Bion e Tustin



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Bion e Tustin


Os fenômenos autísticos e o referencial de Bion:

uma proposta de aproximação.

Célia Fix Korbivcher
“A complexidade da relação ordem/desordem/organização surge quando se verifica empiricamente que fenômenos desordenados são necessários em certas condições, em certos casos, para a produção de fenômenos organizados, que contribuem para o aumento da ordem”.

Morin, E. (1990 p.91)


“A ciência funda-se ao mesmo tempo no consenso e no conflito. Caminha sobre quatro patas independentes e interdenpendentes: a racionalidade, o empirismo, a imaginação, a verificação. Há conflitualidade permanente entre racionalismo e empirismo: o empírico destrói as construções racionais que se reconstituem a partir de novas descobertas empíricas. Há complementaridade conflitual entre a verificação e a imaginação. Finalmente a complexidade científica é a presença do não científico no científico, que não anula o científico, mas pelo contrário lhe permite exprimir-se” .

Morin, E. (1990 p.153)



Introdução

A partir da prática clínica, tenho centrado o meu interesse em investigar o modo específico pelo qual alguns pacientes, especialmente sensíveis à experiência de separação corporal entre self e objeto, se organizam psiquicamente. Cada paciente, independentemente do grau de comprometimento em que se encontra, vai se organizar dentro de um sistema defensivo próprio, conforme sua capacidade maior ou menor de tolerar dor mental. Quando a dor mental é extrema, o paciente, irá utilizar proteções igualmente extremas (Mitrani, 2001) como um meio de evitar vivências insuportáveis de não integração e de desintegração.

Determinados indivíduos vivenciam a separação entre self e objeto de maneira tão abrupta, que precisam desenvolver manobras protetoras poderosas, como uma maneira de conservar a sensação de continuidade corporal com o objeto e de conseguir, assim, um estado de alguma coesão interna. Para Tustin, a maneira como o indivíduo lidará com a consciência da separação corporal do objeto é o âmago de toda a existência humana e, é esta experiência que determinará o desenvolvimento de toda a sua personalidade. A autora menciona que desde o nascimento há “flutuações de estados de consciência” da separação corporal do objeto, estados estes que são a base dos estados mentais através da vida (Tustin, 1986,1992).

Entendo que é nesta área é que se delineia a singularidade da organização psíquica de cada indivíduo. Se pensarmos numa gradação desses modos de organização, encontraremos, num extremo, o pensar, o conhecer, áreas de simbolização e, noutro, uma gama de possibilidades de funcionamento mental que oscilam, desde áreas de identificação projetiva e áreas de alucinose até áreas autísticas.

O trabalho de análise com pacientes que operam em áreas em que prevalecem fenômenos autísticos tem constituído um desafio constante, para mim, devido à enorme complexidade que estes fenômenos encerram.

Tenho me dedicado, em meus trabalhos anteriores (Korbivcher, 1999, 2001, 2004), ao exame dos fenômenos autísticos, em pacientes neuróticos, conforme propostas por Tustin, (1986,1992). Nesses trabalhos, tento desenvolver uma reflexão metapsicológica relativa aos parâmetros que delimitam a área dos fenômenos autísticos, de modo a conseguir alguma orientação dentro desse universo aparentemente caótico (Korbivcher, 2004).

Em “A Teoria das transformações e os estados autísticos2. Transformações autísticas: uma proposta” (Korbivcher, 2001), inicio a aproximação entre o referencial de Bion e o universo autístico. Sugiro incluir, entre os tipos de transformações destacados por Bion, as transformações autísticas, nas quais prevalecem os fenômenos autísticos. Dou prosseguimento ao tema em “A mente do analista e as transformações autísticas” (Korbivcher, 2004), ocasião em que tento circunscrever a área que compõe o universo autístico e em que destaco que essa área talvez possa vir a constituir um universo à parte, organizado por leis específicas, diferentes das do universo da neurose e da psicose. Como sabemos o universo autístico é dominado por sensações, sensações essas, que possivelmente não adquirem representação na mente. A ausência de emoções prevalece e a noção de objeto, se é que existe, não está acessível

O objetivo do presente trabalho é dar continuidade á tentativa de aproximação entre a área dos fenômenos autísticos e o referencial de Bion. Relaciono os fenômenos autísticos encontrados nas transformações autísticas, com os vínculos emocionais, elementos beta, presentes e também com a Grade. O intuito é examinar a possibilidade de introduzir no referencial do Bion a área dominada pelas sensações e verificar a coerência da proposta de transformações autísticas dentro do todo da teoria das Transformações.

