Campos Vergal Levanta-te e Caminha



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Campos Vergal
Levanta-te e Caminha
Editora Civilização Brasileira
Ano de publicação

1942

Campos Vergal
Conteúdo resumido
É uma obra que tem duas variantes principais: A Reencarnação e a Imortalidade do Ser, mostrando que somos apenas passageiros temporários neste mundo da matéria.
Sumário

Surge et âmbula

I - A Imortalidade na Índia / 05

II - Raciocinando e Concluindo / 09

III - Na terra das Pirâmides / 12

IV - Indagações / 14

V - Na pátria de Sócrates / 18

VI - Na península Itálica / 21

VII - Raciocinem conosco os materialistas / 26

VIII - Na pátria de Vitor Hugo / 28

IX - Meditação / 37

X - Regressão da memória / 40

XI - Imortalidade progressiva / 45

XII - A reencarnação no Cristianismo / 48

XIII - Crianças prodígios, gênios e hereditariedade / 53

XIV - A Pátria da Espiritualidade / 56

XV - Pérolas Esparsas / 61

XVI - Inexistência da morte / 65

XVII - E a vida prossegue / 67

XVIII - Aqui e agora / 68

XIX - Imortalidade progressiva e vitoriosa / 71

XX - Conclusões / 75

Surge et âmbula

Quem manuseia as páginas do evangelho cristão, encontrará a velha é decadente Cafarnaum dormitando, sonolenta, á margem tranqüila na placa de ametista, que é o lago Tiberíades. Numa tarde, a cidade se alvoroça: chegava; precedido pelas auras da fama, um popular revolucionário, rabi da Galiléia, que andava operando curas esplendidas, com seu alto poder curador, as quais eram consideradas milagres pelo vulgo. Na praça principal se reunira muita gente, centralizada pela figura do invulgar messias: Súbito as atenções se fecham em conhecido paralítico, para ali conduzido em sua cama. O Nazareno se aproxima do anquilosado, superpõe-lhe a mão é exclama, com voz ressoante de energia e doçura: "Surge et âmbula!"e, aos influxos do magnetismo poderoso do grande mago da Judéia, o doente se levantou e se pôs a andar, banhado de alegria, ao som da admiração geral!

*

Hoje novos ventos sopram; os favonios da liberdade espiritual desprenderam-se dos quebrados vasos do medo, do dogma, da ameaça... O espírito, rompido o casulo do tradicionalismo estéril, livra-se na azas da evolução; o pensamento, águia emplumada, de larga envergadura, - rebentadas as correntes do religiosismo atávico, - difunde-se pelos espaços ganhando em extensão e profundidade... Os deuses valetudinários, cegos, surdos, mudos, nebulosos, criados pelas crenças organizadas, estão caindo dos pedestais...



E uma vida dilatada e forte sobe de nível numa ânsia incontida de perfeição.

Este livro não é, por, para as ovelhas do rebanho de Panurgo, nem para os que ainda tremem e temem ante as ameaças cinzeladas pelos "castigos divinos". - E', sim, para os libertos, os que alijaram de si as corroídas muletas; para os candidatos a um conhecimento superior do homem e das coisas, para os que desejam enfrentar a Vida côncios e senhores.

Perdesse, eu diria a cada ser humano, que em essência é (mesmo que o não queira ou não o saiba) um espírito imortal, uma chama eterna ardendo dentro do infinito da Vida... Vida universal, inteligente, que se manifesta em tudo e em todos:

- LEVANTA-TE E CAMINHA!

I
A Imortalidade na Índia

Contemplemos a antiqüíssima e sonhadora Índia. O Bramanismo ou Hinduísmo, fundado por Viasa, é uma filosofia religiosa vasada nos livros Vedas, Upanixadas e Puranas. Calcula-se que foi introduzido nas terras do Ganges ha uns 60 mil anos.

