Capítulo 3 Histórico da nutrição de plantas na fruticultura



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CAPÍTULO 3
Histórico da nutrição de plantas na fruticultura
Antonio Enedi Boaretto1
Introdução

A primeira necessidade básica do ser vivo é a alimentação. O homo sapiens foi sempre onívoro, com variações, segundo as épocas e as regiões, para os alimentos vegetais ou para os alimentos animais (Flandrin e Montanari, 1996a). O homo sapiens, desde o início da humanização, certamente consumia alimentos de origem vegetais, e entre eles muitos tipos de frutos. De forma poética, no primeiro livro da Bíblia, o Gênesis mostra a origem da vida humana e sua relação com o consumo dos frutos: “Deus criou o homem e o colocou no Jardim do Éden para que o cultivasse e o guardasse e de onde podia recolher e comer de todos os frutos das árvores, menos da árvore do conhecimento do bem e do mal”. Relata ainda que ao desobedecerem ao Criador, “comendo o fruto da árvore proibida, perceberam que estavam nus e então entrelaçaram folhas de figueira e teceram tangas”.

A partir dos primeiros humanos, como ocorreu o aumento populacional? A ecologia diz que o aumento populacional de qualquer espécie é diretamente dependente da quantidade de alimento disponível. Os conhecimentos de nutrição vegetal informam que a produtividade dos vegetais está diretamente relacionada com a quantidade de nutrientes disponíveis.

Quais foram os alimentos consumidos durante a história da humanidade? Como foram produzidos os alimentos consumidos e quais os passos importantes que possibilitaram o aumento da disponibilidade destes? Qual a perspectiva alimentar para o futuro da humanidade?

Para tentar responder às perguntas acima formuladas, a história da humanidade foi dividida em partes: a pré-história e as idades antiga, média, moderna e contemporânea.

Há cerca de 100 mil anos, os humanos modernos começaram a expandir a área onde viviam e coletavam os alimentos e chegaram ao Oriente Médio, à Ásia, à Austrália, à Europa e ao Extremo Oriente e, finalmente, chegaram às Américas do Norte e do Sul (Olson, 2003). A evolução demográfica pode ser visualizada na Figura 1, na qual se destacam três períodos distintos. O primeiro vai desde o início do aparecimento do homem moderno, com o início da agricultura, até o século 19, quando a população atingiu 1 bilhão de habitantes. O segundo período vai até a primeira metade do século 20, quando a população atingiu 2 bilhões de habitantes, e o terceiro período, a partir daí até a atualidade, que se caracteriza pela fase de explosão demográfica, pois, em aproximadamente meio século, a população mais que triplicou, chegando atualmente a 6,8 bilhões de habitantes.


A PRÉ-HISTÓRIA: POPULAÇÃO E ALIMENTOS

A pré-história vai desde o aparecimento do homem até a invenção da agricultura (ocorrida há 10 mil anos a.C.), para alguns historiadores, ou até a invenção da escrita, que se presume ter ocorrido por volta de 4 mil anos a.C., pelos Sumérios, que viveram ao sul da Mesopotâmia. Nos milênios anteriores à agricultura, os homens viviam em bandos de seis a 30 membros e por serem coletores de alimentos e caçadores de animais, necessitavam de áreas imensas para conseguir os alimentos. Sobre os alimentos consumidos pelos humanos, na pré-história, pouco se sabe, mas foram os frutos, as folhas ou as sementes que lhes forneceram o essencial para satisfazer as suas necessidades calóricas (Flandrin e Montanari, 1996a).

Com o início da agricultura se processa uma grande revolução na civilização, pois os humanos vão tornando-se sedentários, produzindo, nos locais onde viviam, os alimentos de que necessitavam, por meio da domesticação dos animais e das plantas. A mudança de hábitos e a consequente modificação das relações entre o homem e o mundo natural vão processar-se por um longo período. Na verdade, essa mudança nunca chegou ao fim, pois ainda hoje existem tribos que vivem da coleta de alimentos e de pequena área de agricultura.

Com a agricultura, que, para alguns historiadores, iniciou-se no Oriente Médio, nas proximidades da antiga cidade de Jericó (Olson, 2003) e, para outros, ela ocorreu simultaneamente em diversas regiões (Carneiro, 2003), os humanos adquiriram os conhecimentos básicos do cultivo e da criação e puderam ter maior disponibilidade de alimentos.

As causas dessa mudança de hábito são temas atuais de debates. Para alguns, foi o desequilíbrio entre a demografia humana e os recursos disponíveis que fez surgir a agricultura, como uma necessidade de intensificar a produtividade das espécies consumidas. Para outros, foi uma mutação de ordem social e ideológica que conduziu à modificação das relações profundas entre o homem e o mundo natural (Perlès, 1996).

O desenvolvimento da agricultura foi influenciado pelas características particulares de cada região. Destas, a mais importante era o número de plantas e animais que se prestavam à domesticação (Olson, 2003). Neste aspecto, o Oriente Médio foi local privilegiado, pois nenhuma parte do mundo apresentou tal variedade de plantas domesticáveis. Das 56 gramíneas silvestres com as maiores sementes, 32 foram aí encontradas e, entre estas, o trigo e a cevada. Os animais mamíferos importantes de hoje, a cabra, a ovelha, o porco e a vaca, vieram de ancestrais selvagens, que habitavam o Oriente Médio. Essa feliz confluência de recursos biológicos possibilitou o surgimento das primeiras civilizações e, consequentemente, surgiram as primeiras cidades, entre o mar Mediterrâneo e o golfo Pérsico. Os historiadores afirmam que, nesse período, foram assentadas as bases alimentares dos milênios seguintes.

A população do mundo, no período de transição de humanos nômades para sedentários com a adoção da agricultura, era provavelmente de uns 6 milhões de habitantes. Com a agricultura, a população aumentou rapidamente, e a expectativa de vida ao nascer variava entre 18 a 33 anos (Wikipedia, 2009a).

Nas Américas, os primeiros vestígios do Homo sapiens aparecem há cerca de 20 mil anos e os primeiros indícios de cultivos agrícolas são de 4 a 5 mil anos a.C., sendo as culturas mais importantes o milho, a abóbora, a batata, o cacau, a mandioca e o girassol.

Os seres humanos pré-históricos não entendiam os acontecimentos da natureza e, por isso tinham atitudes de medo e de espanto diante dos fenômenos naturais. Num segundo momento, a inteligência humana evoluiu do medo para a tentativa de explicação dos fenômenos que via ao seu redor, por meio do pensamento mágico, das crenças e das superstições. Assim, a tempestade podia ser fruto de uma ira divina e a boa colheita, da benevolência dos espíritos.

Os conhecimentos sobre as plantas, principalmente sobre as épocas em que produziam frutos ou outras partes comestíveis, foram sendo acumulados com o passar das eras.


