Cairbar Schutel Vida e Atos dos Apóstolos 1933 Eugène Bodin Um rio perto d'Abbeville



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O PARECER DE GAMALIEL

Mas eles, quando ouviram isto, se enfureceram, e queriam matá-los. Levantando-se, porém, no Sinédrio um fariseu chamado Gamaliel, doutor da lei, acatado por todo o povo, mandou retirar os Apóstolos por um pouco, e disse: Israelitas, atentai bem o que ides fazer a estes homens. Porque faz algum tempo que Teudas se levantou, dizendo ser alguma coisa, ao que se juntaram uns quatrocentos homens; e ele foi morto e todos quantos lhe obedeciam, foram dissolvidos e reduzidos a nada. Depois deste levantou-se Judas, o Galileu, nos dias do alistamento e levou muitos consigo; esse também pereceu, e todos quantos lhe obedeciam, foram dispersos. E agora vos digo: Não vos metais com esses homens, mas deixai-os; porque se este conselho ou esta obra for de homens, se desfará; mas se é de Deus, não podereis desfazê-la, para que não sejais, porventura, achados, até pelejando contra Deus. E concordaram com ele; e tendo chamado os Apóstolos, açoitaram-nos e ordenaram-lhes que não falassem em o nome de Jesus, e soltaram-nos. Eles, pois, saíram do Sinédrio, regozijando-se por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus; e todos os dias no templo e em casa não cessavam de ensinar e pregar a Jesus, o Cristo. Cap. V – 33 – 42.


O Apóstolo disse: “eu, com Deus, sou tudo; e sem Deus, embora esteja com os homens, nada sou”.

Aqueles que estão sob o Amor de Deus, são retos de juízo e suas sentenças são sábias.

O parecer de Gamaliel é lembrado a cada passo para iluminar aqueles que caminham nas sombras da morte.

Todos os conselhos e todas as obras só podem prevalecer se forem sustentados pelo influxo divino.

Jesus disse: “Tudo passa, passa a Terra, passam os céus, mas a minha palavra não passará”. E em outra ocasião acrescentou: “A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim o Pai me diz como devo falar”.

Quantas obras têm desaparecido neste mundo! Quantos conselhos se têm dissolvido!

Do Templo de Jerusalém, que custou quarenta anos de trabalho, não ficou pedra sobre pedra.

Onde estão os grandes monumentos que eram o orgulho das civilizações extintas! Tudo passou e tudo passa.

Se os homens, antes de derruírem uma obra, ou extinguirem um conselho, observassem se tal obra ou tal conselho provinha ou não de Deus, tomariam, sem dúvida, resoluções mais acertadas e evitariam sofrimentos e dores causados por julgamentos injustos.

Gamaliel, sábio doutor da lei, membro do Sinédrio, conquanto também fariseu, não se deixou levar pelo absolutismo sacerdotal, e, erguendo a voz naquele momento em que tinha de dar prova da sua consciência perante Deus, começou lembrando o fracasso dos que perseguiram a Teudas, a Judas e ao Galileu.

Mais hoje, mais amanhã, os perseguidores serão perseguidos e seus juízos revelar-se-ão manifesta obra de iniqüidade.

O mundo, infelizmente, está sob a ação da iniqüidade, mas todos aqueles que temem a Deus, devem abster-se de julgamentos injustos, baseados sempre em juízos infundados, pois a justiça divina virá sem misericórdia sobre aquele que não tiver misericórdia.

Os Apóstolos, pelo que estamos observando, executaram a sua tarefa com grande coragem, independência das injunções clericais, contrariando as ordens arbitrárias dadas pelos representantes do governo de Jerusalém; açoitados, injuriados, caluniados e perseguidos, eles se glorificavam nas suas próprias chagas, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo nome de Jesus. E não se cansavam de ensinar no templo e pregar a Jesus, o Cristo.

Exemplo edificante que nos legaram!

Quem será capaz de lhes seguir as pegadas? Quem será capaz de imitar essa abnegação, o espírito de sacrifício, o desapego às cousas terrestres, esse grande amor à Verdade?

Só assim praticando, só observando estritamente os seus preceitos e os seus atos é que poderemos aproximar-nos de Jesus e merecer do Mestre, o nobre título de discípulos seus.

