Capitalismo selvagem, dominação autocrático-burguesa e revolução dentro da ordem



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Capitalismo selvagem, dominação autocrático-burguesa e revolução dentro da ordem

Emoção é o sentimento que melhor expressa o que sinto ao participar dessa mesa-redonda1, na companhia de tantos amigos, companheiros de partido, como Ivan Valente, admiradores e leitores de Florestan, bem como da minha família e dos meus próprios queridos amigos.

Emoção porque ela está sendo realizada aqui, na Maria Antonia, onde cresceu, ganhou renome e, posteriormente, foi destruída, a chamada Escola de Sociologia de São Paulo, produzida pela cadeira de Sociologia I, onde Florestan e seus assistentes, aos quais, aliás, dedica o livro A Revolução Burguesa no Brasil, construíram, segundo ele, “um pequeno mundo que bem depressa se converteu na razão de ser de nossas vidas e no eixo em torno do qual iriam girar as nossas atividades profissionais ou políticas”,2 Não respondo pelos seus assistentes, mas posso garantir que Florestan disse a verdade. Afinal, a Maria Antonia foi a grande rival das nossas vidas, da minha mãe, minha e dos meus irmãos. Quantas vezes fomos deixados na calçada em frente às portas do Dante Alighieri, ainda fechado, para o turno da tarde, porque nosso pai queria ter a certeza de ser o primeiro a chegar na Maria Antonia!

Emoção, também, porque foi onde fiz a graduação em Ciências Sociais. Foi onde conheci, como colega de classe, Paulo Silveira, meu marido já há quase quarenta anos. Foi onde fui aluna, entre tantos outros valorosos professores, incluindo meu próprio pai, da saudosa Gioconda Mussolini, antropóloga brilhante e grande amiga de Florestan. Quantas vezes, quando ele precisava de dinheiro, ela comprava-lhe os livros apenas para guardá-los até que ele pudesse readquiri-los novamente!

Emoção pela presença da minha colega e amiga, professora Maria Arminda Arruda, cujo nome indicamos, minha família e eu, à editora Globo para dirigir a coleção Obras Reunidas de Florestan Fernandes por lhe reconhecermos, todos nós, sua seriedade intelectual e sua imbatível competência acadêmica, provada nos seus inúmeros trabalhos, pesquisas e orientações de tese sobre Florestan .

Emoção, ainda pelo reencontro com Fernando Henrique Cardoso que não foi apenas o assistente querido e admirado por Florestan, mas que se tornou aquele amigo que, não obstante trilhando caminhos políticos diferentes, acompanhou, solícito e solidário, momentos difíceis da vida afetiva, intelectual e política de Florestan. Creio mesmo ser esta uma boa ocasião para dar testemunho de um carinho especial do presidente Fernando Henrique com Florestan. Muitas vezes, cheguei ao Hospital das Clínicas, onde ele estava internado, para encontrá-lo alegre, animado, comovido: “Heloísa, o Fernando Henrique ligou para cá! Queria saber como estou.” Consideração ainda mais especial porque muitos companheiros do seu próprio partido não tiveram a mesma gentileza.

Emoção, finalmente, por estar aqui para falar sobre dois livros tão importantes da obra de Florestan. Afinal, para A Revolução Burguesa no Brasil, Florestan escreveu uma Nota Explicativa agradecendo o estímulo dos professores Luiz Pereira e Fernando Henrique Cardoso e o “incentivo entusiástico de minha filha, a professora Heloísa Rodrigues Fernandes”3 (p.9). Pode ser esta uma boa ocasião para esclarecer o que se passou. Professora de Sociologia na USP, eu estava preparando a redação da minha dissertação de mestrado. Num domingo, conversando com meu pai, falei da minha dificuldade para encontrar uma perspectiva de análise sociologicamente relevante da sociedade brasileira a partir de onde poderia ganhar sentido a criação da antiga e já saudosa Força Pública do Estado de São Paulo. Meu pai respondeu como sempre fazia: “pois leia isto, aquilo e aquilo outro. Depois, se quiser, consulte meu arquivo. Dei um curso sobre a formação e desenvolvimento da sociedade brasileira, na graduação, em 1966. Leia as fichas do curso porque você pode encontrar algumas sugestões”. Evidentemente, comecei pela leitura das fichas e fiquei encantada! Nunca tinha lido nada com igual estatuto sociológico sobre a sociedade brasileira. Entusiasmada, disse-lhe que aquele material não podia ficar mofando no arquivo, que ele precisava ser publicado. Podem acreditar, meu pai resistiu o que pôde, “que de modo nenhum, que era apenas material de aula, etc. e tal.” Insisti e persisti inúmeras e repetidas vezes com essa garra que, afinal, herdei do meu próprio pai até que consegui abrir brechas na sua férrea determinação. Lembro que, certo dia, parou de argumentar, olhou bem para mim, com aqueles seus lindos olhos já brilhando na alegria antecipada do trabalho que teria pela frente, e disse algo mais ou menos assim: “Você acha mesmo? Tem certeza? Então, vou reler essas fichas...” E foi assim que um curso sobre a formação e desenvolvimento da sociedade brasileira começou a ser transformado, inicialmente, no A Revolução Burguesa em Processo, que é como eu o cito, ainda como texto datilografado, na minha dissertação de mestrado, publicada em 19744, para se tornar, finalmente, A Revolução Burguesa no Brasil o qual, publicado pela primeira vez em 1975, é constituído pela revisão das anotações das aulas, de 1966, e por uma longa Terceira Parte, Revolução Burguesa e Capitalismo Dependente, que Florestan escreveu especialmente para o livro, em 1973.5

