Brevíssima Enciclopédia de Autores Açorianos



Baixar 0.56 Mb.
Página6/11
Encontro18.07.2016
Tamanho0.56 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11
José Francisco Costa

José Francisco Rodrigues Costa nasceu na freguesia das Capelas, ilha de São Miguel, Açores, em 1947, na primeira casa que se vê do mar, na então Rua do Cais, hoje Rua de São Pedro, no lugar do Cruzeiro, mesmo defronte do velho moinho, que havia de ser de seu pai. ”Entro no peito desta rua,/ Onde me fiz, ouvindo o mar…” … Nos panos do moinho antigo/ a voz do vento já morreu/ E sobre os grãos de milho e trigo/ O dono nunca mais cantou. … São Pedro em arcos de papel - / Riso de cal e de hortênsias…”

Bem novinho acompanhou a família, numa passagem relativamente curta, pela ilha de Santa Maria, por deveres profissionais de seu pai. Regressou de pronto à sua terra, nela terminando a instrução primária e dando entrada no Seminário Menor do Santo Cristo, em Ponta Delgada, em 1958, passando, dois anos depois, a frequentar o Seminário Maior de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde se destacou pelo amor ao estudo (era bom aluno em todas as disciplinas, e recebeu diploma de distinção em Filosofia). “Eu fui crescendo no meio de livros e dúvidas. … Embarcado de nove em nove meses”. No baú com os livros do tempo, deve ainda conservar a inseparável “romeira” de tantas deambulações pela cidade de Angra do Heroísmo, com uma das pontas roída de dúvidas.

Nasceu para o mundo, e o mar, seu companheiro de todos os momentos da infância e da juventude, havia de ensinar-lhe a ser bom nadador, mergulhador de pontaria certeira (lindas vejas e bodiões!) e paciente pescador. Com ele, aprendi as “artes” da pesca do carapau, desde o estrovo ao pormenor de guardar o pescado em água do mar para ficar sempre fresquinho. Por pesqueiros, lajes da Grota, Parede e outros calhaus, reluzia o carapau do nosso contentamento, primeiro no “dois de cada vez”, depois na gulodice que se adivinhava com batatinha cozida, cebola curtida e calda de pimenta com sumo de limão galego, para já não falar no bolo da sertã, aquele que as nossas mães tão bem sabiam fazer, na falta do pão de milho, cozido uma vez por semana, para mitigar a fome de mesas fartas de gente para alimentar. E, se havia melancia, que delícia!

E, porque nasceu para o mundo, partiu, como tantos, e na companhia de alguns dos seus melhores amigos e colegas, no final dos anos sessenta, embalado por Fanhais, José Afonso e outros muitos que, cantando, diziam do que lhes devorava a alma. Veio Fátima, depois Setúbal e Lisboa, a tropa em tempo de cravos de abril e, já com o saber de experiências tantas, com o curso de Teologia, completado na Universidade Católica, o Bacharelato em História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, volta a partir, em 1978, agora de braço dado com a Lourdes, sua mulher, com o Tiago pela mão e a Teresa ao colo, radicando-se em Providence, nos Estados Unidos.

Tem desenvolvido parte da sua atividade, como professor, em escolas portuguesas e americanas, sendo, durante duas décadas, o diretor pedagógico da Escola Portuguesa de East Providence.

É professor de Português e Diretor do Luso Centro no Bristol Community College, em em Fall River. Doutorou-se em Literatura Portuguesa Contemporânea na Universidade de Massachusetts Amherst depois de ter feito um Mestrado em Estudos Portugueses e Educação Bilingue, na Universidade da Brown.

No campo das letras, tem publicado poemas, contos e ensaios em jornais e revistas nos Estados Unidos e em Portugal, tendo vários dos seus escritos sido recolhidos em Antologias. É um rico contador de histórias: reproduz ambientes com rara beleza de palavras e de afetos e sabe, como ninguém, transcrever na perfeição o falar e linguajar das suas personagens, das que criou e de muitas com quem partilhou os calhaus e pesqueiros, as canadas e as ruas da sua terra natal. “ Junto, como posso, linhas do que me contaram, do que os meus olhos viram ou o coração percebeu”.

Publicou já dois livros de contos: Mar e Tudo, Edições Salamandra, Lda, 1998 e Crónica do 25, Ministério da Educação, Lisboa, 1999, e um de poesia intitulado E da carne se fez verbo, Edições Salamandra, Lda, 2000, bem como o estudo - a sua tese de doutoramento - A Correspondência de Jorge de Sena – um outro espaço da sua escrita, Edições Salamandra, Lda., 2003. Tem, em separata, um estudo sobre Poesia Africana de Língua Portuguesa, (ensaio), Arquipélago, Universidade dos Açores, Ponta Delgada, 1997/98. Mais recentemente, traduziu e editou o livro Saudades, de Frances Dabney, Presidência do Governo Regional dos Açores, Direção Regional das Comunidades, 2006 e em 2007, a memória Terra do Papá, Ilhas de Vavô, Org. e Ed., Conceição Lopes, Porto.

Destaca-se também na esfera musical, tendo sido um dos alunos brilhantes do grande Mestre Edmundo Machado de Oliveira, o que, aliado à sua propensão natural e às variadas experiências em Grupos, em Conjuntos e Coros, fez dele um belíssimo compositor, dando mais vida aos poemas que, com mestria, vai compondo. Assim é autor de composições musicais – letra e música – tendo sido mesmo uma delas, O Velho Pezinho, vencedora num Festival da Canção Emigrante. Esta canção, bem como os poemas Antes da ida – espiritual Açoriano, Roda de Leme, Lua das Ilhas, O Outro Tom da Sapateia estão incluídos num LP do Duo Ouro Negro, e em CD do Grupo Coral das Lajes do Pico, do Coral de S. José, de Ponta Delgada, do Grupo Coral “Herança Portuguesa”, de Carlos Alberto Moniz, e do Grupo de Cantares Belaurora, das Capelas.

O José Francisco praticamente, uma vez por ano, no verão, vem à sua terra. Não passa sem ela. Trá-la no peito. Vem consolar a alma, como diz: “Eu quero ainda mergulhar as nossas palavras, ninfas, nas águas benditas deste jordão da minha juventude. O mar”… ”As vozes do mar, do homem e do vento foram certamente criadas antes do tempo ser objeto de medida. E, se me perguntarem onde tal criação terá acontecido, não vejo melhor lugar do que uma ilha”. “No verão vou sempre molhar os pés na água, consolar a alma, benzer-me com o sal, com o verde e o cinzanil da terra”.

