Campus de botucatu aditivos em dietas para frangos de corte criados em sistema alternativo



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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA

CAMPUS DE BOTUCATU
ADITIVOS EM DIETAS PARA FRANGOS DE CORTE CRIADOS EM SISTEMA ALTERNATIVO


Luiz Carlos Demattê Filho

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Zootecnia como parte das exigências para obtenção do título de Mestre.

BOTUCATU – SP

Junho – 2004



UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA

CAMPUS DE BOTUCATU

ADITIVOS EM DIETAS PARA FRANGOS DE CORTE CRIADOS EM SISTEMA ALTERNATIVO


Luiz Carlos Demattê Filho

Médico Veterinário

ORIENTADOR: Prof. Dr. José Roberto Sartori

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Zootecnia como parte das exigências para obtenção do título de Mestre.

BOTUCATU – SP

Junho - 2004



DEDICO
Ao Mestre Mokiti Okada, espero que este trabalho contribua na construção de uma Nova Civilização, isenta da doença, da pobreza e do conflito.
Aos meus antepassados, pelo nome que recebi e que honrarei na construção de uma vida útil à sociedade.
Aos meus superiores na Igreja Messiânica Mundial do Brasil e na Korin Agropecuária e Agricultura Natural Ltda., que me concederam as orientações para o desenvolvimento de uma consciência espiritualista e altruísta, e cujo apoio e confiança foram cruciais para o término deste trabalho.
À Mônica Ap. de Oliveira Demattê, minha esposa, pelo exemplo de força, paciência e compreensão, atributos que, creio, Deus conceda de maneira especial às mulheres.
Ao meu pai, Luiz Carlos Saragiotto Demattê, que no seu sábio silêncio, me concedeu as bases de uma vida digna.
À minha mãe, Vera Langella Demattê, que em um ambiente pleno de amor e cuidados, me tornou uma pessoa equilibrada e feliz.


AGRADECIMENTOS
A todos os professores do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, representados pelo meu orientador Professor Dr. José Roberto Sartori, cuja dedicação, paciência e orientação levarei como uma terna lembrança por toda a minha vida.

Ao Dr. Fernando Augusto de Souza, Gerente Geral da Korin, pelo apoio e confiança em mim depositados.

À Fundação Mokiti Okada, pela bolsa de estudos concedida permitindo-me prosseguir no desenvolvimento deste trabalho.

Ao Centro de Pesquisa da Fundação Mokiti Okada, pelo apoio e disponibilidade de pessoal e equipamentos para condução dos experimentos.

Aos funcionários da Korin, Cecília M. Ifuki Mendes, Evandro Possamai, Luis Marcelo Kodawara e Élcio José Barros, cuja responsabilidade, competência profissional e espírito de companheirismo permitiram ausentar-me do trabalho e prosseguir nos estudos.

Ao Sérgio Kenji Homma, que nas conversas casuais no ambiente de trabalho, concedeu-me valiosas orientações sobre a Agricultura Natural.

À Luciene Aparecida Madeira, Jane Cristina Gonçalves, Daniela Felipe Pinheiro, Valquíria Cação da Cruz e Vanessa Cristina Pelícia, pelo espírito de companheirismo e auxílio prestados na condução dos experimentos e na obtenção dos dados da pesquisa.

Aos estagiários Fabíola H. S. Fogaça, Simone M. Alessandri, Silvana E. Tiba, Marcos Aurélio Sousa e Rose E. P. Pereira pelo auxílio na condução dos experimentos.

Ao Regner de Oliveira pelas aulas de estatística e condução dos experimentos.

À Leikka Iwamura, que como estagiária e funcionária da AVAL, auxiliou-me com extrema dedicação nos momentos cruciais deste trabalho.


O SEGREDO DA EXPANSÃO ESTÁ NA FORTE

VONTADE DE CRESCER

Existe um único ponto de vital importância. É a forte vontade de crescer e expandir, custe o que custar. Esta atitude é fundamental.

O pior pensamento a seu próprio respeito é achar que “não tem capacidade”. Pense: “Eu também sou um ser humano. Se aquela pessoa está fazendo, eu também serei capaz de fazer”.

A pessoa que nunca desiste, com uma forte determinação para realizar o seu trabalho – mesmo que cometa falhas ou que seja ridicularizado pelos outros – certamente crescerá bastante. Eu próprio trabalho com essa atitude. Porém, aquela que desiste após o primeiro fracasso não serve, de fato, para o trabalho.

Há um provérbio que diz “a resignação é importante”. Em algumas circunstâncias isso é verdadeiro mas, neste caso, “a não resignação é fundamental”, portanto, deve-se desistir quando a causa não for boa e pelo contrário, ter forte determinação para as boas causas.

Mokiti Okada, 1950


SUMÁRIO

CAPÍTULO I - Considerações iniciais .................................................. 01


  1. PROMOTOR DE CRESCIMENTO ............................................... 02

  2. PERIGOS DOS RESÍDUOS ......................................................... 05

  3. CRIAÇÃO ALTERNATIVA ............................................................ 07

3.1. O trabalho da Korin Agropecuária Ltda.................................. 11

  1. ALTERNATIVAS AOS PROMOTORES DE CRESCIMENTO DE BASE ANTIBIÓTICA ..................................................................... 13

4.1. Probióticos ............................................................................. 15

4.2. Prebióticos ............................................................................. 17

4.3. Simbióticos ............................................................................. 19

4.4. Aditivos fitogênicos ............................................................... 19

4.5. Ácidos orgânicos .................................................................... 21

4.6. Enzimas ................................................................................. 23

4.7. Bokashi .................................................................................. 24

4.8. Microrganismos eficazes (EM) .............................................. 27

  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................. 30



CAPÍTULO II. Níveis de inclusão e tipos de bokashi na criação alternativa de frangos de corte ........................................................... 44
RESUMO ........................................................................................... 45

ABSTRACT ....................................................................................... 46

INTRODUÇÃO .................................................................................. 47

MATERIAL E MÉTODOS ................................................................. 48

RESULTADOS E DISCUSSÃO ....................................................... 52

CONCLUSÕES ................................................................................ 57

REFERÊNCIAS ................................................................................ 58
CAPÍTULO III. Uso de bokashi e aditivos comerciais em dietas para frangos de corte criados no sistema alternativo....................... 61
RESUMO ......................................................................................... 62

ABSTRACT ...................................................................................... 63

INTRODUÇÃO .................................................................................. 64

MATERIAL E MÉTODOS .................................................................. 65

RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................... 69

CONCLUSÕES ................................................................................. 76

REFERÊNCIAS ................................................................................. 77

CAPÍTULO IV. Implicações................................................................... 82
ÍNDICE DE TABELAS

Capítulo II


Tabela 1. Composição e valores calculados das rações experimentais ....

49







Tabela 2. Peso inicial (PI), peso final (PF), ganho de peso (GP), ganho de peso diário (GPD), consumo de ração (CR), conversão alimentar (CA) e mortalidade (MORT) de frangos de corte no período de 1 a 21 dias de idade, segundo o tipo de bokashi e o nível de inclusão ...........................................................................

52







Tabela 3. Peso final (PF), ganho de peso (GP), ganho de peso diário (GPD), consumo de ração (CR), conversão alimentar (CA), mortalidade (MORT) e fator de produção (FP) de frangos de corte no período de 1 a 42 dias de idade, segundo o tipo de bokashi e o nível de inclusão .......................................................

53







Tabela 4. Peso vivo e rendimento de carcaça, partes e gordura abdominal de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo o tipo de bokashi e o nível de inclusão ............................................

54








Tabela 5. Desdobramento da interação entre o tipo de Bokashi e o nível de inclusão para o rendimento de carcaça eviscerada (%) de frangos de corte aos 42 dias de idade .........................................

