Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville



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SIMÃO – JUDAS E MATIAS

Simão também foi um dos doze; era Galileu, parece que nascido em Caná, onde Jesus, nas bodas transformou a água em vinho. Lucas chama-o Zelote, o Zeloso, significação essa que, em grego, segundo observa Jerônimo nos seus comentários sobre Mateus, exprime a mesma idéia que “cananeu”.

Nos Evangelhos não há outra referência a Simão. Sabe-se, por dedução, que Simão após o Pentecostes tomou parte no trabalho dos demais Apóstolos, indo, certamente pregar o Evangelho em algum lugar.

O historiador grego Nicéforo diz que ele percorreu o Egito, a Cirenaica e a África; que anunciou a Boa Nova na Mauritânia e em toda a Líbia e depois nas ilhas Britânicas que fez muitos milagres, isto é, que era dotado de faculdades psíquicas, com o auxílio das quais produzia curas e outros fenômenos, que apoiavam suas prédicas.

Judas, apelidado Tadeu, era filho de Tiago e nascido também na Galiléia.

É interessante que todos os discípulos, ou quase todos, eram galileus.

A Galiléia, antiga província da Palestina tem, por confronto, o Mediterrâneo e a Fenícia; de um lado o monte Líbano e o rio Leontes; de outro o Jordão e o lago Genesaré; a torrente de Keseu ao sul. Os seus montes eram o Carmelo, o Tabor, e Gelboe; as suas cidades principais são: Aco, Seforis, Nazaré, Caná, Betúlia, Cafarnaum. Compreende o território das tribos de Neftali, de Aser, de Zabulon e de Issachar.

A Galiléia foi o refúgio de muitas famílias que se conservaram fiéis à crença judaica. Antes disso era considerada uma terra de maldição pelos profetas. Primeiramente fazia parte do território das tribos revoltadas contra o herdeiro de Salomão, depois a invasão assíria despovoara o país e substituíra-se às populações deportadas para as margens do Eufrates. Acabada a dominação assíria, e devastada a Judéia, as antigas populações voltaram, misturando-se assim as raças e os cultos e dando à Galiléia uma espécie de liberdade de pensamento, estranha no Oriente.

Foi nesse ambiente livre que nasceu o Cristianismo, que viveram os Apóstolos, os mártires da nova Religião, onde nasceu Jesus, que aí viveu mais de trinta anos; foi nela que se estabeleceu o núcleo de cristãos que havia de trazer ao mundo a nova da Redenção e bater com o azorrague da Luz o mundo grego e romano. Quando Jesus nasceu, a Galiléia era o paraíso da Síria e principalmente Nazaré era célebre pela sua beleza e seu clima.

Os Galileus formaram uma seita antes de Jesus, que tinha por chefe Judas da Galiléia.

Quando o imperador impôs um senso a todos os seus vassalos, os galileus levantaram-se, porque achavam que era uma vergonha para os filhos de Israel pagar tributo a um príncipe estrangeiro.

Enfim, parece que os galileus foram os primeiros a se converterem à nova fé, aliando-se ao Mestre querido.

Judas Tadeu, diz Necéforo e Isidoro, após a difusão do Espírito, anunciou o Cristianismo aos povos da Líbia, aos da Pérsia e Armênia. Deixou uma epístola exortativa, que faz parte do Novo Testamento, em que convida seus discípulos a pelejarem pela fé e se armarem de obras boas que dêem sinal de purificação.

Matias foi o substituto de Judas Iscariote no Apostolado.

Nada sabemos nos primeiros tempos sobre Matias, senão que ele foi um dos setenta e dois discípulos que o Senhor designou e enviou, dois a dois, adiante de si a todas as cidades e lugares que pretendia visitar.

É muito interessante a credencial que o Mestre lhes deu para o cumprimento da tarefa que iam desempenhar. Vale a pena transcrever.

“Ide, eu vos envio como cordeiros no meio de lobos. Não leveis bolsa nem alforge, nem sandálias; e a ninguém saudeis pelo caminho. Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa. E se ali houver algum filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; e se não houver, ela tornará para vós. Permanecei naquela mesma casa, comendo e bebendo o que vos oferecerem, pois digno é o trabalhador do seu salário. Não vos mudeis de casa em casa. Em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei o que vos oferecerem; curai os enfermos que nela houver e dizei: Está próximo a vós o Reino de Deus. Mas na cidade em que entrardes, e não vos receberem, saindo pelas ruas, dizei: Até o pó da vossa cidade que se nos pegou nos pés sacudimos contra vós. Todavia, sabei que está próximo o Reino de Deus”.

