Caderno de resumos



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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS



NEHO 20 ANOS

HISTÓRIA ORAL: IDENTIDADE E COMPROMISSO

10 a 12 de novembro de 2011


CADERNO DE RESUMOS

São Paulo, 2011

SUMÁRIO

TOC \H \Z \T "NEHO;1" HYPERLINK \l "_Toc308571591" GT 01 – História Oral e Deslocamentos Populacionais Contemporâneos PAGEREF _Toc308571591 \h 3

HYPERLINK \l "_Toc308571592" GT 02 – História Oral e Gênero PAGEREF _Toc308571592 \h 13

HYPERLINK \l "_Toc308571593" GT 03 – História Oral e Relações Disciplinares PAGEREF _Toc308571593 \h 20

HYPERLINK \l "_Toc308571594" GT 04 – Oralidades, Religiões e Religiosidades PAGEREF _Toc308571594 \h 30

HYPERLINK \l "_Toc308571595" GT 05 – História Oral, seus lugares, seus sujeitos: escolas, movimentos sociais e acervos corporativos PAGEREF _Toc308571595 \h 34

HYPERLINK \l "_Toc308571596" GT 06 – História Oral e Movimentos Sociais PAGEREF _Toc308571596 \h 44

HYPERLINK \l "_Toc308571597" GT 07 – História Oral, Identidade e Diversidade PAGEREF _Toc308571597 \h 49

HYPERLINK \l "_Toc308571598" GT 08 – História Oral e Corpo PAGEREF _Toc308571598 \h 60
GT 01 – História Oral e Deslocamentos Populacionais Contemporâneos

Coordenação: Vanessa Generoso Paes (NEHO – USP) e Vanessa Paola Rojas Fernandez (NEHO – USP)
Sessão 1: Sexta-feira, dia 11 de novembro, das 10h às 12h30
MEMÓRIA CULTURAL E IMIGRAÇÃO ÁRABE NO RELATO DE UM CERTO ORIENTE

Maged El Gebaly (USP)

A partir das figuras da imigração árabe no Relato de um certo oriente de Milton Hatoum analisamos o papel da ficção da construção memória cultura e a configuração desta narrativa intercultural e sua perspectiva crítica pós-colonial das retóricas holísticas. Nesta análise revisamos os conceitos mestiçagem e hibridação cultural aplicado à situação do descendente de árabes no Brasil. Também usamos as concepções críticas de memória cultural em Memória e História de Jaques Le Goff, Memória, História e Esquecimento de Paul Ricoeur, Memórias do Modernismo de Andreas Huyssen. Visamos com esta análise participar com certas implicações para o papel da imigração na relação entre o Brasil e os países árabes no futuro cenário internacional do século XXI.

Palavras-chave: Narrativa; Memória cultural; Misturas; Alteridade.
MIGRAÇÕES LITORÂNEAS: MEMÓRIAS E NARRATIVAS DE ÊXODO RURAL ENTRE DESCENDENTES DE ESCRAVOS. RIO GRANDE DO SUL, MEADOS DO SÉCULO XX

Rodrigo de Azevedo Weimer (UFF)

Sabe-se que a presença de direitos trabalhistas no meio urbano, na era Vargas e após, ao mesmo tempo em que inexistiam no meio rural, gerou um afluxo de contingente populacional do campo para a cidade (Gomes, 2005 p. 240-241). Entende-se que não basta relacionar tal processo às suas determinantes estruturais; há também, a par do processo de industrialização que demandou a mão-de-obra migrante, que verificar as motivações que levaram indivíduos e contingentes populacionais a se mover. A presente pesquisa desenvolve, a partir de depoimentos tomados através da metodologia da história oral, como o processo migratório foi vivenciado por descendentes de escravos da área rural de Osório, no litoral norte do Rio Grande do Sul. Em busca de novas perspectivas de vida, partiram da fazenda do Morro Alto, onde seus avós haviam sido escravos e onde seus pais lograram permanecer, rumo a cidades como Osório, Capão da Canoa e Porto Alegre, locais de residência dos migrantes entrevistados. Indaga-se sobre os seguintes aspectos: fatores de expulsão de moradores no meio rural; a autonomia diferencial de homens e mulheres para empreender migrações; outras motivações para o êxodo rural além da busca por serem contemplados pela legislação social; relações raciais no meio urbano; e as ocupações às quais se dedicaram uma vez chegando à cidade.

Palavras-chave: Migrações; Êxodo rural; Direitos trabalhistas; Litoral do Rio Grande do Sul; Descendentes de escravos.
IMIGRAÇÃO PALESTINA EM SÃO PAULO: UMA SAGA DE SOBREVIVÊNCIA E INFLUÊNCIA

Ailton José do Amaral (PUC – SP)

Este trabalho tem como objetivo estudar a imigração Palestina para a cidade de São Paulo, bem como sua influência no desenvolvimento desta cidade. Analisaremos a História Oral daqueles que, para escapar dos sofrimentos impostos por uma ocupação truculenta de seu então território, até a decisão de emigrar para outro país, a escolha do Brasil, consequentemente São Paulo e sua sobrevivência em nossa cidade. Acompanharemos a saga destas pessoas em busca de uma vida melhor. Na opinião deste autor, em uma guerra, todos os lados estão errados, portanto, não é intenção assumir nenhum lado, e sim, realizar uma pesquisa que conta essa história. Trata-se na realidade de um estudo de caso: “Seu Abdul”, um Palestino que chegou ao Brasil em 1956, após um longo processo de decisão, levando em conta sua decisão de ir para os Estados Unidos e os fatores que contribuíram para que decidisse pelo nosso país. Paralelamente, um estudo da situação encontrada pelos imigrantes nesta época, analisando o ambiente encontrado por ocasião da chegada. A situação da cidade de São Paulo, e sua visão de uma terra estranha, com povo e costumes bastante diferentes do seu. O projeto baseia-se em história oral (entrevista com diversas fontes), mapas, fotos de família e pesquisa de documentação, além da pesquisa em bibliografia/webgrafia.

Palavras-chave: Israel; Palestinos; São Paulo; Sobrevivência; Adaptação; Influência.
A IMPORTÂNCIA DA UTILIZAÇÃO SIMULTÂNEA DA COLETA DE FONTES DOCUMENTAIS E ORAIS NO ESTUDO DOS DESLOCAMENTOS POPULACIONAIS DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS (1935 A 2005)

Ana Enedi Prince (USP; UNIVAP)

O município de São José dos Campos, localizado na Região do Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo, ao longo da sua história recebeu numerosos migrantes e imigrantes, em momentos distintos. No início do século XX, em virtude da cidade ter sido considerada como Estância Hidromineral e Climática, os migrantes chegavam à cidade em busca de tratamento para a tuberculose pulmonar, pois, na época, a cidade era indicada, por renomados médicos e cientistas, para o tratamento das moléstias pulmonares. Esse fato é comprovado por documentos escritos, e também por fontes orais, tais como, depoimentos de seus descendentes, entrevistas gravadas de terceiros, dentre outros. Na atualidade, a cidade recebe migrantes e imigrantes em função de seu desenvolvimento tecnológico, encetado a partir dos anos cinquenta do século passado, conforme atestam várias transcrições de entrevistas, coletadas em época mais recente. Nesse contexto, a história oral, aliada à história documental, nos permitiu conhecer melhor as motivações e aspectos específicos relacionados com essas mudanças, ocasionadas por contínuos deslocamentos populacionais para o município de São José dos Campos; também a eventual duração de sua permanência, ou as razões de sua instalação definitiva na localidade.

Palavras-chave: fontes orais e documentais; imigração; estância hidromineral e climática: polo tecnológico.
“A FESTA CÁ NOS CHAMA”: MEMÓRIA, EMIGRAÇÃO E RETORNO EM UMA ALDEIA CAMPONESA DO NORDESTE PORTUGUÊS

Weslei Estradiote Rodrigues (PPGAS – USP)

A pesquisa que pretendo apresentar trata da aldeia camponesa de Vilas Boas, no nordeste de Portugal, eminentemente marcada pelo fenômeno emigratório. Defendo que o modo de vida aldeão tenha encontrado na emigração um meio de reprodução e renovação. Como modo de descrever esse mecanismo, entendo que desde o destacado incremento dos eventos migratórios – sobretudo durante o período ditatorial em Portugal (1926-1974) – determinadas práticas culturais ganharam ânimo. A festa religiosa anual, por exemplo, se apresenta como espécie de evento que cresceu em dimensões a cada ano. Seja a festa a comunhão ritualizada de uma pertença, sua análise detida revela não menos que as hierarquias de uma estrutura em atualização no momento da celebração. Compreender o investimento pessoal dos emigrantes na produção da festa e as estratégias de retorno passa por entender as relações desenhadas sob a égide do fenômeno do retorno cíclico. Defendo que a festa é, nessa ocasião determinada, o espaço da concretização dos projetos emigratórios, lugar da exposição performatizada de papéis almejados e assumidos por meio da narração de percursos e histórias de vida, âmbito da afirmação pessoal e do crivo coletivo. Desse modo, a pesquisa busca refletir o caráter cíclico da festa nos quadros da urgência das atualizações negociadas que a conjuntura opera. Procurarei pensar se o quadro memorativo que a aldeia proporciona se relaciona ao leit-motiv do retorno e se a ocasião festiva do reencontro promove exercícios de rememoração coletivos que atualizam e reforçam os referenciais comuns.

Palavras-chave: emigração; memória; transnacionalismo; retorno.
BRASILEIROS NAS FORÇAS ARMADAS NORTE-AMERICANAS: ENTRE A CIDADANIA E A GUERRA

Thomas Machado Monteiro (NEHO – USP)

Trata-se de um estudo que visa, de maneira pioneira, investigar a participação de soldados brasileiros no exército dos EUA no período de 10 anos a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001. Nessa década, observamos a confluência de dois fatores: a escalada de contingente militar dos EUA, com o pico histórico de imigrantes brasileiros naquele país. Ainda que o alistamento constitua uma estratégia para a inserção do imigrante nos EUA, nem todos os contemplados pelo projeto se alistaram pelo mesmo motivo. Nesse sentido, o estudo trabalha em duas frentes: a realização de um levantamento para quantificar e documentar quantos são, quem são, de onde vem esses brasileiros alistados; e a realização de entrevistas de História Oral afim de construir documentos calcados nas memórias da guerra.



Palavras-chave: imigração; nacionalidades; exército; guerra.

Sessão 2: Sábado, dia 12 de novembro, das 9h às 12h30
POR QUE O ÍNDIO TEM QUE SE SENTIR TÃO ACUADO? A IMIGRAÇÃO DE BOLIVIANOS PARA SÃO PAULO

Júlia Spiguel Favaretto (FFLCH – USP)

Os deslocamentos populacionais são hoje mais presentes do que nunca na história da humanidade. O fluxo internacional de pessoas e a mundialização dos mercados age profundamente sobre as formas de pensar, sentir e agir, em especial daqueles que deixam suas famílias, sociedades e países em busca de condições de vida digna, sonho que, em muitos casos, revela-se ilusório. Em São Paulo, o crescimento da comunidade boliviana vêm sendo acompanhado de denúncias de nos meios de comunicação de bolivianos trabalhando em situações análogas à escravidão em oficinas de costura. Assim, os bolivianos, que tem chegado a São Paulo desde a década de 1980, estão recentemente ganhando visibilidade associada às condições de trabalho a que estão submetidos e crimes como tráfico de drogas. Em nossa pesquisa, buscamos nos próprios bolivianos discursos e interpretações sobre a comunidade de que fazem parte, visto que qualificações pejorativas “de fora” do grupo, produzidas pela sociedade brasileira, estão se tornando corriqueiras. É nesse sentido que com esse projeto buscamos ouvir e registrar narrativas que revelam a migração no nível do humano. Apoiando-nos nas contribuições de Abdelmalek Sayad, para quem a migração é um fato social total, consideramos os múltiplos aspectos envolvidos no fenômeno como relações de gênero, arranjos e desarranjos familiares, representações sociais, discursos e interpretações daqueles que se deslocam sobre o próprio deslocamento. Em sua obra, entrevistas com argelinos que se deslocaram para a França mostram a voz da migração, e expressam a irredutibilidade das experiências humanas a teorias gerais. Em nossa pesquisa, registramos as histórias de vida e as reproduzimos na íntegra, para que a tal irredutibilidade não desapareça das narrativas. Também objetivamos dar dignidade à comunidade boliviana, enfatizando suas lutas e sua força para vencer as adversidades, no intuito de romper com a perspectiva monolítica dos migrantes associados a problemas sociais na sociedade em que se encontram atualmente. Outro referencial de nossa pesquisa é o sociólogo Boaventura de Souza Santos, que sinaliza a necessidade de se produzir conhecimentos que questionem a hierarquização das diferentes formas de saber, em que a racionalidade ocidental se sobrepõe as demais. Para ele, a hegemonia da racionalidade ocidental é reducionista, pois ela “se considera única, exclusiva, e não se exercita o suficiente para poder ver a riqueza [epistemológica] inesgotável do mundo.”. Dessa forma, a História Oral surge como uma prática capaz de inserir o sujeito nos discursos e interpretações sobre as migrações e garante a análise da inclusão subordinada. Para Silvia Cusicanqui Rivera, as fontes orais são um instrumento de luta política contra discursos dominantes, e devem ser utilizadas como versões autorais da realidade, que a interpretam, teorizam e nos fornecem uma verdadeira visão sociológica da organização, dos valores e das forças que modelam a sociedade. As fontes orais possibilitam que as vozes não integradas ao discurso hegemônico e totalizante revelam aspectos obliterados da sociedade passada e presente, incluindo-as no discurso futuro. Assim, o que vemos surgir nas histórias de vida são discursos de pessoas cujas realidades vividas na Bolívia estão abaixo de suas expectativas dos narradores, sejam elas econômicas, culturais ou familiares. As histórias contam a busca por oportunidades de empregos com melhores salários, de reconstrução de famílias apartadas por diversos motivos, inclusive pelo deslocamento para outros lugares, em que as remessas de dinheiro para os familiares que ficaram para trás tem papel fundamental na sobrevivência destes. São narrativas de trajetórias individuais e familiares de luta por direitos, em que o processo de regularização esbarra no interesse da sociedade brasileira em manter estrangeiros como mão de obra barata sem custos para o Estado. São, principalmente, discursos de pessoas que almejam integração social, direitos de cidadania e, em especial, integração no mundo globalizado.

Palavras-chave: história oral; imigração boliviana; São Paulo; cidadania.


MIGRAÇÕES CONTEMPORÂNEAS: MEDIAÇÕES E SOCIABILIDADES NO TEMPO PRESENTE

Maicom Mariano (UDESC)

Na década de 1970 o processo de migração e ocupação da região Oeste do Paraná era vivido de forma intensa e em ritmo acelerado. Esse fenômeno migratório é marcadamente visível na formação da cidade de Cascavel e responsável por sua característica de maior cidade da região, situação ainda em evidência. A contrapelo das narrativas lineares, o objetivo deste trabalho é apreender o processo de ocupação urbana através das experiências de sujeitos históricos que vivem em Cascavel. Compreender os sentidos e significados que os moradores constroem acerca de suas participações na construção material da cidade, suas manifestações e reivindicações no campo da memória, bem como, nas lutas cotidianas.

Palavras-chave: migração; cidades; múltiplas narrativas.
CULTURA E POLÍTICA JUDAICAS NO ESTADO NOVO (1937-1945): ESTEREÓTIPOS E NOVAS PERSPECTIVAS DE ANÁLISE

Ana Cláudia Pinto Corrêa (PUC – SP; UNIFEG)

No contexto do Estado Novo (1937-1945), em que os “estrangeirismos” eram rechaçados, a atividade político-cultural judaica se manteve, seja por meio de organizações várias, imprensa, escolas. Situação complexa, se partirmos da máxima segundo a qual o governo em questão adotava, senão de forma oficial, mas veladamente, uma política antissemita. Fontes orais – entrevistas com imigrantes que viveram neste período e participaram ativamente das atividades acima mencionadas – bem como bibliográficas, nos permitirão surpreender elementos outros que compuseram a feição desta história, principalmente a que transcorreu no bairro paulistano do Bom Retiro, antigo reduto judaico da cidade de São Paulo.

Palavras-chave: imigrantes judeus; memória; cotidiano; Estado Novo.
A IMIGRAÇÃO SÍRIO-LIBANESA EM JUIZ DE FORA

Rodrigo Ayupe Bueno da Cruz (PPGA – UFF)

Tendo em vista o grande volume de imigrantes sírios e libaneses que se estabeleceram na cidade de Juiz de Fora desde os períodos iniciais do movimento até os dias de hoje, esse trabalho visa analisar o processo de inserção desses imigrantes nesta sociedade destacando as identidades situacionais abraçadas por eles nos diversos contextos que marcam a sua interação tanto com os brasileiros quanto dentro da colônia sírio-libanesa. Diante disso, essa pesquisa utiliza como instrumento analítico a História Oral, já que nesse processo o status identitário é constantemente reforçado através dos depoimentos orais.

Palavras-chave: identidade; imigrantes; História Oral.

A CULTURA ORAL ENTRE O POVO MADEMA E NYUNGWE DE MOÇAMBIQUE



Antonio Alone Maia (USP)

O presente trabalho visa apresentar como os deslocamentos populacionais contemporâneos, entre o povo Madema e Nyungwe de Moçambique, têm alertado para um perigo de perda da memória histórica dos povos em questão, à medida que outras identidades vão se sobrepondo no espaço Madema e Nyungwe, devido ao grande foco de projetos de desenvolvimentos implantados na região. Esses projetos trazem consigo pessoas de varias procedências, portando cada uma a sua cultura. Na interação cultural, a tradição oral que se expressa através das narrativas, enfrenta uma incontestável dinâmica de mudança no sistema cultural dos dois povos. A pesquisa tem como objetivo geral falar sobre o fenômeno das mudanças culturais entre povos de tradição oral no contato com projetos ocidentais no seu espaço geográfico e histórico. Especificamente a pesquisa pretende falar sobre os deslocamentos populacionais na província de Tete, onde se encontram o povo Madema e Nyungwe e como esses deslocamentos tem afetado diretamente a historia oral e a memória da região. As narrativas de tradição oral que antes constituíam um verdadeiro reservatório dos valores culturais das comunidades Madema e Nyungwe, hoje estão passando por um processo de crise no contato com o novo, que chega como moderno.

Palavras-chave: mudança cultural; identidade; Madema; Nyungwe.
HOSPITALIDADE E COMENSALIDADE ENTRE IMIGRANTES BOLIVIANOS NA FEIRA KANTUTA NA CIDADE DE SÃO PAULO, A TRAJETÓRIA DE VIDA DE CARLOS DANILO SOTO GOMEZ GARCIA

Graziela Milanese (UAM)

A pesquisa em desenvolvimento apresenta como objetivo refletir sobre hospitalidade e comensalidade entre imigrantes bolivianos na cidade de São Paulo. O local pesquisado é a feira Kantuta de Cultura Boliviana que acontece aos domingos, na Praça Kantuta, no bairro do Pari. Espaço de acolhimento destes que chegaram do seu país de origem sozinhos ou trouxeram as suas famílias, encontram na feira uma oportunidade de vivência da cultura de sua terra natal. O presente trabalho tem como objetivo específico contar a trajetória de vida do Sr. Carlos Danilo Soto Gomez Garcia, um dos fundadores da feira e atualmente vendedor das Saltenhas Don Carlos. A metodologia apoia-se na História Oral e na pesquisa bibliográfica. Apresentam-se como resultados a valorização da comensalidade e da cultura boliviana, espaço de sociabilidade e de encontro das famílias: “a Kantuta é o Ibirapuera dos bolivianos”.