Para isso proponho as seguintes indagações:

Como operariam os vínculos emocionais L, H, K e seu negativo na área autística? Mais especificamente; qual seria a relação entre os fenômenos autísticos e a área de –K (não-conhecer)? Qual seria a relação entre os fenômenos autísticos e os elementos beta e onde situá-los, na Grade. Indago ainda: em qual das dimensões da mente se situariam as transformações autísticas?

É importante levar em conta que a proposta de tentar incorporar o universo autístico ao referencial de Bion pode provocar, neste referencial, uma desorganização importante que se deve ao fato de Bion, em suas teorias, explorar predominantemente o desenvolvimento da mente e o campo das emoções, enquanto Tustin e outros autores que examinam a área autística. Estes autores afirmam que o universo autístico, por ser um universo dominado por sensações, não apresenta uma mente constituída e, portanto, não se tem nele o registro das emoções. Se afiarmos nossos instrumentos de observação, reconheceremos em nossa prática clinica, que manifestações de fenômenos autísticos em pacientes neuróticos, são mais freqüentes, do que supomos. Permanece, então, a questão: como considerar esses fenômenos dentro do referencial de Bion?

Penso que talvez Edgard Morin (1990), com as idéias que desenvolveu a respeito de “pensamento complexo”, possa vir em nosso auxílio.

Morin (p.20), indaga:
“... O que é Complexidade? Complexidade, à primeira vista, é um tecido (complexus: o que é tecido em conjunto) de constituintes heterogêneos, inseparavelmente associados... Na segunda abordagem, a complexidade efetivamente é o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, acasos, determinações que constituem o nosso mundo fenomenal. ...Mas, então, a complexidade se apresenta com traços inquietantes de confusão, do inextricável, da desordem, da ambigüidade. Daí, a necessidade, para o conhecimento, de pôr ordem nos fenômenos, ao rejeitar a desordem a afastar o incerto, isto é, de selecionar os elementos de ordem e de certeza, de afastar, de retirar a ambigüidade, de esclarecer, de distinguir, de hierarquizar... Mas tais operações, necessárias para a inteligibilidade, correm o risco de a tornar cega, se eliminarem os outros caracteres do complexus; pelo fato de, e efetivamente, como indiquei, elas nos cegar...
Morin, nesta passagem, ao se referir ao “pensamento complexo”, exprime, a necessidade da inclusão, no nosso campo de trabalho, de toda sorte de fenômenos que dele faz parte. Como diz Morin, trata-se de “um complexus”, ou seja, de um campo “tecido de constituintes heterogêneos, inseparavelmente associados”. Deveriam então estar incluídos neste campo, aqueles fenômenos que aparentemente acarretam “confusão, desordem, ambigüidade e incerteza”. Caso tais fenômenos venham a ser excluídos, incorreremos o risco de deixarmos de lado elementos significativos e com isso identificar inadequadamente o fenômeno prevalente na sessão, confundindo-o com outros, de qualidade diversa.

Deve-se enfatizar que a incorporação dos fenômenos autísticos ao referencial de Bion irá, produzir um universo complexo, repleto de “incongruências, de inquietações, de ambiguidades”, mas, apesar disso, estou convencida da importância de levar adiante essa tentativa, pelo fato de esses fenômenos serem parte integrante do complexus, ou seja, do campo de fenômenos em que a mente se expressa.



Bion e Tustin
Bion é o autor que se dedica ao estudo do desenvolvimento do pensar e de suas perturbações. Diferencia a parte psicótica da parte não-psicótica da personalidade, (Bion, 1957) dedicando-se especialmente á investigação da parte psicótica. Examina com minúcia, na clínica, os fenômenos que interferem com a capacidade de pensar. O principal foco de interesse de Bion centra-se em torno do eixo pensar e não-pensar ou, dito de outro modo, conhecer e não-conhecer, ampliando também suas idéias, a partir de Transformações (1965), na direção do que denominou de O, “vir a ser”. Explora a área dos vínculos negativos, –K, não-conhecer. Bion afirma que, nesses estados, emoções desencadeadas por inveja, por rivalidade, são fatores importantes, que agem ativamente sobre o processo de conhecer.

A teoria de Bion trata do desenvolvimento da mente, das emoções e dos vínculos que as unem. Bion parte dos elementos beta, elementos sensoriais que não sofreram transformação ao nível psíquico pela ação da função α. Examina os processos envolvidos na gênese do pensamento desde os elementos beta, até etapas em que o pensamento abstrato opera. O aprender com a experiência emocional compartilhada entre a dupla analítica é o campo no qual o pensamento pode vir a se desenvolver e a Teoria das Transformações é o método utilizado para observar os fenômenos dentro deste campo.

Frances Tustin analisou-se com Bion por 14 anos. Tustin comenta que, ao longo do seu processo de análise, tomou consciência de núcleos encapsulados que a protegiam de uma depressão profunda, e foi então que pôde se aproximar e experimentar os “terrores do buraco negro” e que pôde penetrar na cápsula autística que a protegia. Seu interesse e sua contribuição importante na investigação de fenômenos da mente primitiva, a área autística, tem se mostrado de extremo valor para o trabalho clínico com pacientes não só autistas, como também com pacientes neuróticos que apresentam núcleos autísticos.

Tustin (1986) afirma que alguns pacientes apresentam núcleos autísticos impenetráveis que os tornam inacessíveis ao contato, apesar de operarem predominantemente com a parte neurótica da personalidade. Menciona que, se tais núcleos não forem abordados, poderá ocorrer certa paralisação do processo da análise.Tustin, parafraseando Bion com relação à sua postulação relativa às “partes neuróticas e psicóticas da personalidade”, propõe que esses pacientes estariam operando com a “parte autística da personalidade”.3

Tustin, diferentemente de Bion, ocupa-se de áreas dominadas pelas sensações, a área autística. Nesta área, as sensações não se tornam mentalizadas e não adquirem representação na mente. O indivíduo envolto em estados autísticos recolhe-se no interior de uma “concha protetora” onde permanece absorto com atividades auto-sensuais, bastando-se a si mesmo com elas. Com isso ele se protege de vivências insuportáveis de não integração e de estados de grande vulnerabilidade. Se estas áreas se manifestam na clínica, indago como seria possível incluí-las em nosso campo de trabalho de modo a evitar que o analista, nos termos de Morin se torne “cego para alguns caracteres do complexus que está examinando.
Transformações autísticas e vínculos emocionais
Bion em sua obra abandona a idéia central, que até então vinha sendo a principal abordagem da psicanálise; as relações de objeto, e passa a centrar o seu interesse no trabalho com os vínculos emocionais, vínculos estes que segundo ele, conectam os objetos (Bienchedi, 1995).

De acordo com Bion (1962), os vínculos emocionais permeiam qualquer relação. Ressalta a importância de se discriminar as diferentes qualidades dos vínculos emocionais entre self e objeto. Esses vínculos representam os três tipos fundamentais de experiência emocional aos quais será aplicada a função alfa: (L,H, e K) e (–L,-H,-K). Nesses últimos há manifestações de ataque, por parte do self, expressas através do ódio dirigidos aos vínculos que unem os objetos. Nesse sentido, a idéia central de Bion, é a de que não são os objetos que são atacados, mas aquilo que os vincula. (Bienchedi,1995).

Dentro dessa perspectiva, pergunto como os vínculos emocionais e os seus negativos operam, na área autística?

Se estivermos de acordo de que, no âmbito autístico, não há noção de objeto, ou, se há, ela é inacessível, como podemos pensar em vínculos positivos ou negativos unindo objetos? Faço a conjectura de que talvez estivéssemos numa área em que prevalece a ausência de vínculos, uma área de não-vínculos.

Entendo que as transformações autísticas, e os fenômenos autísticos nelas contidos, devido às suas características, poderiam dar margem a serem consideradas como pertencentes ao domínio de –K, não-conhecimento (Braga, J. C., 2004; Rezze, 2004), ou como um tipo de manifestação de transformações em alucinose (Braga, J.C., 2004). Este enfoque, a meu ver, merece ser discutido.

