Camila Sampaio



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Terapia de Vidas Passadas e História: uma abordagem holística e interdisciplinar

Camila Sampaio



Oficialmente a Psicologia passou a ser abordada como ciência a partir de Wilhelm Wundt, em 1879, no Laboratório de Leipzig. A partir daí, resumidamente, tivemos duas revoluções principais: o Behaviorismo, nos Estados Unidos, que via o homem como fruto de condicionamentos, reforços e punições.

Freud trouxe a segunda revolução, com a Psicanálise, e a noção do determinismo psíquico: somos 10% consciente e 90% inconsciente, nossa vida de vigília é apenas a ponta do iceberg. Mas qual seria o conteúdo desse inconsciente?

A TVP foi fruto das primeiras investigações sobre o conteúdo do inconsciente, que começou a suscitar trabalhos mais contundentes a partir de Freud – apesar de outros teóricos já terem feito estudos correlatos1.

Nos Estados Unidos a procura por esses estudos começou a ser mais intensiva depois do caso Bridey Murphy, que foi pesquisado por Morey Bernstein através da hipnose em 1956. O livro foi um best seller, o que demonstrou o interesse pelo assunto. No referido caso, uma moça chamada Virginia Tighe, dona de casa americana, durante seis sessões revelou sua vida de irlandesa em 1798. Muitos fatos foram investigados e comprovados.

Outra autora que trouxe o tema da reencarnação para a grande mídia foi Shirley Maclaine. Em Minhas Vidas, a autora mostra o quanto pesquisou o tema, e traz citações de diversos pensadores que estudaram a reencarnação (Einstein, Jung, Ralph Waldo Emerson, Thoreau, Kant, Schopenhauer, Goethe e Thomas Edison).

Já em O Caminho, ela fala de suas regressões espontâneas, incluindo o encontro com o Imperador Carlos Magno e a vivência no extinto continente da Lemúria.

No meio acadêmico, pesquisadores estavam trabalhando nos anos 60 e 70 simultaneamente em alguns pontos do mundo, como Edith Fiore, Thorwald Dethlefsen e Morris Netherton. Por ter sido estudado por brasileiros, o Dr. Netherton se tornou o pai da TVP no Brasil.

O autor desenvolveu o método da indução de forma inovadora, o que possibilita que a pessoa entre em regressão sem hipnose, de forma consciente. Eis a descrição do trabalho, realizado em 1979:

“O analista freudiano procura fazer o paciente regredir aos primeiros anos de sua vida, buscando localizar a fonte de seus problemas atuais. A terapia de vida passada dá, simplesmente, o passo seguinte. Acreditamos que os acontecimentos de vidas precedentes podem produzir efeitos tão devastadores no comportamento atual de um paciente quanto qualquer coisa que lhe tenha acontecido nessa existência.

O inconsciente funciona como um gravador. Registra e armazena indiscriminadamente todo e qualquer acontecimento que ocorra.

Há quatro elementos decisivos presentes em uma sessão de terapia de vida passada: são a espinha dorsal do método. O primeiro é a solicitação de dados ao inconsciente enquanto o consciente permanece presente. O fato do inconsciente comunicar-se voluntariamente, e não por indução hipnótica, permite ao cliente ver claramente onde se encontra na medida em que revive suas experiências. Segundo, a reconstituição cuidadosa de sofrimentos e traumas emocionais é fundamental.

Eventualmente, à proporção em que revive o trauma, o paciente vai utilizando a frase que desencadeou a origem da lembrança do incidente, a frase com a qual iniciamos a sessão. Pode encontrar diversas variantes dessa frase. Toda vez que a profere, faço com que a repita várias vezes até que se desligue do trauma a ela associado. Esse processo de repetição e desligamento é o terceiro passo.

Ao final da sessão investigamos o período pré-natal, a experiência do nascimento e da infância, buscando acontecimentos e frases que desencadearam as experiências relativas à respectiva vida pregressa. Esse é o quarto e último elemento.”

Vida passada – uma abordagem psicoterápica, pp. 34-35; 46-47
Tal abordagem teórica possibilitou a pesquisa da TVP com o uso da metodologia científica, sem recorrer a fenômenos mediúnicos. O Dr. Netherton abordava a regressão como um fato, independente da pessoa acreditar ou não em reencarnação. E a comprovação disso foi o alto índice de cura que o método atingiu.

Nos anos 80 o físico francês Patrick Drouot começou a publicar as suas pesquisas sobre TVP. O estudo do autor, baseado no pensamento oriental, envolve toda a parte energética da questão, incluindo a implicação de uma regressão no funcionamento dos chakras2.

Na sua primeira obra, em 1988, Dr. Drouot enfatiza;

“A viagem através das vidas passadas permite alargar o conceito da tomada da consciência através da noção de continuidade do destino. Permite também pôr em evidência as más utilizações que fazemos do poder, do egoísmo, da perda do amor. E essa tragédia se repete sem cessar, enquanto emitimos falsos julgamentos em relação a nós mesmos, enquanto estamos limitados por falsas crenças. Somos como crianças separadas da última fonte e não podemos sem ajuda encontrar sozinhos o caminho para ela.”



Somos todos imortais, pg. 80
O autor trabalha com relaxamento e indução consciente, com o auxílio de músicas desenvolvidas especialmente para o trabalho. Baseado na Psicossíntese, que será vista mais adiante, esclarece que a TVP é importante no processo de reunificação de nosso ser.

