Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville



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CONVERSÃO DE SAULO

Saulo, respirando ainda ameaças e morte, contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote, e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, afim de que, caso achasse alguns que fossem do caminho, tanto homens como mulheres, os levasse presos a Jerusalém. Caminhando ele, ao aproximar-se de Damasco, subitamente resplandeceu em redor dele uma luz do céu; e caindo em terra, ouviu uma voz dizer-lhe: Saulo, Saulo, porque me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? Respondeu Ele: Eu sou Jesus a quem tu persegues; mas levanta-te e entra na cidade, e dir-te-ão o que te é necessário fazer. Os homens que viajavam com ele, pararam, emudecidos, ouvindo sim a voz, mas sem ver a ninguém. Levantou-se Saulo da terra e, abrindo os olhos, nada viu; e guiando-o pela mão, conduziram-no a Damasco. E esteve três dias sem ver e não comeu nem bebeu. – Cap. IX, v. v. 1–9.


Saulo nasceu em Tarso, na Cilícia e pertencia a uma família de judeus da seita farisaica. Foi educado em Jerusalém, sendo discípulo de Gamaliel, havendo também aprendido o ofício de tecelão, segundo o preceito da lei judaica, que impunha a todos os doutores da lei a obrigação de saberem um ofício.

Saulo era um moço vigoroso, de espírito forte. Por ocasião da luta entre os judeus que se conservavam fiéis aos preceitos do sacerdotalismo e os primitivos cristãos, Saulo entrou em ação forte contra estes, distinguindo-se pela sua coragem e papel saliente que desempenhava na ofensiva contra os discípulos de Jesus.

Certo dia, ele dirigiu-se ao sumo sacerdote e solicitou cartas para os padres de Damasco que dirigiam as Sinagogas (Igrejas).

O pontífice imediatamente acedeu ao pedido, e partiu instantaneamente em direção a Damasco, unido a alguns companheiros, o jovem doutor que, como diz o capítulo dos Atos, respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor.

Foi justamente ao aproximar-se de Damasco que o Sublime Espírito que fundara o Cristianismo, no desempenho de sua excelsa missão, julgando apta aquela grande personalidade para colaborar na grande causa da redenção humana, vibra sobre ela a sua luz fulgente e brada em tom severo, mas verdadeiramente paternal: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”.

Este apelo penetrou súbito no coração do inimigo gratuito daquele que dentre poucos dias seria o seu maior amigo, o seu maior protetor e até a sua própria vida!

Mas o moço Saulo não se deixou levar unicamente pelas ânsias regeneradoras que transformavam o seu coração. Ele ergueu-se em sua lucidez racionalista, e retorquiu: “Quem és tu Senhor?” A voz se fez ouvir novamente: “Eu sou Jesus a quem tu persegues; mas levanta-te e entra na cidade, e dir-te-ão o que é necessário fazer” .

Estava feito o trabalho do Espírito; estava demonstrada a imortalidade da alma; estava estabeleci da a comunicação de Jesus, com aquele que viria a ser dentro em pouco o seu grande intermediário, para levar a gentios e a judeus a Nova Fé, que os viria libertar do cativeiro sacerdotal.

Já não era mais Saulo que vivia; não era o terrível perseguidor dos cristãos que andava no encalço dos que evangelizavam. Saulo desaparecera para dar lugar a um novo homem vestido da fé, com as armaduras da caridade e do amor,

Uma nova consciência se elaborava naquele homem que há pouco havia participado da morte de Estêvão. Cego, sem luz nos olhos para se guiar a Damasco onde pretendia acumular façanhas e dominar pelo terror, acolitado pelos padres daquela famosa cidade, foi-lhe preciso estender, súplice, as mãos para que o guiassem à cidade, onde esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu.

A conversão de Paulo é um dos fatos mais importantes da história.

O grito de Damasco reboa até agora a nossos ouvidos e repercute pelo mundo todo. Nem as vozes dos dissidentes puderam até agora abafá-lo. É o grito da Imortalidade, é o brado do Amor que ergue o edifício da Fé sobre a rocha da Revelação, é a Esperança na Outra Vida que ressurge, é, finalmente, a Luz raiando das trevas e iluminando a todos nós com os esplendores da Eternidade.