A IDADE ANTIGA: POPULAÇÃO E ALIMENTOS

A idade antiga, ou antiguidade, é o período que vai do início da agricultura, ou da invenção da escrita, até fins do século 4 d.C. e início do século 5 d.C., quando se deu a queda do Império Romano do Ocidente. Neste período, de aproximadamente 1.000 anos, desenvolveram-se as chamadas civilizações antigas, os povos: do Egito, da Mesopotâmia, da China, da Grécia, de Roma, dos Persas, dos Hebreus (a primeira civilização monoteísta), dos Fenícios (senhores do mar e do comércio), além dos Celtas, dos Etruscos e de outros povos.

A população mundial, estimada em 6 milhões de habitantes no início da agricultura, ou pouco antes, pode ter atingido, no início da era cristã, cerca de 170 milhões e, no final da idade antiga, chegado a 200 milhões de habitantes. Durante o império romano, estima-se que a expectativa de vida era em torno de 25 anos (Wikipedia, 2009a).

O trigo, o mais importante cereal entre todas as plantas cultivadas, teve origem na Ásia Menor, entre 6.000 a 7.000 anos a.C., e expandiu-se no delta do Nilo, na Mesopotâmia e na China (Carneiro, 2003). O revolvimento da terra, por um instrumento precursor do arado, foi uma grande conquista, ligada ao cultivo do trigo. O arroz, originado na Indochina, por volta de 2.000 a.C., era cultivado em solo seco e foi posteriormente adaptado para o cultivo semi-aquático, o que permitiu a ampliação da produtividade.

O milho, o terceiro cereal mais importante, teve início de cultivo nas Américas, por volta de 3.000 a 3.500 anos a.C.. A batata, de origem andina, pressupõe-se que tenha sido cultivada desde 2.000 anos a.C.

Os antigos já conheciam algumas técnicas de cultivo, como a seleção das melhores sementes para o plantio dos cereais, a prática da irrigação, além do uso de esterco animal para adubação da terra e do pousio de um ano, para recuperar sua fertilidade.

Há pouca informação sobre os frutos consumidos pelas civilizações antigas. A civilização Fenícia, que se desenvolveu numa estreita faixa de terra entalada entre o mar e as cordilheiras montanhosas onde hoje é o Líbano, cultivava árvores de frutos, como tâmara, figo, maçã, romã, marmelo, amêndoa, pistáchio e sidra. A romã é uma fruta bastante difundida e, devido à abundância de suas sementes, era um símbolo da fertilidade e, segundo a Bíblia, era, com os figos e as uvas, frutas características da Palestina.

Os gregos consumiam frutos frescos ou secos, silvestres ou cultivados, como melões, uvas, figos, peras, maçãs, marmelos, nêsperas, romãs, sorva e amêndoas (Amouretti, 1996).

Os humanos da antiguidade consumiam alimentos que eles mesmos cultivavam ou recolhiam. Entretanto, com o surgimento das cidades, os cidadãos que não produziam alimentos necessitavam de ser abastecidos. Por exemplo, 15 a 20% dos romanos moravam nas cidades e não exerciam controle sobre os produtos da terra (Flandrin e Montanari, 1996a). A base alimentar, fundamentada no trigo, era complementada com a cevada e as favas, além de algumas hortaliças, como alhos, cebolas, couve, etc. Com os cereais, era elaborada uma espécie de sopa e só mais tardiamente passou-se a elaborar o pão, comido principalmente pelos cidadãos. A videira e a oliveira eram consideradas plantações sagradas, pois delas produziam-se o vinho e o azeite, consumidos diariamente.

A cultura grega, que dominou na antiguidade, caracterizou-se pelo que poderia ser chamado de segundo momento do uso da razão. Para os gregos, a essência mais íntima do mundo (cosmo) é a harmonia, a ordem, simultaneamente justa e bela. Esta estrutura do universo não é apenas “divina”, mas é também “racional”, de acordo com o que os gregos chamam de logos, de onde deriva a palavra lógica. Alguns historiadores consideram que a vivência da democracia foi um fator fundamental para a evolução ocorrida na Grécia. Nas assembleias, frequentadas pelos cidadãos gregos, era hábito discutir, deliberar e argumentar permanentemente e em público, fazendo com que desenvolvesse o pensamento e o uso da razão (Ferry, 2007), ou seja, a evolução “por dentro” (Chardin, 1955).

Dessa época da história, é comum citar o ensinamento do filósofo Empédocles (492-432 a.C.), que dizia que os seres viventes são constituídos por quatro “elementos”, terra, fogo, ar e água, ensinamento que perdurou até o início da era moderna.

Com relação à agricultura, a obra escrita importante deste período foi a de Lucius Junius Moderatus, apelidado de Columella, que nasceu no sul da Espanha, mas viveu em Roma. Duas obras importantes são citadas. O livro De re rústica (12 volumes) trata dos trabalhos no campo, desde a prática da agricultura até a elaboração de produtos e conservas. O segundo livro, De arboribus, discorre sobre o cultivo, desde o de fruteiras (videira, oliveira e outras), até o de flores (rosa, violetas, etc.). As obras de Columella são os documentários mais importantes da história antiga (Wikipedia, 2009b).


IDADE MÉDIA: POPULAÇÃO E ALIMENTOS

A Idade Média, que abrange um período de aproximadamente 1.000 anos, iniciou-se no século 5 d.C. com a desintegração do Império Romano do Ocidente, pela invasão dos povos denominados bárbaros e que habitavam as regiões norte e nordeste da Europa e noroeste da Ásia. A Idade Média terminou no século 15 d.C., com o fim do Império Romano do Oriente, o Império Bizantino, com a tomada de Constantinopla.

No final da idade antiga, por causa das invasões, os cidadãos romanos, donos de terras, abandonaram as cidades, indo morar nas suas propriedades no campo. Os cidadãos pobres buscaram proteção e trabalho nas terras dos grandes senhores e, para poderem utilizar as terras, eles eram obrigados a entregar ao proprietário parte do que produziam. Nasceu assim o regime feudal, no qual o trabalhador rural é servo do grande proprietário. Os historiadores afirmam que a sociedade, no início da Idade Média, era formada por aqueles que lutam (os nobres), por aqueles que rezam (o clero) e por aqueles que trabalham (os servos).

A cidade de Roma, depois do apogeu, foi perdendo importância. No século 2 d.C. havia mais de 1 milhão de habitantes e, após o seu colapso, no final do século 4 d.C., nela habitavam menos de 50 mil habitantes. Roma só voltou a ter mais de 1 milhão de habitantes por volta de meados do século 20 d.C., ou seja, depois de 1.800 anos (Wikipedia, 2009c).

A partir do século 10 d.C. o continente europeu viveu um período de paz, o que trouxe transformações, pois, a partir do século 11 d.C., até o século 15 d.C., ocorreu a decadência do feudalismo. Com o aumento populacional, surgiu a necessidade de cultivar mais terras, e os trabalhadores desenvolveram novas técnicas, que lhes facilitaram o trabalho. Os arados e os instrumentos agrícolas passaram a ser fabricados de ferro, inventaram-se os moinhos movidos pelo vento e pela água para moerem os grãos. O cavalo começou a ser usado como força de trabalho, em substituição aos bois.