A mudança do título de “formação e desenvolvimento da sociedade brasileira” para “a revolução burguesa no Brasil”, é significativa. Florestan acabava de retornar do Canadá onde sabemos que andou estudando as revoluções socialistas na Rússia, na China e em Cuba6 . Ademais, Florestan é filho do seu próprio tempo. Vivíamos numa época rica de contradições. No Brasil, a ditadura militar estava liquidando os últimos remanescentes dos grupos de resistência armada, inclusive no Araguaia. Ainda assim, tudo se transformava em revolução; uma palavra que, aliás, ainda não se tornara, como hoje, essa espécie de palavrão que estamos proibidos de pronunciar em público. Ao contrário, vivíamos uma inflação de revoluções; revolução socialista, revolução estudantil, revolução feminista; até mesmo o golpe militar se auto-intitulou revolução de 1964!

Se tivesse tempo, bem que poderia contrastar a diferença de estilos entre o Florestan que escreveu, em 1959, “Atitudes e Motivações Desfavoráveis ao Desenvolvimento”, publicado no livro Mudanças Sociais no Brasil7, com apresentação de Fernando Henrique Cardoso, diretor da coleção e que Florestan dedicou ao seu maior amigo, o professor Antonio Candido. Nele, com uma acuidade e vivacidade desnorteantes, Florestan persegue seu objetivo de diferenciar, da perspectiva da sociologia sistemática, os conceitos de desenvolvimento e mudança social porque, para ele, seriam portadores de um notável valor heurístico e pragmático. Nessa análise densa, fechada, concentrada, podemos acompanhar o funcionamento da sua inteligência de enxadrista, que ele nunca foi , capaz de diferenciar isto daquilo e daquilo outro, numa lógica implacável onde B segue-se de A que deriva de C e assim por diante, de tal modo que se torna impossível resumir o que ali está! Artigo que mobiliza teorias das mais variadas procedências e que recorre a uma enormidade de citações e indicações bibliográficas! Se o estilo faz mesmo o homem, eis aí um Florestan que pensa e escreve como e enquanto sociólogo profissional, que aposta, com Mannheim, nas possibilidades da planificação como técnica de intervenção capaz de provocar as mudanças sociais necessárias para que a sociedade brasileira pudesse superar o “subdesenvolvimento”. 8

Não é esse o estilo do Florestan que escreveu A Revolução Burguesa no Brasil. Aqui, nas 78 páginas do capítulo 7, denominado “O modelo autocrático burguês de transformação capitalista”, o mais longo e mais importante da Terceira Parte, Florestan cita apenas Rosa Luxemburgo, Baran e Neumann. Os dois primeiros para precisar algumas das suas teses sobre o desenvolvimento capitalista da periferia, “dependente, subdesenvolvido e imperializado”9, submetido aos dinamismos impostos pelas economias capitalistas centrais e pelo mercado capitalista mundial e o último para esclarecer aspectos políticos do nacional-socialismo10. Agora, Florestan já não é o sociólogo profissional defendendo o uso das técnicas racionais de intervenção para enfrentar as resistências sociopáticas, isto é, patológicas, à mudança social, como dizia em 195911. A partir da Revolução Burguesa, Florestan quer ligar a investigação sociológica ao processo de construção de um pensamento socialista no Brasil, projeto ainda mais necessário porque, segundo ele, a esquerda brasileira sempre teve um fascínio pelos modelos externos e pela importação de pacotes culturais estrangeiros12 em detrimento da tão necessária construção de uma teoria socialista centrada nas especificidades da sociedade brasileira. Em suma, desde a Revolução Burguesa, Florestan tem o projeto de construir. Não por acaso já não há citações bibliográficas. Há sim uma longuíssima bibliografia apresentada no final do livro, mas esta, sob orientação e correção de Florestan, foi realizada, de fato, por Paulo Silveira.