Como a literatura dos Caldeus sumiu da vista posteridade profana, bem assim tudo que dizia respeito á submersa Atlântida, também o Rig-Véda, é o mais antigo exemplar da religião Atiária, permanece mudo ante os orientalistas, que não compreendem em seu espírito, porque não encontram o código que o devia revelar. Pois bem, é de lá, fundo dos tempos, atravessando gerações e milênios chegam até nossos dias ensinamentos profundamente expressivos como estes:

“A alma dorme na pedra, sonha na planta,

move-se no animal, e desperta no homem”

No "Bagavad Gita", que é o Evangelho da Índia, depara-se-nos interessante diálogo entre Krishna, e Arjuna, em que o primeiro ministra ao segundo importantes lições:

Krishna: "Eu e vós tivemos vários nascimentos. Os meus são só conhecidos por mim; mas, vós não conheceis os vossos. Conquanto eu não seja mais, por minha natureza, sujeito a nascer e morrer, contudo; todas as vezes que a virtude declina no mundo e que o vilão e a injustiça exorbitam; então eu me torno visível e, assim me mostro de era em era, para a salvação do justo; o castigo do mau e o restabelecimento da virtude. - Tudo o que nós sucede neste mundo é a conseqüência dos atos anteriores. Somos o que pensamos, e os atos da presente existência amadurecem numa vida futura.

"Assim como se deixam os vestuários velhos para se usarem novos, também a alma deixa o corpo para voltar a vestir novos corpos".

ARJUNA: "Como devo compreender-te, ó Senhor, quando dizes que tu foste quem enviou a Vivavast? Ele viveu no principio do Tempo e tu nasceste ha poucos decênios?"

Krishna: "Muitos. já foram os meus nascimentos, ou renascimentos, e muitos também já foram os teus, ó Arjuna. Eu sou consciente deles todos, mas tu não o és". (1)



(1) (Bagavad Gita quer dizer: A sublime canção da Imortalidade.)

Ao observador inteligente cumpre comparar este trecho com o Evangelho, (segundo João, cap. VIII, v; 57 e 88): Disseram-lhe os judeus - "Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão?" – Afirmou-lhe: Jesus: "Em verdade, em verdade, vos digo que antes que Abraão fosse feito, eu sou". - Há, pois, ambos os evangelhos a mesma e grandiosa lição.


***
Essa mesma sabedoria antiga, cujos princípios medulares são constituídos pela imortalidade, reencarnação e evolução do espírito, ainda nos acena uma fabulazinha, cuja finalidade é destruir o pavor da morte: uma lagarta, em meio de sua grei, sentindo aproximar-se-lhe o entorpecimento que lhe anunciava o muito breve findar-se de sua existência rasteira, convocou, amargurada, suas amigas é lamentou: "Quanto é triste pensar que tenho que abandonar a vida, cheia de tantas promessas luminosas!" Ceifada em pleno verdor da mocidade, pela mão terrível da morte, sou um exemplo vivo da impiedade da natureza. Despeço-me de vós para sempre. Amanhã não existirei mais". - E, acompanhada de fartas lágrimas, encerrou-se em seu estojo mortuária e letargiou-se. Outra lagarta, a mais observou tristemente: "Nossa irmã nos deixou e assim todas nós, uma após outras, iremos caindo sob a foice da grande destruidora, como a erva do campo se abate á passagem do alfange".

E após prolongadas lamúrias, separaram-se com profunda magoa.

Ora, todos percebemos claramente a ironia desta; historiazinha e rimo-nos da ignorância dessa lagarta que, transformando-se em crisálida, não só continuava a viver sob outro aspecto, como evoluía para outra forma mais progredida. Todos os reencarnacionistas reconhecem na metamorfose da lagarta em borboleta, uma imagem muito oportuna da transformação que aguarda a todos os seres humanos; pois a vida persiste ainda e sempre, enquanto natureza elabora suas transformações.
***
No século 5.°, A. C., um príncipe faustoso, Gautama ou Sidarta, - que depois ficou sendo universalmente conhecido por Buda, isto é, o Sábio, Santo ou, Iluminado, - trocara suas roupagens de nababo pela estamenha de frade mendicante. Ao combater a injusta e revoltante instituição das castas sociais, em seu país, ensinou a seu povo a lei do Karma ou de Ação e Reação, segundo a qual ninguém se libertara do Sansára, roda dos renascimentos, enquanto não for homem Perfeito. - Há hoje cerca de 500 milhões de budistas. Aconteceu, todavia, com esta religião o mesmo que sucedera a outras remotas e recentes: foi deturpada e vendida a grosso e a retalho no balcão das negociatas.