O excesso de produção passou a ser comercializado e foram desenvolvidas rotas comerciais terrestres e marítimas. Com o comércio, houve multiplicação das grandes cidades, formadas agora por cidadãos livres.

A única instituição que se manteve neste período foi a Igreja Cristã, que após ser perseguida pelos imperadores romanos, foi-lhe concedida liberdade pelo imperador Constantino. Esta instituição foi fortalecendo-se cada vez mais como a religião oficial do Império. O cristianismo manteve na Idade Média o que restou de força intelectual, principalmente por meio da vida monástica, que floresceu tanto no oriente como no ocidente, pois o homem instruído desse período era quase sempre um religioso. Na metade da Idade Média, foram fundadas as primeiras universidades, o que possibilitou o avanço das ciências em geral.

Com a expansão do cristianismo, a visão grega do mundo, que até então prevalecia, foi sendo substituída pela visão cristã do mundo: não é mais na ordem do cosmos que a humanidade deve buscar as normas para o bem viver e, sim, nos ensinamentos de Jesus. O entendimento grego do “logos” impessoal é substituído pelo “logos” encarnado. A partir daí, não era mais a “razão” o meio para contemplar e compreender o divino, mas a fé, a confiança na pessoa de Jesus, manifestada pela hierarquia religiosa, que indicava o que é o “bem viver” (Ferry, 2007). Para se ter uma noção do que isso significou, basta lembrar que o mundo grego era basicamente aristocrático, ou seja, existia uma hierarquia natural dos seres, onde os mais bem aquinhoados pela natureza deveriam estar acima e aos menos aquinhoados, reservava-se a escravidão. O cristianismo trouxe a noção de igualdade dos seres humanos, pois todos são irmãos e filhos do mesmo Criador, portanto iguais em dignidade, apesar de terem dons diferentes.

A população do mundo conhecido, que no início da Idade Média era próxima de 200 milhões, apesar de guerras e de doenças, chegou aos 400 milhões de habitantes por volta do século 15 d.C., ou seja, a população cresceu ao redor de 20 mil por ano, tendo demorado 1.000 anos para dobrar o número de habitantes.

Os alimentos produzidos eram consumidos nos locais de produção e somente no final da Idade Média é que foram comercializados em locais mais distantes de onde eram produzidos. O território rural europeu era um mosaico de terras cultivadas e incultas, e as cidades eram “ruralizadas”, pois os campos, os bosques, as hortas, os prados as invadiam (Montanari, 1996).

Aos produtos da agricultura juntam-se os alimentos fornecidos pelas terras não cultivadas (caça, peixes e gado criado nas clareiras e bosques). Havia regimes alimentares diversos nos grupos sociais, mas os historiadores afirmam que uma alimentação variada e equilibrada, apesar de ser uma época marcada por flagelos naturais e sociais, foi garantida neste período.

A carne era obtida de diferentes animais, de acordo com a região, como o porco, o carneiro (que, além da carne, fornece a lã e o leite), o boi (que, além de força de trabalho passa a fornecer leite e carne a partir do século 15 d.C.), e também da caça, que a partir dos séculos 9 e 10 d.C. era privilégio apenas da nobreza. O peixe, que na época era considerado de pouco valor alimentício, era obtido dos recursos hídricos e raramente de criações artificiais. O leite, pouco consumido in natura, considerado como um sinal de barbárie, era usado para fabricar o queijo, que era feito, na maioria das regiões, a partir do leite de cabra ou de ovelha, e com menos frequência a partir do leite de vaca (Montanari, 1996).

A carne era geralmente conservada pela salga e depois era cozida, raramente assada, para ser consumida. No final da Idade Média, quando as cidades se tornaram importantes, o consumo de carne fresca era um sinal de identidade citadina.

Na Idade Média, o vinho era consumido diariamente pelos cidadãos. A cerveja, inicialmente consumida pela população alemã e povos não cristianizados, mais tarde passou a ser consumida em toda a Europa. A água, quase sempre poluída pela má condição de saneamento básico, era consumida misturada com o vinho por medida sanitária, pois os cidadãos acreditavam que a presença do vinho matava os germes nela contidos.

O trigo, principal cereal produzido até então, na Idade Média, foi sendo substituído por outros cereais, como o centeio, a aveia, a cevada e o sorgo. O consumo desses cereais era acompanhado das leguminosas, como a fava, o feijão, a ervilha e outras. Os cereais, armazenados ao longo do ano, eram usados para preparar uma espécie de sopa, ou para produzir um tipo de pão não fermentado, que endurecia rapidamente depois de cozido debaixo das cinzas ou sobre placas de barro endurecidas pelo fogo. Este pão duro, para ser consumido, era molhado na sopa, no vinho e na água. Com o desenvolvimento das cidades, o pão branco passou a ser um sinal distintivo do cidadão.

A produção dos cereais e leguminosas apresentava variações regionais, mas o que caracterizava todas as regiões era a diversidade das culturas, que era considerada como medida de prudência, pois era medida preventiva contra os contratempos climáticos.

A população da Idade Média consumia também grande variedade de produtos hortícolas (o nabo, a couve, o repolho, a cebola, o alho, a alface, a chicória, a acelga, a cenoura, o rabanete e várias plantas aromáticas), que complementavam os cereais e leguminosas. As hortaliças eram produzidas em pequenas hortas ao lado das casas, tanto no campo como nas cidades.

Os povos diversos que constituíam a civilização Árabe tinham abundância de frutos, quanto à variedade e qualidade, como melões, uvas, ameixa, pêssegos (Rosenberger, 1996). As uvas de mesa e, sobretudo as passas, eram apreciadas entre os povos Árabes, mas prevalece a ideia de que os frutos não são um alimento muito bom. As frutas secas, como amêndoas, nozes, avelãs e pistáchios, eram usadas na preparação de doces e bolos.

Na Idade Média, o consumo de frutos é extremamente limitado, mas, a partir do século 13 d.C., ocorreu certo desenvolvimento da arboricultura. A vinha tem importância fundamental neste período da história, pois o vinho era consumido em grande quantidade, por exemplo, na região onde é hoje a Itália (Cortonesi, 1996).

Para os historiadores, o sistema agrossilvopastoril, predominante na Idade Média, garantiu uma alimentação suficiente para a sobrevivência da população. Salienta-se ainda, que, sem dúvida, houve falta de alimentos, que foi sendo superada. Assim, apesar das guerras, com pilhagens frequentes, e das precárias condições de higiene reinantes nas cidades, o conhecimento aprofundado das plantas e dos animais permitiu que a população da Idade Média explorasse esses recursos e assegurasse a sua sobrevivência quotidiana (Montanari, 1996).

