Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville


FENÔMENOS SURPREENDENTES NA PRISÃO DA MACEDÔNIA – CONVERSÃO DO CARCEREIRO – ATITUDE DOS APÓSTOLOS



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FENÔMENOS SURPREENDENTES NA PRISÃO DA MACEDÔNIA – CONVERSÃO DO CARCEREIRO – ATITUDE DOS APÓSTOLOS

Pela meia noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os presos escutavam-nos; e subitamente houve um grande terremoto, de modo que foram abalados os alicerces do cárcere; e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as correntes de todos. Tendo acordado o carcereiro, e vendo as portas da prisão abertas tirou da espada e ia suicidar-se, supondo que os presos haviam fugido. Mas Paulo bradou em alta voz: Não te faças nenhum mal porque todos estamos aqui. O carcereiro tendo pedido uma luz, saltou dentro da prisão e, tremendo, lançou-se aos pés de Paulo e Silas, e, tirando-os para fora, perguntou-lhes: Senhores, que me é necessário fazer para me salvar? Responderam eles: Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e tua casa. E anunciaram-lhe a palavra de Deus; e a todos os que estavam em sua casa. Ele, naquela mesma hora da noite, tomando-os consigo, lavou-lhes as feridas; e foi logo batizado, ele e todos os seus, e fazendo-os subir para a sua casa, deu-lhes de comer e alegrou-se muito com toda a sua casa, por haver crido em Deus. – Cap. XVI, v. v. 25 - 34.


Os fenômenos de tremores de terra, produzidos por espíritos, eram muitos comuns.

No tempo de Jesus, por ocasião da sua morte, nós vemos a produção desses fenômenos. Mateus diz, no capítulo XXII, 50-53 que: “Dando Jesus um alto brado, expirou. E o véu do santuário rasgou-se em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas, abriram-se os túmulos, e muitos corpos de santos já falecidos, foram ressuscitados; e saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos”.

No Cenáculo de Jerusalém, dia de Pentecoste, não houve tremor de terra, mas houve um fenômeno físico, que ficou registrado nos Atos: “Veio do Céu um ruído, como de um vento impetuoso que encheu toda a casa onde estavam sentados”. (Cap. II, v. 2)

No Cap. IV dos Atos, V. 31, após a oração de graças pela soltura de Pedro, diz o texto: “E tendo eles orado, tremeu o lugar onde eles estavam reunidos; e todos ficaram cheios do Espírito Santo e falavam várias línguas”.

Esse fenômeno tem se reproduzido também em algumas, embora raras, reuniões espíritas.

Por exemplo nas narrativas de “Jonatas Koons e sua Câmara Espírita”, esse fato se confirma como o leitor poderá verificar consultando a obra de Ernesto Bozzano “Remontando às Origens”.

Nós desconhecemos ainda os grandes poderes do Espírito e por isso nos tornamos cépticos diante de fatos dessa natureza, ou os alijamos para o sobrenatural e o milagre. O homem medíocre não quer fatigar o cérebro com coisas que lhe parecem de nenhum valor.

Mas o fato descrito nos Atos é autêntico; ele se tem reproduzido por muitas vezes, e quando um fato é observado por pessoas insuspeitas por mais de uma vez, é que ele está na ordem natural das coisas, que a nossa fraca inteligência não pode explicar.

São esses fenômenos muito interessantes e produzem quase sempre a conversão dos incrédulos, porque afetam os sentidos físicos e lhes tocam o cérebro aterrorizando-os e sensibiliza-lhes o coração.

Temos a prova nos Atos: o carcereiro que era materialista, regozijou-se por haver crido em Deus perguntando logo a Paulo o que lhe era preciso fazer para se salvar. E não só fez o que o Apóstolo lhe recomendou, como também se esforçou, narrando o ocorrido à sua família, para que esta também cresse, o que aconteceu. E o carcereiro, como sua família, então novas criaturas, fizeram como o Samaritano da Parábola: lavaram as feridas que a pancadaria produziu nos Apóstolos e lhes deram de comer, aguardando a manhã, em que os lictores, (4) (segundo narram os versículos seguintes: 35 – 40) traziam ordem de soltura aos dois Apóstolos. O carcereiro narrou a estes o ocorrido; eles ordenaram a soltura imediata dos dois. “Mas Paulo disse aos lictores: Açoitaram-nos publicamente sem sermos condenados sendo nós romanos, e lançaram-nos na prisão e agora nos lançam fora secretamente? Pois não há de ser assim, mas venham eles mesmos e tirem-nos”. Os lictores comunicaram isto aos pretores, e estes temeram ao saber que eram romanos e, vindo, procuraram conciliá-los; e tirando-os para fora, pediam-lhes que se retirassem da cidade. E eles, saindo da prisão, entraram na casa de Lídia e, vendo os irmãos, consolaram-nos e partiram.”

O déspota é sempre covarde. Quando nada arranja pela força bruta, humilha-se, roga, pede, temendo as conseqüências de seus atos arbitrários. É assim que os pretores, ultrapassando os limites do seu poder, espancaram e prenderam dois cidadãos romanos, sem o saber, mas temendo o resultado de sua selvageria, caíram aos pés dos Apóstolos rogando-lhes que saíssem, porque senão eles responderiam pelo crime que cometeram.