55








Tabela 6. Peso relativo de órgãos (%) e comprimento (cm) do intestino delgado e do intestino grosso de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo o tipo de bokashi e o nível de inclusão ..........

55








Tabela 7 Perímetro das vilosidades, profundidade de cripta, número de células caliciformes e relação caliciforme:enterócitos do duodeno, jejuno e íleo de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo o tipo de bokashi e o nível de inclusão ..........................

56


Capítulo III


Tabela 1. Composição e valores calculados das rações experimentais ..

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Tabela 2. Níveis de inclusão (%) dos aditivos às rações experimentais...

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Tabela 3. Peso final (PF), ganho de peso (GP), ganho de peso diário (GPD), consumo de ração (CR), conversão alimentar (CA) e mortalidade (MORT) nos períodos de 1 a 21 e 1 a 42 dias de idade e fator de produção (FP) aos 42 dias de idade, segundo a inclusão de aditivos .................................................................

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Tabela 4. Rendimento de carcaça, partes e gordura abdominal de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo inclusão de aditivo .........................................................................................

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Tabela 5. Peso relativo de órgãos (%) e comprimento (cm) do intestino delgado e do intestino grosso de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo a inclusão de aditivos ..................................

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Tabela 6. Perímetro das vilosidades, profundidade de cripta, número de células caliciformes e relação caliciforme:enterócitos do duodeno, jejuno e íleo de frangos de corte aos 42 dias de idade, segundo a inclusão de aditivos ....................................................

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CAPÍTULO I
CONSIDERAÇÕES INICIAIS

1. Promotor de crescimento

Os promotores de crescimento e de eficiência alimentar são aditivos antimicrobianos de uso generalizado na produção animal, sendo suplementados às rações em pequenas dosagens. Esses produtos incluem os antibióticos, que são substâncias produzidas por fungos, leveduras ou bactérias e que atuam contra bactérias e os quimioterápicos, que incluem substâncias obtidas por síntese química, com ação semelhante à dos antibióticos (Menten, 2001).

Até hoje o mecanismo de ação destas substâncias é motivo de controvérsias. De modo geral, seus efeitos podem ser agrupados em três categorias: metabólico, nutricional e controle de doenças. Destes, admite-se que o modo de ação primário é o controle de doenças, promovendo equilíbrio na microflora gastrintestinal, reduzindo as bactérias indesejáveis (Gram +) e favorecendo a colonização das desejáveis (Gram -) (Sunde et al., 1990). Esse mecanismo de ação é explicado pelo fato de que ocorrem melhores respostas ao uso de antimicrobianos em animais jovens em relação aos mais velhos, em meio ambientes mais contaminados do que nos limpos e em animais com menor resistência a doenças do que nos mais saudáveis (Nrc, 1994). Por outro lado, a manipulação inadequada da flora bacteriana nociva através do uso de promotores de crescimento, quimioterápicos e/ou antibióticos em doses preventivas, pode induzir o desequilíbrio da flora bacteriana e desencadear processos entéricos devido às interações indesejáveis com outros patógenos (Hoemberg et al., 1984 citados por Ito et al., 2000).

Um aspecto relevante a ser considerado é a possibilidade de seleção, por antimicrobianos, de bactérias resistentes na flora intestinal dos animais e do ser humano (Palermo Neto, 2002). Considera-se como resistente a bactéria capaz de sobreviver ou resistir às concentrações inibitórias ou bactericidas que o antibiótico pode atingir no sangue e tecidos do organismo humano. Atualmente, muitas infecções são causadas por bactérias resistentes a diferentes antibióticos, o que, sem dúvida, é um sério problema em terapêutica.

Os antibióticos têm uma ampla utilização na produção animal, visto que 50% de todo antibiótico utilizado na União Européia é destinado à utilização em animais, sendo 14% utilizados como promotores de crescimento e 36% de uso terapêutico (Mellor, 2000). Europa, Suécia e Dinamarca foram os primeiros países a estabelecerem programas de controle de uso de antibióticos na produção animal. Em 1986, a Suécia eliminou o uso desses compostos como promotores de crescimento. Na Dinamarca foram implementadas medidas relacionadas à comercialização de antibióticos, que determinaram redução do seu uso na produção animal. Nesse país também foi implantado um sistema de monitoramento da resistência antimicrobiana, que gerou informações importantes. Através deste monitoramento, pôde-se concluir que a redução do uso de antibióticos como promotor de crescimento propiciou uma diminuição da resistência microbiana aos produtos banidos (Bager & Emborg, 2001).

De fato, ao redor do mundo tem sido documentada resistência bacteriana a muitos tipos de antibióticos, porém as relações desses achados com as implicações na saúde humana não estão bem demonstradas (Newman, 2002). Porém, há evidências cada vez maiores da relação entre resistência bacteriana em terapêutica humana e o uso de antibióticos em rações para animais (Ferket et al., 2002). De maneira geral, sabe-se que a resistência bacteriana tende a declinar rapidamente após a suspensão do uso dos antibióticos, devido a ser uma resposta fisiológica das bactérias, que pode ser facilmente perdida na medida em que não é mais necessária. Entretanto, em um trabalho com suínos conduzido na Universidade de Kentucky, Estados Unidos, retirando-se os agentes antimicrobianos de uso terapêutico e profilático dos animais, com o intuito de avaliar os diversos fatores envolvidos no desenvolvimento da resistência bacteriana, encontraram-se populações de bactérias resistentes aos antibióticos rotineiramente utilizados antes da retirada, mesmo após 26 anos (Newman, 2002).



No Brasil, produtos que foram utilizados no passado e hoje estão proibidos como aditivos de rações incluem tetraciclinas, penicilinas, sulfonamidas sistêmicas, cloranfenicol, proibidas pela portaria no 193 de 12 de maio de 1998 do Ministério da Agricultura e da Reforma Agrária. O nitrovin, o ácido 3-nitro e o ácido arsanílico foram banidos pela portaria no 031 de 29 de janeiro de 2002, da Secretaria de Apoio Rural e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a nitrofurazona e furazolidona, proibidas pela instrução normativa no 9, de 27 de junho de 2003 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A avoparcina foi suspensa pela União Européia a partir de 1o de abril de 1997, e o Ministério da Agricultura do Brasil acompanhou a União Européia na suspensão desta. Atualmente, os aditivos autorizados pelo Ministério da Agricultura como promotores de crescimento de frangos de corte no Brasil são: avilamicina, colistina, flavomicina, lincomicina, olaquindox, tilosina, virginiamicina, bacitracina de zinco, espiramicina e enramicina (Menten, 2001).

Na Europa, atualmente, apenas 4 substâncias ainda podem ser utilizadas como promotores de crescimento: monensina e salinomicina, que são ionóforos, e avilamicina e flavomicina. Baseado no conceito de precaução, esses antibióticos deverão ser proibidos como promotores de crescimento a partir de janeiro de 2005, assim como os coccidiostáticos e histomonostáticos a partir de janeiro de 2009 (Comunidade Européia, 2002).

Em 1995, a avoparcina foi proibida na Dinamarca, seguindo-se do seu completo banimento pela Comissão Européia em abril de 1997, medida também adotada pelo Brasil. A proibição foi proposta como uma medida de precaução devido à possibilidade de resistência cruzada com a vancomicina, um antibiótico importante na terapêutica hospitalar humana e que é visto como uma das últimas e mais potentes armas para uso contra patógenos persistentes em doenças humanas (Ferket et al., 2002). Pela mesma possibilidade de desenvolvimento de resistência cruzada com antibióticos da classe das estreptograminas, a virgiamicina foi também banida na Dinamarca em 1998, seguida pela União Européia.