Como o Dr. Netherton, enfatiza a importância do trabalho com a fase uterina, exemplificando com um relato de caso:

“Sua mãe já tinha uma certa idade quando começou sua gravidez e ficou doente durante toda a maternidade. Na hora do parto, quase morreu, e o bebê nasceu quando a mãe já estava inconsciente. A criança nasceu ao mesmo tempo com o medo inconsciente de matar a mãe e o sentimento de que jamais poderia contar com ela. Em sua vida de adulto, esse paciente desenvolveu uma relação extremamente difícil com os que o circundavam por causa desses sentimentos inconscientes. Essa recusa em ter confiança na mãe era uma decisão de sobrevivência. E era exatamente assim que ele vivia sua vida e se comportava em relação aos outros, como se, no momento do seu nascimento, tivesse decidido que jamais poderia ter confiança em ninguém. Tudo isso, obviamente, se situava no nível inconsciente.”

Somos todos imortais, pp. 88-89
O Dr. Drouot assimilou ao seu trabalho a idéia yogue de que a sabedoria apaga o carma, pois inúmeros exemplos mostraram que a tomada de consciência era capaz de extinguir sintomas, como a tosse persistente de uma ex-judia na câmara de gás, ou o medo de exercer a cura pela imposição de mãos de um ex-torturado pela Inquisição.

Já nos anos 90, um médico psiquiatra contribui para ambas as causas: o estudo científico da TVP e a divulgação em grande escala do tema. O Dr. Brian Weiss alcançou notoriedade a partir de dois estudos que se tornaram referência no assunto: Muitas Vidas, muitos mestres e A cura através da Terapia de Vidas Passadas.

Catherine, que parecia um caso simples, trouxe ao Dr. Weiss o conhecimento sobre a vida após a morte, sobre o contato com espíritos mestres, a possibilidade de estabelecer a regressão com o uso da hipnose e o alto potencial de cura que esse tratamento carrega em si. Hoje em dia Brian Weiss já vendeu quatro milhões de exemplares de seus livros, meio milhão só no Brasil.

No livro A cura através da Terapia de Vidas Passadas, recheado de exemplos, o autor descreve minuciosamente sua abordagem, as curas que presenciou, e a metodologia que utiliza. Fala da rapidez do tratamento, fato que assombra muitos psicólogos e psiquiatras ortodoxos – o que faz com que alguns busquem estudar o fenômeno, e muitos o critiquem para se defenderem.

O autor demonstra que as mesmas pessoas que passaram anos e mais anos no consultório poderiam ser curadas em questão de meses. E mesmo que a cura não acontecesse, tinham mais qualidade de vida, pois adquiriam conhecimento espiritual sobre a vida após a morte – o que trazia calma, conhecimento, esperança e sabedoria nas ações cotidianas.

Com seu método, Dr. Weiss ajudou a desmistificar a hipnose, e a mostrar que na verdade ela está bem próxima ao método de indução direta, que veremos adiante. Segundo o autor:

“Quando você está relaxado e sua concentração é tão intensa que não se deixa distrair por ruídos externos e outros estímulos, você está em um estado superficial de hipnose. Toda hipnose é na verdade autohipnose, pois o paciente controla o processo. O terapeuta é meramente um guia. Quase todos nós entramos freqüentemente em estado hipnótico – quando estamos concentrados num bom livro ou filme, sempre que ligamos o piloto automático. Alguns hipnotizados vêem o passado como se assistissem a um filme. Outros ficam mais intensamente envolvidos, com maiores reações emocionais. Outros ainda sentem mais do que vêem as coisas. Às vezes a reação predominante é auditiva ou até mesmo olfativa. Mais tarde, a pessoa recorda tudo que foi vivenciado durante a sessão de hipnose.”

A cura através da Terapia de Vidas Passadas, pp. 22-23

Continuando entre os americanos, Denise Linn contribuiu trazendo a abordagem holística. A autora usa muito da tradição nativa norte americana, da qual ela é descendente, juntamente com a vivência que teve em vários anos dentro de um templo zen-budista.

Segundo essa abordagem, diversos tipos de problemas físicos, emocionais, financeiros e de relacionamento interpessoal são causados por crenças que a pessoa adota, principalmente no momento da morte. Essas crenças se apresentam atualmente como subconscientes, e determinam nossas vidas. A autora aponta:

“A terapia de vidas passadas funciona porque nos faz chegar à origem dos nossos problemas, pois até esse momento você terá tratado muito mais com sintomas do que com causas. Criamos e recriamos para nós mesmos, nos dias de hoje, incidentes que lembram subconscientemente o incidente original, como forma de curar a dor original. São os traumas e emoções reprimidos no passado que criam problemas no presente”.



Vidas passadas, Sonhos presentes, pp. 89-90.
Uma primeira forma sugerida pela autora para entrar em contato com as lembranças é fazer um pequeno diário de gostos e fatos da história pessoal, que seriam pistas dadas pelo inconsciente. Sobre o método, a autora ensina algumas técnicas de como trabalhar a energia que é liberada em uma regressão. São elas:

  1. Seguir o sentimento: concentrar-se no que é sentido e ir buscando pistas a partir disso;

  2. Distanciar-se: para cenas muito fortes emocionalmente, ela sugere que a pessoa se veja acima da cena, ou avance e retroceda rapidamente, para diminuir o impacto;

  3. Mudar as circunstâncias do que aconteceu.

A principal contribuição de Denise Linn é mostrar que além da regressão outros caminhos podem ser usados, incluindo a observação dos sonhos, visualizações, meditações, ajuda de guias e totens animais, enfim: o terapeuta deve fazer o tratamento de forma holística dentro do seu âmbito de conhecimento, e buscar novas técnicas e especialidades tanto quanto possível.

Entre os especialistas brasileiros, inicialmente gostaria de falar sobre o trabalho da psicóloga Elaine de Lucca, que trabalha com Terapia de Vidas Passadas há 16 anos em São Paulo. Ela foi uma das primeiras a trazer o método para o Brasil, e mostra o desenvolvimento do trabalho de Morris Netherton.

Considera importante ressaltar que a técnica não faz milagres, e que simplesmente ver a vida passada também não é sinônimo de cura.

É preciso fazer associações com a vida presente, trabalhar cuidadosamente cada emoção, ou seja, é preciso preparo para trabalhar as informações – e aí reside a importância do trabalho ser feito por um bom profissional.

A autora enfatiza que raros são os casos onde a pessoa fica bloqueada, incapaz de efetuar a regressão. Normalmente a consciência do propósito e a intenção de buscar a cura são suficientes. Deixa claro que não é relevante o paciente acreditar ou não em reencarnação, apenas o terapeuta deve estar firme nas suas convicções. Sobre o perigo de “não voltar” do passado, enfatiza:

“Apesar de todo o realismo, não há o menor perigo da pessoa ficar “presa” ou traumatizada, porque, de acordo com o método que pratico, demonstro as relações entre os fatos vistos na regressão e a vida atual, e conscientizo o paciente de que o conteúdo da regressão é passado – à medida que ele se libertar desse passado, compreendendo seus erros e acertos, conseguirá também se libertar dos problemas atuais, que são intrínsecos aos problemas passados”.



A Evolução da Terapia de Vidas Passadas, pg. 19
Elaine contribuiu principalmente na solidificação do método de Netherton no Brasil, e no trabalho com a parte espiritual, trabalho esse que tem como colega a Dra. Maria Teodora Ribeiro Guimarães.
Possíveis diálogos entre Psicologia e História
A busca pela interdisciplinaridade na historiografia acadêmica começou na França, com um movimento específico – a Escola dos Annales, em 1929. Contrariando o modelo de história baseado apenas em fatos políticos, um grupo de autores buscou a ligação com a parte sócio-cultural, em um intercâmbio com a Sociologia, Filosofia, Arte, Literatura, e com a Psicologia.

Temos três gerações de autores em tal segmento. Inicialmente Lucien Febvre e Marc Bloch. A segunda geração é representada fundamentalmente por Fernand Braudel. A terceira traz principalmente Georges Duby, Jacques Le Goff e Michele Perrot, uma das primeiras mulheres a participar ativamente da historiografia. Os últimos já deram origem ao fenômeno da História Nova.

Febvre começou trabalhando a Geografia Histórica. Bloch dava mais ênfase para a Sociologia. É dele a frase: “A consciência humana é o objeto da História. As inter-relações, as confusões, as contaminações da consciência humana são, para a História, a própria realidade”3. Ambos se encontraram na Universidade de Estrasburgo, e lá a interdisciplinaridade começou a florescer.

As obras principais de Marc Bloch: os Reis Taumaturgos, a Sociedade Feudal e Apologia da História. Os Reis Taumaturgos tem um tema bem inóspito: a crença de que os reis de Inglaterra e França podiam curar os doentes de escrófula, uma doença de pele provocada pela tuberculose. É a origem da preocupação com a Psicologia coletiva e religiosa, com grande influência de Durkheim, e da História comparativa.

Febvre fez um estudo sobre Martinho Lutero, iniciando o percurso da Biografia Histórica, e usando a Psicologia Histórica unida à História das Religiões e ao estudo da História Social. Sua biografia não tratava do indivíduo, mas da perspectiva de ter por centro um problema, uma discussão temática.

Juntos criaram a Revista dos Annales, que passou a exercer o papel de unir os intelectuais que primavam pela interdisciplinaridade e pelos estudos de História Social e Econômica, além da aplicação da Psicologia Histórica.

Peter Burke enfatiza:

“Por ser Bloch, freqüentemente, identificado como um historiador econômico, vale a pena dar atenção ao seu interesse pela Psicologia, bastante óbvio não só nos Reis Taumaturgos, mas também significativo em sua conferência sobre a mudança tecnológica, pronunciada para um grupo de psicólogos profissionais e onde pregava a colaboração entre as duas disciplinas”.



A escola dos Annales, p. 34
A segunda fase dos Annales traz Fernand Braudel. Suas principais obras foram o Mediterrâneo e Civilização Material, Economia e Capitalismo, em três volumes. Braudel compara a História dos acontecimentos com as ondas do mar. O seu objetivo seria, portanto, a história de longa duração, os padrões que se mantém ao longo do tempo. A abordagem principal é via Ciências Sociais e Geografia.

A terceira geração, atuante a partir de 1968, revela características da contemporaneidade. É policêntrica, diversificada, fragmentada mas unificadora, busca novas abordagens. Há, o retorno da História das Mentalidades com Phillipe Ariès – e o nascimento da História da Infância, da Morte e da Sexualidade.

Phillipe Ariès, a partir da demografia histórica, retomou o rumo dos fundadores da Annales, investigando melhor a mudança de mentalidade coletiva, no rumo da Psicologia Histórica. Juntamente com Georges Duby, coordenou uma coleção de cinco volumes importantíssima e inédita: a História da Vida Privada, que trouxe a colaboração de autores como Paul Veyne, Peter Brown, a História das Mulheres de Michele Perrot, Gerard Vincent, entre outros.

Há alguns nomes importantes para a Psicologia Histórica ainda a relatar:

a) Robert Mandrou: estudou saúde, emoções e mentalidades na França Moderna (século XVII), seguindo a linha de Lucien Febvre. Também abordou a bruxaria e a cultura popular.

b) Jean Delumeau: sua obra mais importante é a História do medo no Ocidente, onde fala da temática do medo especialmente em relação ao mar, fantasmas, pragas, fome, Satã, judeus e bruxas. No seu trabalho usou as idéias dos autores Erich Fromm e Wilhelm Reich.

c) Alain Besançon: estudou a Rússia do século XIX, e começou a falar em História Psicanalítica, analisando a relação pai e filho de Ivã o Terrível e Pedro o Grande.

