Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville


A MORTE DE TIAGO – PEDRA É NOVAMENTE PRESO – MARAVILHOSAS MANIFESTAÇÕES NA PRISÃO



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A MORTE DE TIAGO – PEDRA É NOVAMENTE PRESO – MARAVILHOSAS MANIFESTAÇÕES NA PRISÃO

A vida dos Apóstolos foi cheia de sofrimentos de um lado, e de triunfos de outro. É o que Léon Denis chamava a medi unidade gloriosa e o martirológio dos médiuns.

As perseguições, as calúnias, as injúrias, as cadeias cobriam sempre de labéu os discípulos de Jesus; mas, por outro lado, os Espíritos operavam, por seu intermédio, maravilhas que Lhes davam alegrias e felicidades íntimas.

Uns eram sacrificados ou lapidados em praça pública, como Estêvão, outros eram mortos à espada, como Tiago. Mas nenhum parecia abandonado. O Céu abriu-se sobre suas cabeças e eles arrostavam encorajados todos os martírios.

Pedro foi um herói das primeiras cruzadas. Bafejado sempre pelo Espírito, era intemerato, fazia prodígios, e maravilhas se operavam sob seus olhos, a ponto de ficar boquiaberto ele próprio.

Após os maus tratos que Herodes ordenou contra diversos discípulos, e a morte de Tiago, que foi passado a fio de espada, Pedro foi preso por ordem do mesmo Herodes, como se vai ler da narrativa de Lucas, incerta no capítulo XII, 1–9.

Tiago era irmão de João Evangelista e André, estes últimos também Apóstolos; o chamado Tiago maior, filho de Zebedeu, foi o quarto dos doze Apóstolos escolhidos por Jesus, e um dos quatro que acompanharam a Jesus na Paixão, no Jardim das Oliveiras e na Transfiguração no Tabor.

Depois da ressurreição do Senhor, Tiago voltou para Jerusalém donde saíra, por ocasião da morte do Mestre, e pregou o Evangelho com tanto zelo que os membros do Sinédrio exigiram de Herodes Agrippa a morte do Apóstolo. Foi ele o primeiro discípulo intemerato que se sacrificou pela religião.

Passemos à transcrição do capítulo:

“Naquele tempo o rei Herodes mandou prender alguns da igreja para os maltratar. E ordenou que matassem à espada a Tiago, irmão de João. Vendo que isto agradava aos judeus, fez ainda mais, mandou prender também a Pedro — e eram os dias dos pães asmos — e tendo-o feito prender, lançou-o no cárcere, entregando-o a quatro escoltas de quatro soldados cada uma para o guardarem, tencionando apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas a igreja orava com insistência a Deus por ele. Quando Herodes estava para apresentá-lo, nessa mesma noite, dormia entre dois soldados, acorrentado com duas cadeias, e sentinelas à porta guardavam o cárcere. E eis que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz brilhou na prisão, e ele tocando o lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. E as cadeias caíram-lhe das mãos. O anjo acrescentou: Cinge-te e calça as suas sandálias. E ele assim o fez. Disse-lhe mais: Cobre-te com a tua capa e segue-me. Pedro saindo, seguia-o, e não sabia que era real o que se fazia por meio do anjo, mas julgava que era uma visão. Depois de terem passado a primeira e a segunda sentinela, chegaram ao portão de ferro que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo; e saindo, andaram uma rua, e logo o anjo o deixou. Pedro, tornando a si, disse: agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo judaico. Depois de refletir foi à casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde muitas pessoas estavam congregadas e oravam. Quando ele bateu ao postigo do portão, veio uma criada chamada Rhode ver quem era; e reconhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu o portão, mas correndo para dentro, contou que Pedro estava ali. Eles lhe disseram: Estás louca. Ela, porém, assegurava que era ele. Diziam; e o seu anjo. Mas Pedro continuava a bater; e quando abriram o portão, viram-no e ficaram atônitos. Mas ele, acenando-lhes com a mão que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirou do cárcere, e acrescentou: Anunciai isso a Tiago e aos irmãos, e saindo retirou-se para outro lugar. Logo que amanheceu, houve grande alvoroço entre os soldados sobre o que teria acontecido a Pedro. Herodes tendo-o procurado e não o achando, inquiriu as sentinelas e mandou que fossem justiçadas; e descendo da Judéia a Cesárea, ali se demorou”.