Também nos Estados Unidos, neste mesmo período, a consideração dos riscos mesmo que não embasados por extensivos dados, provocou uma regulamentação oficial para proibir alguns antibióticos como tilosina, bacitracina de zinco, espiramicina e virginiamicina para uso em animais domésticos (Hulet, 2002).


2. Perigos dos resíduos

Depois de muitos anos de uso dos aditivos antimicrobianos na alimentação animal, esses produtos passaram a ser vistos como fatores de risco para a saúde humana e a continuidade de sua aplicação sofreu contestações em duas frentes: a) presença de resíduos na carne, ovos ou leite que entram na alimentação humana (estes resíduos podem ser os próprios aditivos ou seus metabólitos, acumulados nos produtos comestíveis); os riscos potenciais incluem desde reações de hipersensibilidade até propriedades cancerígenas; b) indução de resistência cruzada de bactérias patogênicas para humanos (Mentem, 2001). Exemplificando temos o caso da furazolidona e furataldona, dois antimicrobianos da classe dos nitrofuranos, banidos em todo o mundo, inclusive no Brasil, para uso como promotor de crescimento devido à sua biotransformação em 3-amino-2-oxazolidinona (AOZ) e 3-amino-5-morfolino-2-oxazolidinona (AMOZ), respectivamente (Horne et al., 1996). A AOZ em meio ácido, como o do estômago de eventuais consumidores, transforma-se em hidroxietilhidrazina, uma molécula que possui comprovada atividade mutagênica e carcinogênica (Horne et al, 1996). Os metabólitos da biotransformação desses nitrofuranos permanecem ligados de forma covalente às proteínas teciduais do organismo de animais tratados, por um tempo não inferior a 3 meses (Palermo Neto, 2003) e, obviamente, chegaram à mesa de uma infinidade de consumidores. Além disso, os testes toxicológicos são conduzidos em animais e com uma substância sendo testada por vez, de forma que é praticamente impossível conhecer a totalidade do potencial tóxico para seres humanos, pois estes recebem vários tipos de resíduos quando se alimentam de alimentos de origem vegetal e animal.

Principalmente na Europa, a insegurança advinda da contaminação de ovos e leite por dioxina, da ameaça do “mal de Creutzfeldt-Jakob”, variante humana da encefalopatia espongiforme bovina (“mal da vaca louca”) e da epidemia de febre aftosa forneceram subsídios consistentes para que se coloque em questionamento o atual modelo de produção de alimentos (Escosteguy, 2002) e mais recentemente, os acontecimentos envolvendo os surtos de influenza aviária.

Segundo Palermo Neto (2002), há evidências de que a exposição do organismo a doses terapêuticas de antimicrobianos por tempo prolongado pode levar a perturbação da microflora no trato gastrintestinal (TGI), com repercussões no metabolismo de substâncias endógenas e exógenas e na susceptibilidade a patógenos como Salmonella spp, Campylobacter spp e Escherichia coli. Este efeito torna-se mais evidente quando o uso terapêutico desses antimicrobianos é feito via oral, podendo desenvolver pressão de seleção sobre a microflora do TGI, de forma a aumentar o potencial para o desenvolvimento ou aquisição de resistência a estes antimicrobianos ou a outros do mesmo grupo ou que apresentem idêntico mecanismo de ação.

Órgãos internacionais tais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Mundial para a Saúde Animal (OIE) têm registrado um aumento da freqüência de casos de resistência bacteriana aos principais compostos antibióticos. Apesar de tal problema estar associado à utilização indiscriminada desses compostos na medicina humana, a rapidez e a amplitude de disseminação de alguns isolados resistentes indicam que a dispersão dessas bactérias não pode ser inteiramente atribuída à transmissão entre seres humanos. Assim, a atenção recai sobre os alimentos e a forma como são produzidos (Demattê Filho & Kodawara, 2002a).

As comissões européias responsáveis pelo estudo e decisões acerca destas questões têm-se baseado em uma “política de precaução”, ou seja, não irão estabelecer regras apenas com a comprovação científica dos perigos. Naturalmente, as críticas a este modelo são inúmeras; porém, o fato é que as proibições e dificuldades para aprovações de medicamentos e aditivos para rações na União Européia seguem essa nítida tendência (Mc Mullin, 2004).

Apesar da incerteza sobre a relação direta entre o uso de certos antibióticos na produção animal e o aumento de resistência a estes em humanos, a proibição de seu uso é considerada pelo Tribunal Europeu como medida legal, dada à necessidade de proteger a saúde pública, segundo o pretexto que “questões do gênero não podem ficar dependentes do resultado de pesquisas científicas” (Avisite, 2002).

A verdadeira extensão dos problemas causados por substâncias tóxicas ou agentes biológicos para os seres vivos, inclusive o homem, é difícil de prever, pois os efeitos só podem ser observados no decorrer de várias gerações.


3. Criação alternativa

A partir da década de 90, a crescente demanda dos consumidores por alimentos saudáveis e isentos de resíduos químicos fez com que algumas empresas pesquisassem alternativas para alimentar as aves com ingredientes mais naturais aos hábitos alimentares das espécies criadas.

Surgiram, então, iniciativas de produção de “frangos sem antibióticos”, “frangos sem antibióticos e promotores de crescimento” e “frangos criados sem ingredientes de origem animal na ração” e, atualmente, está sendo elaborada uma norma com critérios definidos para produção destas aves. A criação alternativa de frangos surgiu, então, como opção ao consumidor, sendo que o termo “Frango Certificado Alternativo” designa frango de exploração intensiva, criado sem uso de antibióticos, anticoccidianos, promotores de crescimento, quimioterápicos e ingredientes de origem animal na dieta, além de menor densidade de aves por m², e de uma série de outros requisitos e normas aprovadas no âmbito da Associação da Avicultura Alternativa, AVAL (Demattê Filho & Mendes, 2001), as quais foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura para regulamentação da produção do frango alternativo em âmbito nacional.

A demanda por produtos da avicultura, denominados “alternativos”, face às exigências de mercado e às proibições do uso de alguns aditivos pelo princípio de precaução, tem provocado melhoria das técnicas de criação desse segmento e os resultados zootécnicos têm apresentado menores índices de mortalidade, maior ganho de peso diário, com conseqüente melhoria no índice de eficiência produtiva (Butolo, 2003).

A criação alternativa em escala comercial sobrevive devido à diferenciação do preço do produto para o consumidor, pois os menores índices zootécnicos inviabilizariam a produção não fosse este recurso. Além disso há a necessidade de remunerar os produtores de maneira diferenciada, gerando benefícios que os motivem a produzirem neste modelo.

As dimensões de mercado interno e externo para os frangos diferenciados são difíceis de estimar, havendo pouca literatura a respeito. É um mercado que vem crescendo no Brasil, com aumento no número de consumidores de produtos orgânicos, naturais ou ecológicos, certificados por entidade independente ou não, ou simplesmente com declaração de qualidade diferenciada pelo produtor. Para carne de frango, houve um aumento do consumo mundial, devido a alterações nos hábitos alimentares, com substituição das carnes vermelhas pelas carnes brancas, em virtude do seu baixo teor de gordura e preço reduzido. A carne de frango atinge as expectativas e desejos de grande parcela da população mundial que está cada vez mais preocupada em consumir alimentos saudáveis e seguros (Bolis, 2002).