Um pouco mais específico, e já dentro da historiografia americana, temos um historiador e psicanalista que não cessa de levantar a bandeira da interação entre as duas disciplinas: Peter Gay. Em seu livro Freud para historiadores, temos as seguintes assertivas:

“O historiador profissional tem sido sempre um psicólogo – um psicólogo amador. Saiba isso ou não, ele opera com uma teoria sobre a natureza humana; atribui motivos, estuda paixões, analisa irracionalidades e constrói o seu trabalho a partir da convicção tácita de que os seres humanos exibem algumas características estáveis e discerníveis, alguns modos predizíveis, ou pelo menos decifráveis, de lidar com as suas experiências. Descobre causas, e a sua descoberta geralmente inclui os atos mentais. Mesmo construtores de sistemas materialistas, como Karl Marx, que sujeitam indivíduos às pressões inevitáveis das condições históricas, admitem e declaram que entendem o papel desempenhado pela mente. Entre todas as ciências auxiliares do historiador, a Psicologia é a sua ajudante principal, embora não reconhecida.”

Freud para Historiadores, p. 25
Nesse sentido Peter Gay entra na discussão da Psico-história, muito popular nos Estados Unidos, que gerou tantas biografias feitas por historiadores e está bastante ligada à corrente metodológica da História Oral. Levantam-se questões como a influência da infância e da vida pessoal de grandes líderes nas suas decisões, e o uso da teoria freudiana das pulsões para determinar a causa de determinadas atitudes.

A história tem duas dimensões: a individual e a coletiva. Passando ao fenômeno de massas: o psicólogo Gustave Le Bon4 e os historiadores Robert Darnton5 e Georges Lefebvre6, cada um em sua especialidade, analisaram o que leva a multidão a se agitar freneticamente e tornar-se sanguinolenta, ou a seguir um líder de forma passiva. Le Bon defende a irracionalidade das massas, Lefebvre mostra a lógica de suas ações, e Darnton mostra a parte cultural e a atuação da mídia.

Sobre a questão de como as massas recebem e processam a informação, temos Michel de Certeau7. Isso para citar alguns exemplos entre os historiadores, pois se a intenção for abordar a fundo a Psicologia Social teríamos que citar muitos outros, como por exemplo Moscovici8 e Farr9.

Existe mais uma vertente da Psicologia que bebeu na fonte da História para criar os seus preceitos. Carl Gustav Jung, que com seus conceitos de arquétipo, inconsciente coletivo, e o uso de símbolos e mitos, retoma muita da História do Período Clássico e Medieval.

Eis o que diz Phillipe Ariès sobre o tema:

“Mas o que é o inconsciente coletivo? Sem dúvida seria melhor dizer não-consciente coletivo. Coletivo: comum a toda uma sociedade em determinado momento. Não-consciente: mal percebido, ou totalmente despercebido pelos contemporâneos, porque , é óbvio, faz parte dos dados imutáveis da natureza, idéias recebidas ou idéias no ar, lugares-comuns, códigos de conveniência e de moral, conformismos ou proibições, expressões admitidas, impostas ou excluídas dos sentimentos e dos fantasmas. Os historiadores falam de “estrutura mental”, de “visão de mundo”, para designar os traços coerentes e rigorosos de uma totalidade psíquica que se impõe aos contemporâneos sem que eles saibam.”



História Nova, pp. 174-175

Para Jung, o Inconsciente Coletivo é constituído não por aquisições individuais, mas por um patrimônio coletivo da espécie humana. Esse conteúdo coletivo é essencialmente o mesmo em qualquer lugar e em qualquer época, não varia de pessoa para pessoa. Como o ar, este inconsciente é respirado por todo o mundo e não pertence a ninguém. Os conteúdos do Inconsciente Coletivo são chamados de Arquétipos, condições ou modelos prévios da formação psíquica em geral10.

Nesse sentido entra a História: ela seria todo o conteúdo do Inconsciente Coletivo e dos Arquétipos11, os mitos, imagens e símbolos que compõem a mitologia pessoal de cada um, e que se manifesta nos sonhos.

A psicóloga junguiana Sabina Vanderlei12, do Rio de Janeiro, concedeu especialmente para esse trabalho um depoimento sobre a relação entre Jung e a História:

“Jung concebe o homem como um ser total, constituído de inúmeras partes que se interagem dinamicamente para formar esse todo. Não se pode olhar para o indivíduo isoladamente, assim como ele é entendido como um ser total, ele também está inserido num Todo, que pode ser chamado de Cosmo. Esse olhar total que Jung lançava em seus pacientes foi conseguido graças à sua observação clínica. Dentro da concepção de arquétipos, Jung percebeu que no período entre as Grandes Guerras Mundiais inúmeros conteúdos do inconsciente coletivo emergiram na consciência dos alemães, conforme escreve:

 

"Já em 1918, pude verificar no inconsciente de alguns pacientes alemães certos distúrbios que não podiam ser atribuídos à sua psicologia pessoal. Tais fenômenos impessoais manifestavam-se sempre nos sonhos através de motivos mitológicos, como é também o caso, nas lendas e contos de fadas de todas as partes do mundo. Denominei esses motivos mitológicos de arquétipos., que são os modos ou formas típicas em que esses fenômenos coletivos são vivenciados." (Jung, vol X/2, parágrafo 447).


  Essa correlação entre fatos históricos e manifestações do inconsciente é citada diversas vezes nas obras de Jung. Sua concepção da Psique como um todo formado por pares de opostos que lutam para compensarem-se mutuamente com o objetivo de equilibrarem-se faz com que observemos que o homem não é um ser isolado. Assim como a consciência compensa o inconsciente, também a personalidade total do indivíduo compensa os fatos que ocorrem no seu meio circundante. 

