Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville


NA ILHA DE MALTA – PAULO E A VÍBORA – O ACOLHIMENTO DOS INDÍGENAS



Baixar 0.54 Mb.
Página38/41
Encontro19.07.2016
Tamanho0.54 Mb.
1   ...   33   34   35   36   37   38   39   40   41

NA ILHA DE MALTA – PAULO E A VÍBORA – O ACOLHIMENTO DOS INDÍGENAS

Estando salvos, soubemos então que a ilha se chamava Malta. Os indígenas trataram-nos com muita humanidade, porque, acendendo uma fogueira, acolheram-nos a toldos por causa da chuva que caía e por causa do frio.

Tendo Paulo ajuntado e posto sobre a fogueira um feixe de gravetos, uma víbora, fugindo por causa do calor, mordeu-lhe a mão.

Quando os indígenas viram o réptil pendente na mão de Paulo, diziam uns para os outros: Certamente este homem é homicida, pois embora salvo do mar, a Justiça não o deixou viver.

Mas ele, sacudindo o réptil no fogo, não sofreu mal algum; mas eles esperavam que ele viesse a inchar ou a cair morto de repente. Porém, tendo esperado muito tempo e vendo que nada de anormal lhe sucedia, mudando de parecer, diziam que era ele um deus. – Cap. XXVIII, v. v. 1 – 6.
A Ilha de Malta é, atualmente, uma possessão inglesa; acha-se no Mediterrâneo, entre a Sicília e a África, e conta 185.000 habitantes. (8)

Nos tempos apostólicos era habitada por uma população que, apesar da falta de cultivo intelectual, se mostrou mais humana para com os Apóstolos do que os civilizados de burel e capelo. Tudo quanto se pode fazer pelos náufragos, foi feito. Não havia roupas para lhes dar, mas os seus corpos enregelados foram aquecidos ao lume de uma fogueira para tal preparada.

Parece incrível, entretanto é uma verdade, mormente nos tempos atuais; quanto maior é a ilustração do indivíduo, pior ele é, sem sentimentos afetivos, egoísta, orgulhoso, desleal e mau. É que a falsa educação afasta os homens de Deus, privando-os das intuições superiores que excitam as paixões nobres.

Mas os naturais da região, segundo o seu costume de julgar os homens pelas tormentas que sofriam, logo que Paulo foi mordido pela serpente, pensaram ser ele um homicida. Vendo, porém, que o veneno nada produzira no Apóstolo, julgaram-no um deus, pois só os deuses eram imunes das serpentes.

Paulo, como Jesus, tinha poder para pisar os escorpiões e neutralizar o veneno das serpentes, poder esse que o Divino Mestre deu a seus Apóstolos, como se depara nos Evangelhos.

Não será uma forma de mediunidade, essa imunidade aos venenos? É provável.

Mas continuemos a ouvir Lucas, o grande discípulo de Paulo, que descreve como Públio os hospedou:

“Ora, na vizinhança daquele lugar, havia algumas terras pertencentes ao homem principal da ilha, chamado Públio, o qual nos recebeu e hospedou com muita bondade por três dias.

“Estando doente de cama com febre e disenteria o pai de Públio, Paulo foi visitá-lo, e, tendo feito oração, impôs-lhe as mãos e o curou.

“Feito isso, os outros doentes da ilha vinham também e eram curados, e estes nos distinguiram com muitas honras, e ao partirmos puseram a bordo o que nos era necessário.”

Vê-se que a estada de Paulo e de seus discípulos na ilha de Malta por espaço de três meses, foi providencial, e certamente eles deixaram nessa ilha do Mediterrâneo muitos adeptos que renderam graças ao Senhor, por ter permitido o naufrágio, a fim de receberem a luz de que precisavam para percorrerem a estrada da vida.

As curas de Paulo, lembradas por Lucas, nesse pequeno território banhado de todos os lados pelo mar, foram edificantes.

Grande médium, o Apóstolo dos gentios, com o auxílio de Jesus, trazia em si mesmo o remédio para fazer desaparecer os males que oprimiam os infelizes.

E todos eles lhe deram provas de sua gratidão, oferecendo o necessário à pequena caravana que se destinava a Roma, onde Paulo, comissionado por Jesus, levaria a Boa Nova da Redenção.




PROSSEGUIMENTO DA VIAGEM – SIRACUSA PUTEOLI E ROMA

No fim de três meses fizemo-nos ao mar em um navio de Alexandria, que havia invernado na ilha, o qual tinha por insígnia Castor e Poloux. E tocando em Siracusa, ficamos aí três dias, donde bordejando, chegamos a Régio. No dia seguinte soprou o vento Sul e chegamos em dois dias a Puteoli; onde tendo achado alguns irmãos, estes nos rogaram que ficássemos com eles sete dias; e assim fomos a Roma. E tendo aí os irmãos sabido notícias nossas, vieram ao nosso encontro até a Praça de Ápio e as Três Vendas, e Paulo, quando os viu, deu graças a. Deus e cobrou ânimo.

Quando chegamos a Roma, o centurião entregou os presos ao general dos exércitos; porém a Paulo se lhe permitiu mover sobre si à parte com o soldado que o guardava. Cap. XXVIII. v. v. 11 – 16.
Após uma estadia de três meses, na ilha de Malta, Paulo e seus companheiros tomaram um navio de Alexandria e, com o centurião e soldados, seguiram para Roma, onde desejava ser julgado, sob o juízo de César.

Passaram por Siracusa, onde ficaram três dias, depois aportaram em Régio e dai a dois dias a Puteoli.

Em Puteoli já existiam muitos crentes, que fizeram com que os apóstolos lá ficassem sete dias. Certamente nessa santa intimidade, onde se procura cultivar a fraternidade, muitas idéias foram trocadas acerca da Doutrina de Jesus e o necessário para torná-la conhecida.

Talvez por falta de tempo, Lucas deixou de fazer referências sobre o que ocorreu em Puteoli.

Chegados à Roma, Paulo e seus companheiros foram recebidos por muitos apóstolos e cristãos que formavam em redor dele, enchendo-se de alegria, não só por abraçar seus irmãos em crença, mas também por haver concluído sua viagem que tinha por motivo principal obedecer: às ordens de Jesus para a pregação da Palavra da Vida.

O Centurião, certamente já de posse das novas idéias cristãs, foi de uma generosidade admirável para com o Apóstolo, permitindo-lhe liberdade em aposento particular, embora em companhia do soldado que o guardava, que deveria ser, sem dúvida, já muito ligado ao Apóstolo pelos seus dotes de coração.

Não há quem não ceda às sugestões do bem. A bondade domina e apaixona aqueles que dela se aproximam.

Vamos ver no capítulo seguinte a estréia de Paulo em Roma.







Compartilhe com seus amigos:
1   ...   33   34   35   36   37   38   39   40   41


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal