Brevíssima Enciclopédia de Autores Açorianos



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Brevíssima Enciclopédia de Autores Açorianos


Brevíssima Enciclopédia de Autores Açorianos
Morada da Escrita
Na sua maior parte, os resumos biográficos de autores açorianos foram obtidos na Enciclopédia Açoriana, organizada pelo Centro de Conhecimento dos Açores da Universidade Católica, sob a direção principal do Professor Doutor Luís Arruda e com o patrocínio da Direção Regional da Cultura. Embora ainda incompleta, é de grande valor informativo, podendo facilmente ser consultada pesquisando no motor de busca com a indicação:

Enciclopédia Açoriana

NB: GENTILMENTE CEDIDO AOS COLÓQUIOS POR DANIEL DE SÁ EM 2011
Deste livro fizeram-se dois exemplares, para uso exclusivo na Morada da Escrita.



  1. Adelaide Freitas

(Maria A. Correia Monteiro de Freitas B.) [N. Achadinha, Nordeste, ilha de S. Miguel, 20.4.1949] Licenciou-se na University of Massachusetts, em North Dartmouth, e doutorou-se em Literatura Comparada na City University of New York, com uma tese intitulada Moby Dick. A Ilha e o Mar: metáforas do carácter do Povo Americano. Em 1979 ingressou na Universidade dos Açores, onde é Professora de Sociedades e Cultura Norte-Americana e Literatura Norte-Americana. Na sua universidade, tem exercido vários cargos diretivos e científicos nas áreas da sua especialidade.

Os seus interesses científicos centram-se na literatura norte-americana e açoriana, tendo publicado diversos trabalhos nessas áreas. É uma poetisa notável.

Como atividade política, foi eleita deputada à Assembleia Legislativa Regional pelo círculo de S. Miguel, na Legislatura de 1988-1992 e tem exercido cargos diretivos na estrutura partidária do PSD, tanto na Comissão Política Regional (1990-1992) como no Conselho Regional (1992-1996), assumindo, ainda, a vice-presidência da Comissão Política da ilha de S. Miguel. Foi vereadora da Câmara Municipal da vila do Nordeste e presidente do Instituto de Ação Social dos Açores (1991-1996).

J. G. Reis Leite.

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Álamo Oliveira

José Henrique Álamo Oliveira nasceu em 1945 no Raminho, ilha Terceira. É sem sombra de dúvida, mas com muito mérito, um dos artistas mais completos dos Açores. Na literatura já ultrapassou os trinta títulos, de poesia, teatro, romance, contos e ensaio. Alguns deles têm sido estudados em universidades dos Estados Unidos e do Brasil ou traduzidos para inglês, francês, espanhol, croata e japonês.

Para além disso, e como se tanto não bastasse, é ator dramático de grande talento, encenador e cenógrafo. Foi fundador do mais antigo e mais famoso grupo de teatro dos Açores em atividade, o Alpendre.

Da sua vasta obra literária, podem dar-se como exemplos os romances Burra Preta Com Uma Lágrima, Pátio d’Alfândega/Meia-Noite, Já Não Gosto de Chocolates; Os Sonhos do Infante, Solidão na Casa do Regalo (teatro); ou Itinerário das Gaivotas e António Porta-te Como Uma Flor (poesia).

No entanto, Álamo Oliveira não se limita a produzir cultura de secretária ou dentro das paredes de um teatro. Tem sido um ativista incansável das causas culturais, deslocando-se com frequência até junto das comunidades de emigrantes açorianos nos Estados Unidos ou no Canadá. E, na Terceira, quase não há festa em Angra ou no Raminho que não tenha uma marcha sua ou um simples arranjo floral no altar de São Francisco Xavier.

D. S. [DANIEL DE SÁ]





  1. Alfred Lewis (1902/1977)

Romancista, contista, poeta e dramaturgo, Alfred Lewis nasceu em 1902, na ilha das Flores, tendo sido batizado Alfredo Luís. Em 1922, com 19 anos de idade, emigrou para os Estados Unidos. Era filho de um imigrante baleeiro pertencente à primeira onda ligada à indústria baleeira americana, cujos barcos faziam escala nos Açores para reabastecimento e recolha de tripulantes.

Formou-se em Direito e exerceu o cargo de Juiz Municipal. Alfred Lewis tornou-se o primeiro escritor imigrante português a conquistar a atenção dos leitores americanos de língua inglesa. É autor de contos publicados na revista Prairie Schooner, tendo estes relatos dramáticos, que descrevem uma sociedade multirracial, composta de mexicanos, portugueses, arménios e anglo-americanos, merecido referência numa antologia de grande renome, The Best American Short Stories, dois anos seguidos, em 1949 e 1950.

O seu maior sucesso editorial foi Home is an Island (1951), romance autobiográfico cujo protagonista jovem está prestes a emigrar para a América, descrevendo a vida numa pequena aldeia nos Açores, no princípio do século XX.