 
A Psicologia e a História são dois saberes que caminham juntos. Se a História olha para o coletivo, a Psicologia olha para o individual, são como dois lados de uma mesma moeda. O Psicólogo clínico, por exemplo, encontrará em seu consultório indivíduos queixosos de problemáticas individuais mas também ele é um produto social. A clínica, portanto, seria o reflexo de tudo aquilo que acontece naquela sociedade. Um caso de anorexia, por exemplo, chega até o consultório refletindo toda aquela mentalidade social de que a mulher tem que ter aquele corpo perfeito.

  A conseqüência da Psicologia individual é a História da humanidade. O que hoje lemos nos livros são resultados das ações dos nossos antepassados. Nossos filhos lerão os resultados de nossas ações. O homem holístico (do grego, holos = todo) age no meio e também sofre a ação deste. Nesse sentido, um psicólogo não pode desvincular-se dos acontecimentos atuais de sua sociedade, pois aí estão as mais valiosas pistas para entender o seu objeto de estudo: o homem.”

 

Continuando no exemplo do Holocausto, grandes fenômenos históricos também poderiam ter a sua veia psicológica de explicação. No que concerne à questão do líder e sua repercussão no comportamento individual, Daniel Goldhagen aborda a teoria dos carrascos voluntários alemães no regime nazista, e a origem histórica e psicológica do anti-semitismo na Alemanha.



Dentro da História das Mentalidades, o livro começa mostrando Wolfgang Hoffmann, capitão de um dos batalhões 101 na Polônia, se recusando a assinar uma declaração que o obrigava a não saquear. Isso ia contra a sua moral, porque seus homens jamais roubariam judeus. Mas matá-los era normal. Além disso, essa negativa, e todo o restante da argumentação do autor, deixam claro que os soldados agiam por convicção íntima, e não por medo de punição.

Goldhagen enfatiza que para entender o anti-semitismo alemão devemos buscar os moldes cognitivos que embasam o pensamento, que podem ser encontrados nas verdades axiomáticas da conversação social, das quais poucos divergem. Ou seja, como prega a Escola dos Annales, o autor usou fontes de documentação alternativas, usadas pelas pessoas no dia-a-dia, onde a mentalidade geral compartilhada se faz presente, e há a percepção sobre o mundo social que a cultura apresenta ao indivíduo.

Logo, a cultura e as motivações dos homens são todo um intrincado de fatores e elementos, que têm que ser entendidos na sua totalidade – mais ou menos como prega a Terapia Holística.

Peter Gay explica melhor a teoria das pulsões e do determinismo psíquico aplicada à história:

“As descobertas da psicanálise falam diretamente à paixão do historiador por complexidade. Isto é como as pessoas são: sacudidas por conflitos, ambivalentes em suas emoções, procurando reduzir tensões através de estratagemas defensivos, e na maior parte vagamente, ou nada, conscientes do que sentem e de que agem como o fazem – de por que sabotam as próprias carreiras, repetem casos desastrosos, amam e odeiam com uma paixão que nos momentos de sobriedade simplesmente não compreendem. Os sentimentos e as ações humanas são em grande medida sobredeterminados, inclinados a terem diversas causas e a conterem diversos significados.

Como descobridores e documentalistas da sobredeterminação, os psicanalistas e os historiadores, cada um à sua maneira, são aliados na luta contra o reducionismo, contra as explicações monocausais ingênuas e pouco elaboradas. O ponto de vista psicanalítico das pulsões dá conta tanto da sua uniformidade quanto da sua variedade; a proposição de que as pulsões formam um conglomerado unido em uma família de impulsos que busca satisfação oferece boas razões para que o historiador reconheça e analise motivos humanos de indivíduos e sociedades longínquas sem os reduzir a cópias pálidas de seus próprios traços culturais.”



Freud para Historiadores, pp. 73 e 84
Ou seja, continuando no exemplo supracitado, seria muito simples dizer que o anti-semitismo milenar aplicado na Alemanha causou o Holocausto, assim como seria reducionista dizer que a culpa é dos alemães perpetradores. Existe toda uma gama de fatores em questão, incluindo os inconscientes.

Mas até agora estamos falando da História Tradicional. Vejamos o que o lado espiritual pode acrescentar.


Visão pessoal

Durante toda a minha formação de Historiadora, algumas indagações não me saíam da mente. Especialmente, aproveitando o exemplo supracitado: por que os judeus tiveram que passar pelo Holocausto? O que justificaria a morte de 6 milhões de pessoas de forma tão bárbara?

Apesar de existir vasta bibliografia sobre o tema, nunca encontrei uma resposta satisfatória. Até o meu reencontro com os dizeres de Mestre Ramatís. Sua obra já gerou tanta polêmica pela questão do juízo final e da diferenciação entre Jesus e o Cristo Planetário, que uma nota de rodapé muito instigante passou batida aos olhos dos historiadores, e foi sabiamente apresentada a mim por Sidney Carvalho, um dos articuladores do Projeto Bandeirantes da Luz na Terra. Ei-la:

“Nota de Hercílio Maes: Segundo certo comunicado mediúnico por entidade de reconhecido critério espiritual, Hitler, no passado, foi o Rei Davi, e comandou inúmeras vezes as hecatombes sangrentas registradas amiúde, na Bíblia. Mas, de acordo com a lei de “quem com ferro fere com ferro será ferido”, o seu espírito retornou à Terra, na Alemanha, e, sob a injunção do Carma, abriu as comportas do sofrimento redentor para os próprios comparsas e soldados que comandou outrora e lhe cumpriram fielmente as ordens bárbaras. Assim, os mesmos judeus que ele trucidou neste século, nos campos de concentração, já tinham vivido com ele e eram os mesmos soldados e comparsas impiedosos, afeitos aos massacres dos povos vencidos. Como exemplo a esmo das barbaridades cometidas pelo rei Davi e seus exércitos, no passado, eis o que se encontra em II Samuel, 12:31 e transcrevemos: “E trazendo os seus moradores, os mandou serrar; e que passassem por cima deles carroças ferradas; e que os fizessem em pedaços com cutelos; e os botassem em fornos de cozer tijolos; assim o fez com todas as cidades dos amonitas; e voltou Davi com todo o seu exército para Jerusalém.”



