Brilho da vida



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CAPÍTULO TRÊS

Antônio planejava tirar-lhe Lydia e levá-la para a Espanha, refletia numa dor agonizante. Como ousava dizer a ela como o bebê que amava devia ser criado?

Determinada a manter-se ocupada para não ter tempo para irritar-se, deu comida a Lydia e a colocou na cama. Arrumou a van, sua casa há mais de três anos. Abriu a caixa de casacos que tinha para bordar e começou a trabalhar nas flores intrincadas.

Como podia enfrentar Antônio, um aristocrata? Seu estilo de vida era realmente tão pobre? Tinha um teto seguro sobre a cabeça e o suficiente para comer. Tinha que admitir que a casa sobre rodas podia ser fria no inverno e as roupas nunca eram novas, mas Lydia era uma criança feliz. Como podia exigir direi­tos iguais sobre a sobrinha quando Antônio podia oferecer tão mais em termos materiais?

Norah chegou às nove da noite. Ao saber que An­tônio voltaria no dia seguinte, ofereceu-se para cui­dar de Lydia enquanto ele estivesse lá.

— Assim você vai poder conversar em paz. Onde disse que Antônio está hospedado?

— Eu não disse... o cartão está na mesa — murmu­rou Sophie, perguntando-se por que a amiga queria saber...

— Bem longe... o hotel parece luxuoso. Você de­via dar uma caminhada na praia. Isso sempre acalma. Cuido de Lydia.

— Como posso me acalmar? Antônio vai me afas­tar de Lydia — sussurrou atormentada. — Ele já to­mou a decisão.

— Você não pode ter certeza. Espere para ver o que acontece. Pode ter uma surpresa — comentou enigmática.

— Não acho. Antônio dava a impressão de estar determinado.

A senhora acariciou o braço de Sophie para acal­má-la.

Sophie caminhou na praia. A brisa transformou-lhe o cabelo numa massa desordenada. Antônio não tinha mudado nada. Não demonstrou o menor jeito para pegar Lydia, mas era muito arrogante para reco­nhecer. Na verdade, parecia não saber nada sobre crianças pequenas, uma realidade que ele estava feliz em ignorar enquanto implicava com seus defeitos! Pior ainda, Antônio tinha tanto preconceito contra ela quanto durante o último encontro na Espanha há qua­se três anos...

As memórias desse período ainda estavam frescas, e os pensamentos voltaram no tempo. O casamento da irmã tinha se tornado um sonho tanto para Sophie quanto para a noiva. Até esse dia, Antônio tinha faci­litado a estada de Sophie. A elogiara por sua aparên­cia num vestido roxo que ela secretamente detestara. Conversou com ela enquanto as fotografias eram tira­das, providenciou para que se sentasse ao lado dele na recepção, e funcionara como intérprete e tradutor para que ela pudesse se socializar com os outros con­vidados. Apresentou-a a várias pessoas, dançou com ela, e agia como se seu prazer fosse o principal obje­tivo dele.

Toda essa atenção fora uma experiência emocio­nante para Sophie, que se sentiria deslocada na com­panhia de pessoas tão educadas se não fosse pela aju­da de Antônio. Estava nas nuvens.

Belinda ficara preocupada e levara Sophie para um canto para avisá-la.

— Antônio está sendo muito gentil com você, mas não quero que fique imaginando coisas...

— Não estou imaginando nada — protestou inco­modada, perguntando-se se estava fazendo papel de tola. Afinal, estava fazendo todas aquelas coisas ridí­culas como ficar piscando os olhos para ele e sorrin­do em vez de gargalhar.

— Não há a menor chance de Antônio sentir atra­ção por você. Pablo diz que as exigências do irmão são tão altas que nem mesmo uma santa seria aprova­da — a irmã avisou, como se pedisse desculpas. — Mas Antônio é muito educado. Obviamente ficou com pena de você quando viu que estava sozinha a noite passada. Tenho certeza de que esse é o motivo pelo qual está se esforçando para que você se divirta.

— Sai fora! — disse Sophie a Antônio quando ele voltou a chamá-la para dançar. — Quando eu preci­sar de piedade, aviso.

— O que você está dizendo? — perguntou incré­dulo.

— Já soube que você está sendo gentil comigo porque ficou com pena a noite passada...

— Não, não sou tão bonzinho e altruísta. — Os olhos escuros aprisionaram os seus. Pelo espaço de trinta segundos ficou tão fora do planeta Terra quanto um míssil projetado no espaço. — Foi sua irmã quem disse isso? Notei que ela lançava olhares ansiosos. É natural que queira protegê-la.

Ao levá-la de volta para o resort, insistiu em con­duzi-la até a modesta recepção. Ao chegarem, suge­riu casualmente levá-la para jantar na noite seguinte e fazerem um tour pela parte menos movimentada da costa. Tentando responder no mesmo tom indiferen­te, aceitou e subiu o elevador como se flutuasse. Por sorte, ele não notou que ela estava tão atordoada que bateu com o nariz na porta do elevador.