Sixty Acres and a Barn, que conta a história de Luís Sarmento, imigrante açoriano que encontra na América um espaço de tolerância, prosperidade e realização amorosa, foi uma publicação póstuma.

(Baseado num texto de Irene Blayer)






  1. Alice Moderno

[N. Paris, 11.8.1867 – m. S. Sebastião, Ponta Delgada, 20.2.1946] No ano em que nasceu, veio com os pais à ilha Terceira, onde ficaria alguns meses antes de regressar a Paris. Em 1876, voltaria àquela ilha e depois, em 1883, fixar-se-ia em Ponta Delgada, sempre acompanhada dos pais. Foi neste último ano que entrou na vida literária com a publicação da poesia Morreu! (Açoriano Oriental, 18.9.1883). Em 1886, publicou o primeiro livro de poemas, Aspirações, e em 1892, publicou o primeiro romance, O Dr. Luís Sandoval. Deixou ainda três peças de teatro e um ensaio.

Fundou os jornais O Recreio das Salas, em 1888, e A Folha, em 1902 que terminaria em 1917. Em 1891, começou a colaborar, ativamente, no jornal Diário de Anúncios de que tomou a direção entre 1892 e 1893.

Em 1910 participou ativamente na vida social como republicana e feminista e, em 1911, fundou a Sociedade Micaelense Protetora dos Animais. Depois da sua morte, em 1948, foi inaugurado o «Hospital Alice Moderno» e, em 1956, com o dinheiro da arrematação dos seus bens foi comprada a Casa do Gaiato.

Foi a primeira aluna a frequentar o Liceu em Ponta Delgada (1887/1888?). Exerceu atividade docente como professora do ensino particular.

Luís M. Arruda

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Almeida Firmino

[N. Portalegre, 8.2.1934 – m. São Roque, ilha do Pico, 14.11.1977] Poeta. No liceu de Portalegre, onde não chegou a concluir o ensino secundário, foi aluno de José Régio que acabou por influenciar o seu gosto pela escrita. Nessa altura publicou os seus primeiros poemas e, em 1953, rumou em direção aos Açores na companhia do pai que foi colocado na secretaria do tribunal de Angra do Heroísmo. Trabalhou na Base das Lajes e após o serviço militar regressou aos Açores. Foi então colocado em São Roque do Pico, como escriturário do tribunal, onde viveu até ao fim dos seus dias. A partir de 1957, iniciou a publicação de vários livros de poesia, que acabaram por ser reunidos, posteriormente (1982), num só volume, com o título de Narcose. É um poeta da geração da Gávea, revista de arte de que foi um dos codiretores, conjuntamente com Emanuel *Félix e Rogério Silva. Colaborou em vários jornais e revistas, considerando-se açoriano de opção. Na opinião de Álamo Oliveira, Almeida Firmino foi «capaz de assimilar a genuína essência existencial do povo picoense (...) por ele trabalhou, dedicando-lhe todas as horas do seu dia». A sua poesia é caracterizada por um «idealismo humanitário, de arrepio e inquietação, formalmente de expressão moderna e vanguardista, ao mesmo tempo que pessoal» (Carvalho, 1979: 304). Está incluído nas antologias de poesia açoriana organizadas por Pedro da Silveira e Ruy Galvão de Carvalho.

Carlos Enes

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Almeida Pavão

[N. Ponta Delgada, 6.12.1919 – m. Ponta Delgada, 20.9.2003] Professor e escritor açoriano. Desde muito novo marcado pela vocação literária e, de uma forma mais geral, pelo gosto pela arte e pela cultura, José de Almeida Pavão encontrou nas Humanidades o ponto de referência central para a sua compreensão do homem e da vida, e uma atitude que deu unidade e sentido aos seus muitos interesses e a uma obra diversificada que abrange a crítica e o ensaio literário, a investigação etnográfica, a narrativa de ficção romanesca, a crónica de índole memorialista.

Feitos os primeiros estudos em Ponta Delgada, José de Almeida Pavão formou-se em Filologia Clássica na Universidade de Lisboa em 1941, para regressar a S. Miguel depois de concluir o curso de Ciências Pedagógicas e o estágio para o ensino liceal. Foi professor ao longo de 34 anos no Liceu Antero de Quental, tendo marcado várias gerações de uma cidade fértil em interesses culturais. À docência acresceu durante longos anos a responsabilidade de diversos cargos diretivos, de entre os quais a reitoria. Convidado a integrar o corpo docente da Universidade dos Açores, em 1976, doutorou-se e ascendeu à cátedra de Literatura Portuguesa, tendo-se jubilado em 1989.

No seu magistério, a literatura foi sempre lição de humanidade vivida: daí nascia talvez o ânimo com que se dedicava à participação em colóquios e reuniões científicas, à docência no país e no estrangeiro (realcem-se ciclos de conferências em universidades brasileiras), e à publicação dos resultados da sua investigação.