Soube passar este sabor a ilha à Lourdes, mulher da terra do “carrapau”e a seus filhos (Tiago, Teresa e André), ora dispersos, e aos netos, filhos do Tiago, Catarina e Samuel, de quem sou avô também, por serem filhos da Carla, minha filha. Vêm da Pensilvânia, todos os anos, em demanda da casa de vavô Carlos e vavó Isabel e sei que planeiam juntar-se todos, um dia, na ilha, trazendo os restantes netos (Nicu Inácio e Alda Sofia), filhos do André, que vivem na Carolina do Norte. “E regressavam, (regressarão) cada ano, mais convencidos de que a ilha se comove quando a trazemos no peito”.

Carlos Sousa





  1. José Geraldo Vieira

[N. Porto Judeu, ilha Terceira, 16.4.1896 – m. São Paulo, Brasil, 19.8.1977] Emigrou com três meses de idade na companhia dos pais para o Rio de Janeiro e foi de novo registado nessa cidade, o que levou a haver por muito tempo confusão quanto ao lugar do nascimento. Estudou no Colégio Salesiano de Santa Rosa, em Niterói, e formou-se em Medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, tendo os estudos sido financiados por seu tio, Manuel Correia Vieira Júnior. Os pais, gente de fracos recursos, morreram em 1908. Foi médico da «Beneficência Portuguesa» no Rio de Janeiro, mas manteve ligação profissional e científica com a França e a Alemanha onde se doutorou, tendo contudo abandonado a profissão nos anos 40 para se dedicar exclusivamente à literatura.

Tornou-se num dos maiores escritores brasileiros, primeiro, em 1919, com a sua tese de académica, O Instinto Sexual e depois com uma vasta obra de ficção, poesia e crítica de artes plásticas, em dezoito livros ao todo. O seu primeiro romance de êxito foi A Mulher que fugiu de Sodoma.

Assumiu culturalmente as suas origens e raízes açorianas, tendo visitado a ilha Terceira em1919, onde se demorou um mês em Angra do Heroísmo, reencontrando o avô e convivendo com a família em casa de quem se hospedou. Deixou memória desse convívio numa entrevira dada ao jornalista Alexandre Amaral no O Mundo Português, do Rio de Janeiro.

Dois dos romances de Geraldo Vieira estão mais ligados a Portugal, A Quadragésima Porta, cuja ação é centralizada em Portugal, e com personagens portuguesas e Território Humano, que é o mais autobiográfico, incluindo até, tal como o autor fez, uma viagem aos Açores. J. G. Reis Leite

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. José Jacinto Botelho

(António Moreno) [N. Ponta Garça, ilha de S. Miguel, 2.3.1876- m. Furnas, ibid., 14.4.1946] Poeta e orador sacro, usou o pseudónimo, por que ficou conhecido, de António Moreno, e, raramente, o de Maria Angelina (nome da mãe). Fez o seminário em Angra do Heroísmo (Terceira), foi ordenado sacerdote em Braga e chegou a frequentar a Universidade Gregoriana (Roma), que não completou, por motivos de saúde, sobretudo primordialmente causados pelo afastamento da ilha. Amigo íntimo de Armando Cortes Rodrigues (sendo também admirador e tendo conhecido P. Claudel), António Moreno passou bastante à margem dos movimentos e escolas do seu tempo (note-se: princípios do século XX até aos anos 40, período tão rico de novas experiências literárias).

Autor de uma obra dispersa por jornais e sem ambições literárias, foi porém reunida e estudada criteriosamente por Eduíno de Jesus, abrangendo os «livros» Ronda da Saudade, Sete Espadas, Urze do Monte, Ave Maria, Pai Nosso, cujos títulos já são significativos. Vê-se que a poesia de António Moreno, alheia a escolas e movimentos do seu tempo, se ocupa fundamentalmente de temas religiosos, piedosos e mariânicos, em que o culto da saudade, da mãe como entidade protetora, o louvor da Virgem e a recordação da infância e das coisas simples do campo avultam. A preocupação «clássica» com o soneto (quase duas centenas!) e a presença insistente de dezenas de quadras ao gosto popular demonstram não só uma disciplina formal de seguimento da tradição (nomeadamente com os esquemas rimáticos), mas também o isolamento geográfico-cultural do vigário das Furnas. Uma linha de simplicidade e reação religiosa fim de século, que se poderia ir buscar a António Nobre e, no meio micaelense, ao seu amigo Armando Cortes Rodrigues (fixado em S. Miguel desde 1924), vem transparecer no nosso poeta furnense numa sensibilidade extremada e quase franciscana. A própria conceção cristã da vida, que lhe impunha a vida sacerdotal, e a sua tendência contemplativa e triste confluem em versos nos quais correm o sentimento da vida breve, da vida como «vale de lágrimas» e das «visões» do passado, as doces recordações da infância quando confrontadas pungentemente com a dureza presente «(...) Deixai-me ouvir essas canções perdidas,/ Reevoca ao meu olhar visões queridas,/ Que o tempo tão depressa me apagou...» (“Visões do Passado”, 1960: 20). O conjunto de poemas reunidos sob o título Sete Espadas, apesar do seu caracter descritivo e prosaico relativo à Paixão de Cristo e aos sofrimentos da Virgem, consegue atingir um alto grau de exaltação religiosa e constitui um poema mariânico com certa unidade estrutural.

É ao poeta, crítico e professor, Eduíno de Jesus, que se deve um fundamental estudo crítico e de recolha e ordenação da poesia de António Moreno.