Com o crescimento populacional, houve a aglomeração nas cidades, onde os padrões de higiene eram os piores, fazendo com que surgissem problemas com resíduos urbanos (esgoto e lixo), que disseminavam as doenças. Por exemplo, em meados do século 14 d.C., uma doença, denominada peste negra, devastou a população Europeia. Esta doença era transmitida por meio da picada de pulgas que tinham como hospedeiros ratos doentes. Como as cidades medievais não tinham condições higiênicas adequadas, a peste negra espalhou-se facilmente, infectando as pessoas e causando muitas mortes.
A IDADE MODERNA: POPULAÇÃO E ALIMENTOS

A idade moderna, para a maioria dos historiadores, é um período específico da história do Ocidente, que teve início com a tomada de Constantinopla, em 1453, pelos turcos otomanos, e terminou com o início da revolução francesa, em 1789. Apesar de haver divergências quanto ao início e o fim desse período, há certo consenso de que foi um período de transição, em que houve uma verdadeira revolução social, pois o sistema feudal de produção foi sendo substituído pelo sistema capitalista. Esse período da história pode ser caracterizado, também, por uma diminuição da chamada "triologia negra" - fomes, pestes e guerras - criando condições propícias às descobertas marítimas e ao encontro de povos. No fim do século 15 d.C. e início do século 16 d.C., aconteceram as viagens de Cristóvão Colombo ao continente americano (1492), a de Vasco da Gama à Índia (1497) e a de Pedro Alvarez Cabral (1500) à terra de Santa Cruz.

A população mundial, que, no início da idade moderna, é estimada em 400 milhões, vai crescer, atingindo no início do século 19 d.C. (1804) o primeiro bilhão de habitantes.

Todo o conhecimento, desde o início do cristianismo até a idade moderna, tem por base a confiança na autoridade religiosa. Por exemplo, a crença de que a Terra era o centro do universo, ensinada por Ptolomeu (século 2 a.C.), permaneceu até o século 16 d.C., quando esta concepção foi modificada por Copérnico.

No século 16 d.C., pensadores dos diferentes campos do conhecimento começaram a contestar os ensinamentos baseados na autoridade. Copérnico (1473-1543) e depois Galileu (1564-1642) propuseram o heliocentrismo, contestando o que afirmara Ptolomeu. Isaac Newton (1643-1727) demonstrou que o cosmos “não é absolutamente um universo de paz e harmonia, não é mais uma esfera fechada em si mesma, como uma casa aconchegante, onde seria bom viver desde que tivéssemos encontrado nela o justo lugar (como no pensamento grego), mas é um mundo de forças e de choques” (Ferry, 2007). Por conseguinte, o cosmos não podia mais servir de modelo para a arte do bem viver. Pode-se dizer que o pensamento moderno colocou o homem no lugar e na posição do cosmos (pensamento grego) e da autoridade religiosa (pensamento cristão). René Descartes (1596-1650) explicitou as bases do método experimental, e as seguintes palavras escritas por ele resumem o “pensamento cartesiano”: “Já há algum tempo me dei conta de que, desde os meus primeiros anos de vida, aceitei como verdadeira uma quantidade de falsos conceitos e o que construí depois sobre princípios tão inseguros só poderia ser muito duvidoso e incerto; de modo que se fazia necessário que eu decidisse seriamente me desfazer de todas as opiniões recebidas até então e recomeçar a partir dos alicerces, se quisesse instituir algo de sólido e permanente nas ciências…”

O crescimento das cidades contribuiu para que a agricultura de subsistência passasse a uma agricultura de mercado, sendo que a organização do abastecimento foi assumida pelo Estado. A ausência de progressos significativos das técnicas agrícolas desencadeou o alargamento das terras dedicadas ao cultivo dos cereais. Os números são raros para que se possa realmente quantificar a ração alimentar das pessoas do povo nesse período, mas alguns historiadores estimam que a população Europeia passou a consumir mais cereais, com decréscimo no consumo de carne. Assim, para poder alimentar a população crescente, as terras dedicadas aos cereais foram ampliadas em detrimento das áreas dedicadas a pastagem. Um hectare de trigo produzia, nas condições técnicas da época, cerca de 1,5 milhões de calorias, enquanto a mesma área dedicada à pastagem produzia no máximo a quarta parte em termos calóricos (Flandrin e Montanari, 1996b).

A população das Américas, formada por um mosaico de povos, que era de cerca de 100 milhões de habitantes na época da chegada de Colombo, alimentava-se basicamente de milho, de batata, de batata-doce e de mandioca. A conquista da América pelos espanhóis levou à dizimação da população nativa, pois meio século depois esta havia diminuído cerca de 90% e a agricultura pré-colombiana intensiva foi desarticulada, e os cultivos dispersos que restavam, foram atacados pelo gado dos colonizadores (Carneiro, 2003).

Com o início das grandes navegações, ocorreu o intercâmbio de produtos entre os diferentes continentes. As especiarias asiáticas (pimenta, canela, cravo, noz-moscada) e as plantas alimentícias da América (milho, batata, tomate, amendoim, cacau e abacaxi) chegaram à Europa. As plantas tropicais, como a cana-de-açúcar, o algodão e o café, chegaram ao Novo Mundo, onde tiveram um desenvolvimento muito grande. A bananeira, o inhame e a videira foram plantados em todas as regiões do mundo (Carneiro, 2003) e foram sendo paulatinamente introduzidas à mesa dos europeus.

A necessidade de mais alimentos na Europa fez com que se iniciasse, ainda que de forma modesta, a experimentação agrícola. Desse período da história, Epstein e Bloom (2006) citam o experimento de J. B Von Helmont (1580-1644). Este médico belga foi o primeiro a empregar a ciência experimental cartesiana para responder à pergunta: do que são formados os vegetais? Em um experimento famoso, ele investigou a fonte de materiais dos quais as plantas são compostas. O experimento foi bem conduzido, mas a conclusão a que chegou, hoje, sabe-se que não está correta, pois afirmava que as plantas são constituídas exclusivamente de água.

Pouco mais tarde, o inglês John Woodward (1765-1828) reconheceu que os minerais retirados do solo têm importância para o desenvolvimento das plantas, conclusão a que chegou após realizar experimento no qual cultivou plantas fornecendo a elas água destilada ou água com sólidos em suspensão.

Na evolução do conhecimento da nutrição de plantas, nesse período, não podem ser esquecidos alguns outros cientistas, a seguir mencionados.

Stephen Hales (1730), inglês, publicou o primeiro livro sobre a nutrição de plantas. Ele realizou experimentos em que mensurou a quantidade de água que é absorvida e transpirada pelos vegetais. Hales intuiu que o ar também “contribuía para o corpo da planta”. Como outras pessoas de sua época, Hales acreditava na “teoria flogística”, afirmando que todos os materiais combustíveis eram compostos de uma substância chamada “flogístico”, que na combustão era perdida, restando as cinzas.

Joseph Priestley (1770) constatou que as plantas expeliam o mesmo gás (oxigênio) que era liberado quando o óxido de mercúrio era aquecido, dando assim um passo em direção do esclarecimento da fotossíntese.