Como a Cinderela sem fada madrinha para ajudar, Sophie passou o dia tentando ficar mais bonita. En­tretanto, no início da noite, o pai e a namorada briga­ram. Miriam encontrou o namorado com outra mu­lher, e teve início uma tremenda discussão. Depois de ouvir da varanda a briga que terminou com cada um indo para um lado, Sophie voltou para dentro.

Dez minutos depois, o filho adolescente de Mi­riam, Terry, apareceu. O garoto estava desesperado para encontrar a mãe e evitar que ela afogasse as má­goas na bebida. Só então Sophie soube que Miriam vinha tentando abandonar o alcoolismo. Estava en­vergonhada pelo comportamento do pai em relação à pobre mulher. Também sabia que sua consciência não permitiria que ela não ajudasse Terry a procurar a infeliz mãe.

Contar a Antônio a sórdida verdade não era uma opção. Ficou arrasada ao ligar e cancelar a saída com uma desculpa esfarrapada. Ele não fez menção a um outro encontro, e faltavam apenas 24 horas para seu vôo.

A busca nos vários bares do resort foi longa e in­frutífera. Com os pés doendo, exaustos e sem dinhei­ro para pegar um táxi, Sophie e Terry voltaram para casa pela praia a pé nas primeiras horas da manhã. O coração pulou de alegria quando Antônio saltou de um carro estacionado em frente à entrada. Disse a Terry que fosse para a cama.

— Estava com tanto medo de não voltar a ver você — confessou encantada, esquecendo que tinha alega­do doença como desculpa para não encontrá-lo.

— Você não vai voltar a me ver. — O rosto fino endureceu-se e Antônio olhou-a desdenhoso.

Surpresa, olhou-o, subitamente consciente de es­tar menos glamorosa do que de hábito.

— Mas... por que não?

— De quantos motivos precisa? Não basta fingir estar doente quando não há nada errado com você?

— Havia uma razão para isso...

— Si. Eu a vi abraçando o jovem trajando uma ca­misa Union Jack. Você estava na praia com ele — murmurou Antônio com voz sibilante, deixando o dedo casualmente esbarrar numa mancha na blusa. — Rolando na areia. Não preciso ser detetive para saber que estiveram transando ao ar livre.

Um bêbado na praia havia jogado areia molhada nela e sujado seu top branco e shorts.

— Você está enganado.

— É mesmo? Não lido com mentirosas ou tatuadas. — Antônio deu uma olhadela de desprezo para a pequena borboleta colorida tatuada no ombro antes de concluir com sucinta ferroada: — Ou com vaga­bundas.

Sophie não queria lembrar-se de que estava tão in­teressada nele que, mesmo depois disso, tentou falar com ele por telefone para provar sua inocência. Ele não atendia as ligações, mas finalmente ligou para ela.

— Pare de se preocupar com isso — avisou Antô­nio com indiferença. — Não me deve explicações. Não tinha o direito de criticar seu comportamento. Você teve um encontro, e me contou uma mentira inofensiva. Não foi nada.

Descobriu que suas boas maneiras comparavam-se a uma parede de pedra. Desejou-lhe boa viagem e desligou. Sophie demorou muito até se recuperar do desapontamento. Por mais tolo que parecesse, tinha se apaixonado num espaço de 48 horas. Quantas ve­zes depois disso desejou nunca ter posto os olhos em Antônio. Não podia sentir falta do que nunca havia conhecido. Nem ficaria comparando os homens ru­des que conheceu com o nobre espanhol.

Voltando ao presente, Sophie redescobriu sua de­terminação e esperança. Estava sendo muito pessi­mista. Não tinha tentado argumentar com Antônio. Por que ele ia querer assumir o peso de um bebê? Pelo amor de Deus! Era solteiro. Quando Lydia co­meçou a chorar, Antônio mostrou-se enervado. Tudo que tinha a fazer era convencê-lo de ser capaz de ofe­recer a Lydia um lar onde houvesse amor e seguran­ça. Talvez tivesse que encontrar uma acomodação melhor para agradá-lo, mas se ele estivesse disposto a contribuir com uma pequena quantia para o sustento de Lydia, isso seria possível. Então, quem sabe pu­dessem chegar a um acordo?

Antônio decidiu tomar o café-da-manhã no restau­rante, e não isolado na suíte. Acabava de comer quan­do o maitre aproximou-se para informar que tinha uma visita.

Uma senhora magra de cabelos grisalhos apresen­tou-se como Norah Moore.

— O senhor não me conhece, mas conheço Sophie há anos — proclamou nervosa. — Sei que é cedo, mas quis ter uma conversa particular com o senhor antes de seu encontro com Sophie.