A VISÃO DE ANANIAS – A VISÃO DE SAULO – O ESPÍRITO DAS INSTRUÇÕES

Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias, e disse-lhe o Senhor em visão: Ananias. Respondeu ele: Eis-me aqui, Senhor. E o Senhor ordenou-lhe: Levanta-te e vai à rua que se chama Direita e procura na casa de Judas a um homem de Tarso, chamado Saulo; pois, ele está orando, e tem visto um homem por nome Ananias, entrar e impôr-lhe as mãos para recuperar a vista. Mas Ananias respondeu: Senhor, eu tenho ouvido a muitos acerca deste homem quantos males fez aos teus santos em Jerusalém; e aqui tem autoridade dos principais sacerdotes para prender a todos os que invocam teu nome. Mas o Senhor disse-lhe: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome perante os gentios e os reis, bem como perante os filhos de Israel; pois, eu lhe mostrarei quanto lhe é necessário padecer pelo meu nome. Partiu Ananias e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Saulo, irmão, o Senhor Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, enviou-me para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo. Logo lhe caíram dos olhos umas como escamas, e recuperou a vista; e levantando-se, foi batizado; e depois de tomar alimento, ficou fortalecido. — v. v. 10–19.


Duas novas manifestações são assinaladas neste trecho dos Atos. A comunicação de Jesus a Ananias, poderoso médium vidente e auditivo, pois, viu a Jesus e ouviu as suas palavras; e a aparição do próprio Ananias, naturalmente enquanto o corpo se achava adormecido, a Saulo.

Estas duas manifestações, assinaladas nos “Atos dos Apóstolos” vêm corroborar a nossa tese sobre “Animismo e Espiritismo”, ou seja, comunicações entre vivos e comunicações entre vivos e mortos.

Jesus, depois de ter morrido, apareceu a Ananias e lhe falou; Ananias a seu turno, segundo a afirmação de Jesus, como era, talvez, médium de bilocação, apareceu a Saulo, no momento em que este orava e lhe impôs as mãos para que recuperasse a vista.

Acresce ainda que esta manifestação é perfeitamente admitida pelo Espiritismo, como um fenômeno premonitório, fenômeno esse que teve a sua realização, como se depara no próprio trecho, com a ida de Ananias à casa de Judas, onde se achava Saulo, impondo de fato, sobre estes as mãos e curando-o da cegueira.

Ananias era um médium valoroso: auditivo, vidente, de desdobramento, curador, intuitivo, inspirado e, certamente, poliglota, mediunidade esta muito comum naquele tempo.

Uma coisa, porém, nós notamos, é que com a imposição das mãos de Ananias, Saulo não recebeu o Espírito Santo.

Como vimos nos trechos, ou capítulos anteriores, todos os convertidos por Pedro e João, a quem eram impostas as mãos, recebiam o Espírito Santo, mas com Saulo não aconteceu isto. O trabalho de Ananias se limitaria a restituir a vista ao novo discípulo? Certamente que não. A missão de Ananias foi muito superior a esta. O principal escopo de Jesus, enviando Ananias a Saulo, foi fazê-lo confirmar a manifestação de Damasco, foi dar sanção à conversão iniciada na Estrada, manifestação essa presenciada por outras pessoas que, conquanto não tivessem visto Jesus, ouviram a sua voz.

Saulo era um homem de grande instrução, racionalista, não se converteria sem um conjunto de provas que pudessem convencê-lo da Verdade Cristã.

Nós aprendemos ainda mais que, segundo se conclui pela narrativa, Saulo não recebeu o Espírito Santo, porque recebera diretamente o próprio Espírito de Jesus Cristo, que é o Chefe da Falange denominada Espírito Santo.

Com efeito, o novo Apóstolo estava muito convencido que a sua ação no ministério, conforme se depreende das suas Epístolas, não era pessoal, mas o Cristo é que agia nele para fazer tudo.

Este trecho de Jesus, dito a Ananias, é característico: “Vai, porque este é para mim, um vaso escolhido para levar o meu nome perante os gentios e os reis, bem como perante os filhos de Israel”.

A narrativa termina com o clássico “batizado” que não passava entre os discípulos, de uma formalidade, para relembrar a abolição da circuncisão e sua substituição pela imersão do catecúmeno na água, feita por João Batista, prática essa substitutiva e provisória que, como disse o próprio Batista, daria lugar ao “batismo do Espírito”.



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