Como Meltzer (1978) expõe, os pacientes que operam em -K querem manter ativamente a ignorância e acreditam que há vantagem em evitar a consciência. Segundo Bion (1962a), tais pacientes têm ódio a qualquer novo desenvolvimento na personalidade, como se o novo desenvolvimento fosse um rival a ser destruído”... A inveja, a voracidade, além da rivalidade e da violência das emoções são, para Bion, os fatores principais presentes em –K, fatores estes que dificultam a atividade de conhecer.
Para Bion os fenômenos –K implicam no funcionamento de uma mente capaz de cisão e de projeção. Além disso, afirma que em -K há a manifestação de emoções violentas. Diz também que existe um peito, no qual são projetados os sentimentos despertados pela inveja. É importante esclarecer ainda que Bion utiliza a noção de inveja como M. Klein a emprega em Inveja e Gratidão (Bion, 1962, p.128), ou seja, fica claro, nesse texto, que a noção de objeto existe sempre, desde o início da vida. Pressupõe a presença de um objeto alvo de inveja. Desse modo, podemos pensar que os fenômenos pertencentes à área –K, conforme Bion os concebe, são fenômenos plenos de emoções e que a noção de objeto está presente.


Fenômenos autísticos e elementos beta
Green (2001) aborda de maneira feliz a idéia de que tanto Bion quanto Freud suspeitaram haver algo primitivo, na mente, que não é inteiramente explicado pelos primeiros estágios de relação objetal do desenvolvimento do bebê. Green menciona que Bion considera os elementos beta -os elementos que não sofreram transformação ao nível psíquico - como o que há de mais primitivo na mente.

Partindo desta abordagem, penso que podemos fazer a proposição de que os fenômenos autísticos se encontram numa área bastante próxima dos elementos beta. As características, tanto dos fenômenos autísticos quanto dos elementos beta, são bastante similares, mas admito a possibilidade de que haja diferença de qualidade. Não pretendo tentar explorar exaustivamente o conceito de elementos beta, pela dificuldade que este conceito encerra. Desenvolvo algumas conjecturas quanto ao meu entendimento da diferença entre ambos, circunscrita apenas ao âmbito da discussão aqui proposta.

Elementos beta, como Bion definiu, são elementos sensoriais que não sofreram transformação ao nível psíquico pela função alfa e, portanto “não são passíveis de serem utilizados para o pensamento” (Bion, 1962a ). São estímulos sensoriais não digeridos, que são descarregados, expelidos, com o intuito de livrar o aparelho mental do acumulo de tensão. A mãe, com a sua capacidade de reverie, acolhendo e contendo esses elementos beta em sua mente e com o exercício da função alfa, tentará transformá-los em elementos psíquicos, colocando-os disponíveis para o uso em pensamento. Quando isso não é possível, forma-se uma barreira de elementos beta, a Tela beta. Onde deveria se constituir a barreira de contato, o que se observa é a sua destruição, devido à inversão da função alfa. Os elementos que constituem a barreira de contato se dispersam e se convertem em elementos beta, acrescidos de vestígios de ego e de superego. Estes podem vir a constituir os objetos bizarros, que precisam ser evacuados ou projetados.

Os fenômenos autísticos, por sua vez, caracterizam-se pelo seu caráter estático, por pertencerem ao mundo do inanimado. Eles se caracterizam pela sua função protetora diante da dor frente à ameaça da não existência psíquica. Através de atividades auto-sensuais, os fenômenos autísticos pretendem cobrir a ausência do objeto, evitando, assim, a consciência da separação corporal do objeto. Estes não parecem adquirir representação na mente e, diferentemente dos objetos bizarros, não apresentam vestígios de vida psíquica. Podemos supor que, à semelhança dos elementos alfa e beta, que, quando agrupados, dão origem respectivamente à barreira de contato e à tela beta, os fenômenos autísticos agrupados dão origem a uma barreira protetora, “a barreira autística”. O indivíduo busca proteção através dessa barreira autística e, a partir de atividades auto-sensuais, gera ele próprio o objeto, objeto esse com características autísticas (Tustin, 1984, 1986). Diferentemente dos elementos beta, os fenômenos autísticos não têm função de descarga ou de alívio, mas têm, como já foi dito, a função de obter, através deles, proteção.

A função do analista, diante da barreira autística, é a de tentar penetrar nessa barreira autística do paciente, introduzindo-se como um elemento vivo, ativo, e se aproximar daquele mundo inanimado, conferindo vida psíquica àqueles estados autísticos. Para isso, seria preciso que esta barreira autística tivesse alguns pontos vulneráveis, de modo a permitir que a comunicação do analista atinja o paciente, que houvesse um trânsito entre estados autísticos e estados em que a mente operasse. O paciente, encontrando-se fora da barreira autística, poderá vir a se sentir acompanhado pelo analista, o que atenua a sua vivência de ameaça. Esta experiência, poderá tornar a barreira autística mais permeável, permitindo ao paciente transitar por áreas mentais, sem se sentir tão vulnerável e aterrorizado. Desse modo, os fenômenos mentais anteriormente congelados pela barreira autística, sejam eles elementos beta ou mesmo elementos alfa, passariam a ser mais acessíveis.