E estes discípulos foram e grande sucesso obtiveram, excedendo muito à sua expectativa. Pois, quando voltaram a dar conta ao Senhor, do resultado da incumbência que Lhes fora confiada, cheios de alegria, lhe disseram: Senhor, até os espíritos malignos se submeteram a nós em Teu nome. Ao que Jesus respondeu: Eu via a Satanás cair do céu como relâmpago. Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada de modo algum vos fará mal. Mas não vos regozijeis em que os espíritos se vos submetem, antes regozijai-vos em que os vossos nomes estão escritos nos Céus”.

Esta última revelação de Jesus, parece confirmar que os missionários da sua Doutrina não se fazem aqui na Terra, já vêm feitos do Mundo Espiritual, têm os seus nomes escritos “no Céu”, como pegureiros da Verdade que vêm libertar o homem das trevas e da ignorância.

Matias foi, portanto, um dos setenta e dois e daqueles que não se escandalizaram depois, mas sempre seguiu o Mestre.

Uma tradição, confirmada entre os gregos, refere que, após o Pentecostes, ele pregou o Evangelho na Capadócia e para o lado do Ponto Euxino.


OS APÓSTOLOS MARCOS E BARNABÉ

Quem será o Apóstolo Marcos? Para nós é uma grande personalidade, uma figura saliente no Cristianismo; saliente e humilde, humilde e cheio de energia, de poder e de vontade.

Nos Evangelhos nada poderemos recolher de Marcos, a não ser o Evangelho de sua autoria. Sua genealogia é desconhecida! Parece um desses indivíduos que, ligados estreitamente às coisas do Céu, timbram em se mostrar sem títulos, sem estirpe e até sem nome, ou com um nome que lhe é peculiar, mas que não é o nome dado por sua família.

Ele quer ser um anônimo, um desconhecido, mas que somente seja conhecido por suas obras para que não lhe pertença a verdadeira honra e glória, mas sim ao seu e nosso Mestre Jesus.

Os livros sagrados, as enciclopédias, tratam Marcos como um indivíduo quase desconhecido, e, entretanto, até hoje, as suas Mensagens espíritas repercutem aos quatro cantos do globo, como clarins a anunciar a alvorada do grande Dia do Senhor.

Não será Marcos, aquele João Marcos a quem se referem Os Atos dos Apóstolos e as Epístolas de Paulo?

O nome Marcos aparece nos Atos como sendo um judeu de Jerusalém, chamado João, que tinha adotado o sobrenome romano, Marcos. Na primeira menção que dele se faz, vem o seu nome em relação com o de Pedro, quando este, ao lhe serem abertas as portas do cárcere, pelo anjo, “foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitas pessoas estavam congregadas e oravam”. (Atos, Cap. XII, v. 12).
Interessante ainda é que essa casa foi, quando vivo o pai de Marcos, aquela em que se celebrou a Ceia do Senhor, sendo também o pai de Marcos o proprietário do jardim de Getsêmani. Não seria Marcos, o tal moço narrado no Evangelho de Marcos, que seguia a Jesus, coberto unicamente com um lençol, e o agarraram, mas ele, largando o lençol, fugiu nu?”. (Cap. XIV, v. v. 51 - 52).

Nós cremos que sim.

Marcos trabalhou muito, após a difusão do Espírito no Cenáculo.

Quando Barnabé e Paulo voltaram de Jerusalém à Antioquia, depois de haverem cumprido sua missão de portadores de socorros aos que se achavam famintos, Marcos os acompanhou (Atos, Cap. XII, v, 25) ficando depois como auxiliar deles. Em Perga ele deixou Paulo e Barnabé e seguiu para Jerusalém, onde, provavelmente, tinha certas obrigações de sua casa a cumprir.

Noutra viagem, ele fez companhia a Barnabé, navegou para Chipre, donde este era natural. (Cap. XV, v. v. 36 – 40). Pensa-se que Marcos exerceu o seu ministério no Egito, tendo fundado em Alexandria o primeiro núcleo Cristão.

Pelas Epistolas de Paulo, vê-se que Marcos foi um grande. Quando Paulo, da sua prisão em Roma, expediu epístolas aos Colossenses e a Filemon, lembra que Marcos é seu companheiro. Paulo diz que somente três judeus em Roma lhe eram fiéis, sendo Marcos um deles, não mais como ajudante, mas como cooperador do Evangelho.

