Cairbar Schutel Os Fatos Espíritas e as Forças X brasil (1926)



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Cairbar Schutel
Os Fatos Espíritas e as Forças X
Brasil (1926)

O Espiritismo traz provas tangíveis da imortalidade; os pensadores sérios devem estudá-lo atentamente

Gabriel Delanne




Conteúdo resumido
O objetivo deste livro de bolso é orientar os leitores, encaminhando-os para o estudo do Espiritismo. Uma doutrina que lhes pode garantir uma visão mais ampla da vida em suas obras fundamentais.
Sumário

Aos leitores

I - As forças cegas e as secreções nervosas / 04

II - As forças infernais / 06

III - Forças vitais incompletas / 08

IV - As Forças N, V, X / 10

V - A força do preconceito / 12

VI - A preexistência e o subconsciente / 14

VII - Espírito - força e matéria / 16

VIII - Ciência bastarda / 18

IX - A Ciência e a religião oficial / 20

X - As forças adversas e a força da verdade / 22

Conclusão / 24

Aos leitores


As religiões, como a sabedoria dos nossos pais, se esvaem ao sopro do progresso, como nuvens batidas pelo vento.

Se é verdade que elas serviram para embalar gerações, é também fora de dúvida que não mais satisfazem almas e corações.

Úteis, talvez, nos tempos da infância da humanidade, já perdem atualmente a sua razão de ser.

A luz sucede às trevas; o alimento sólido sucede ao leite materno; Tudo evolui, tudo progride; o passado é como um código revogado, é um grito de esperança para o presente, como o presente é a alvorada do futuro.

Examinar, estudar, pesquisar, tal deve ser nosso dever, para que, a par da Verdade, não nos percamos em caminhos ímpios que prejudicam o nosso progresso.

O fim deste folheto é orientar os leitores, encaminhando-os para o estudo do Espiritismo em suas obras fundamentais, única doutrina que lhes pode garantir uma visão mais ampla da Vida com todas as suas peripécias empolgantes.

Ao dá-lo à publicidade um único objetivo nos encoraja: o de cumprirmos o nosso dever.

Cairbar Schutel




I
As forças cegas e as secreções nervosas
Já é tempo de quebrar os vínculos que nos prendem aos prejuízos do passado.

A ciência não pode permanecer imobilizada à espera da boa vontade daqueles que se alistaram como seus sacerdotes e negam-lhe o trabalho de divulgação.

Há mais de meio século (*) os fatos espíritas, em sua moderna manifestação, se desenrolam no cenário do mundo e o espírito conservador das tradições avoengas procurando embargar as suas expressões positivas, ora por esta, ora por aquela forma, tem transviado a atenção dos homens para o estudo das verdades novas, que lhes vêm ampliar os horizontes da vida.

(*) Nota da Editora: a 1.ª edição deste livro é datada de maio de 1926.

Desde o começo das acentuadas manifestações psíquicas, que vêm revolucionando o mundo, nada menos de cinco teorias têm sido apresentadas pelos mestres das diversas escolas que tentam explicar, presos às suas idéias preconcebidas, a origem desses fenômenos imortalistas que vêm maravilhando o mundo.

Por mais de uma vez temos pulverizado, com lógica irresistível, essas conjeturas oriundas do espírito de sistema, mas é preciso que os nossos argumentos façam eco, pela repercussão da palavra escrita, a mais temível arma para os nossos adversários.

Dadas que foram as primeiras aparições, com as quais não se haviam relacionado os homens da nossa época e subjugados em sua acintosa negação insciente, visto como os fatos põem de lado os juízos suspeitos, a primeira explicação que veio à tona a dizer a natureza de tais fenômenos foi a do "ser coletivo", que se resume no seguinte:

"Um fluido especial se desprende da pessoa do médium, combina-se com o fluido das pessoas presentes, para constituir um personagem novo, temporário, independente em certa proporção, e produzindo os fenômenos verificados".

Eis o quanto pode a inteligência humana, digna de maiores encômios!

