Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville



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PAULO E BARNABÉ SE DIRIGEM AOS GENTIOS

No sábado seguinte reuniu-se quase a cidade toda para ouvir a palavra de Deus. Mas os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo falava. Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Era a vós que se devia falar primeiramente a palavra de Deus; mas visto que a rejeitais e vos julgais indignos da vida eterna, eis que nos viramos agora para os gentios. Porque assim nô-lo ordenou o Senhor:

Eu te tenho posto para luz dos gentios.

A fim de que sejas para salvação até os confins da terra.

Os gentios ouvindo isto regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que estavam destinados para a vida eterna; e divulgava-se a palavra do Senhor por toda aquela região. Mas os judeus instigaram as mulheres devotas de alta posição e os principais da cidade, e excitaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé, e expulsaram-nos do seu território. Mas havendo estes sacudido contra aqueles o pó de seus pés, foram a Icônio, e os discípulos estavam cheios de gozo e do Espírito Santo. Cap. XIII, v. v. 44 – 52.
O judaísmo se reproduz perfeitamente no Romanismo. É o mesmo espírito de ódio, de absolutismo, de privilégio, de superioridade.

Os judeus, sob a direção sacerdotal, como se depara na narração dos Atos, não suportavam a palavra apostólica e contradiziam-na sempre, mas faziam-no sem base, sem lógica, sem motivo plausível que justificasse suas condenações. E como o povo aplaudisse e concorresse às. pregações dos Apóstolos, eles instigaram, como fazem atualmente os sacerdotes romanos, as mulheres devotas de alta posição e os principais do povo, para perseguirem os discípulos de Jesus, expulsando-os do território.

Não há dúvida, que, com armas tão infames, não podiam deixar de vencer aqueles em cujo coração só palpitava a humildade, o amor e a resignação.

Os Apóstolos retiraram-se, mas não se esqueceram de por em prática a recomendação do Mestre, sacudindo contra os inimigos do Bem o pó de seus pés.

Entretanto, os gentios, cuja religião não era outra que o Paganismo inciente e idólatra, receberam de braços abertos os novos pegureiros e abriram seus corações para as irradiações da Luz Celeste que lhes devia iluminar o caminho da Vida Eterna. E os gentios se regozijavam e glorificavam a palavra do Senhor, proferida por aqueles portadores da Redenção.

Enfim, partiram os Apóstolos para Icônio, e os que ficaram e se converteram alegravam-se no Senhor permanecendo na oração e no estudo para a conquista de maiores graças.




OS DISTÚRBIOS EM ICONIO – PAULO E BARNABÉ EM ICONIO E LYSTRA

Em Icônio, Paulo e Barnabé, entraram juntos na sinagoga dos judeus, e falaram de tal modo que creu uma grande multidão de judeus como, de gregos. Mas os judeus que não creram, excitaram e exasperaram o ânimo dos gentios contra os irmãos. Entrando, demoraram-se ali bastante tempo, falando ousadamente no Senhor, que dava testemunho da palavra da sua graça, concedendo que por mãos deles se fizessem milagres e prodígios. Mas dividiu-se o povo da cidade; e uns eram pelos judeus, e outros pelos Apóstolos. E como houvesse um movimento dos gentios e dos judeus juntamente com as suas autoridades, para os ultrajar e apedrejar, eles, sabendo-o, fugiram para Lystra e Derbe, cidades da Lyacônia, e para circunvizinhança, e ali pregavam o Evangelho. – Cap. XIV, v. v. 1 – 7.


A tarefa apostólica não deslizou num mar de rosas; eles tiveram de arrostar embaraços e afrontar o espírito de sistema arraigado nas massas materializadas.

A seu turno, as autoridades, em vez de desempenhar o seu papel como distribuidoras da Justiça, vão sempre de encontro às verdades que surgem e o espírito liberal que incentiva os pegureiros do Bem.

Autoridades e padres, sempre de braços dados, representando a nobreza e o capitalismo, em todas as épocas têm sido a vergasta dos libertadores que empunhando o farol divino do progresso, se esforçam para iluminar aos homens, o grande Ideal da Perfeição.

Uma coisa interessante, entretanto, se nota: que no tempo do Cristianismo, apesar do ódio judaico, se dava aos Apóstolos permissão para falarem nas sinagogas. Os espíritos romanos e protestantes nesse ponto são mais estreitos, mais acanhados, mais sectários. Quem poderá se erguer numa dessas igrejas para expor as suas idéias? Ninguém. Entretanto, as igrejas e templos são propriedades do povo, é o povo quem as constrói, quem as mantém, quem as embelezam. Mas o padre é o seu legítimo proprietário, ele faz das “casas de oração” o que quer; permite e veda a entrada nos templos a quem lhe apraz.