Jan Ingen-Housz (1730-1799), holandês, verificou que os vegetais somente expeliam o “oxigênio” quando estavam em presença de luz.

Jean Senebier (1742-1809) deu importante contribuição para o entendimento da fotossíntese, pois verificou que a quantidade de “oxigênio” emitida por folhas verdes mantidas em água era proporcional à quantidade de “gás carbono” dissolvido na água.

Antoine-Laurent Lavoisier (1743-1794), considerado o pai da química, foi o grande personagem que deu impulso a essa área do conhecimento, preparando assim a base para a fisiologia e a bioquímica, que se desenvolveram a partir dos fins do século 18 d.C.. Lavoisier aboliu de vez a errônea teoria “flogística”, afirmando que nas reações químicas não são criados elementos, nenhum é transmutado em outro, nenhum é destruído, mas as reações químicas promovem mudanças nas combinações dos elementos. Por ter sido sócio de uma sociedade cobradora de impostos para o governo francês, teve contra ele e os demais acionistas o ódio dos líderes revolucionários, sendo condenado e guilhotinado em 8 de maio de 1794. A Academia de Ciências, da qual Lavoisier era membro, foi dissolvida, mas os cientistas de toda a Europa, antes de a sentença ser promulgada, enviaram uma petição aos juízes para que o poupassem em respeito a seu valor científico. O presidente do tribunal julgador recusou o pedido, lavrando a frase que ficou famosa: "A França não precisa de cientistas". Ao matemático Lagrange, contemporâneo de Lavoisier, é atribuída a frase que serviu de bom epitáfio ao infortunado químico: "Não bastará um século para produzir uma cabeça igual à que se fez cair num segundo".

         Nicolas-Théodore de Saussure (1767-1845) foi o primeiro cientista a usar a nova química de Lavoisier na pesquisa de nutrição de plantas. Seu trabalho ampliou o conhecimento sobre a absorção, pelas raízes, de elementos do solo. Ele formulou o princípio da essencialidade dos elementos, afirmando que alguns deles são absorvidos pelas plantas, mas poderiam não ser essenciais, e alguns eram indispensáveis.

A pesquisa sobre nutrição de plantas alcançou o seu ponto alto, nesse período, com o pesquisador francês Jean-Baptiste Boussingault (1802-1887). Diferentemente de seus predecessores, que davam ênfase à composição elementar dos vegetais, Boussingault calculou o balanço entre as quantidades dos elementos contidos nas plantas cultivadas e as quantidades retiradas por área cultivada. Deve-se a ele a evidência da fixação de nitrogênio pelas leguminosas.

Desse período da história, é necessário relembrar uma personagem que, pela primeira vez, pensou na relação entre população e alimentos: Thomas Robert Malthus (1766-1834). Malthus, de descendência inglesa, foi pastor anglicano e economista e tornou-se famoso pela sua importante contribuição ao estudo da demografia, com suas teses publicadas no livro “Principle of Population” (1798). A pobreza das classes populares parecia-lhe um fato a ser considerado, pois para Malthus a população aumentava em ritmo muito mais rápido que os meios de subsistência, os alimentos. Inaugurou-se então o debate sobre um assunto que cada vez mais vem tornando-se necessário: quantas pessoas a Terra pode alimentar?

No período moderno continua em processo a formação acelerada das cidades, as quais se tornaram cada vez mais populosas. Por volta do século 17 d.C., problemas sociais e sanitários, que haviam começado na Idade Média, intensificaram-se.


IDADE CONTEMPORÂNEA: POPULAÇÃO E ALIMENTOS

A idade contemporânea é o período específico da história do mundo ocidental, iniciado a partir da Revolução Francesa (1789) até o momento atual e, hoje, discute-se até quando ela se prolongará. Na França, a monarquia foi deposta e houve a tomada do poder pela burguesia, revolução feita sob o lema: “liberté, égalité, fraternité”. A revolução francesa proclamou a “Declaração dos direitos do homem e do cidadão”, que diz no seu Artigo 1: Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. O exemplo dos franceses repercutiu intensamente nos outros países europeus e americanos e preparou a revolução industrial que viria em seguida.

O início da idade contemporânea foi bastante marcado pela corrente filosófica iluminista, que elevava a importância da razão. Havia um sentimento de que as ciências iriam sempre descobrindo novas soluções para os problemas humanos e que a civilização humana progrediria a cada ano, com os novos conhecimentos adquiridos.

Na história da humanidade, chamam-se de pós-modernas as ideias que fizeram críticas ao humanismo moderno, em especial, ao iluminismo, a partir de meados do século 19 d.C.. Da mesma forma que na era das “luzes”, quando se atacaram ideias consideradas antigas, substituindo-as pela razão e pela liberdade humana, ou seja, o homem no centro e construtor da história, a pós-modernidade fez críticas ao humanismo e ao racionalismo. O principal filósofo da pós-modernidade é Friedrich Nietzche (1844-1900). Ocorreu então uma ruptura com o modernismo, que estabeleceu o humanismo moderno afirmando reiteradamente sua crença no progresso, sua convicção de que a difusão das ciências e das técnicas iria produzir dias melhores, e a política deveria ser guiada por um ideal, ou utopia, que permitiria tornar a humanidade mais respeitosa em relação a si mesma (Ferry, 2007). Entretanto, com o evento das duas grandes guerras mundiais, o ceticismo passou a imperar no mundo, com a percepção de que nações consideradas tão avançadas e instruídas foram capazes de cometer atrocidades.

A população, que atingiu o primeiro bilhão de habitantes no início do século 19 d.C., vai chegar à marca de 2 bilhões de habitantes em 1927, depois de mais de 120 anos. A partir daí ocorreu uma explosão demográfica, pois em 1960, a população chegou a 3 bilhões de habitantes e continuou a crescer num ritmo cada vez mais rápido, chegando a quase 6,8 bilhões de habitantes no início do século 21 d.C., como pode ser visto na Figura 1. Sem considerar as grandes variações entre os diferentes países, a média mundial de expectativa de vida, que em 1900 era de 30 anos, saltou para 62 anos em 1985, e para 65 em 2005 e estima-se que a expectativa média de vida do mundo atinja 75 anos em meados do século 21 d.C.

No início do século 19 d.C., cerca de 80 a 90% das pessoas viviam no campo quando teve início o êxodo rural, e atualmente cerca de 50% da população mundial vive nas cidades.

Com a explosão demográfica, houve a necessidade de maior volume de alimentos para satisfazer a dieta alimentar básica da população, o que foi conseguido principalmente pelo aumento de produtividade das culturas, a partir de meados do século 20 d.C., o que foi conseguido pela evolução do conhecimento das ciências agrárias.

Com o intercâmbio comercial entre os continentes, a partir da conquista dos oceanos, houve mudança na alimentação ocidental. Além dos alimentos tradicionais (trigo, outros cereais, vinho e azeite), o chá, o chocolate e o açúcar vão paulatinamente aumentando em consumo. A batata, o milho, o arroz, a mandioca, o tomate, a berinjela e o amendoim passaram a tomar parte na mesa, sendo que alguns deles tornaram-se a base alimentar de alguns países, como a batata, na Irlanda e o milho, na Itália.