O Sublime Peregrino, p. 32
Tal afirmação tem conseqüências muito sérias para a historiografia. Significa dizer que a mesma pessoa que os judeus idolatram é a criatura mais odiada e perversa que já existiu para eles, ao mesmo tempo.

Partindo dessa revelação bombástica, com base em todos os questionamentos levantados pela História das Mentalidades, e alicerçada no estudo sobre TVP, decidi que meu caminho seria buscar a História Espiritual, os bastidores da História Oficial, a parte que não é divulgada, mas que permanece no conhecimento ocultista da humanidade, e que cada vez floresce mais nessa nossa Era de Aquário recém iniciada.

O trabalho começou com A caminho da Luz, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier, uma verdadeira cartilha de História, escrito em 1938! Nele Emmanuel deixa clara a origem capelina de todos nós, como também Edgard Armond, em Exilados de Capela (1951).

Essas e outras obras mostram que uma multidão foi enviada de Capela, que fica na constelação do Cocheiro, por não estar afinizada com a vibração planetária. Capela estaria passando pela mesma fase que nós passamos agora13. Existe um trabalho excelente de depoimento oral de um capelino, na obra Os Filhos das Estrelas, da Dra. Maria Teodora Ribeiro Guimarães. Eu mesma tive acesso a um depoimento, que será relatado adiante.

Esses capelinos chegaram à Terra e se misturaram com os terrícolas primitivos e com os atlantes, que viviam o auge da sua civilização. A origem dos atlantes ainda é muito discutida. Mas como é relatado no capítulo inicial de Akhenaton – a revolução espiritual no antigo Egito, por Roger Bottini Paranhos, com a chegada dos capelinos começou a decadência atlante, e um grupo se organizou para salvar o conhecimento que seria levado para outras partes do globo.

As obras de Roger Feraudy também mostram a herança atlante no Brasil (Baratzil e A Terra das Araras Vermelhas) e na Revolução Francesa (Flor de Lys). Ou seja, vários itens negligenciados pelos currículos escolares seriam de suma importância para explicar nossas origens e para conferir mais lógica aos futuros acontecimentos, dado que estão todos encadeados.

Um bom número de psicólogos publicou relatos de seus pacientes, alguns historicamente passíveis de verificação. Mas a única que realmente se enveredou pelo processo foi Helen Wambach.

A dra. Wambach catalogou historicamente mais de 1000 casos de regressão, fazendo estudos de gráficos e tabelas para compará-los com a estatística histórica oficial – e o resultado foi correlato.

Um outro trabalho investigativo sobre o conteúdo das regressões é Histórias de reencarnação, da jornalista Rosemary Ellen Guiley, que conversou com terapeutas e pacientes e arregimentou uma série de histórias, passando pela Atlântida, Império Romano, Assíria, Império Asteca, Oriente Médio, Era Vitoriana, entre outras. O objetivo era ver como essas pessoas passavam a encarar a vida após passar pela experiência da regressão.

Meu objetivo, além da terapia, é a pesquisa das histórias. Poucos pacientes conseguem acesso a nomes e datas, mas alguns conseguem e de forma bem nítida. Com o decorrer do tempo pretendo recolher dados e ir pesquisando na medida do possível.

Nesse sentido, a minha contribuição pessoal ao método de Márcio Godinho seria incluir perguntas mais detalhadas sobre a vida que está sendo revista, não me concentrando somente no sintoma. Para as pessoas que conseguem visualizar detalhes, a partir de um termo de consentimento, depois de resolvidas as questões clínicas que a trouxeram, será realizado um trabalho de pesquisa através da TVP.

Por que através da TVP? Porque assim não ficará apenas a minha impressão pessoal dos registros akáshicos. Mais ou menos como buscou L. Paranhos, usando uma médium para a pesquisa e uma vidente para confirmar o que a médium estava vendo, estudo relatado em Viagens Psíquicas no Tempo.

Vamos agora a um relato de paciente.

Relato de caso


Alessandra, publicitária, 50 anos, tem um histórico de depressão muito extenso e complexo. Passou por sete anos de doença e por diversos profissionais na área da psicologia tradicional e da psiquiatria. Também ingeriu uma infinidade de remédios alopáticos, e inclusive se submeteu a um tratamento de eletrochoque. Possui grande familiaridade com o lado espiritual, e buscou a TVP para encontrar respostas para a sua ampla diversidade de sintomas. Paralelamente buscou também a Apometria.

Dentro da miríade de queixas, as principais eram: a depressão em si, fortes crises de ansiedade, medo da solidão, incapacidade de lidar com os problemas do dia-a-dia, profunda angústia, muito cansaço, excesso de arrogância, orgulho, soberba, reclamações excessivas, entre outros.

Tem dois irmãos (Leonardo e Adriano) e duas irmãs (Vanessa e Paula).

Na primeira sessão Alessandra voltou para a França Medieval. Viu uma luz intensa, e essa luz foi diminuindo até se transformar numa fresta de sol entrando pela janela da prisão. Ela se chamava Ariane, e era quase cega. Antes foi nobre, mas quando os pais morreram em uma guerra perdeu tudo. Seu pai era muito bravo, porque sabia que ela ficaria em dificuldades, por ser filha única, deficiente e mulher. Ela foi estuprada aos 15 anos, e obrigada a viver de esmolas. Um dia foi acusada de roubo e presa. Sua mãe era uma das irmãs da encarnação atual, Vanessa, e elas se amavam muito.

