Caçada ao Saci Justificativa



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Encontro02.08.2016
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Caçada ao Saci

Justificativa

Apesar de todo avanço tecnológico as superstições e os mitos, tão antigos, ainda têm lugar no mundo contemporâneo. Os mitos e monstros proliferam, tornando-se familiares, convivendo conosco nos cinemas, parques de diversão, na televisão, nos livros, brinquedos, jogos eletrônicos, enfim, invadindo o imaginário humano e alimentando-o.

Trabalhar com as histórias infantis atendem à necessidade infantil de fantasia. E pela mitologia brasileira é possível dar vazão a essa fantasia, pois ela é repleta de seres curiosos, exóticos, misteriosos, medrosos, assustadores, enfim, personagens e histórias que provocam o imaginário do adulto que, um dia criança, conheceu-os e jamais os esqueceram. O imaginário infantil, por excelência, é o mais repleto dessa fantasia, pois esta compõe o seu desenvolvimento.

O Saci Pererê é um personagem que carrega consigo muitas características que o aproxima das crianças. Ele é levado, brincalhão, curioso, esperto, inteligente, e, acima de tudo, poderoso. As histórias que permeiam sua criação – desde seu nascimento até sua morte – são envolventes e extraordinárias. Por isso é tão difícil acreditar que ele não existe. Mais fácil deixar-se levar pela fantasia e pelo imaginário, pois são alimentos da alma.

Por estas razões e por ser o Saci Pererê um dos personagens que Monteiro Lobato “adotou” em suas histórias, abrimos a Semana do Livro Infantil 2012 com uma caçada dedicada à fantasia infantil. Desde então, todos os anos temos novas temporadas de Caçada ao Saci.

O Projeto é uma contação de história que acontece no Parque do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora/MG, à noite, com todas as luzes apagadas.

Quarenta e quatro crianças, inscritas previamente, acompanhadas de um responsável, participam da história, de lanterna nas mãos, interagindo com a contadora “sacióloga”, Margareth Marinho, acompanhando-a numa caminhada pelo parque.

As crianças vão encontrando pistas pelo caminho até entrarem no “território do Saci”, quando, atrás das moitas de bambus o personagem aparece dando gargalhadas, fazendo os caçadores darem voltas atrás dele, sem nunca conseguirem pegá-lo.

Que outra leitura poderia ser tão prazerosa que esta de sair de seu lugar comum, colocar mochila nas costas, lupa nas mãos e asas à imaginação?
Objetivos
- Incentivar a leitura por prazer.

- Dar materialidade ao texto escrito, especialmente à história do Saci Pererê descrita por Monteiro Lobato.

- Oportunizar a criança a experiência de vivenciar o que se lê.

- Resgatar e difundir, através da contação de histórias, os mitos e as lendas da nossa cultura popular.

- Trabalhar o imaginário literário tão importante e impactante na formação da criança e do adulto.

- Possibilitar a ampliação do universo cultural.

- Promover a imaginação criativa e a significação individualizada.

- Sensibilizar a criança para o respeito à natureza.



Público alvo: crianças de 6 a 11 anos.

Local: Parque do Museu Mariano Procópio
Metodologia

O Projeto “Caçada ao Saci” foi idealizado e organizado por mim, Margareth Marinho, que sou professora e trabalho criando projetos de incentivo à leitura na Biblioteca Municipal Murilo Mendes.

A ideia surgiu em abril de 2012 como atividade de abertura da Semana do Livro Infantil, realizada pela Biblioteca, em homenagem a Monteiro Lobato. Como melhor opção para se ver o Saci pensei em um parque com mata e logo conversei com a direção do Museu Mariano Procópio que possui um belíssimo parque com um lago e um bosque, território perfeito para se caçar o Saci.

O primeiro passo é a divulgação do evento através da internet, redes sociais, jornais, rádio e mídia espontânea divulgando o período de inscrições.

No ato da inscrição o responsável pela criança preenche um cadastro e recebe o regulamento da caçada que deverá ser lido e respeitado. As inscrições são feitas por telefone ou pessoalmente, e o regulamento é passado por e-mail.

Atividade:

A caçada tem início às 19 horas, com a contadora de histórias, “sacióloga” (especialista em Sacis), Margareth Marinho, explicando como se pega um Saci, como foi que viu o personagem pela primeira vez, suas características e tipos, passando informações que aguçam a curiosidade das crianças. É o início da contação da história.

A seguir, o grupo sai em caminhada dando a volta no lago do Parque, que está todo apagado, atento às pistas “deixadas pelo Saci”. No dia da caçada, horas antes, pelo trajeto da caminhada, são instaladas as armadilhas e as marcas – redemoinhos e pegadas riscadas no chão; gorros espalhados pelos galhos das árvores; cachimbos de bambu esquecidos, etc.

Marcas naturais nos troncos das árvores ajudam na sinalização, como, por exemplo, “orelhas de pau!” ou cogumelos.

Os participantes são divididos em três grupos: à frente vão as monitoras, logo atrás a “sacióloga” com as crianças e, por fim, os pais e/ou responsáveis.

Quando chega no “território” dos Sacis, onde se encontram moitas de bambus, uma armadilha está montada entre os bambus, no chão, com uma peneira, fumo de rolo embaixo desta, cachimbo e gorros pelos bambus.

Nesse ponto da caçada é que o Saci solta a fumaça colorida e aparece do outro lado do lago, dando gargalhadas e pulando.

A partir daqui, três voltas são dadas neste espaço onde o Saci se encontra, sempre com ele do outro lado. Na última volta o Saci vai para a parte grande do lago e entra em uma canoa para dar umas duas voltas perto da margem, quando as crianças podem vê-lo de mais perto e conversar com ele.

Para encerrar, a “sacióloga” sai para o fundo do parque para tentar pegar o Saci, sozinha, já que ele não está deixando nem chegar perto por serem muitas crianças. A caçadora vai com a garrafa vazia, a rolha já com a cruz e uma peneira. Sai com uma lanterna e pouco tempo depois, longe do grupo, o personagem começa a gritar: “Não! Garrafa, não! Nãooooooooooooooo!!”. A caçadora volta com a garrafa com o Saci lá dentro e o gorro daquele que estava no parque. É o momento de encerrar a história, respondendo a todas as perguntas e deixando claro que aquele Saci será libertado em outra mata, mais fechada, e que todos ali presentes se tornaram caçadores e poderão capturar o seu Saci.

Na saída do Parque são distribuídos pirulitos “vestidos” artesanalmente do personagem, como lembrança da caçada.
Avaliação
A primeira caçada foi em abril de 2012 e foi diurna, num domingo pela manhã, e não tivemos a presença do personagem Saci. Foram 120 crianças inscritas para a caçada e 99 presentes no dia. Cada criança foi acompanhada com um adulto responsável, que também participou da brincadeira. As atividades funcionaram como o previsto superando as expectativas já que muitas crianças, no entusiasmo da caminhada, encontravam pistas que nem havíamos pensado considerar.

Divididas em cinco grupos e pintadas no rosto com cores identificando-as, cada grupo seguiu os monitores e as pistas, numa busca inusitada pelo Saci. Encontrando a armadilha desarmada (peneira com cachimbo e pedaços de fumo de rolo espalhados), concluíram que durante o dia é muito difícil pegá-lo já que a preferência do Saci é sair à noite fazendo suas travessuras. Foi então que eu, “sacióloga”, reuni a criançada para a contação da história, e trabalhei com o meu “kit Saci” que inclui mostrar o personagem dentro de uma garrafa.

Essa caçada foi finalizada com um piquenique com os caçadores.

As próximas caçadas passaram a ser noturnas. Desta vez um personagem real está entre as árvores, assobiando e dando risadas, e os “caçadores” levam lanternas e fazem a caminhada com o Parque do Museu totalmente no escuro.

O número de vagas foi limitado em 44 crianças e seus respectivos responsáveis, totalizando cerca de 100 participantes, contando com a equipe que me ajuda na caçada e o pessoal do Museu que está sempre presente.

A cada atividade foram sendo acrescidos elementos novos como a aparição da “caipora” no alto de uma árvore, no meio do trajeto. Ela se tornou presença constante em todas as edições, sempre com seu silvo, chamando atenção pela aparência toda colorida.

No dia 31 de agosto de 2012 fizemos a terceira caçada noturna e como era uma sexta-feira, dia 13, inovamos com um “Safári Mitológico”, espalhando por todo o Parque os personagens amigos convidados pelo Saci: caipora, cuca, lobisomem, Iara (na ilha no meio do lago) e até um fantasma escondido no bosque, assustando a garotada.

Nos dias 24 e 25 de maio de 2013 fizemos caçadas somente para adultos. Em volta de uma fogueira e dentro de um círculo de tochas acesas, no alto do bosque do Parque do Museu, os “caçadores” ouviram histórias de um repertório caprichado, só para maiores de 16 anos, com causos de arrepiar, além da história do Saci, é claro. Este apareceu no final e saiu pulando pelo bosque afora, com todos os participantes – adultos – atrás dele.

Entramos em 2014 abrindo a terceira temporada de caça ao Saci. Já foram 15 edições que agora conta com a parceria do Museu Mariano Procópio, através do seu diretor e equipe, que acreditou na iniciativa como atividade rica de leituras e resgate de nossa cultura. O sucesso é tanto que, segundo o diretor do Museu, Douglas Fasolato, a atividade se tornou um “case”, um caso de êxito a ser estudado. Fui convidada para realizar a caçada em várias cidades de Minas (Muriaé, Mar de Espanha, Rio Novo) e em outros estados (Belém/PA e Rio Branco/AC).

A cada edição nos surpreendemos com a procura pela comunidade. No dia marcado para a abertura das inscrições, sempre a partir das 8:00, em menos de duas horas esgotam-se todas as 44 vagas. E a presença no evento é completa, quando muito faltando um ou dois, no máximo, dos inscritos.

Mas o maior impacto é, com certeza, o incentivo à leitura. Já no regulamento que cada participante precisa acatar estão indicadas as leituras necessárias para uma boa caçada. Muitas vezes, ao iniciar o bate-papo com a turma antes da caminhada, mal consigo contar a história, pois muitas crianças vão falando tudo sobre o Saci que leram anteriormente.

A procura pelos livros sobre o tema na Biblioteca Municipal Murilo Mendes cumpre o objetivo primeiro do projeto: incentivar a leitura por prazer. Na descoberta de novos personagens, outras histórias vão sendo escritas e dessa vez por mediadores e multiplicadores que jamais esquecerão a aventura vivida.

Equipados com lupas, lanternas, peneiras e até garrafas, a leitura está alojada no coração e na mente de cada aprendiz de caçador ali presente. Aprendiz de leituras diversas, de histórias, de sonhos, de um mundo com mais imaginação. Como essa ideia que partiu da leitura do livro O Saci, de Monteiro Lobato. Esse mundo inventivo é totalmente possível através da leitura.

REGULAMENTO

O Saci é um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro.

Seu comportamento é brincalhão e ele passa o tempo todo aprontando travessuras nas matas e nas casas. Gosta de assustar as pessoas, esconder objetos domésticos, emitir ruídos, assustar cavalos no pasto e, apesar de todas as brincadeiras, não pratica atitudes com o objetivo de prejudicar ou fazer mal a alguém.

Ele se desloca dentro de redemoinhos de vento e, para capturá-lo, é necessário jogar uma peneira sobre ele e logo tirar seu gorro que é o que lhe dá forças.

O Saci é conhecedor das ervas e plantas das florestas brasileiras e guarda-lhes os segredos e conhecimentos como ninguém. Quem entra na floresta ou nas matas em busca dessas ervas deve pedir sua autorização já que ele é o guardião das ervas sagradas e detém a sabedoria e a técnica de preparo dos chás, mezinhas, beberagens e outros medicamentos.

São muitas as informações sobre este personagem da cultura popular. Por isso recomenda-se a leitura prévia dos livros para que os caçadores participem da caçada com maior aproveitamento possível.

* O Saci – Monteiro Lobato (Disponível na Biblioteca Municipal Murilo Mendes)

* Dossiê Saci – Margareth Marinho – Funalfa Edições (Disponível na Biblioteca Municipal Murilo Mendes)

* Saci, moleque Saci – Carlos Jorge (Editora Franco/JF) e todos os outros que contam histórias do Saci.


Regras a serem observadas:

- Para a caçada ao Saci a criança deverá chegar ao parque do Museu Mariano Procópio até 15 minutos antes da hora marcada.

- Será obrigatória a presença de um responsável junto à criança que também participará da caçada.

- A criança deverá seguir a “sacióloga”, os monitores e suas orientações. Em hipótese alguma ela poderá correr na frente ou se separar do grupo sem consentimentos dos monitores. Caso a criança não acate esta recomendação, ela será retirada do grupo.

- É recomendável que a criança use uma bota ou tênis com meias compridas.

- Deverá trazer uma lanterna.

- Não será permitido arrancar ou quebrar as plantas, bem como jogar lixo no chão: papéis, garrafas, etc.

- Não será permitido chegar perto da beirada do lago ou qualquer atividade que coloque em risco a criança.



- A caçada ao Saci deve dar ênfase à conservação da natureza já que ele é um dos protetores das matas brasileiras.
Boa caçada!


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