Tão agarrado à matéria se acha o espírito do homem, tão desviado se acha da Espiritualidade, que lhe parece impossível a existência da Vida Psíquica, e, portanto, ser essa a causa dos fenômenos que se vai observando, E como descrê de tudo o que deixa de impressionar a sua retina, e acostumou-se a negar sistematicamente o que não podia ser percebido pelos seus grosseiros sentidos, em face das novas manifestações que com assombro tem testemunhado, julgou de melhor alvitre atribuí-las às "FORÇAS CEGAS" e "PRODUTOS DAS SECREÇÕES NERVOSAS" capazes, dizem, de formar um novo personagem apto para produzir ações que o próprio homem é incapaz de executar por si.

Por isso é que bem disse o luminar da nova ciência: "Oh, homem, quanto és grande, mas como te degradas tornando-te inferior aos brutos!"

Mas essa teoria devia ser destruída, pois assim como do nada, nada pode sair, assim também uma "força cega", sem inteligência, sem raciocínio, sem consciência e, portanto, sem método de ação, seria incapaz de engendrar um "ser" que revela poder, vontade, inteligência, raciocínio.

A teoria do ser coletivo, que pretendia formar o personagem transcendental, como Cyrano de Bergerac, o seu homúnculo saído da retorta, morreu, mas até hoje não lhe faltam sacerdotes a lhe entoarem o laudemus, quando deviam, diante desse sarcófago, que encerra mais uma múmia do espírito do orgulho, rebelando-se contra a Verdade, proferir o requiescat in pace do ritual rotineiro.

Mas é tempo dos erros passarem, e auxiliada pela inteligência iluminada e pelos poderes superiores, a humanidade ampliará a sua visão desvendando horizontes novos que a libertará dos grilhões do passado.


II
As forças infernais
A insuficiência da teoria do ser coletivo para explicar os assombrosos fenômenos que maravilharam o mundo, devia forçosamente ser suprimida por uma outra teoria em que um poder maior se manifestasse.

E assim que a "teoria demoníaca" proclamada pelos remunerados sacerdotes das "seitas religiosas" foi exaltada, e em vez das forças cegas produzindo fatos inteligentes, entrou em cena o legendário Satã, criatura imaginária de concepção clerical.

Foi mais uma afronta à dignidade dos poderes espirituais do homem antes e depois da morte, uma nova cartada lançada contra a existência e imortalidade da alma, cujas verdades abalaram as academias e os altares, que precisavam permanecer para a honra e glória dos "imortais" vivedores dos templos.

Rabinos da lei, fariseus das modernas sinagogas, adstritos á idolatria, reverenciadores das imagens de escultura, proclamadores das estampas e verônicas milagrosas, que tanto fanatismo têm infundido nas massas e principalmente nas almas infantis, todos de braços dados, representantes dos Césares, lançaram terríveis imprecações contra os substanciosos fatos, básicos da imortalidade humana, e que não podem deixar de ser o sólido e indestrutível fundamento da ciência e da religião.

Era, porém, muito ilógica, inconcludente, irracional e blasfema essa teoria, para que se impusesse aos homens.

A existência e o poder de Satã vinha destruir a existência e o poder de Deus, reduzindo o Universo a um inferno hiante; Satã caíra e o rumor produzido nos templos abalou suas colunas.

As igrejas de Roma e Reformistas, vendo solapados os seus fundamentos, juraram desse dia em diante, não mais dar tréguas ao "adversário terrível" que fez desencadear e descer as águas impetuosas da Verdade sobre as bases de seus templos erguidos na areia movediça!

Mas as seitas Budistas e Bramânicas ainda não haviam se manifestado, e o Espiritismo, dando início ao cumprimento da Profecia de Joel, repetida por Pedro no Cenáculo, "derramava do seu espírito sobre toda a carne".

Duas teorias haviam caído, fazia-se mister que um novo monstro se erguesse para combater o Ideal que crescia e se engrandecia com as sucessivas vitórias que ia obtendo nos campos da inteligência.

A teoria gnômica, como lhe chamou Gibier, foi a terceira que apareceu, qual novo titã para destronar as almas dos mortos, cujos fenômenos vêm revolucionando o mundo.

É que tão infalíveis se julgam os sacerdotes do Tibet e os grandes lamas (espécie de bispos que usam vestuário violeta semelhante á capa de cônego romano, inclusive a mitra e o báculo), como os padres do catolicismo e os ministros do protestantismo.

