Capítulo 01 Histórias de Minha Infância Ano de 1955



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O tesouro de Rejoice
CAPÍTULO 01
Histórias de Minha Infância...



Ano de 1955 – Porto de Moz...

_Vovô pode me contar novamente aquela história dos piratas? Você nunca termina de contar ela pra mim... Disse Guto, o neto mais moço de “seu” Ernesto.

_Claro que sim, e pelo jeito você não cansa mesmo de escutá-la, só espero que seu pai não nos interrompa desta vez... Quem sabe hoje eu consiga terminar?

E gentilmente Ernesto começa a recontar aquela bela e intrigante história...

Andem logo seus imprestáveis, berrava seu Wilhann James, o mais temido de todos os piratas daquela época, era visto assim por causa da arrogância e brutalidade com a qual tratava seus prisioneiros e tripulantes, ele era capaz de matar por causa de uma única moeda de ouro, mataria até mesmo seu melhor amigo por isso. Sua fama correu e atravessou os sete mares, motivo esse que sua cabeça já estava a prêmio, pois era melhor tê-lo morto do que correr o risco de algum dia atravessar o seu caminho...

_Nossa vovô, interrompeu Guto muito temeroso com esse sujeito tão mal falado. Porém seu avô o acalmou dizendo que ele não lhe faria dano algum, pois há muito tempo que partira sem deixar qualquer rastro seu.

_Então vamos continuar com nossa história? Exclamou Ernesto, com um contagiante e belo sorriso nos lábios.

_Claro que sim, disse o jovem Guto de cabelos pretos.

_ O tão falado tesouro de Rejoice teve sua origem muito antes deste temido pirata, disse Ernesto, foi por volta de 65 DC. Tudo começou com o misterioso assassinato do rei Henrique Petrus, herdeiro de uma fortuna em ouro e prata, logo após sua morte, tudo o que ele possuía fora roubado por seus escudeiros, esse grupo era conhecido como os Filhos de Rejoice – A mais bela e diabólica mulher que já pisara nesta terra. Esses guerreiros eram sem sombra de dúvidas os maiorais, devido a sua alta habilidade de lutarem até a morte se fosse preciso. A partir daí, o valioso tesouro começou a passar de mãos em mãos, e sempre que ele trocava de dono aumentava seu volume e conseqüentemente seu valor. No ano de 1326 fora a última vez que se ouviu falar deste tesouro. Ele virou história, a história virou lenda e a lenda virou mito... Até que finalmente ele fora novamente encontrado. Não se sabe ao certo o que acontecera, mas alguns dizem que Wilhann o encontrou por acaso e que a partir de então, dedicou sua vida para proteger esse fascinante e misterioso tesouro.

Ano de 1753... Cidade Velha – Porto de Moz...

Sou o maior, Sou o maior, Sou o maior, cantava o pirata Wilhann todos os dias e o dia todo, sem dar trégua aos ouvidos de seus tripulantes. Eu sou o que sou e quem se colocar em meu caminho verá a morte de mil maneiras diferentes, rá, rá, rá...

Seus ajudantes não o reconheciam mais, tudo começou após a descoberta deste tesouro, dizia Sheispin Fidel, seu servo mais leal. Tomando coragem ele pergunta a Wilhann:

_Onde foi que você encontrou este tesouro meu senhor?

_ Bem, eh... Eu nunca falei isto para nenhum homem, porém hoje abrirei uma exceção e lhe contarei, mais se eu souber que você comentou a respeito com alguém, não pensarei duas vezes antes de matá-lo. Paguei um alto preço para encontrá-lo, e agora estou debaixo de uma terrível maldição, que passará de geração em geração até que o escolhido se levante e a desfaça, até este dia tenho que guardar este tesouro com minha própria vida, essa é a razão pela qual eu luto cada luta como se fosse à última, para proteger meu tesouro de outros piratas, você imagina o que é ter milhares e milhares de moedas de ouro e não poder gastar nem uma se quer? Maldita a hora em que eu fui dar ouvido a aquela feiticeira, ela me enganou como o mais vil de todos os homens desta terra.

_Mas que mulher meu senhor?

_Quer mesmo saber, perguntou Wilhann.

_Claro que sim, respondeu Sheispin.

_Pois bem, estou falando de Rejoice, a mulher que vagueia nas sombras...

