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C
ÍNDICE GERAL de APROFUNDAMENTOS..


Aprofundamentos sobre o … pORQUE É QUE OS SacerdotES não sE poDEM CASAr ?, oNDe EstÁ Escrito ?...

ASAr Ou NÃO CASAr ?

VoÇÊS, QUE coIsa PENSAIS ?

O matrimÓnio TEM O MESMO VALOR DA VIDA religiosa ?

A tal pergunta o meu paizinho espiritual, que é veloz como um relâmpago chispante (cfr Lc 17,24; Eclo 43,13b), um belo dia assim respondeu: “ Que Ninguém se desencoraje, porque no Evangelho há lugar para todos !, quem pode vivê-lo a 30, quem a 60 e quem a 100 % ” (cfr Mc 4,13-20). Naturalmente é também claro, que os dois estilos de vida não estão ao mesmo nível, dado que está claramente escrito: “Quem se casa faz bem e quem não se casa faz melhor ! ” (cfr 1Cor 7,38).



Fazendo a permessa porém, como diz o CIC, que « ambos, (ou seja) o sacramento do Matrimónio e a virgindade para o Reino de Deus, provêem do Senhor »1, tentamos então elaborar um breve excursus sobre o argumento, movendo-nos – como diz com frequência Frei Volantino – sobre os dois maciços binários da Escritura e do Magisterio2. O nosso excursus, começando do Evangelho, prosseguirá com a primeira pregação apostólica, seguida da época dos Santos Padres, aproando-se depois na idade moderna com o Concílio de Trento, e enfim chegaremos à idade contemporânea com o Concílio Ecuménico Vaticano II° e com o Papa Bento XVI° ! Porém parece-me oportuno iniciar o caminho à luz do Concílio Ecumenico Vaticano II°, o qual – rico de uma sabedoria Teológico-eclesiástica bimilenária – assim aferma: « Os alunos (seminaristas) tenham um conveniente conhecimento dos deveres e da dignidade do matrimónio cristão, que representa a união de Cristo com a Igreja (cfr Ef 5, 22-23); mas sobretudo saibam compreender a superioridade da virgindade consagrada a Cristo, em modo de fazer a Deus a doação completa do corpo e da alma »3.
O primado da castidade perfeita consagrada ao serviço de Deus foi-nos confiada por Jesus. De facto, o Evangelho segundo Mateus refere-nos que depois que Jesus expôs as gravíssimas obrigações do matrimónio, os discípulos assim exclamaram: « Se esta é a condição do homem em respeito à mulher, não convém casar-se » ( Mt 19, 10 ). E Jesus respondeu-lhes: « Nem todos o podem compreender, mas só aqueles a quem foi concedido. Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; há alguns que foram feitos eunucos pelos homens; e há outros que se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode compreender, compreenda » ( Mt 19, 11-12 ). É claro que – como nos dizem as anotações exegéticas do Texto da Conferência Episcopal Italiana – nesta passagem Jesus convida à continência perpétua aqueles que querem consagrar-se totalmente – a 100% - a Ele. Para além disso, o principal valor da total consagração pelo Reino dos Céus se entrevede também nas seguintes palavras de Jesus: « Os filhos deste mundo tomam mulher ou marido; mas aqueles que são considerados dignos do outro mundo e da ressurreição dos mortos, não tomam nem mulher nem marido; e nem sequer podem morrer, porque são iguais aos anjos e, sendo filhos da ressurreição, são filhos de Deus » ( Lc 20, 34-36 ).
Porém, si deve dizer também que é importante conservar toda a dignidade do sacramento do matrimónio, mas se deve dizer ainda que, se é Deus que o pede, tem mais valor o não casar-se por Deus que o matrimónio, porque assim se pode dedicar todo o próprio tempo a Ele em corpo e alma, como o fez Jesus, dado que como diz a Sagrada Escritura, quem se casa se encontra dividido entre Deus e a mulher [ou o marido], podendo assim dar no máximo só 50 % do tempo... como explica claramente o Apóstolo das gentes quando por volta da primeira metade do primeiro século d.C. assim escreveu aos Coríntios: « Eu gostaria de ver-vos sem preocupações: quem não é casado preocupa-se das coisas do Senhor, como possa agradar ao Senhor; quem em vez disso é casado preocupa-se das coisas do mundo, como possa agradar à mulher, e se encontra dividido !... Digo isto para o vosso bem, não para lançar-vos um laço, mas para endireitar-vos àquilo que é digno e vos tem unidos ao Senhor sem distracções » (1Cor 7, 32- 35).
Papa Pio XII°, interpretando as acima ditas palavras de São Paulo, assim disse: « Eis a finalidade primordial e a razão principal da virgindade cristã: encaminhar-se apenas para as coisas de Deus e orientar, para ele só, o espírito e o coração; querer agradar a Deus em tudo; concentrar nele o pensamento e consagrar-lhe inteiramente o corpo e a alma. Nunca deixaram os santos padres de interpretar desse modo a lição de Jesus Cristo e a doutrina do apóstolo das gentes: pois, desde os primitivos tempos da Igreja, consideravam a virgindade como consagração do corpo e da alma a Deus »4.

Sucessivamente os santos padres – como Cipriano, Atanásio, mas sobretudo Ambrósio, Jerônimo, João Crisóstomo, Agostinho e outros – celebraram nas suas obras a superioridade da virgindade consagrada a Cristo, sobre o matrimónio, com altíssimos elogios.


São Cipriano ( 210 - † 258 ) escrevia do seguinte modo às dóceis virgens: « Até que persevereis castas e virgens, sois iguais aos anjos de Deus »5.
Santo Ambrósio ( 339 - † 397 ), doutor da Igreja, com um olhar Cristocêntrico e escatológico [isto é, enquanto pensava às coisas do fim], àqueles que lhe perguntavam porque é que tantos cristãos não se casavam, assim respondia: « A vida é breve e vale mais proclamar o regresso de Cristo com o ser virgens ou celibatários pelo reino dos céus, que casar-se e gerar filhos ! »6.
São Jerônimo ( 347 - † 420 ), doutor da Igreja, o qual traduziu a Bíblia em latim ( a assim chamada Vulgata ), assim escreve: « Alguns me reprovam de ter... excessivamente louvado a virgindade e ter diminuído demasiado o matrimónio. E acrescentam que ter tanto erguido a virgindade e assim fortemente sublinhado a distância.. significa em qualquer modo condenar o matrimónio. Se bem me recordo, a controvérsia entre mim e Gioviniano estava neste termos: ele metia no mesmo plano virgindade e matrimónio, eu em vez disso julgava este último inferior; ele via entre os dois estados uma diferença levíssima, ou mesmo inexistente, enquanto eu a achava grandíssima. Gioviniano, por fim, foi condenado por ter dado igual valor ao matrimónio e à castidade perpétua. ... Não existe portanto uma posição intermédia: ou se segue a minha opinião ou aquela de Gioviniano. Se me acusam de reter a virgindade superior ao matrimónio, se deve aprovar quem a pensava de outro modo, mas, porque quem a pensava de outro modo foi condenado, aquela condenação significa aprovação da minha tese.

Não me maravilha que os homens do mundo se indignem por serem postos num plano inferior àquele das virgens, mas impressiona-me que clérigos, monges e aqueles que praticam a continência não se sintam de louvar o seu estado ! Não sou assim tanto inexperiente na Sagrada Escritura, nem nas primeiras armas do seu estudo, ao ponto de não saber falar da virgindade e do matrimónio sem me afastar da verdade. ... “Eu não condeno o matrimónio...”. Sei que numa grande casa não existem só vasos de ouro e de prata, mas também de lenho e de barro, e que sobre os fundamentos de Cristo... alguns constroem com ouro, prata e pedras preciosas, e outros em vez disso com feno, lenha e palha; sei que o matrimónio é digno de honra e que o leito nupcial deve ser imaculado; conheço o que Deus ao princípio comandou: “Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei toda a terra” (Gn 1, 28), mas mesmo aprovando o matrimónio, prefiro a virgindade... A prata não é mais prata só porque é menos preciosa do ouro …

Quem fala deste modo, condena de algum modo o matrimónio ? Comparei a virgindade ao ouro e o matrimónio à prata: Expliquei que o fruto dos grãos de trigo – parte dos quais produz cem, parte sessenta, parte trinta (cfr Mt 13, 8) – nasce da mesmíssima terra, gerado da mesmíssima semente, mesmo que em notável desproporção numérica. Pode existir um leitor de tal modo injusto de condenar-me não por quanto escrevi, mas me base aos seus preconceitos ? Cristo, virgem, Maria, virgem, consagraram o estado virginal para ambos os sexos. ... Porquê iludirmo-nos ? Imersos como somos nos prazeres carnais, porquê irritarmo-nos se nos vem negada a recompensa da castidade ? Pretendemos de reinar com Cristo Jesus ... sem que nos destacamos dos prazeres da vida conjugal ? »7.
São João Crisóstomo ( 349 - † 407 ), doutor da Igreja, em modo solene exorta à virgindade consagrada a Deus, e assim escreve: « ... sou convicto que a virgindade é muito mais valiosa que o matrimónio, mas não por isto considero o matrimónio uma coisa má: ao contrário, o louvo muito. [...] O matrimónio é uma bela coisa ? Então a virgindade é uma coisa extraordinária porque é superior a uma coisa que é já bela; e lhe é superior na medida em que o piloto é superior aos marinheiros, ou o general é superior aos soldados. Mas como, no caso do barco, se se eliminam os remadores se faz afundar a embarcação, e como na guerra se se afastam os soldados se entrega o general prisioneiro ao inimigo, assim também no caso que estamos a tratar, se se priva o matrimónio do seu posto elevado se trai a glória da virgindade fazendo-a cair ao nível mais baixo. A virgindade é bela ? Sou também eu de acordo. É superior ao matrimónio ? Admito também isto. Se querce, para dar uma ideia da medida da sua superioridade, posso citar como exemplo a superioridade do céu sobre a terra, ou aquela dos anjos sobre os homens; se então me devesse exprimir num modo ainda mais ousado, direi que se trata de uma superioridade ainda maior ... »8.
Santo Agostinho ( 354 - † 430 ), notável Bispo de Hipona e doutor da Igreja, para além de sublinhar que a virgindade consagrada é mais excelente que o matrimónio, assim escreve: « Virgens e continentes são as primícias da Igreja [...]. O celibato é o sacrifício mais perfeito, é um dom feito por Deus >> 9.
Continuando o nosso excursus chegamos agora aos inícios da idade moderna, onde o solene Concílio de Trento assim afirmou: « Se alguém disser que o estado conjugal é da preferir à virgindade ou ao celibato e que não é coisa melhor e mais bem-aventurada permanecer na virgindade e no celibato que unir-se em matrimónio, seja anatema ! » 10.
Chegamos a 1954, e exactamente quando Papa Pio XII°, na Encíclica Sacra virginitas assim declara: « A doutrina que estabelece […] a superioridade da virgindade e do celibato em relação ao matrimónio ... foi solenemente definida dogma de fé no Concílio Tridentino e sempre unanimemente ensinada pelos santos padres e doutores da Igreja » 11.
Aportamos agora ao Sagrado Sínodo reunido no Concílio Ecuménico Vaticano II°, o qual – como precedentemente já foi dito – no Decreto sobre a formação sacerdotal assim afirma: « Os alunos (seminaristas) tenham um conveniente conhecimento dos deveres e da dignidade do matrimónio cristão, que representa a união de Cristo com a Igreja (cfr Ef 5, 22-23); mas sobretudo saibam compreender a superioridade da virgindade consagrada a Cristo, em modo de fazer a Deus a doação completa do corpo e da alma »12.
Enfim, recordamos as sábias palavras do Papa Bento XVI°, o qual – quando ainda era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé – assim chegou a afirmar: « Sem a virgindade ... a Igreja já não é Igreja, [e] se aplana na história »13.
Muito bem, de quanto acima reportado compreendemos, sem por isto diminuir a dignidade do matrimónio, que se com maior segurança à perfeição evangélica queremos chegar e com o Senhor – à Grande (cfr Mt 5, 19b) – queremos reinar (cfr Mt 19, 27-28) todo o nosso tempo a Ele devemos consagrar !, em alma e corpo – como Jesus e Maria !.

Certamente, depois de tudo isto, alguém – distraidamente – assim poderia responder, e tantos o fazem :


Beh !.. NÃO é QUE PODEMOS FAZER-NOS TODOS FRADES OU FREIRAS ?,

senÃo, Se nINGUÉM SE CASA, QUEM continuará a FAzeR FILHOS ? ”

E ainda a tal pergunta, assim S. Jerônimo responde ( e conclui ) :

O matrimÓnio poVoa

O mUndo,
O celibato POVOA

O ParaÍso ! 14 Amén!!!

[Meditação de Frei G.M.G. – J., com Int. de Frei V.V. di G. e M., e etc.]




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1 CCC 1620.

2 Cfr Concílio Ecum. Vaticano II°, Constituição Dogm. Dei Verbum, 18 Novembro 1965, n. 10.

3 Concílio Ecuménico Vaticano II, Decreto Optatam totius sobre a formação Sacerdotal, 28 Outubro 1965, n. 10.

4 Papa Pio XII°, Carta Encíclica Sacra Virginitas, 25 Março 1954, capítulo 1.

5 S. CYPRIANUS, De habitu virginum, 22: PL 4, 462; cf. S. AMBROSIUS, De virginibus, lib. I. c. 8. n. 52: PL 16, 202.

6 Cfr in Michel Lemonnier, Storia della Chiesa Ediz. Isg. 1981, Pág. 149

7 Carta XLIX a Pammachio, em Jerônimo, As cartas, cit., I, pp. 357-361

8 São João Crisóstomo, A virgindade, cc. IX-X.

9 No Missalinho Sulla tua Parola, Shalom 2007, p. 32.

10 Concílio de Trento, Sessão XXIV°, Can. 10, 755 – 11 Novembro 1563.

11 Papa Pio XII°, Carta Encíclica Sacra Virginitas, 25 Março 1954, capítulo II.

12 Concílio Ecuménico Vaticano II°, Decreto Optatam totius sobre a formação Sacerdotal, 28 Outubro 1965, n. 10.

13 J. Ratzinger , in Raporto sobre a fé de V. Messori.

14 São Jerônimo, Carta contra Gioviniano.


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