António Machado Pires

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. José Luís de Fraga

[N. Fajã Grande, Lajes das Flores, 6.10.1902 – m. Fall River, Estados Unidos da América, 21.6.1968] Sacerdote. Depois de estudar no Liceu de Angra do Heroísmo e de cumprir o serviço militar obrigatório, deu entrada no Seminário de Angra de onde saiu ordenado sacerdote, em 1927. Depois de ter ensinado naquele Seminário, foi colocado nas paróquias de Santa Luzia, ilha Terceira, Castelo Branco, ilha do Faial, e Santa Cruz das Flores, esta em 1929. Por razões que provocaram a contestação dos paroquianos, em 1940, foi transferido para a paróquia da Ribeira Seca, ilha de S. Jorge (cf. Flores (As), 1940a; 1940b; 1941). Posteriormente, em 1943, mudou para a vila do Nordeste, ilha de S. Miguel; em 1947, para São Pedro, Ponta Delgada; e em 1957, para Vila Franca do Campo.

Quando, em 1968, visitava os Estados Unidos da América, morreu no seguimento de um acidente de viação.

Com o pseudónimo Valério Florense, deixou colaboração dispersa por jornais e revistas. No jornal As Flores, publicou, entre outros, os conjuntos de artigos Cartas de Longe e Impressões de uma viajem a Roma. Deixou várias obras que interessam à música popular, fez recolha do folclore açoriano, e à poesia. Desta escreveu Ruy Galvão de Carvalho: «[...] é de feição geralmente tradicional, e os temas que trata inspiram-se em fontes populares, regionais e bíblicas. É, além disso, uma poesia descritiva e sugerida, evocativa e circunstancial, sem todavia deixar de ser pessoal e sincera, íntima e espontânea.» (Carvalho, 1979).

Luís M. Arruda

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. José Machado Lourenço

[Cinco Ribeiras, Angra do Heroísmo, 12.8.1908 – m ?, ilha Terceira, 14.1.1984] Padre, professor, etnógrafo, poeta e historiador. Estudou no Seminário de S. José em Macau. Depois de ordenado, paroquiou nas «igrejas isentas» de Malaca e de Singapura da diocese de Macau. Foi secretário do Bispo D. José da Costa Nunes, em Macau e em Goa.

Aposentado em 1947, regressou definitivamente à ilha Terceira, passando a lecionar no Seminário Diocesano. Foi nomeado cónego da Sé, em 1956, e assistente do capelão americano da Base das Lajes.

Pio XII concedeu-lhe a dignidade de prelado doméstico, com o título de monsenhor (1947), e o Presidente da República agraciou-o com a comenda de Santiago da Espada.

Integrou o grupo fundador do Instituto Açoriano de Cultura, em 1956, presidiu à sua direção, até 1978, e continuou como presidente da Assembleia Geral. Foi diretor da revista Atlântida, órgão deste instituto, desde 1957, quando começou a ser editada, até 1977. Foi ainda diretor do vespertino A União.

Deixou obra diversa, em poesia e em prosa, publicada em vários livros. Luís M. Arruda

Obras. (1934), A mãe do amor: versos. Macau, Escola Tip. do Orfanato, (1937), Aleluias de alma: sonetos. Macau, Tip. da Imaculada Conceição. (1950), O padroado português do Oriente. Angra do Heroísmo, Tip. União Gráfica. (1952), Por terras do sagrado Ganges. Angra do Heroísmo, União Gráfica Angrense. (1952), Regras de gramática da língua inglesa. Angra do Heroísmo, Tip. Andrade. (1954), O romance de um malaio: novela folclórica. S.l., Tip. União Gráf. Angrense. (1954), Vida divina. S.l., Tip. Gráf. Angrense. (1958), Victória: novela folclórica. S.l. União Gráfica Angrense. (1965), Beato João Baptista Machado de Távora – mártir do Japão. Angra do Heroísmo, União Gráfica Angrense. (1968), Benedicite. S.l., s.e.. (1981), Açorianos em Macau. Angra do Heroísmo, União Gráfica Angrense. (1982), Três poetisas angrenses. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura.

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. José Maria França Machado

José Maria de França Machado nasceu em Ponta Delgada no ano de 1941.

Frequentou a Escola Superior de Belas Artes do Porto.

Completou o Curso Superior de Escultura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.

Apresentou tese no ano de 1974.

Além de exposições individuais, participou em várias coletivas, e está representado em coleções particulares, na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, no Castelo Centro Cultural – da Caloura, em São Miguel, e nos Museus da Horta, Angra do Heroísmo e no de Carlos Machado, em Ponta Delgada.

Foi comissário da Exposição Retrospetiva do Pintor Tomaz Vieira tendo sido autor de parte do texto do catálogo.

Foi corresponsável, com o Pintor Tomaz Vieira, na seleção dos artistas e elaboração dos textos do vídeo “Artistas Açorianos” editado pela Direção Regional de Educação.

Foi autor do guião dos videogramas “Canto da Maya – Na génese do Modernismo” e “Domingos Rebelo – Um pintor para os Açores” editados pelo C.A.T.E.

Tem elaborado textos de crítica de arte, colaborado com escritos e desenhos em publicações açorianas e redigido textos de catálogos de outros artistas.

Publicou, em 1998, na INSULANA, o ensaio “ A Aventura da Arte e o Nosso Destino Coletivo”.

Em 2008 fez, Na Universidade dos Açores, a comunicação “Domingos Rebelo – Um estudo” e, no mesmo ano, fez, no auditório da Câmara Municipal da Lagoa, a apresentação do livro de Tomás Vieira “O Carcereiro da Vila”.

Em 2009 fez, na Casa dos Açores, em Lisboa, uma comunicação sobre as serigrafias "Ilhas Míticas" quando do lançamento dos vídeos com o mesmo nome.

Escreveu o livro de contos Solidão de Júpiter.




  1. José Sebag

Descendente de uma das últimas famílias judias dos Açores, José Sebag, nascido em 1936, foi um dos melhores jornalistas da rádio portuguesa. Tinha uma voz absolutamente privilegiada e uma cultura muito acima da média alta. Se a sua poesia tem ecos do surrealismo, a sua própria vida manteve-se na fronteira do irreal. Ou manteve-a ele, por opção consciente e inconformada. Um dos seus gestos de protesto ou de desforra contra a sociedade dos acomodados foi lançar ao mar grande parte do seu livro Planeta Precário, publicado em 1959.

Não muito depois, em 1961, iria fazer parte, involuntariamente, da loucura de um dos últimos sonhos do Império. A União Indiana invadiu os restos de Portugal na Índia, e ele, estando como militar em Goa, foi feito prisioneiro em Pondá, sob difíceis, quase insuportáveis condições.