Bolis (2002) realizou pesquisa em 7 cidades brasileiras, com o objetivo de conhecer a realidade do consumo de frangos orgânicos, entretanto na prática ela foi realizada com frangos diferenciados (alternativo-caipiras), pois até o momento não existe no mercado um frango orgânico. A carne de frango foi a segunda mais consumida (38,3% das pessoas), contra 47% que afirmaram consumir mais a carne bovina, 7,35% para a carne de peixe, 5,12% para a carne suína, 1,02% para a carne de peru, 0,34% para a de ovelha, enquanto 0,87% não consumiam carnes. Esses dados confirmam a importância do frango como alimento em nosso país. O fator preço mostrou-se o principal critério de escolha de produtos cárneos, participando em 49,9% das respostas, isolado (22%) ou associado à marca, qualidade, embalagem ou composição do produto, sendo que 55% dos entrevistados pagariam mais caro por um frango orgânico e desses, 32,24% pagariam 10% mais caro, 30,94% pagariam até 5% mais caro, 21,83% pagariam 20% mais caro, 12,37% pagariam 50% mais caro e apenas 2,62% pagariam mais de 50% acima do preço do frango convencional. Quanto ao grau de informação sobre o frango orgânico, 38% disseram que não saberiam conceituá-lo. Sobre os sistemas de produção, 66% sabiam que o frango convencional recebe antibiótico, mas apenas 19% responderam corretamente que o frango não recebe hormônios.

Farina e Fagá (2002) entrevistaram consumidores de frangos alternativos em São Paulo/SP, inseridos na elite da sociedade em termos de renda e escolaridade e verificaram que a freqüência de consumo era significativa, pois 51% consumiam exclusivamente frango alternativo, 42% consumiam de vez em quando e apenas 7% consumiam raramente e 85% das pessoas consumiam frango alternativo há mais de dois anos e 60% consumiam tanto o caipira quanto o alternativo. Constatou-se que os entrevistados valorizavam mais a marca e a presença de algum selo de qualidade, preocupando-se menos com preço, estando dispostos a pagar um prêmio de preço por um produto que acreditavam ser mais saudável, isento de antibióticos e promotores de crescimento. O respeito ao meio ambiente e bem-estar animal eram menos importantes como razões de consumo.

Na Korin, após vários anos de experiência como empresa produtora de produtos hortifrutigranjeiros naturais, nota-se que os consumidores desses produtos não são motivados por modismos, nem pertencentes apenas a classes abastadas, sendo que pessoas interessadas em melhorar sua saúde ou a de sua família encontram-se em todas as faixas de renda. Mas, devido aos preços de venda mais elevados, os frangos alternativos certamente encontrarão seu mercado principalmente entre os consumidores de maior conscientização, nível educacional mais elevado e de maior renda, sendo o fator de preço, um limitante à expansão do mercado desse tipo de frango.

Segundo Vale (2003), o mercado de frangos diferenciados (orgânico, caipira/alternativo) no Distrito Federal é de aproximadamente 3% em relação ao do frango convencional e os consumidores estão dispostos a pagar um prêmio pelo produto diferenciado. Contudo, existem problemas na comercialização, pois o mercado ainda não é organizado e o consumidor não sabe direito o que é o produto e o custo de produção é alto, o que torna o produto final mais caro.

As empresas produtoras de carne de frangos de sistemas alternativo e orgânico terão maior possibilidade de viabilizar seu trabalho e conquistar mercados à medida que conheçam melhor a atitude e expectativas do consumidor em relação aos produtos e a importância dos atributos da qualidade oferecidos serem comunicados ao consumidor.
3.1. O trabalho da Korin Agropecuária Ltda.

Em 1990, a Igreja Messiânica Mundial do Brasil adquiriu a fazenda Serra Dourada, uma propriedade de 174 hectares no município de Ipeúna - SP. Foi estabelecido então, o Pólo de Agricultura Natural de Ipeúna, além do já existente Pólo de Agricultura Natural de Atibaia, também em São Paulo, permitindo o início de um trabalho mais sistematizado de desenvolvimento e pesquisa em Agricultura Natural coordenado pela Fundação Mokiti Okada, a qual iniciou a pesquisa e produção do frango alternativo em 1994. Em 1995, foi fundada a Korin Agropecuária Ltda., conferindo a esta produção um caráter empresarial. Estabeleceu-se assim a norma de produção do frango Korin, sem o uso de antibióticos, quimioterápicos, promotores de crescimento e ingredientes de origem animal na dieta. Neste caso em particular, os antibióticos e outros medicamentos não são utilizados profilática e terapeuticamente. Todo o trabalho da empresa se baseia nos escritos e orientações deixados por Mokiti Okada (1882-1955), filósofo e espiritualista japonês que elaborou um extenso trabalho abordando assuntos ligados à política, economia, educação, moral, arte, medicina, religião e agricultura, incluindo-a como um dos pilares de sustentação da criação de uma nova civilização. Mokiti Okada denominou este modelo de produção agrícola como Agricultura Natural, e destacou que a finalidade da mesma reside na responsabilidade total pelo abastecimento de alimentos, que são os alicerces para se construir um mundo isento da doença, pobreza e conflito. E ainda, reside na observância das leis fundamentais da sobrevivência, alicerçadas na correta visão sobre a natureza, estabelecendo-se um modelo de produção sustentável (Fundação Mokiti Okada, 2002a). O princípio fundamental da Agricultura Natural é o absoluto respeito à natureza, que é uma grande mestra. Dessa forma deve-se tentar imitar os processos que ocorrem nas condições naturais e introduzi-los nos de produção de alimentos.

Mokiti Okada afirma que de uma forma ainda não explicada pela ciência, a ingestão de alimentos produzidos com a utilização de adubos químicos e estercos animais, agrotóxicos e outras substâncias químicas artificialmente introduzidas é a origem de inúmeras enfermidades que acometem seres humanos. As funções orgânicas do homem não estão habilitadas a eliminar de maneira completa as substâncias que não são determinadas como alimentos. Estas substâncias estranhas, uma vez ingeridas, transformam-se em toxinas concentrando-se em vários pontos do organismo, que com o passar do tempo, acabam se solidificando, principalmente nas regiões de maior atividade nervosa, tal como a parte superior do corpo, provocando o enrijecimento dos ombros e nuca. Mokiti Okada afirma que a partir desse estágio uma febre branda, porém ininterrupta, se instala nesta região do corpo, provocando além do desconforto físico, irritabilidade e desequilíbrio emocional, sendo a causa de conflitos e infelicidade e, portanto a origem de muitas doenças (Okada, 1990). De acordo com suas idéias, os alimentos não podem ser considerados apenas como um conjunto de nutrientes, tendo antes um elemento mais importante para a manutenção da vida e da saúde, a energia vital. Tal energia está intimamente ligada à pureza dos alimentos e esta por sua vez, depende dos meios empregados na sua obtenção (Demattê Filho & Kodawara, 2002b). Dessa forma, é importante ressaltar que a Korin não iniciou o trabalho de produção de frangos devido às recentes demandas por este tipo de produto por parte de consumidores, mas o fez por acreditar que as orientações de Mokiti Okada estão absolutamente corretas. Todos os fatos recentes envolvendo as questões ligadas à segurança dos alimentos e a relação com a saúde humana, vão ao encontro das afirmações de Mokiti Okada. O fato é que um trabalho que, há poucos anos, era tido apenas como uma peculiaridade de um grupo de pessoas, atualmente, é considerado um modelo de vanguarda. Ele também afirmou que suas idéias estavam muitos anos à frente de seu tempo e que o próprio desenvolvimento científico iria demonstrar e verificar a veracidade de suas afirmações.
4. Alternativas aos promotores de crescimento de base antibiótica

Muitas pesquisas têm sido conduzidas com o objetivo de buscar alternativas aos promotores de crescimento de base antibiótica, sem que haja redução dos níveis de produtividade alcançados na avicultura e sem prejudicar a relação custo/benefício. Vários trabalhos têm demonstrado que os probióticos, prebióticos, simbióticos, enzimas e alguns aditivos fitogênicos podem ser utilizados como substitutos aos promotores de crescimento, sem prejudicar o desempenho das aves e as características de carcaça, sendo que alguns pesquisadores chegaram a encontrar melhores resultados para ganho de peso, eficiência alimentar, mortalidade e características de carcaça com o uso destes produtos.

Segundo levantamento realizado por Menten & Loddi (2003), os resultados de vários trabalhos publicados no Brasil com uso de probióticos em frangos de corte indicaram que as respostas para o ganho de peso e eficiência alimentar não diferiram substancialmente daquelas obtidas com os antibióticos. Resultados semelhantes aos antibióticos para os mesmos parâmetros também foram obtidos com o uso de prebióticos (Rostagno et al., 2003) e com simbióticos (Maiorka et al., 2001). Com o uso de capsaicina, cinamaldeíodo e carvacrol, Rostagno (2001), citado por Menten (2002), verificou melhora no ganho de peso e eficiência alimentar em relação ao antibiótico. Além disso, a utilização de probióticos e prebióticos na ração, têm mostrado uma redução na mortalidade (Menten & Loddi, 2003).

Oba et al. (2003) encontraram maior rendimento de carcaça e porcentagem de peito para frangos abatidos aos 46 dias de idade, utilizando-se extrato de Quillaja saponaria, em relação ao grupo controle.

Em geral, os trabalhos publicados sobre óleos essenciais como promotores de crescimento para frangos de corte são escassos.

Alguns trabalhos de pesquisa que não mostram diferenças entre diversos aditivos e os promotores de crescimento provavelmente foram conduzidos em um ambiente com ausência de desafios, não reproduzindo as condições de campo. Isto concorda com Forbes e Park, 1959, citados por Yeo & Kim (1997), que observaram efeito de dietas contendo antibiótico em animais alojados em galpões naturalmente contaminados. Da mesma forma nenhum efeito foi observado em animais “germ-free” ou em animais alojados em galpões novos. Diferentes respostas entre estudos com dietas contendo antibióticos podem ser atribuídas às diferenças entre espécies, idade dos animais, dietas e ambiente. Em geral, efeitos mais significativos têm sido reportados em animais jovens, comparados com animais velhos e em observações de campo quando comparadas com ensaios em universidades (Zimmerman, 1986).

Avaliações realizadas nas condições da União Européia apontam que os custos de inclusão de aditivos em rações de frangos de corte correspondem a 0,6 a 1,2% do custo da ração para antibióticos, 2,6% para os probióticos e/ou prebióticos e 1,3% para aditivos fitogênicos (Menten & Loddi, 2003).
4.1. Probióticos

O termo probiótico foi proposto por Parker (1974), citado por Guillot (2000), e atualmente é definido como suplemento alimentar à base de microrganismos vivos e viáveis, que têm efeitos benéficos para o hospedeiro por melhorar o balanço microbiano no intestino.

Os pintainhos nascem praticamente desprovidos de população microbiana, a qual começa a ser desenvolvida após o nascimento, sendo suscetíveis à colonização por Salmonella spp., e outros enteropatógenos nos primeiros sete dias de vida (Ferreira, 2000). A ação direta dos microrganismos na mucosa intestinal, assim como seus metabólitos, ácidos biliares, toxinas e a amônia que são produzidas pela ação da urease bacteriana, apresentam efeito irritativo à mucosa intestinal, fazendo com que a mucosa permaneça em constante estado de leve inflamação, ocorrendo diminuição da capacidade de absorção de nutrientes, resultando num menor desempenho animal (Soares, 1996). Yeo e Kim (1996) mostraram que a adição de probióticos na dieta de frangos suprimiu o desenvolvimento de bactérias produtoras de urease. A diminuição da atividade da urease e a conseqüente redução na produção de amônia beneficiam a saúde e o desempenho animal, por que a amônia produzida localmente na mucosa intestinal pode exercer danos significativos nas células entéricas. Em condições normais, as aves jovens recebem a microbiota principalmente das mães, sendo que, em galinhas e perus, a transferência de microrganismos é muito eficiente quando os recém-nascidos são criados próximos aos adultos (Andreatti Filho & Sampaio, 1999). No entanto, os sistemas modernos de produção avícola impossibilitam este contato, retardando a formação da microbiota intestinal protetora nos animais jovens, de maneira que se deve utilizar alternativas para suprir esta deficiência e promover melhor saúde aos animais.

A microbiota intestinal é composta por inúmeras espécies bacterianas, sendo que em aves observa-se invariavelmente a presença de Bacillus, Bacterióides, Bifidobacterium, Citrobacter, Clostridium, Enterobacter, Enterococcus, Escherichia, Eubacterium, Fusobacterium, Lactobacillus, Lactococcus, Pediococcus, Peptostreptococcus, Propionibacterium, Ruminococcus, Serratia, Veillonella, Estreptococcus, entre outros (Andreatti Filho & Sampaio, 1999). Estes microrganismos formam um sistema complexo e dinâmico, responsável por influenciar fatores microbiológicos, imunológicos, fisiológicos e bioquímicos no hospedeiro, ou seja, as ações benéficas dos probióticos estão vinculadas com a capacidade de aumentar a síntese das vitaminas do complexo B, o estímulo a diferentes aspectos da resposta imunológica do organismo frente às agressões, havendo evidências que sugerem uma ação de redução dos níveis de colesterol, a capacidade de eliminar microrganismos e toxinas nocivas e favorecer o retrocesso de alguns tumores implantados artificialmente em animais de experimentação. Devido a esta complexidade, o uso de produtos que contenham em sua composição maior número de espécies de microrganismos, pode apresentar melhores resultados quanto à saúde dos animais hospedeiros (Tannock, 1998).

Segundo o Food and Drug Administration (FDA, 1989), dos Estados Unidos, mais de 40 microrganismos podem ser utilizados na produção de probióticos. Os mais comuns são cepas de bactérias Gram negativas dos tipos Lactobacillus sp (L. acidophillus, L. farciminis, L. rhammnosus, L. reuteri, L. salivarius), Streptococcus sp. (S. faecium, S. mundtii), e Bacillus sp (B.cereus, B.licheniformis, B.subtilis, B. toyoi) (Araújo et al., 200. Também são comumente utilizadas leveduras, como as cepas de Saccharomyces cerevisae.

Nurmi e Rantala (1973) demonstraram que a microbiota intestinal de aves adultas normais, quando administradas em pintos de um dia, apresentou efeito protetor contra infecção por Salmonella spp. Tortuero (1973) verificou melhoria nos índices de produção, tais como melhor conversão alimentar e aumento no ganho de peso em aves que receberam L. acidophillus, abrindo caminho para investigações sobre o tema.

A presença de bactérias ácido-lácticas em grande quantidade no intestino, interfere no crescimento, metabolismo ou sobrevivência de outras bactérias entéricas, reduzindo seus efeitos patogênicos ou toxigênicos, através da redução do pH ou pelo efeito direto dos ácidos sobre bactérias (Jin et al., 1997). Deste modo, o interesse no estudo de probióticos reside na sua provável ação contra os microrganismos patogênicos e/ou seus produtos, conferindo proteção durante as flutuações da microbiota (Sanders, 1995).

Segundo Quadros et al. (2001), o uso de probióticos na dieta de suínos proporcionou redução da perda de peso no transporte, melhorou o rendimento de carcaça e também aumentou a profundidade do músculo Longissimus dorsi.