Naquele mesmo instante, uma sombra sinistra envolve todo aquele lugar, obrigando todos a fugirem sem rumo certo, Wilhann reconhece a origem dela e começa a gritar:

_ Saia já daqui sua amaldiçoada, me deixe em paz, já não basta todo o mal que você me causou?...

Logo um vento impetuoso começa a soprar naquele lugar, e do meio daquela sombra ouviu-se uma voz em tom cavernoso...

_ Wilhann, tenho uma última missão para você, quero que leves o meu tesouro para outro lugar, enfrentarás muitos males pelo caminho, porém não podes falhar, eis que deixarei com você uma chave com a qual abrirá muitas portas, deixarei também este amuleto, se falhares irá vagar para sempre na escuridão, até que alguém de sua linhagem se levante e faça o que tem de ser feito. Este tesouro sempre será meu, está me entendendo Wilhann? Sempre será meu...

_ Nossa vovô, e ele conseguiu cumprir a missão?

_ Bem, como já é de costume em nossa família, ele tentou fazer do seu jeito, tentou enganar Rejoice e se tornar legitimamente o herdeiro daquela fortuna, mas as coisas não deram muito certo para ele. Sua tataravó na época estava grávida de Beijamim, filho único de Wilhann.

Beijamim nunca conheceria seu pai, pois como fora anunciado anteriormente por Rejoice, ele falhou vagando para sempre na escuridão até que o escolhido o libertasse. A única pista que temos dele é essa velha casa onde moramos, mas tantos anos se passaram e eu nunca encontrei nada que me levasse a lugar nenhum. Já se foram quatro gerações e se a lenda for realmente verdadeira, Wilhann –seu tataravô- vagueia até os dias de hoje em meio a trevas.

_ E o que podemos fazer para ajudá-lo vovô? Pergunta Guto.

_ Bem, acho que quase nada, pois nunca mais se ouviu falar dele, e a única arma que nós temos são essa velha chave e este amuleto empoeirado; tentei vendê-lo várias vezes, mas ninguém deu muita importância para ele... Às vezes chego a pensar que tudo isso realmente é fruto da imaginação de nossos familiares.

_ E quanto ao escolhido, vovô?

_ Bem, não se sabe ao certo se ele já nasceu ou não... Creio que pode ser seu pai... Mas ele nunca se interessou pelos assuntos da família, principalmente depois da morte de sua mãe aqui nesta casa, essa história você já sabe, ela se foi ao dar a luz a uma criança muito especial... Você!

E assim Seu Ernesto navegava os sete mares com seu neto e como sempre, sonhavam em desvendar todos aqueles mistérios de piratas e situações embaraçosas, eles se viam em meio a todas aquelas batalhas, onde somente os melhores lutadores conseguiriam escaparem ilesos.

Sem que Ernesto percebesse, seu filho Alex chega e começa a discutir em tom agressivo:

_ Pai, quantas vezes eu já lhe falei para não ficar enchendo a cabeça de meu filho com essas lorotas de piratas e tesouros escondidos? Agora chega, vou cumprir minha promessa, e me mudar deste lugar deixando essa velha casa de uma vez por todas.

Na manhã do dia seguinte, Alex cumpre sua promessa deixando sua terra natal para traz, nem mesmo seu velho pai ele quis levar consigo, pois o tinha como um homem tolo que não sabia o que queria da vida, dizia que o mesmo a tinha desperdiçado a procura de um tesouro fictício que jamais existira.

Com lágrimas nos olhos, avô e neto se despedem; aquela seria a última vez que eles iriam se ver. Pelo menos era o que Alex pensava...

Guto com apenas sete anos de idade teria agora que aprender a viver sem a doce presença de seu avô, e o pior ainda, com a ausência infinita de seu pai, que colocava seu emprego acima de qualquer coisa neste mundo. Ele estava em um lugar totalmente diferente, a quilômetros de distância de seu amado e querido avô e da cidade de seus belos sonhos e inumeráveis enigmas.

Antes de sua partida, naquela mesma noite, Guto fez um compromisso com seu avô, foi praticamente um juramento o qual ele prometeu cumprir, custasse o que custasse, e como prova desta aliança, eles se abraçarão por longos minutos naquela noite chuvosa e fria de inverno.

CAPÍTULO 02
Provas Ocultas...


