Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville



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ATOS DOS APÓSTOLOS

“Atos dos Apóstolos” é um dos livros do “Novo Testamento”, escrito em grego pelo Evangelista Lucas, o autor do 3o Evangelho. Esse livro contém a história do Cristianismo, desde a ascensão de Jesus Cristo, até a chegada de Paulo, em Roma, segundo dizem, no ano 63. Parece ser a continuação do referido Evangelho também dedicado a Teófilo. Consta de 28 capítulos.

Se quiséssemos resumi-lo, nele veríamos a história da fundação dos primeiros núcleos cristãos (Igrejas) até a morte de Herodes; o cumprimento de muitas promessas do Cristo; a prova da ressurreição e aparições do Divino Mestre; a difusão do Espírito no Cenáculo de Jerusalém; o desinteresse, a caridade dos primeiros Apóstolos, enfim, o que sucedeu a estes até a sua dispersão, para pregarem o Evangelho em todos os lugares ao seu alcance.

O Evangelista Lucas, foi um dos grandes discípulos de Paulo. Nascido na Antioquia, exercia a medicina e afirmam ter sido um bom artista. Daí o haverem-no escolhido os médicos por seu Patrono. Mas o principal de Lucas não é ter sido médico, mas sim um grande Apóstolo do Cristianismo nascente. Pelo seu Evangelho e Atos, vê-se que era um homem ilustrado, de vistas largas, pois bem interpretava o movimento de reforma religiosa que se operou em seu tempo, movimento que mereceu todo o seu auxilio prestado à Causa Cristã com rara abnegação.

Foram unicamente estes os dados mais acertados que conseguimos obter sobre tão ilustre personalidade, que assinalou sua passagem pela Terra como um super-homem, entidade dotada, pelo que se vê, de faculdades admiráveis que eram as insígnias de tão ilustre quão elevado Espírito.


EXEGESE HISTÓRICA DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

No primeiro livro relatei, ó Teófilo, todas as coisas a fazer e a ensinar, até o dia que foi recebido em cima, depois de haver, dado preceitos pelo Espírito Santo aos Apóstolos que escolhera; aos quais Ele também, depois de haver padecido, apresentou-se vivo, dando disto muitas provas, aparecendo-lhes por espaço de quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. — Atos, I – 1 – 4.


A leitura e meditação dos “Atos dos Apóstolos”, assim como acontece com todos os livros do Novo Testamento, nos proporcionam agradáveis momentos de instrução e, ao mesmo tempo, de consolação.

Muitas proposições ressaltam aos nossos olhos, ao abrir este livro, pequenino na verdade, mas grande no seu extraordinário escopo de levar a todos os lares os dados históricos da Missão Apostólica, em suas fases gloriosa e dolorosa, mas sempre proveitosas aos extraordinários seguidores do Ressuscitado da Galiléia e bem assim àqueles que quiseram e aos que querem seguir-lhes as pegadas.

O que logo ressalta às nossas vistas nesta tirada de Lucas, é a confirmação que o ilustre Evangelista faz do primeiro livro por ele escrito, ou seja, do 3o Evangelho, em que há tudo o que é necessário fazer e ensinar sobre os Preceitos de Jesus, desde o nascimento do Senhor em Belém, até o dia de sua ascensão, inclusive as lições recebidas durante os quarenta dias em que o Mestre esteve com eles, aparecendo-lhes por esse espaço de tempo após sua morte.

Este fato das aparições de Jesus, relatado por todos os Evangelistas e confirmado nas diversas Epístolas inseridas no Novo Testamento, é muito significativo e não pode deixar de constituir a base fundamental da Religião Cristã, como já temos dito em outras obras.

Essas aparições são as provas positivas da continuidade da Vida do Divino Mestre e, portanto, do prosseguimento da sua Missão, tal como Ele mesmo declarou, segundo refere o Evangelista João: “Não vos deixarei órfãos, eu voltarei a vós. Ainda um pouco, e depois o mundo não me verá mais, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis”. (XIV, 19). “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e ME MANIFESTAREI A ELE” – (XIV, 21).

O último trecho é a recomendação solene do Mestre para que eles não saíssem de Jerusalém, a fim de esperarem a promessa feita pelo Pai, a qual (disse Ele) de mim ouvistes. Essa promessa se refere à difusão do Espírito, bem caracterizada primeiramente no cap. VII, 37 – 39 de João: “No último, no grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como disse a Escritura, do seu interior manarão rios de água viva. Disse isto a respeito do Espírito que iam receber os que nele cressem, porque o Espírito ainda não fora dado, pois, Jesus não tinha sido ainda glorificado”, E depois nos capítulos: XIV — “Se me amais, guardai os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, Ele vos dará outro Parácleto, a fim de que fique sempre convosco; o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós” (15,17). Eu vos tenho falado estas cousas, estando ainda convosco; mas o Parácleto, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que eu vos disse” (25, 26). Cap. XV: “Quando, porém, vier o Parácleto, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, esse dará testemunho de mim; e vós também dareis testemunho porque estais comigo desde o princípio” (26, 27). Cap. XVI: “Ainda tenho muitas coisas que vos dizer, mas vós não as podeis suportar agora; quando vier, porém, aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que estão para vir. Ele me glorificará porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (12-14).

Na parte final do trecho acima transcrito, nós observamos a íntima ligação existente, entre a vinda do Parácleto e o Batismo referido pelo Batista: “Eu vos batizei com água, mas atrás de mim vem quem vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mateus, III, 11).

Jesus confirma o que disse João Batista: “Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias” (Atos, 1, v. 5).






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