Bits Ciência: um ano mostrando que a uff também produz e compartilha conhecimento 1 André borba 2



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Bits Ciência: um ano mostrando que a UFF também produz e compartilha conhecimento1
André BORBA2

Denise TAVARES3

Universidade Federal Fluminense, UFF, Niterói/RJ

Resumo:

O artigo apresenta a revista eletrônica BITS Ciência para inscrição na 18ª Semana de Extensão da Universidade Federal Fluminense. Trata-se de um programa mensal que é exibido pela internet e pela Unitevê, que integra o canal universitário de Niterói. A produção e edição do programa são coordenados pelas professoras do curso de Comunicação Social Denise Tavares (coordenação geral) e Renata Rezende. O principal objetivo da BITS Ciência é mostrar para a sociedade que a UFF também produz conhecimento. Neste processo, temas atuais e pertinentes à sociedade são debatidos em reportagens produzidas para a BITS que também divulga os laboratórios e pesquisas desenvolvidas na UFF. O projeto se orienta sob o viés da popularização da ciência e, como projeto extensionista, compartilha com a sociedade os avanços e desafios atuais da ciência, da tecnologia e da inovação.


Palavras-chave: Audiovisual, Jornalismo Científico, BITS Ciência
Introdução

A BITS Ciência está vinculada ao BITS Multimídia - Núcleo de Pesquisa, Produção e Extensão Multimídia da Comunicação Social, cuja atividade começou em maio 2012. O objetivo deste núcleo é o de criar projetos que viabilizem a integração entre pesquisa, extensão e ensino desenvolvidos na área do audiovisual dentro do curso de Comunicação Social. Em função deste propósito, está a BITS Ciência, uma revista eletrônica de divulgação científica, inovação e tecnologia que permite uma série de discussões referentes ao jornalismo, traz à tona a problemática da divulgação científica e permite experimentações das linguagens e formatos televisivos.

A linha editorial da BITS Ciência foi definida considerando a necessidade de divulgação dos laboratórios e trabalhos científicos da UFF. A BITS assume o papel de discutir essa produção acadêmica com a sociedade, ou seja, não como um canal institucional da Universidade. O foco é o debate acerca do conhecimento científico gerado pela instituição, que se dá partir da realização de quadros e reportagens que consideram, principalmente, o que está em pauta na sociedade.

No curso de Comunicação Social torna-se imprescindível a realização de projetos que articulem ensino, pesquisa e, principalmente extensão, já que o profissional formado, seja como publicitário ou jornalista, vai atuar como transmissor de informações e, até mesmo, como formador de opinião. Essa questão vale para todas as áreas da Comunicação, mas ganha uma dimensão diferenciada no Telejornalismo, devido ao papel que a televisão ainda desempenha no nosso país.

Um desafio encontrado para a produção da Bits Ciência foi a falta de materiais, desde câmeras e microfones ao cenário. Assim, por meio de um edital da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) conseguimos viabilizar a compra de novos equipamentos, que tornou melhor a produção e edição dos programas. Além, é claro, do apoio da Pró-Reitoria de Extensão e da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação.
Fundamentação Teórica

O grande desafio de conceber um programa para televisão nos dias de hoje, é que o produto audiovisual precisa ser atraente, mas deve-se evitar que ele seja apelativo como alguns programas atuais de entretenimento são, inclusive os chamados “científicos”. Assim, produzir algo diferente e inteligente requer muita discussão: pelo menos enquanto estamos na faculdade temos o direito de fazer um trabalho bem planejado, sem toda a urgência imposta pelo mercado televisivo.

Segundo Pierre Bourdieu, a televisão não é propícia ao pensamento e à reflexão. Para ele, os que pensam muito rápido na produção televisiva pensam por “ideias feitas” pois “são ideias aceitas por todo mundo, banais, convencionais, comuns, mas são também ideias que, quando aceitamos, já estão aceitas, de sorte que o problema da recepção não se coloca.” (Bourdieu, 1997, p.38 e 39). Ou seja, a produção televisiva se baseia em modelos já aceitos para não se sujeitar a reações inesperadas do público.

Assim, a produção da BITS foge ao caráter acrítico descrito por Bourdieu já que não existe a mesma pressão para que o trabalho seja acelerado, comparado às grandes mídias. Os alunos estão participando para aprender, discutindo como inovar e ter criatividade na produção de roteiros televisivos. Além de discutirem e debaterem textos que provocam a reflexão sobre o modo de televisão e sobre o jornalismo científico.

