Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville



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PAULO EM CORINTO

Depois disso Paulo partiu de Atenas e foi a Corinto. Achando um judeu por nome Aquila, natural do Ponto, recém-chegado da Itália, e Priscila sua mulher (por ter Cláudio decretado que todos os judeus saíssem de Roma), foi ter com eles e, por ser do mesmo ofício, com eles morava, e ali trabalhavam; pois, o oficio deles era fabricar tendas. Todos os sábados discutia ele na sinagoga e persuadia a judeus e gregos. – Cap. XVIII, v. v. 4.


Como já tivemos ocasião de ver, todos os doutores do farisaísmo eram obrigados a ter um ofício, pois, caso lhe fosse necessário para a subsistência, não lhes faltaria recurso.

O Apóstolo Paulo, desde o início de sua carreira apostólica, dedicou-se ao seu ofício, para se poder manter independente; e do que lhe sobrava ele repartia com os seus companheiros mais necessitados e os pobres.

Disto lhe veio um grande mérito e uma grande autoridade, pois dizia: “nunca fui pesado a nenhum de vós, e para a minha subsistência e a dos meus, estes braços me serviram”.

A vida missionária é espinhosa, e aqueles que a exercem precisam precaver-se contra a emboscada dos interesses terrenos que têm prejudicado a muitos.

De fato, o trabalho material não é incompatível com o trabalho espiritual, como julgam os sacerdotes das religiões. Há tempo para tudo, e assim como há tempo para o trabalho espiritual, também o há para o trabalho material. Aquele mantém o espírito, mas este é indispensável para manter o corpo. O Apóstolo fazia tanta questão de que essa orientação fosse mantida entre os cristãos, que chegou a dizer: “Quem não trabalha não come”.

Comer à custa alheia, vestir à custa alheia, viver à custa alheia, sob pretexto de exercício de uma missão divina, não está direito.

A independência do homem se revela também pela sua ação no trabalho. O trabalho é fonte de todo o bem estar e progresso. Pregar consolar, curar, mas dando tudo de graça, e trabalhar para manter a vida, é ótima orientação que todos devem adotar, e que Paulo nos ensinou.

O Apóstolo era muito feliz na fabricação de suas tendas de campo; utilizava-se de bom material, fazia serviço esmerado, por isso com facilidade seus produtos eram preferidos. E além dos seus afazeres, anunciava quotidianamente a Palavra de Jesus, trocando idéias com os que o procuravam.

Nos sábados, o Apóstolo não perdia as discussões na sinagoga, e tomando parte na exposição das Escrituras e suas interpretações, persuadia a judeus e a gregos.

“De modo que quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, Paulo estava ativamente ocupado com a Palavra, testificando aos judeus que Jesus era o Cristo”. (v. 5.)

Uma das maiores campanhas, que perdura até os tempos atuais, é justamente essa de negarem os judeus ser Jesus o Cristo.

Eles até agora esperam um Cristo (Enviado) que venha cercado de todos os poderes materiais, como César, Alexandre ou Napoleão e que funde um reinado para eles, aqui na Terra. Não podiam compreender que aquele que disse: “o meu reino não é deste mundo”, seja o Cristo. Então, Paulo, como os outros Apóstolos tratavam largamente de dissuadir os judeus de suas velhas crenças, pois, de fato, Jesus era Rei, mas não rei de uma nação ou de um povo; e o seu reinado era puramente Espiritual.

Mas eles blasfemavam e não aceitavam a palavra dos Apóstolos. Em virtude da repulsa, Paulo sacudindo as vestes, disse-lhes: “O sangue que derramastes venha sobre as vossas cabeças; eu estou limpo e desde já vou para os gentios”. Refugiando-se na casa de um certo Tício Justo, que era contígua à sinagoga, evangelizou a muitos que se converteram, inclusive Crispo, chefe da sinagoga com toda sua família, bem como muitos Coríntios que viam em Cristo um homem direito.

O trabalho de Paulo estava produzindo muitos frutos, quando Jesus, o Senhor, lhe apareceu novamente, para animá-lo ainda mais e dizer-lhe: “Não temas, mais fala e não te cales; porque eu sou contigo e ninguém te porá a mão para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade”. (v.v.8–10).

Paulo cumpriu fielmente as ordens do Divino Mestre, concorrendo para que as “ovelhas desgarradas de Israel, entrassem novamente no aprisco, pois, para isso viera o Senhor ao mundo, e permaneceu em Corinto um ano e seis meses, trabalhando sem cessar e ensinando a Palavra de Deus”. (v. 11).

Por suas epístolas aos Coríntios vê-se que eram numerosos os crentes daquela cidade e circunvizinhanças.



PAULO NO TRIBUNAL DO PROCÔNCUL DE ACHAIA

Sendo Gálio procônsul de Achaia, levantaram-se os judeus de comum acordo contra Paulo e, levando-o ao tribunal, disseram: Este persuade os homens a adotar a Deus de um modo contrário à Lei. Estando Paulo para falar, disse Gálio aos judeus: Se fosse, com efeito, alguma injustiça ou crime perverso, ó judeus, de razão seria atender-vos; mas se são questões de palavras, de nomes da vossa Lei, cuidai vós, lá disso; eu não quero ser juiz destas coisas. E fê-las sair do tribunal. Todos pegaram em Sóstenes, chefe da sinagoga, e o espancavam diante do tribunal, e Gálio não se importava com nenhuma dessas coisas. – Cap. XVIII, v. v. 12 – 17.


Era chegado o momento de Paulo deixar aquela cidade e passar adiante e o aviso de perseguição apressou a sua partida.

Não havia dito o Cristo Jesus, Mestre do Apóstolo e nosso: “se vos perseguirem numa cidade, mudai-vos para outra: pois, na verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que venha o Filho do homem”? (Mateus, Cap. X, v. 23).

Felizmente, porém, não puderam lançar mão de Paulo, pois Jesus lhe havia garantido que nada lhe sucederia, e embora no Tribunal, o procônsul, homem inteligente e que não apreciava os judeus turbulentos, ordenou-lhes que se retirassem, pois, não queria ser juiz em questão de palavras, visto não ter Paulo cometido crime algum.

O infeliz Sóstenes, chefe da sinagoga, teve que suportar muitas pancadas visto ser participante das idéias de Paulo.

Quanta luta, quanto sacrifício para se divulgar uma Idéia Nova que vem fazer progredir a Humanidade!

Os Apóstolos precisavam mesmo ser heróis, mais do que heróis, estarem em contínua relação com os Espíritos Chefes da grande Revolução e serem por eles protegidos, senão não teriam cumprido a sua missão.


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