Elemento beta é um conceito usado por Bion que representa uma ampla gama de fenômenos relativos a diferentes níveis de desenvolvimento mental. Tanto nas transformações em alucinose quanto nas transformações projetivas, prevalecem os elementos beta. Em “Mente primitiva e pensamento” (Korbivcher, 1999), examino a importância de o analista discriminar a natureza dos fenômenos frente aos quais ele se encontra, pelo fato de o manejo clínico, para cada tipo de fenômeno, ser específico. Também sugiro levar em conta uma “gradação de elementos beta”, de modo a facilitar o reconhecimento das diferentes nuanças dessas manifestações. Em “A mente do analista e transformações autísticas”, (Korbivcher, 2004) sugiro a possibilidade de se pensar numa grade de elementos beta.

Dentro deste escopo é que prossigo, na tentativa de diferenciar elementos beta de fenômenos autísticos.
Fenômenos autísticos, tropismos e a Grade
Mion, C. (2003)3 oferece importante contribuição, ao citar Bion em Cogitations (1992) , ocasião em que sugere que a área dos tropismos psíquicos representa a área em que a matriz da mente se constitui. Associa as reações do indivíduo diante da ausência de um objeto que resgate e transforme os tropismos com manifestações autísticas.

Beltrame, O. (2004, comunicação pessoal)4 também contribui com idéias importantes, relacionando os fenômenos autísticos com as noções de tropismos apresentadas por Bion em Cogitations.

O significado da palavra tropismo, encontrado no Dicionário Aurélio (1999), é “reação de afastamento ou de aproximação do organismo com relação à fonte de um estímulo”.
Bion diz, em Cogitations (1992, p.47):
“Os tropismos são a matriz a partir da qual brota toda a vida mental. Para a sua maturação ser possível, eles precisam ser resgatados do vazio e comunicados. Assim como a criança precisa de um seio ou equivalente, para sustentar a sua vida, é preciso que haja uma contra-partida mental, o seio primitivo, para que a vida mental seja mantida. O veículo de comunicação, que é o choro da criança, as sensações táteis e visuais, não está envolvido apenas na comunicação, mas também no controle do tropismo. Se tudo corre bem, a comunicação por identificação projetiva leva a depositar no seio tropismos que a criança não pode controlar nem modificar ou desenvolver, mas que podem ser controlados e desenvolvidos depois de terem sido modificados pelo objeto. Se isso entra em colapso, o veículo de comunicação, o contato com a realidade, os vínculos... passam a ser partículas comunicativas, que acompanham os tropismos involucrados, e são rejeitados tanto pela psique quanto pelo objeto”... “o tropismo fica involucrado no próprio veículo de comunicação, seja ele o som, a visão ou o tato”..
O acesso à contribuição de Bion relativa aos tropismos me levou a pensar que o autor talvez estivesse apontando para a existência de uma área de fenômenos primordial anterior aos elementos beta, área em que só há um movimento de “aproximação e de afastamento do organismo com relação à fonte de um estímulo”. È uma área em que há um estado expectante por um objeto que irá modificar o tropismo. (Grotstein, 2005, comunicação pessoal). Como Bion afirma, essa àrea constitui uma matriz a partir da qual toda a vida mental brota e a partir da qual a personalidade será organizada. Supõe-se, assim, que o indivíduo ao nascer, ou até mesmo antes de nascer, traz consigo a disposição para a busca de um objeto. Pergunto-me se esta sua tendência corresponderia à idéia de pré-concepção de um seio, porém num estágio de desenvolvimento biológico, anterior ao surgimento de vida psíquica5.

Como Bion diz, o indivíduo que opera com tropismos fica na dependência de encontrar, no objeto, a possibilidade do mesmo ser modificado. Sabemos que as plantas precisam de luz para se desenvolver. O que se observa é que suas folhas se movimentam, se voltam naturalmente, na direção da luz. Quando não encontram luz, elas muitas vezes não se desenvolvem, podendo até mesmo morrer. Pergunto-me se poderíamos fazer uma analogia entre estados autísticos e as plantas que não encontram luz.