O desafio da divulgação científica movimenta o universo da Comunicação Social há um bom tempo. Programas de pós-graduação específicos, como o Labjor, da Unicamp (Universidade de Campinas, SP), têm problematizado esta sub-área. Como lembra Zamboni, “O discurso da ciência também se insere no conjunto dos discursos de especialidade, porém, ocupa aí um lugar marcadamente específico. Em primeiro lugar, pela caracterização de sua linguagem, reconhecidamente hermética e esotérica” (2001, p.71).

Não bastasse todas estas questões, sabemos que a linguagem científica, em seu confronto com o jornalismo, tem também seus desafios:


Os cientistas sentem-se seguros quando se amparam em seu jargão técnico, e boa parte deles acredita que os conceitos só podem ser transmitidos corretamente se empregado o seu vocabulário. Por sua vez, os jornalistas são generalistas – ou, como costumam ser chamados, “especialistas em generalidades” – e sabem que o público, da mesma forma que eles, é incapaz de abarcar um mundo de significados tão extenso quanto o que lhes pode ser proposto em uma única página de jornal ou revista ou em um simples programa de rádio ou TV. (IVANISSEVICH, in BOAS, 2005, p. 15)
Tudo isto não foi ignorado pela equipe que buscou, desde o início, investir na inovação. Um movimento que deu continuidade a outros projetos vinculados às outras disciplinas e à Unitevê e iniciou uma relação mais sólida com o departamento de Comunicação Social que resultou na produção desse e de outro programas.

Aliás, vale destacar que a parceria com a Unitevê é vital para a continuidade da BITS Ciência pois é nesse canal que o produto do Núcleo estreou e por conta da rede do PROIFES que o programa circulará por todo o país, além da exibição na WEBTV. Tal circulação motiva os alunos e facilita a realização das pautas, pois à medida que é possível indicar em que local as pessoas envolvidas podem ver o resultado das entrevistas que deram, elas se sentem mais seguras em participar. Um grande desafio do programa foi a montagem de um cenário que não fosse “careta” e com um custo baixo, em um estúdio ainda inacabado.


Metodologia

A produção da BITS Ciência começa com a apuração dos projetos relevantes da UFF, que podem render uma boa matéria, discussões sobre temas cotidianos e que estão na pauta da ciência. Depois são decididos as pautas e os quadros. É a fase de pré-produção, que culmina com as reuniões de fechamento de pauta (geralmente mais de uma) para saber o que será gravado, quando, por quem e qual o cronograma que deverá ser seguido. E, claro, discutirmos a linguagem e a abordagem dos temas a partir da reflexão de autores que trabalham com divulgação científica e também com a produção televisiva – suas linguagens e formas.

Atualmente, a BITS tem os seguintes quadros: Vida de Cientista (o dia a dia de pesquisadores da UFF); Ciência na Escola (projetos e discussões das escolas de ensino médio e fundamental); Experimentos (conceitos da física e química); PIBIC (projetos de IC); BITS Digital ("dicas" sobre informática) e Ciência do cotidiano (temáticas do dia-a-dia discutidas à luz da ciência). O andamento das gravações e a qualidade das reportagens são constantemente avaliados pelas professoras Denise Tavares e Renata Rezende. Com a edição concluída, o roteiro do programa é reavaliado e as falas dos apresentadores (as "cabeças") são gravadas em estúdio. Todo este processo, aqui bem resumido, envolve reuniões periódicas de avaliação e delimitação das próximas etapas.

A BITS tem dois blocos, com um intervalo em que apresenta comerciais realizados por alunos de Publicidade. São quatro apresentadores e comentaristas (dois ou três). Depois de pronto, com tempo médio de 45 minutos, o conteúdo é adaptado para o site do programa e complementado com textos, fotos, links e outras ferramentas da linguagem hipertextual. A divulgação do programa também é feita pelo Facebook. É importante, devido ao grande uso por parte dos alunos, em sua maioria jovens, que se fazem presentes na rede social. Dessa maneira, ocorre a divulgação dos programas através de mecanismos de compartilhamento.


Resultados

A BITS Ciência estreitou a parceria com a Unitevê, que a incorporou em sua programação. Essa parceria viabilizou outros projetos do canal universitário com o setor do audiovisual do curso de Comunicação Social. A revista eletrônica também se desdobrou em um site específico (www.bitsciencia.uff.br) que não só divulga as matérias realizadas para suas edições, como dialoga com outras notícias das diversas áreas científicas, transformando-se, pouco a pouco, em mais um portal de jornalismo científico e divulgação da ciência. Ainda foram criados um Facebook e um twitter que também são ferramentas importantes de comunicação e de divulgação do programa de televisão em questão.