O que importa ressaltar no novo estilo é esse Florestan que já não precisa filiar-se porque está criando e afirmando-se por si próprio. Anos e anos de trabalho duro nas bibliotecas, uma carga infinita de leituras, somam-se à sua memória prodigiosa e começam a fermentar num caldeirão onde sua posição socialista alia-se à sua extraordinária imaginação sociológica. Teorias sociológicas, mestres e discípulos, transformam-se nas cores de uma palheta com as quais começa a criar uma interpretação singular da sociedade brasileira e a produzir conceitos que carregam sua marca registrada: capitalismo selvagem, circuito fechado, democracia restrita, compasso de espera, transição transada, etc. Não é, portanto, que, após a aposentadoria compulsória, Florestan tenha abandonado a sociologia, maneira não incomum, mas falsa, de apresentá-lo e que, do meu ponto de vista, decide aposentá-lo novamente, condenando-o assim a uma segunda morte, aquela que, para Lacan, é a pior morte, porque é a morte simbólica. Muito ao contrário, Florestan mudou de estilo porque mudou de posição: já não se afirma enquanto filiado, mas como fundador.

Aliás, o conceito de capitalismo selvagem, do meu ponto de vista, é sua principal contribuição teórica na Revolução Burguesa.13 É ele que dá sustentação à principal tese da sua interpretação da sociedade brasileira segundo a qual não é que, no Brasil, haja uma composição do passado com o presente, do mundo da sociedade estamental e escravista com o mundo da sociedade de classes, onde esse passado arcaico estaria pesando sobre o presente moderno, obrigando à realização precária ou deficitária da revolução burguesa, da sociedade de classes, do capitalismo.14 Uma leitura bastante vulgarizada, aliás, da interpretação de Florestan. Pior ainda, uma leitura que o torna filiado àquelas duas interpretações cujas teses Florestan estava questionando: a do ISEB e a do Partido Comunista Brasileiro.15 Não é , portanto, para Florestan, que o Brasil tenha perdido o bonde – por não ter embarcado nele – do capitalismo ou, sequer, que o Brasil esteja andando no ritmo lento dos bondes graças ao sobrepeso do passado escravista, estamental e arcaico. Nada disso! O capitalismo, entre nós, o capitalismo dependente, é selvagem e só pode ser selvagem. O que significa que ele não é, nem será domesticável. O capitalismo selvagem é e será crescentemente uma máquina de exploração, de opressão e de discriminação sem conserto, nem saídas porque, quanto mais esse capitalismo se desenvolver, tanto maior a exploração, a opressão e a discriminação, agravando a selvageria que é sua própria condição. Por isso mesmo, para Florestan, o capitalismo selvagem só se mantém e reproduz graças à sua sobredeterminação política.

Como diz Florestan, “a Revolução Burguesa na periferia é um fenômeno essencialmente político (...) É o que torna sua ações políticas de classe profundamente reacionárias” revelando a “própria essência autocrática da dominação burguesa e sua propensão a salvar-se mediante a aceitação de formas abertas e sistemáticas de ditadura de classe”16 “Um poder que se impõe(...) de cima para baixo, recorrendo a quaisquer meios para prevalecer(...) e convertendo, por fim, o próprio Estado nacional e democrático em instrumento pura e simples de uma ditadura de classe preventiva” 17, seja ela uma ditadura de classe aberta e assumida ou dissimulada e paternalista18.

Capitalismo selvagem e dominação autocrática são as duas faces da mesma moeda. É assim que a burguesia dependente pode, “fomentar o racionalismo acumulador, o pragmatismo expropriativo, o egoísmo, o exclusivismo, o despotismo de classe”.19 O preço dessa combinação é a gestação e manutenção de uma sociedade civil incivilizada. “Abolicionista, mas não liberal, essa burguesia soube lutar contra a existência do escravo, mas não pela existência do homem livre.20