Em 1989 pôs na tipografia Cão Até Setembro. Já então o corpo dava sinais de estar perdendo a dura batalha pela sobrevivência a que José Sebag longamente o obrigara. Livro que só viria a ser publicado em 1991, e que não chegou a ver impresso. Morrera precisamente em setembro, no dia dois, daquele ano de 1989.

D. S.





  1. José Soares Cordeiro

[N. Angra do Heroísmo, 18.9.1915 – m. Ibid., 29.1.1980] Contista. Habilitado com o curso da Escola Industrial e Comercial, em 1943, começou a escrever muito novo e tornou-se num contista apreciado, sendo premiado, pelo menos duas vezes. Não chegou a publicar os seus contos em livro, mas deixou-os dispersos por revistas e jornais. O mais conhecido intitula-se Os Bois da Mariquinhas, de temática regionalista. Usou o pseudónimo de Manuel das Ilhas.

Foi sócio fundador do Rádio Clube de Angra e grande entusiasta daquela associação. J. G. Reis Leite

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Judite Jorge

[N. Pedras Negras, Lajes, ilha do Pico, 11.5.1965] Estudou na sua ilha natal, mas muito nova foi para Ponta Delgada e tornou-se jornalista desde 1982. É jornalista dos quadros da Rádio Difusão Portuguesa, tendo trabalhado na ilha de Santa Maria e em Ponta Delgada e por fim fixado residência em Lisboa, desde 2002, onde é jornalista na redação da Antena 3. Foi enviada da Antena 1 às Bósnia, em 1996.

Foi eleita deputada pelo círculo dos Açores à Assembleia da República nas listas do PSD, exercendo a atividade parlamentar na IX legislatura (2002-2004) em regime de substituição de Victor Cruz.

Desde muito nova, ainda adolescente, começou a escrever poesia e publicou o seu primeiro livro Ainda não o silêncio, aos dezassete anos, apresentada por Dias de Melo. A sua atividade literária, em poesia e prosa, mereceu os maiores elogios de escritores consagrados como Natália Correia e João de Melo, tendo este prefaciado o seu primeiro livro em prosa, Notas para um discurso de Amor, que recebeu o Prémio Revelação Ficção da Associação Portuguesa de Escritores (APE) em 1987. João de Melo considera-a um dos melhores talentos da moderna narrativa insular e elogia-lhe a originalidade. Em 1992 voltou a ser premiada, desta vez com o prémio Nunes da Rosa (novela) do Concurso Literário dos Açores, com a novela Permanências. Em 1999 estreou-se no romance, com Afetos da Alma, sobre o tema clássico da emigração e do regresso temporário à ilha.

J. G. Reis Leite

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Lopes de Araújo

[N. Ponta Delgada, 25.1.1919 - m. ibid., 19.11.1993] Poeta e jornalista. Funcionário da Air France, transitou para o quadro de pessoal da Sociedade Açoriana de Transportes Aéreos (SATA) até ser aposentado. Desde os bancos do liceu, revelou vocação para as letras, começando a colaborar na revista A Ilha, em 1939. Prolongou a actividade jornalística e literária noutros periódicos dos Açores e do Continente, nomeadamente no jornal República. Dirigiu, durante vários anos, o suplemento «Santa Maria», publicado no Correio dos Açores. Exerceu o magistério primário em Ponta Delgada e leccionou Francês no Externato de Santa Maria. Desde a juventude, andou ligado a numerosas actividades culturais promovidas pela Associação Católica de Ponta Delgada e a iniciativas de carácter humanitário. Escreveu várias peças teatrais levadas à cena com muito êxito, onde revelou o seu espírito crítico e humorístico. É também autor de várias peças radiofónicas e realizou programas no *Asas do Atlântico, de que foi co-fundador. Começou a publicar a produção poética em 1944 e as suas obras expressam um apego aos valores tradicionais da sociedade numa perspectiva profundamente cristã. É considerado o representante açoriano do ultra-romantismo póstumo. Foi distinguido com a medalha da cidade de Toronto. Carlos Enes

Obras principais: Teatro musicado (revistas levadas à cena): Estás-te Consolando; Ai não Me Digas; Isso agora É Outra Conversa; Tira a Mão daí; Larga o Osso. Poesia: (1944), Noite de Alma. Ponta Delgada, ed. do autor. (1952), Cinzas Quentes. Ponta Delgada, Ed. Tip. Micaelense. (1970), Falas do Coração. Ponta Delgada, ed. do autor. (1992), Horas Contadas. Ponta Delgada, ed. do autor. (1993), Labaredas. Ponta Delgada, ed. do autor.

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Luiz Fagundes Duarte

[N. Serreta, Angra do Heroísmo, 6.10.1954] Professor universitário. Depois de obtida a licenciatura em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1981), foi, sucessivamente, mestre em Língua Portuguesa Histórica, pela mesma escola (1986) e doutor em Línguas e Literaturas Românicas, Linguística Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa, com distinção e louvor (1990). Prestou provas de Agregação em Estudos Portugueses, nesta última Universidade (1997), onde é professor de História da Língua Portuguesa na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.

A sua actividade docente tem sido manifestada na regência de numerosas disciplinas de licenciatura e de mestrado, na orientação de seminários e de trabalhos pós-graduação e na coordenação de cursos, nomeadamente como director do Centro de Língua, Literatura e Cultura Galegas. Em paralelo com esta actividade, colaborou, por convite, com outras instituições portuguesas e estrangeiras, onde se responsabilizou por seminários e cursos de curta e média duração.

A sua actividade científica desenvolve-se na área da Linguística Histórica tendo integrado, como investigador responsável ou investigador, as equipes de vários projectos científicos, particularmente, sobre José Régio, Fernando Pessoa, de que é autoridade internacional, e Eça de Queirós. Tem participado, activamente, em numerosos congressos, mesas-redondas e outros eventos, no país e no estrangeiro, como conferencista, comunicante e organizador. Os resultados da sua investigação manifestaram-se na publicação de numerosos livros de ensaio, manuscriptologia e edição crítica, algumas vezes em co-autoria, e de muitas dezenas de artigos, geralmente de ensaio, mas também recensões, prefácios e depoimentos não só da sua área científica mas também versando questões literárias e artísticas, em publicações nacionais e estrangeiras.