Quinze anos depois...

_ Hei pai, joga a bola pra mim!

_ Vê se não erra desta vez... Responde Alex.

No mesmo instante da jogada o telefone toca e antes de Guto atendê-lo a ligação cai. Instante depois toca novamente, só que desta vez a ligação não cai, e do outro lado ouvi-se uma bela e suave voz:

_ Bom dia, poderia falar com o Doutor Guto?

_Claro que sim, e a propósito, eu ainda não sou doutor! Faltam-me dois longos anos de estudo, o que não é uma tarefa muito fácil, porém sigo um ditado do meu “velho” avô – regue sua vitória com suor!

_Guto... É sobre ele mesmo que eu quero falar contigo,... Bem, eu sinto muito, mas a notícia que eu tenho para lhe dar não é a que você gostaria de ouvir... Estou falando diretamente contigo, porque foram ordens expressas de seu avô, ele veio a falecer nesta manhã e seu último pedido fora para lhe entregar alguns pertences e objetos pessoais... Guto? Está me ouvido? Guto...

_Ainda estou aqui, me desculpe, mas era porque ele representava muito para mim... E eu nem aumenos tive a chance de abraçá-lo pela última vez... Mas o que foi que aconteceu com ele?

_ Olha, não sabemos ao certo, mas tudo indica que foi suicídio.

_Suicídio? Grita Guto.

_Bem, é o que me passaram, mas eu não acredito nesta afirmação, pois desconfio que ele estivesse perto de encontrar algo muito importante, visto que um dia antes de sua morte, ele me deu um telefonema muito estranho dizendo que havia encontrado pistas a respeito de Rejoice...

_O quê? Da para repetir esse nome novamente.

_Nome? Há... Isso mesmo que você ouviu; Rejoice!

Guto então começa a se recordar de todas as belas histórias contadas pelo avô, e aquele nome jamais poderia sair de sua mente, pois esteve presente em quase todas as conversas que teve com ele.

_ O que é que eu tenho de fazer então? Pergunta Guto àquela moça.

_Simples, basta pegar o primeiro avião e vir para a Cidade Velha em Porto de Moz...

_Mas e quanto ao meu pai?

_Se você conseguir trazê-lo com você, ótimo; não vejo mal algum nisto. O próximo vôo para cá sai as 19h030min de amanhã, eu aguardo por você então... Tchau!

Após a breve e incômoda conversa, ela desliga o telefone. Guto ainda desorientado vai ao encontro de seu pai para noticiar todos aqueles fatos intrigantes e comunicar o triste falecimento de seu amado e querido avô.

Ao receber a notícia do falecimento de seu pai, Alex tenta disfarçar, porém não consegue impedir que as lágrimas escorram pela sua face... Pai e filho se Abraçam longamente, e naquele momento o silêncio se torna a melhor linguagem para ambos.

Naquela mesma noite, na faculdade de arqueologia, Guto se prepara para se despedir de seus melhores amigos, pois sabia que faria uma longa viagem, sem previsão de volta nos próximos meses.

_E aí Guto, como vai você? Pergunta Diego.

_Ué... Que cara é essa Guto?

_Não... É... Gostaria que todos estivessem presentes para ouvirem o que eu tenho para falar.

_Meu Santo Cristo, nunca te vi com uma cara tão séria;... Mas já que você pediu estou indo chamar a moçada!

Instante depois Diego chega com todo a turma, com exceção de Kellyn que estava terminando sua prova de paleontologia. Então Guto começa a contar tudo o que aconteceu durante seu dia para seus amigos, nesta mesma hora Kellyn aparece correndo pelo corredor da faculdade e logo pergunta:

_Haaaa... Começaram a reunião “extraordinária” sem mim? Belos amigos vocês são!...

_ He menina deixa de ser boba, ele só estava nos dando uma “palinha” do assunto. Disse Nany à sua bela amiga de olhos azuis.

_ Estão todos aqui agora, certo?! Perguntou Guto.

_Olha pessoal antes de falar sobre esse assunto, gostaria de lhes fazer uma pergunta muito importante para mim. É o seguinte:

_ Vocês acreditam em piratas, mapas do tesouro, maldições, e...

_Opa, opa, opa, espera aí... Você disse uma pergunta e já foram três, diz logo aonde você quer chegar... Retrucou Nero, um rapaz de 1.97m de altura, o mais alto e engraçado da turma por sinal.