Alessandra ficou confusa, porque hoje em dia não se dá muito bem com a referida irmã. Partindo disso chegamos em outra vivência na França. Dessa vez Alessandra se chamava Josefine e Vanessa era Letícia. Eram irmãs naquele tempo, mas brigavam muito quando pequenas. Em uma discussão, Josefine empurrou Letícia acidentalmente para dentro de um poço e esta acabou morrendo. A família toda ficou ressabiada com Josefine, os irmãos não acreditavam que tivesse sido sem querer. Entre eles estava Terrance, que hoje é Leonardo, também irmão de Alessandra.

Josefine cresceu sozinha pelos cantos, isolada, pois todos a tratavam com reserva. Casou com o primeiro homem que pôde, e não foi nada feliz. Um dia conheceu Jean, um forasteiro, por quem se apaixonou. No auge do amor acabou fugindo com ele e deixando para trás o marido e os cinco filhos. Entre eles estava Cecile, que atualmente é filha de Alessandra e se chama Beatriz. Também estava Paula, outra irmã atual de Alessandra, com a qual se dá muito pior do que com Letícia/Vanessa. Paula nunca perdoou o abandono.

Mulherengo, Jean acabou deixando Josefine por outra mulher, e ela teve que se prostituir. Morreu de doença venérea, e ficou presa em um prostíbulo no umbral. Quem a resgatou, depois de oitenta anos, foi a filha Cecile/Beatriz. Ela só conseguiu fazer o resgate quando Josefine finalmente rezou pedindo pelo bem dos filhos.

Demais correlações com a vida atual: Jean era o segundo marido de Alessandra atualmente. E a mulher por quem ele trocou Josefine é a mesma com quem ele se casou atualmente após deixar Alessandra, que continuou um bom tempo apaixonada por ele. Ela ainda nutria muito ódio do episódio, e todos os níveis conscienciais envolvidos foram desdobrados e conscientizados, com as técnicas da Apometria. Além disso, na vida atual Alessandra sentia a mesma sensação de Josefine: não ser bem-vinda em casa, ser uma estranha indesejada. Após essa sessão, os irmãos passaram a telefonar mais para ela, e eles foram se aproximando na medida do possível.

Em uma segunda sessão, Alessandra se viu novamente na França, por volta de 1600, como uma aia chamada Mariane. Os sintomas das crises de ansiedade atuais começaram a ser explicados aí, pois a aia morreu soterrada depois de um bombardeio de catapultas. O nível ainda estava muito nervoso, porque estava preso na situação de morte, sentindo o gosto de terra na boca e a agonia de chamar e não ser socorrida. Depois dessa sessão a ansiedade continuou presente, mas as crises diminuíram de intensidade.

Na terceira sessão travamos contato com Tony, na Inglaterra, outro nível de Alessandra. Ele era uma pessoa de posses, mas seus pais morreram durante uma peste e isso o obrigou a interromper os estudos, passando então a trabalhar. Ele copiava livros, mas a cota exigida pelo patrão era muito alta e difícil de alcançar.

Era sempre pressionado, e ficava desesperado porque sabia que não conseguiria alcançar a meta mesmo que tentasse. Isso aparece no cotidiano de Alessandra hoje em dia, pois ela fica extremamente estressada com o seu trabalho, o que gera muita ansiedade, num nível exacerbado. Terrance/ Leonardo, o irmão atual, daquela vez era seu pai. Ele ficou muito preocupado por ter morrido e deixado o filho sem proteção, e por isso Leonardo atualmente sempre é compelido a ajudar a irmã financeiramente.

Na quarta vivência Alessandra aparece como Caterine, uma nobre novamente francesa, em 182014. Teve uma vida cheia de caprichos, casou-se com o moço mais cobiçado da sociedade, mas era muito ciumenta e possessiva com ele. Não conseguiu ter filhos, e isso a deixou amarga e solitária.

Caterine era muito rígida com suas serviçais. Uma delas, Cristine, é atualmente colega de trabalho de Alessandra e a trata com muita ressalva. Conscientizar isso fez com que Alessandra buscasse compreender melhor a rusga entre as duas, e apesar das recaídas teve um saldo positivo.

Alessandra, por ser médium, incorpora os níveis e conversa comigo em terceira pessoa, como se eu estivesse de fato conversando com Caterine. Dessa forma, ela pôde se queixar da vida atual de Alessandra, que anda com privações por causa das dificuldades financeiras. E também disse que ela não devia se queixar tanto, pois pelo menos tem uma filha agora.


Nesse ponto tivemos acesso ao mentor de Alessandra, Samuel, que pôde, com o consentimento do plano espiritual, nos informar qual era a principal causa da depressão tão recorrente. Alessandra praticou um aborto porque engravidou do segundo marido quando eles já haviam se separado.

O bebê não aceitou a atitude dela, e assim que pôde começou a obsedá-la. Como ela demorou a se arrepender, abriu muito espaço para a atuação dele e demais inimigos que ela possuía no astral. Samuel também informou que o tratamento de eletrochoque foi um recurso último para desligá-la da influência dele, e que a situação se manteria assim por algum tempo.

Na quinta e última vivência até então – o tratamento está em andamento – Alessandra se viu como Kirlian, um capelino. Ela sempre sentiu muito medo e angústia quando se separava de pessoas queridas, o que atrapalhava muito seu cotidiano. Pela importância do relato, segue na íntegra:

A minha história é a mesma de todos. Não aceitam mais a gente no nosso mundo, dizem que somos rebeldes, maus e resistentes, que a gente se recusa a viver em paz, e então iremos para a guerra, vamos para um lugar com muita guerra por séculos. Estou perplexo mas sei que vou me adaptar. Achava meu mundo uma pasmaceira, tudo muito certinho. Mas não é agradável. Eu podia não gostar do certinho, mas tinha parentes, família. Eu fui o único da família a vir embora. Eu vim sozinho.