O programa hoje trabalha com um número maior de alunos, entre bolsistas e não-bolsistas, que se interessam pela área do audiovisual e do jornalismo científico. Nota-se que cada vez mais o interesse cresce. Antes da criação da BITS Ciência, pouco se produzia de conteúdo audiovisual na Comunicação Social, o que tornava uma área pouco visada pelo estudante da UFF.

O edital da FAPERJ possibilitou a aquisição de novos materiais que qualificaram a produção da revista e estimularam os alunos a novas produções. Por exemplo, um dos quadros da BITS Ciência, o GIRO UFF, ganhou um espaço próprio, tornando-se um novo programa com uma linha editorial específica. O mesmo aconteceu com o BITS Entrevista que logo deve ir ao ar.

Além destas conquistas, a BITS Ciência também proporcionou maior envolvimento dos alunos na vida acadêmica. Por exemplo, dois alunos vão apresentar a revista e o quadro Vida de Cientista no II Encontro Nacional de Popularização da Ciência, Tecnologia & Inovação (pôster - 24/09/2014). A coordenadora da BITS também foi convidada para apresentar o projeto no mesmo evento. O próximo passo é a produção de um paper a ser enviado para uma publicação científica. Por último, já estamos organizando o I Seminário BITS Ciência que será realizado nos dias 26, 27 e 28 de março.
Considerações Finais

O que podemos afirmar é que acreditamos que a BITS Ciência é um produto de grande relevância para os alunos discutirem o jornalismo televisivo científico e a produção de um conteúdo multimídia; para os laboratórios e projetos científicos da UFF que ainda carecem de uma divulgação interessante e atrativa que mostre qual a contribuição deles para a comunidade; para o curso de Comunicação Social que reconhece, cada vez mais, a importância das produções audiovisuais; para a Unitevê, cuja política é a de parceria com os departamentos, professores e alunos, pois é este vínculo que dá sentido à sua própria existência.

Enfim, podemos afirmar que são as produções práticas como a BITS Ciência, acompanhadas de muita discussão teórica e reflexão, que complementam e até geram novos aprendizados na sala de aula. Os alunos que participam diretamente da sua realização têm a possibilidade de vivenciar completamente a produção de uma Revista de Jornalismo Científico que resulta em aprimoramento das técnicas de apuração, edição e gravação pois hoje todos os envolvidos se revezam nessas funções.

Além disso, temas relevantes são apresentados e discutidos com a sociedade. E o caráter extensionista ganha força principalmente quando viabilizamos matérias sobre o autismo, maioridade penal, tabagismo, obesidade, com o foco na região metropolitana de Niterói, pois, assim nos sentimos membros atuantes na sociedade. Finalmente, a BITS Ciência tem permitido aos próprios membros da comunidade interna, conhecerem mais a universidade, valorizando os seus cientistas e pesquisadores o que nos faz perceber com clareza, o quanto a UFF é importante para todos que se relacionam com ela. Seja como aluno, como professor ou como cidadão.


Referências:

BOAS, Sergio Villas (org). Formação & Informação Científica - Jornalismo para Iniciados e Leigos. São Paulo: Summus, 2005.

BOURDIEU, Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.

SIQUEIRA, Denise da Costa Oliveira. A Ciência na Televisão. Mito, Ritual e Espetáculo. São Paulo: Annablume, 1999.



VICTOR, Cilene; CALDAS, Graça, BORTOLIERO, Simone (orgs). Jornalismo Científico e Desenvolvimento Sustentável. São Paulo: All Print Editora, 2009
Referências bibliográficas
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PASTERNOSTRO, Vera Íris. O Texto na TV – Manual de Telejornalismo. Rio de Janeiro: Elsevier, 1999.
ROCHA, Simone Maria. “Como a noção de gênero televisivo colabora na interpretação das representações?”. In GOMES, Itania maria Mota (org). Televisão e Realidade. Salvador: Edfba, 2009.
SIQUEIRA, Denise da Costa Oliveira. A Ciência na Televisão. Mito, Ritual e Espetáculo. São Paulo: Annablume, 1999.
ZAMBONI, Lilian Márcia Simões. Cientistas, Jornalistas e a Divulgação Científica. São Paulo/Campinas: Fapesp/Autores Associados, 2001.

1 Ação extensionista da Universidade Federal Fluminense

2 Bolsista de Extensão e aluno do 4º período de Comunicação Social – Jornalismo, email: andree.rocha@hotmail.com

3 Professora do Departamento de Comunicação Social, email: denisetavares51@gmail.com



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