_ É o seguinte... Amanhã ás 19h030min estarei partindo para um lugar muito distante daqui para resolver questões muito sérias.

_ Ta, e o que tem isso a ver com piratas, mapas e blá, blá, blá? Disse Diego segurando a mão de sua namorada. E o pior, como é que vai ficar a sua faculdade rapaz, só lhe faltam mais dois anos? Vai jogar tudo pro ar agora, e quanto àquela sua “célebre frase”... Regar a vitória com suor?...

_Olha amigos, uma coisa de cada vez, a verdade é que nesta manhã eu recebi um telefonema muito estranho comunicando-me a morte de meu avô Ernesto. E em meio a toda aquela conversa descobri algo aparentemente surpreendente... Meu avô possivelmente descobriu pela primeira vez, pistas concretas sobre o tesouro de Rejoice...

_Rejoi... O quê? Pergunta Nero.

_ Vai me dizer que você nunca ouviu falar do tesouro de rejoice? Disse Kellyn.

_ Ele é o mais famoso tesouro do mundo antigo, porém está debaixo de uma terrível maldição, e diz à lenda que quem o tocar terá que protegê-lo para todo sempre...

_ Foi o que aconteceu com o “nervosinho” do capitão Wilhann James! Disse Sheila em tom de ironia.

_ Querem parar com as piadas. Grita Guto Furioso. Esse tal “nervosinho” que vocês estão falando é o meu tataravô! E o assunto é mais sério do que a maioria de vocês pensa... Segundo meu avô Ernesto, ele vaga até os dias de hoje a procura de sua libertação.

_ Isso é que é maldição hein... To fora dessa! Exclama Nero.

_O negócio é o seguinte pessoal. Vim aqui para me despedir de vocês, pois conforme já lhes disse, amanhã estarei partindo para o outro lado do mundo...

_ A é... E quem disse que você vai sozinho? Pergunta Kellyn a Guto. Se eu não for com você esse avião não sai do chão, está me ouvindo?

_ Já que é assim, nós também vamos com vocês. Disseram Nany, Sheila e Diego.

_ Mas pessoal e quanto à faculdade?

_ Não importa, é final de semestre e a gente tranca a matrícula.

Guto dá um salto de alegria, porém ao olhar para traz, vê que Nero não teve nenhum tipo de manifestação.

_ Tudo bem Nero, não precisa ir, eu te endento... Vamos para o meio do nada a procura de não sabemos o quê, e o pior, não sabemos quando vamos voltar.

_ Pois é pessoal, vocês sabem; eu nunca tive muito “espírito” de aventureiro, certo?

_ Certo, disse Guto. Então vamos nos preparar, pois amanhã será um grande dia para nossas vidas...



CAPÍTULO 03
A Grande Viagem Rumo ao Desconhecido...

E no dia seguinte...

_Vamos pessoal, desse jeito a gente vai acabar perdendo nosso vôo! Grita Guto para seus amigos.

Alex não gostou muito de levar os amigos de seu filho com ele, pois não sabia quais problemas iriam enfrentar, mas acabou cedendo e os deixando irem.

No momento de embarcarem – como se fosse uma miragem – Nero aparece correndo pelo terminal afora...

_Hei... Hei... Hei geeeeente! Esperem por mim!

_ Olha Guto, é o Nero... Disse Kellyn com um grande sorriso nos lábios.

_Pensei que você não gostasse de aventuras Nero! Exclamou Guto boquiaberto olhando para seus amigos e para seu pai.

_ Gostar eu não gosto muito, mas vocês pensaram que eu iria perder a oportunidade de fazer um “estágio” de graça e ainda mais do outro lado do mundo? Nem que a galinha criasse dentes... Rá, rá, rá...

_ Pára Nero! Murmura Nany.

_ Parar com quê? Disse Nero.

_Você ainda pergunta. Parar de falar essas besteiras, ta todo mundo olhando pra gente seu cara de pau. Nosso Deus, você e suas palhaçadas; só de pensar que vamos passar mais de dezoito horas juntos neste avião eu começo a ficar “doida” da vida... Viu agora porque nenhuma moça nunca quis namorar com você seu grosso?