Penso que a afirmação de Bion (1992) ao dizer que se o indivíduo não puder encontrar um seio no qual projetar os tropismos o resultado ”será um desastre que assume a forma de perda de contato com a realidade, apatia ou mania” estaria ligado ao que Tustin (1981,1992) denomina “nascimento psicológico prematuro”. Esta é uma situação na qual a criança especialmente sensível é impelida a se separar precocemente do objeto desenvolvendo uma pseudo-independência e através de manobras autísticas, uma “concha protetora” ou “segunda pele” (Bick, 1986), se protege da ameaça de não existência psíquica. Poderíamos supor, então, que “a apatia”, “a perda de contato com a realidade”, às quais Bion se refere, seriam manifestações de um estado em que uma barreira autística foi desenvolvida, pelo fato de o indivíduo não encontrar um objeto no qual projetar os tropismos?

Ainda a respeito de tropismos, Bion, em Transformações enuncia que as propriedades do que ele denomina “consciência” e as propriedades dos elementos beta são da natureza de um tropismo levado ao campo dos fenômenos mentais.

Diz Bion (1965, p.130), :

“essa consciência é a percepção de uma falta de existência que demanda existência, um pensamento em busca de um significado, uma hipótese definitória em busca de uma realização se aproximando dela, uma psique procurando uma habitação física para lhe dar existência; o continente procurando o conteúdo”.


Meltzer (1975 b), também faz menção aos tropismos : Diz ele: “...Foi nessa época que começamos a pensar em dimensionalidade e a pensar a respeito dos fenômenos autísticos como uma espécie de ausência de mente, em que havia apenas um certo fenômeno de tropismo com uma direção específica. Uma criança ao entrar na sala, corria para a janela e chupava a sua maçaneta, ou corria entre duas portas, uma porta que ela cheirava e outra que ela lambia e assim por diante, uma espécie de tropismo”...
Neste ponto, pergunto: onde situar, na Grade (Bion, 1963), a área autística, onde situar os fenômenos autísticos ?

Ao estudar essa questão, já surge de início, uma contradição, a ser considerada: se a teoria das Transformações e a Grade são instrumentos para examinar o funcionamento da mente, a gênese do pensamento, como é possível incluir, nelas, fenômenos em que a dimensão do psíquico não está acessível ou até mesmo inexiste? Como incluir, nesta teoria, a área dominada por sensações, localizada na fronteira entre os primórdios da mente e uma área não mental? Como incluir a área autística?

Como um exercício, proponho criar, na Grade, num espaço anterior à linha A (elementos beta), uma àrea em que se situassem os tropismos ,manifestações ao nível corporal e os fenômenos autísticos. Este espaço, poderia estar localizado na linha A06, acima da linha A. Se os tropismos não encontrarem um objeto capaz de os acolher e modificar, teremos, como consequência, os “elementos autísticos”, como proponho denomina-los. No caso de encontrarem este objeto capaz de modificá-los, os tropismos dariam lugar aos elementos beta, linha A, e mesmo a elementos alfa, caso a função transformadora do objeto se completar através da capacidade de reverie e da função alfa.

Entendo que a hipótese de inclusão, na grade, a linha referente aos tropismos, A0 ,permite que seja introduzida a área autística. A área dos tropismos, penso, que situa-se na fronteira do que seriam os primórdios do mental e do não mental. Como já foi dito, os tropismos vem acompanhados da expectativa de um objeto que os modifique e que os faça evoluir para elementos com qualidades psíquicas. Pergunto se esta expectativa poderia ser considerada como uma manifestação dos primórdios da mente. Já os fenômenos autísticos surgem no caso do objeto que irá modificar o tropismo não ser encontrado. Sendo assim, penso que encontramo-nos numa área de fenômenos que representa na grade ao trânsito entre existir e não existir.

Dando continuidade ao exercício, os elementos autísticos só estariam representados, no eixo vertical da Grade, em A01, hipótese definitória, e, em nenhuma outra coluna. Os tropismos estariam representados em A01 e A02..
Transformações autísticas : um trânsito entre existir e não existir.
Barros, I. (2004) em comunicação pessoal oferece importante contribuição ao apresentar a sua visão a respeito dos fenômenos autísticos. Comenta que o estado de não-existência do paciente envolto em núcleos autísticos estimula o analista a anular na sessão a sua própria existência. Acrescenta que a dificuldade do analista, diante desses pacientes, seria a de poder permanecer frente à não-existência deles. Barros, I diz: “o que se requer do analista é que ele possa suportar a sua própria condição de não-existência”...

