Breve História das Ações de Inclusão em Museus Brasileiros



Baixar 21.25 Kb.
Encontro27.07.2016
Tamanho21.25 Kb.

Breve História das Ações de Inclusão em Museus Brasileiros

Viviane Panelli Sarraf

vsarraf@gmail.com
Viviane Panelli Sarraf: Especialista em acessibilidade em museus, trabalha desde 1998 com projetos nesta área, criadora e coordenadora do site RINAM: Rede de Informação de Acessibilidade em Museus e ganhadora do prêmio Empreendedora Artemísia da Artemisia Foundation, pelos trabalhos de sua empresa social Museus Acessíveis. vsarraf@gmail.com
Em aproximadamente 30 anos as ações em benefício da inclusão cultural das pessoas com deficiência passaram de duas experiências para mais de dez projetos que vem se consolidando em importantes instituições brasileiras.

O poder público e a iniciativa privada começam a considerar o acesso à cultura como uma preocupação em seus discursos e agendas. No entanto para que o desenvolvimento da área não seja apenas quantitativo é necessário realizar uma leitura crítica de seu desenvolvimento ao longo deste período.



Estatísticas




  • OMS - Organização Mundial de Saúde: 10% da população mundial apresenta algum tipo de deficiência.

  • IBGE : 14,5% da população tem alguma deficiência (segundo Censo 2000).

  • 48,1% representam pessoas com deficiência visual.

  • As estatísticas, ainda não quantificam as pessoas com mobilidade reduzida, o que aumenta o número de indivíduos com restrições de acesso a diversas esferas sociais, impedidas, desta forma do pleno exercício da cidadania.


Inclusão Social

  • Movimento criado na década de oitenta do século XX,

  • Melhorias que visam acolher a pessoa com deficiência, sem preconceitos ou atitudes assistencialistas, respeitando suas necessidades e potencialidades,

  • Equiparação de oportunidades a todos os indivíduos.

Acessibilidade




ABNT-NBR 9050 – Norma Brasileira de Acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas:

  • Possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para a utilização com segurança e autonomia de edificações, espaços, mobiliário, equipamento urbano e elementos.




Acessibilidade em Museus

  • Exposições, espaços de convivência, serviços de informação, programas de formação e todos os demais serviços básicos e especiais devem estar ao alcance de todos os indivíduos, perceptíveis a todas as formas de comunicação e com sua utilização de forma clara, permitindo a autonomia dos usuários.

  • Os museus, para se tornarem acessíveis, portanto, precisam que seus serviços estejam adequados para serem alcançados, acionados, utilizados e vivenciados por qualquer pessoa independente de sua condição física ou comunicacional.

Políticas e leis




  • Existência de legislações e normas técnicas para áreas como edificações, transporte público, educação, saúde e trabalho.

  • Inexistência de uma política pública para acessibilidade às instituições culturais.

  • O único documento com esta especificação é a Instrução Normativa no. 1, de 25 de novembro de 2003 - Dispõe sobre a acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal, e outras categorias, conforme especifica - redigida pelo IPHAN – Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Contexto




Apesar da inexistência de políticas desta natureza, algumas entidades brasileiras superando as situações adversas da área cultural, desenvolvem por conta própria programas inclusivos, que em alguns casos já configuram divisões fixas das instituições e ações de longo prazo.


Ações Pioneiras

  • MAC –USP – primeiro projeto de ação educativa – Coordenação Martin Grossmann – Direção Aracy Amaral.

  • Museu da Indústria, Comércio e Tecnologia do Estado de São Paulo – Diração Waldisa Russio.

Projetos desenvolvidos ao longo da década de 1990


  • Museu de Arte e Público Especial – MAC –USP – Amanda Tojal

  • Visitas Especiais no Museu Biológico do Instituto Butantan – Pedro Federsoni.

  • Célula ao Alcance das Mãos – Museu de Ciências Morfológicas da UFMG – Maria das Graças Ribeiro.