Também eles deviam falar, pois a palavra sacerdotal, a que eles também, tinham direito, não havia sido proferida por seus lábios.

E a nova teoria bruxuleou no Himalaia, onde os cascões astrais, os diabretes e os gnomos, ditam leis aos magnos sacerdotes de Brama.


III
Forças Vitais Incompletas
O Espiritismo é um conjunto harmonioso e belo; é uma Filosofia que estende as suas investigações sobre todos os conhecimentos humanos; é uma ciência sólida, irresistível porque se baseia em fatos que denunciam o seu caráter científico; é além de tudo uma luz poderosa que nos ilumina a inteligência, aclara o raciocínio de tal modo que, muitas vezes, nos maravilhamos de sua lógica irrepreensível, de sua harmonia de vistas com o Bem e o Belo, os grandes fatores da verdadeira felicidade.

É por isso que, estudando o Espiritismo, recusamos beber as águas turvas das interpretações dogmáticas, e não nos submetemos aos conceitos escravistas das maiorias, mas acostumados ao livre exame esmiuçamos o caráter religioso de todas as crenças, para auxiliar os que conosco mourejam nas lutas da vida e forçá-los, de certo modo, a beber nessa Fonte primordial da Verdade que dessedenta e purifica.

Tudo o que é da terra é instável e as opiniões dos homens são fumarentas como as luzes que se desprendem da lenha verde.

Mas passemos à teoria que, à surdina, vem desviando as almas do caminho da Verdade.

- "Teoria gnômica: consiste ela na crença da existência de um mundo imaterial, vivendo ao lado de nós e manifestando a sua presença no nosso meio, em certas e determinadas ocasiões e condições.

Fazem parte desse mundo, seres a quem dão os nomes de fadas, silvanos, duendes, diabretes, gnomos, em geral seres não acabados e espíritos vitais chamados elementares, que são justamente, segundo os teoristas do ocultismo e da teosofia, os produtores dos fenômenos do espiritismo.

Pelo que se vê, se penetrarmos no íntimo dos autores dessa conjetura, essa teoria é uma espécie de fusão da "teoria do ser coletivo", com a "teoria demoníaca", urdida pelo espírito de sistema para armar mais uma emboscada à já triunfante Doutrina dos Espíritos.

Com efeito, o que são seres vitais, não acabados?"

Como podem espíritos vitais, seres não acabados, dar provas cabais de inteligência superior ao homem que no dizer dos "gnômicos" é um "espírito acabado?" Já se viu algum dia dizer que a parte fosse superior ao todo?

Poderiam, esses compêndios de alta filosofia, ter como autores "espíritos não acabados"?

Katie King, que por três anos consecutivos confundiu um dos maiores sábios do mundo demonstrando-lhe a verdade da imortalidade, o que a teosofia e o ocultismo não conseguiram, pode ser um "elemental, um gnomo, um duende"?

Essas mensagens, ricas de moralidade, substanciosas em exortações, convidando-nos à caridade, ao desapego às coisas do mundo, podem ser obras de "silvanos e de fadas"?

Temos ouvido muitos partidários dessa "teoria'' dizer que as sessões espíritas são freqüentadas por "elementares e cascões", e que as grandes coisas que embelezam o Espiritismo são assimiladas pelo espírito do médium, que sobe ao "astral superior", porque, dizem eles, os Espíritos elevados não baixam à Terra.

É para lamentar tal dislate, tanto mais em pessoas que se julgam criteriosas.

E por que motivo se negaria um Espírito adiantado a baixar a esta atmosfera para guiar-nos ao bem, à verdade e a justiça?

Serão eles melhores do que o Cristo Jesus que, não só na carne, mas também em espírito, deu reiteradas comunicações e manifestou-se por tanto tempo àqueles que, com sinceridade, invocavam o seu santo nome?

Além disso, não parece mais lógico e mais racional vir de preferência um espírito à Terra, Espírito adiantado, que subirem os atrasados ao "astral superior?"

Felizmente pouquíssimos são os prosélitos que a teoria gnômica tem feito, e a grande maioria dos que enchem as fileiras da teosofia e do ocultismo, confessam ter a sua fé viva no Espiritismo, porque aquelas seitas religiosas são incapazes de lhes demonstrar a imortalidade.