Este comentário me levou a considerar a possibilidade de que os fenômenos autísticos estariam relacionados à dimensão na mente, da não-existência.

A este respeito, Tustin (1992), em seu artigo “To be or not to be”2 menciona que os fenômenos autísticos estão intimamente ligados à falta de consciência de existência mental. Para ela, a consciência de “existir” ocorre apenas ao nível sensorial, ao nível corporal.

Diz a autora (1990, p. 33, 39):


“ Quando crianças autistas são observadas na situação terapêutica parecem encontrar-se num estado de limbo, transitando entre “existir” e “não-existir”....Sentem que o “vir a existir” encontra-se em risco. A sensação de estar fora do próprio corpo parece ser uma reação de pânico primária diante da consciência assustadora da separação corporal da mãe. Esta sensação provoca a ameaça da perda psíquica de “existir”. Parece possível que, em situações de terror corporal agudo, o sentido psíquico de existir possa ser protegido pela sensação de estar separado do corpo físico. Isto preserva o sentido de “existir” e protege contra o terror de “não-existir”.
Tustin neste artigo comenta também que a perda do sentido de existência é muito pior que do que a ameaça de morte. Na morte há um sentimento de que o corpo permanece. Na perda do sentido de existir não fica nada. Diz ainda que a ameaça de aniquilamento é a pior ameaça de todas porque significa a extinção do sentido psíquico de existir.

A mente autista irá providenciar, então, através de manobras auto-sensuais, proteções diante do terror frente á ameaça de “não-existir”. O indivíduo com essas proteções poderá obter por meio das sensações corporais algum sentimento de “existir”.


Bion, em diversos momentos de sua obra, trata de fenômenos de não-existência. Diferencia “não-coisa” (no-thing) de “nada” (nothing) (1975, p.24).

Bion, (1970 pg. 19-20) diz que ”a emoção sentida pela “não-coisa” é indistinguível de “nada”. A emoção é substituída por uma não-emoção... Não-existência passa imediatamente a ser um objeto imensamente hostil, cheio de inveja assassina voltada contra a existência, onde quer que ela seja encontrada” .

Em Cogitations (1992), Bion também aborda este tema. Afirma que a criança, quando tem ódio, raiva, tem desejos de que o objeto morra e, por conseqüência, o objeto passa a ser não existente. Ele diz que as características desses objetos são diferentes das dos objetos vivos, reais e existentes. Para Bion, a criança submetida à dor mental fica rodeada de objetos mortos, destruídos pelo seu ódio... O fato de a pessoa não poder tolerar dor mental leva a que os objetos se tornem não-existentes. Bion (1992, pg. 143) diz: “os objetos mortos, não-existentes, são produtos de ódio assassino; a culpa os investe de atributos semelhantes aos associados com consciência, onipotência, onisciência, mas não com qualidades necessárias para o emprego em pensamentos oníricos”...

Penso que Bion, ao definir as características dos fenômenos encontrados na esfera da não-existência, estaria considerando que estes fenômenos são plenos de manifestações de emoções. Observa-se, nesses fenômenos, uma gama de sentimentos com qualidades negativas, como, por exemplo, sentimentos de ódio ligados aos objetos não-existentes. As características dos fenômenos autísticos encontrados nas transformações autísticas penso que são de natureza diversa. Nessas, as emoções, se é que existem, não são perceptíveis e também não há indicação da noção da existência de um objeto a ser atacado. Há, sim, a evidência de um estado encapsulado, no qual o indivíduo permanece absorto em manobras auto-sensuais com as quais se satisfaz. Faço a hipótese de que os fenômenos autísticos contidos nas transformações autísticas situam-se numa área de desenvolvimento aparentemente anterior à considerada por Bion com relação aos fenômenos de não-existência.

“Existir” e “não-existir”, como vemos, se diferenciam de “conhecer” e “não-conhecer”. Permanece, entretanto, a indagação se a consciência de “existir” e de “não existir” precederia “conhecer” e “não-conhecer” ou se o impulso para o conhecimento e o seu oposto exigiria que houvesse antes, minimamente constituída, a consciência da existência de um sujeito. Poderíamos pensar que a constituição do sujeito implicaria num trânsito contínuo entre “existir” e “conhecer”?