Paralelamente, elaborou pareceres técnicos sobre questões de linguística, de crítica textual e literárias para diversos organismos públicos e privados; participou em diversos encontros sobre literatura portuguesa e fez crítica literária em vários órgãos de comunicação social; apresentou, publicamente, livros de vários escritores portugueses; realizou reportagens sobre acontecimentos culturais para alguns jornais; e integrou diversos júris de prémios literários (poesia, ficção e ensaio).

Em 1996, foi nomeado, em comissão de serviço, para o cargo de Director Regional da Cultura do VII Governo Regional da Região Autónoma dos Açores. Em 1999, foi eleito deputado à XIV Legislatura da Assembleia da República, pelo círculo eleitoral dos Açores, reeleito em 2001 para a XV Legislatura.

É colaborador da Enciclopédia Açoriana.

Luís M. Arruda

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Madalena Férin

[N. Vila Franca do Campo (S. Miguel), 22.7.1929] Escritora. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Em 1957, deu à estampa o primeiro livro, Poemas, agraciado com o Prémio Antero de Quental, do Secretariado Nacional de Informação. Seguiram-se outros livros de poesia: Meia-noite no mar (1984), A cidade vegetal (1987), O anjo fálico (1990) – este recebeu o Prémio Antero de Quental do Concurso Literário dos Açores –, Pão e absinto (1998), Prelúdio para o dia perfeito (1999), Quarteto a solo, de que é coautora (2000), e Um escorpião coroado de açucenas (2003).

Além das narrativas de Dormir com um fauno (1998), no género ficcional publicou até agora três romances: O número dos vivos (1990), Bem-vindos ao caos (1996) e África Annes (2001).

Figura em várias antologias, em especial relativas à insularidade, e tem artigos publicados na Revista Ocidente e Revista de Portugal (entre 1981 e 1996).

Com Sophia de Mello Breyner Andresen e Maria Natália Duarte Silva colaborou na programação da coleção juvenil «Nosso Mundo», na qual figuram alguns livros que também traduziu.

É sócia da Associação Portuguesa de Escritores (APE).

A obra de Madalena Férin pertence à linhagem do Romantismo que se desenvolve no Surrealismo e participa do Modernismo português. Embora esta modernidade se desvincule de processos narrativos lineares e de mimetização da realidade, é forte e reconhecível a imagem dos Açores na sua obra, caso de África Annes, romance que resulta até de pesquisa em documentação histórica.

Maria Estela Guedes

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Maduro Dias

[N. Angra do Heroísmo, 12.2.1904 – m. 21.12.1986] Pintor, escultor, desenhador, decorador e poeta. Desenvolveu uma apurada sensibilidade artística em Lisboa, aquando da preparação do Pavilhão Português para a Exposição de Sevilha (1929). Para o desenvolver da sua sensibilidade artística não lhe foi indiferente o conjunto de sugestões e o ambiente à volta de Armando Lucena, Abel Manta, Jorge Barradas, Diogo de Macedo. Os anos determinantes da sua geração implicaram algumas discussões e mesmo ruturas. Regressou à ilha Terceira, terra natal, realizou o empedrado da Praça da Restauração (1930), planeou a Urbanização do Largo Prior do Crato (Angra do Heroísmo), tendo executado o respetivo monumento. Outros executou, como uma Memória da Restauração de 1640 (Praia da Vitória), o monumento ao historiador Francisco Ferreira Drummond (na vila de S. Sebastião), uma memória-abrigo no Pico de Matias Simão (nos Altares, ilha Terceira). Executou e decorou a “Exposição do Emigrante” da Junta Geral (Angra do Heroísmo), tendo pintado quadros para o Salão Nobre da mesma Junta Geral de Angra do Heroísmo (destaque-se o “Sonho do Infante”), para o Governo Civil do então existente distrito do mesmo nome (hoje Palácio dos Capitães Generais) e fez alguns trabalhos para o Hotel de Angra e para vários particulares. Consciente da correlação das Artes e voltado também para a expressão verbal, Francisco M. Dias escreveu contos (de tónica regionalista) e poesia. Um certo tímido sentido de recato da vida intelectual e a fraca projeção que então tinham os artistas fora do arquipélago talvez tenham impedido um maior conhecimento da sua obra. F. M. Dias pertenceu à geração fundadora do Instituto Histórico da Ilha Terceira, com o qual colaborou (lembre-se o papel fundador de Luís da Silva Ribeiro). F. M. Dias colaborou, nas possibilidades de enquadramento do meio, em muitas atividades, por exemplo como cenógrafo, como desenhador e decorador (orfeões, operetas e diversas sociedades recreativas), sendo de destacar a colaboração prestada à opereta regional Água Corrente. Ainda nos fins da década de 70 a primeiros anos da década de 80, F. M. Dias foi convidado a desenvolver ensino artístico no destacamento americano da Base das Lajes (Clube de Oficiais, onde se realizaram várias exposições), o que denota a sua vocação para um certo magistério artístico que nunca o abandonou. A uma fina ironia na convivência e na poesia de acento popular, acrescentamos, também na poesia, uma tónica religiosa. António Machado Pires

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Manuel Augusto de Amaral

[N. Água de Pau, ilha de S. Miguel, 29.8.1862 - m. Ponta Delgada, 25.12.1942] Poeta. Frequentou o Seminário de Angra do Heroísmo (Terceira), mas interrompeu os estudos por falta de vocação para a vida eclesiástica. Regressado definitivamente a S. Miguel, dedicou-se pelo resto da vida ao ensino particular em Ponta Delgada, num colégio chamado Escola Minerva, que veio a adquirir.

A geração açoriana a que pertence, surgida pelos anos 80, compreende poetas como José Botelho Riley, Garcia Monteiro, José de Lacerda, Filomena Serpa, Manuel António Lino, Alice Moderno, etc., que não tiveram um projeto literário propriamente geracional, limitando-se a seguir na esteira da Geração de 70, em cujas liras procuraram afinar as suas próprias, uns (a maioria) tangendo-as numa clave tangencialmente parnasiana ou neorromântica, outros (mais raros) desferindo acordes ao gosto do fim-do-século, com os quais se aproximaram, mas só um pouco, do espírito (mais do que da letra) dos poetas decadentes, ligeiramente mais novos.