Enfim, nós concluímos desta tirada, que uma grande parte do povo recebeu a crença e ficou do lado dos Apóstolos. Estes, vendo-se ameaçados, retiraram-se para Lystra e Derbe, onde foram com o fim de pregar o Evangelho.

Em Icônio os Apóstolos fizeram grandes prodígios; muitos fatos espíritas se desdobraram aos olhos do povo para lhes fortificar a crença e demonstrar que a Doutrina de Jesus não é uma coisa abstrata como pensam alguns, mas um todo concreto, composto de filosofia e moral, alicerçado por fatos psíquicos demonstrativos da Imortalidade.



PODER E HUMILDADE DOS APÓSTOLOS – A CURA DO COXO

Em Lystra estava sentado um homem aleijado dos pés, coxo desde o seu nascimento, e que nunca tinha andado. Ele ouvia falar Paulo, e este, fitando os olhos nele e vendo que tinha fé de que seria curado, disse em alta voz: Levanta-te direito sobre os teus pés. E ele saltou e andava.

A multidão, vendo, o que Paulo fizera, levantou a voz em língua Iycaônica, dizendo: Os deuses em forma humana desceram a nós, e chamavam a Barnabé, Júpiter e a Paulo, Mercúrio, porque era este quem dirigia a palavra. O sacerdote de Júpiter, que estava em frente da cidade, trouxe para as portas touros e grinaldas e queria sacrificar com a multidão. Mas os Apóstolos Barnabé e Paulo, quando ouviram isto, rasgaram os seus vestidos e saltaram para o meio da multidão clamando: Senhores, porque fazeis isto? Nós também somos homens da mesma natureza que vós e vos anunciamos o Evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o Céu, e a Terra, o Mar e tudo o que neles há; o qual nos tempos passados e permitiu que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos; e, contudo, não deixou de dar testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do Céu chuvas e estações frutíferas, enchendo-vos de mantimento e os vossos corações de alegria. Dizendo isto, com dificuldade impediram a multidão de lhes oferecer sacrifícios. – Cap. XIV, v. v. 8 – 18.
A cura do coxo de Lystra foi efetuada pelo mesmo processo que a cura do coxo do templo da porta Formosa, efetuada por Pedra.

Paulo possuía também, como Pedro, o grande dom de curar os doentes. Era, como dissemos, um dos sinais que envolviam os Apóstolos. A fé contribui muito para o sucesso dessas curas. Jesus dizia aos que lhe pediam o restabelecimento da saúde: “Se tiveres fé, tudo é possível”.

Sem dúvida, esse fenômeno, como todos os demais catalogados nos Evangelhos e que o Espiritismo reproduz, produzem grande sensação.

Foi o que aconteceu em Lystra. Admirados do fato; surpreendente que acabavam de observar, não só o cura do, como todos os que presenciaram o fato, julgaram, de acordo com suas idéias primitivas, que Paulo e Barnabé eram deuses baixados à terra.

Submissos ao politeísmo, sem noção da verdadeira religião que ensina aos homens todas as coisas, estavam eles já prontos para oferecer a “esses deuses” touros e grinaldas, como era de seu costume, mas os Apóstolos, compenetrados de seus deveres e fiéis à missão que desempenhavam repudiaram imediatamente as ofertas, os holocaustos e as ovações, fazendo-lhes ver que Deus não permite essas coisas, pois, sendo Ele o dono de tudo, não compete a nós oferecer-lhe dádivas nem sacrifícios.

O sinal do aposto lado é o desinteresse e a humildade, e estes Apóstolos deviam fazê-lo realçar para que a doutrina que pregavam fosse aceita em seus princípios constitutivos, a fim de verdadeiramente poder salvar as almas.

Observe com atenção o leitor a vida dos Apóstolos, os seus atos, a sua pregação e digam com a mão na consciência, se os sacerdotes atuais imitam, por ventura, algum dos feitos desses grandes instrutores da humanidade.

Eles davam e não recebiam, eram perseguidos e não perseguiam, todas as suas palavras, todos os seus atos eram outros tantos louvores ao Deus vivo, que fez a Terra, o Céu, o Mar e tudo o que neles há. Repeliam as glórias, repudiavam os louvores, execravam o maldito ouro que tanto escraviza os sacerdotes do nosso tempo, e sofriam injustas perseguições, louvando sempre ao Senhor e dando bom testemunho que, de fato, eram cristãos.

Eles eram cheios de poder, porque eram humildes e verdadeiros, por isso o Espírito seguia seus passos provendo-os de tudo o que necessitavam.


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