Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville



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A CHEGADA DE PAULO A JERUSALÉM

Tendo nós chegado à Jerusalém, os irmãos nos receberam alegremente. No dia seguinte Paulo foi em nossa companhia ter com Tiago, e estavam presentes todos os presbíteros, Paulo, tendo-os saudado, contou uma por uma as coisas que Deus fizera entre os gentios pelo seu ministério. Eles, depois de o ouvir glorificaram a Deus, e disseram-lhe: Bem vês, irmão, quantos milhares há que têm crido entre os judeus, e todos são zelozos da Lei; e têm sido informados a teu respeito de que ensinas todos os judeus que estão entre os gentios a apostarem em Moisés, dizendo-lhes que não circuncidem seus filhos nem andem segundo os nossos ritos. Que se há de fazer, pois? certamente saberão que tu és chegado. Faze, pois, isto que te vamos. dizer: Temos quatro homens que fizeram votos; toma-os, purifica-te com eles e faze a despesa necessária para raparem a cabeça; e saberão todos que não é verdade aquilo de que têm sido informados a teu respeito, mas que andas também retamente, guardando a Lei. Mas quanto aos gentios que têm crido, já escrevemos, ordenando que se abstenham do que é sacrificado aos ídolos, de sangue, de animais sufocados e da lascívia. Então Paulo tomando aqueles homens, no dia seguinte purificou-se com eles e entrou no templo, notificando o cumprimento dos dias da purificação, em que cada um deles deveria trazer a oferenda. – Cap. XXI, v. v. 17 – 26.


Os Apóstolos, pelo que se nota da descrição nos Atos, sofriam as maiores humilhações do sacerdotalismo hebreu unido ao governo daquela época.

Não podiam entrar no templo de Jerusalém, sem se purificarem e ainda levarem alguns companheiros que haviam passado pelo processo da tal “purificação” segundo o rito judaico.

E eles tinham precisão de ir ao templo, pois, nessas ocasiões de festas era justamente o momento propício de ,pregarem a Doutrina!

Paulo teve de ceder às injunções dos demais Apóstolos domiciliados em Jerusalém, embora contra a vontade. Mas também não cessava de pregar a purificação do Espírito, que era justamente do que precisavam todos para se aproximarem de Deus.

Paulo sabia que tinha de passar por grandes sofrimentos em Jerusalém, mas não se acovardou; ele queria que a sua estada nessa grande cidade que apedrejava os crentes e matava os profetas que lhe eram enviados, ouvisse em todos os recantos o eco de suas palavras, a verdade que salva e nos conduz, como sublime e veloz ascensor aos pés de Jesus, o autor e consumador da Fé.

De fato, como se vai ver, a estada de Paulo em Jerusalém, embora causasse dores e agonias para o escolhido de Jesus, foi fértil em sucessos; tão grandes foram que depois Jesus lhe apareceu ordenando-lhe seguisse para Roma, onde também teria muito que sofrer, mas ao lado .desses espinhos que brotariam das sementes que levava, floresceriam rosas que serviriam de remédio para abrir os olhos aos cegos que caminhavam na estrada da vida.




PAULO ARRASTADO DO TEMPLO E PRESO

Quando os sete dias estavam findando, os judeus vindos da Ásia, tendo visto Paulo no templo, alvoroçaram todo o povo e agarraram-no gritando: Israelitas, acudi; este é o homem que por toda a parte prega a todos contra o Povo, contra a Lei e contra este lugar; e além disso, introduziu gregos no templo, e tem profanado este lugar santo. Porque antes tinham visto com ele na cidade Trofino de Éfeso, e julgavam que Paulo o introduzira no templo. Alvoroçou-se toda a cidade e houve ajuntamento de povo; e agarrando a Paulo, arrastaram-no para fora do templo; e imediatamente foram fechadas as portas. E procurando eles matá-lo, o tribuno da corte foi avisado de que toda Jerusalém estava amotinada; e este, levando logo soldados e centuriões consigo, correu a eles; os quais, tendo visto aos tribunos e aos soldados, cessaram de espancar a Paulo. Então, chegando-se o tribuno, prendeu-o e ordenou que fosse acorrentado com duas cadeias, e perguntou-lhe quem era e o que tinha feito. E na multidão uns gritavam de um modo, outros de outro; e não podendo por causa do tumulto saber a verdade, mandou que Paulo fosse recolhido à cidadela. Ao chegar às escadas, foi ele carregado pelos soldados por causa da violência do povo; pois, a multidão o seguia, gritando: Mata-o. Quando Paulo estava para ser recolhido à cidadela perguntou ao tribuno: É-me permitido dizer-te alguma coisa? Respondeu ele: Sabes grego? Porventura não és tu o egípcio que há tempos sublevou e conduziu ao deserto os quatro mil sicários? Paulo, porém, replicou: Eu sou judeu, cidadão de Tarso, cidade não insignificante da Cilícia; e rogo-te que me permitas falar ao povo. Tendo-lhe permitido, Paulo, em pé, na escada, fez sinal ao povo com a mão e feito um grande silêncio falou em língua hebraica”. – Cap. XXI, v. v. 27 – 40.


Os turbulentos e amotinadores quando não podem saciar seus instintos perversos numa cidade, embora caminhem léguas passam-se para outra.

Um grupo de turbulentos e sicários, naturalmente sugestionados pelo sacerdotalismo, saiu da Ásia, ao encontro de Paulo, para satisfazer seu desejo de maldade. Era a festa comemorativa do Pentecostes; melhor ocasião não podiam achar os “judeus devotos” para alevantarem o povo com intrigas e astúcias nefastas contra o grande Apóstolo que tinha por pecado, pregar a ressurreição dos mortos e a palavra de Jesus Cristo.

O plano foi bem concebido e deu magnífico resultado, mas os discípulos já conheciam antecipadamente a agressão projetada. O próprio Paulo fora avisado que o atariam, como anunciou o profeta Ágabo. Mas não se incomodou. Era preciso que assim acontecesse para que Jesus fosse glorificado e seu nome e sua doutrina repercutissem em Jerusalém.

As grandes idéias só se difundem e se erguem ao influxo das perseguições e após receberem os idealistas o batismo de sangue. Mas a perseguição passa e os perseguidores de hoje serão os perseguidos de amanhã e as idéias nobres triunfarão sempre como têm triunfado para fazerem progredir a Humanidade.


A ORAÇÃO DE PAULO E SUA DEFESA

Vemos no fim do cap. anterior que foi concedida a palavra a Paulo. Em pé na escada, o Apóstolo fez sinal com a mão ao povo para que se mantivesse em silêncio. Eis a sua oração, inserta no cap. XXII, 1-21.

“Irmãos e pais, ouvi a minha defesa. Eu sou judeu nasci em Tarso, da Cilícia, mas criei-me nesta cidade e instruí-me aos pés de Gamaliel conforme o rigor da Lei de nossos pais, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós o sois no dia de hoje; e persegui este Caminho até a morte, acorrentando e entregando à prisão, não só homens mas também mulheres, como são testemunhas o sumo sacerdote e todo o conselho dos anciãos, dos quais recebi cartas para os irmãos e segui para Damasco com o fim de trazer algemados a Jerusalém os que também ali se achassem, para que fossem punidos.

“Quando eu ia no caminho e me aproximava de Damasco, quase ao meio dia me rodeou uma grande luz do Céu.

“E caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, porque me persegues?

“E eu respondi: Quem és Senhor? E disse-me: Eu sou Jesus Nazareno a quem tu persegues.

“E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito; mas não ouviram a voz daquele que falava comigo.

Então, disse eu: Senhor, que farei? E o Senhor disse-me: Levanta-te e vai a Damasco, e ali se dirá tudo o que te é ordenado fazer. E como eu não via por causa do esplendor daquela luz, fui levado pela mão dos que estavam comigo e cheguei a Damasco.

“E um certo Ananias, varão pio conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, vindo ter comigo, e apresentando-se disse-me: Saulo, irmão, recobra a vista. E naquela mesma hora o vi. E ele disse: O Deus de nossos pais de antemão te ordenou para que conheças a sua vontade e vejas aquele Justo, e ouças a voz da sua boca. Porque hás de ser testemunha para com todos os homens, das coisas que tens visto e ouvido. E agora porque te deténs? Levanta-te, e batiza-te e lava os teus pecados invocando o nome do Senhor.

“E aconteceu que tornado eu a Jerusalém e orando no templo, fui arrebatado fora de mim. E vi o que me dizia: dá-te pressa e sai apressadamente de Jerusalém porque não receberão o teu testemunho acerca de mim. E eu disse: Senhor, eles bem sabem que eu lançava na prisão e açoitava nas sinagogas os que criam em ti. E quando o sangue de Estevam, tua testemunha, se derramava, também eu estava presente, e consentia na sua morte guardava os vestidos dos que o matavam.

“E disse-me: Vai porque hei de enviar-te aos gentios de longe”.

A defesa de Paulo não produziu efeito naquela gente amotinada por paixões subalternas.

O espírito turbulento não quer o bem e a justiça; a razão para ele nada vale, a humildade é covardia, a luz ofusca e o amor não palpita no seu coração. Está sempre pronto a libertar Barrabás e a crucificar o Cristo.

Condena Galileu e Copérnico, dá cicuta a Sócrates, queima Bruno e Savanarola, mas se curva genuflexo pelas praças e esquinas ante a imagem de Júpiter, de Netuno, acende velas aos ídolos de todos os “santos”, queima incenso nos altares dos sacrifícios. É capaz de matar o justo e de sacrificar-se pelo celerado.

Por isso as razões de Paulo não foram ouvidas pelo povo devoto de Jerusalém. Quando ele disse que havia recebido ordens de Jesus para sair de Jerusalém e acrescentou que o Senhor lhe havia dito que o enviaria aos gentios, vozes de todos os lados se fizeram ouvir: “Tira este homem do mundo, pois não convém que ele viva!” E, alucinados, arrojavam de si suas capas e lançando pó para o ar, fizeram com que o tribuno mandasse recolher Paulo à cidadela, e fosse interrogado debaixo de açoites, a fim de verificar o motivo daquele clamor”. Diz o trecho que: Depois de estendido para receber os açoites, perguntou Paulo ao centurião que estava presente: É permitido açoitardes um romano e que não foi condenado? O centurião tendo ouvido isto foi ter com o tribuno e disse-lhe: Que vais fazer? pois esse homem é romano. Vindo o tribuno perguntou a Paulo: Dize-me, és tu romano? Respondeu ele: sou. O tribuno disse: eu adquiri esse título de cidadão por grande soma de dinheiro. Paulo declarou então: Pois eu sou de nascimento. Aqueles, pois, que o iam interrogar, apartaram-se logo dele; o tribuno também ficou receoso, quando soube que Paulo era romano e porque o mandara acorrentar. No dia seguinte, querendo saber com certeza a causa por que ele era acusado pelos judeus, soltou-o e ordenou que se reunissem os principais sacerdotes e todo o Sinédrio e mandando trazer Paulo, apresentou-o diante deles”. (v. v. 22 – 30) .


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