No que diz respeito à nutrição de plantas, nessa fase da história, houve um grande avanço em continuação aos estudos iniciados no século 18.

Um dos nomes importantes que merece ser citado é Philipp Carl Sprengel (1787-1859), alemão. Alguns autores consideram que os seus escritos marcam o começa de uma nova época na agronomia, pois Sprengel publicou em 1826 um artigo no qual a teoria humista foi refutada e, em 1828, publicou outro artigo que continha em essência a lei do mínimo (Ploeg et al., 1999), que foi depois desenvolvida por Justus Von Liebig (1803-1873). Liebig, alemão, foi nomeado, em 1824, Professor da Universidade de Giessen, fundada em 1607 e, após a 2ª guerra mundial, recebeu o nome “Justus Liebig University Giessen” (Scientific-Hessen, 2009) e o antigo laboratório onde o professor trabalhou foi transformado em Museu (Liebig Museum, 2009). Para fazer jus a estes dois cientistas, a “Association of German Agricultural Experimental and Research Stations” criou a medalha Sprengel-Liebig. Com justificativa semelhante foi proposto por Pleg et al. (1999) que a lei do mínimo fosse denominada de “lei do mínimo de Sprengel-Liebig”.

Liebig estabeleceu a lei do mínimo em 1855, em 3 partes (Pleg et al., 1999): “1. By the deficiency or absence of one necessary constituent, all others being present, the soil is rendered barren for all those crops to the life of which that one constituent is indispensable. 2. With equal supplies of the atmospheric conditions for the growth of plants, the yields are directly proportional to the mineral nutrients supplied in the manure. 3. In a soil rich in mineral nutrients, the yield of a field cannot be increased by adding more of the same substances”.

Em resumo, a lei de “Sprengel-Liebig” esclarece que o crescimento das plantas é determinado pelo elemento presente no solo na mínima quantidade adequada, ou seja, as plantas crescem de acordo com os elementos encontrados no solo. Com base nesses conhecimentos, teve o início da era dos fertilizantes químicos.

Em 1843, J.B. Lawes e J.H. Gilbert fundaram na Inglaterra a famosa Estação Experimental Rothamsted (Rothamsted Research, 2009). Os experimentos sobre fertilidade do solo e nutrição de plantas que eles iniciaram continuam até hoje. Os resultados demonstraram de forma convincente que o suprimento de nutrientes declinou, quando os solos foram cultivados ano após ano, com consequente diminuição na produtividade. Entretanto, a adição de nutrientes na forma de adubos manteve o nível de fertilidade do solo e a produtividade.

Julius Von Sachs (1832-1897), botânico alemão, em 1860, demonstrou que as plantas podiam crescer sem a fase sólida do solo, se as raízes estivessem banhadas por uma solução contendo os nutrientes necessários. W. Knop, em 1860, ampliou os estudos de cultivo de plantas em solução nutritiva. A partir de então, o cultivo de vegetais sem solo tornou-se uma técnica importante nos estudos de nutrição mineral de plantas e na produção de culturas com fins comerciais, principalmente hortaliças, sendo a técnica conhecida como hidroponia. Os pesquisadores Sachs e Knop são considerados os pais dessa técnica.

D. R. Hoagland (1884-1949) elaborou, em 1936, uma nova solução nutritiva que ainda é muito usada nos estudos de nutrição mineral de plantas, sendo o principal pioneiro do período moderno desse ramo da ciência.

Os critérios de essencialidade foram propostos por Daniel I. Arnon e P. R. Stout, em 1939, e até hoje são aceitos, apesar de algumas modificações sugeridas por Emmanuel Epstein (Epstein e Bloom, 2006).

Em 1927, em Madison (USA), na “Wisconsin University”, foi realizado o primeiro congresso internacional de solos no qual foi sugerido que o mundo podia alimentar 15,9 bilhões de pessoas. Em 1960, na mesma cidade, o “7th International Congresso of Soil Science” teve como tema: “Alliviate Hunger, Promote Peace through Soil Science”.

Com a evolução do conhecimento, sabe-se hoje que os seres vivos são constituídos principalmente de C, H e O, mas têm necessidade de outros nutrientes, dos quais se destaca o N. Este nutriente que, na sua forma não reativa (N2) compõe 78% da atmosfera, é o quarto elemento mais abundante nos seres vivos e é por meio da fixação biológica que ele se torna disponível para os seres que não conseguem fixá-lo. Postula-se que certos microorganismos específicos começaram a fixar o N atmosférico há aproximadamente 3 bilhões de anos, mas a genialidade do ser humano fez com que a fixação fosse feita em laboratório, e depois em fábricas e, assim complementar-se o fornecimento natural do nitrogênio escasso e necessário na alimentação humana.

A fixação industrial do N2 acontece pela reação com H, obtendo-se amônia. O processo foi desenvolvido por Fritz Haber e Carl Bosh. O primeiro recebeu o prêmio Nobel de Química em 1918, e Bosh teve a sua participação mais tarde reconhecida, recebendo, também, a mesma honraria, em 1932, dividindo-a com Friedrich Bergius. A Academia justificou a láurea dizendo que “o invento é uma maneira extremamente importante para melhorar os padrões da agricultura e o bem-estar da humanidade”. A partir do gás amônia é possível obter os demais diferentes fertilizantes nitrogenados, tornando possível alimentar os vegetais e com estes a população humana, que já estava aumentando rapidamente na época.

Norman Ernest Borlaug, agrônomo americano, recebeu em 1970 o prêmio Nobel da Paz, por ter desenvolvido o que passou a ser chamado de revolução verde.

No Brasil, a ciência agronômica intensificou-se na segunda metade do século 19 d.C., sendo que no ano de 1875, foi fundada a primeira Escola de Agronomia, no Brasil, que hoje integra a Universidade Federal da Bahia, no Campus de Cruz das Almas. A segunda escola foi criada em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no ano de 1883, e atualmente é parte integrante da Universidade Federal de Pelotas. A posse do saber agrícola, historicamente acumulado pelo homem do campo, a partir daí foi gradativamente deslocada para os meios intelectuais e incorporada na tecnologia, na condição de propriedade do capital, aprofundando a divisão entre a concepção e a execução do processo produtivo, restando para o homem do campo o trabalho braçal (Toscano, 2009).