Manuel Augusto de Amaral, por sua vez, deriva a sua poesia do lirismo sentimental de João de Deus – com, a espaços, alguma reflexão filosófica à Antero – e cai, de vez em quando, na eloquência alexandrina de Junqueiro; mas é do povo, «o mais antigo / e verdadeiro / Poeta da Humanidade», que se confessa discípulo e de quem segue o rasto lírico em vários volumes de cantigas, onde há «versos que o povo bem podia cantar como seus», no dizer de Pascoaes.

Eduíno de Jesus

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Manuel Barbosa

[N. Ponta Delgada, 17.12.1905- m. S. Brás de Alportel, 27.6.1991] Advogado e escritor. Concluiu os estudos secundários em Ponta Delgada e licenciou-se em Direito, na Universidade de Lisboa (1931), e em Ciências Históricas e Filosóficas, na de Coimbra (1940). Regressou a S. Miguel, em 1948, onde exerceu advocacia na Ribeira Grande, durante 27 anos. Paralelamente, foi professor e dirigiu o Externato Ribeiragrandense. Desde jovem, revelou preocupações político-sociais e tornou-se um opositor tenaz ao Estado Novo. Foi candidato a deputado pela Oposição Democrática, em 1969, pelo círculo de Ponta Delgada, e participante no III Congresso Democrático de Aveiro. Depois do 25 de abril, foi membro da Comissão Democrática de Ponta Delgada e deportado para o continente em agosto de 1975, por elementos separatistas da Frente de Libertação dos Açores (FLA). Publicou poesia, alguns contos e traduziu obras de autores ingleses consagrados. A sua poesia, para além da sensibilidade romântica e idealista, revela também preocupações político-sociais. Fundou e dirigiu a revista literária Atlântida, no ano de 1929. Carlos Enes

Obras Principais Poesia: (1953), Incerta Via. Ponta Delgada, ed. do autor. (1960), 5 English Poems. Ponta Delgada, Ed. do autor. Prosa: (1956), Fructuoso (Vida e Obra). Ribeira Grande, ed. do autor. (1969), Virgílio de Oliveira - o Homem, o Poeta e o Ideólogo. Ponta Delgada, ed. do autor. (1978), Luta pela Democracia nos Açores. Coimbra, Ed. Centelha. (1981), Memórias das Ilhas Desafortunadas. Coimbra, ed. do autor. (1983), Figuras e Perfis Literários. Ribeira Grande, ed. do autor. (1985), Enquanto o Galo Canta. Ribeira Grande, ed. do autor. (1988), Memórias da Cidade Futura. Ribeira Grande, ed. do autor

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Manuel Ferreira Duarte

[N. Madalena, ilha do Pico, 27.12.1936 – m. Santa Clara, Califórnia, EUA, 30.12.2002] De tenra idade fixou-se na ilha do Faial, onde fez estudos primários e concluiu o 5.º ano no Liceu da Horta. O fascínio do horizonte desabrochou nele a sede de aventura. Uma breve passagem pelo Funchal levou-o a concluir o 6.º ano dos liceus. De regresso à Horta, conheceu uma breve experiência no funcionalismo público. Em 1959 obteve emprego ao serviço de uma Companhia de Cabos Telegráficos Submarinos sedeada na Horta. Em 1963 foi transferido para as Caraíbas, depois Venezuela e República Dominicana, por onde foi exercendo múltiplos empregos, cumprindo assim o seu destino embarcadiço. Acabou por se radicar na Califórnia, em 1971, e aí desenvolveu intensa atividade junto da comunidade portuguesa, lutando sempre em prol da cultura e literatura açorianas. Distinguiu-se como jornalista e estudou a emigração açoriana para a Califórnia. Sobre esta temática escreveu uma série de artigos e ensaios que estão publicados no jornal Portuguese Tribune, de S. José.

Contista de apreciáveis recursos, humanista, homem de princípios, talentos e paixões, Manuel Ferreira Duarte deu à estampa os seguintes livros: A Banda Nova e outras histórias (1991) e Viagem ao Contrário (1995). No primeiro, o autor fala-nos da sua ilha, da emigração e da vida das comunidades portuguesas nos Estados Unidos da América, sendo digno de antologia o conto “Baleia! Baleia”. A segunda obra resulta da experiência vivida, durante mais de três meses, numa travessia que, no verão de 1991, empreendeu de S. Francisco às ilhas dos Açores, a bordo do iate Gaivota. Victor Rui Dores

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Manuel Jorge Lobão

Manuel Jorge da Silva Gil Lobão nasceu em Ponta Delgada, a 30 de janeiro de 1951 e viveu desde criança na Graciosa.

É professor do 2º ciclo de Matemática e Ciências da Natureza na Escola Básica e Secundária da Graciosa.

Em 1987 foi opositor ao Concurso Revelação da Associação Portuguesa de Escritores com a obra “Do Caos ao Cosmos” tendo recebido da referida associação uma recomendação para publicação o que nunca se verificou.

Ganhou o Prémio Natália Correia 1999 com o livro “Passam seres luminosos vestidos de vermelho” tendo havido deste posterior publicação.

Para além disso publicou alguns poemas na coletânea “Poiesis” volume XI e outros dispersos na impressa regional.




  1. Manuel Machado

[N. Lajes, Terceira, 7.7.1932] Foi funcionário administrativo da Força Aérea Portuguesa na Base Aérea n.º 4, nas Lajes, até 1961, quando decidiu abandonar a Terceira. Fixou-se em Lisboa onde viveu até 1963 e nesse ano emigrou para França vivendo até 1971 em Paris onde trabalhou em lugares indefinidos, como supermercados, mini-fábricas, editoras ou receções de hotel e também em Londres para onde se mudou em 1971. Em Paris fez estudos que não completou, em Psicologia na École de Haute Études. Participou na vida cultural da emigração portuguesa em Paris e Londres estando representado em antologias dessa época. Casou com uma senhora norueguesa fixando-se a partir de 1974 em Oslo como funcionário da Biblioteca da Universidade. Colaborou, em 1983, no estudo coletivo da UNESCO Two Cultures, onde publicou um ensaio intitulado «Living in Two Cultures».

