Brevíssima Enciclopédia de Autores Açorianos



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Tomaz Borba Vieira

Tomaz Sousa Borba Vieira nasceu em Ponta Delgada, em 1938. Pertencendo a uma família com largas tradições culturais, nomeadamente no campo da arte (seu avô Tomaz Borba Vieira foi um excelente fotógrafo amador do início do século XX), foi como que genética a sua vocação para a pintura, tendo ingressado na Escola Superior de Belas Artes, de Lisboa, em 1958. Em 1962 tornou-se bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, concluindo no ano seguinte o Curso Complementar de Pintura.

Profissionalmente esteve desde logo ligado ao ensino, que exerceu em várias escolas e em diferentes áreas, quer artísticas quer de formação de professores. Fez parte do corpo docente que reestruturou em Ponta Delgada a Escola do Magistério Primário, depois do 25 de abril.

Tomaz Borba Vieira, que é um dos nomes maiores da arte portuguesa, é também escultor de mérito embora com menor expressão, em quantidade, do que na pintura. Criou e mantém o Centro Cultural da Caloura, um museu das Artes que é um dos espaços culturais mais prestigiados dos Açores.

Sendo um belíssimo conversador e contador de histórias, resolveu um dia pôr algumas das suas memórias em livro. Memórias do seu tempo de infância e juventude, em que o “eu” e o “nós” da narrativa andam pelos mesmos caminhos. E assim nasceu um delicioso livro que nos transporta aos tempos da vida micaelense a meados do século: Herdar Estrelas, publicado no ano 2000. Seguiram-se-lhe os livros de contos Degrau de Pedra, em 2001, e O Carcereiro da Vila e outras estórias, em 2008.

D. S.




  1. Turlu (Maria Angelina de Sousa)

A Turlu nasceu a 5 de novembro de 1907, na freguesia de S. Mateus. Filha de José Teixeira de Sousa e de Maria da Conceição Soares de Sousa.

Foi doze vezes aos Estados Unidos cantar a convite dos emigrantes portugueses ali radicados. Para o mesmo fim, deslocou-se também ao Canadá em 1965, onde residiu nos últimos anos de vida.

Maria Angelina, então viúva de Francisco Teixeira Borges, casou-se, em 1973, com o improvisador José de Sousa Brasil (O Charrua).

Começou a dizer cantigas com a idade de sete anos. Porém, só se estreou a cantar aos 15 anos, na freguesia de S. Bartolomeu, com o improvisador António Dias. A partir daí, cantou com José Patrício, Tenrinho, Bravo, Charrua, Gaitada, Vital, Ferreirinha das Bicas e muitos outros.

Compôs vários "enredos" para danças de Carnaval, entre os quais se destacam os seguintes: "O Filho Pródigo", "Santa Bárbara”, “A Vida das Pobres Ciganas”, “A Batalha da Salga”, "A Sentença de Salomão", "A Independência de Portugal", "Dona Inês de Castro na Vida de D. Pedro”, “Mulher Casada sem Miolo e Cabeça''. Maria Angelina além de compor "enredos" para danças, publicou pequenos opúsculos sobre vários casos passados na Ilha Terceira. Esta poetisa não só fez quadras como também compôs décimas, glosas, oitavas, quintilhas e sextilhas.

A Turlu foi, sem favor, uma das mais talentosas improvisadoras do seu tempo. Soube dar aos seus versos uma harmonia deslumbrante, usando imagens límpidas e um invulgar poder expressivo, o que, aliado ao seu amor pela terra e pelo povo, a tornaram a mais representativa intérprete da nossa poesia popular.

Faleceu em 1987.

(Direção Regional dos Assuntos Culturais/1994)






  1. Urbano Bettencourt

[N. Piedade, Lajes do Pico, 24.11.1949] Poeta e docente universitário. Raíz de Mágoa, primeiros poemas de Urbano Bettencourt publicados em livro, data de 1972, e a mais recente, Algumas das Cidades, de 1995. Tem publicado entretanto e regularmente nos mais diversos periódicos científico-académicos ou de larga circulação, reunindo-os em sucessivos volumes (três, até hoje) sob o título de O Gosto das Palavras. Paralelamente àquela consistente atividade literária, nunca deixou de intervir a vários níveis na vida cultural da comunidade açoriana, sempre consciente da sua dispersão e consequente “riqueza” artística ao longo dos séculos — um mosaico de ser e estar diverso e conjugado num todo, como as próprias ilhas a que ele intimamente pertence, e a partir das quais se posiciona perante o restante mundo. Foi ainda a meados dos anos 70 (e como resultado imediato do 25 de abril) que Urbano fundou e dirigiu, com o falecido J. H. Santos *Barros, A Memória da Água-Viva, a primeira revista de cultura açoriana que propôs com desusada audácia um projeto de definição e defesa de uma Literatura Açoriana a partir de pressupostos ideológicos profundamente democráticos e universalizados. Urbano tem antecipado outros teoricamente numa antevisão de um pós-modernismo culturalmente abrangente e marcado necessariamente pela permanente dialética da territorialização/desterritorialização (de que falaria mais tarde Edouard Glissant em relação às ilhas Caraíbas) da criação literária açoriana, enraizada desde há muito, tanto na experiência histórica da vida nas ilhas como na “convivência” ou diálogo intelectual com o exterior, desde o Continente português às Américas. Urbano Bettencourt é, nos Açores, um dos mais completos e consequentes exemplos do poeta e crítico, com profundo enraizamento na experiência criativa do nosso país. Desde há anos docente de literatura na Universidade dos Açores, a dualidade da obra de Urbano, assim como o seu papel de homem de letras público, faz lembrar a dinâmica criativa e teorizadora do conhecido grupo de poetas sulistas norte-americanos que (também a partir das suas universidades) nos anos 30 e 40 criaram e aprofundaram o New Criticism, a mais duradoura (e internacionalizada) proposta teórica na descodificação do texto poético.

A data da publicação da sua poesia é pertinente. É aí que se encontra a chave descodificadora de muita da sua temática: o desespero e alienação de toda uma geração perante a guerra colonial e a longa ditadura política que não deixava mais do que a resistência ou a emigração a homens e mulheres livres e conscientes do seu momento histórico adentro de um referencial transnacional. O trágico cerco humano, na poesia de Urbano, intensifica-se na geografia atlântica da ilha abandonada e num tempo sem tempo. Urbano cultiva, desde o início, na sua poesia, uma aguda ironia e certo grau de ambiguidade na abordagem do mundo ilhéu açoriano ou mais vastamente português. A sua linguagem poética está decididamente vincada por uma insistente imagística e demais andamentos ora de denúncia da desolação societal ora de dialogismo entre autores e textos das mais próximas e distantes geografias reais e imaginárias; é a poética de uma dialética entre a realidade estática e a fuga através da pura fantasia. Há na sua obra a continuidade de preocupações temáticas expressas nas mais diversas formas desde, por exemplo, Fez do abandono um hino de coragem, do poema “Ilha-Grande” do já referido Raíz de Mágoa de 1972, a O mundo acaba mesmo em frente, de encontro à Montanha emboscada na sua teia de nuvens, de “Horta, um perfil” em Algumas das Cidades de 1995. Este seu mais recente livro contém nove sequências sobre Angra pós-sismo (de 1980). É um gesto poético de aproximação afetiva e simultâneo distanciamento irónico e intelectual à realidade da ilha caída e aparentemente “recuperada”.

Ensaísta e teorizador crítico da literatura e cultura açorianas, tal como na poesia, Urbano estende consideravelmente o campo de contextualizações estéticas e históricas. A análise textual serve-lhe inevitavelmente para a retenção de ideias principais e impulsos temáticos de cada texto em foco. A sua “comunidade” de referências literárias e culturais inclui naturalmente a maior parte dos seus colegas dos ou nos Açores, mas nunca ignorando os que, de um modo ou outro noutras partes, intervieram ou intervêm nesse gesto de reconhecimento melvilliano de geografia para geografia, de língua para língua. Os escritores africanos de língua portuguesa, principalmente os cabo-verdianos devido às suas afinidades intelectuais com as ilhas açorianas, são-lhe uma presença constante e frutífera, como nos mostra De Cabo Verde aos Açores – à luz da Claridade, editado (em 1998) na cidade do Mindelo após uma série de conferências que Urbano proferiu naquele arquipélago. Quanto aos referidos volumes de O Gosto das Palavras, bastará citar o que sobre essa obra de referência (para qualquer estudioso da literatura ou cultura açorianas) escreveu um dia Eugénio Lisboa nas página do JL: “É que se Urbano é um académico genuíno, por profissão e competência, é também, e acima de tudo, um verdadeiro escritor. A diferença é enorme. O académico só tem que ensinar, investigar e apresentar comunicações com o resultado dessa investigação. Ao escritor compete-lhe criar textos, isto é, de criação literária que, mesmo comentando outros textos, estão muito para além da comunicação meramente denotativa”.