Figura muito prestigiada social e culturalmente, José de Almeida Pavão mantinha um sentido de dever cívico e intelectual que se manifestou também nos anos em que dirigiu a Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada e na participação nas atividades do Instituto Cultural de Ponta Delgada, a cuja revista, Insulana, presidiu. Ao mesmo tempo, a divulgação do seu trabalho fazia-o publicar pequenos volumes em que ia reunindo os artigos dispersos por publicações como Colóquio, Euphrosine, Ocidente, Arquipélago, Revista Camoniana. Gil Vicente, Camões, Garrett, Fernando Pessoa constituem núcleos importantes dessas publicações, em que se encontram também alguns dos principais estudos críticos existentes sobre Armando Cortes Rodrigues e Gaspar Frutuoso.

A literatura e cultura populares constituíram um dos campos privilegiados de interesse de José de Almeida Pavão. Pertencem-lhe dois títulos fundamentais para o conhecimento da cultura popular dos Açores: Aspetos do Cancioneiro Popular Açoriano e Popular e Popularizante, apresentados em provas académicas.

O interesse crítico que o estudioso manifesta pela etnografia e pela literatura popular reconhece-se ainda na sua escrita ficcional, na sensibilidade viva com que, a partir de 1968, desenha figuras e ambientes populares em romances, contos e novelas de cariz regionalista. Neles procura criar artisticamente uma imagem do povo micaelense, ou seja, procura captar o típico, o local, e ao mesmo tempo evidenciar a universalidade. Salientam-se então obras como O Fundo do Lago (1978), Os Xailes Negros (publicado pela primeira vez em 1973, foi alvo de adaptação televisiva) ou O Além da Ilha (1990). Maria do Céu Fraga

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Amílcar Goulart

[N. Matriz, Horta, 26.11.1910 – m. Ibidem, 4.11.1994] Actor-amador, dramaturgo e romancista policial. Estudou na Horta onde fez o curso da Escola do Magistério Primário. Seguiu a carreira da administração pública, reformando-se na Direcção-Geral de Administração Política e Civil do Ministério do Interior.

Foi membro fundador do extinto «Núcleo Cultural Manuel de Arriaga», na Horta, e diretor artístico do «Grupo Dramático Faialense».

Como ator-amador, debutou em 1931, no papel de D. Beltrão de Figueiroa, na peça do mesmo nome de Júlio Dantas. Desde então atuou em muitas dezenas de espetáculos, saraus e récitas. Atuou no filme de amadores Margarida amor fiel como realizador, intérprete, autor da planificação e adaptador do argumento extraído de um conto de Florêncio Terra. O filme de longa-metragem, rodado no Faial, O milhafre e a avezinha é baseado num original seu que planificou para o cinema. Também foi encenador.

Como dramaturgo escreveu peças de teatro, todas representadas nos Açores, algumas no continente e em Nova Inglaterra (Estados Unidos da América), e peças de teatro radiofónico, transmitidas pelo Rádio Clube de Angra; Clube Asas do Atlântico e Rádio Difusão Portuguesa – Açores, e um folhetim.

Como romancista publicou obras do género policial, tendo uma delas (O enigma do Buda de Marfim) alcançado duas edições da Livraria Clássica Editora, em Lisboa. por razões editoriais algumas obras aparecem com os pseudónimos Art G. Oul e Anthony Schaer, dos quais o primeiro é uma alteração da grafia de Goulart.

Deixou colaboração dispersa em vários jornais, revista e almanaques açorianos, nomeadamente, Correio da Horta, O Telégrafo, Feminino, Ilha Azul, Boa Nova, Correio dos Açores, Almanaque Popular, Almanaque Micaelense, Açores-Madeira e Revista de Leitura. Luís M. Arruda

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Ângela Almeida

(A. Maria Duarte de A.) [N. Horta, 6.8.1959] Filha de José Pacheco de *Almeida e de Maria Amélia dos Santos Duarte de Almeida. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Ingleses e Alemães), pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa desde 1983. Possui o curso completo de Língua e Cultura Italiana, pelo Istituto Italiano di Cultura in Portogallo, um bacharelato em Turismo e o Curso de Guia-Intérprete Nacional, no Instituto de Novas Profissões. Foi assistente convidada da Universidade dos Açores em 1986-87 e 1990-91, e assessora para a Cultura na Câmara Municipal de Ponta Delgada em 1987-88 e 1990-93.

É sócio-gerente da Editorial Éter/Jornal da Cultura, Artes Gráficas e Publicações, Lda. e tem exercido um papel relevante como dinamizadora de realizações culturais nos Açores.



J. Almeida Pavão

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Antero de Quental

[N. em Ponta Delgada, 18.4.1842 – m. em Ponta Delgada, 11.9.1891] Procede de uma família ilustre ligada, desde longa data, à colonização de S. Miguel, Açores. Entre os seus antepassados contam-se o padre Bartolomeu de Quental (1626-1698), introdutor em Portugal da Congregação do Oratório. Tanto o avô como o pai militaram com bravura a favor da causa liberal. Aprendeu as primeiras letras em Ponta Delgada onde teve A. F. de Castilho como mestre. Em 1858, com dezasseis anos, matriculou-se em Direito na Universidade de Coimbra e aí obteve, em 1864, o diploma de bacharel, após frequência com aproveitamento bastante modesto. Depressa se notabilizou entre a juventude estudantil pela irreverência e espírito generoso, pelo fôlego poético e talento literário, pelas causas cívicas e políticas em que participava. De espírito inconformista, avesso à estagnação e ao conservadorismo, moviam-no convicções firmes quanto ao advento de um mundo novo governado por ideais de Justiça, Liberdade e Amor que era urgente preparar.

Se foi em Coimbra, no convívio com amigos, que se revelou a enorme riqueza e complexidade do coração e inteligência do jovem Antero, foi aí igualmente que se evidenciaram sinais de indecisão quanto ao projeto de vida. Começava assim uma via-sacra de propósitos generosos mas pouco consequentes: projeta combater em Itália integrado nas fileiras do exército de Garibaldi; aprende na Imprensa Nacional o ofício de tipógrafo e vai exercê-lo em Paris; frequenta o Colégio de França e visita Michelet, a quem oferece as Odes Modernas; pondera inscrever-se como voluntário no exército papal; viaja depois pelos Estados Unidos da América; fixa-se em Lisboa e passa a viver em casa de Jaime Batalha Reis, o local onde se reúne o grupo do Cenáculo. Para trás ficavam as pugnas da Questão Coimbrã (1865), os assomos iberistas proclamados no opúsculo Portugal perante a Revolução de Espanha (1868), e a criação em parceria com Eça de Queirós do «satânico» Carlos Fradique Mendes, o poeta da escola de Baudelaire, autor dos «Poemas de Macadame».

O apelo da intervenção social mobiliza-lhe as energias para se envolver, a partir de 1870, em iniciativas como a fundação de associações operárias, a organização dos trabalhadores portugueses e a sua filiação na Associação Internacional dos Trabalhadores, a direção e colaboração em jornais, como sucede com a República – Jornal da Democracia Portuguesa e O Pensamento Social. É ainda no decurso destes anos frenéticos que se ocupa do Programa para os Trabalhos da Geração Nova, chamando a si o estatuto de guia espiritual da geração a que pertence. Participa também nos trabalhos que levaram à fundação do Partido Socialista. Pertence a este bem preenchido ciclo de intervenções públicas a dinamização das Conferências Democráticas inauguradas no dia 22 de maio de 1871, no Casino Lisbonense, e compulsivamente encerradas por uma portaria do Ministério do Reino, no mês seguinte, quando Salomão Sáragga ia pronunciar a sexta conferência subordinada ao tema «Os Historiadores Críticos de Jesus». As conferências tinham um programa ambicioso cujos objetivos eram «ligar Portugal com o movimento moderno», «agitar na opinião pública as grandes questões da filosofia e da ciência moderna», «estudar as condições da transformação política, económica e religiosa da sociedade portuguesa». Mesmo que no imediato este programa tenha ficado por cumprir, continua a ecoar até hoje como toque de alvorada de um Portugal novo. O mesmo se pode afirmar da segunda conferência intitulada «Causas da decadência dos povos peninsulares», um dos textos anterianos mais lidos e discutidos. Aí se escalpeliza, em âmbito peninsular, o trabalho inexorável da decadência, efeito de vícios históricos que urge corrigir. Propõe, por isso, que à rigidez monolítica do catolicismo inquisitorial e tridentino se contraponha a consciência livre esclarecida pela ciência e pela filosofia, à monarquia centralizada a federação republicana, à inércia industrial o trabalho e a livre iniciativa solidária e em prol da coletividade. Apesar de leitura esquemática e ideológica da história peninsular, são páginas que dão que pensar.

Com o ano de 1874 chegava a gravíssima doença nervosa para a qual procurou assistência nos cuidados médicos de Sousa Martins, Curry Cabral e Charcot. Por causa dela, foram abandonados vários projetos, ao mesmo tempo que se intensificavam as interrogações filosóficas sobre a existência, adensadas pelas sombras do pessimismo. Intermitentemente, o poeta, o prosador e o cidadão continuam ativos. A residir em Vila do Conde desde 1881, aí encontrou a calma propícia à meditação filosófica sobre questões morais e intelectuais que o ocupam insistentemente. O seu derradeiro ato de intervenção cívica foi aceitar a presidência da Liga Patriótica do Norte, função para a qual o propusera o amigo Luís de Magalhães. Participava assim na comoção patriótica que abalou o país após o Ultimatum inglês de 11 de janeiro de 1890. E, igual a si mesmo, manifesta de modo lapidar a sua posição: «o nosso maior inimigo não é o inglês, somos nós mesmos».

Pensava, havia muito, regressar aos Açores e aí fixar residência. Embarca, efetivamente, em 5 de junho de 1891, com destino a Ponta Delgada. Nesta cidade, junto ao muro do Convento da Esperança, suicidou-se com dois tiros, no dia 11 de setembro. O suicídio de Antero coroa uma existência densa onde a luz e a sombra, a razão e o sentimento esculpiram uma esfinge de muitos e perturbadores enigmas. O suicídio tem o valor de resposta exorbitante a dois excessos mortais do seu intenso viver: a cândida entrega à vitória final do Bem e a radical angústia quanto ao seu ansiado advento. Sagrou-se assim como o menos retórico de quantos poetas e prosadores povoam a literatura portuguesa.

A consagração de Antero como poeta passa pela publicação de duas obras desiguais e únicas quanto à forma e quanto à temática. As Odes Modernas (1865) introduziram no panorama da poética nacional uma voz de inconformismo e revolta que encontra inspiração nos acontecimentos dramáticos da cena social e política. Ao desligar-se de tópicos rotineiramente glosados pelos versejadores dos salões literários, o livro não podia passar despercebido e acabou por se transformar num dos rastilhos da polémica Bom Senso e Bom Gosto. Não obstante a reposição da obra em segunda edição, em 1875, o autor assume em relação às Odes Modernas distanciamento crítico e reconhece que «além de declamatória e abstrata, por vezes aquela poesia é indistinta e não define bem e tipicamente o espírito que a produziu». Sem nunca enjeitar o vigor revolucionário da juventude, Antero tinha entretanto crescido em ponderação filosófica e agitação interior. Data de 1886 o volume de Sonetos Completos, com prefácio de Oliveira Martins. A organização estrófica de catorze versos oferecia o molde perfeito onde podia condensar os ímpetos metafísicos e místicos de uma sensibilidade dilacerada por tensões jamais resolvidas. A consciência inquieta e sofrida que se confessa nesses versos não cabe na experiência lírica do eu individual, porque nela pulsa a universalidade transcendente da própria condição humana. Se, nos Sonetos, Antero sente o que pensa, nos ensaios filosóficos em que trabalhou durante os últimos anos, ele pensa o que sente. Homem de debate interior, peregrino do Absoluto, pensador do social e do histórico, militante do Portugal moderno, a aventura pessoal de Antero, prisioneira de insuperadas contradições existenciais, perfila-se, pelos tempos fora, como um dos mais inquietantes desafios da consciência humana. Luís Machado de Abreu

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. António Dacosta

[N. Angra do Heroísmo, 3.11.1914 - m. Paris, 2.12.1990] Pintor surrealista e colaborador em jornais e revistas, escrevendo artigos de crítica artística. Em 1935, deixou os Açores para estudar em Lisboa, matriculando-se no curso de Pintura na Escola Superior de Belas-Artes. Apesar de nunca ter acabado o curso por incompreensões várias, foi um dos primeiros mentores do surrealismo em Portugal, expondo pela primeira vez os seus quadros em Lisboa no ano de 1940. Dois anos depois, ganhou o Prémio Amadeo de Souza-Cardoso com o quadro A Festa, de forte influência açoriana e do culto do Espírito Santo. O escritor Vitorino Nemésio, igualmente terceirense e seu contemporâneo, caracterizou António Dacosta como um «Pintor Europeu das Ilhas» e, de facto, rompendo com o provinciano e subserviente meio intelectual lisboeta da altura, partiu para Paris, em 1947, com uma bolsa de estudo do governo francês e nunca mais voltou a viver em Portugal. Pela mesma altura, interrompeu a sua atividade como pintor, vivendo sobretudo da crítica da atividade artística de Paris com artigos que enviava regularmente para o jornal brasileiro O Estado de S. Paulo. Só duas décadas passadas, por volta de 1978, recomeçou a pintar com assiduidade, expondo regularmente, a partir de 1983, em Portugal e no estrangeiro. Foi a partir da década de 80 que a sua profícua atividade pictórica apresentou novamente o constante fascínio pelas ilhas, patente, por exemplo, nos quadros Memória (1983) e Açoreana (1986), e, numa alusão direta ao culto do Espírito Santo, A Mulher e o Folião (1983) e A Menina da Bandeira III (1984). É de referir, ainda, a série de quatro pinturas Em Louvor de… (1986), cuja representação de cabeças de touros alude também às touradas à corda, típicas da ilha Terceira. Em 1989, num dos seus últimos trabalhos, realizou e instalou 88 painéis em madeira, dos quais 36 são cabeças humanas em relevo de gesso pintado, no novo edifício da Assembleia Regional dos Açores na cidade da Horta. Em 1990, ano da sua morte, concebeu ainda o projeto de um monumento para a baía de Angra do Heroísmo, que designou de Altar Nave – Em Louvor de…, retomando novamente o culto do Espírito Santo, desta vez relacionado com o mar, as viagens e as descobertas/encontro de povos. Esta escultura, executada sob as diretivas do escultor José Aurélio, foi inaugurada a 5 de junho de 1995 – Dia do Espírito Santo.

Mário J. Rodrigues






  1. António Lourenço (Cara Velha)

Natural dos Fenais da Ajuda, foi um notável cantador popular da primeira metade do século XIX. Notável repentista, ficou na memória coletiva um par de quadras que improvisou quando do desembarque de D. Pedro IV em Ponta Delgada, em 1832, a primeira das quais lhe ia valendo a prisão de que, com a segunda, se livrou.

Foram estas as quadras ditas de improviso:


Nós uns pobres jornaleiros

Com as enxadas na mão,

Como havemos de saber

Qual dos dois reis tem razão?


Sendo-lhe dada voz de prisão, logo declarou em voz alta de modo a que D. Pedro o ouvisse:
Esse dia desejado,

Dou o que é seu a seu dono,

Só será quando estiver

Dona Maria no trono.


D.S.




  1. Armando Cândido

[A. C. de Medeiros] [N. Vila Franca do Campo, 23.11.1904 – m. Lisboa, 24.02.1973] Deputado. Concluídos os estudos no Liceu de Ponta Delgada, licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra (1926). Iniciou a carreira profissional como delegado do Procurador da República, na Graciosa. Com o cargo de juiz exerceu funções na Povoação, Ponta Delgada e Funchal. Foi delegado do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência. Na carreira política, exerceu o cargo de presidente da Junta Geral de Ponta Delgada e de deputado pelo distrito, entre 1945 e 1969. Revelou grande dinamismo como deputado, não só na abordagem e defesa de questões regionais mas também de assuntos de carácter nacional. Residindo em Lisboa, foi vogal e vice-presidente da Comissão Executiva da União Nacional e diretor do respetivo Centro de Estudos Políticos e Sociais. Foi Juiz Conselheiro do Tribunal de Contas e diretor do Banco de Angola. Foi um grande defensor do regime salazarista escrevendo vários artigos de carácter doutrinário na revista Sulco. Carlos Enes

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Armando Côrtes-Rodrigues

[N. Vila Franca do Campo, S. Miguel, 28.2.1891 – m. Ponta Delgada, S. Miguel, 14.10.1971] Escritor.

Já na juventude liceal, Côrtes-Rodrigues escrevia, havendo até registo da elaboração de uma opereta. De resto, o seu pai, César Rodrigues, também versava, o que pode explicar uma inclinação literária, muito mais lata e diversa no filho (órfão de mãe ao nascer). A ida para Lisboa, para cursar Românicas, fê-lo conhecer Fernando Pessoa e fazer parte do grupo do Orpheu. Colaborou nos primeiros números da revista com o mesmo nome, assinando sob o pseudónimo Violante de Cysneiros. O seu modernismo foi muito moderado, dando a mão à tradição de composição lírica e às especificidades da sua terra-natal, à qual regressou em 1917, dois anos depois de terminar estudos. Na cidade de Ponta Delgada (e também em Angra do Heroísmo), foi exercer a profissão de professor. A sua atividade intelectual continuou a florescer: foi sócio fundador do Instituto Cultural de Ponta Delgada, chegando mesmo a gerir a revista Insulana, publicação da responsabilidade deste Instituto que levou o nome dos Açores além fronteiras. Continuou a corresponder-se intensa e assiduamente com Pessoa; todavia, a poesia modernista, com a sua nova conceção da personalidade humana e a sua aspiração de elevar a arte da Pátria ao Mundo nunca converteu Côrtes-Rodrigues por inteiro, apesar do seu partilhar dos novos ideais. O forte apelo da ilha – com tudo o que isso implica de evocações, padrões de ser e de pensar, mitogénese e ambiências – transformaram a influência do amigo Pessoa em algo diverso; foi o louvar da sua gente que lhe interessou fazer, acima de tudo, fosse através das suas tradições, fosse através do sentimento. O desvendar de Côrtes-Rodrigues da «alma popular» fez-se pela poesia (mesmo quando formalmente optou pelo moderno verso livre ao invés da redondilha), de estudos etnográficos muito relevantes, de crónicas e de teatro (tendo adaptado uma peça para argumento de um filme português que se tornou célebre em 1954, Quando o Mar Galgou a Terra). O reencontro com a sua terra conservadora, onde frequentara o quase conventual colégio Fisher, avivou nele um classicismo poético de acentuada vertente humanista. A serenidade viva com que evocava as suas raízes valeu-lhe o Prémio Antero de Quental em 1953, pelo livro Horto Fechado e Outros Poemas.

Carla Cook

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Artur Goulart

[N. Velas, ilha de S. Jorge, a 12.4.1937] Completou o curso de Teologia no Seminário de Angra e licenciou-se em Arqueologia no Pontifício Istituto di Archeologia Cristiana, em Roma, Itália, tendo também concluído o Corso di Cultura sull’Arte Ravennate e Bizantine, da Universidade de Bolonha. Mais tarde, já em Évora, fez o Curso Superior Livre de Estudos Árabes, tendo ainda frequentado cursos e seminários em Estudos Hispano-Árabes, Museologia e História da Arte.

Entre 1962 e 1972 foi Professor no Seminário de Angra e, de 1968 a 1973. Chefe de redação do jornal A União. Trabalhou no Museu de Évora, primeiro como Técnico Superior e, de 1992 a 1999, como Diretor. Das suas inúmeras atividades destacam-se a inventariação do acervo artístico do Museu de Évora, bem como a investigação bibliográfica e o estudo de obras de arte e material arqueológico. Foi membro do secretariado científico da exposição «Triunfo do Barroco» da Europália 91, e também colaborador científico do Campo Arqueológico de Mértola e do Núcleo Visigótico do Museu de Beja.

É membro de diversas associações especializadas, nacionais e internacionais. Tem apresentado comunicações em diversos congressos sobre Estudos Árabes em Portugal, atualmente publicadas em revistas como Arqueologia Medieval, Estudos Orientais, Portugal Islâmico e O Arqueólogo Português. Colabora em inúmeras iniciativas artísticas em Évora e tem também publicado na imprensa artigos relacionados com o património local. É autor do projeto museológico e responsável pela organização do Museu de Arte Sacra de Elvas de que é o atual Diretor. Desde março de 2002 é coordenador do Inventário do Património Artístico Móvel da Arquidiocese de Évora. Foi ainda o Comissário da Exposição «Tesouros de Arte e Devoção», bem como coordenador e autor de diversos textos do respetivo catálogo.

Como poeta, encontra-se representado em todas as antologias de poesia açoriana. Foi durante o seu período de chefia da redação do jornal A União, de Angra, que se publicou a página literária «Glacial», acontecimento marcante na cultura açoriana do final dos anos sessenta.

Onésimo Teotónio Almeida

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Artur Veríssimo

Artur Veríssimo nasceu em 1956, sendo natural de São Mateus da Calheta, Ilha Terceira.

Licenciado em Português/ Francês, fez o mestrado em Língua e Cultura Portuguesa.

Lecionou Português em várias escolas secundárias, antes de ser nomeado diretor da Escola Profissional das Capelas, cargo que atualmente (2009) exerce.

O romance Uma Pedra no Sapato, obra muito bem conseguida estética e formalmente, foi a sua auspiciosa estreia na ficção. Ganhou o prémio literário Almeida Firmino com o livro A Serpente Está Escondida na Relva, que se mantém inédito.

Tem-se dedicado também a organizar manuais escolares, e publicou um ensaio sobre a Mensagem, de Fernando Pessoa – Dicionário da Mensagem.

D. S.





  1. Augusto Gomes

[N. Angra do Heroísmo, 5.6.1921 – m. Ibidem, ?.2.2003] Contista, amador teatral e gastrónomo. Frequentou o curso comercial nas escolas Madeira Pinto, de Angra do Heroísmo, e António Augusto de Aguiar, do Funchal.

É autor de contos, alguns dos quais colecionou e publicou em livro (1981). Com alguns deles foi premiado em concursos regionais (1.o prémio no concurso comemorativo do centenário de Florêncio Terra, Horta, 1958; 1.o prémio nos Jogos Florais de Angra do Heroísmo, 1958, 1959 e 1960).

Também se dedicou ao teatro como autor, encenador e intérprete. Para o teatro de revista escreveu Alagando Pingando, Em Mangas de Camisa, Faz-me Cócegas e Talvez te enganes, que também encenou e interpretou.

Dedicado ao levantamento e estudo da gastronomia das ilhas açorianas, pesquisou, recolheu e publicou sobre as ilhas Terceira, S. Miguel e Santa Maria.

Também deixou publicada uma vasta memória sobre figuras e factos do quotidiano de Angra do Heroísmo.

