C primeira Fase de Fromação do Português



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Encontro04.08.2016
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C) Primeira Fase de Fromação do Português
Denominamos Romanização a expansão do Império de Roma a outras regiões que ao serem conquistadas assumem a língua, a cultura, os costumes e o sistema administrativo de Roma, isto é, o processo de conquista dos territórios já com culturas anteriores que se misturam com a de Roma exercendo processos de substrato ou superstrato. A Romanização nada mais é do que a primeira fase de formação do português – que data do século II a.C ao século III d.C . Os primeiros centros de romanização se dividiam em dois: um no ocidente, ao Sul da Península, chamado de Hispânia Ulterior (englobando a Andaluzia); e outro no oriente, mais próximo de Roma, chamado Hispânia Citerior (englobando a província do oriente de Gibraltar e as comarcas costeiras do Mediterrâneo).

Ambos centros de romanização possuíam características distintas e contrastivas; por exemplo, a Hispânia Ulterior era mais culta e literária, a povoação era citadina, mais rica e de civilização elevada; enquanto a Hispânia Citerior havia mais centros militares e colônias agrícolas, e, por estar mais próximo à Roma, o latim vulgar era constantemente falado pelo povo que habitava essas redondezas. Durante os processos de conquistas, esses centros foram alargando-se e incorporando mais territórios como, por exemplo, o ocidente da península, Portugal e a parte ocidental da Espanha de hoje faziam parte da Hispânia Ulterior, enquanto a Tarragona e Cartagena incorporando Aragão e a meseta castelhana formam a Hispânia Citerior.

Além dos traços territoriais que definem os centros administrativos e os processos de conquista, explicitados a partir de uma análise da História Externa da língua, ainda há estudos internos e lingüísticos que ocorrem nessa época, como base do início das mudanças lingüísticas, início de um processo longo e evolutivo de transformação do latim e da língua portuguesa. Levando em conta o contexto da Hispânia Ulterior e Citerior, podemos fazer uma análise do léxico, fonética e sintaxe em que, na primeira, assume uma posição conservadora, remetendo às tradições e sem poucas transformações, porém a segunda é mais inovadora, mais suscetível à mudanças e isso se explica, dentre outros motivos, a predominância do latim vulgar entre os povos que utilizam a língua, cultura, etc.

Os contrastes hoje representados pelas oposições entre Catalão (Hispânia Citerior), Castelhano( Área Central) e Português (Hispânia Ulterior) fazem parte dessa primeira fase de formação do português, da romanização. serão analisados 4 aspectos lingüísticos formais que tiveram sua origem nessa ambientação das conquistas romanas. O primeiro diz respeito ao grupo consonântico latino “mb” em que no Português assume uma posição conservadora tendo o “mb” sem alterações ou variações. Exemplo: ambos, pomba, chumbo. Já na área central, no castelhano, há uma vacilação, ou seja, a mudança e a conservação coexistem, pois em alguns casos, o “mb” continua como “mb”, por exemplo: ambos, cambiar; e em outros casos, ocorre uma simplificação do “mb” em apenas “m”, como em: plomo, paloma. Por fim, o Catalão, na Hispânia Citerior, onde se encontra maior predominância de inovações, ocorre apenas a simplificação e o “mb” se transforma em “m”, como em: camio, paloma.



Num quadro geográfico semelhante ao do grupo “mb” integra-se o da pronúncia do “-u” e “-o” finais do Latim. Nos dialetos mais conservadores como Portugal, Galiza, Espanha Ocidental e Áustrias (Hispânia Ulterior) conservam-se, além do “mb”, a pronúncia “-u” no final das palavras, como por exemplo: porto, pouco. Entretanto, nas outras regiões da Península, principalmente centrais, onde fala-se o castelhano, essa vogal final é “-o”, como deu origem ao Espanhol de hoje: puerto, poco, duermo. ainda há aqueles casos afetados por tendências regionais ou vulgares, configurando-se traços inovadores de variações lingüísticas, como no Catalão, em que a pronúncia “-u” ou “-o” desaparece nos tempos posteriores, como em port [0].

Em relação aos ditongos “au”, “ei” e “ai” do latim vulgar, a área Central e a Hispânia Citerior, ou seja, o Castelhano e o Catalão vão transformar-se em uma monotongação, ou seja, no primeiro, o “au” vira “o” como em auru > oro e paucu > poço e o “ei” e “ai” viram “e” como em ferrairo > ferreiro e janairo > enero. Em Catalão, algo parecido vai acontecer, pois os ditongos sofrem também monotongação, porém há o acréscimo da pronúncia nula no final de palavras em “-u” e “-o”, como já foi mencionado anteriormente; então, como exemplos temos: auru > or, paucu > poc e ferrairo > ferrer. Na Hispânia Ulterior, de onde o Português se origina, assume ainda um caráter conservador, logo, há uma conservação do ditongo com assimilação, exemplo: auru > ouro, paucu > pouco e ferrairo > ferreiro



Por fim, apesar de o Castelhano, no geral, ter uma postura inovadora e se assemelhar nesses processos de evolução com o Catalão, ainda há indícios de que o caráter conservador do Castelhano, do Espanhol, possa se assemelhar ao caráter conservador da construção do Português. Vejamso como exemplo, o tratamento do “-e” final. Enquanto no Catalão há a queda desse “–e” (ex.: pont, mort – muert), o Espanhol se junta dessa vez como o Português deixando cair o “-e” apenas depois de certas dentais (pan, perdiz) e só distingue-se do Português na palavra “verdad > verdade”. Tal aspecto baseia-se na participação do Castelhano na corrente da Hispânia Ulterior.

A primeira fase de formação do Português é marcada pela posição conservadora das estruturas da língua em oposição ao caráter progressivo do Catalão e do “meio-termo” do Castelhano. No entanto, isso não significa que não houve evolução no português. Deve-se levar em consideração o destino histórico da Lusitânia e sua incorporação na Hispânia Ulterior.E, apesar de serem processos tão diferentes de variações lingüísticas, jamais se deve esquecer de que tanto o Português, quanto o Espanhol e o Catalão ainda vão, posteriormente, construir uma história evolutiva interna e externa a partir das causas e descendências de uma mesma corrente de romanização.


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