_ Que isso Nany, tudo ao seu tempo, e digo mais, eu serei o responsável em fazer dessa viagem uma festa, vai ser só alegria com o “papai” aqui no comando, quer ver só?

_Pessoal – Interrompe Guto – chega de papo e vamos entrar logo nesse avião, pois não vejo a hora de chegarmos à Cidade Velha de Porto das Moz.

Assim, Guto, o pai e sua turma de fiéis amigos, embarcam nessa aventura de fatos incertos e muitos mistérios...

Nove horas mais tarde...

_ Nosso Pai do céu, não agüento mais ficar dentro desse avião. Reclama Nero com um olhar desesperado. Ao ver sua inquietação, uma aeromoça se aproxima e diz:

_ Meu jovem, posso lhe ajudar em alguma coisa? Por acaso você está com falta de ar?

_ Pra te falar a verdade meu bem, eu estou é com falta de terra... Certo! Mas tudo certo, eu me “viro”...

Ao olhar para traz, ele percebe que a metade do avião estava rindo da reposta que dera para a aeromoça. Isso lhe fez se sentir melhor, pois ele era do tipo que gostava de fazer as pessoas felizes.

_Acabamos de passar pelo PRS, avisa o comandante.

_ Que isso! Porque que ele não avisou antes, pois eu queria tirar uma bela fotografia do “Pêérreesse”. Reclama Nero

_ Ai seu “burro” PRS é o Ponto de Retorno Seguro, significa que já gastamos a metade de nosso combustível e que não da mais para voltar em caso de uma emergência. Explica Nany ao amigo desinformado.

_ Guto sorrindo, olha para Nero e diz:

_ Vê se pára de pagar mico seu gigante de cabeça oca!

_ Tudo bem, tubo bem, eu só estava testando o conhecimento de vocês... Nany pode passar na minha sala e pegar o seu diploma, está aprovada, viu minha querida... Então pessoal, daqui para frente eu vou dormindo, me avise quando chegarmos, certo?

Faltando pouco tempo para aterrissarem, Alex olha para seu filho e diz:

_ Meu Filho, tem certeza de que realmente deseja fazer isso? Você já demonstrou o suficiente para mim, eu nunca vou lhe cobrar nada se porventura desistir agora...

_ Pai, vai ser importante pra mim e para o senhor também...

_ Mas filho, aquela casa, os livros, todas aquelas fotos... Você sabe, são muitas as recordações ruins que tenho daquele lugar.

Alex então começa a chorar.

_ Pai, hei pai... A culpa não foi sua, mamãe se foi por que acreditou nos sonhos dela e lutou até o fim. Vovô me contou que ela lhe amava muito, muito mesmo, um amor capaz de transpassar qualquer barreira.

_ Meu pai lhe disse isso? Quando?

_ Lembra de todas as vezes que eu ia com ele escondido até o porão para ouvir as suas histórias? Foi em uma delas que ele me contou. Ele agradecia a Deus todos os dias pela sua vida e pela vida da mamãe.

_ Filho, por que você nunca me disse isso?

_ Simples; foi por que você nunca me deixou falar...

_ A única coisa que eu não entendo pai, é o que a mamãe tinha a ver com o tesouro de Rejoice. Disse Guto.

_ Meu filho... Há coisas que você ainda não sabe e que eu vou lhe contar:

_Muitos anos antes de você nascer, quando eu ainda era bem moço, resolvi seguir a tradição da nossa família, e procurar por esse tesouro e pela libertação de Wilhann. Wilhann era...

_ Há já sei, Wilhann James, o mais famoso ancestral de nossa família... Interrompe Guto.

_ Sim, ele mesmo. Só que as coisas não deram muito certo para mim e nem para sua mãe. Uma terrível maldição caiu sobre nós, eu fiquei para sempre condenado à perdição e sua mãe, tão logo concebesse o primeiro filho, iria morrer.

_ Mas pai... Mesmo ela sabendo disso, ainda sim se engravidou de mim? Mas por quê?

_ Simples, por que ela sempre acreditou em seus sonhos – Conforme meu pai lhe contou – Tanto acreditou que lutou até o fim. Ela acreditava que você seria o escolhido para acabar de uma vez por todas com essa maldição e libertar Wilhann James, por isso correu todos os riscos do mundo e deu a própria vida para tentar resgatar muitos ao conceber você... Ela se foi, mas deixou para traz um rastro de esperança e luz para a descendência da família James...