Projetos iniciados na década de 2000
  • Centro de Memória Dorina Nowill - Viviane Sarraf

  • PEPE – Programa Educativo para Públicos Especiais – Pinacoteca do Estado – Amanda Tojal

  • Projeto de Visitas para Deficientes Visuais – Museu de Zoologia da USP – Marcia Fernandes Lourenço.

  • Atendimentos inclusivos – Museu de Geociências da USP – Maria Lúcia Costa e Ideval Souza.

  • Programa Igual Diferente – MAM – Daina Leyton.

  • Museu da Bíblia de Barueri – Lourival Pereira e Paula França.

  • Propostas de inclusão no Museu de Numismática e exposições temporárias do Itaú Cultural – Valquíria Prates.



Programas surgidos entre 2006 e 2008




  • Programa de Acessibilidade do ECCO – Espaço Cultural Contemporâneo de Brasília – Karla Osório.

  • Projeto de Inclusão do Museu do Instituto Adolfo Lutz.

  • Programa Acessível do Museu Casa de Portinari.

  • Projeto de Acessibilidade do Memorial do Imigrante.

  • PEPE do Museu da Casa Brasileira.

  • Projeto de Acessibilidade do Museu de Veterinária da USP.

  • Atendimentos inclusivos do Museu do Instituto Biológico.

  • Projeto de Gestão Inclusiva do Centro Cultural São Paulo.

  • Programação inclusiva do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.




A acessibilidade em museus e instituições culturais também conquistou espaço nas universidades, na mídia segmentada de cultura e inclusão e nas oportunidades de formação profissional.

Espaço no ambiente acadêmico




  • Curso de Museologia – FESP – Fundação Escola de Sociologia e Política – Décadas de 1970 a 1990.

  • Curso de Especialização em Museologia do MAC-USP – Década de 1990.

  • Curso de Especialização em Museologia do MAE-USP – 4 turmas de 1999 a 2004.

  • Programas de Pós-Graduação em Ciência da Comunicação, Artes Plásticas e Ciência da Informação na ECA-USP – Década de 2000.

  • Programa de Pós-Graduação em Museologia da UNIRIO – a partir de 2006.

Oportunidades de formação




  • Curso de Ação Educativa Inclusiva – MAC-USP e Pinacoteca do Estado.

  • Workshops de Acessibilidade em Museus – FDNC.

  • Disciplinas de acessibilidade em cursos técnicos da área de museus – Curso Técnico do Instituto Paula Souza, Curso Técnico de Restauro em Patrimônio da Secretaria de Cultura de Osasco.

  • Seminários Temáticos em disciplinas de graduação – Introdução à Museologia – ECA-USP e disciplinas de museologia do MAE-USP.

  • Oficinas e Grupos de Trabalho em congressos e seminários da área de museus, cultura, inclusão, educação, terapia-ocupacional e saúde.

Espaço em mídias de cultura e inclusão




  • Fórum Permanente Museus de Arte entre o Público e o Privado

  • Revista Museu

  • Rede SACI

  • Revista e Boletim Sentidos

  • Fórum de Inclusão

  • RINAM – Rede de Informação de Acessibilidade em Museus – primeiro site – revista eletrônica dedicado exclusivamente ao tema da acessibilidade em espaços culturais. Publica notícias, matérias, cartilhas, programas culturais, artigos, depoimentos e textos acadêmicos voltados ao desenvolvimento da área.

Conclusões




O desenvolvimento da acessibilidade em museus, tem ocorrido em diferentes ambientes, dentro das possibilidades existentes, com muita persistência de poucos pesquisadores e simpatizantes da causa.

A inclusão cultural é uma área com potencial significativo que pode trazer inovações para a linguagem e formas de mediação praticados pelos museus.

Para que o desenvolvimento dessa área seja possível, é necessário que instituições, órgãos culturais e de classe, universidades e espaços de discussão e debate ofereçam mais oportunidades e se envolvam mais com as lutas e conquistas alcançadas; quanto mais pessoas e forças políticas forem envolvidas, melhor e mais qualificado será o crescimento dos estudos e ações da acessibilidade nos museus.




Compartilhe com seus amigos:


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal