Brevíssima Enciclopédia de Autores Açorianos



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  • Borges Martins

    [N. Angra do Heroísmo, 30.11.1947] Estudou na Escola Industrial e Comercial da sua cidade natal onde tirou o curso comercial seguindo uma carreira burocrática no Serviço de Viação da Junta Geral, integrado posteriormente na Secretaria Regional dos Transportes. Entre 1968-1970 prestou serviço militar como mecânico na Força Aérea, em Angola.

    Pertenceu ao grupo cultural *Glacial (página literária do diário A União) responsável por um movimento de modernidade nos Açores. Como poeta é altamente inovador nas formas e nas temáticas e tem uma importante obra poética dispersa nos jornais e em livro. Está representado nas antologias de Pedro da Silveira e de Galvão de Carvalho.

    É ainda destacado etnólogo, com recolha e história nas áreas dos cantadores populares e das crendices e feiticeiras.

    Sofreu um grave acidente de viação, que o afastou dos estudos a que se dedicava sobre o movimento popular de contestação à privatização e aproveitamento público dos baldios, a «Justiça da Noite».

    É colaborador desta Enciclopédia.

    J. G. Reis Leite

    (ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




    1. Caetano Valadão Serpa

    Natural da Ponta da Fajã Grande, ilha das Flores, Açores. Reside nos Estados Unidos da América desde 1972. Professor, investigador e escritor, licenciado e doutorado em História Medieval pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Itália, e licenciado em Teologia Moral pela Universidade Lateranense, Roma, Itália. Nos Estados Unidos, especializou-se em Psicologia de Aconselhamento na Lesley University e em Técnicas de Mediação na Harvard University, Cambridge, Massachusetts.

    Foi professor do Seminário de Angra e do Colégio de Santo Cristo, em Ponta Delgada, nos Açores. Nos Estados Unidos, foi supervisor do programa Expressive Therapy, na Lesley University e de Aconselhamento na Harvard University, Cambridge, Massachusetts e professor da cadeira de Moral Development in Children na Cambridge College. Foi membro da International Network of Scholars on Family-Community-School da Boston University.

    Presentemente, é professor de Língua e Cultura Portuguesas na University of Massachusetts at Boston.

    Autor de várias obras:



    A Gente Açoriana, Emigração e Religiosidade, Século XVI-XX, (1976). Separata do Boletim nº. 34, Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo.

    A Gente dos Açores, (1978) Prelo Editora, Lisboa. (Um dos primeiros três livros de língua portuguesa selecionados pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos para transcrição em Braille). Edição esgotada.

    Guiomar, (1990). Edição do Gabinete de Emigração e Apoio às Comunidades

    Açorianas, Angra do Heroísmo, Terceira. Edição esgotada.



    Gente Sem Nome, (1994). Edição Jornal da Cultura, Ponta Delgada, São Miguel. Edição esgotada mas em vias de reedição.

    Guiomar, (1996) Edição em inglês da The Portuguese Continental Union, Boston, Massachusetts.

    Uma Pessoa Só É Pouca Gente, (2000). Edições Salamandra, Lisboa.

    Foi Presidente da Comissão Organizadora do I Congresso dos Portugueses na América, realizado na Harvard University, 1973. Presidente da Cambridge Organization of Portuguese-Americans 1973-1976. Presidiu à Comissão do I Recenseamento Eleitoral do Consulado Geral de Portugal em Boston, após o 25 de abril.

    Colaborador em vários jornais e revistas, orador e conferencista, nos Estados Unidos, Canadá, Portugal e Brasil.




    1. Carlos Faria

    Carlos Faria nasceu em 1929, na Golegã. No entanto a sua vida profissional fê-lo viajar muito pelos Açores, tendo-se tornado um grande entusiasta destas ilhas. Participou ativamente nos seus movimentos culturais, nomeadamente os literários de pendor modernista, sendo um dos fundadores do suplemento Glacial, do jornal A União, que marcou indelevelmente a geração da década de 1960. Por essa ligação afetiva e cultural é desde há muito tempo considerado como poeta pertencente também à família dos autores açorianos.



    Distância Azul, Marinheiro Bêbado, Rosto e Diálogo e São Jorge (Ciclo da Esmeralda) são títulos de alguns dos seus livros.




    1. Carlos Tomé

    Nasceu em 1951, em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel. É jornalista desde 1959, tendo iniciado a sua carreira no jornal Diário dos Açores.

    Foi dirigente nacional do Sindicato dos Jornalistas, cargo para que foi eleito após o seu regresso da Guerra Colonial, onde combateu, em Angola, como oficial miliciano de Operações Especiais, entre 1972 e 1974.

    Entrou, em 1977, para os quadros da RTP-Açores, tendo sido Chefe do Departamento de Informação.

    Ganhou, em 1989, a primeira edição do “Prémio Açores” de reportagem, com um trabalho sobre a colonização açoriana do Rio Grande do Sul, Brasil.

    É, desde um de setembro de 2007, assessor para a Comunicação Social do Presidente do Governo Regional dos Açores.

    Obras publicadas:



    A Noite dos Prodígios e outras histórias, contos (Salamandra), 2002

    Morreremos Amanhã, romance (Artes e Letras) 2007

    Solidão, conto na antologia “Contos de Algibeira” (Casa Verde, Brasil), 2007




    1. Carreiro da Costa

    [N. Lagoa, S. Miguel, 06. 03. 1913 - m. Ponta Delgada, 29.6.1981] Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde concluiu a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, com a dissertação “O descobrimento e o reconhecimento dos Açores”, em 1940. Neste ano regressou aos Açores para desenvolver intensa atividade político-administrativa, científica e educativa.

    Presidiu à direção da Ação Católica de Ponta Delgada e pertenceu à Comissão de Distrito da União Nacional, depois Ação Nacional Popular. Nesta qualidade participou, em maio de 1944, no Congresso da União Nacional com a comunicação “Autarquias insulares e suas relações com o poder central”.

    Foi vogal da Comissão Administrativa da Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada (1940-41); Presidente da Câmara Municipal da Lagoa (1942-43); Procurador eleito da Comissão Administrativa da Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada integrando a respetiva Comissão Executiva (1943); vice-presidente da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, desde 1944 até ao fim da instituição; vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada (1952-1955).

    Em 1959, foi nomeado, pelo Secretário Nacional da Informação, presidente da Comissão Regional de Turismo das ilhas de S. Miguel e Santa Maria, função que desempenhou durante dez anos, ocupando-se, principalmente, da propaganda e do apetrechamento turístico das duas ilhas.

    Todavia, foi à etnologia dos Açores que se dedicou apaixonadamente. Os vários cargos que ocupou permitiram que realizasse uma obra exaustiva de descoberta, recolha e coordenação dos valores da tradição regional que elaborou com método e pertinácia e que divulgou largamente.

    Entre 1941 e 1952, foi professor provisório na Escola Industrial e Comercial Velho Cabral. Posteriormente, viria a lecionar a disciplina Sociedade e Cultura Açorianas no Instituto Universitário dos Açores, desde a sua instalação. As lições proferidas foram editadas com o título Esboço histórico dos Açores, em 1978.

    Foi membro fundador do Instituto Cultural de Ponta Delgada (1944), a cuja direção pertenceu até à sua morte, e do Instituto Açoriano de Cultura (1956). Integrou a Sociedade de Estudos Açoreanos Afonso Chaves (desde 1941) e o Núcleo Cultural da Horta (desde 1956). Presidiu à delegação em Ponta Delgada da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e foi sócio correspondente do Instituto Histórico da Ilha Terceira

    Codiretor e editor do semanário A Ilha (Ponta Delgada) (1940-41) e diretor do diário Correio dos Açores (Ponta Delgada) (1941), colaborou, intensamente, nas revistas Açoreana e Instituto e no Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, de que foi redator principal e editor, desde 1945, e onde publicou os seus trabalhos mais importantes. Afonso (1985, II: 384-431) inclui uma lista de artigos publicados.

    Entre abril de 1945 e maio de 1974, publicou, semanalmente, no Emissor Regional dos Açores, mil quinhentas e vinte e oito palestras subordinadas ao tema geral “Tradições, Costumes e Turismo nos Açores”.

    Participou nas Primeira, Terceira e Quarta Semanas de Estudos dos Açores, em 1961, 1964 e 1965, com as comunicações “Religiosidade do povo açoriano através do seu folclore”, “Potencialidades turísticas dos Açores” e “Breve história das manifestações culturais dos Açores”, respetivamente.

    Personalidade marcante e influente na sociedade açoriana do seu tempo colaborou no Dicionário de História de Portugal e na Enciclopédia Luso-Brasileira. Manteve correspondência com personalidades e instituições nacionais e estrangeiras. Era Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, desde 1973.

    Luís M. Arruda



    1. Charrua (José de Sousa Brasil)

    Nasceu nas Cinco Ribeiras, na Ilha Terceira, em 24 de junho de 1910. Era um poeta com grande sentido de improvisação. Adversário terrível nas cantorias, viria a casar-se com uma das suas mais destemidas rivais, a lendária Turlu (Maria Angelina de Sousa).

    Para além da tradicional quadra de redondilha maior, compôs quintilhas, sextilhas e até alguns sonetos.

    Faleceu em 1991.




    1. Coelho de Sousa

    [N. São Sebastião, ilha Terceira, 30.9.1924 – m. Angra do Heroísmo, 2.9.1995] Escritor e jornalista. Frequentou o seminário de Angra a partir de 1937, tendo sido ordenado a 20 de junho de 1948. Posteriormente, tentou prosseguir os estudos de Filologia Hispânica, em Salamanca (1962), mas abandonou-os por motivos de saúde. Para além do exercício da função sacerdotal, desde 1963, na freguesia onde nasceu, foi professor de língua portuguesa no Seminário Colégio Padre Damião, na Praia da Vitória, e no antigo liceu de Angra. Como jornalista, deixou vasta colaboração em suplementos literários mas dirigiu também o jornal católico A União, ora como chefe de redação, entre 1956 e 1962, depois como diretor-adjunto, em 1976, ficando depois a dirigi-lo até 1994. Deixou algumas obras publicadas, com destaque para a poesia. E escreveu algumas peças de teatro representadas por grupos locais: o auto «Ao mar», levado à cena no centenário henriquino, «Angústia», drama em dois atos; «Promessa», teatro regional, e «Intriga Azul e Branca», teatro crítico. Proferiu várias palestras no Rádio Clube de Angra, onde foi seu diretor. Como orador, destacou-se no seio do clero terceirense, pela sua fluência e força espiritual, o que o levou até junto das comunidades da América e Canadá. Na freguesia natal foi homenageado com um busto, junto à igreja.

    Carlos Enes

    (ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




    1. Cristóvão de Aguiar

    (Luís C. Dias de A.) [N. Pico da Pedra, 8.9.1940] Poeta e escritor. Concluiu o curso complementar de Letras no Liceu de Ponta Delgada, licenciando-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi mobilizado para a Guiné no período da guerra colonial em 1964-67. Lecionou no ensino secundário em 1969-72. Desde 1993 é leitor de língua inglesa na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Conta já, como escritor, uma vasta obra, com projeção nacional, abrangendo ficção (a mais abundante), poesia, ensaio e investigação. [J. Almeida Pavão]

    Obras principais: (1965) Mãos Vazias, Coimbra, ed. do autor (poesia); (1977) O Pão da Palavra. Coimbra, Vértice (poesia); Sonetos de Amor Ilhéu (1992). Predominam, como motivos inspiradores de toda a sua obra, temas açorianos, nomeadamente da sua ilha natal (S. Miguel). A sua produção é marcadamente de intervenção, com cariz populista, na defesa dos oprimidos, em especial nos seus romances, cuja linguagem acusa um sabor dialetal e regionalista. Em prosa, salienta-se a trilogia Raiz Comovida, Coimbra, Centelha [a primeira (1978) contemplada com o prémio Ricardo Malheiros, concedido pela Academia das Ciências de Lisboa], refundida num único volume em 1987; Ciclone de setembro (1985), Lisboa, Caminho; Passageiro em Trânsito (1988) [Ponta Delgada], Signo, com nova edição refundida em 1994; O Braço Tatuado (1990), Ponta Delgada, Signo; Um Grito em Chamas (1995), Lisboa, Salamandra. No plano da ficção, escreveu ainda o livro de contos A Descoberta da Cidade (1982), premiado pela RDP (Açores).

    Na investigação, contam-se: Alguns dados sobre a emigração açoriana (1976), Coimbra, Vértice; Emigração e outros Temas Ilhéus (1992), Breve Memória Histórica da Faculdade de Ciências (1972), Universidade de Coimbra. No ensaio biográfico, é autor de Com Paulo Quintela à Mesa das Tertúlias (1986) e tradutor da obra A Riqueza das Nações, II vol., de Adam Smith (1983).

    (ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






    1. Cunha de Oliveira

    Artur Cunha de Oliveira, nascido em 1924, em Lawrence, Massachusetts, de família da Graciosa, é Licenciado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana e em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, de Roma. Pertenceu, na década de 1950, à primeira Comissão de Planeamento Regional. Foi professor no seminário de Angra e diretor do jornal A União, além de ter sido dos primeiros impulsionadores das Semanas de Estudo promovidas nos anos 60 pelo Instituto Açoriano de Cultura. Foi também deputado no Parlamento Europeu.

    Dedica-se sobretudo à escrita de obras de Teologia, mas, como poeta, pertenceu ao grupo dos introdutores da moderna poesia portuguesa nos Açores.


    D.S.




    1. Daniel de Sá

    [N. Maia, S. Miguel, 2.3.1944] Viveu em Santa Maria de 1946 a 1959. Fez o Curso Geral dos Liceus até ao 4º ano no Externato de Santa Maria, e o 5º ano no Externato Ribeiragrandense. Curso do Magistério Primário (Escola do Magistério Primário de Ponta Delgada, 1960/1962). Lecionou de 1962 a 1966, nos Fenais da Ajuda, cumprindo a seguir o serviço militar nas Caldas da Rainha, Tavira e Arrifes (S. Miguel). Depois de um ano como professor na escola do ensino básico da Maia, partiu para Espanha, onde fez o noviciado em Moncada, Valência, onde estudou Filosofia. Frequentou Teologia no Seminário Diocesano de Valência e na Faculdade de Teologia de Granada. Em finais de 1973 regressou a S. Miguel, passando pela escola do ensino básico de S. Brás. A partir do ano letivo de 1974/75 lecionou, até à aposentação, na escola da Maia.

    Exerceu vários cargos públicos. Entre outros, foi Secretário Regional (equivalente a diretor regional) da Comunicação Social e Desporto, na Junta Regional dos Açores; deputado nas primeiras duas legislaturas da Assembleia Regional; vereador da Câmara Municipal da Ribeira Grande; e membro da Assembleia Municipal deste concelho.

    É um dos escritores açorianos que com mais frequência escolhem cenários não açorianos para situar geográfica e socialmente as suas obras, se bem que raramente viaje para fora do arquipélago. Além disso, normalmente adapta a sua escrita aos tempos históricos e à cultura das personagens. A sua escrita, reveladora de vasta erudição, é muitas vezes ilustrada com histórias reais perspicazmente captadas na ilha, sobretudo na sua Maia.

    Ganhou o prémio Nunes da Rosa, da Secretaria Regional de Educação e Cultura, com a novela Um Deus à Beira da Loucura, e foi por duas vezes vencedor do prémio Gaspar Frutuoso, de Literatura, da Câmara Municipal da Ribeira Grande. Primeiro com Crónica do Despovoamento das Ilhas e depois com A Terra Permitida.

    O seu livro Ilha Grande Fechada, juntamente com outros de autores também açorianos, fez parte de uma tese de doutoramento sobre Literatura Açoriana e Emigração, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, de Porto Alegre. O mesmo romance serviu de tema para duas teses de mestrado naquela Universidade, merecendo, em ambos os casos, um elogio do próprio júri. Foi o criador dos Encontros de Escritores Açorianos, tendo organizado os primeiros três, que se realizaram na Maia. É colaborador da imprensa, sobretudo açoriana, desde 1964. Com frequência colabora em blogues publicando versos humorísticos com muita verve. Por vezes as suas colaborações surgem sob a forma de imitação intencional dos estilos de grandes escritores.

    Onésimo Teotónio Almeida

    (ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




    1. Dias de Melo

    [N. Calheta de Nesquim, ilha do Pico, 8.4.1925] Fez os estudos liceais na cidade da Horta, onde se estreou na imprensa e foi um dos fundadores da Associação Cultural Académica (novembro de 1944). Radicado em Ponta Delgada desde 1949, foi professor do Ensino Primário e posteriormente do Preparatório, nível em que também lecionou na Cova da Piedade (1976-1977) e nas Lajes do Pico (1978-1979). A sua estreia em livro fez-se com os poemas de Toadas do Mar e da Terra (1954), mas logo infletiria para a narrativa com as «crónicas romanceadas» de Mar Rubro (1958). A partir daí, a sua obra tem vindo a construir-se com uma notória regularidade e também sob o signo da diversidade: da crónica ao romance, do conto à investigação, ao relato de viagem e à recolha etnográfica com vasto recurso ao testemunho oral, como ocorre em Na Memória das Gentes, um notável trabalho em que as vozes individuais se entrecruzam na composição geral de um complexo tecido histórico e social picoense; o contacto com o discurso popular acabaria, além do mais, por projetar-se na escrita de Dias de Melo, na grande fluência de uma voz narrativa transbordante e próxima de procedimentos sintáticos da oralidade. Toda essa diversidade se mantém, no entanto, fiel a um principal núcleo temático, a experiência de vida do homem açoriano, particularmente a do baleeiro picoense, cuja saga individual e histórica proporcionou a Dias de Melo algumas das suas páginas mais dramáticas e pungentes. Entre a matéria de evocação e a de natureza ficcional, por vezes articuladas de modo inextrincável, a obra de Dias de Melo dá-nos um vasto quadro da vivência humana numa comunidade rural-marítima fechada, com os seus sonhos e fracassos, as suas intrigas e os gestos solidários, a luta contra as forças da natureza e os interesses sociais; mas, mesmo quando a sua narrativa se expande até ao espaço urbano, deparamo-nos igualmente com um narrador comprometido com a sorte dos mais fracos e das vítimas da engrenagem social. O autor assume, aliás, as suas afinidades com o posicionamento estético e a visão do mundo próprios dos neorrealistas e poderemos ainda detetar a sua proximidade em relação a autores como Caldwell ou Steinbeck; a visita à casa e ao território deste último e das suas personagens deu origem a uma longa e efusiva crónica, «O Santuário de Steinbeck», incluída em Das Velas de Lona às Asas de Alumínio. A obra de Dias de Melo ocupa hoje um lugar singular no âmbito da literatura açoriana, como o atesta o reconhecimento das gerações que se lhe seguem.

    Urbano Bettencourt

    (ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




    1. Dinis da Luz

    [N. S. Pedro do Nordestinho, S. Miguel, 8.9.1915 – m. ibid., 20.12.1988] Sacerdote, poeta e jornalista. Enquanto aluno do seminário de Angra, colaborou no jornal A União, usando o anagrama DAZUL. Foi ordenado sacerdote em 1938 e trabalhou como prefeito num colégio de Ponta Delgada. Pelas capacidades jornalísticas evidenciadas, partiu para Lisboa, a mando da diocese com o objetivo de adquirir experiência. A hipótese de regressar aos Açores ficou inviabilizada por pressão do diretor do jornal católico A Voz, onde trabalhou como redator entre 1940-1970. Por motivos de doença e mudanças no jornal, que se transformou no órgão da União Nacional, com novo título, regressou ao Nordeste. Mesmo assim, naquele período não deixou de colaborar nos mais variados periódicos açorianos (A Ilha, A União, Açoriano Oriental, Diário dos Açores, Correio dos Açores, A Crença) e de outros do continente (Diário de Lisboa, Sol, Novidades e nas revistas Século Ilustrado, Lúmen e Ação). Escreveu crónicas sobre os Açores para o The Catholic Register, de Meliapor, Diário de Notícias, de New Bedford, com uma campanha a favor dos emigrantes. Durante a II Guerra Mundial manifestou simpatia pelos Aliados, sendo apodado pelos germanófilos de «sacerdote estalínico». No campo literário escreveu poesia, contos e ensaios, inserindo-se no panorama literário do modernismo, com expressão formalmente clássica. O seu primeiro livro de poesia apresenta textos escritos entre os 13 e os 16 anos. Foi membro do Instituto Cultural de Ponta Delgada e condecorado com a medalha da Liberdade do rei Jorge VI de Inglaterra e com o grau de Oficial da Ordem de Leopoldo II, da Bélgica. Faz parte da toponímia do Nordeste.

    Carlos Enes

    (ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




    1. Diniz Borges

    (D. Aurélio Lourenço B.) [N. Praia da Vitória, ilha Terceira, 22.10.1958] Emigrado para a Califórnia em 1968, licenciou-se em Ciências Sociais e Estudos Literários na Universidade de Chapman, em Irvine. Presentemente prepara um Mestrado em Humanidades na California State University, Dominguez Hills.

    Professor de português em Tulare Joint Union High School, no College of the Sequoias, Visalia, Califórnia e ainda no Summer Portuguese Language Institute, da California State University, Stanislaus, é também coordenador de dois programas de rádio em português, em Tulare, e de um programa de TV, igualmente português, em Fresno. Tem apresentado comunicações em vários colóquios, congressos e encontros culturais nos Açores e na Califórnia. É porém sobretudo na qualidade de Diretor de Atividades Culturais do Centro Português de Evangelização de Tulare que tem desenvolvido um papel relevante na vida cultural da comunidade portuguesa da Califórnia, sendo o principal responsável pelo êxito dos Portuguese Heritage Days e do Simpósio Literário «Filamentos na Herança Atlântica», já em nona edição, que reúne anualmente em Tulare escritores e estudiosos luso-americanos e açorianos. Colaborador assíduo da imprensa luso-americana e açoriana, reuniu muitos dos seus textos no volume América: O Outro Lado do Sonho (Praia da Vitória, 1997), incidindo nas problemáticas do multiculturalismo, das minorias e da justiça social, bem como na literatura luso-americana e americana que versa esses temas. Atualmente coordena o suplemento cultural do semanário açoriano Atlantic Express, especialmente destinado às comunidades da diáspora açoriana. É ainda guest columnist no jornal Tulare: Advance Register.

    Onésimo Teotónio Almeida

    (ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






    1. Eduardo Bettencourt Pinto

    Eduardo Bettencourt Pinto, angolano de nascimento, tem raízes açorianas pelo lado materno. Viveu dois períodos da sua vida na ilha de S. Miguel (infância e já na fase adulta), dois quais guarda perduráveis recordações e indeléveis vivências.

    É autor de vários livros de poesia e ficção, bem como o editor da revista Seixo review online de artes e letras. Está representado em várias antologias de poesia.

    É também fotógrafo amador.

    Vive em Pitt Meadows, Canadá, desde 1983.


    Publicou os seguintes livros:
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