Foi quando Paulo e Silas, após haverem consolado os irmãos, saíram para outras cidades.




PAULO E SILAS EM TESSALÔNICA

Tendo passado por Anfilópolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus. Paulo, segundo o seu costume, ali entrou, e por três sábados discutiu com eles.. tirando argumento das Escrituras, expondo e demonstrando ser necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos, e este Jesus, que eu vos anuncio, dizia ele, é o Cristo. E alguns deles ficaram persuadidos e se associaram com Paulo e Silas, bem como uma grande multidão de gregos devotos e não poucas mulheres de qualidade. Porém, os judeus movidos de inveja, tomando consigo alguns homens maus dentre o vulgacho e, ajuntando a turba, amotinaram a cidade, e assaltando a. casa de Jason, procuravam-nos para os entregar ao povo. Porém.. não os achando, levaram a Jason e alguns irmãos à presença das autoridades da cidade, clamando: Estes que têm transtornado o mundo, chegaram também aqui, aos quais Jason recolheu; e todos eles vão de encontro aos decretos de César, dizendo haver outro rei que é Judas. Ao ouvirem isto ficaram perturbadas, a multidão e as autoridades da cidade, e, tendo Jason e os mais prestado fiança, foram soltos. – Cap. XVII, 1 – 9.


Não há Apóstolo que cumpra a sua missão sem sofrer o batismo da perseguição que, em todos os tempos se opõe às luzes que vêm iluminar aos homens o caminho da Verdade.

Recebidos por muitos com grande satisfação, os Apóstolos Paulo e Silas, em Tessalônica experimentaram de quanto é capaz o espírito do obscuritismo. Caluniadores, falsários adúlteros que sempre se opõem ao bem e à justiça, essa horda de perseguidores da Religião, não se cansa de infelicitar os povos e paralisar o progresso moral das nações. Os obscurantistas são capazes dos maiores sacrifícios para o mal, tal como se observa nos nossos dias, mas quando se trata de um benefício que reverte não só em bem a uma pessoa, como à coletividade nenhuma ação aparece, e se mostram absolutamente alheios aos gestos nobres, às paixões elevadas que se assinalam pela caridade e pela fé, que distinguem as almas de escol.

Submissos diante dos poderosos que exploram a sua maldade, subservientes aos maiorais, sempre cheios de preconceitos, de respeitos humanos, debalde trazem o Senhor nos lábios, quando, na verdade, não o têm no coração.

Esses indivíduos não se envergonham de curvar-se aos ídolos mudos, de auxiliar e concorrer às festas do paganismo, mesmo que o boi Apis retornasse aos templos, para ser carregado em procissões; mas se acanham com as pregações apostólicas, revoltam-se contra os preceitos de amor a Deus e amor ao próximo, que o Cristo nos. legou e exemplificou. São homens porque se parecem com os homens, mas no seu coração se aninha a fera com todos os requintes de maldade e de astúcia.

Senão vejam bem os nossos leitores, como os tais judeus de Tessalônica, desnaturando as palavras dos dois Apóstolos foram acusá-los às autoridades, de faltas que não praticaram, e os ardis que conceberam para os intrigar perante o povo sem raciocínio e sempre propenso ao mal.

E o que fizeram as autoridades para o bem da justiça e manutenção da ordem? Fizeram o mesmo que costumavam fazer as autoridades doutrora, ignorantes, arbitrárias e más: não encontrando mais os Apóstolos, pois estes, cansados de sofrer injustiças, se ocultaram, prenderam aquele que lhes deu hospedagem e que naturalmente, devido ao seu progresso espiritual, acolheu com alegria, a Palavra de Jesus que eles pregavam.

Geralmente, as autoridades, e o nosso mundo, são constituídas de indivíduos que em vez de zelar da paz e do bem estar do povo, promovem os barulhos e estabelecem a discórdia nas populações. Eles dizem representar a justiça e a Lei, mas são, em geral, os seus mais terríveis infratores.

E se assim não fosse teriam os Apóstolos sofrido humilhações como sofreram? Que males cometiam eles, que armas, carregavam, o que assaltavam? Só porque tinham uma convicção, um Ideal que lhes inflamava o coração do qual queriam tornar partícipes seus irmãos, seus semelhantes? Então, não se pode pensar? Temos que pensar pela cabeça dos outros? Somos escravos de sacerdotes, escravos de doutores, escravos de políticos, escravos de governos? — quando a própria Lei, tanto antiga, como moderna, nos permite a escolha da religião, a escolha da Sabedoria a escolha do princípio que havemos de abraçar!

Para que existiam então as sinagogas, onde era concedida palavra a todos os que, livremente, quisessem comentar as Escrituras?

É que os detentores da Lei não cumprem o seu dever, ultrapassam os limites da sua ação fazendo prevalecer o desacato, a injustiça, o dolo.

Enfim, em Tessalônica, a Palavra de Jesus, que tem .por base a Revelação, teve o seu início e a despeito das perseguições sofridas pelos dois intimoratos Apóstolos, um bom número de novos prosélitos se associaram a Paulo e a Silas, bem como uma multidão de gregos devotos.

E Jason, prestando fiança, se libertou.





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