Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville



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BREVE EXCURSÃO DE PAULO

Despedindo-se dos irmãos, Paulo navegou com Priscila e Áquila para a Síria, depois de haver mandado raspar a cabeça em Cenchrea; pois tinha voto. E chegados a Éfeso, deixou-os ali; mas ele entrando na sinagoga, discutiu com os judeus. Rogando-lhe estes que ficasse mais tempo, não anuiu, mas despediu-se dizendo: Se Deus permitir, de novo voltarei a vós; e navegou de Éfeso e, chegando a Cesárea, depois de subir a Jerusalém e saudar a igreja, desceu a Antioquia. Havendo estado ali algum tempo, saiu, atravessando sucessivamente a região Gálata e a Frígia, fortalecendo a todos os discípulos. – Cap. XVIII, v. v. 18 – 23.


Retirando-se de Corinto, Paulo deliberou fazer uma ligeira excursão, na qual limitou muito a sua ação, pois, naturalmente, queria observar a situação dos discípulos pelas diversas regiões por onde andou. É bem possível que tivesse ele feito uma viagem de recreio para retemperar as forças, ao mesmo tempo que examinava o progresso que o Cristianismo ia fazendo.

Essas saídas são muito úteis, para se alcançar novo vigor. A mudança de ar, de panoramas, a troca de idéias que se vai fazendo durante a viagem, tudo concorre para um novo avanço no campo da propaganda. É ao mesmo tempo, uma conquista de novas energias que vem refazer as que se perderam, a fim de se receber mais influxos do Espírito para a tarefa que se empreendeu.

O trabalho espiritual de Paulo, nessa excursão, se limitou a encorajar os discípulos, fortalecer-lhes na fé para o bom cumprimento do dever.

APOLO CHEGA A ÉFESO

O capítulo XVIII dos Atos conclui com a notícia da chegada a Éfeso, de um judeu, natural da Alexandria, chamado Apoio.

Apolo era um homem eloqüente, muito versado nas Escrituras. Era instruído e fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão as coisas concernentes a Jesus, mas só conhecia o batismo de João.

Apolo era um homem ousado; logo após a sua chegada a Éfeso, falava na sinagoga expondo os princípios fundamentais do Cristianismo.

Mas Áquila e Priscila, que muito haviam aprendido com Paulo, vendo que ele não conhecia o batismo do Espírito Santo, levaram-no consigo para o instruírem a esse respeito, e expuseram com precisão o Caminho de Deus.

Logo depois desejando ele ir a Achaia, os irmãos animaram-no muito, pois era um bom elemento de propaganda, e deram-lhe cartas aos discípulos para que o recebessem.

Chegado em Achaia, Apolo auxiliou muito aos irmãos que, pela graça, haviam crido, pois com grande poder refutava publicamente os judeus mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo.

Apolo, pelo que se lê nas Epístolas de Paulo, era um grande e fervoroso propagandista, tendo chegado a conquistar grande número de prosélitos.

Na 1a aos Coríntios, cap. III, vê-se a influência de Apolo, que chegou a arrebanhar partidários para si próprio.

Paulo nessa carta censura acremente aos Coríntios, fazendo-lhes ver que a Religião de Deus não está dividida. Assim diz o doutor dos gentios:

“Havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais e andais segundo o homem? Pois quando um disser: Eu sou de Paulo outro porém: Eu de Apolo: não é que sois de homens? Que é Apolo, e que é Paulo? Servos por quem crestes, e isto conforme o Senhor deu a cada um. Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento; de modo que nem o que planta é coisa alguma. nem o que rega, mas sim Deus que dá o crescimento. Nós somos cooperadores de Deus e vós sois lavoura de Deus, edifício de Deus”.

Nessa Epístola, o Apóstolo dá a entender que Apolo não tinha orientação firme, pois, isso se podia prever logo que ele começou a pregar, desconhecendo o Batismo do Espírito Santo.

Em referida Epístola, versos 10 a 15, o doutor das gentes, acrescenta:

“Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o. fundamento como sábio construtor, e outro edifica sobre ele. Porém veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento senão o que foi posto, que é Jesus Cristo. Contudo se alguém edifica sobre o fundamento um edifício de ouro, de prata, de pedras preciosas, de madeira, de ferro, de palha, manifesta se tornará a obra de cada um: pois o dia a demonstrará, porque ele é revelado em fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra do que a sobreedificou, esse receberá recompensa; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas o tal será salvo, todavia como através do fogo”.

A única notícia sobre Apoio, é a que passamos para estas páginas. Depois da sua estada em Éfeso, Apoio seguiu para Corinto, onde naturalmente fez alguma pregação que Paulo não julgou de acordo e originou a referência na Epístola que lembramos acima.

PAULO EM ÉFESO – RECEPÇÃO DO ESPÍRITO

Já dissemos e não cansamos de repetir, para que fique bem esclarecido: “O Espírito Santo não foi dado unicamente aos Apóstolos no Cenáculo, no dia de Pentecoste”. Inúmeros foram, nos primeiros tempos do Cristianismo, os crentes que receberam os Espíritos e transmitiram as suas mensagens.

É vezo da Igreja de Roma e da Protestante, quando fazemos referência sobre a “Vinda do Consolador — o Espírito da Verdade”, que compõe a falange inumerável de Espíritos puros e purificados, que assumiram o Governo Espiritual do mundo e nos transmitem seus Ensinos, é vezo desses homens dizerem que o Espírito Santo baixou só no dia de Pentecoste sobre os Apóstolos.

Pelas narrativas feitas até aqui, vemos que foram inúmeros os crentes que receberam os Espíritos. Eles nunca cessaram e nem cessarão a sua ação em todo o mundo, pois, a promessa de Joel, segundo afirma Pedra, pertence a todos: “filhos e filhas, mancebos, anciãos, servos e servas, todos os que ainda estão longe (os que naquele tempo não haviam nascido) e a todos os que Deus chamar”. (Atos, Cap. II, v. v. 17-18-39).

Dentre os Apóstolos, alguns deles, como Pedra e Paulo, tinham o poder de desenvolver as mediunidades nos prosélitos, para que eles pudessem receber o Espírito.

No cap. XIX, v. v. 1-7 dos Atos, vemos a confirmação desta proposição:

“Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo atravessado as regiões mais altas, foi a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, perguntou-lhes: Recebestes o Espírito Santo, quando crestes? Responderam-lhe eles: Não, nem sequer ouvimos falar que o Espírito Santo é dado ou que há Espírito Santo. Que batismo, pois, recebestes? perguntou ele. Responderam eles: O batismo de João. Paulo, porém, disse: João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto foram batizados em nome do Senhor Jesus. Havendo-lhe Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falavam em diversas línguas e profetizavam. Eram todos cerca de doze homens”.

Vê-se claramente que a Doutrina que os Apóstolos pregavam e pela qual viviam, era muito diferente dessas religiões que se têm imposto pela falsidade e pela violência, enganando os homens e extorquindo-lhes o seu direito de pensar, de estudar, de compreender.

A Doutrina de Jesus, que está sob a direção dos Espíritos Superiores, é absolutamente oposta a esses batismos exóticos dados aos recém-nascidos para lhes subjugar a razão e lhes proibir de receber, no futuro, a verdadeira crença.

O homem de boa vontade, que teme a Deus e quer encontrar a Verdade, não deve continuar a se deixar iludir pelos falsários que substituíram a verdadeira fé por uma fé incompreensível, esdrúxula, que não dá razão de coisa alguma e que é imposta pela força.

Os tempos chegaram, e a crise avassaladora por que passamos é um sinal característico de que essas religiões não podem permanecer. A aliança do sacerdotalismo com a política, a sua intromissão no estado de guerra, quando o preceito do decálogo é — “não matarás” — o seu apego às coisas do mundo, a sua fome sagrada de dinheiro (aura sacra fames), são os pródromos significativos do seu próximo desaparecimento, o prognóstico claro de sua morte próxima.

Onde se viu nas igrejas, tenham elas o nome que tiverem, o Espírito Santo? Onde se viu seus sacerdotes, já não dizemos imporem as mãos como fez Paulo e fazerem seus crentes receber o Espírito, mas eles próprios receberem o Espírito, falarem várias línguas, profetizarem, erguerem paralíticos e endireitarem coxos?

Onde se viu sacerdotes com ofício, por exemplo — fazendo tendas de campanha, como Paulo?

Temos visto muitos donos de fazendas, de grandes negócios e até capitalistas, com o dinheiro extorquido aos ignorantes, produtos de batizados, de casamentos, de missas, de festas e de outros negócios “religiosos” que enchem os templos de vendilhões, mas nenhum que exerça um ofício ou uma arte que lhes dê o pão à custa do suor do rosto.

Perdoem-nos os que se acharem filiados a essas igrejas, mas o nosso intuito é de esclarecer os homens que desejam aproximar-se de Deus e se arregimentar sob os auspícios de Jesus para a conquista da Vida Eterna.

Fazemos questão muito cerrada de demonstrar que o sacerdotalismo, absolutamente não representa o Apostolado, e até constitui a antítese do mesmo.

A obra do Apóstolo é uma obra santa, profícua, cheia de sabedoria e de virtudes, ao passo que a do sacerdote é uma obra destruidora, de ignorância, de vícios, antimoral que infelicita os povos e abate as nações.


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