Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville



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DEMÉTRIO E A DIANA DOS EFÉSIOS

Julgando concluir o seu trabalho em Éfeso, Paulo estava projetando ir a Jerusalém, passando por Macedônia e Achaia. Em sua nova viagem ele tencionava chegar até Roma, e mandaria os seus auxiliares Timóteo e Erasto à Macedônia.

Nesse ínterim, houve em Éfeso um grande alvoroço “acerca do caminho”, quer dizer — a respeito da religião, visto que um “homem chamado Demétrio, ourives, que, de prata fazia santuários de Diana, (7) dava muito lucro aos artífices; e ele reunindo-os com os oficiais de obras semelhantes, disse: Senhores, sabeis que deste ofício vem é nossa riqueza, e estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas em quase toda a Ásia, este Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente, dizendo não serem deuses os que são feitos por mãos de homens. E não somente há perigo de que esta nossa profissão caia em descrédito, como também que o templo da grande deusa Diana seja desconsiderado, e que venha mesmo a ser privada da sua grandeza aquela a quem toda a Ásia e o mundo adora. Ouvindo isto se encheram de ira, e clamavam: Grande é a Diana dos Efésios!” (23-29).

Esta narrativa, por si só, encerra o quanto pode a “religião do interesse” que ainda hoje movimenta toda essa mola humana.

E um caso que precisava ficar gravado na história e que estereotipa perfeitamente o “espírito religioso”, não só de então, mas com muito mais razão, de hoje, em que os mercenários se encontram aos milhões, sufocando todos os influxos da fé, todas as cintilações de esperança, todos os arroubos de caridade.

O que era a “deusa Diana, a Diana dos Efésios?” Não equivaleria ela às estátuas e imagens que se ostentam hoje nos altares? O que era o templo dos Efésios? Não seria semelhante aos templos em que os sacerdotes atuais pontificam?

O caso de ontem com o Cristianismo, assim como o de hoje com o Espiritismo, mutatis mutandis, é sempre o mesmo; “corre perigo a profissão dos religiosos de cair em descrédito, bem como os templos das Dianas de serem desconsiderados”.

O que tem prevalecido e está prevalecendo, não é o amor à Religião com suas prerrogativas de Paz, de Fé, de Caridade, de Fraternidade, de Amor e adoração a Deus, mas sim os templos, os altares, os ídolos, os sacerdotes e seus sacramentos.

Essa é a infelicidade do nosso planeta; é a causa das grandes calamidades, das quais a maior de todas é a guerra.

Se prevalecesse a Religião, no verdadeiro sentido da palavra, haveria essas dissensões, esses crimes, essa falta de amor, essa falta de fé que se nota em toda a parte?

Mas prossigamos na transcrição dos Atos, que vínhamos fazendo, versos 29-41:

“A cidade encheu-se de confusão e todos correram ao teatro arrebatando os macedônios, Gaio e Aristarcho, companheiros de viagem de Paulo. Querendo Paulo apresentar-se ao povo, os discípulos não lho permitiram; também alguns principais da Ásia, que eram seus amigos, mandaram rogar-lhe que não se aventurasse a ir ao teatro. Uns, pois, gritavam de um modo, outros de outro; porque a assembléia estava em confusão, e a maior parte não sabia por que causa se havia reunido. E eles tiraram Alexandre do meio da turba, e os judeus impeliram-no à frente. E Alexandre, acenando com a mão, queria apresentar uma defesa ao povo. Mas quando perceberam que ele era judeu, todos a uma voz gritaram por espaço de Quase duas horas: Grande é a Diana dos Efésios? E o secretário, tendo apaziguado a multidão, disse: Efésios, que homem há que não saiba que a cidade de Éfeso é zeladora do templo da grande Diana, e da imagem que caiu de Júpiter. De sorte que não podendo ser isto contestado, convém que fiqueis quietos e nada façais precipitadamente. Porque estes homens, que trouxestes aqui, não são sacrílegos nem blasfema dores da nossa deusa. Se, pois, Demétrio e os artífices que estão com ele, têm alguma queixa contra alguém, os tribunais estão abertos, e há procônsules; acusem-se uns aos outros. Mas se alguma coisa requer eis, será resolvida em assembléia regular. Porque nos arriscamos a ser acusados pela sedição de hoje, não havendo motivo algum que nos permita justificar este ajuntamento. Dito, isto, despediu a assembléia.”


Os comentários que poderíamos fazer já estão plenamente justificados pelo secretário, cujo bom senso não poderia, naqueles tempos, resolver a questão de melhor forma.

Corroborando O que acima dissemos, a “Grande Diana dos Efésios”, tem sido e é até hoje a religião da turba que os Demétrios açulam contra todos os que não participam dos seus bastardos interesses e não se rendem às injunções sectárias que dividem a Humanidade.

Tomem nota desta lição, para ajuizarem com reta justiça o motivo pelo qual o sacerdotalismo e artífices de ídolos perseguem os pioneiros que compõem a falange que trabalha pela Espiritualização da Humanidade.


PAULO VAI DE NOVO À MACEDÔNIA E À GRECIA – O SONO DE EUTICO

Conforme havia projetado, depois de haver cessado o tumulto promovido por Demétrio, Paulo mandou chamar os discípulos, exortou-os, despediu-se deles, e partiu para a Macedônia. Atravessando as regiões da Macedônia foi à Grécia, e três meses depois, voltou novamente à Macedônia, visto os judeus terem armado uma cilada quando ele ia embarcar para a Síria. Acompanharam Paulo, Sopater de Berea, filho de Pirro, os de Tessalônica, Aristarco e Segundo, Gaio de Derbe, Timóteo, e da Ásia, Tichico e Trofino; estes foram adiante e esperavam-nos em Tróade, e Paulo com Lucas, depois dos dias dos pães ázimos navegaram para Filipos e em cinco dias foram a Tróade, onde se encontraram com os outros, demorando-se aí sete dias. (Cap. XX, v. v. 1-6).

Nessa viagem é possível que tivessem feito alguma propaganda; entretanto, nada consta dos Atos a respeito.

Dizem os versos seguintes:

“No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o pão, Paulo, que havia de sair no dia seguinte, discutia com eles, e prolongou o seu discurso até meia noite. Havia muitas lâmpadas no Cenáculo onde nos achávamos reunidos. E um moço chamado Eutico, que estava sentado na janela, adormecendo profundamente enquanto Paulo prolongava mais o seu discurso, vencido pelo sono caiu do terceiro andar abaixo, e foi levado morto. Descendo, Paulo debruçou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não façais alvoroço; pois, a sua alma está nele. Então, subiu, partiu o pão e comeu, e falou-lhes largamente até o romper do dia; e assim se retirou. E levaram o moço vivo e ficaram muito consolados”. – Cap. XX, v. v. 7 – 12.

A estada de Paulo em Tróade se tornou memorável na história. Lucas não quis deixar de lembrar a quanto chegava o fervor do apóstolo. No cenáculo onde se reuniu com os discípulos, falou até meia noite, parando para fazer uma ligeira refeição, e continuando depois até o romper do dia.

Paulo tinha pouco tempo para se demorar nessa cidade e precisava aproveitá-lo e também a boa vontade daqueles que queriam melhor conhecer a Doutrina de Jesus. Embora fizesse trabalho estafante, ele não vacilaria em passar a noite em vigília para levar aos homens a luz que deveria extinguir neles a noite da alma. E assim aconteceu.

Infelizmente, dentre os que Deus envia para receber a palavra, diversos existem que, em vez de vigiar, adormecem; adormecem e caem, a ponto de se julgá-los mortos.

Foi o que sucedeu ao moço Eutico. Sentado ao batente da janela, em vez de ficar alerta, ouvir e se esforçar para estar de atenção viva, a fim de ser esclarecido pela palavra, no caminho da Vida, adormeceu, adormeceu e caiu, sendo preciso depois o auxílio de seus companheiros para ser transportado para a sua casa.

Mas, o interessante é que o Apóstolo não perdeu a fleugma — examinou o paciente: “sua alma está nele”. Não se incomodou mais por que precisava transmitir aos circunstantes o ensino recebido; e o fez com alegria, como o bom servo que faz a vontade de seu Senhor.






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