Palavras-chave: hospitalidade; comensalidade; imigração boliviana; história oral.
IMIGRAÇÃO POLONESA NO BRASIL – A MEMÓRIA DE DESCENDENTES DE POLONESES ATRAVÉS DA HISTÓRIA ORAL

Camila Zaborski (UniABC)

Historicamente, a Polônia é um país que ultrapassa séculos sendo invadida, partilhada e desgastada politicamente, socialmente e culturalmente. No final do século XIX ocorre no Brasil o maior fluxo já registrado de imigrantes poloneses, com cerca de 90 mil. Esses imigrantes que aqui chegam são incentivados pela propaganda dos órgãos governamentais brasileiros, já que havia acabado de ocorrer a abolição da escravatura em 1888 e era necessário uma forte substituição na mão de obra escrava. Os poloneses que chegam ao país fundam vilas que mais tarde se tornariam cidades turísticas no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, fundam escolas e tentam ao máximo preservar suas tradições através das gerações. Hoje, no século XXI, buscaremos através da História Oral analisar o quanto da cultura polonesa permanece preservada no âmbito familiar, mediante quatro entrevistas com imigrantes natos, filhos de poloneses e netos.  A preservação da memória através da História Oral em conjunto com a análise de alguns autores especialistas no assunto, como Jacques Le Goff, Ecléa Bosi, José Carlos Sebe Bom Meihy, entre outros, será possível compreender o real motivo que move os colaboradores das entrevistas a ainda possuir um grande carinho pela cultura polonesa, mesmo hoje reconstruindo suas vidas na nova terra mãe: o Brasil.

Palavras-chave: imigração; poloneses no Brasil; memória.
SER CHILENO NO BRASIL: HISTÓRIA ORAL DE VIDA E OS DILEMAS DA CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADE IMIGRANTE

Vanessa Paola Rojas Fernandez (NEHO – USP)

A imigração chilena no Brasil remonta, principalmente, às décadas de 1970, 1980 e 1990, como consequência da conturbada conjuntura política, econômica e social pela qual passava o Chile nesta época. Por se tratar de um movimento recente, com personagens vivos, e pela possibilidade de se explorar aspectos não revelados nos documentos escritos, a história oral de vida despontou como alternativa para uma pesquisa de mestrado realizada com chilenos residentes na cidade de Campinas/SP. Além da análise desse movimento migratório em si, apontando sua especificidade no conjunto de imigrações latino-americanas contemporâneas no país, os dilemas da construção de identidade imigrante deste grupo, evidenciando o “ser chileno no Brasil”, foi assunto abordado. Uma breve apresentação desse movimento migratório e de alguns de seus dilemas constitui o tema desta comunicação.

Palavras-chave: imigração chilena, história oral, memória, identidade.
TRÂNSITO DE IDENTIDADES E DESLOCAMENTOS POPULACIONAIS ENTRE A BOLÍVIA E O BRASIL

Vanessa Generoso Paes (NEHO – USP; FAPESP)

Este trabalho analisa a questão dos deslocamentos populacionais latinos americanos a partir das histórias orais de vida de uma família de bolivianos residentes na cidade de São Paulo e de sua rede social afetiva. Além disso, estabelece um diálogo com as entrevistas dos pesquisadores bolivianos por meio da história oral temática confeccionada para esta comunicação. Ao utilizar dois gêneros de historia oral, temos como perspectiva que esta pesquisa contribua para os estudos migratórios contemporâneos. A problemática central dessa pesquisa é verificar com se dá o processo de negociação de identidades entre a primeira e segunda geração da família boliviana escolhida para tal estudo, assim como entender o processo de mediação das identidades dos emigrantes com a sociedade brasileira. As identidades e as trajetórias de vida são concebidas como heterogêneas, em processo, em trânsito, articuladas por zonas de contato e trocas culturais. As memórias dos colaboradores revelaram campos de disputas, manifestam a diversidade e as ambiguidades das lembranças e esquecimentos. Deste modo, percebemos que as lembranças dos narradores são reelaboradas e passam por reapropriações culturais nos processo de deslocamento continental e transfronteiriços no cenário latino americano. Destarte, essa pesquisa explora os trânsitos e fluxos dos deslocamentos humanos, onde os sujeitos elaboram significados que expressam seus deslocamentos no tempo/espaço contemporâneo.

Palavras-chave: Identidades, Bolivianos, Negociação, Deslocamentos, História Oral, Trânsitos Culturais.
GT 02 – História Oral e Gênero

Coordenação: Marta Gouveia de Oliveira Rovai (NEHO – USP) e Marcela Boni Evangelista (NEHO – USP)

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