Na carta dirigida a Timóteo, Paulo diz que Marco é seu leal companheiro.

Enfim, Marcos cooperou também com Pedro no trabalho espiritual. Muitos escritores chamam a Marcos, o intérprete de Pedro.

Eis em ligeiras notas o que podemos colher do ilustre Evangelista.

Barnabé, como Marcos, não foi um dos Doze; entretanto, a sua grande atividade, após a ressurreição de Jesus, fez com que fosse contado no número dos Apóstolos.

Ele era da tribo de Levi, e a sua família, que era oriunda de Chipre, possuía muitos bens. Ele era letrado, estudou em Jerusalém com Gamaliel, foi só depois de haver abraçado e ter entrado no trabalho do Evangelho, que recebeu o nome de Barnabé, que quer dizer — filho da consolação. Assim como Marcos, ele tem o emblema do leão. O nome primitivo de Barnabé era José. Era um homem simples e bom. Quando abraçou o Cristianismo vendeu seus bens e entregou o produto aos apóstolos. Foi ele que apresentou Paulo a Pedro e a Tiago Menor.

Barnabé esteve em Antioquia, depois em Tarso quando Paulo lá estava; acompanhou o doutor dos gentios na viagem à ilha de Chipre e à Liacônia, e quando andava com Paulo tinha a humildade de, por ocasião das prédicas, dar preferência sempre à palavra de Paulo.

É para lembrar o caso de Listre, em que os convertidos ovacionavam a Paulo e a Barnabé como sendo Mercúrio e Júpiter.

Foi, como os demais apóstolos, um grande obreiro.



CONCLUSÃO

A Vida dos Apóstolos foi uma vida de trabalhos, de incessante luta pela difusão do Evangelho; foi uma vida de abnegação e ingentes sacrifícios; de verdadeiro desapego às coisas do mundo; de dores, de sofrimentos, mas também de glória que não se extingue, de aquisição de tesouros que não perecem, de luzes que não se apagam, de verdades que nos conduzem às alturas, onde melhor compreenderemos a Deus e sua infinita sabedoria.

Basta passar uma vista de olhos no Novo Testamento para distinguirmos os Apóstolos que ministraram a Palavra do Cristo, daqueles que falsamente se dizem representantes do Messias Divino.

O que caracteriza a vida dos Discípulos são seus atos de amor e de sabedoria, sua tolerância para com os ignorantes, sua humildade, sua renúncia, sua compaixão para com os infelizes, sua extraordinária dedicação à difusão dos Ensinos que receberam do Mestre, sua fé firme, inabalável na continuidade da vida, sua submissão, seu singular devotamento num culto de verdade e de amor às coisas divinas, pondo absolutamente de lado todos os interesses materiais.

Lendo-se, por exemplo, a Epístola aos Gálatas, chega-se à conclusão que os Apóstolos trabalhavam exclusivamente para a moralização e espiritualização do homem e não para arrastá-lo a cultos sibilinos e a crenças dogmáticas que não têm acesso à razão e nem melhoram o coração.

No capítulo V, v.v. 18-25, lê-se: “Se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da Lei. Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: o adultério, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, contra as quais vos previno como já preveni, que os que tais cousas praticam, não herdarão o Reino de Deus.

“Mas o fruto do Espírito é a Caridade, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, a temperança; contra tais cousas não há lei. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito”.

Aos Efésios, cap. VI, v.v. 14-20, Paulo escreve:

“Estais firmes, tendo os vossos lombos cingidos com a verdade, e sendo vestidos da couraça da justiça e calçados os pés com a preparação do Evangelho da paz, em tudo tomando o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno; e tomai o capacete da salvação e a Espada do Espírito, que é a palavra de Deus, com toda a oração e súplica, orando em todo o tempo ao Espírito, e, para isto, vigiando com toda a perseverança e súplica por todos os santos e por mim, para que me seja dado, no abrir da minha boca, a palavra, para com ousadia, fazer conhecido o mistério do Evangelho, por amor do qual sou embaixador em cadeias, para que nele tenha coragem para falar como devo falar”.