Enquanto isso em outra parte do avião...

_ Meu Deus do céu! Quê isso! Olha como o Nero ronca igual a um porco gordo! Disse Nany aos demais amigos.

_Xiiiiiii! Já ta dando na cara que tem um clima rolando, não é mesmo Nany? Pergunta sua amiga Kellyn.

_ Cê ta louca? Só se for pra eu viver o resta da minha vida pagando mico... Retruca Nany.

_ Não sei não viu, quando começa a colocar defeito em tudo o que o outro faz... É porque tem alguma coisa! Falou Kellyn com um grande sorriso nos lábios.

Em meio a toda aquela confusão armada, descobre-se ainda que Nero estava levando consigo uma mala um pouco estranha, no mínimo diferente e incomum para a ocasião. Era nada menos que seu cachorro de estimação.

_ Seu louco, se descobrirem nós estaremos fritos. Fala Kellyn.

_ Que belo filhote! Exclama Nany com um grande sorriso nos lábios.

_ Hum... Até que em fim você elogia algo que parte do Nero, não é mesmo gente? Pergunta Sheila.

_ Isso sim é amoooooooor...! Canta ironicamente Diego.

E finalmente o vôo chega ao seu destino...

_ Atenção passageiros, dentro de sessenta segundos estaremos aterrissando em solo do país de Nova Guiné, por gentileza queiram todos colocar seu cinto, e dês de já agradecemos a preferência que fizeram em nos escolher, obrigado em nome de toda a equipe e esperamos nos ver em breve. Disse o comandante do vôo 0179.



Capítulo 04
A emboscada

Ao desembarcarem no aeroporto de Nova Guiné, uma equipe já os aguardava em uma grande perua, o que lhes causou uma grande surpresa e desconfiança.

_ Pai... Disse Guto em tom baixo. Tem alguma coisa estranha em tudo isso, não acha?

_ Claro que eu acho, mas por enquanto permaneceremos em alerta e em constante vigilância, avise para seus amigos para tomarem o máximo de cuidado possível...

Entraram no carro então, e foram muitos os lugares que ele passou, todos os vidros do carro estavam encobertos por um plástico negro o que impossibilitava as pessoas do lado de fora ver quem estava lá dentro.

_ Pra onde estão nos levando? Pergunta Nero desconfiado.

_ Não há motivos para temerem. Exclama Rita. _Eu fui a responsável em dar o telefonema para você Guto. Fizemos questão de pegá-los pessoalmente para garantirmos sua segurança, pois estamos em um país que atravessa um intenso período de conflitos armados.

Essa afirmação causou grande insegurança e medo em todos, principalmente em Alex.

Ao passar novamente por todas aquelas ruas estreitas, Alex se sente voltando ao passado. Nada havia mudado ou saído do lugar de origem. A padaria de pães asmos, o posto de gasolina, o velho trampolim de madeira, enfim, tudo estava ali, conforme o dia em que ele partira. Só não entendia o motivo daqueles tais conflitos mencionados por Rita, pois a cidade parecia estar em perfeita ordem. Guto não tinha muitas recordações, pois, na época contava com apenas sete anos de idade e a maioria do tempo livre que tinha, passava na companhia de seu avô.

De repente, sem que ninguém esperasse, o carro que os conduzia vira em uma rua desconhecida por Alex, e ele então diz:

_ Hei, Rita, mas afinal de contas o que está acontecendo? Não deveríamos estar passando por aqui...

_ Disso eu sei. Responde Rita. E é melhor você calar sua boca se não quiser se tornar comida para os abutres, seu tolo idiota. Disse Rita já com uma arma apontada para Alex e os demais.

_ Meu Deus e agora, o que vamos fazer? Murmura Kellyn para sua amiga Nany.

_ Você pergunta pra mim, a idéia dessa viagem partiu do Guto, pergunte pra ele, disse Nany.

E em meio a toda essa apreensão, eles finalmente chegam a um velho casarão conhecido como Antigo Convento da Penha.

E logo após pararem, Rita desse gritando:

_ Desçam logo seu bando de imprestáveis, eu não tenho o dia todo.

_ Vamos colocá-los aonde? Pergunta um de seus comparsas.

_ Leve-os para junto daquele velho idiota e deixe-os mofarem lá, até eu obter aquilo que eu preciso.