Antônio estendeu a mão.

— Antônio Rocha. Sente-se por favor. Gostaria de beber algo? Um chá?

— Sophie disse que o senhor era muito educado... ela tinha razão. Não... obrigada — disse ansiosa. — Estou aqui porque estou preocupada com Sophie.

— Como posso ajudá-la?

— Sophie é maravilhosa para Lydia, adora a meni­na. Não deve tentar separá-las.

— Só quero o melhor para minha sobrinha — es­clareceu gentilmente.

— Sophie e sua sobrinha são tão unidas quanto qualquer mãe e filha. Além disso, a própria mãe que­ria que a irmã ficasse com a criança. Fui testemunha das palavras de Belinda. O senhor tinha conhecimen­to disso?

— Não, não tinha — confessou.

— Há uma outra coisa — continuou. — Algo que não quero dizer, mas sinto que preciso, para o bem de Sophie.

— Posso ser discreto.

— Bem, Sophie não pode ter filhos. Teve leuce­mia quando criança, e o tratamento deixou-a com se­qüelas. O senhor sabia?

— Não, não tinha conhecimento disso. — O maxi­lar contraiu-se, a palidez do choque espalhou-se pela pele bronzeada.

Sentiu-se mal com a revelação. Como ela devia ter sofrido quando criança... Também sabia o quanto Sophie odiaria que ele tivesse conhecimento de algo tão pessoal. Estava ao mesmo tempo zangado e ali­viado pela senhora ter decidido trair a confiança de Sophie. Sua ignorância sobre o quanto Sophie era vulnerável tinha feito com que agisse como um ca­nalha.

— Portanto esse bebê é muito precioso para So­phie. Ela teve uma vida desgraçada — continuava em tom acusatório. — Trabalha dia e noite, sete dias na semana tentando dar a esse bebê mais do que teve. Pode não parecer muito para os seus padrões, mas não subestime os sacrifícios que ela fez. Ela cuidou daquela irmã idiota também...

— A senhora foi bem clara, sra. Moore. Acompanhou-a até o carro e voltou para o hotel. O

que Sophie tinha dito? Eu morro se você tirá-la de mim. Tinha preferido ignorar a profundidade de sua afeição pela criança. Agora, graças à intervenção de uma estranha, era forçado a encarar a possibilidade de Sophie ser muito ligada à criança — e por bons motivos se não podia ter filhos. Estava lidando com uma situação mais complexa do que imaginara. Se a privasse de Lydia, o desespero a faria cometer uma tolice? Inspirou e expirou lenta e profundamente aceitando os fatos. Esse não era um risco que achasse razoável correr. Pela primeira vez, reconheceu que Lydia era tão sobrinha de Sophie quanto dele.

CAPÍTULO QUATRO

Naquela manhã, Sophie viu a limusine chegar. Antô­nio saltou, e Sophie só tinha olhos para aquele ho­mem alto e intimidador. Incrivelmente elegante, ves­tia um terno clássico cinza-chumbo, camisa branca e gravata de seda azul. Desviando a atenção dele, pas­sou as palmas das mãos úmidas na camiseta mais apresentável que possuía.

Estava tão nervosa que começou a falar antes de abrir completamente a porta.

— Uma amiga está tomando conta de Lydia para mim... Pensei que podíamos conversar na praia... Está um lindo dia.

Lindo? Antônio achava o céu encoberto, o vento muito forte e a temperatura mais para fria. Mas, afi­nal, o melhor clima inglês não podia competir com o calor do sol de seu país, pensou melancólico.

— Teremos mais privacidade em casa — sugeriu.

Sophie ficou tensa.

— Não quero que veja onde moro — admitiu.

Antônio levantou a sobrancelha.

Por que... por quê?

Sophie começou a percorrer o caminho que condu­zia à praia.

— Depois daquele comentário sobre pobreza, não me sentiria confortável recebendo você em minha casa. Pode não ser muito, mas gosto dela. Por que de­veria agüentar você se comportando como se eu mo­rasse numa pocilga?

— Espero não ser tão rude.

— Bem, você foi ontem. Na praia, somos iguais.

Antônio não estava vestido para a praia. Será que ela secretamente esperava que ele tivesse um faniquito quando a areia entrasse nos sapatos? Viu-a dirigir-se para a beira d'água como uma criança, cada movi­mento dotado de energia mercurial. Linda de se olhar, mas impossível de se lidar. Era imprevisível, explosiva, impulsiva, extremamente emocional: es­tava deixando-o louco. Todavia, a proposta que esta­va prestes a fazer, restauraria o status . Seria mais fácil controlá-la quando ela estivesse morando na Es­panha...

— Pensei num acordo desde que nos falamos on­tem.

— É...? — Ela ficara mais animada pelo reflexo do sol no mar e olhou-o esperançosa.

