrina das categorias, e da análise das entidades lógicas que se pode estabelecer o que significa o ser ou objetivante do objeto e das categorias que os estruturam. Este fenomenológico original é a vida imanente da consciência cuja as características devem ser fielmente descritas e racionalmente explicados até suas últimas conclusões. Se a ordem objetiva do ser só se manifesta no juízo, ela é, entretanto, independente do juízo pelo qual o sujeito a conhece. O universo dos valores tem uma consistência anterior e superior à da consciência humana.

Destarte, no seu esforço de superar o idealismo, partindo do âmbito interno da consciência, Heidegger se vê obrigado a desdobrar a região dos valores, sem muito esclarecer, apenas em dois planos resultantes. Não se tratando, logicamente de dois planos justapostos

Pode superar a idéia de consciência como um sistema fechado, que numa perspectiva transcendental, como a kantiana de seus discípulos, leva à conclusão do ser e das categorias. Rigorosamente falando, é o pensar humano que é imanente ao ser. O movimento transcendental para o ser, que o antecede e o funda, é a própria essência do pensar. Se é verdade que não podemos ultrapassar o limite da consciência, é certo que seu polo objetivo é a própria ordem do ser. Sendo, o que é conhecido ente e seu ser, embora sob forma especial de objeto da consciência.



A Fundamentação da Metafísica Heideggeriana


Toda questão metafísica somente pode ser formulada de tal modo que aquele que interroga, esteja implicado na questão, isto é, seja problematizado. Daí tomamos a indicação seguinte: a interrogação metafísica deve desenvolver-se na totalidade e na situação fundamental da existência que interroga.

Sendo nossa existência – na comunidade de pesquisadores, professores e estudantes – é determinada pela ciência, esta se caracteriza pelo fato de dar, de um modo que lhe é próprio, expressa e unicamente, à própria coisa a primeira e última palavra. Em tão objetiva maneira de perguntar, determinar e fundar o ente, se realiza uma submissão peculiarmente limitada ao próprio ente, para que este realmente se manifeste.

Existem três dimensões – referência ao mundo, comportamento, irrupção – as quais trazem, em sua radical unidade, uma clara simplicidade e severidade do ser-aí, na existência científica. Se quisermos apoderar-nos expressamente da existência científica, assim esclarecida, então devemos dizer:

Aquilo para onde se dirige a referência ao mundo é o próprio ente – e nada mais. Aquilo de onde todo o comportamento recebe sua orientação é o próprio ente – e além dele nada. Aquilo com que a discussão investigadora acontece na irrupção é o próprio ente – e além dele nada.

Mas o estranho é que precisamente, no modo como o cientista se assegura o que lhe é mais próprio, ele fala de outra coisa. Pesquisado deve ser apenas o ente e mais – nada; somente o ente e além dele – nada; unicamente o ente e além disso – nada.

A primeira via é a existência do nada, a busca originária de uma realidade de libertação de lugar. O termo “nada” é comumente entendido como um vazio, isto é, uma falta, Heidegger quer desmistificar este pensamento: “Certamente, no entanto, o vazio é parente do que o lugar tem de próprio e por isso não é uma falta, mas um transparecer. Mais uma vez a linguagem pode nos dar um sinal. No verbo – esvaziar – fala do colher no sentido originário de reunir que vide no lugar”.

Heidegger investiga o “vazio” e a “falta” e percebendo que lingüisticamente o ser, como morada do real positivo, toma conotações diferentes das quais pretendemos com o termo “nada”, que nos leva em direção ao “esvaziar”, sendo que procuramos uma autêntica forma dissimulada de enquadrarmos o nada, chegando a conclusão que não é esta a designação que teremos de seguir. Assim Heidegger continua com um exemplo: “Esvaziar o copo diz: recolhe-lo para a libertação de seu modo de ser. Esvaziar as frutas colhidas num cesto, diz: preparar-lhes nesse lugar. O Vazio não é um nada, não é também uma falta. Na In-corporação da escultura, o vazio joga como modo de instaurar lugares em buscas e criações”.

O nada para Heidegger não é um vazio ou uma falta e sim uma ausência, que nos permite dizer que já esteve lá... ou que ainda chegara, apenas no momento do “é” ainda é ou foi ausente , ausente não diz que é vazio e muito menos falta, aqui chegamos a um tipo de existencialidade nádica onde na elaboração desta questão, interroga-se : “Que é o nada?”. Heidegger ainda acrescenta : “Pois o nada é a negação da totalidade do ente, o absolutamente não-ente”, assim o esvaziar é um tipo de ausência, o esvaziamento de algo diz que: em algum momento lá esteve, e que talvez volte a se preencher, assim é a ausência, estava e deixou de estar, com a possibilidade de retorno, e será neste retorno que o desenvolvimento nádico se transforma em clareza de realidade, isto é, existência. A tarefa não é fácil, encontram-se dissimulações, e é Heidegger que nos aponta : “Mas será que é tão seguro aquilo que aqui propomos ?... Existe o nada apenas porque existe o não, isto é, a negação ? Ou não aconteceu o contrário ? Existe a negação e o não apenas porque existe o nada ?... Nós afirmamos : O nada é mais originário que o não e a negação”.

A resposta a estas suposta perguntas se dá ao final de “Que é Metafísica?” e início de “Introdução a Metafísica” : “Porque há simplesmente o ente e não antes o Nada”. O intuito da questão é procurar a verdade em si, alétheia como desvelamento para o real.

A segunda via é a de “constatação”, e a verdadeira finalidade da superação a metafísica heideggeriana, retirar o Nada, uma vez já existente, do que é real.

A verdade é o caminho para o real, mais a “verdade” e não a verdade, isto é, a verdade suposta de forma verdadeiramente e essencialmente verdade. Dessa forma existe um supra-existir que formula tudo isso, e como no caso do nada foi a ausência, aqui será a liberdade, daí a idéia de conjunto dos seres e entes, Liberdade positiva (caminho positivo para a realidade do verdadeiramente verdade); Liberdade negativa (caminho negativo para a realidade do verdadeiramente verdade), a liberdade é o abandono ao desvelamento do ente como tal, dessa forma é o ser-aí (dasein) ek-sistente como “deixar-ser” que leva a liberdade que por ora possui o homem : “Dasein ist in der Wahrheit” – O Dasein está na verdade (SeT.44 pg. 289), onde há espaço para Un-wesen, Un-wahrheit e Verschlossenheit

A possibilidade do real como essência da verdade, claramente sugere uma “possibilidade” de querer, terminar o sonho ontológico de Heidegger, incluir nessa formulação de idéia heideggeriana, o ser em problematização com o real e ainda chegar ao ponto de aproxima-lo com o nada, que já sendo existente nos permite uma conotação de ser e não ser diferente das propostas pelos metafísicos, com isso a superação metafísica do real e de suas possibilidade estará mais próxima se não elucidadas, mais cabe aqui uma outra alternativa, de que todos os seres dos entes são em sua totalidade o que são, o “é” da questão continua a ser uma incógnita, Heidegger sabedor disso já nos colocava em “Da Experiência do Pensar” – “Nós chegamos muito tarde para os deuses e muito cedo para o ser”, hoje com nossa mentalidade não podemos chegar a uma conclusão clara sobre o ser, por isso Heidegger acredita que o caminho de solução dessas problemáticas são as possibilidade, talvez os deuses saibam a resposta e nos não podemos, em hipótese nenhuma perguntar e interroga-los, nos basta a compreensão do real.




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