A Sociedade Brasileira de Ciência do Solo foi criada em 1948, conforme relato feito por Eurípedes Malavolta (1926-2008), na abertura da “XX Reunião Brasileira de Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas”, no qual apresentou a história da nutrição de plantas no Brasil (Malavolta, 1992). O relato é muito interessante e bem amplo e destacam-se dois fatos importantes mencionados pelo autor. O primeiro é a criação do Instituto Agronômico de Campinas, que, no ano de 2009, completou 122 anos, e o austríaco F.W. Dafert foi o seu primeiro diretor, convidado por D. Pedro II. Um segundo fato mencionado foi a criação da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em 1901. Nesta instituição de ensino, até em 1964, a nutrição mineral de plantas era ensinada como parte da fisiologia vegetal e da química agrícola, mas com a criação dos cursos de pós-graduação de solos e nutrição de plantas, passou a ser disciplina ensinada separadamente. A partir daí, talvez por influência dos alunos saídos desse curso de pós-graduação, a disciplina passou a ser ministrada em praticamente todas as faculdades de Agronomia. Por que ensinar nestas faculdades a nutrição mineral de plantas? Citando o Prof. Malavolta: “Pode-se dizer simplesmente: o homem come planta ou planta transformada, portanto só alimentando a planta pode-se alimentar o homem. O adubo é o veículo dos nutrientes da planta”.

Nas diversas faculdades de Agronomia e nos institutos de pesquisa espalhados pelo Brasil, foram realizados muitos estudos sobre temas importantes da nutrição de plantas e há muitos pesquisadores brasileiros anônimos na história da nutrição de plantas, demonstrando, assim, que, também em ciências agrárias, o conhecimento é cooperativo e cumulativo.

Em termos mundiais, a FAO apresenta estatísticas de consumo e produção de alimentos e evidencia-se que, nestes últimos anos, há certo paralelismo de crescimento entre estes dois grupos de dados (Figura 2). Este é um “milagre” que tem como causa a aplicação das técnicas agronômicas, pois nos últimos 50 anos, conseguiu-se triplicar a produção de alimentos com um aumento de aproximadamente 10% da área cultivada. Como a população quase triplicou neste mesmo período, cada ser humano é alimentado hoje pelos alimentos produzidos em metade da área que era necessária há meio século (Dyer, 2006).

Entre as técnicas agrícolas responsáveis pelo aumento de produtividade ocorrido contemporaneamente, destaca-se o uso de fertilizantes. A Figura 3 (adaptada de Kaarstad, 1997) ilustra os aumentos da população e da produtividade dos cereais, que cobrem quase a metade das terras agricultáveis. Em meados do século 20 d.C., a produtividade média mundial dos cereais era de 1,1 t ha-1, chegou a mais de 3,0 t ha-1 neste início do século 21 e deve continuar a crescer seguindo a marcha do crescimento da população. Essa tendência deve continuar se a humanidade quiser evitar a fome.

O solo é a fonte natural dos nutrientes dos vegetais e é complementado pelos adubos orgânicos e pela fixação simbiótica de nitrogênio. Entretanto, em termos mundiais, o suprimento de nutrientes por essas fontes tem crescido apenas marginalmente. Os fertilizantes têm suprido os nutrientes necessários para aumentar a produtividade, sendo que as variedades melhoradas e as modernas técnicas agronômicas possibilitam maior eficiência de uso destes nutrientes. Para que continue havendo aumento da produtividade dos cereais, há necessidade do concomitante aumento no uso de fertilizantes.

Quanto ao consumo de frutas, acontece no Brasil algo paradoxal. O Brasil é o terceiro maior exportador mundial de frutas, mas o consumo médio é de apenas um terço da quantidade recomendada como mínimo de 400 g/dia por pessoa, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

As informações científicas atuais sobre dietas saudáveis indicam a necessidade de consumir frutas variadas de 2 a 4 porções diárias, por forneceram fibra, vitaminas e minerais (Sizer, Whitney, 2003).


FUTURO: POPULAÇÃO, ALIMENTOS E RESÍDUOS

A população de hoje, de quase 6,8 bilhões, continuará a crescer e estima-se que atingirá, por volta de 2050, em torno de 9 bilhões. A expectativa de vida, em termos médios mundiais, na década de 2000 a 2005, era de 65 e chegará a 75 anos, em 2050, embora as discrepâncias entre regiões continuarão. Por exemplo, na África, a expectativa de vida de 49 anos atualmente, chegará a 65, em 2050, em contraste com as regiões mais desenvolvidas, em que atualmente é de 76, devendo chegar a 82, em 2050 (World, 2009).

Para se ter uma visão do que acontecerá, no futuro, com respeito à produção de alimentos, há necessidade de se ter um inventário do que está acontecendo hoje, pois a população de quase 6,8 bilhões de habitantes necessita de biomassa para se alimentar, que é proveniente das terras agricultáveis, das florestas e do mar. O balanço de quanto é produzido e quanto é consumido não é tarefa fácil, embora haja algumas tentativas, como a de Pimm (2005) em seu livro “Terras da Terra: o que sabemos sobre o nosso planeta”. Inicialmente, o autor citou que são produzidas anualmente, na superfície terrestre, 132 bilhões de toneladas de biomassa. A seguir, estimou quanto é consumido diretamente pela humanidade ou pelos animais, que são depois abatidos e transformados em alimentos, e também o consumo na produção da madeira utilizada, chegando a um total de 5 bilhões de toneladas de biomassa. O autor explica que esse total é apenas uma pequena fração do que é realmente consumido, pois para consumir a mencionada quantidade de biomassa, há uma grande parte desta que é desperdiçada. Dessa maneira, a cada ano, estima-se que são usadas 26 bilhões de t de produção vegetal, 14 bilhões de t de biomassa de florestas, 17 bilhões de t de biomassa de pastagens e ainda 3 bilhões de t de biomassa deixam de ser produzidas, pela ocupação das terras agricultáveis pelo crescimento das áreas urbanizadas. Somando tudo, chega-se ao valor de 60 bilhões de t de biomassa que são usadas pela população atual. Estas estimativas, embora grosseiras, indicam que quase 50% da biomassa anual produzida é consumida, direta ou indiretamente, pelos quase 6,8 bilhões de habitantes existentes hoje.

Parte dos alimentos consumidos vem das águas, ou seja, dos pescados. Da mesma forma, Pimm (2005) estimou que atualmente são utilizados em média cerca de 8% da produção de biomassa (fitoplâncton) total para sustentar o pescado que a humanidade consome. O autor ressaltou que essa média é bastante enganosa, pois, em alto-mar, apenas 2% da produção de biomassa sustenta o pescado, todavia, em lagos de água doce e em partes geograficamente restritas e altamente produtivas dos oceanos, entre um terço a um quarto de toda a produção vegetal sustenta o pescado consumido.

Estes números, por mais abrangentes que sejam, indicam que, neste início do século 21 d.C., o planeta Terra está sofrendo enormes e inequívocos impactos. O que significarão esses números se, de fato, a população mundial atingir os estimados 9 bilhões de habitantes, num futuro muito próximo, em 2050? O que fazer para que a população tenha alimentos suficientes e de qualidade, hoje e no futuro? Qual o papel a ser desempenhado por aqueles que militam nas áreas de ciências agrárias? Nos parágrafos que seguem, encontram-se algumas especulações.

Inicialmente, há necessidade de que a humanidade entenda os pressupostos necessários para que a vida no planeta continue sendo viável. O primeiro é expresso na seguinte afirmação sobre a população de Homo sapiens: “A pele de alguns é branca, de outros é escura. A forma do rosto das pessoas, a cor do cabelo e dos olhos, o contorno dos olhos, do nariz e da boca são maravilhosamente únicos. Esta diversidade não é ilusória, pois os seres humanos são realmente uma das espécies mais variadas que existem em nosso planeta. Durante toda a história da humanidade, os grupos sempre se perguntaram a respeito da forma como estavam relacionados com outros grupos. O estudo da genética revelou que estamos todos ligados e somos membros da mesma família humana (grifo do autor), produtos da genética e do acaso, nascidos sem cessar para um futuro desconhecido” (Olson, 2003). Um segundo pressuposto, para que seja possível uma “sobrevida”, pode ser assim expresso (Chardin, 1955): “Quando o homem, tendo reconhecido que carrega em si mesmo a sorte do mundo, se convence de que existe à sua frente um porvir sem limites no qual não pode soçobrar... Eis o que nos falta, um novo domínio de expansão psíquica e eis que está precisamente diante de nós, se apenas erguermos os olhos”. Finalmente, o terceiro pressuposto para a nova humanidade do futuro é o que está promulgado na Declaração Universal dos Direitos Humanos durante a “Assembleia Geral das Nações Unidas”, em 10 de dezembro de 1948, que diz o seguinte no seu Artigo 1: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. Estes três pressupostos: todos os seres humanos são parte de uma família humana, que juntos têm o poder sobre o futuro e por isso devem respeitar e ajudar-se mutuamente, são imprescindíveis para que o porvir da humanidade seja esperançoso.

O progresso, trazido pela técnica, e que possibilitou maior qualidade de vida, não pode ser um fim em si mesmo. Há que estabelecer uma nova referência, uma nova utopia. Qual será este novo sonho que deve balizar a atividade humana? O progresso, motivado pelo conhecimento, deve sempre ter como fim o “bem da humanidade”. Com este referencial, podem-se estabelecer os desafios atuais e futuros das ciências e, em especial, da nutrição mineral de plantas.

O primeiro desafio de hoje e no futuro da humanidade é produzir alimento (frutas) para a população crescente. Esse desafio, colocado sob a visão da nutrição mineral de plantas, poderia ser expresso na pergunta: Como alimentar as plantas (as fruteiras) para que haja alimento suficiente para todos, hoje, amanhã, depois de amanhã e assim sucessivamente?

Quando o solo não consegue suprir a exigência nutricional dos vegetais, há necessidade de lançar mão dos adubos para que se possa aumentar a produtividade, pois, caso contrário, novas terras deveriam ser destinadas à agricultura. Os dois adubos mais importantes são os nitrogenados e os fosfatados. Hoje, um terço da proteína produzida no mundo é decorrente do nitrogênio fixado industrialmente, e ao redor de 40% dos alimentos produzidos dependem do uso de fertilizantes e corretivos. O desafio das ciências agrárias é ensinar os produtores a utilizarem os nitrogenados, sem prejudicar o ambiente e a utilizar os fosfatos, provenientes de jazidas finitas, que são bens não renováveis, de modo eficiente. A pesquisa sobre a fixação biológica de nitrogênio é um desafio importante a ser enfrentado. Da mesma forma, o desenvolvimento de pesquisas que tenham como objetivo aumentar a eficiência de absorção do fósforo é outro assunto de interesse.

O segundo grande desafio da nutrição mineral de plantas é conscientizar a humanidade de “que não há refeição grátis”. As pessoas que vivem nas cidades, hoje mais da metade da população é urbana, pouco sabem de onde vêm os alimentos e de onde vêm as frutas. O homem come planta ou planta transformada, portanto só alimentando as plantas pode-se alimentar o homem, e toda a população necessita saber e refletir sobre isto, para que nasça a consciência de usar apenas o necessário e sem desperdícios. As associações que têm relação com a produção e comercialização, devem incentivar o consumo de frutas, que ainda está muito aquém da quantidade recomendada pela OMS. O Brasil deveria fazer um esforço muito grande no sentido de incentivar a produção regionalizada de frutas de cada região. A Amazônia, o cerrado e outros biomas têm muitas frutas que ainda são pouco encontradas nas feiras e nos supermercados. Para citar somente o exemplo das frutas do cerrado: pequi, mangaba, baru, cagaita, araticum, gabiroba, jenipapo e cajuzinho do cerrado (Silva et al., 2009).

Com o aumento populacional e a concentração nos centros urbanos, ocorre, consequentemente, aumento dos resíduos que são produzidos. Estes resíduos devem ser coletados e devidamente tratados. Hoje, a grande maioria do lixo produzido é colocada nos aterros sanitários e as águas servidas são despejadas nos mananciais, contaminando-os. A consciência de que todos os seres humanos são responsáveis por cuidar da casa comum exige que os resíduos sejam transformados em fertilizantes, para retornar aos solos os nutrientes deles exportados pelas colheitas. Os resíduos contêm nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo, que devem ser restituídos aos solos agrícolas. Esse é o terceiro grande desafio para os estudiosos da nutrição mineral de plantas: ensinar que somente reciclando, principalmente o fósforo retirado do solo com as colheitas, é que se poderá continuar alimentando a população crescente.

Finalmente, o maior desafio atual e do futuro de todos os seres viventes, e, em particular de todos os estudiosos da nutrição mineral de plantas, é a construção de um mundo para a humanidade, implantando uma nova ética para este milênio, para que o Homo sapiens não se torne o Homo demens, aquele ser que pode pôr fim à humanidade. Nesta nova humanidade, o comer junto e solidário representará a suprema realização humana.

É um sonho? Todos estão convidados a transformar este sonho em realidade, começando a viver assim solidariamente.

Em resumo: o desafio maior para o Homo sapiens de hoje e do futuro é produzir alimentos (com o conhecimento embasado na nutrição mineral de plantas), sem contaminar o solo e sem depauperar a sua fertilidade e os alimentos produzidos chegarem à mesa de todos.


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Figuras


Figura 1. Estimativa da população mundial desde o início da agricultura até meados do século 21 d.C. (1804*: ano em que atingiu 1 bilhão de habitantes e, sequencialmente, os anos das demais unidades de bilhões de habitantes).



Figura 2. Produção e consumo de cereais (média mundial). FAO (2009)




Figura 3. Tendência global de crescimento populacional, de produtividade de cereais e origem dos nutrientes (Os espaços entre as linhas indicam a contribuição de diferentes fontes de nutrientes para atingir a produtividade dos cereais).


1 Prof. Dr., Colaborador Senior, Universidade de São Paulo, Centro de Energia Nuclear na Agricultura, Divisão de Produtividade Agroindustrial e Alimentos, Laboratório de Nutrição Mineral de Plantas, Av. Centenário, 303 - São Dimas, Piracicaba, SP, Caixa-Postal: 96, CEP: 13400-970. E-mail: a.e.boaretto@cena.usp.br


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