É um escritor da escola surrealista com vasta obra publicada distinguindo-se o conto de entre os seus escritos que abrangem a novela, a crónica, a prosa poética e o memoralismo. É colaborador da revista Atlântida, do Instituto Açoriano de Cultura, de que é sócio e do suplemento literário «Quarto Crescente», do jornal angrense Diário Insular, coordenado por Álamo Oliveira. Tem publicado em português e norueguês. Desde os anos oitenta que visita regularmente os Açores.

Foi condecorado pelo Presidente da República com o grau de oficial da Ordem de Mérito (1999) e recebeu a medalha de valor cultural da Câmara Municipal da Praia da Vitória (2000).

J. G. Reis Leite

Obras principais. (1981), Enquanto os coveiros dormem. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura [2.ª ed., corrigida e aumentada, Angra do Heroísmo, Edições BLU, 2005]. (1988), Virtudes, reis moscas e outras hortaliças. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura. (2002), Quebra-cabeças e nozes. Lisboa, Salamandra. (1993), Vrangstruper. Oslo, Gyldendal. (1996), Losrivelse. Oslo, Gyldendal.

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Marcelino Lima

[N. Horta, 12.3.1868 – m. Lisboa, 22.1.1961] Jornalista, romancista e historiógrafo, autor de vasta bibliografia sobre a ilha do Faial. Foi aluno do Liceu da Horta, inscrito em 1879 (Lobão, 2004). Jovem, com cerca de 17 anos, já dirigia com Júlio Lacerda, o semanário literário O Bibliophilo (1885). Foi redator principal do semanário literário e desportivo Revista Faialense (1893), e redigiu, com Florêncio Terra e Rodrigo Guerra, a 2.ª série do semanário literário e noticioso O Fayalense (1899) (Goulart, 1932). Depois, embora tivesse continuado a escrever em jornais e revistas portuguesas, principalmente para O Arauto, O *Correio da Horta, A *Democracia e O Telégrafo, passou a dedicar-se a estudos históricos.

Foi presidente do Gymnasio Club, de que foi um dos fundadores, da Sociedade Luz e Caridade e do Gremio Litterario Fayalense (Correio da Horta, 1957; Lima, 1943: 530-531; Lobão, 1988; O Telégrafo, 1961).

Genealogista de mérito, ainda que muito apoiado na obra de Garcia do Rosário, publicou, em 1922, um estudo genealógico sobre diversas famílias faialenses, incluindo notas históricas. Quando em Lisboa, onde fixou residência em 1927, foi convidado pela Câmara Municipal da Horta, em sessão de 14 de agosto de 1939, a redigir os Anais deste município, a sua obra de maior vulto, publicada em 1943.

Foi o último da plêiade de intelectuais que pontificaram na cidade da Horta, no fim do século XIX, como Florêncio Terra, Rodrigo Guerra, Zerbone, Garcia Monteiro, Manuel Joaquim Dias, Osório Goulart e Manuel Greaves (Andrade, 1961).

Era funcionário dos Correios, onde dirigia a Estação Telégrafo-Postal.

Na Horta, a rua que liga a rua Cônsul Dabney à rua Médico Avelar tem o seu nome por decisão da Câmara Municipal de 24 de outubro de 1979.

Luís M. Arruda

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)






  1. Marcolino Candeias

(M. C. Coelho Lopes) [N. Angra do Heroísmo, 28.8.1952] Tendo completado os estudos secundários na sua cidade natal, revelou-se como poeta, ainda estudante liceal, em páginas académicas e na «Glacial», suplemento literário de A União, vindo a publicar Por ter escrito Amor (1971), conjunto de poemas que, na época, causou sensação junto dos mais jovens e alguma celeuma junto dos mais velhos; participou então em diversas atividades culturais, tendo sido sócio da Cooperativa Sextante, estando muito próximo da ação cultural então liderada por José Orlando *Bretão, ao qual se ligou por fortes laços de amizade. Cumpriu serviço militar em Angola, durante o período conturbado da descolonização, como alferes miliciano de Artilharia, após o que iniciou estudos superiores na Universidade de Coimbra. Nesta universidade obteve o bacharelato em Filologia Românica e, em seguida, a licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas, com distinção. Professor estagiário do ensino secundário, foi assistente de Linguística na Universidade dos Açores e na Universidade de Coimbra. Publicou Na distância deste tempo (1984). O seu percurso profissional passa pelo Canadá, onde foi professor convidado (leitor) de Língua, Literatura e Culturas Portuguesa e Brasileira no Département d’Études Anciennes et Modernes da Universidade de Montreal, Quebeque, tendo sido também chefe da Secção de Estudos Portugueses e Brasileiros do mesmo departamento; no âmbito da sua atividade docente, participou em vários congressos e proferiu diversas conferências e palestras, designadamente na Maison Internationale de la Culture, em Brossard e na Societé des Écrivains Canadiens, em Montreal. Permaneceu naquele país onze anos, tempo durante o qual teve a oportunidade de presenciar atentamente o desenrolar de diversos episódios da história dos anos 80 e 90 do nacionalismo quebequense, designadamente a preparação, desenvolvimento e desaire do Acordo de Lac Meech e a realização do Referendo de 1996, que derrotou por uma margem estreita os anseios independentistas. Ainda em Montreal, esteve ligado à imprensa comunitária de língua portuguesa. Entretanto, desempenhou as funções de assessor e secretário executivo do conselho de administração da Caisse d’Économie des Portugais de Montréal, cooperativa de poupança e crédito fundada por emigrantes portugueses, filiada na poderosa rede de caixas populares do Mouvement Desjardins. Regressado aos Açores, foi diretor da Casa da Cultura da Juventude de Angra do Heroísmo, cargo que ocupou de forma relevante até ser nomeado Diretor Regional da Cultura no último ano de mandato do VII Governo Regional e, em seguida, do VIII Governo. Marcolino Candeias é considerado uma das vozes mais importantes do grupo a que pertenceu e a que se convencionou chamar Geração Glacial, fundamentalmente preocupado com os valores mais profundos relacionados com a sociedade, a liberdade, a democracia e o papel do homem neste contexto e que trouxe um contributo considerável à atividade literária nos Açores. Sem dúvida, um dos maiores poetas do arquipélago, tem colaboração dispersa por jornais e revistas nacionais e estrangeiras, bem como alguns poemas traduzidos para inglês e eslovaco. É também autor de estórias orais, de que existem registos videográficos, que relatam a visão de um antigo emigrante terceirense de origem rural na Califórnia (Joe Canoa), sobre os valores e comportamentos do mundo envolvente. Está representado em numerosas antologias poéticas.