Acho útil, antes de prosseguir, resumir as ponderações desenvolvidas até o momento: com a proposta de incorporação das transformações autísticas à Teoria das Transformações, está sendo introduzida uma área nova de fenômenos, dominada pelas sensações, em que a sua representação na mente, se é que existe, está inacessível. Nesta área as relações entre eu e não ocorrem através de “objetos sensação”. A hipótese levantada é de que a dimensão da mente à qual pertencem estes fenômenos liga-se à esfera do “existir” e do “não-existir”. Afasto, assim para mim, a idéia de que os fenômenos autísticos estejam relacionados com a área de não-conhecer (–K).

É necessário destacar, entretanto, que, ao se considerar transformações autísticas, está se lidando com configurações mentais com características autísticas e não com o autismo patológico. Da mesma maneira que Bion destaca o fenômeno da alucinose, constituindo as transformações em alucinose, e diferencia alucinose de alucinação, na proposta de transformações autísticas o fenômeno autístico nelas contido é diferente do autismo patológico (Korbivcher, 2001).

A proposta de aproximar os fenômenos autísticos ao referencial Bioniano , envolve, como vemos, grande complexidade. Esta aproximação implica em ampliar a área de fenômenos para uma área não mentalizada; a área dominada pelas sensações, constituindo-se, desse modo, um sistema complexo, certamente com imprecisões e incongruências.

Como diz Morin, E. na epígrafe, há que “...tolerar a presença do não científico no científico...”, o que não implica em “...anular o científico, mas, pelo contrário, em permitir que ele se exprima...”.

Célia Fix Korbivcher

Rua João Moura 647, cj 34

São Paulo, S.P.

celiafix@uol.com.br

BIBLIOGRAFIA
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2 Neste trabalho, cito Bion que em Transformações (1965), afirma que não temos acesso, na sessão analítica, ao fenômeno em si, mas às suas transformações. Bion, nessa teoria, propõe os grupos de transformações em movimento rígido, projetivas, em alucinose, em K, em –K e em O. Bion, aparentemente, deixa em aberto a possibilidade de que outros grupos de transformações possam ser incluídos nessa teoria. Levanta a hipótese de que os fenômenos autísticos possam vir a constituir um novo grupo de transformação, entre os propostos por Bion: as transformações autísticas, nas quais predomina o fenômeno autístico. Afirma, ainda, que as transformações autísticas caracterizam-se por se desenvolverem num meio autístico, o que implica na ausência da noção de objeto externo e interno e em que as relações estabelecidas sejam dominadas por sensações e não adquiram representação na mente. Algumas invariantes nelas salientadas se relacionam com a experiência de “ausência de vida afetiva”, à experiência de “vazio afetivo”, à presença de “atividades auto-sensuais” e, além disso, as relações são estabelecidas com objetos e formas autísticas (1986,1990) Tais manobras protegem o indivíduo de vivências de terror que lhe acarretariam uma sensação de desagregação e de vulnerabilidade intoleráveis.


3 É útil salientar que no âmbito autístico segundo Tustin, (1981,1986) as relações entre “eu” e “não-eu”, se dão por meio de objetos-sensação, de “objetos e formas autísticas”. São relações que se estabelecem por meio das sensações desencadeadas pelo contato, e não pelas fantasias ou significado afetivo entre self e objeto, como ocorre no campo da neurose e da psicose. O indivíduo mantém, com o objeto, a sensação de continuidade corporal e obtém, com isso, um estado minimamente coeso. A consciência da separação corporal entre self e objeto oscila dependo da maior ou menor condição do individuo para suportar a dor decorrente deste estado.

3Mion (2003) diz que Bion, ao falar da matriz de onde toda a vida mental se origina, referindo-se aos tropismos, afirma que estes precisam ser resgatados do vazio e comunicados. Menciona que além da busca de um objeto para assassinar ou ser assassinado, para ser parasita ou hospedeiro, há a procura de um objeto para criar ou ser criado. Mion sugere que na falha em encontrar estes objetos, a seu ver teríamos as formas de autismo, teríamos a rejeição dos objetos e da própria psique.

4Beltrame (2004) diz que Bion fala de tropismos básicos; ser morto ou morrer, parasitar ou ser hospedeiro, ser criado ou criar. Indaga se as transformações autísticas não poderiam ser uma decorrência do grande pavor de viver um tropismo e, dessa maneira, tentar se hospedar como parasita, para não ser morto ou matar...



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6 Por AO, e refiro-me à linha anterior à linha A. O número zero foi introduzido apenas para indicar que se trata da linha anterior. Esclareço que não há qualquer relação com a idéia, proposta por Bion, relativa à noção de O.

2 “Existir ou não existir”



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