Este magnífico relato extraído ipsis verbis dos Atos, reproduz todos os fenômenos físicos observados por iminentes sábios nas suas experiências espíritas: quebra das cadeias de ferro, materialização de Espírito, etc.

Nota-se de outro lado que todos os da congregação em casa de Maria, estavam muito a par das aparições dos Espíritos, sem o que não podiam ter dito que era o “Anjo de Pedro” (perispírito) e não Pedro.

A grande proteção que tinha Pedro, o livrou, como se vê, de muitas tribulações.

Se se fizesse um confronto entre a vida de Pedro e a vida dos Papas, ver-se-ia como a destes é a absoluta antítese à daquele.

Como seria bom se os Papas fossem mesmo sucessores de Pedro; o mundo hoje estaria reformado. A Igreja não seria de Roma, nem da terra, não haveria prata e ouro nos templos, com tanta sobra que dão até para fomentarem o morticínio contra os próprios irmãos, mas haveria prodígios, haveria amor, haveria fraternidade e fé.

MORTE DE HERODES

Ora, Herodes estava irritado contra os de Tyro e de Sidon; porém eles de comum acordo, se apresentaram a ele e, depois de alcançar o favor de Blasto, camarista do rei, pediam paz, porque, era do país do rei que se abastecia o país deles. Num dia designado, Herodes vestido de traje real, sentado no trono, dirigia-lhes uma fala; e o povo clamava: É a voz de um deus e não de um homem. No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e comido de vermes, expirou. Cap. XII, v. v. 20 – 23.


A morte de Herodes não está no programa deste livro — “Vida e Atos dos Apóstolos”. E se fizemos referência a ela é porque deveria com certeza ser um fato de monta em que a perseguição atroz movida contra os Apóstolos e discípulos, deveria diminuir ou, ao menos, mudar deforma.

É o que vamos ver.



INSTRUÇÕES DO ESPIRITO – EXCURSÃO DE PROPAGANDA

Havia na Igreja da Antioquia profetas e doutores, Barnabé, Simão que tinha por sobrenome Niger, Lucio de Cyrene, Manaen, colaço de Herodes, o tetrarea, e Saulo. Enquanto eles ministravam perante o Senhor e jejuavam, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado; então, depois que jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos e os despediram.

Eles, pois, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Seleucia e dali navegaram para Chypre e chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e também tinham João como ajudante. – Cap. XIII, 1 – 5.
A agremiação cristã de Antioquia, pelo que se nota, crescera de um modo notável, chegando a ter entre si muitos doutores e profetas. Pessoas gradas já não se envergonhavam mais do nome de Jesus e pleiteavam um lugar na agremiação. Vemos por exemplo, entre os cristãos de Antioquia, o “irmão de leite” (colaço) de Herodes, rei da Judéia, e o próprio governador de Antioquia (tetrarca).

Foi numa das reuniões, as quais eram feitas com grande religiosidade, que o Espírito Guia se manifestou, ordenando a escolha de Barnabé e Paulo, para uma excursão de propaganda, que se devia realizar, sob a sua direção.

Estes Apóstolos, depois de receberem o testemunho do amor fraterno e de solidariedade de todos, que impuseram neles suas mãos, saíram, desceram a Seleucia, dali tomaram a embarcação, navegando para Chypre e foram à Salamina, onde encontraram João, naturalmente João Marcos, que os auxiliou no trabalho espiritual que aí fizeram.

Cumpre não esquecer que os Apóstolos não obedeciam cegamente às ordens de terceiro, mas ouviam sempre a deliberação da agremiação quando esta se achava sob a visível influência do Espírito.

Todas as grandes resoluções eram tomadas pelo Espírito Chefe do Grêmio.

As igrejas antigamente não eram como hoje sinônimos de casas, edifícios erguidos para cultos. Igreja, na expressão evangélica, é a reunião dos crentes, agindo cada qual com os seus dons espirituais.







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