IV
As Forças N, V, X
Em face dos fenômenos espíritas, todos os que não quiseram dar-se ao trabalho de estudar os grossos volumes que enchem as bibliotecas e que tratam de tão maravilhosos fatos, assim como da conseqüência lógica que dão lugar ou motivam esses fenômenos, pretendem explicar essas manifestações atribuindo-as a forças, a que deram nomes pomposos, como magnéticas, hipnóticas, nervosas, forças N, V, X, finalmente, de tantas feições quantas são as letras do alfabeto!

Mas, que coisas são forças magnéticas e hipnóticas?

"Não o sabemos, respondem-nos, como não sabemos o que seja a eletricidade".

E com esta evasiva julgam ter explicado o que ainda não estudaram e, portanto, não podem ensinar porque não compreendem e não sabem.

Os raios desta ou daquela letra do alfabeto serão entidades distintas que pensam, que tem vontade própria e que podem agir a seu talante?

"Também não o sabemos, dizem, aguardamos a resolução desta incógnita; para nós é este o X da questão!"

E continuam dissertando, para justificar as suas afirmações:

- "Hoje temos o telégrafo e o telefone sem fios; qual a força operante para transmitir os sons e produzir caracteres?"

Esvoaçando como a borboleta em torno da luz, os nossos materialistas queimam as asas da sua sabedoria e terminam por confessar a sua ignorância no assunto que se propuseram discutir.

Ignoramus et ignorabimus são as últimas palavras dos sacerdotes da "deusa matéria" que engendra o pensamento.

Baldados são os ingentes esforços para lhes demonstrar a fragilidade de tais "teorias", contrárias ao caráter inteligente dos fatos, que por si mesmos proclamam a sua ação, tendo por agentes os Espíritos encarnados e desencarnados, que não há dúvida, são os seus verdadeiros autores.

E quais são os autores da telegrafia e da telefonia sem fios?

Dispensam, por ventura, esses meios de comunicação e essas forças atuantes, os seres inteligentes, de um como de outro lado, munidas de aparelhos para o estabelecimento da corrente comunicativa? Tudo o que existe é uma criação que forçosamente tem por autor uma inteligência. Todos os fenômenos inteligentes não podem deixar de ter por causa seres inteligentes, encarregados de sua execução, de seu plano de ação.

Assim como a matéria por si só é inerte, as forças da natureza são cegas, mas se acham sob a direção de inteligências encarregadas de dirigi-las.

A matéria apresenta modalidades distintas quando estudada pelos homens, também as forças denunciam essa mesma variedade, sem bruscas transições nem lacunas perceptíveis, como tudo o que existe na natureza.

Uma pedra auxilia a manter de pé um grande edifício, um fluido atuando sobre uma mesa fá-la levitar no espaço, mas nem a pedra se colocou e sustentou o edifício por sua vontade, nem o fluido ergueu o móvel por sua própria determinação; e assim como a pedra é matéria e representa a força, fluido que é força para os Espíritos, nada mais é que matéria rarefeita atuando com grande velocidade para a manutenção de tal ou qual objeto no ar.

Pelas últimas experiências de Collie, Petterson e outros, não sabemos o ponto terminal da matéria, nem o ponto inicial da força; elas chegam a se confundir numa vibração harmônica e bela.

Por isso é que dissemos ser de bom aviso os homens de ciência não comprometerem a sua responsabilidade cientifica lembrando nomes para explicar teorias esdrúxulas, para, finalmente, explicarem fenômenos, cuja explicação verdadeira está só na alçada do Espiritismo.

É melhor estudar esta ciência porque ela não é um amontoado de fórmulas e de dogmas que forçam a razão, mas sim a resolução clara e lógica do problema da vida e da sobrevivência humana.


V
A força do preconceito
De todas as forças que oprimem o Espiritismo, a que mais o tem prejudicado é a "força do preconceito".

Desde o primeiro vestígio com que o "amor próprio" maculou a alma humana, o preconceito procurou fazer dela um títere, e lhe vai sugando a seiva da vida.