E. Félix


(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Margarida Vitória

[N. Ponta Delgada, 31.3.1919 – m. Lisboa, 21.7.1996] Era filha de Aires Jácome Correia, marquês de Jácome Correia, e de Dona Joana Chaves Cymbron Borges de Sousa. Senhora de grande beleza, de enorme vitalidade, e de uma considerável fortuna familiar, relacionou-se com personalidades importantes do meio cultural português, designadamente os escritores Armando Côrtes-Rodrigues, com quem foi casada, Domingos Monteiro, Hernâni Cidade, Natália Correia e Vitorino Nemésio, tendo desempenhado ao mesmo tempo um papel de relevo na sociedade elegante portuguesa da sua época. Como empresária, foi fundadora de uma empresa de agropecuária pioneira na ilha de S. Miguel, a “Viçor”, que se dedicava ao arroteio de terras, à criação de vitelos e à produção de rações e de forragens para gado, e que acabaria por falir. A sua vida afetiva, de uma grande riqueza humana, foi recheada de acidentes por vezes dramáticos, por vezes pitorescos, frequentemente escandalosos para os padrões portugueses e sobretudo insulares da época, mas sempre fulgurantes: casou ainda muito jovem, contra a vontade paterna, com Albano de Oliveira Azevedo, filho de banqueiro e gerente de uma loja de ferragens em Ponta Delgada, ainda seu parente pelo lado materno, de quem se divorciou ao fim de dez anos; após o divórcio, a família forçou o seu internamento na clínica psiquiátrica de Prangins, perto de Génève, onde Margarida Vitória conheceu um galã egípcio, Aly Abdel Fatha El Lozy, de Damieth, com quem viria a casar e de quem teve dois filhos, acabando este casamento igualmente em divórcio ; mais tarde, casou-se com Armando Côrtes-Rodrigues, poeta do Orpheu e como ela natural de S. Miguel, de quem também se divorciaria. Durante o período em que viveu no Cairo, Margarida Vitória relacionou-se com o pintor libanês Edmond Soussa, então retratista oficial das princesas do Egipto, com o qual esteve para casar, mais tarde, em Paris, e que a retratou em trajos regionais micaelenses, tocando viola da terra. Foi através de Côrtes-Rodrigues, logo após o casamento com ele, que Margarida Vitória conheceu Vitorino Nemésio, que por ela se apaixonou, vivendo os dois uma relação amorosa de enorme intensidade que durou até à morte de Nemésio em 20 de fevereiro de 1978, e que este foi registando nos poemas que viria a reunir no livro Caderno de Caligraphia, escritos entre março de 1973 e maio de 1977, onde Margarida Vitória é a sua Marga, mas também a Macaca de Fogo, a Poldra, a Cadela, a Marquesi­nha, ou, como natural da ilha de S. Miguel, a Corisca ou a Samiguela; no auge desta extraordinária história de amor, Nemésio chegou a criar, materializando-as em cartões de visita impressos, uma «Sociedade Ludo-Imaginária MARGANÉSIO», e uma outra, «MARGA, ilimitada», dedicada a “pura ficção” e a “poesia e novela”. Encontram-se ecos desta relação na obra em que Margarida Vitória registou as suas memórias de vida – o polémico Amores da cadela pura: confissões, cujo primeiro volume foi escrito com o apoio de Vitorino Nemésio –, sobretudo no segundo volume, concluído pouco antes da morte da autora e que ainda se mantém inédito. Neste último livro encontram-se dados importantes sobre as relações afetivas de Margarida Vitória num período de decadência física e económica, tendo por fundo o conturbado ambiente político que se viveu em Portugal na sequência do 25 de abril de 1974, sobretudo na ilha de S. Miguel com o movimento independentista a que de certo modo – e romanticamente, tal como Nemésio ou Natália – ela esteve ligada. Faleceu em 1996, arruinada mas sempre bela e sedutora. Luiz Fagundes Duarte

Obra (1976), Amores da cadela pura: confissões. Lisboa, Liv. Bertrand.

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Maria do Céu

[N. Angra do Heroísmo, 13.10.1904- m. ibid., 17.10.1980] Poetisa. Professora do ensino particular, distinguiu-se pela sua obra poética, com o pseudónimo de Maria do Céu. Escreveu também pequenas peças de teatro e radiofónicas e textos para as festas da cidade. Esteve ligada às mais diversas atividades culturais de Angra e deixou numerosos artigos dispersos pelos jornais, nomeadamente A União. Foi, também, fundadora do Grupo de Baile da Canção Regional, de Angra. Carlos Enes

Obras Principais (1938), Do Meu Viver. Angra do Heroísmo, Liv. Editora Andrade. (1960), Festas Velhas- Festas Novas (Auto). Províncias de Portugal (Quadras Folclóricas). O satélite e D. Lua (Diálogo Humorístico). A Grande Surpresa (Peça radiofónica). Angra do Heroísmo, Ed. Tip. Moderna. (1977), Um episódio do Natal Terceirense que bem pode ser Verdade (peça regional radiofónica). Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, XXIX- XXXIII. (1977), Voz de Mulher, Rimas e Rosas de Milagre. Angra do Heroísmo, ed. do autor.

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)




  1. Maria de Fátima Borges

[N. Ribeira Grande, ilha de S: Miguel, 13.12.1943] Estudou no Liceu de Ponta Delgada e frequentou a Faculdade de Letras de Coimbra, mas desistiu da licenciatura seguindo uma carreira de bancária, na sua vila natal. Acabou por se licenciar em Estudos Portugueses e Ingleses na Universidade dos Açores, sendo assistente de Cultura Portuguesa no departamento de Línguas e Literaturas entre 1991 e 2001.

Tem colaborado na imprensa de Ponta Delgada, com textos literários e poemas e publicou um livro de contos, sendo um nome destacado deste género na moderna literatura açoriana. J. G. Reis Leite

Obra (1989), A Cor Cíclame e os Desertos. Lisboa, Cotovia.

(ENCICLOPÉDIA AÇORIANA)



1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal