Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville



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A EXPOSIÇÃO DE FESTO AO REI AGRIPA

E passados alguns dias, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesárea, para saudar a Festo. Como se demorassem ali muitos dias, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: Felix deixou aqui um homem preso, a respeito do qual, quando estive em Jerusalém, os principais sacerdotes e os anciã os dos judeus deram-me informações, pedindo-me que o condenasse; aos quais respondi que não é costume dos romanos condenar homem algum antes de o acusado ter presentes os acusadores, e ter tido oportunidade de se defender do que lhe é imputado. Portanto, tendo-se eles reunido aqui, sem me demorar, no dia seguinte sentei-me no tribunal e mandei trazer o homem; e, levantando-se os acusadores, não apresentaram contra ele alguma acusação dos crimes que eu supunha, mas tinham com ele certas questões sobre a sua religião, e sobre um Jesus defunto, que Paulo afirmava estar vivo. E eu, perplexo, quanto ao modo de investigar estas coisas, perguntei-lhe se queria ir a Jerusalém e ser ali julgado sobre estas questões. Mas havendo Paulo apelado, para que o reservassem ao julgamento do imperador, mandei que fosse detido até que eu o enviasse a César. Disse Agripa a Festo: Eu também desejava ouvir esse homem. Amanhã, respondeu ele, o ouvirás. – Cap. XXV, v. v. 13 – 22.


O rei Agripa deliberou fazer uma viagem de recreio a Cesárea, onde se demorou vários dias. Foi justamente quando o novo governador daquela importante cidade, Pórcio Festo, em conversa com o rei, expôs o caso de Paulo, o perseguido dos sacerdotes e dos principais anciãos, mas em quem Festo não via crime algum, mas somente havia contra ele queixas originadas por questões religiosas, a respeito de um Jesus defunto que Paulo afirmava estar vivo”.

Paulo viu a Jesus depois dos judeus O haverem crucificado e matado; e eles achavam que isso era impossível. Para essa gente a morte era a destruição de tudo, mas para Paulo assim não era, pois tinha não só o testemunho pessoal de que Jesus vivia, como também o testemunho alheio que corroborava o seu testemunho.

Em todos os seus discursos ele repetia sempre o que escreveu aos Coríntios, na sua Epístola, Cap. XV, v. v. 3 – 8:

“Porque vos entreguei primeiro o que recebi, que Cristo morreu por nossos pecados segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou no Terceiro dia, segundo as Escrituras; e que apareceu a Cefas e então aos doze; depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez; depois apareceu a Tiago, e então a todos os Apóstolos; e, por último de todos, como por um abortivo, apareceu também a mim”.

Na sua Epístola aos Romanos, Cap. XI, v. 16 – tratando da rejeição de Israel, e dirigindo-se aos gentios, ele acha que a admissão dos Israelitas não se pode efetuar, negando-se a “Vida dentre os mortos”.

Enfim, o rei Agripa, respondendo a Festo, manifestou o desejo que alimentava de ouvir a sua palavra. Festo prometeu ao rei satisfazer a sua curiosidade, e mesmo no dia seguinte, tal como diz a narrativa de Lucas, nos Atos Cap. XXV, v. v. 23 - 27:

Vindo Agripa e Berenice, com grande pompa e, depois de entrarem em audiência com os tribunos e homens principais da cidade, foi Paulo ali trazido por ordem de Festo. Então disse Festo: Rei Agripa e todos vós que estais presentes conosco, vedes este homem, por causa de quem toda a comunidade dos judeus recorreu a mim, tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convinha que ele vivesse mais. Porém, eu achei que ele nada havia praticado que merecesse a morte, mas tendo ele apelado para o imperador, determinei remeter-lho. Do qual nada tenho de positivo que escreva ao soberano; pelo que vô-lo tenho apresentado a vós e mormente a ti ó rei Agripa, para que, depois de feito o interrogatório, tenha eu alguma coisa que escrever; porque não me parece razoável remeter um preso, sem mencionar também as acusações que há contra ele”.

Festo, pelo que se vê, quis guardar uma certa compostura, embora tivesse desejo de agradar e servir aos judeus. Talvez os Espíritos, que auxiliavam a Paulo, não permitiram que palavras más fossem assacadas contra o Apóstolo, naquele tribunal.

E como vamos ver adiante, foi concedida a palavra ao doutor dos gentios para apresentar a sua exposição.

PAULO FALA AO REI AGRIPA

Concedendo o rei Agripa a palavra a Paulo para fazer a sua defesa, segundo refere Lucas Cap. XXVI, Atos, o Apóstolo estendendo a mão, começou a falar:

“Julgo-me feliz, ó rei Agripa, por ter de fazer hoje perante ti a minha defesa de tudo o que me acusam os judeus, mormente porque és versado em todos os costumes e questões que há entre eles; pelo que te rogo que me ouças com paciência.

“Quanto à minha vida durante a mocidade que passei desde o princípio entre o meu povo e Jerusalém, sabem-na todos os judeus; conhecendo-me desde o princípio (se quiserem dar testemunho), como vivi fariseu conforme a seita mais severa da nossa religião.

“E agora estou aqui para ser julgado pela esperança da promessa feita por Deus a nossos pais, a qual as doze tribos, servindo a Deus fervorosamente de noite e de dia, esperam alcançar; por causa dessa esperança, ó rei Agripa, eu sou acusado.

“Porque é que se julga incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?

“Eu na verdade, entendia que devia fazer toda a oposição ao nome de Jesus, o Nazareno; e assim o fiz em Jerusalém; e tendo recebido autoridade dos principais sacerdotes, eu não somente encarcerei muitos santos, como também dei o meu voto contra estes quando os matavam; e muitas vezes castigando-os por todas as sinagogas, obrigava-os a blasfemar; enfurecido cada vez mais contra eles, perseguia-os até nas cidades estrangeiras. Neste intuito indo a Damasco com autoridade e comissão dos principais sacerdotes, ao meio dia, ó rei, vi no caminho uma luz do Céu que excedia o esplendor do sol, a qual me rodeou, a mim e aos que iam comigo, com a sua claridade.

“E caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me dizia em língua hebraica: Saulo, Saulo, porque me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.

“E disse eu: Quem és, Senhor? E Ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci para isto, para te por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto, como daquelas pelas quais te aparecerei; livrando-te deste povo e dos gentios a quem agora te envio, para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus, para que recebam a remissão dos pecados e herança entre os santificados pela fé em Mim”.

“Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento.

“Por causa disto os judeus lançaram mão de mim no templo e procuraram matar-me.

“Porém alcançando o socorro de Deus, até o dia de hoje permaneço, testificando tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer; isto é, que Cristo devia padecer, e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios.

“E, dizendo isto em sua defesa, disse Festo em alta voz: Deliras, Paulo; as muitas letras te fazem delirar.

“Mas ele disse: Não deliro, ó potentíssimo Festo; antes falo palavras de verdade e de um são juízo. Porque o rei, diante de quem falo com ousadia, sabe estas coisas; pois não creio que nada disto se lhe oculte; porque não se faz às escondidas. Acreditas, ó rei Agripa, nos profetas? Bem sei que acreditas. E Agripa disse a Paulo: Por pouco me persuades a me fazer cristão. Paulo respondeu: Prouvera a Deus que com pouco ou com muito não somente tu, mas ainda todos os que hoje me ouvem, se tornassem, tais qual eu sou, menos estas cadeias.

“E o rei levantou-se, e também o Governador e Berenice, e os que estavam sentados com eles; e havendo-se retirado, falavam uns com os outros dizendo: este homem nada tem feito que mereça morte ou prisão. Agripa disse a Festo: Ele podia ser solto se não tivesse apelado para César”.

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