Alex e Guto, devido ao alto nível de adrenalina, nem se deram conta de que Rita estava falando, e para sua surpresa...

_ Andem logo seus cobaias, tenho uma “celinha fresquinha” para vocês, rá, rá, rá...

Eles passaram por intermináveis corredores, até se depararem com uma enorme porta de aço muita antiga, datada em agosto de 1553. E eles mal sabiam o que encontrariam do outro lado. Inesperadamente aquele homem retira de sua cintura uma enorme chave e com muita dificuldade a enfia na fechadura. Um barulho ensurdecedor toma conta dos arredores, muita poeira se levanta, e finalmente a porta se abre. Como uma miragem, em meio a tanta desordem e poeira surge um vulto, o que deixa Alex e seu filho muito plerpexos.

_ Eu não acredito! Não pode ser; não pode ser... Mas me disseram que...

Guto nem consegue terminar sua frase. Quando ele se volta para seu pai o vê em prantos. Seria uma miragem, um delírio mútuo devido ao extress do momento, mas não poderia, pois seus amigos também estavam ali, e aquela visão não era de maneira nenhuma fruto de sua imaginação.

_ É assim que cumprimentam seu avô e seu velho pai? Pergunta “seu” Ernesto.

_ Mas como isso é possível, me disseram que o senhor havia morrido e que era suicídio... Diz Guto para seu avô.

_ Pois é. Foi a maneira que eles encontraram para atrair o escolhido até aqui, só não contavam era com toda essa bagagem extra. Disse Ernesto se referindo aos amigos de seu neto.

_ Agora temos que pensar em uma maneira de sairmos daqui antes que eles voltem. Rita planejou tudo isso, pois sabe da real existência do tesouro, só não sabe como encontrá-lo, mas fará tudo para conseguir, mesmo que para isso tenha que matar a nós todos.

Todos se concentram em uma maneira efetiva de saírem daquele lugar, até que Kellyn tem uma idéia um pouco inusitada:

_ Pessoal... Hei pessoal, é simples:

_ Como assim simples, alguém aí tem uma “bomba”? Disse Nero.

_ Não, não é isso que eu estou querendo dizer, veja bem, geralmente todos os casarões, castelos e casas muito antigas são dotados de passagens secretas e provavelmente esse não é diferente! Basta procurarmos com atenção e pronto.

_ E pronto? Só isso? Pago pra ver. Disse Sheila aos demais.

_ E por acaso alguém tem uma idéia melhor, pergunta Alex.

_ Então moçada, mãos a obra... Fala Ernesto todo entusiasmado.

O tempo passa e nada, e quando todos já estavam desanimados pensando em desistir, Guto descobre algo, uma estranha escritura:




_ Mas o quê é isso?

_ Deixe-me ver. Diz Ernesto.

_ Hum! Parabéns pela descoberta meu neto, essas são escrituras do mundo antigo, estudei elas a vida toda. Aqui diz:

_ “Cuidado ao passar, não queremos despertá-lo”.

_ Isso não está me cheirando bem, primeiro vem Rita com aquela conversa mole e quase nos mata, agora temos que tomar cuidado com não sei o quê, ai... Tô começando a ficar com saudades de estudar, daquelas provinhas difíceis e coisa e tal... Disse Nero todo melancólico.

_Pessoal, não temos outra saída, a não que você queira ficar aqui e esperar pela Rita e ainda por cima armada, né Nero? Pergunta Diego.

_ Hei, nos ajude aqui com essa tampa. Disse Guto aos demais.

_ Isso, força, mais força... Tá quase lá... Só mais um pouquinho... Pronto!

Era nada mais, nada menos que um estranho túnel cheio de milhares de aranhas e outros incontáveis insetos, espalhados por todas as partes. Um vento gélido vinha de dentro dele, e um cheiro fétido compunha o ar.

_ Quem será o primeiro? Pergunta Nero.

_ Com certeza não serei eu! Exclama Nany.

_ Deixe que eu vá... Disse Guto.

_Hum machão, tá querendo se mostrar pra Kellyn né? Comentou Nero.

_ Isso não é hora para as suas piadinhas Nero. Falou Kellyn.

Assim Guto começa a assombrosa descida pelo túnel, seguido dos demais. Alex toma todo o cuidado de não esquecer a tampa da passagem aberta, na expectativa de confundir Rita, pelo menos temporariamente.