Revolução burguesa no Brasil significa capitalismo selvagem, circuito fechado, democracia restrita aos mais iguais, cooptação, ditadura dissimulada ou assumida. Como queria Nabuco, “a liberdade existe para nós, homens de gravata lavada e não para o povo” e a “democracia é uma necessidade e uma regalia dos que são gente”.21 Nem dá para acreditar, mas já faz vinte anos que Florestan declarou que a“situação no campo hoje é o melhor exemplo que temos da exclusão do homem pobre, das classes oprimidas e subalternas da sociedade civil. Esses seres humanos não são seres humanos, como cidadãos não são nem cidadãos de segunda classe. Isso cria uma situação potencial de conflitos muito forte (...)” 22

Capitalismo selvagem e dominação autocrático-burguesa são duas âncoras da mesma estrutura. “Um capitalismo que associa luxo, poder e riqueza, de um lado, à extrema miséria, opróbio e opressão, do outro (...) como se os mundos das classes socialmente antagônicas fossem os mundos de ‘Nações’ distintas, reciprocamente fechadas e hostis, numa implacável guerra civil latente.” 23

Diagnóstico de trinta anos atrás que, infelizmente, com o tempo, ganhou ainda maior atualidade, como também seus impasses e suas alternativas! Afinal, sabemos que A Revolução Burguesa no Brasil está marcada pela concepção historicista segundo a qual as classes dominantes têm tarefas históricas a serem realizadas. Nada a ver com as infantilizantes lições de casa que nossos governantes apregoam necessárias para pagar os juros de uma dívida impagável. Tarefas históricas, para Florestan, são aquelas que a burguesia brasileira não realizou, nem pode, nem quer realizar. O conceito de capitalismo selvagem torna-se ainda mais escandaloso porque carrega um julgamento sem perdão, rememorando o fracasso dos dominantes e o grito dos excluídos.24 As tarefas históricas recalcadas, irrealizadas, permanecem pressionando o conceito de tal modo que Florestan passará a assumir a inexorabilidade paradoxal da revolução dentro da ordem! Sociólogo de tarimba, Florestan bem sabe diferenciar reforma – dentro da ordem - de revolução – contra a ordem. Ainda assim, manteve e reiterou, desde A Revolução Burguesa e mais ainda no Pensamento e Ação, que esta pressão contínua e incessante feita pelos de baixo é sua luta para realizar a revolução dentro da ordem!

Se, para Freud, o recalcado está condenado ao retorno, para Marx ele é esse fantasma que amaldiçoa o presente da burguesia como um morto insepulto. Florestan insiste na revolução dentro da ordem precisando que ela implica “a realização das reformas capitalistas (como a reforma agrária, a reforma urbana, a reforma educacional, o combate à miséria, às desigualdades extremas, à fome, à exclusão, etc.)”25.

Em suma, revolução dentro da ordem é a “revolução democrática”, esta que colocará “no centro do processo os estratos da população que sempre foram excluídos, como os trabalhadores do campo e da cidade, e todos aqueles que não têm peso e voz na sociedade civil”.26

Revolução dentro da ordem destinada a derrotar o mandonismo das elites iniciando para valer a construção de uma sociedade democrática. Ora, desde A Revolução Burguesa no Brasil, Florestan está convencido que a democracia é incompatível com o capitalismo selvagem e com a dominação autocrático-burguesa.27 Nenhum paradoxo, portanto, que ela só possa ser realizada graças e através da luta política dos excluídos, pois penso que, no fundo, Florestan tornou-se crescentemente convencido que a revolução democrática - para nem mencionar a revolução nacional (antiimperialista) – é incompatível com os limites inelásticos da ordem burguesa dependente tornando-se, de fato, uma das tarefas de um projeto socialista.28



Quanto à revolução burguesa no Brasil, ficou condenada à repetição dos mesmos horizontes tacanhos e egoístas da Abolição, “uma revolução do branco para o branco”29, com a exclusão da maioria.


1 Mesa-redonda realizada no dia 7 de abril de 2006, presidida pela profa. Maria Arminda Arruda, com a participação de Fernando Henrique Cardoso e Heloísa Fernandes, por ocasião do lançamento das novas edições de A Revolução Burguesa no Brasil e Pensamento e Ação, de Florestan Fernandes, pela Editora Globo.

2 Fernandes, F., A Sociologia no Brasil, Petrópolis, Vozes, 1977, p. 192.

3 Fernandes, F., A Revolução Burguesa no Brasil, São Paulo,Globo, 2006, p.25.

4 Fernandes, H, Política e Segurança, São Paulo, Alfa & Ômega, 1974.

5 Em Sociologia no Brasil, op..cit., p. 202, Florestan faz vários esclarecimentos sobre o curso de graduação de 1966, sobre o ensaio “Sociedade de Classes e Subdesenvolvimento” e sobre a redação da Revolução Burguesa no Brasil.