Aos Felipenses cap. II, vv. 1 e 2, diz:

“Se há, pois, alguma exortação em Cristo, se há alguma consolação de amor, se há alguma comunicação de Espírito, se há alguma misericórdia e compaixão, completai o meu gozo, de modo que tenhais o mesmo sentimento, tendo o mesmo amor, acordes no mesmo Espírito, cuidando numa só coisa; nada fazendo por porfia ou por vanglória, mas com humildade, considerando uns aos outros como superiores a si mesmos; não atendendo cada um para o que é seu, mas para o que é dos outros. Tende em vós esse sentimento que houve também em Cristo Jesus” .

Falando da devoção por meio de cultos e exterioridades, ele diz aos Colossenses – cap. II, vv. 16-19.

“Ninguém vos julgue pelo comer, nem pelo beber, nem a respeito de um dia de festa ou de Lua nova ou de sábado, as quais coisas são sombras das vindouras, mas o corpo é de Cristo. Ninguém à sua vontade vos tire o vosso prêmio com humildade e culto aos anjos, firmando-se nas coisas que têm visto, inchado vamente pelo seu entendimento carnal e não retendo a cabeça de quem todo o corpo, suprido e unido por meio de juntas e ligamentos, cresce com o crescimento de Deus”.

Referindo-se ao trabalho e ao amor fraternal, bases da religião, diz aos Tessalonicenses 1a, cap. IV, vv. 9-12:

“Acerca do amor fraternal, não tendes necessidade de que se vos escreva; visto que vós mesmos estais instruídos por Deus em amar-vos uns aos outros; pois é certo que o fazeis para com todos os irmãos em toda a Macedônia. Mas vos exortamos, irmãos, a que nisto abundeis cada vez mais, e procureis viver sossegados, tratar dos vossos negócios e trabalhar com as vossas mãos, como vô-lo mandamos; a fim de que andeis dignamente para com os que estão de fora e não tenhais necessidade de coisa alguma”.

Na II Epístola, cap. III, vv. 7-9 ele acrescentou: “Pois, vós mesmos sabeis como deveis imitar-nos, porque não andamos desordenadamente entre vós, nem comemos de graça o pão de homem algum, antes em trabalho e fadiga, trabalhando de noite e de dia para não sermos pesados a nenhum de vós”.

Referindo-se ainda ao batismo, na 1a Epístola aos Coríntios, cap. I, vv. 14-17, diz:

“Dou graças que a nenhum de vós batizei senão a Cristo e a Gaio: para que ninguém diga que fostes batizado em meu nome. E batizei também a família de Stéfanas: além deste não sei se batizei algum outro: pois não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o Evangelho, não em sabedoria de palavras”.

Aos Romanos, cap. XII, vv. 9-21, diz: “O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegai-vos ao bem; em amor fraternal sede afeiçoados; na honra cada um dê preferência aos outros; no zelo não sejais remissos; no Espírito, sede fervorosos; Servi ao Senhor; na esperança sede alegres; na tribulação, pacientes; na oração, perseverantes; socorrei as necessidades dos santos; exercitai a hospitalidade. Abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis. Alegrai com os que se alegram, chorai com os que choram. Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; não cuideis das coisas altivas, mas acomodai-vos às humildes. Não sejais sábios aos vossos olhos. Não tomeis a ninguém mal por mal; cuidai em coisas dignas diante dos homens; se for possível, quando depender de vós, tende paz com todos os homens; não vos vingueis a vós mesmos, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor. Antes, se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer, se tiver sede, dá-lhe de beber; porque fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a tua cabeça. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”.

Não é preciso mais citações. Os Apóstolos não poderiam compreender a Doutrina de Jesus de modo diverso do que Ele a pregou, tanto mais que se achavam assistidos pelo Espírito que o Mestre lhes havia prometido para a boa orientação no trabalho que com tanta dedicação desempenharam.

Eles compreenderam muito bem que o Senhor havia trazido ao mundo uma nova concepção da Religião, muito diversa daquela que era obedecida pelos povos de então e pelo sacerdotalismo ignorante e orgulhoso.

A começar pela revelação de Deus: Ele excluiu da tela religiosa aquele “deus”, cioso e vingativo, cujo caráter é um m de caprichos, virtudes e paixões humanas, para proclamar o Deus único, indivisível, ao qua1 está sujeito o Universo, um Ente perfeito que faz nascer seu Sol e vir sua chuva sobre os bons e maus, justos e injustos. Não é aquele “deus”, cuja justiça é vingança, nem aquela Providência, cuja interposição arbitrária, faz da sua Revelação um segredo confiado a poucos, mas sim o Pai do Céu, o Pai de nós todos, e nós, a sua família. Com a Paternidade, de Deus, Jesus, revelou a igualdade humana e sua conseqüente Fraternidade.