— Você pode se mudar para a Espanha.

— De jeito nenhum! — arfou desconcertada.

— Tente não me interromper. Lydia terá que mo­rar no castillo comigo, mas possuo várias proprieda­des próximas. Alojá-la não vai ser um problema, e você terá liberdade. Pode ver a criança sempre que quiser, e ela vai ter mais facilidade de adaptar-se à nova casa se você estiver lá para ajudar.

Sophie dobrou os braços bruscamente. Não podia acreditar na audácia dele.

— Então eu abro mão da minha vida aqui, mudo para o exterior e vivo de favor numa propriedade sua. Não, muito obrigada! Sou razoável, ficarei feliz em dividir Lydia com você, mas recuso-me a entregá-la sem mais nem menos. O que está planejando fazer com ela?

— Contratar profissionais especializados que pos­sam atender-lhe as necessidades.

Os olhos verdes soltaram faíscas.

— Isso diz tudo, não é? Por que não pode ser ho­nesto? Não tem o menor interesse pessoal na filha de seu irmão. Acha que é seu dever dar-lhe uma casa, mas se ressente...

— Não é verdade. — Mas havia uma certa verdade na acusação.

— Você nunca vai amar Lydia como eu a amo por­que sempre vai vê-la como um fardo.

— Está enganada — interrompeu-a exaltado.

— É claro que vai. Ela não é sua filha, e você não gosta muito de crianças... E, se você se casar, Lydia vai provavelmente ser tão desejada por sua mulher quanto um veneno de rato.

— Não tenho intenção de me casar...

A adrenalina corria em suas veias. Ela o encarou.

— Mas ela precisa de uma mãe, Antônio. Não das pessoas que você paga para lavá-la e alimentá-la.

— Não estou preparado para o casamento.

— Então nos deixe em paz e envie um cartão pos­tal de vez em quando! — avisou, a irritação aumen­tando diante da inabilidade de obter uma reação emocional dele. — Você é muito egoísta para cuidar de um bebê. Vai negligenciá-la. Vai estar muito ocupa­do com a vida profissional e seu harém de mulheres para ter tempo para ela!

Antônio puxou Sophie pelo pulso.

— Harém? — repetiu em tom debochado.

Sophie ficou vermelha de raiva.

— Pablo costumava contar a Belinda todas as suas aventuras.

— Pablo não sabia de nada. Não éramos amigos. Nunca confiei nele. Mas embora não fale de minhas conquistas, não tenho vergonha da minha vida se­xual. Você achou que eu teria? — A cabeça arrogante ergueu-se. Antônio olhou para baixo, os cílios negros escondendo parcialmente o olhar intenso e perturba­dor.

— Não dou a mínima para sua agitada vida sexual! — Sophie negou, as bochechas queimando.

— Acho que dá... — Antônio sussurrou baixinho, o timbre da voz profunda percorrendo-lhe a espinha como o aviso de um furacão. — Acho que há quase três anos fui muito cavalheiro para seu gosto...

— Cavalheiro não é a palavra que usaria para clas­sificá-lo — interrompeu-o, uma excitação que não conseguia suprimir lambendo sua pélvis e fazendo-a ficar paralisada a poucos centímetros dele. Sentia cada centímetro de seu corpo gritar, estava tonta. Tudo de que precisava era de um beijo, dizia a si mes­ma. Só um beijo para entender que loucura era essa. Estava convencida de que seria uma decepção, como tinha acontecido com os outros caras que beijara. Mas no caso de Antônio, seria uma maravilhosa de­cepção que baniria para sempre o desconforto que sentia ao lado dele.

— Seja qual for o rótulo que use, você ainda me excita, mi cielo — murmurou Antônio com voz rou­ca.

Sophie tremeu.

— Curioso ... — admitiu num sussurro, a garganta seca e apertada.

Antônio nunca tinha beijado uma mulher em pú­blico. Olhou-a, fascinado com a cor de esmeralda dos olhos esperançosos e a forma de rubi dos lábios sedu­tores. Ergueu a mão e mergulhou os dedos nos ca­chos, tomando conhecimento de que seus cabelos eram macios como seda e imaginando as ondas dou­radas e rebeldes espalhadas nos travesseiros. Perdeu o controle.

A boca tocou a sua; ela parou de respirar. Ele to­cou-lhe os lábios com a suavidade de uma borboleta e depois lentamente aumentou a pressão. Ela sentiu-se dilacerada pelo prazer e desejo incontrolável de pegá-lo com as duas mãos. Excitadíssima, encostou-se, consciente do peso dos seios por baixo da camise­ta e da sensibilidade exacerbada dos mamilos friccionando o algodão. Queria os lábios dele ali também, e o pensamento chocou-a, mas não conseguia afastar-se dele.

— Antônio ... — murmurou.

— Não quero isso... — murmurou Antônio, mas continuou.

A paixão tinha banido a moderação quando mer­gulhou a língua no interior molhado de sua boca.. Essa tática invasiva surtiu um efeito extraordinário em Sophie. O sabor dele levou-a à loucura. Uma ex-citação próxima à dor queimou como fogo. Tremeu violentamente e envolveu-lhe o pescoço com os bra­ços, beijando-o com fervor incondicional. O calor e a força do corpo forte contra suas curvas suaves dei­xou-a sem respiração.

Num movimento abrupto, Antônio afastou-se. Arfava. Por um breve segundo, Sophie sentiu-se per­dida, ainda intoxicada pela sensação. Depois, preva­leceu o sentimento de auto-preservação, e ela afastou-se, enfiando as mãos nos bolsos dos jeans e buscando por oxigênio. Ele era uma dinamite. Não queria ter descoberto isso. Mas percebia que a atração era mú­tua, o que não havia percebido antes.

O corpo parecia eletrificado, mas a mente funcio­nava. Um sentimento de triunfo enviou para os ares seu embaraço. Antônio Rocha, marquês de Salazar, podia se julgar superior a ela em todos os sentidos, mas a desejava. Oba! Uau! Ela se sentia tentada a dançar e a cantar. Através de um beijo revelador, quase três anos acreditando ter feito papel de boba na Espanha, tinham sido varridos. Antônio gostava mais de tatuagens do que gostaria de admitir.

O silêncio ressoou como numa caverna escura. Sentindo-se indecentemente convencida e enver­gonhada, Sophie refletiu que nunca tinha imaginado que um beijo pudesse ser tão volátil.

— Estávamos falando sobre sua mudança para a Espanha — lembrou-lhe Antônio, seco.

Ele parecia tão calmo que seu bom humor desapa­receu como se furado com um alfinete. Está bem, tal­vez ele só sentisse um pinguinho de atração por ela. Precisou de um enorme esforço para recuperar a con­centração.

— Espanha... não considerei essa idéia — disse num tom calmo. — Estaríamos em seu país, Lydia es­taria em sua casa, e eu não teria nenhum dinheiro. Você tomaria todas as decisões. Podia mudar de idéia facilmente e proibir-me de vê-la...

— Você teria que confiar em mim.

— Não confio — Sophie confidenciou sem hesita­ção. — Tenho muito a perder. E sei que vai se casar, o que mudaria tudo...

— Não vou me casar. Que obsessão é essa?

Sophie não se deixou impressionar. Olhou-o de esguelha. As batidas do coração aceleraram. Ele era de tirar o fôlego.

— Agora ou em cinco anos, que diferença faz? Eu continuaria impotente e nenhuma mulher permitiria que eu desse palpite na educação de Lydia. Sua mu­lher teria mais influência na educação da menina que eu...

— Por favor, Dios... Adoro minha liberdade. Não vou me casar nos próximos dez anos!

— Só quero ficar com Lydia. É tudo que quero — Sophie reforçou com dignidade. — Eu a amo... você não. Quero dizer... talvez sempre olhe para ela e se lembre de seu irmão. Não venha me dizer que ele era sua pessoa preferida!

A linha forte do maxilar estreitou-se diante dessa afirmação inflamada. Mas não era hipócrita. Quando ela virou para esconder as lágrimas que lhe queima­vam os olhos, ele a virou para encará-lo, cada movi­mento uma prova da confiança que se apossara dele.

— Venha para o meu hotel almoçar...

De súbito, sentindo-se envergonhada diante dele, sensível ao tom da voz com sotaque, Sophie ficou ru­borizada.

— Você não está pensando em comida. Antônio deu-lhe um sorriso arrasador que não ex­pressava arrependimento.

— Você é tão direta...

Ela ficou enfurecida.

— Acho que vou desapontá-lo.

— Não acho. Só como especulação, quanto me da­ria para ter Lydia todo o tempo?

— Faria qualquer coisa.

O silêncio envolveu-a como um redemoinho. Antônio a examinava sem expressão.

— Se tivesse segurança e acesso constante a Ly­dia, estaria preparada para fazer o que eu pedisse por esse privilégio?

— Tudo, exceto matar — concordou. Sua confu­são crescia. — Por que está me perguntando isso?

— Se Lydia precisa de uma mãe vinte e quatro ho­ras por dia, então preciso me casar, mas gosto da vida que levo. Esse é o problema — admitiu Antônio com uma candura que nunca demonstrara antes a uma mu­lher.

— Você não precisa de uma mulher?

— Se optasse por um casamento de conveniência, o problema estaria resolvido. Esse tipo de casamento duraria entre cinco e dez anos no máximo e termina­ria com um divórcio amigável.

Sophie prestava atenção a cada palavra.

— Por que está me contando isso?

— Acho que existe uma possibilidade de chegar­mos a um acordo interessante para ambos — murmu­rou pensativo. — A esposa que eu escolhesse teria que conhecer minha intenção. Pretendo manter mi­nha liberdade de ir e vir quando quiser e com quem quiser.

— Está falando de um casamento de aparência? — Sophie questionou. — Está sugerindo que eu e você...?

— Você ganharia Lydia e segurança financeira, e minha vida continuaria sem mudança. Esse seria o acordo.

Ela arregalou os olhos, emudecida diante da possi­bilidade de casar-se com ele.

— Acordo? Mas...

— Só me recusaria se fosse insana — afirmou An­tônio, examinando a disposição sob todos os ângulos, e cada vez mais impressionado com a própria criati­vidade.

Acreditava ser a solução quase perfeita. Mesmo assim, seria uma solução temporária e precisaria re­digir um contrato pré-nupcial para que Sophie não ti­vesse ilusões quanto à natureza da disposição. Mora­ria na casa dele, ficaria encarregada da sobrinha e a consciência dele estaria serena. Assim que soube que Sophie era estéril, julgou cruel privá-la de Lydia.

Mas só se casando com Sophie teria condições de cuidar dos interesses da criança sem ser perturbado por maiores responsabilidades.

A avó poderia ficar aborrecida porque Sophie era de origem humilde, mas era uma senhora forte e su­peraria a decepção. O resto da família e os amigos também ficariam chocados. Sempre individualista, decidiu que podia encarar isso. De qualquer jeito, lembrava-se de quantas pessoas encantaram-se com a vivacidade de Sophie ao conhecê-la na Espanha. Dona Ernesta, provavelmente, tomaria conta dela e lhe ensinaria tudo que precisava saber, e se beneficia­ria por ter acesso à filha de Pablo sem precisar se preocupar com o cuidado da criança.

Sophie encarou Antônio sem esconder a surpresa. Estava propondo casamento para que pudesse ter um lar com Lydia na Espanha. Seria um casamento de conveniência, pensou sem ar, pois não podia imagi­nar duas pessoas com menos coisas em comum. Ain­da assim, era uma resposta prática visando ao futuro de Lydia. Estava surpresa que ele quisesse casar-se com ela para o bem de Lydia e que tivesse tido a idéia tão rápido.

Dios mio! Diga que sim e vamos embora dessa praia! — exclamou impaciente.

Sophie piscou.

— Você não pode despejar algo assim e esperar...

Antônio a olhou desafiante.

— Por que não deveria esperar uma resposta posi­tiva imediatamente? Você está limpando o chão para trazer comida para a mesa. Mora numa casa com ro­das tão lastimável que nem me deixa vê-la... Eu lhe ofereci um bilhete para fugir do inferno.

Sophie enrubesceu.

— Não é assim tão simples... isso não é o inferno...

Na brisa fresca, Antônio teve um arrepio. Estava morrendo de frio. Olhou para o mar cinzento num céu cinzento e para o cascalho sob os pés.

— Dentro de meu ponto de vista é...

— Mas você é rico e mimado...

— Você também não gostaria de ser rica e mimada? — perguntou suave, colocando-lhe a mão nas costas para gentilmente fazer com que ela se voltasse.

— Não posso me imaginar rica... mas acho que gostaria de ser mimada — confessou Sophie. — Isso é uma brincadeira ou está falando sério?

— Se puder aceitar um casamento com prazo e um marido sem compromissos, estou falando sério.

Um marido sem compromissos era uma contradi­ção, Sophie refletiu abstratamente. A cabeça borbulhava com muitos pensamentos de uma só vez. Esta­va atônita, assustada, excitada, desconfiada e confusa ao mesmo tempo. Mas não tinha exagerado ao dizer que faria qualquer coisa para ficar com Lydia.

Casar-se com Antônio? Aprender a ser uma esposa discreta? Fazer vista grossa às infidelidades? Sabia que isso era errado e contra seus princípios. Mas então lembrou-se que Antônio não propunha um ca­samento normal. Não podia aplicar seus padrões mo­rais a um arranjo ao qual tinha se referido como "negócio". Um negócio calculado para causar o mínimo de interferência na vida agitada dele. Mas como po­dia culpá-lo? Sua falta de interesse em ser um pai para Lydia era a única razão pela qual Sophie podia continuar a ocupar o papel de mãe.

— Você tem até hoje a noite para decidir. Manda­rei a limusine pegá-la para jantar comigo no hotel. — Chegando à calçada, fez sinal ao motorista indicando estar pronto para partir.

Sophie não parou de pensar naqueles poucos mi­nutos na praia em que Antônio lhe dedicara total atenção. Aquele beijo tinha virado seu mundo de per­nas para o ar. Agora os espetaculares olhos escuros estavam novamente frios e distantes. A indiferença foi como uma bofetada, uma rejeição e a confirma­ção de que o beijo não tinha sido especial para ele. Em contrapartida, estava cônscia de que para ela o beijo tinha sido algo sério. Só em pensar sentia-se ex­citada.

— A que horas? — perguntou mostrando-se tão fria quanto ele.

— Às oito.

— Não tenho nenhuma roupa decente para vestir— avisou.

— Não tem problema. Vamos jantar na minha suíte.

Sophie entendeu a mensagem. Se não se apresen­tasse com uma imagem que ele julgasse aceitável, não seria vista em público. Ou estava sendo sensível demais? Até mesmo injusta? Afinal, Lydia iria com ela e, se tivesse sono, a suíte seria mais tranqüila que um restaurante. Viu-o sorrir, entrar na vistosa limusi­ne e partir. Era o tipo de sorriso que teria dado a qual­quer um. Precisava de um sorriso especialmente para ela.

Nessa noite, com apenas meia hora de atraso — o que era um tempo razoável para seus padrões — esta­va no elevador que a levaria para a suíte de Antônio. Tinha Lydia encaixada nos quadris.

— Agora se lembre... sorria. Você tem que con­quistar Antônio — instruiu o bebê que a olhava con­fiante. — Ele é sensível a gritos, então você precisa afugentar o medo. Se chorar de novo, vai evitar você como uma praga... entendeu?

Um homem de meia-idade, vestido como um gar­çom, convidou-as a entrar.

— Antônio está? — perguntou nervosa e o homem respondeu, no que devia ser espanhol, com um sacu­dir de cabeça como se pedisse desculpas.

Ela parou no centro de uma sala de espera fabulo­sa e balançou a cabeça quando lhe indicaram um sofá e lhe ofereceram um drinque. Uma porta de comuni­cação abriu-se e Antônio apareceu. Alívio e tensão tomaram conta dela.

— Pensei que você tivesse saído.

Antônio demonstrou surpresa ao ver o bebê, e con­centrou a atenção em Sophie. Numa jaqueta barata com capuz forrado de pele e calças pretas enfeitadas com vários fechos, ela parecia muito jovem. Seu sor­riso vivaz iluminou o rosto em formato de coração e, por um segundo, ele se esqueceu do que tinha a dizer, e simplesmente ficou olhando.

— Desculpe por não estar disponível quando che­gou — respondeu, recobrando-se. — Estava no tele­fone. Maureo lhe ofereceu um drinque?

— Não quis nada. Gentil de sua parte não falar nada sobre meu atraso.

— Respeito a pontualidade.

— Vamos ter problemas — respondeu com seu usual bom humor. — Eu tento chegar no horário, mas as coisas tendem a me segurar. Sempre que vou a al­gum lugar, estou sempre brigando com o relógio...

— Uma melhor organização ajudaria.

Sophie se perguntou se ele tinha idéia da dificulda­de de arrumar um neném.

— Maureo gostaria de pegar seu casaco — expli­cou quando o homem se aproximou.

— Quer segurar Lydia? — perguntou Sophie des­contraída, ignorando a tensão e aproximando-se para colocar a sobrinha no colo dele. — Sorria e fale com ela... ela adora gente.

Antônio ficou surpreso com o pouco peso de Ly­dia. Não se lembrava de ter jamais olhado de perto um bebê. Com seus cachos macios, pele clara e gran­des olhos castanhos, ela era bem bonita, reconheceu surpreso. Não encontrava semelhança com Pablo. O celular tocou. O bebê sacudiu-se soltando um gritinho de medo. Antônio apressadamente devolveu o bebê aos braços de Sophie.

Perdón... — Atendeu a ligação.

Sophie acariciou Lydia e interpretou os gestos de Maureo como sendo para sentar-se à mesa perto da janela. Antônio falava numa língua estrangeira, mo­vendo as mãos para enfatizar certos pontos com uma segurança irresistível. Os traços finos demonstravam concentração. Algum dia, pensou, quero que ele olhe para mim assim. Como se eu fosse importante e inte­ressante. Chocada com tamanha aspiração, surgida do nada, congelou. Envergonhada, limpou a mente e recusou-se a pensar nisso de novo. Ia casar-se com Antônio porque esse era o preço para manter Lydia. Essa era a única razão para casar-se com ele. Só uma perfeita idiota alimentaria idéias românticas sobre um cara que queria ser independente.

Maureo reapareceu trazendo uma cadeirinha de comer para Lydia. Agradecendo-o efusivamente, prendeu a sobrinha e colocou alguns brinquedos para que ela se mantivesse ocupada.

— Você é um cara muito ocupado — comentou quando Antônio sentou-se à sua frente e o primeiro prato foi servido.

— Sempre.

— Bem, como previu, estou pronta a dizer sim ao negócio. Mas tenho umas condições a impor — disse quando abriu a vasilha que trouxera, colocou alguns pedacinhos de comida e ofereceu-os a Lydia.

— Condições?

— Quero uma cerimônia de casamento — adiantou Sophie pouco à vontade. — Nada luxuoso, só nós, as testemunhas, um vestido e umas fotos para fingir que somos um casal de verdade. Não quero que Lydia sai­ba que é um negócio e não um casamento normal.

— Mas ela só tem seis meses.

— Mas vai ficar mais velha. Não quero que saiba que tive que me casar com você por causa dela, por­que isso pode fazê-la sentir-se culpada...

— E por que se sentiria assim?

— Eu me lembro da sensação de saber que era um peso para os adultos que tomavam conta de mim. — Sophie colocou uma mamadeira na cadeirinha. — Então, o que acha?

Antônio reconheceu não ter pensado sob todos os ângulos. Não tinha planos de anunciar que estava fa­zendo um casamento de conveniência. Em conse­qüência, não tinha outra escolha a não ser agir dentro da normalidade. As aparências pouco lhe importa­vam, mas para grande parte da família as aparências eram tudo.

— Concordo, mas gostaria de um casamento dis­creto. Quais são as outras condições?

Sophie mordeu os lábios antes de responder.

— Só uma... você vai prometer tentar ser um pai para Lydia.

Antônio jogou a cabeça arrogante para trás e olhou-a indignado.

— Quem é você para me falar sobre isso? Sophie estava muito pálida, mas insistiu.

— Isso é só um negócio para você. Já deixou cla­ro. Mas provavelmente vai ser o único pai que Lydia vai ter.

— O negócio é entre nós dois apenas. A posição de minha sobrinha na minha vida é inatacável — disse com clareza. — Naturalmente vou fazer o possível para agir como um pai.

O prato principal chegou enquanto reinava um silêncio tenso.

— Você me ofendeu — disse Antônio quando Maureo saiu.

Vendo Antônio contrariado diante de Lydia choramingando de cansaço, Sophie perguntou-se quando começariam os esforços para agir como pai.

— Também tenho certas condições — afirmou Antônio. — Antes do casamento, você precisa assinar um pacto pré-nupcial.

Sophie deu uma gargalhada.

— Como uma artista de Hollywood? — perguntou visivelmente excitada. — Você é assim tão rico? Que loucura!

— O pacto especificará acordos financeiros e...

— Tá, tá, tá... Temos que discutir isso agora? — Colocando Lydia no colo para acalmá-la, Sophie co­meu com um garfo na outra mão, inconsciente da sur­presa de Antônio com sua destreza. Viu os olhinhos da sobrinha fecharem contentes, e ficou encantado com o impressionante controle de Sophie sobre um bebê que considerava tão explosivo como dinamite. Congratulou-se pela sábia decisão. Sophie valia mais que cinco babás.

— Pode deixar todas as discussões sobre os termos pré-nupciais para os advogados.

— Não tenho nenhum...

— Precisa contratar um para ajudá-la.

Sophie não ouvia. Seu olhar cruzou a mesa até An­tônio, encantada com a incrível simetria do rosto bronzeado. Seus olhos assumiram um ar sonhador.

— O que quer que eu vista para o casamento? — perguntou meiga.

— Não pretendo ser rude — confidenciou cautelo­so —, mas por que deveria ter uma opinião sobre o que deve vestir?

A bolha mental, na qual Sophie flutuava em seu mundo da fantasia, explodiu causando dor e humilha­ção. Seu rosto ficou rosado.

— Você fica corada como uma menina de colégio — debochou.

— Não diga! — respondeu e afastou o prato, pois perdera o apetite.

Sophie estava zangada consigo mesma por ser tão tola. Se Antônio decidira que precisava fazê-la en­carar a realidade, não podia culpá-lo. Afinal, por que estaria interessado no que ela vestiria para o casamento? Por que tinha feito uma pergunta tão es­túpida?

— Então, além do que já foi combinado, quais são as regras do negócio? — inquiriu Sophie.

— Respeito mútuo e consideração, querida. — Antônio fez sinal para Maureo encher as taças de vi­nho.

Sophie interpretou seu objetivo sem dificuldade. No fundo de seu ser compreendeu as expectativas tão claramente como se ele as tivesse expressado: deve­ria respeitá-lo e tentar atender-lhe todos desejos, ra­zoáveis ou não. Ele era nobre, rico e bem-sucedido enquanto ela era pobre, filha ilegítima e vivia numa casa com rodas. Igualdade não estava em questão, diante de tamanhas diferenças. Antônio exalava o or­gulho benevolente de um macho convencido de estar fazendo um sacrifício generoso pelo qual ela deveria ser eternamente grata.

Sophie beijou a cabeça de Lydia. Era orgulhosa, mas tinha que ser mais ajuizada e menos sensível. Se Antônio assegurasse a ela e a Lydia uma casa confor­tável e um futuro seguro, merecia sua gratidão.





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