Tudo tem passado e vem passando, mas o preconceito é o esbirro teimoso que faz mais vítimas no campo das lutas incruentas, que as metralhas nos campos de Marte.

Estas matam o corpo, aquele mata a alma.

Mas de todas as artimanhas que o preconceito tem usado para entravar a marcha do progresso humano é, sem dúvida, a religiosa que vem há tempo solapando todas as bases da moral e destruindo o cimento da Fé que os arautos da Espiritualidade preparam para o reerguimento das consciências oprimidas.

Quando Moisés subiu ao Sinai deixou o povo com Aarão à espera dos mandamentos que deveriam orientar as gentes para os altos surtos do amor, e quando voltou encontrou os israelitas adorando o bezerro de ouro fundido das jóias que cada um possuía. Impossível a Moisés fazer prevalecer os preceitos do decálogo. O Deus Espírito não podia ser aceito por um povo bruto e material, havia necessidade de um "deus de ouro".

Passaram-se os tempos e o preconceito, a despeito das novas verdades e grandes descobertas que têm transformado a face do mundo, continua a exercer o seu poder nas consciências.

A força do preconceito, para muitos, tem mais poder que a verdade. É este um dos motivos que impede a marcha ascensional do Espiritismo entre nós.

Sem dúvida, o preconceito é o fundamento de todas as idéias preconcebidas, que têm tentado abater a Verdade em suas múltiplas manifestações, mas o preconceito passará, também, porque a falsidade não pode prevalecer.


VI
A preexistência e o subconsciente
A doutrina da preexistência do espírito está em intima relação com a da sobrevivência ao corpo.

A lei das vidas sucessivas vem em apoio a esta verdade consoladora e luminosa.

A vida não começa no berço e não termina no túmulo.

É nas vidas múltiplas na Terra e em outros mundos que adquirimos, conhecimentos e vamos nos libertando da ignorância que nos prende à infância do espírito.

É no perispírito que se gravam todas as imagens fornecidas à mente pelo mundo exterior, ele é o repositório de todas as aquisições, de todos os conhecimentos adquiridos, de tudo o que aprendemos, vimos, ouvimos e sentimos através das existências que percorremos..

Está, portanto, no perispírito a sede exclusiva da subconsciência.

A aceitação da subconsciência, em determinadas condições, implica, portanto, a aceitação da preexistência e da sobrevivência espiritual, bem como a reencarnação dos espíritos.

Quer isto dizer que os materialistas e os espiritualistas que não aceitam a reencarnação, não podem invocar a teoria do subconsciente para explicar fenômenos que estão na esfera do animismo; assim não explicam, porque não aceitam a doutrina das vidas múltiplas, a razão de ser da precocidade ou os "meninos prodígios", que tanto os maravilha.

De fato, como dar provas de conhecimentos que se não se adquiriu na Terra, se a alma começa e termina com o corpo ou se a alma, como dizem o Catolicismo e o Protestantismo foi criada com o corpo?

Como proclamar a "teoria do inconsciente" - com "aquisições anteriores." se se tem certeza que o indivíduo, com quem ou em quem se observa os fenômenos, nenhuma aquisição tem de tudo a que disse e dos altos conhecimentos que manifestou?

Um indivíduo, por exemplo, em estado de transe, de sonambulismo, fala do que não estudou, trata de assuntos altamente científicos ou filosóficos que não estão ao seu alcance em estado normal, quando não há aí interferência de um Espírito, uma outra personalidade, não há dúvida que a "teoria do subconsciente" ai é manifesta, mas sem dúvida alguma, também essa teoria não é um derivativo materialista e sim está intimamente ligada aos princípios espíritas da preexistência e vidas sucessivas.

O corpo humano nada pode; a espírito sim, quando mais ou menos livre. dum organismo denso e grosseiro que constitui o seu invólucro na Terra, pode dominar esse invólucro, e ler, remontando à corrente do passado, uma a uma, as páginas da sua existência integral, cujas ações e idéias desfilam ao longo do trajeto de suas encarnações.

Inventem teorias e forças, e todas elas passarão aos clarões vivificantes da Verdade que orientará as almas para os destinos felizes que as esperam.