A experiência imigrante açoriana na América do Norte e os seus reflexos nalguma literatura do arquipélago, para além de constantes chamamentos na sua restante obra poética e ensaística, valeu-lhe ainda o estudo Emigração e Literatura: Alguns Fios da Meada, publicado na cidade da Horta em 1989. Trata-se de uma análise de como esse (talvez o mais importante) vetor histórico na vida multissecular dos Açores foi transfigurado ou representado por alguns escritores açorianos no fim do século XIX. Vamberto Freitas

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Urbano de Mendonça Dias

[N. Vila Franca do Campo, 27.6.1878 – m. Ibidem, 4.2.1951] Era filho de Urbano José Dias e de Maria da Glória de Mendonça Dias. Fez a instrução primária em Vila Franca do Campo, prosseguindo os seus estudos liceais no Colégio Fisher em Ponta Delgada. No ano de 1903 licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Ainda como estudante em Coimbra, juntamente com o Padre Ernesto Ferreira, fundou em 1902 a revista A Phenix. Casou com Berta Alcântara de Mendonça Dias de quem teve dois filhos: António e Hermano. De regresso a S. Miguel, com o mesmo amigo, liderou o jornal A Vila. Colaborou também no jornal O Autonómico. Começou a sua vida profissional como ajudante privativo do conservador da Comarca. Abriu ainda banca de advogado. Com um Humanismo social ligado à terra que procurava corresponder às enormes carências e miséria que grassavam entre as gentes das ilhas (Melo, [2005?]) fundou, em

1904, juntamente com César Rodrigues e Cortes Rodrigues O Externato de Vila Franca do Campo, vulgarmente chamado O Colégio, e que foi fundamental para a educação e desenvolvimento da Vila em todo o século XX. Assumiu alguns cargos políticos como Procurador à Junta Geral do Distrito de Ponta Delgada, Administrador do Concelho de Vila Franca do Campo, Governador Civil do Distrito de Ponta Delgada (1935/1936), Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca desde 1914 até à sua morte. Monárquico e de cunho nitidamente municipalista integrou-se no segundo movimento autonómico escrevendo em 1921, a brochura: Peço a Palavra e, em 1944, As Ilhas do Atlântico – a que chamam adjacentes. A sua atividade literária prossegue com obras de ficção como: o Solar da Castanheira, O Tio Francisco, Mr. Jó, O meu Amor, A Senhora Doutora; as peças de teatro: O meu primeiro Amor, Loucos de Amor e Alvores da Mocidade entre outros. Todavia é na sua obra histórica que o seu trabalho e o amor pela Terra mais se revelam. Surgem assim várias monografias que, segundo o historiador Joaquim Romero de Magalhães: mostram grande atenção e cuidado no tratamento das fontes, sendo fundamentais para a história local e regional (Magalhães, 1994), como: A Assistência Pública no Distrito de Ponta Delgada; Baldios e logradouro comum e de particulares na ilha de S. Miguel; História da Instrução nos Açores; História das Igrejas, Conventos e Ermidas Micaelenses (3 vols.); História do Vale das Furnas; História dos Açores (2 vols.); Instituições vinculares: os morgados das ilhas; Madre Teresa d’Anunciada: a freira do S. S. Cristo dos Milagres; Ponta Delgada: de quando foi lugar e vila e de cidade: escorço histórico; A Vila (6 vols.); A Vida de Nossos Avós (9 vols.); Literatos dos Açores, entre outros.

Foi agraciado com as insígnias da Ordem de Benemerência em fevereiro de 1943. Margarida Vaz do Rego

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Vamberto Freitas

[N. Fontinhas, ilha Terceira, 27.2.1951] Iniciou os estudos secundários no então Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, mas logo emigrou com a família para os Estados Unidos, indo fixar-se em Porterville, no Vale de São Joaquim, na Califórnia.

Logo se desloca para a área da grande Los Angeles, onde completa os estudos secundários, na Chino High School. Estuda, em seguida, na California State University (Fullerton), onde obtém uma licenciatura em Estudos Latino-Americanos e na mesma universidade faz estudos de pós-graduação em Literatura Americana e Literatura Comparada. Em seguida, concluídos os estudos pedagógicos no Chapman College (Fullerton), leciona na Escola Secundária de Cerritos, Califórnia.

Vamberto Freitas começa então a distinguir-se pela qualidade da sua atividade jornalística, publicando em jornais norte-americanos de língua portuguesa; nesse período, é nomeado correspondente estrangeiro na Califórnia do Diário de Notícias (Lisboa), funções que exerce de 1979 até 1991, data em decide fixar-se nos Açores, em Ponta Delgada.

Regressado aos Açores, ao mesmo tempo que continua a colaborar no suplemento literário do Diário de Notícias, presta colaboração, por um breve trecho, à RTP-A e ingressa, como Leitor de Língua Inglesa, na Universidade dos Açores. É nomeado representante da Assembleia Legislativa Regional dos Açores no conselho nacional de opinião da RDP, cargo que exerceu por cerca de três anos.

Com o seu regresso e a sua entrada como docente da Universidade dos Açores, Vamberto Freitas inicia um período de afirmação como crítico literário. Estudioso e admirador do crítico norte-americano Edmund Wilson, que nas décadas de 20 e 30 do século passado exerceu grande influência na crítica norte-americana, a sua área de interesses incide sobre a new world fiction, a literatura da emigração portuguesa e, de forma especial, sobre a literatura açoriana e a chamada «literatura étnica» norte-americana, com particular enfoque sobre a geração de escritores luso-descendentes, emergente nos finais do século XX.

A par da docência, a sua atividade de crítico literário revela-se muito produtiva, com a publicação de uma dezena de livros e de grande número de títulos em revistas e suplementos culturais, ao mesmo tempo que participa, com comunicações, em jornadas e congressos de literatura norte-americana e cultura açoriana, no Canadá, Estados Unidos da América, Portugal (Açores, continente e Madeira), e em outros países.

Em 1995, fundou o SAC, Suplemento Açoriano de Cultura, caderno literário do Correio dos Açores (Ponta Delgada), que coordenou até à sua extinção, em 2001. Em 2003, funda o SAAL, Suplemento Açoriano de Artes e Letras, publicado como caderno autónomo da revista Saber/Açores (Ponta Delgada).

A sua intervenção neste campo incute uma nova dimensão e um novo sopro ao suplementarismo literário, em particular nos Açores, conferindo-lhe um papel destacado no panorama da crítica literária, de modo especial no universo de referência cultural de raiz açoriana. Marcolino Candeias

Obras principais. (1990), Jornal da Emigração. A L(USA)lândia Reinventada. Angra do Heroísmo, Gabinete de Emigração e Apoio às Comunidades Açorianas. (1992), Pátria ao Longe. Jornal da Emigração II. Ponta Delgada, Signo. (1992), O Imaginário dos Escritores Açorianos. Lisboa, Salamandra. (1993), Para Cada Amanhã. Jornal de Emigrante. Lisboa, Salamandra. (1994), América. Entre a Realidade e a Ficção. Lisboa, Salamandra. (1995), Entre a Palavra e o Chão. Geografias do Afeto e da Memória. Ponta Delgada, Jornal de Cultura. (1998), Mar Cavado. Da Literatura Açoriana e Outras Narrativas. Lisboa, Salamandra (1999), A Ilha em Frente. Textos do Cerco e da Fuga. Lisboa, Salamandra. (2002), O Homem que era feito de Rede, trad. do conto de Katherine Vaz, Man Who Was Made Of Netting. Lisboa, Salamandra. (2002), Jornalismo e Cidadania: Dos Açores à Califórnia. Lisboa, Salamandra (2002).

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Vasco Pereira da Costa

[N. Angra do Heroísmo, 22.6.1948] Professor e escritor. Concluiu os estudos secundários no Liceu de Angra de Heroísmo e licenciou-se em Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, cidade onde passou a residir. Professor do Ensino Secundário, desde 1972, esteve ligado à formação de docentes, de 1986 a 1991, tendo frequentado vários cursos de formação pedagógica. Lecionou, também, na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra e é autor de um programa para a disciplina de Português, do 10º ano de escolaridade.

Paralelamente à atividade docente, proferiu várias conferências, em Portugal e no estrangeiro, sobre gestão das atividades culturais, temas de carácter didático-pedagógico e literário. Várias das suas comunicações, proferidas em encontros de escritores açorianos e junto das comunidades de emigrantes, abordam temáticas da cultura açoriana. Fez parte de diversos júris de prémios literários e é membro do comité da Alliance Française de Coimbra e Cônsul Honorário de França, na mesma cidade. A partir de 1991, exerceu as funções de Diretor do Departamento de Cultura, Turismo e Espaços Verdes da Câmara Municipal de Coimbra.

É, também, poeta, ensaísta e contista. Para além de vários livros publicados a partir de 1978, parte da sua obra está dispersa em jornais e revistas dos Açores e do continente. Está representado na Antologia de Poesia Açoriana, organizada por Pedro da Silveira, e na Antologia Panorâmica do Conto Açoriano, organizada por João de Melo. É um escritor fortemente marcado pelas origens açorianas, mas também por toda a vivência coimbrã e pelos contactos mantidos com as comunidades de emigrantes. Em 1984, recebeu o Prémio Literário Miguel Torga, instituído pela Câmara Municipal de Coimbra, com a obra Plantador de Palavras.Vendedor de Lérias. Em setembro de 2001, integrou o Governo Regional dos Açores, como Diretor Regional da Cultura. Carlos Enes

Obras Principais (1972), 5 Poemas. Vértice, XXXII (338). (1978), Nas Escadas do Império. Coimbra, ed. Centelha [contos]. (1979), Amanhece na Cidade. Coimbra, Ed. Centelha [novela]. (1980), Venho cá mandado do Senhor Espírito Santo. Lisboa, Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa [memória]. (1981), Ilhíada. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura [poesia]. (1984), Plantador de Palavras. Vendedor de Lérias. Coimbra, Câmara Municipal [contos]. (1987), Memória Breve. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura [contos]. (1992), Riscos de Marear. Ponta Delgada, Signo [poesia]. (1994), Sobre-Ripas/ Sobre-Rimas. Coimbra, Minerva [poesia]. (1998), Terras. Porto, Campo das Letras [poesia]. (1999), My Californian Friends. Viseu/Providence, Palimage/Gávea Brown [poesia].

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  1. Vasconcelos César

(J. de V. C. Oliveira)[N. Ponta Delgada, 29. 3. 1906 – m. Ibidem, 1991] Estudou na sua cidade natal e foi funcionário de Finanças. Foi poeta das coisas simples e de um lirismo espontâneo e conficional. Ele próprio compôs e imprimiu os seus livros de versos (Poemas simples, 1947; Desencontro, 1953; Instante, 1959) tendo, em 1983, reunido a sua poesia em livro.

Deixou inéditos vários contos (Terra do Corisco), um romance (Barca Sara) e um volume de memórias. Foi, ainda, dramaturgo muito apreciado. J. G. Reis Leite

Obra principal (1983), Poesias Completas (1947-1983). Braga, Liv. Ed. Pax

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  1. Victor Rui Dores

[N. Santa Cruz, ilha Graciosa, 1958] Tendo-se fixado na Terceira em 1968, aí concluiu os estudos liceais, frequentando posteriormente a Faculdade de Letras de Lisboa onde se licenciou em Germânicas em 1982. Atualmente é professor do quadro de nomeação definitiva da Escola Secundária Dr. Manuel de Arriaga, exercendo desde 1997 o cargo de Presidente do Conselho Executivo do Conservatório Regional da Horta. A partir de 1998 passou a representar a Região Autónoma dos Açores no Conselho Nacional de Educação.

Com uma intervenção frequente na imprensa, na rádio e na televisão, Victor Rui Dores tem o seu nome ligado também à atividade teatral, quer como ator, quer como encenador do grupo “Sortes à Ventura”, da Escola Secundária Dr. Manuel de Arriaga.

Estreado literariamente com um livro de poesia, a ela voltaria com Entre o Cais e a Lancha e À Flor da Pele, diferentes momentos de um lirismo que ora se constrói sobre uma rede de signos de referencialidade insular, no primeiro caso, ora se abre à expressão de uma vertente erótica, no segundo. Em termos de narrativa, Grimaneza constitui uma incursão no domínio da “short story”, com um balanceamento entre o registo cronístico e o ficcional e a configurar um universo de pequenos acontecimentos de uma regularidade quotidiana quebrada, às vezes, por inesperadas manifestações de violência. Esses dois registos servem igualmente para identificar Bons Tempos e Histórias com Peripécias, em que a rememoração e a evocação patentes no primeiro dão lugar, no segundo, ao reconto de episódios anedóticos, alguns deles do domínio comum oral ou escrito, marcados sobretudo pelo seu sentido humorístico; mesmo levando em conta a filtragem a que o tempo e distância procedem sempre, Bons Tempos constitui o registo de memórias da infância e da adolescência, mas onde é possível detetar, ao lado do processo individual de aprendizagem e descoberta do mundo, alguns sinais de um tempo coletivo mais vasto, o da Graciosa e de Angra nos anos sessenta, princípios de setenta.

Em diferente campo se situa Sobre Alguns Nomes Próprios..., cujo núcleo é constituído pelo inventário resultante de uma pesquisa que tem como ponto de partida o carácter estranho, ou pelo menos diferenciado, de uma parte da onomástica graciosense, que articula um pendor arcaizante com uma provável influência brasileira (por via da emigração açoriana dos séculos XVIII e XIX), cujo declínio começa, todavia, a manifestar-se a partir de meados do século XX.



Urbano Bettencourt

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Virgílio de Oliveira

[N. Achada de Nordeste, ilha de S. Miguel, 10.4.1901 – m. New Bedford, Estados Unidos da América, 17.2.1967] Poeta. Oriundo de uma família com muitas dificuldades económicas foi obrigado a labutar desde criança. Dos 13 aos 17 anos, viveu em Vila Franca do Campo, trabalhando como empregado de loja. De seguida, foi residir para Ponta Delgada, trabalhando também numa loja de fazendas e como empregado do Café Rex (1937-1938), passando depois para cobrador do Grémio da Lavoura. Após a reforma, embarcou para os Estados Unidos, para junto de familiares. As habilitações literárias não foram além do ensino primário, mas em Vila Franca do Campo foi acarinhado por Cortes-Rodrigues, Urbano Mendonça e Teobaldo da Câmara, onde se iniciou nas letras. Numa primeira fase, foi influenciado por «versejadores saudosistas-nacionalistas» (Silveira, 1977: 258) e só depois de 1944 descobriu o modernismo. Eduíno de Jesus considera-o um poeta popular que não imitou a poesia popular mas criou-a (Jesus, 1956: 52).

Usava o pseudónimo de Vital do Rio. O seu nome está ligado à toponímia da Achada, a uma artéria e ao Jardim Municipal. Carlos Enes

Obras Principais. (1931), Romeiros da saudade. Ponta Delgada, s.n. [em colaboração com Vasconcelos César]. (1942), Musa rústica: poemas da terra. Angra do Heroísmo, Tip. Andrade. (1946), Ecos na planície. Ponta Delgada, Tip. Açoriano Oriental. (1950), Vinha do Senhor. Ponta Delgada, Tip. Correio dos Açores. (1954), Poemas escolhidos. Coimbra, Casa Minerva. (1956), Rosas que vão abrindo. Ponta Delgada, Arquipélago. (1965), Poemas dispersos. Ponta Delgada, Tip Açoriano Oriental

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