6 Fernandes, F., A Sociologia no Brasil, ob.cit., p.204.

7 Fernandes, F., Mudanças Sociais no Brasil, São Paulo, Difusão Européia do Livro, 1974, p.315-343.

8 Fernandes, F., ibidem, p. 342/3.

9 Fernandes, F., A Revolução Burguesa no Brasil, op.cit., p.290-291.

10 Ibidem, p. 351.

11 “(...) uma reforma agrária (...). Esse tipo de problema o capitalismo pode resolver. E no caso brasileiro não resolve por uma atitude que na década de 60 os sociólogos, e eu mesmo, definimos com o conceito de resistência à mudança. Eu introduzi nesse conceito um elemento ainda mais forte – eu caracterizava essa posição como resistência patológica, sociopática à mudança”. Fernandes, F., Pensamento e Ação, op.cit., p. 191.

12 Ibidem, p.193 e p. 236.

13 Respondo, agora, com anos a atraso, o saudoso Aloysio Biondi mas, também, amigos meus como Eugênio Bucci e Brasílio Sallum Jr., que quiseram saber onde foi que Florestan usou pela primeira vez o conceito. Pois bem! Foi na página 293 da edição de 1975 e na página 341 da edição de 2006 do A Revolução Burguesa no Brasil.

14 Em 1980, Florestan é enfático inclusive sobre o chamado latifúndio: “Eu não sei como é que isso surge na América Latina de separar o latifúndio da burguesia. O Rui Mauro Marini, que possui um nível de análise teórica muito sofisticada e uma posição revolucionária congruente, mesmo ele, no livro que foi publicado em francês “Sobre a Revolução na América Latina”, onde trata do Brasil fundamentalmente, separa o latifúndio da burguesia, quando na verdade o setor mais reacionário da burguesia brasileira é o latifundiário. Foi o setor que deu o salto mais rápido no sentido de passar de uma condição aristocrática para uma posição burguesa, o que procuro demonstrar em “A Revolução Burguesa no Brasil”., entrevista concedida à Revista Nova Escrita, Ensaio, São Paulo, ano IV, nº 8, 1980, p.29/30.

15 Nessa mesma entrevista concedida à Revista Nova Escrita, Ensaio, op.cit., Florestan esclarece sua divergência com a interpretação do ISEB e do Partido Comunista; veja-se, especialmente, p.28-31.

16 Fernandes, F., A Revolução Burguesa no Brasil, op.cit., p. 343.

17 Ibidem, p. 346.

18 Ibidem,p. 398.

19 Ibidem, p.360.

20 Entrevista de Florestan Fernandes para a Revista Nova Escrita, Ensaio, ano IV, nº 8, S.P., 1980, p. 32.

21 Fernandes, F., O que é revolução, São Paulo, Brasilienese, 1981, p.91. Ainda outro dia ouvi a conversa de um grupo de senhores, classe média, setentões. Dizia um deles aos demais que a eleição do Lula é culpa da democracia no Brasil. E explicou: “Vejam só, o meu voto, meu, que fiz faculdade, tenho diploma, vale um e o voto da minha empregada doméstica, que é analfabeta, também vale um! Um por um! Assim não dá!”

22 Fernandes, F., Pensamento e Ação, op. cit., p. 191.

23 Frenandes, F. , A Revolução no Brasil, op.cit., p.353/4.

24 Reconheço que assumi uma dívida com Olgária Matos na sua bela análise da concepção de história de Walter Benjamin. Embora os conceitos de Florestan bem possam ser analisados sob esse prisma, ele próprio não o assumiu.

25 Fernandes, F., Pensamento e Ação, op.cit., p. 48.

26 Fernandes, F., ibidem, p.189.

27 Aliás, para Florestan, o problema central sempre foi o da democracia. Se o desenvolvimento se acelera sem que se acelere o processo de democratização, diz ele, não há ganhos reais. Veja-se a entrevista concedida à Revista Escrita. Ensaio, op.cit., p.28.

28 Tese afirmada com todas as letras no seu trabalho autobiográfico “Em busca de uma Sociologia Crítica e Militante” : “(...) o controle burguês da sociedade civil estava bloqueando e continuaria a bloquear de modo crescente, no Brasil, a revolução nacional e a revolução democrática de recorte especificamente capitalista” , A Sociologia no Brasil, op.cit.,p. 205

29 Ibidem, p.198.





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