No Cristianismo também se registra idêntico fenômeno histórico, em qualquer página da marcha da civilização. Pode-se afirmar que a doutrina do Nazareno só alojou apenas no cérebro ocidental, mas não desceu ainda ao coração. Tanto o budismo como cristianismo, em sua pureza primitiva, são radicalmente contrárias ás explorações econômicas do homem e as matanças fratricidas, pois tais atitudes o passam de torpes explorações feitas com o criminoso assentimento daqueles que querem ser os diretores espirituais e técnicos do mundo.

Modernamente:

Rabindranath Tagore, suave poeta e erudito espiritualista, notável pensador e autor de esplendidos trabalhos ("Jardineiro do Amor", "Lua Crescente") fala-nos, com o ritmo suave de sua poesia luminosa, de sua esposa que a morte levou tão cedo, "aquela companheira que ele já amava numa existência anterior".

C. Jinarajadasa, - insigne escritor, conferencista, Cientista e filósofo hindu, universalmente conhecido, autor de diversos livros entre os quais se cita como verdadeiro monumento de sabedoria, o Princípios fundamentais da Teosofia", - ensina magistrais lições à imortalidade evolutiva do espírito, esclarecendo brilhantemente as leis reencarnacionistas. Os trechos que se seguem pertencem ao seu esplendido trabalho "Deuses Encadeados".

"Se achardes interessante o conceito que vos oferecemos de que Deus reside em nós, e de que crescemos lentamente para nos assemelharmos a Ele pela acumulação de experiências de bondade e virtude, apenas um pequeno exame vos mostrará que o processo chamado Reencarnação deve ser parte indispensável do método para aperfeiçoamento da alma.

E' verdade que os animais de maior evolução, os nossos queridos cães e gatos, que demonstram inteligência e afeto quase humanos, sobem os degraus da escala evolutiva um a um, e renascem como entes humanos de inteligência primitiva, entre os selvagens de mente simples. Isto, porém, é evolução, e, progredir do mais baixo para o mais alto. Qualquer renascimento de um ser humano como animal seria um retrocesso, coisa; contrária á marcha da evolução.

Em Teosofia, pois, ensina-se que a Reencarnação faz parte de um processo natural de evolução humana.

Todavia, quando um indivíduo nasce na terra, aparentemente pela primeira vez, como uma criancinha, tal não se dá. Ele já viveu na terra muitas vezes; foi homem ou mulher em quase todas as raças e civilizações do mundo antigo; pensou nelas, agiu nelas e, por conseguinte, modelou pouco a pouco um caráter para si mesmo. Esse caráter não pode ter sido perfeito, quando terminou sua última vida na terra; tinha talvez muitos vícios e poucas virtudes. Quando renasce, volta com o seu caráter. Naturalmente, o corpo material lhe é fornecido por seus progenitores; mas ele escolhe seus pais".

Ao concluirmos algumas anotações, condizentes multiplicidade das existências na terra da península de Décan, convida-nos ela a aceitar esta feliz conclusão: cada ser humano é seu absoluto legislador; é único dispensador de suas glórias e alegrias, como igualmente o é de sua própria obscuridade e fracasso. Cada indivíduo é, portanto, o operário que constrói o edifício de sua própria vida. Não fora assim, o mundo seria caos penumbroso ou babel trágica, atestando - a completa falência de todos os sentimentos nobres e de todos os atos humanitários; justiça e retidão seriam meras utopias.

II
Raciocinando e Concluindo

Fatalismo e pessimismo podem enquadrar-se na doutrina espírita?

Essas duas doenças psíquicas, oriundas da ignorância humana, não se enquadram nas lições do Espiritismo. O fatalismo é queimado pelo fogo dos renascimentos, e o pessimismo se pulveriza ante a luz radiosa da imortalidade evolucionária. Fatalistas e pessimistas são lagoas de águas estagnadas, isoladas do dinamismo da grande correnteza da vida universal.

O conhecimento da verdade, relativa á evolução espiritual, através das vidas sucessivas, realiza no ser humano a impavidez serena do lutador, concio então do seu poder sobre as barreiras que surgem na gloriosa senda da evolução. - E assim o Espiritismo desperta no homem a plena consciência da sua condição de imortal, despindo-o, não só de inúmeros e inúteis preconceitos, como, especialmente, lhe dá novos alentos, descortinando-lhe horizontes vastos, encharcados de luz!

Que dizer, pois, desse trágico destino, desse mistério cruel, que conduz uns indivíduos para o fastigio da glória ou para as fulgurações dos tronos, outros para o fundo lôbrego das masmorras ou para a lâmina inexorável das guilhotinas?

- Diremos que cada qual fará a colheita daquilo que semeou. "A cada um segundo as suas obras", disse com muita ciência o rabi da Galiléia. Afirmamos que a suprema justiça se vai aplicando no transcurso das incontáveis existências. Asseguramos que muitos e muitos ainda continuam presos nas garras, dum passado comprometedor, violentos, cruéis, usando e abusando pessimamente do seu poderio, do seu livre-arbítrio, que é relativo, e limitado - Repetimos: cada qual é o responsável pelo seu "próprio destino; é o forjador das grades dos calcetas ou das dores que o excruciam, assim como cada individuo é o dispensador de suas glórias, alegrias, saúde, liberdade, bem-estar.

Somente a reencarnação é que pode esclarecer estes problemas, explicando e justificando tudo, afastando especialmente a idéia duma única existência esta que engendraria um deus bárbaro, cruel, droconianamente injusto.

- Pensemos, raciocinemos, com serenidade, pontos que se seguem:

Se a cura das chagas de um enfermo estivesse em nossas mãos, não o curaríamos?

- Se o restabelecimento da vista duma pobre mulher nos fosse possível, não a restabeleceríamos?

- Se o saneamento completo do corpo de todos os sofredores; estivesse ao nosso alcance, então não os curaríamos?

- Se pudéssemos devolver os movimentos naturais e a alegria ás crianças raquíticas, paralíticas, não o faríamos rapidamente?

- Se dispuséssemos de tal, poder a ponto de sustar nos ares as milhares de bombas fratricidas, que arrasam lares e escolas, assassinando e deformando mulheres, velhos e crianças, não as sustaríamos, não as desviaríamos?

- Se nos fosse possível estancar as lágrimas da incompreensão, do desespero, da profunda angústia, de milhares de criaturas, porventura não o faríamos?

- Sinto que a resposta geral e firme é esta: Sim!

Pois bem: por que então Deus não o faz? por que não soluciona ele todos esses dramas dolorosos, que convulsionam interna e externamente as criaturas humanas, sendo ele o Criador, o Todo Poderoso?

Somos acaso melhores do que ele?

Como responder a estas inquietantes perguntas, a estes tremendos problemas? com evasivas? com mistérios? com ameaças? com a imposição do pavor? com longas e inúteis súplicas como vítimas implorando clemência a um soberano atroz?

Compreendamos e assimilemos bem o seguinte, que responde, em boa parte, aqueles requisitos: Deus é antes de tudo a lei suprema do universo; é manifestação integral da Vida, Vida universal, inteligente. Ninguém o burla, ninguém o compra, ninguém o corrompe. São inúteis as promessas vagas, nebulosas. Não se comove, não protege, não persegue; não chora, nem odeia. Daí, a lei de causas e efeitos; daí a indeclinável responsabilidade pessoal, a necessidade inexorável de milhares de seres humanos resgatarem, em novas encarnações, as crueldades, as violências, cometidas em preteridas existências.

E o Espiritismo esclarece todos esses pontos, focalizando nesses problemas as luzes das suas encantadoras lições, plenas de conhecimentos, ricas de serenidade, iluminadas de esperança e de lúcidas consolações!

III
Na terra das Pirâmides

Egito concorre generosamente para a causa da imortalidade ascensional: Hermes Trimegisto, o Cristo dos remotos conterrâneos dos faraós, fundou, há uns 44 mil anos, o Hermetismo, cuja característica é a ciência ou poder sobre as forças ocultas.