Eu semeava guerra, discórdia, achava todo mundo bobo e paradão. Eu fazia pesquisa. Alguma coisa tão avançada que não tem aqui, algo tecnológico. Não tem comparação. Eu tinha família, colegas, amigos. Não era casado. Não quis, não tive vontade.

Sinto-me tão dividido, queria ficar e não queria. Doeu-me vir embora porque vim sozinho. Todo mundo veio desencarnado, facilita o transporte. Eu me matei. Não estava feliz, não aceitava a vida como queriam que fosse. Tomei uma espécie de veneno. Mas eu não sabia que iam me escolher para mandar embora. As pessoas deviam ser avisadas, não deviam? Falaram que não adiantava eu ficar, que eu não me enquadrava. E quando perguntei disseram que todos que eu conhecia ficariam, porque eles estavam adaptados. Sinto uma mágoa bem grande de duas coisas: ninguém me avisou sobre o exílio, e o fato de eu ter vindo sozinho.

A nave está andando de novo. Estão me mostrando a Terra. É um lugar bonito. Eles ensinaram como estava a Terra, um mundinho bem primitivo, vai precisar de muita coisa para melhorar. A gente vai para uma espécie de câmara para hibernar um tempo, como se tivesse uma programação onde vamos aprender em um filme enquanto a gente dorme. Vamos hibernar até fazerem todos os ajustes no nosso corpo.

Tem alguém que cuida de mim. O nome dele é Noal. É um senhor de barbas brancas e cabelo comprido. Tem uma cara boa. Disse que existe uma lição que eu irei aprender a duras penas, o amor. Se eu soubesse amar não teria vindo para cá. Quando pergunto o que é, ele diz que Jesus sempre diz que o amor por si e pelos outros é o caminho.

A Alessandra está aprendendo a amar sim, nas últimas vidas e nessa. Ultimamente lembrei a ela que fui muito frio, duro e insensível. E que isso não leva a gente para o caminho do bem. Ela ainda tem muito do que eu tenho e trouxe. Parece comigo na arrogância e orgulho. Mas ela não é mais indiferente.

E vejo que ela está diferente, sensível. Ela desenvolveu um sentimento forte, às vezes bom e outras vezes ruim. Às vezes é um ódio e raiva, outras um amor, com compaixão.

Eu estou começando a aprender. Eu era muito frio há uns anos. Não estou mais conseguindo. Ela me comove. Quando ela está feliz ela vê o mundo tão mais bonito. Numa viagem recente teve um dia que ela ficou tão extasiada com um pôr-do-sol que eu estranhei. Mas aí vi que estava bonito mesmo. Ela está me ensinando a amar a Natureza, ver como a Terra é bonita. Ela se emociona com umas coisinhas, como tocar piano, ou estar alguns dias entre parentes com harmonia. Ela se sentiu grata por ser parte daquilo. Ela se emociona. É ruim quando ela sente ira, ou descontrole. Talvez fosse eu que estivesse mandando coisas ruins. Sinto-me dividido, tem horas que gosto dela e tem horas que a acho uma boba.”
Kirlian aceitou seguir para uma escola no astral, para reeducar seus sentimentos – e inclusive ficou muito surpreso que tal escola existisse.

Eis o saldo final do tratamento de Alessandra até agora: ela voltou a trabalhar sua mediunidade, está levando uma vida muito mais equilibrada, está namorando, está menos agressiva e mais resignada e consciente da sua tarefa. Quando a tristeza chega, ela combate persistentemente, e relata que a terapia vem ajudando muito. Na TVP ela fez o primeiro contato mais sólido com seu mentor, e hoje em dia recebe sua visita periodicamente, o que tem auxiliado muito na sua qualidade de vida.


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1 Ken Wilber introduz a necessidade de buscar uma nova história da psicologia. “A noção de inconsciente foi popularizada pelo livro Philosophy of the Unconscious, de von Hartmann, publicado em 1869 – trinta anos antes de Freud – e atingiu uma tiragem sem precedentes.”. In Wilber, Ken – Psicologia Integral, pg. 9.

2 A regressão, segundo o autor, abre os chakras laríngeo, cardíaco, e o plexo.(Nós somos todos imortais, pg.83)

3 Bloch, Marc – “The historian’s craft” pg. 151.

4 Le Bon, Gustave – “Psicologia das multidões”. Lisboa: Abel D’Almeida, 1908.

5 Darnton, Robert – “O grande massacre de gatos e outros episódios da história cultural francesa”. Rio de Janeiro: Graal, 1986.

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6 Lefebvre, Georges – “A Revolução Francesa”. São Paulo: Ibrasa, 1966.

7 Certeau, Michel de – “A invenção do Cotidiano”. Petrópolis: Vozes, 1994.

8 Moscovici, S. – “A representação social da Psicanálise”. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.

9 Farr, Robert – “As raízes da Psicologia Social Moderna”. Petrópolis: Vozes, 2002.

10 Vide Fadiman, J. e Frager, R. – “Teorias da personalidade”. São Paulo: Harbra, 1986.

11 Incluindo Animus e Anima.

12 Contato: sabinavanderlei@terra.com.br

13 Vide Ramatís – “Mensagens do Astral”. Limeira: Ed do Conhecimento, 2002.

14 Alessandra sempre teve imensa familiaridade com a língua francesa, e ao visitar a França na vida atual reconheceu as ruas da parte histórica de Paris como se sempre tivesse morado lá.



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