Eles não imaginaram que aquela seria uma descida tão longa, e o pior, não sabiam para que lado irem. Por sorte levaram consigo suas bagagens, pois haviam trago algumas lanternas para caso de emergência.

_ Meu Deus, esse lugar parece não ter mais fim. Tô começando a ficar louca, disse Sheila para seu namorado Diego.

_ Calma meu amor, tudo vai acabar dando certo. Procure manter a calma, pois logo sairemos daqui!

_ Psiiiiiu! _ Silêncio... Ouça isso...

_ Mas o que é? Sussurra Kellyn.

Tum... Tum... Tum...

_ Parece tambores. Disse Ernesto com os olhos arregalados.

_ Tambores não fazem o chão tremer... Disse Alex. É melhor a gente correr, e bem rápido. Grita Alex.

À medida que todos fugiam desesperados, o som se tornava ainda mais agudo e ensurdecedor. Um clarão como de uma enorme fornalha acesa vinha logo atrás deles, o que aumentava ainda mais o desespero de todos. Logo à frente eles encontram uma nova escritura e a tradução da mesma piora ainda mais a situação.

_ Rápido seu Ernesto, traduza logo isso...

_ Bem, deixe me ver... Hum, pronto, diz o seguinte:

_ Aquele que despertar Rahu morrerá!

_ Mas que negócio de Rahu é esse? Pergunta Guto.

_ Rahu, meus jovens, é um demônio do mundo antigo, o mais poderoso e temido por sinal, e não temos como vencê-lo. Nenhum homem jamais ousou enfrentá-lo.

_ Isso é o que vamos ver. Disse Diego e Guto.

Em meio a todo aquele tumulto, eles começam a olhar ao redor, e percebem que estão cercados de velhos esqueletos, alguns deles sequíssimos. Muitos ainda tinham partes de suas vestes, e dava para se ver que eram soldados e guerreiros, e que estavam ali já há muito tempo. Alex então encontra vários barris empilhados e pergunta para seu pai:

_ Pai... O que será que tem aqui dentro?

_ Não faço a menor idéia, mas vamos abrir um deles.

O tempo continuava se esgotando, e a apreensão era cada vez maior, pois, Rahu já estava bem próximo.

_ Rápido, façam alguma coisa. Grita Nany totalmente desesperada.

_ Bingo! Grita Ernesto.

_ Mas o que foi? Pergunta Alex.

_ Acho que a sorte começou a virar para o nosso lado, pois acabamos de encontrar dezenas de barris de pólvora.

_ Então vamos rápido, não podemos perder mais tempo, pois esta criatura macabra se aproxima.

_ Diego, vê aquelas enormes pedras ali no alto?

_ Claro Guto. Por quê? Pergunta Diego.

_ Vamos explodi-las, assim iremos obstruir a passagem e ficaremos livres de Rahu.

_ Certo!


_ Rápido, rápido, não temos muito tempo.

Todos fazem uma enorme fila e empilham o máximo de barris que podem e se preparam para a grande explosão...

_ Rápido, saiam todos daqui, pois vou ascender o pavio. Grita seu Ernesto.

_ Vamos, vamos.

_Nero... Grita Nany. Você ta deixando o cachorro pra traz seu lerdo.

_ Nossa, valeu Nany.

Após todos saírem, Ernesto finalmente ascende o pavio e todos se preparam para o impacto... De repente...

Prurrrrrrr... O som da explosão foi ensurdecedor. Após toda aquela poeira abaixar eles percebem que o plano deu certo e começam a comemorar...

_ Ahá! Eu sabia que daria certo.

_ Graças a Deus, essa foi por pouco. Disse Alex aos demais.

_ Espera aí, Cadê o Nero? Pergunta Nany com os olhos arregalados.

Inesperadamente, em meio a muita sujeira, vê-se um rapaz entalado em uma pequena reentrância na parede, era Nero que tentou se esconder da explosão e para a sua falta de sorte, não conseguiu...

_ Alá. Ihuuuuu! Vai lá bobão...

_ Pode parar viu gente, ele não tem culpa de ser tão grande. Disse Nany tomando as dores do “amigo”.

Após todos acalmarem os ânimos, continua a procura de uma saída...

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