Luís M. Arruda

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)





  1. Bensaúde, Joaquim

    Bensaúde, Joaquim

    [N. Ponta Delgada, 27.3.1859 - m. Lisboa, 7.1.1952] Engenheiro e historiador. Era filho de José *Bensaúde, dinâmico continuador e gestor da grande casa empresarial da família hebraica Bensaúde, originária de Marrocos e radicada nos Açores desde 1818. Com apenas 15 anos de idade, foi enviado por seu pai para a Alemanha, onde veio a realizar os seus estudos preparatórios e superiores na Escola Técnica Superior de Clausthal, em Hanôver, pela qual viria a diplomar-se em engenharia civil. Como ele próprio esclarece numa das suas cartas a Joaquim de Carvalho, viveu na Alemanha entre 1874 e 1884 e aí voltaria depois para proceder às suas investigações históricas. As suas obrigações comerciais e principalmente as suas paixões históricas levaram-no a estanciar em várias cidades de outros países europeus, nomeadamente a Suíça, a França, a Inglaterra e a Espanha, onde teve a oportunidade de se relacionar com muitas das mais insignes personalidades intelectuais do seu tempo. No domínio das artes, cultivou o canto, o violoncelo, a pintura e a cerâmica. Foi membro da Academia das Ciências de Lisboa, admitido em 29.4.1915, e da Academia Portuguesa de História, desde 22.12.1937.

    Aos 37 anos de idade, perante aquilo a que chamou as espoliações alemãs das glórias nacionais, decidiu tornar-se historiador. Revoltado contra a tese de Humboldt e dos seus seguidores, segundo a qual a náutica dos descobrimentos marítimos teve a sua origem na Alemanha, viria a demonstrar no seu primeiro livro L'astronomie nautique au Portugal à l'époque des grandes découvertes que as tábuas náuticas portuguesas foram colhidas no Almanach perpetuum de Abraão Zacuto e não nas Ephemerides de Regiomontano. Verifica, em primeiro lugar, que não se encontra nas Ephemerides qualquer tábua de declinação solar. Constata depois que Regiomontano incluiu essas tábuas nas Tabulae directionem e aí é adoptada uma obliquidade da eclíptica (declinação máxima do Sol) de 23° 33', ao passo que os primeiros regimentos portugueses incluíam tábuas náuticas com uma obliquidade de 23° 30'. Ficava assim refutada a tese de Humboldt e liquidada a pretensa influência de Martinho da Boémia nas origens da náutica portuguesa.

    A sua primeira obra, bem como as que se lhe seguiram, tiveram grande retumbância na Europa e mereceram o maior aplauso de eminentes historiadores nacionais e estrangeiros. No entanto, não ficou isento de críticas. Por um lado, o historiador catalão Gonçalo de Reparaz Júnior acusou-o de confundir o cartógrafo do infante D. Henrique, Jaime de Maiorca (Jafuda Cresques), com seu pai Abraão Cresques, autor do célebre Atlas de 1375. Por outro lado, a sua tese das origens do plano henriquino de alcançar a Índia por mar viria a colher duras críticas de Duarte Leite e de Vitorino Magalhães Godinho. Homem que lutou por causas e por convicções, é inegável o seu valioso contributo no domínio da história dos descobrimentos portugueses. José Azevedo e Silva (2002)

    Obras principais (1912), L'astronomie nautique au Portugal à l'époque des grandes découvertes. Berna, Akademische Buchhandlung von Max Drechsel [obra premiada pelo Instituto de França, em 1916, com o prémio Binoux]. (1913), Histoire de la science nautique portugaise à I'époque des grandes découvertes [projecto de publicação de fontes em 7 volumes]. (1917), Histoire de la science nautique portugaise: résumé. Genebra, A. Kundig. (1917-1920), Les légendes Allemandes sur l'Histoire des Découvertes Maritimes Portugaises. Réponse à M. Herman Wagner, 1e partie. Genebra, A. Kundig. (1921), Histoire de la Science Nautique des Découvertes Portugaises (Réimpression de critiques étrangères). Lisboa, Imp. Nacional. (1924), Regimento do Estrolabio e do Quadrante - Tractado da Spera do Mundo. 2ª ed., Lisboa, Imp. Nacional. (1927a), Luciano Pereira da Silva e a sua obra. Coimbra, Imp. da Universidade. (1927b), Les Légendes Allemandes sur l'Histoire des Découvertes Maritimes Portugaises, 2e partie. Coimbra, Imp. da Universidade. (1929), Origines du Plan des Indes. Conférence. Paris, Lib. Aillaud. (1930a), Lacunes et Surprises de l'Histoire des Découvertes Maritimes, le partie. Coimbra, Imp. da Universidade. (1930b), As origens do plano das Índias. Resposta ao artigo do Excelentíssimo Sr. Dr. Duarte Leite. Paris, Lib. Aillaud. (1931), Études sur l'Histoire des Découvertes Maritimes. Coimbra, Imp. da Universidade. (1940), O Manuscrito «Valentim Fernandes». Lisboa, Academia Portuguesa de História. (1942), A Cruzada do Infante D. Henrique. Lisboa, Agência Geral das Colónias. (1946), Estudos sobre D. João II. Lisboa, Academia Portuguesa de História


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