Em trabalhos realizados com frangos de corte, Leandro et al. (2001) observaram aumento no consumo de ração pelas fêmeas nos tratamentos utilizando probióticos em relação ao grupo com antibióticos e controle, embora não tenha afetado o desempenho dos frangos, nem melhorado seu rendimento de carcaça.
4.2. Prebióticos

Os prebióticos são definidos como ingredientes alimentares não digeríveis que beneficiam o animal por estimular seletivamente o crescimento e/ou a atividade de uma ou poucas espécies de bactérias no intestino, melhorando a saúde do animal (Gibson & Roberfroid, 1995), servindo de alimento aos probióticos.

Os prebióticos que teriam a habilidade de alterar a composição da microflora intestinal, permitindo o estabelecimento de bactérias benéficas são certos oligossacarídeos formados por cadeias curtas de polissacarídeos compostos de três a dez açúcares simples ligados entre si, tais como arabinose, galactose, manose e lactose. Os mananoligossacarídeos (MOS) e os frutoligossacarídeos (FOS) são os mais indicados, (Newman, 1995 e Roberfroid, 1998). Dessa forma atuariam como moduladores benéficos da microbiota nativa presente no hospedeiro (Silva et al., 2003).

O uso dos oligossacarídeos pode reduzir o crescimento de diversas bactérias intestinais, patogênicas ou não, pela redução do pH, em virtude do aumento da quantidade de ácido láctico presente nos cecos (Choi et al., 1994, citados por Andreatti Filho & Sampaio, 1999). Algumas bactérias podem reconhecer sítios de ligação nos oligossacarídeos como sendo da mucosa intestinal, reduzindo-se a colonização intestinal por bactérias patogênicas. Isto feito, além de menor incidência de infecções, a mucosa intestinal torna-se inteiramente apta às funções de secreção, digestão e absorção de nutrientes (Iji & Tivey, 1998).

Estudos demonstram que a ingestão de leveduras inativas ou de suas paredes celulares purificadas, favorece a instalação no intestino de bactérias lácticas probióticas, impedindo a colonização de Salmonella typhymurium, sendo importante destacar que a levedura seca tem a propriedade de ser prebiótico, característica que principalmente se deve à estrutura de sua parede celular.

Em contraste ao modo de ação da maioria dos antibióticos, os mananoligossacarídeos (MOS) e possivelmente outros oligossacarídeos atuam oferecendo uma grande quantidade de sítios de ligação para patógenos Gram-negativos, prevenindo sua ligação com os enterócitos e a subseqüente infecção intestinal. A aderência de microrganismos patogênicos às células da bordadura do tecido entérico é pré-requisito para o início da infecção. Por exemplo, tem sido demonstrado que o Vibrio cholerae é incapaz de iniciar a doença a menos que seja capaz de aderir-se aos enterócitos, independente de estar presente em grande número. A adesão permite às bactérias crescer, formar colônias e iniciar a disputa pelos nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. Além disso, dá-lhes condição de se proteger da ação das enzimas digestivas, células de defesa e anticorpos do organismo animal (Ferket et al., 2002).


4.3. Simbióticos

Segundo Roberfroid (1998), simbiótico é a mistura de probiótico com prebiótico que afeta o hospedeiro, melhorando a sobrevivência e a implantação de bactérias benéficas no trato gastrintestinal, podendo também ser utilizado como substituto aos promotores de crescimento.

Fukata et al. (1999), citado por Menten & Loddi (2003), demonstraram a eficácia da associação de microbiota cecal com oligossacarídeos (FOS) em reduzir a quantidade de Salmonella enteritidis no ceco de frangos inoculados experimentalmente aos 21 dias de idade. Nos três períodos avaliados, o probiótico e o prebiótico reduziram a infecção, mas a combinação teve efeito sinérgico. Entretanto, a simples inclusão de um nutriente para a microbiota suplementada pode resultar numa associação simbiótica. Foi demonstrado que 5% de lactose na ração aumentou a eficácia da microbiota suplementada na prevenção da contaminação por Salmonella enteritidis.
4.4. Aditivos fitogênicos

Os extratos de plantas e condimentos têm sido utilizados há muitos anos na medicina humana para auxiliar na cura de doenças. Mas na alimentação animal moderna, os extratos de plantas despertaram o interesse como uma alternativa aos aditivos antimicrobianos somente após a proibição do uso de promotores de crescimento antibióticos. Desde então, muitas pesquisas estão sendo realizadas para aumentar o conhecimento sobre o modo de ação, estabilidade, toxicidade e benefícios potenciais dos extratos herbais (Kamel, 2000). Segundo Brugalli (2003), testes recentes revelam que os extratos vegetais estimulam a atividade enzimática intestinal das aves, as atividades das enzimas pancreáticas e promovem o aumento da atividade antioxidante, com conseqüente melhora na digestibilidade e na capacidade de absorção de nutrientes das aves.

A atividade antioxidante dos extratos vegetais se deve diretamente à captura de radicais livres e outros intermediários oxidativos, da quelação de íons ferro e cobre e da inibição de óxidos. A atividade antioxidante foi atribuída aos carotenóides e flavonóides, particularmente a quercetina e silibinina, que podem proteger as células e tecidos contra os efeitos prejudiciais do oxigênio reativo, em grau semelhante ao efeito dos tocoferóis (Miltenburg, 2000).

Diversas espécies vegetais, tais como alho (Allium sativum), cebola (Allium cepa), canela (Cinnamomum zujlanicum), orégano (Origanum vulgare), Yucca (Yucca schidigera) e Quillaja saponaria estão sendo pesquisadas e já são utilizadas na avicultura industrial como aditivos na ração de frangos de corte.

Segundo Heinerman (1997), o alho tem efeito antidiarréico, antiinflamatório, anti-séptico, antifúngico, antiviral e aumenta a capacidade do sistema imune. Em pesquisa realizada por Gonçalves et al. (2003), sua adição na forma de pó em dietas de frangos de corte promoveu uma melhoria na conversão alimentar. O óleo de orégano também tem sido utilizado em experimentos com frangos de corte, mostrando efeitos coccidiostáticos e antibacterianos.

A Yucca schidigera e a Quillaja saponaria são as maiores fontes de saponinas utilizadas como aditivos em rações para melhorar o desempenho e reduzir a produção de amônia e o odor de fezes de animais domésticos. O mecanismo de ação desses extratos ainda não é completamente conhecido, mas sabe-se que as saponinas alteram a microflora intestinal, atuam no metabolismo do nitrogênio, aumentam a permeabilidade de células da mucosa intestinal e a taxa de absorção intestinal. Devido a sua propriedade surfactante, as saponinas possuem atividade antiprotozoária, pois formam complexos com o colesterol das membranas celulares dos protozoários, causando a lise celular e apresentam propriedades antifúngicas e inibitórias para bactérias Gram-positivas (Cheeke, 2002).

Oba et al. (2003) demonstraram que a adição de Quillaja saponaria na dieta de frangos alternativos melhorou o rendimento de carcaça e a porcentagem de peito quando comparados a uma dieta controle. Schwarz (2002) verificou um melhor desenvolvimento das vilosidades do intestino das aves alimentadas com saponina (Quilaya), probióticos + saponinas e leveduras quando comparados aos tratamentos controle e com antibiótico.
4.5. Ácidos orgânicos

O uso dos ácidos orgânicos na alimentação das aves está relacionado com seus efeitos antifúngico nas rações e ingredientes, inibidor da proliferação de enterobactérias no trato gastrintestinal e, ainda, aumentando a disponibilidade dos nutrientes para as aves (Silva, 2000). Sabe-se, também, que alguns ácidos como o propiônico, o fórmico, o sórbico e o lático, quando em sua forma não dissociada, penetram nas células exercendo efeito bactericida (Jorge Neto & Dari, 2000).