Atualmente restam de sua doutrina apenas fragmentos, mas as pirâmides, as ruínas dos tempos e os labirintos, com suas paredes cobertas de instruções hieroglíficas, falam de modo profundo das coisas transcendentais. Em rolos de páginas, que desafiam a obra destruidora do tempo, se encontram os remanescentes dos livros sagrados dos egípcios: Os misteriosos documentos podem ser consultados; as chaves, porém, de sua integral decifração, desapareceram. Champolion e outros egiptólogos não foram ainda além do abc da sabedoria secreta dos hieróglifos. - Concluindo: o hermetismo não só admite à reencarnação no reino hominal, como também, em forma evolutiva, a aceita em outros três reinos: mineral, vegetal e animal.

Antes de deixarmos a região encantadora das papoulas, que abrem risadas vermelhas, colorindo; ainda mais as plagas da esfinge, apresentemos "Lês Egyptes", valioso livro em que Marius Fontane revela parte da transcendental filosofia do povo do país das múmias e dos sarcófagos:

"Antes de nascer, a criança viveu e a morte nada termina. A vida é um porvir; ela passa como os dias solares que recomeçam ".

A doutrina; Hermética aprofunda-se mais: aceita que o espírito vem realizando sua viagem pelos diferentes reinos da natureza:

"A pedra se converte em planta, à planta em animal, o animal em homem, o homem em espírito, o espírito em Deus ".

Heródoto, conhecido historiador grego, em suas pesquisas pelo pais do Nilo, reafirma os mesmos conceitos:

"Eles afirmam que a alma passa dum ser que morre a um ser que nasce, e depois de ter percorrido, o mundo terrestre, aquático e aéreo, vem animar um corpo humano."

( História, II.º - 123).


Vê-se, pois, que tanto quanto os reencarnacionistas de agora, sacerdotes e mais homens de apreciável nível intelectual tinham como ponto pacifico a pluralidade das existências no pais, da bela Cleópatra.

Isto, "mutatis mutandis", encerra um fato incontestável da vida universal: a evolução se desdobra da monera ao homem. E a vida do homem se distende, no infinito do tempo, através da multiplicidade das existências, desde o selvagem mais rudimentar ao sábio mais santo ou ao santo mais sábio; como Viasa, Krishna, Buda, Pitágoras, Cristo, Francisco de Assis.

Atentemos no dizer de Buchner e de Haeckener, em suas belas explicações relativas à evolução das formas, as quais, em sua ânsia de perfeição, se vão burilando com cinzel das centenas de milhões de anos, desde a do obscuro e inconsciente protozoário até o vaidoso "homo sapiens"! É a mesma evolução do espírito imortal através de formas lentamente progressivas, de que nos fala Flammarion em seu majestoso e profundo livro "O mundo antes da criação do homem". A diferença entre os dois grandes sábios, Buchner e Flammarion é apenas esta o alemão admite somente a evolução das formas, da matéria coordenada e dirigida pela força que promana dela mesma; o francês aceita e ensina, além da evolução da forma nos moldes da doutrina do sábio germânico, mais isto ainda: o progresso ilimitado do espírito imortal através dessas mesmas formas e delas independente: Para o primeiro a matéria é o único elemento real da vida, é a mater-genetriz de todas as atividades motoras e sensoriais. Para o filósofo gaulês do Observatório Astronômico de Paris, o espírito é a inteligência que vem moldando, segundo seu progresso, as formas que vai vestindo e desvestindo, no percorrer a grande estrada da evolução, que se distende da perfeição inconsciente (a monada, a monera, o protoplasma) á feição consciente (um Pitágoras, um Confúcio, Jesus).

IV
Indagações

- Por que há homens felizes e homens infelizes?

- Porque o homem-espirito é a construtor da sua própria vida, é o operário da casa que ele mesmo edificou e na qual se encerrou; é o único dispersador de suas glorias e alegrias, bem como é o próprio forjador das duras cadeias de sofrimento, a que se prende. Daí, o ninguém poder alijar de si sua indeclinável responsabilidade, pessoal.