VII
Espírito - Força e Matéria
Não negamos a existência da força, como não negamos as propriedades da matéria, mas não nos é possível admitir que a uma ou a outra fossem concedidos os atributos que só ao Espírito foi permitido gozar.

Espírito, força, matéria, eis, pois, a trindade real, indefectível que se apresenta aos olhos humanos e cujo estudo reclama a sua atenção.

Por que querer fazer abstração de um, que é causa preponderante da manifestação das outras, quando no nosso modo de julgar tudo o que se apresenta no cenário da vida não pode renunciar o fator inteligente com as suas prerrogativas industriais, científicas e artísticas?

Diante de uma simples cadeira construída de tábua nós reconhecemos uma entidade operante, uma inteligência e nem nos lembramos da matéria e da força que se lhe acham adstritas; entretanto, em face de coisas de muito maior valor e difícil execução que uma cadeira, negamos a ação espiritual e nos perdemos no labirinto das teorias abstratas que não falam ao sentimento, nem ao raciocínio!

Os fatos nada mais são que caracteres: eles representam a palavra escrita das nossas aptidões, produtos do grau de inteligência com que o Criador nos galardoou; e, quando esses fatos se manifestam de forma que não podem ser produtos humanos, é que existem seres imperceptíveis aos nossos limitadíssimos sentidos carnais que os engendraram para denunciarem aos homens a existência de um mundo extra corpóreo, cujos Espíritos vivem, sentem, amam e odeiam, e têm vontade própria, inteligência e liberdade de ação.

O homem não precisa fazer conjeturas, refundir os elementos esparsos das filosofias incongruentes, idéias que se chocam e se destroem para explicar as causas dos Fatos Espíritas que vêm valorizar a Moral e dar novo incremento à ciência, porque as teorias negativistas são como os castelos de cartas que caem ao mais leve sopro.

Mas, então, perguntar-nos-á o leitor: o Espiritismo atribui aos Espíritos, às Almas dos que impropriamente chamamos mortos todos os fenômenos psíquicos atualmente observados em todo o mundo? O Espiritismo diz que todos os fenômenos são produzidos pelos Espíritos, não só desencarnados, que constituem o mundo supra-sensível, mas também pelos encarnados que vivem na Terra.

Aos primeiros deu-se o nome de fenômenos espíritas, porque são produzidos pelas "almas dos mortos"; aos segundos, anímicos, porque são produzidos pelas "almas dos vivos". Mas é sempre a alma, o espírito, o autor das manifestações.

Desça o homem do pedestal em que falsamente se colocou, e reconhecerá as suas aptidões, compreenderá a sua existência independente do corpo carnal e sua sobrevivência à morte desse corpo, instrumento que é da sua manifestação na Terra.

Para que fazer dos agentes causa, quando nós sabemos, perfeitamente, que para todos os atos da vida não podemos dispensar os intermediários da nossa vontade que a ela se acham subordinados?

Estamos nos tempos em que o raciocínio, como atributo da inteligência, precisa ser aplicado para o discernimento do que estudamos.

As palavras vãs nada explicam e ainda têm o inconveniente de levar a desorientação àqueles que nos lêem, e que nos ouvem, pois aceitam-nas às mais das vezes por subserviência, outras para fazer favor, mas não por compreenderem e se convencerem do que dissemos.

Os fatos ai estão e vão se repetindo como tem acontecido em todas as épocas.

Verifiquem os fatos, mas estudem-nos em suas múltiplas fases que hão de encontrar neles este lema: Espiritismo.





VIII
Ciência bastarda
A inteligência foi doada às almas para a conquista de seu progresso e de sua felicidade.

Rude no começo, cultivada depois e, por fim esclarecida, vai ela se enaltecendo, crescendo em todos os conhecimentos, até que em alto surto desvende horizontes amplos e se ponha em relação com a natureza das coisas criadas.

Algemada a um amontoado de dogmas, cerceada pelos mistérios, condenada à escravidão, presa aos estreitos círculos do convencionalismo, a inteligência é como um pássaro enclausurado a quem se fura os olhos: canta, trina as suas chorosas melodias, que não são mais que repetir os anseios de liberdade, as reminiscências das alturas, onde em vôos altivos expandia seu gênio livre em busca de outras terras e outros céus, outros ares, outras paragens onde admirava as magnificências do Cosmos.