Os objetivos da acidificação da dieta consistem em reduzir o pH e a capacidade tampão do alimento, aumentando a proteólise gástrica e reduzindo o crescimento bacteriano intestinal e a produção de seus metabólitos, de forma a potencializar o crescimento dos animais. Sua ação antimicrobiana está relacionada, em primeiro lugar, com a redução de pH da dieta; entretanto, seu efeito mais importante se deve à capacidade de difundir-se livremente através da membrana celular dos microrganismos até seu citoplasma (Roth, 2000). Uma vez no interior da bactéria eles são capazes de quebrar a estrutura de DNA no núcleo da célula resultando na incapacidade da célula se dividir ou levando-a a morte por exaustão, na tentativa de equilibrar seu meio interno pela eliminação de cátions H+ (Langhout, 2000).

Laurentiz et al. (2001) usaram 1% de vinagre e 0,05 % de ácido cítrico na água de bebida durante a primeira semana de vida de frangos e, apesar de não encontrarem diferença estatística entre os tratamentos, houve uma tendência de melhor desempenho para os animais tratados com essa mistura de ácidos.

Em experimento com poedeiras comerciais, os resultados demonstraram que a produção de ovos foi melhor nas aves tratadas com aditivo acidificante, sendo que os acidificantes também proporcionaram um maior peso corporal nas aves (Gama, 2000). Outro experimento com filhotes de avestruzes, demonstrou que o uso de ácidos orgânicos nas primeiras semanas de vida é uma boa ferramenta para diminuir a mortalidade ocasionada por infecção do saco vitelino, enterites e septicemias (Bravo, 2001).

O uso de ácidos orgânicos na nutrição avícola pode ser eficaz para substituir os antibióticos e promotores de crescimento e, se utilizados corretamente junto com medidas nutricionais, de manejo e biosseguridade, podem ser uma boa opção para manter a saúde do trato gastrintestinal das aves, melhorando seu rendimento zootécnico (Gauthier, 2000).


4.6. Enzimas

Segundo Bonato et al. (2001), as enzimas são catalisadores biológicos que aceleram diversas reações químicas no organismo. Promovem a hidrólise dos componentes dos alimentos tornando os nutrientes mais disponíveis para a absorção (Sartori et al., 2003). Atualmente, as categorias mais importantes de produtos enzimáticos utilizadas em nutrição animal são as fitases e as enzimas que catalisam os polissacarídeos não amiláceos (xilanases e glucanases). Ambas atuam de forma a melhorar a digestibilidade e o valor nutricional dos alimentos, visando suprir o déficit enzimático endógeno do trato gastrintestinal das aves. Estes autores também concluíram que, com o uso de enzimas, o consumo de ração tende a diminuir, embora não tenha apresentado melhora significativa no peso corporal e conversão alimentar de frangos de corte.

A suplementação de fitase resulta em liberação das proteínas e aminoácidos ligados ao fitato. Varder Klis e Versteegh (1991) citados por Cousins (1999) demonstraram que a suplementação de 300 unidades de fitase/kg na dieta de poedeiras aumentou a absorção de nitrogênio ileal de 79,3 para 80,9%. Em frangos, patos e perus, efeito positivo da adição de fitase na digestibilidade de nitrogênio também foi observado por Farrel et al. (1993), Martin e Farrel (1994) e Yi et al. (1996) citados por Cousins (1999).

A fitase atua melhorando a disponibilidade do fósforo e a xilanase atua no aumento da digestibilidade de nutrientes e, principalmente, no aumento da energia metabolizável. Conte et al. (2001) utilizaram quatro níveis de fitase (0, 400, 800 e 1200 unidades/kg) e 2 níveis de xilanase (0 e 1 kg/ton de ração) e verificaram que a xilanase melhorou a conversão alimentar, sem afetar o ganho de peso e a fitase melhorou o desempenho de frangos de corte em dietas com baixo fósforo disponível, sendo o melhor resultado obtido com o nível de 1.105 unidades/kg de dieta.

Em trabalho realizado por Pack e Bedford (1997), citados por Cousins (1999), observou-se que a combinação enzimática de xilanase, amilase e protease pode melhorar o ganho de peso e a conversão alimentar de frangos alimentados com dietas à base de milho e soja.

Máximo et al. (2001) notaram que a adição de enzimas melhorou significativamente o desempenho de pintos de corte, reduzindo o consumo de ração e contribuindo para a maior eficiência alimentar. Esse efeito pode ser explicado pela melhor utilização dos nutrientes da dieta e conseqüente redução nos custos de produção.


4.7. Bokashi

O bokashi teve sua origem no Japão no século XIX, com o objetivo de multiplicar microrganismos benéficos em um substrato para serem utilizados como aceleradores de compostagem ou para melhorar a sanidade de mudas. Porém, com o advento do uso de fertilizantes químicos, essa prática teve sua importância reduzida pela maioria dos agricultores japoneses. No final da década de 80, quando se começou a questionar com maior ênfase as condições da agricultura convencional, em relação ao desequilíbrio da biota do solo, a segurança alimentar comprometida pela contaminação com agrotóxicos, bem como a contaminação do meio ambiente, as publicações resgataram os benefícios do uso de bokashi na agricultura. O bokashi é uma mistura não específica de farelos inoculados e fermentados por microrganismos. É comum serem utilizados vários tipos de microrganismos para se obter o bokashi e a finalidade desta utilização é acelerar o processo de fermentação e produzir um produto rico em microrganismos benéficos. A matéria prima utilizada para confecção do bokashi pode variar, entretanto a melhor opção será determinada pela disponibilidade na região e a espécie animal objetivada, podendo ser feito inclusive com a própria ração formulada sem a adição dos suplementos vitamínico e mineral. O processo de fermentação pode ser aeróbio ou anaeróbio (Fundação Mokiti Okada, 2002a). No presente trabalho os bokashis foram confeccionados em processo anaeróbio, pois este permite um maior controle da qualidade da fermentação. Dahal (2001) descreveu que o uso de bokashi preparado com farelo de arroz e fermentado com microrganismos eficazes (EM) diminuiu a mortalidade das aves, melhorou a digestibilidade da ração aumentando o ganho de peso, além de ter um menor custo de produção quando comparado ao uso de antibióticos e substâncias do gênero.

O EM (Effective Microorganisms) ou outros inóculos padronizados contribuem na uniformização da fermentação melhorando a qualidade do produto final (Fundação Mokiti Okada, 2002a). Com o advento do EM, conseguiu-se melhorar a fermentação dos farelos, que fornecem nutrientes aos microrganismos presentes nesse composto, sem que hajam perdas na sua característica inicial. As bactérias produtoras de ácido lático e as leveduras, presentes no EM, fermentam os materiais orgânicos que compõem o bokashi e produzem substâncias que melhoram o equilíbrio da flora intestinal. O bokashi possui como principais matérias-primas o farelo de arroz e o farelo de trigo, mas podem ser adicionados outros materiais orgânicos, como a ração formulada, farinha de peixe e farinha de carne e osso (Fundação Mokiti Okada, 2002b).

A adição de bokashi-EM nas dietas aumentou o ganho de peso, melhorou a conversão alimentar e reduziu a gordura abdominal e melhorou a qualidade da carne de frango de corte e aumentou a produtividade e reduziu a produção de amônia em poedeiras (Sun et al., 1999). Segundo Anjum et al. (1998), citados por SUN et al. (1999), além de reduzir a quantidade de colesterol presente na gema do ovo em poedeiras comerciais, diminuiu a população de patógenos intestinais em frangos de corte.

Trabalhos têm mostrado que o uso de ração fermentada ou de bokashi na alimentação de frangos reduz a taxa de colesterol sérico (Sun et al., 1999), a produção de amônia em galpões (Sun et al., 1999; Li et al., 1998), a mortalidade e possuem efeito promotor de crescimento (Li et al., 1998), além de aumentar a produção de ovos em poedeiras (Yongzhen & Weijiong, 1994), podendo ser utilizados como alternativa aos antimicrobianos.

Experimentos realizados por Joo & Lee (1999) com diferentes linhagens de frangos, adicionando EM na água, ração ou ambas, não demonstraram diferença significativa no crescimento, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade em relação ao grupo controle. No entanto, houve aumento na porcentagem de peito e tendência de maior ganho de peso com o uso de EM na água de bebida das aves, e menor porcentagem de gordura abdominal quando a mistura bokashi-EM foi adicionada à ração. Em poedeiras comerciais, o EM adicionado na ração também influenciou a qualidade dos ovos, com aumento do peso, melhor consistência e coloração mais escura da gema nos tratamentos com EM na ração ou na ração e na água (Chantsavang & Watcharangkul, 1999).

Estudos na Coréia demonstraram que o uso de EM na ração de frangos aumentou os índices de precocidade e diminuiu o odor do esterco quando pulverizado na cama e adicionado à ração e água das aves. Há também relatos de melhora na qualidade higiênica dos ovos e de diminuição na mortalidade por doenças respiratórias (Joo & Lee, 1999).

Li et al. (1998) observaram uma redução de 35% na mortalidade em aves que receberam bokashi com EM, em relação ao grupo controle. O bokashi EM diminuiu significativamente a incidência de diarréia e canibalismo entre aves poedeiras.

Safalaoh & Smith (2001) compararam o uso do bokashi EM com promotor de crescimento bacitracina de zinco (BZ) e encontraram taxas de ganho de peso significativamente maiores nos tratamentos com BZ comparadas com as dietas sem BZ, assim como observaram que as dietas com 30 g de bokashi EM por quilo de ração não diferiram das dietas com BZ mais bokashi EM (0,5 e 30 g/kg de ração, respectivamente) e das dietas que continham apenas bokashi EM (30 g/kg de ração) para o ganho de peso e consumo de ração, concluindo que o bokashi EM apresentou um efeito promotor de crescimento, posicionando-o como uma alternativa ao uso dos antibióticos como aditivos nas dietas de frango. Encontraram também redução no nível de colesterol sérico nos tratamentos adicionados de bokashi EM com as menores taxas ocorrendo com a inclusão de 3% de bokashi EM na ração das aves.

Há de se considerar, entretanto, a escassez de trabalhos sobre o uso de bokashi como um aditivo de rações para frangos de corte, principalmente quando comparado aos aditivos antibióticos e aos outros aditivos comercialmente disponíveis como alternativa aos promotores de crescimento de base antibiótica.


4.8. Microrganismos eficazes (EM)

Outra alternativa ao uso de promotores seriam os microrganismos eficazes (EM). A tecnologia do EM foi desenvolvida na década de 70 pelo Dr. Teruo Higa na Universidade de Ryukyus, Okinawa, Japão, e se baseou na simbiose de uma variedade de bactérias sendo, posteriormente, refinada para a inclusão de três tipos de microrganismos freqüentemente encontrados no meio ambiente e denominados de bactérias lácticas, actinomicetos e bactérias fotossintéticas (Sangakkara, 2002), predominando populações bacterianas lácticas. Embora seu mecanismo de ação ainda não seja totalmente conhecido, acredita-se que poderiam atuar aumentando a quantidade de aminoácidos disponíveis, o que explicaria alguns de seus efeitos benéficos (Li et al., 1998).

Outra explicação poderia ser obtida através do incremento na microflora, potencializando a capacidade intrínseca da ave de se defender de doenças, colonizando seu trato gastrintestinal com bactérias benéficas que dificultarão o crescimento de bactérias patogênicas. Além disso, os microrganismos eficazes estimulam o sistema imunológico, produzem substâncias que inibem o crescimento bacteriano, melhorando a capacidade de síntese de vitaminas, hormônios e enzimas que auxiliam a digestão, aumentando a qualidade do produto final. Isto sugere resposta positiva do uso do EM como probiótico para aves (Li et al., 1998).

Como foi demonstrado por Safalaoh & Smith (2001), o EM tem um efeito promotor de crescimento e hipocolesterêmico e apresenta-se como alternativa ao uso de antibióticos nas dietas de frangos de corte.

Após entrar no organismo do animal, a cultura benéfica de microrganismos do EM multiplica-se rapidamente, controlando o crescimento de outros patógenos, além de produzir vitaminas, disponibilizar nutrientes e estimular o sistema imune das aves (Li et al., 1998). O incremento no desempenho de frangos com o uso de EM pode ser atribuído à melhora das condições ambientes, como também estar relacionado à inoculação de microrganismos benéficos no trato gastrintestinal (Wood, 1999).

Os microrganismos eficazes têm sido utilizados como inoculantes no processo de ensilagem de milho e forrageiras. Guim et al. (1995) trabalhando com ovinos, verificaram que a adição de EM melhorou a digestibilidade aparente da matéria seca, proteína bruta, extrativo não nitrogenado, energia bruta e o valor de nutrientes digestíveis totais (NDT) de silagens com alto teor de matéria seca. Yongzhen & Weijiong (1994) relataram que a concentração de aminoácidos no alimento aumentou em 28% após o processo de fermentação com EM, indicando que o EM melhora a qualidade de rações fermentadas.

Trabalhos realizados com produtores na China verificando a qualidade dos resíduos animais, demonstraram que o EM ajuda a estabilizar o material, controlando o mau cheiro e melhorando seu valor como fertilizante na agricultura, sugerindo que o EM pode transformar a amônia em constituintes menos tóxicos, e dessa forma, diminuir sua emissão no galpão em 30 a 50 % em relação aos métodos convencionais (Li et al., 1998).

Yongzhen & Weijiong (1994) também verificaram que a utilização do EM como um probiótico nas rações melhorou o coeficiente de absorção de nitrogênio. A adição de EM melhorou o peso final de frangos de corte quando adicionado na água de bebida (2004g), na ração fermentada (1978g) e em ambos, água de bebida e ração (2022g) em comparação ao grupo controle (1690g).

O EM é um produto seguro, podendo ser usado como promotor de crescimento e para induzir resposta imunológica em frangos de corte (Dahal, 2001). Além disso, vários trabalhos têm demonstrando sua eficácia na redução dos níveis de amônia nos galpões (Li et al., 1998).

O capítulo 2, denominado “NÍVEIS DE INCLUSÃO E TIPOS DE BOKASHI NA CRIAÇÃO ALTERNATIVA DE FRANGOS DE CORTE”, apresenta-se de acordo com as normas editoriais da Revista PAB – Pesquisa Agropecuária Brasileira. O objetivo deste trabalho foi avaliar o nível de inclusão de dois tipos de bokashi sobre o desempenho, rendimento de carcaça e partes, peso de órgãos e morfometria do intestino de frangos de corte criados no sistema alternativo.

O capítulo 3, denominado “USO DE BOKASHI E ADITIVOS COMERCIAIS EM DIETAS PARA FRANGOS DE CORTE CRIADOS NO SISTEMA ALTERNATIVO”, apresenta-se de acordo com as normas editoriais da Revista PAB – Pesquisa Agropecuária Brasileira. O objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos da inclusão de bokashi e outros aditivos no desempenho, rendimento de carcaça e partes, peso de órgãos e morfometria do intestino de frangos de corte criados no sistema alternativo.
5. Referências

ANDREATTI FILHO, R.L.; SAMPAIO, H.M. Probióticos e prebióticos: realidade na avicultura industrial moderna. Revista da Educação Continuada, São Paulo, v.2, p.59-71, 1999.


AVISITE. Antibióticos: proibição por precaução. Disponível em:
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