- Nossa felicidade ou infelicidade depende terceiros?

- A verdade fundamental é que somos a produto do passado, e seremos amanhã a conseqüência de nossas ações e atividades do presente: Os outras não respondem por nós, como nada pagamos pelos outros. A influência de terceiros em nosso destino é muito relativa, é secundaria; aliás, é muito significativo o ensinamento do Mestre quando sentenciou: a cada um segundo suas obras.

- Pode a divindade proteger-nos ou perseguir-nos?

- Claro que não. A felicidade que gozamos ou o sofrimento que amargamos não constituem favor nem perseguição da divindade, pois, Deus é a Justiça Absoluta, que não protege, nem persegue a ninguém. Os homens sim é que se ajudam e se prejudicam mutuamente, segundo suas inclinações, afinidades, paixões; por isso continuam eles divididos em partidos, em grupos, em nações, em raças, que se guerreiam, ou se unem em alianças ora defensiva, ora destruidoras.

- Devemos fazer promessas, a fim de obter alguma coisa dos santos ou das divindades?

- Este é um costume religioso antiquado, desprovido do bom senso espiritual. É inútil tentar com dinheiro ou com promessas subornar leis divinas: As promessas religiosas constituem um jogo de interesses subalternos, em que se procura atrair a proteção dos "santos", gênios tutelares ou divindades em troca de oferendas, óbulos ou de sacrifícios. Os espíritos elevados, superiores realizam o Bem, praticam a Bondade, independente de retribuição, de paga, da nossa parte. Quem faz promessa a um ser, a fim de alcançar qualquer objeto, esta tentando ilaquear a dignidade desse ser, ou envolvê-la numa permuta de interesses...

- Devemos temer a morte?

- Não devemos temer o que, na realidade, não existe. Se nem o corpo morre, mas, apenas se transforma, quanto mais o Espírito que é permanente, indestrutível, evolucionário. O que existe veramente é a desencarnação e reencarnação do espírito; em sua marcha natural, progressiva incoercível. Nada existe que seja verdadeiramente morto em a Natureza.

- Devemos pensar em nossa salvação?

- "Nossa salvação" é coisa incompatível com as lições vitais do Espiritismo. Se existisse salvação, existiria também perdição. O que existe indubitável e logicamente é a evolução do Espírito através de vidas sucessivas. Ninguém está salvo, como ninguém está perdido. Nenhuma ovelha do rebanho universal se perderá, porque a Suma Sabedoria, vigilante é onipresente, se manifesta imanente em tudo e em todos. Salvação, perdição; pecados mortais, morte, condenação eterna; cólera divina e quejandos são velharias dogmáticas, fundamentadas no medo, medo sobretudo das perseguições e castigos divinos, tão ao sabor das religiões antigas.

- Como surgiu a idéia dos castigos divinos?

- Remontemos aos tempos em que a espécie humana, nas mais diversas regiões e épocas, começou libertar-sé do animalismo. Subjugada pelo terror que inspiravam as potências naturais, concebeu e viu no raio, no furacão, no terremoto, nas epidemias, nos trovões, as manifestações diretas de divindades irascíveis, cruéis, que se compraziam em torturar os homens. Daí o prestigio e o pavor de milhares de deuses; de tupãs, de júpiter, de cíbeles, de junos, de saturnos, de marduques, de istar, de baal-molóques, de chivas, de jeovás, de tanís, de alás, de parabramas, de Zeus, de Osíris, de vótans, cada qual em sua imensa corte, desde as musas e as graças dos gregos até ondinas e as valquirias dos germanos.

Como devemos agir: amedrontando as criaturas com castigos e ameaças ou procurando incutir conhecimentos?

- E funesto e retardatário o processo de ameaça de castigos post-montem. O terror da morte preconizada e ministrada pelas religiões antigas obumbra, escurece completamente a beleza, os encantos da vida. E' tempo de se ir substituindo o cárcere físico ou mental das ameaças e das imposições jupiterianas pelas escolas dá liberdade de consciência, de pensamentos, de livre analise, iluminadas pela sabedoria veramente espiritual.,

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