Para esclarecer ainda mais o seu pensamento, o Mestre nos mostra Deus como um Pai amoroso, justo, carinhoso, a quem devemos dirigir as nossas solicitações para que Seu Nome seja santificado por nós, pois é Ele que nos dá o pão necessário e não quer que nos conturbemos pelo alimento e vestuário, que dá até aos passarinhos e às flores do campo. É o Pai que sabe de todas as nossas necessidades antes de lhas expormos, que perdoa as nossas dívidas e nos livra das tentações e do mal; é o dono do rebanho e das cem ovelhas, que manda procurar a que se extraviou para que todas fiquem resguardadas no aprisco. Por isso é indispensável que O amemos de todo o nosso coração, entendimento e alma e com todas as nossas forças.

A Doutrina de Jesus é a Religião da Perfeição pelo trabalho, pelo estudo, pelo esforço em progredir: “Sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celestial”.

Enfim, a Doutrina do Nazareno, como bem a resume o seu Sermão do Monte, é o progresso para a Sabedoria e para o Amor, pela humildade e esforço pessoal para o Bem.

Como admitir que esse Ensino, que Spinosa chamou — “o melhor e o mais verdadeiro símbolo da sabedoria celeste”, consiste em cultos sectários, em práticas exteriores de um ritual complicado? Como admitir que essa Religião que Kant denominou — “a perfeição ideal”, consista em sacramentos desta ou daquela igreja? Como pensar que essa extraordinária filosofia religiosa, que Renan chamou — “incomparável” se compare aos formalismos dos sacerdotes, práticas absolutamente avessas à razão e ao coração? Hegel disse que a Religião de Jesus “é a mais completa união do divino e do humano”, e essa união só se pode fazer pela razão e pelo coração, crescendo sempre no conhecimento da Verdade, da Imortalidade, de Deus.

A constituição do Apostolado não podia ter, pois, outro intuito que despertar a razão e o coração, para o homem receber a Boa Nova, que lhes daria elementos indispensáveis a esse progresso, a essa perfeição que nos aproxima do Supremo Senhor. E o trabalho dos Apóstolos foi justamente esse: ensinar, instruir, iluminar os homens, tirá-los das trevas para a luz, da material idade para a espiritualidade, da escravidão do sacerdotalismo para a conquista de crescentes liberdades, em busca da Verdade, dos seus destinos imortais, enfim, de novas terras e novos céus, onde a felicidade está guardada para os que buscam a Palavra de Deus e se esforçam para pô-la em prática.

O Cristianismo veio, como disse Paulo, “restaurare omnia”, renovar o espírito, o caráter, renovar o amor, renovar os costumes; e os seus Apóstolos, no cumprimento de sua alta missão, não fizeram outra coisa senão trabalhar para que essa renovação se efetuasse com a possível presteza, para que o Reino de Deus venha a nós, e Jesus Cristo possa verdadeiramente ser por nós compreendido e continue a nos auxiliar em nossa ascensão espiritual.



FIM


1 “Espírito do Cristianismo” e “Parábolas e Ensinos de Jesus”, 3a edição. Vede também: “A Vida no outro Mundo”.


2 Leia “Interpretação Sintética do Apocalipse”, do mesmo autor.

3 Vide Larousse.


4 Lictores: oficiais que acompanhavam os magistrados romanos, levando na mão um molho de varas e uma machadinha para as execuções da justiça.


5 Epicurismo: Doutrina sensualista, fundada por Epícuro.

6 Estoicismo – Doutrina de Zenon: é um sistema filosófico que faz consistir a essência de tudo num fogo sutil que é, ao mesmo tempo, força e matéria. É uma doutrina racionalista.


7 Diana – deusa mitológica, filha de Júpiter e de Latona. Era patrona dos caçadores, e a grande deusa dos Efesios.


8 Estimativa atual: Estado independente do Sul da Europa, membro da Comunidade Britânica, situado no Mediterrâneo, entre a Tunísia e a Sicília. Compõe de quatro ilhas: Comino ou Kemuna, Gozo ou Ghawdex, Filola e Malta. A população, de raça maltesa (de origem semita) é de 322.000 habitantes (estimativa de 1974) .

Nota da Editora




9 Este nome quer dizer gêmeo.




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