Querer delimitar a inteligência é paralisar o seu progresso, é condená-la ao desespero, à loucura, à morte!

Qual a sábio, o escriba que se julga de posse de todo o poder, de toda a crença, de toda a sabedoria, de toda a verdade?

Qual dos humanos é o mais inteligente, o mais rico de conhecimentos, o mais consciente dos seus dons, da sua tarefa, do seu dever?

E aquele que paira nas alturas, como ilustrou ele a inteligência, como adquiriu conhecimentos, compenetrou-se dos seus dons e obteve a noção do cumprimento do dever?

Estas qualidades, verdadeiros ornamentos da alma, tê-las-ia ele tirado dos dogmas, aprendido na abstração dos mistérios, encontrado no convencionalismo do sectarismo religioso ou cientifico?

O que é a ciência de hoje senão e glória adquirida pelos mártires da fé e da sabedoria?

O que será a ciência de amanhã senão os louros que se vão colhendo no meio dos combates do pensamento, sustentado pelos mártires da fé e da sabedoria?

Na história da humanidade e seu progresso incessante para a Luz, salientam-se as grandes perseguições e os repetidos ataques do oficialismo cientifico e religioso, contra as descobertas e contra os missionários que, enfrentando o obscurantismo comodista, embora com sacrifício da própria vida, têm abatido as barreiras da ignorância, fazendo repercutir no mundo o retinir do camartelo do progresso, abrindo assim, às inteligências, novas veredas promissoras dos altos destinos que nos esperam.

A inteligência não pode estacionar. Tudo caminha, tudo evolui em busca de luzes mais claras, de felicidades mais estáveis e verdadeiras.




IX
A Ciência e a religião oficial
A ciência e a religião oficializadas desnaturam o caráter da sabedoria e da Religião que o céu nos concede para nossa evolução espiritual.

Toda idéia, seja ela cientifica ou religiosa, que é imposta pela força armada, que precisa do braço de ferro dos governos para ser aceita, não pode merecer a sanção das inteligências.

Estão neste caso a ciência e a religião oficiais.

De fato, o que representam a química, a física, a fisiologia dos nossos dias, inclusive a medicina, "arte de curar", que não transpôs até o presente os limites da matéria?

O que é a física em face dos fenômenos de levitação, proclamados pelos maiores sábios que os têm verificado nas sessões espíritas?

O que é a química depois das afirmações probantes de Ramsay, Curie, Le Bon, para não falar na dissociação da matéria, na transposição da matéria pela matéria verificada por Crookes, Lodge e mais uma plêiade de químicos que ilustram a história do Espiritismo?

O que é a astronomia acadêmica comparada à astronomia que desvenda a habitação dos mundos em sua pluralidade, mostrando em cada orbe uma humanidade que pensa e age, em sua grande maioria bem mais adiantada que a humanidade terrestre?

O que é a Filosofia em face dos fenômenos de materialização e desmaterialização, a ectoplasmia e mesmo os fatos de animismo verificáveis em qualquer momento por todos os homens de boa vontade?

Que papel pode representar no consenso científico verdadeiro, a medicina acadêmica que continua a afirmar, com os seus mestres, não ter até agora encontrado a alma, substância que seu escalpelo não pode descobrir?

O que diz a medicina sobre esses fenômenos de neuropatia superior e inferior que se apresentam a todo o momento às suas vistas?

E como arrogar-se com o privilégio da verdade, se os fatos contradizem essa afirmação?

Como se cura um pneumônico? - como debelar uma afecção tifica, como restabelecer a saúde a um varioloso? Tem a medicina específicos positivos para garantir a vida dos pacientes afetados de tais enfermidades? Não tem.

A ciência oficial é, portanto, de nenhum valor porque, embora os seus processos se digam positivos, a sua ação é dogmática, misteriosa, improdutiva.

A força do poder lhes garante a superioridade, mas a verdade nega-lhes esse poder que não representa senão o bafejo governamental.

O mesmo acontece às religiões, com os seus dogmas, mistérios, cultos, sacerdotes, religiões hierarquizadas e sistematizadas por concílios e conchavos, cujos indivíduos se arrogam superioridade aos demais homens, exercendo assim a escravidão do espírito, que é a pior de todas as escravidões.


X
As forças adversas e a força da verdade
A humanidade repousa sobre uma base falsa, jaz adormecida sobre fundamentos tão insubsistentes que a menor correnteza abala os seus alicerces corroídos.

A ciência oficial, como as religiões oficiosas, pode ser comparada ao edifício erguido sobre a areia movediça, de que fala a parábola.

O "monodeismo" dos cientistas materialistas, que faz abstração da Nova Psicologia que destrinça as tramas de todos os fenômenos vitais, anímicos e espíritas, é a causa mortis de uma sociedade materializada, sem afetos e sem ideal.

Todas as atenções estão voltadas para o Materialismo: Política, Ciência. Religião!

Este triunvirato opressor, aniquila todos os sentimentos nobres, destrói todo o raciocínio, que exercido com critério forçaria as almas ao cumprimento dos seus sagrados deveres. Note-se que falamos da política, ciência e religião oficial e oficiosas.

Até a literatura prenhe de misticismo e de materialidade, tal como se nota nos nossos dias, envolve as sociedades de mal-estar e descrença!

Quem são os culpados dessa hecatombe mundial?

Os grandes da nossa época, os doutores da lei, os escribas da retórica, os sacerdotes dos templos, finalmente os - "Guias Cegos" de "cegos" que se precipitam no acidentado plano do materialismo.

No mundo, atualmente, prevalece a forma, o exterior! O fundo desapareceu, embora o Cristo tivesse dito há 2.000 anos que a sua Palavra é espírito e vida.

Onde estão a fé, a caridade, a crença, a virtude? Só se vê corpos e esses mesmos em discordância com os princípios do decoro.

O Materialismo oficial infiltrou-se nas camadas populares e todas essas FORÇAS que se congregaram para abater o Espiritismo, são os resultados do fogo que ele ateou.

As forças X... carbonizaram os cérebros e inflamaram os corações, e só um trabalho assíduo, cheio de dedicação e desinteresse, poderá restabelecer, aos poucos, uma sociedade decaída, enferma, que se debate entre o declive escorregadio do NADA e as abstrações de uma superstição religiosa!

Ao Espiritismo compete essa grandiosa missão: Ele está encarregado de restaurar todas as coisas, de restabelecer toda a Verdade e de implantar no mundo a paz, o amor, a sabedoria, a luz.

"Só a Verdade pode nos tornar livres"; só a força propulsora da Verdade nos proporcionará a gloriosa ascensão para a posse dos nossos destinos imortais.




Conclusão
Em todos os tempos, luzeiros da Verdade têm baixado à humanidade, para lhes guiar os passos na senda da espiritualidade. Infelizmente as paixões e os interesses materiais desnaturam seus ensinos, impondo dogmas, proclamando mistérios, ditames estes que não encontram sanção na lei divina ou natural.

Tanto na esfera cientifica como no campo religioso assim tem acontecido, até que a humanidade, cansada de vãs especulações, descambou para o ateísmo, a negação.

Felizmente, porém, a voz dos "mortos", a voz dos Espíritos se fez ouvir, e a Verdade aparece mais bela e mais brilhante que nunca.

Assim nasceu o Espiritismo acionado pelos Poderes Superiores encarregados do nosso mundo. Conjuntamente ciência experimental, filosofia e moral, o Espiritismo nos traz a verdadeira concepção do mundo e do Universo, assim como resolve magnificamente todos os problemas da Vida e da Morte.

Baseado na razão, no estudo, nos fatos, o Espiritismo constituiu-se a verdadeira Filosofia, abrindo à humanidade novas perspectivas, iniciando nos na Vida futura e mostrando a nossa dupla natureza: corporal e espiritual.

Fonte inesgotável de consolações, só o Espiritismo, com a sua lei da comunicação entre os vivos a os mortos, satisfazem os nossos maiores desejos, as nossas mais altas aspirações.



Vós, que acabais de ler estas páginas, estudai-o, e por ele vivificados sustentareis mais animosamente os combates da vida, obtendo o triunfo nas lutas que empreenderdes.

Jesus vos auxilie.


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