Concluindo, relembramos aos leitores, a sentença de Gamaliel, — mestre que foi de Saulo: — Quando tiverem de julgar os seus semelhantes e se arvorarem em juizes dos homens: “Se este conselho ou esta obra for dos homens, se desfará por si mesma; mas se for de Deus, não podereis desfazê-la, para que não sejais, por ventura. achados, até pelejando contra Deus”.

DISPENSEIROS DA COMUNA

Nesses dias, porém, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas daqueles eram esquecidas na distribuição diária. E os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é justo que nós abandonemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Mas, irmãos, escolhei dentre vós, sete homens de boa reputação, cheio de Espírito e de sabedoria aos quais encarregaremos deste serviço; e nós atenderemos de contínuo à oração e ao ministério da palavra. E o parecer agradou a toda a comunidade, e eles escolheram Estevão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filippe, Procoro, Nicanor, Timon, Parmenas, e Nicolau, prosélito de Antioquia, e apresentaram-nos perante os Apóstolos, e estes, tendo orado, lhes impuseram as mãos. — Cap. VI, – 1–6.


O Estabelecimento da Comuna, entre os cristãos, tornou-se um fato. Foi necessário a nomeação de dispenseiros, sem o que ficaria prejudicado o trabalho dos Apóstolos. Como poderiam eles satisfazer seus compromissos doutrinários, dedicarem-se à oração, à cura de enfermos, etc., se ficassem ocupados com a recepção das coisas materiais e sua repartição entre toda a comunidade!

Demais, não queriam a seu cargo as finanças da Comuna. Deliberaram entregar essa tarefa a pessoas dedicadas, solícitas, de espírito de justiça e sem outros compromissos especificados. Foi assim que concordaram escolher sete varões, dentre os quais se salientava o poderoso médium (homem cheio de fé e do Espírito Santo) Estevão, que, como veremos adiante, sofreu grande perseguição do farisaísmo, sendo apedrejado, de cuja morte participou Saulo, como ele próprio afirmou depois de convertido em Paulo.

A organização da Comuna tornou-se um fato de grande importância na Judéia, tendo sido esta instituição provavelmente muito combatida, pois, de forma alguma poderia agradar ao sacerdotalismo dominante, nem ao capitalismo, que viam naquelas idéias novas um perigo para a sua fortuna, para seu apego ao mando e às posições.

Os “Atos” não dão notícia circunstanciada da nova instituição cristã, mas é presumível que ela se mantinha como uma organização admirável. Basta ver a boa vontade com que todos os aderentes se despojavam do que tinham, entregando seus haveres à Comunidade, para compreender que a classe laboriosa congregada à Comuna, fazia o mesmo com seus salários para a manutenção de tal instituição.

Esta afirmação é concludente, pois não se poderia conceber que uma multidão composta de mais de cinco mil homens vivesse em completa indolência, unicamente rezando. Naturalmente antes de irem para o trabalho deveriam fazer suas orações, e à noite, estudos evangélicos sob a direção de alguns Apóstolos, bem como orações, mas durante o dia entregavam-se ao labor cotidiano, tanto mais que a Comuna se compunha de homens do trabalho, lavradores, operários, pescadores, tecelões, etc.

A concepção dos Apóstolos sobre a fundação da Comuna, pode ser considerada como uma idéia muito adiantada para aqueles tempos. Mesmo agora, se ela fosse estabelecida, não vingaria. Idéia prematura, é idéia irrealizável, e quando chega a realizar-se a sua execução é de pouca duração. Foi o que aconteceu no tempo da propaganda do Cristianismo.

Não discutiremos nesta obra as vantagens ou desvantagens do estabelecimento das Comunas na nossa época. Basta dizer que a Comuna Cristã não deu resultado. Aquele que quer praticar a Doutrina de Jesus Cristo, não trabalha mesmo para si, mas sim para a Comunidade. Somos devedores à Humanidade de tudo o que possuímos, porque esta vive perfeitamente sem o concurso de qualquer de nós e qualquer de nós não pode viver sem ela.

As doutrinas personalistas, que têm por mira o Capitalismo, são egoístas e anticristãs, pois o Cristo ordenou a seus discípulos o “amor do próximo” e o Capitalismo é o amor pessoal, quando muito limitado ao amor da família.

Seja como for, as pregações dos Apóstolos, assistidos pelos Espíritos da sábia falange, deram magníficos resultados, aumentando todos os dias o número de crentes, e até sacerdotes se convertiam à nova Fé.

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