Carlos torres pastorino diplomado em Filosofia e Teologia pelo Col�gio Internacional S. A. M. Zacarias, em Roma � Professor Catedr�tico no Col�gio Militar do Rio de Janeiro e Docente no Col�gio Pedro II do R



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CARLOS TORRES PASTORINO Diplomado em Filosofia e Teologia pelo Col�gio Internacional S. A. M. Zacarias, em Roma � Professor Catedr�tico no Col�gio Militar do Rio de Janeiro e Docente no Col�gio Pedro II do R. de Janeiro SABEDORIA DO EVANGELHO 5..� Volume Publica��o da revista mensa1. SABEDORIA RIO DE JANEIRO, 1964 P�gina 1 de 146 <-----------Page_Break-----------> C. TORRES PASTORINO P�gina 2 de 146 <-----------Page_Break-----------> SABEDORIA DO EVANGELHO OS 72 EMISS�RIOS Luc. 10:1-16 Mat. 11:20-24 1. Depois disso, o Senhor consagrou outros setenta e dois e envi- 20. Come�ou ent�o a inveti- ou-os de dois em dois adiante de si, a todas as cidades e lugares, var as cidades onde se aonde ele estava para ir . manifestaram suas mai- ores for�as, porque n�o 2. E disse-lhes. "A seara, em verdade, � grande, mas os trabalha- modificaram sua mente: dores s�o poucos; rogai, portanto, ao Senhor da seara que envie trabalhadores para sua seara. 21. "Ai d.e ti, Corazin! Ai de ti, Betsa�da! porque 3. Ide, mas aten��o! Eu vos envio como cordeiros no meio de lo- se em Tiro e em Sidon se bos. tivessem manifestado as 4. N�o leveis bolsa, nem alforje nem sand�lias; e a ningu�m sau- for�as que em v�s se deis pelo caminho. manifestaram, de h� 5. Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro. "Paz a muito elas teriam modi- esta casa", ficado sua mente em saco e cinza. 6. e se ali houver algum filho de paz, sobre ele repousar� vossa paz; e se n�o houver, ela tornar� para v�s. 22. Mas digo-vos que no dia da triagem haver� mais 7. Permanecei nessa mesma casa, comendo e bebendo o que vos toler�ncia para Tiro e oferecerem, porque o trabalhador � digno de sua recompensa. Sidon, que para v�s. N�o vos mudeis de casa em casa. 23. E tu, Cafarnaum, acaso 8. Em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei te exaltar�s at� o c�u? o que vos oferecerem, Cair�s at� o hades; por- 9. curai os enfermos que nela houver e dizei: "aproximou-se sobre que se em Sodoma se ti- v�s o reino de Deus"; vessem manifestado as for�as que em ti se ma- 10. mas no cidade em que entrardes e n�o vos receberem, saindo nifestaram, ela teria pelas suas pra�as, dizei: permanecido at� hoje. 11. `at� o p� que da vossa cidade se nos pegou aos p�s, n�s vo-lo 24. Digo-vos, por�m, que no sacudimos; todavia, sabei que o reino de Deus se aproximou'. dia da triagem haver� 12. Digo-vos que, naquele dia, haver� mais toler�ncia para Sodoma mais toler�ncia para a do que para aquela cidade. terra de Sodoma, que para ti". 13. Ai de ti, Corazin! Ai de ti, Betsaida! porque se em Tiro e em Sidon se tivessem manifestado as for�as que se manifestaram em v�s, de h� muito sentadas em saco e cinza teriam modifica- do a mente. 14. No entanto, haver� mais toler�ncia para Tiro e para Sidon no dia da triagem, do que para v�s. 15. E tu, Cafarnaum acaso te exaltar�s at� o c�u? Descer�s at� o hades. 16. Quem vos ouve, me ouve; quem vos rejeita, me rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou". P�gina 3 de 146 <-----------Page_Break-----------> C. TORRES PASTORINO Comecemos o coment�rio por Lucas que nos apresenta um pormenor com exclusividade: a consagra- ��o dos setenta e dois disc�pulos. O verbo anade�knymi usado por Lucas (anade�xen) exprime literalmente "mostrar elevando", ou "mostrar no alto" e, nas escolas inici�ticas expressa a consagra��o da criatura ao grau do sacerd�cio onde se permanece "em evid�ncia" perante o p�blico. H� uma variante s�ria: setenta? ou setenta e dois? Os c�dices B, D, M, R, os min�sculos a, c, e, a Vulgata, as vers�es sir�acas curetoniana e sina�tica, e a arm�nia, trazem setenta e dois. Os c�dices aleph, A, C, L, X, gama, delta, psi, pi, os min�sculos b, �, g, e as vers�es sir�acas g�tica e eti�pica, escrevem setenta. Parece aos hermeneutas que setenta foi uma corre��o, para estabelecer paralelismo com o Antigo Tes- tamento, como o diz expressamente Tertuliano (Patr. Lat. v. 2, c. 418) ao salientar a semelhan�a entre os doze ap�stolos e os setenta disc�pulos, com as doze fontes e as setenta palmeiras de Elim (�x. 15:27 e N�m. 33:9). Realmente o n�mero setenta � frequente, como se v� no caso dos setenta anci�os (Ex. 24:1, 9; N�m.11:16ss; Ez. 8:11) que se transformaram nos setenta membros do Sin�drio (Fl. Josefo, Bell. Jud. 2, 20, 5 e Vita, 14); os setenta reis (Ju�zes, 1:7); os setenta sacerdotes de Baal (Dan. 14:9); os setenta anos normais da vida humana (Salmo 89;10); os setenta siclos de resgate (N�m. 7:13), os setenta c�- bitos de altura do Templo (Ez. 41:12), etc. Infelizmente n�o nos foram conservados os nomes desses disc�pulos da Segunda "leva", embora dentre eles tenham sido propostos os substitutos de Judas (Jos� Barsabbas, o Justo, e Matias). tendo este �lti- mo (At. 1:21-26). Eus�bio (Hist. Eccl 1,12) cita alguns nomes colhidos na tradi��o oral. Jesus os enviou (ap�steilen) para onde? O evangelista n�o o esclarece, embora diga que "iam aonde Jesus estava para ir". N�o se trata, por�m (como em Luc. 9:52) de preparar-Lhe pousada, mas apenas para conquistar novos adeptos. Em vista do epis�dio de Marta e Maria (Mat. 10:38-42) que est� pr�- ximo a este, sup�e Lagrange que estavam nos arredores de Jerusal�m. Foram enviados dois a dois, como ocorrera com os Emiss�rios (Marc. 6:7, vol. 3) e como parece se tornaria praxe da� por diante (cfr. At. 13:2; 15:27, 39, 40; 17:14; 19:22). Jesus demonstra querer apressar-se para que, antes de partir deixe tr�s gera��es de disc�pulos prepara- dos. Ordena-lhes, pois, que orem para que venham muitos outros (cfr. Mt. 9:37, 38) para serem prepa- rados trabalhadores. Evidentemente, nem todos os convidados se mostraram aptos para o servi�o. Dis- so j� se queixara Greg�rio Magno (P. L. v. 76, c. 1139): ecce mundus est sacerdotibus plenus, sed ta- men in messe Dei rarus valde reperitur operator; quia officium quidem sacerdotalem suscipimus, sed opus officii non implemus, isto �: "eis que o mundo est� cheio de sacerdotes, e no entanto, na seara de Deus rar�ssimo � o trabalhador; porque recebemos, na verdade, o encargo sacerdotal, mas n�o cum- primos os deveres do encargo". Da alocu��o preparat�ria, conserva-nos Lucas alguns excertos: s�o eles avisados de que ser�o como cordeiros entre os lobos, j� que n�o dispor�o das mesmas armas que os advers�rios nem poderiam pen- sar em desfor�os nem vingan�as (cfr. Luc. 9:54). As instru��es ministradas � primeira leva dos doze (cfr. Mat. 10:5-16; Marc. 6:7-11 e Luc. 9:1-6; vol. 3) s�o aqui repetidas: nem bolsa, nem dinheiro, nem alforges, nem sand�lias, ou seja, nenhuma preo- cupa��o com o preparo da viagem; confian�a absoluta na Provid�ncia divina; pobreza total e nenhuma perda de tempo para cumprimentar nem para conversar com amigos. Ao entrar na casa para anunciar o reino de Deus, a sauda��o ser� uma emiss�o de fluidos de paz. A express�o aqui � mais completa que em Mat. 10:12 (veja vol. 3). E temos a garantia assegurada de que essa emiss�o atingir� seu objetivo, envolvendo e penetrando os que estiverem aptos a receb�-la. E se acaso ningu�m for digno, o jato emitido voltar� para quem o irradiou. P�gina 4 de 146 <-----------Page_Break-----------> C. TORRES PASTORINO Tamb�m n�o dever�o mudar de casa em casa para n�o desapontar nem magoar seus primeiros hospe- deiros e tamb�m para fixar um centro de sua prega��o, onde possam ser facilmente encontrados, por quem quiser ouvi-los. Na casa em que se fixarem, poder�o aceitar alimentos sem constrangimento )cfr. Mat. 10:10), pois "o oper�rio � digno de seu sal�rio". Observemos que Lucas emprega o termo misth�s (sal�rio) ao passo que Mateus, no trecho que acabamos de citar, emprega trophes (alimento); Paul Vulliaud, "La Cl� Traditionnelle des �vangiles", p�g. 137, sugere que essa diverg�ncia se prende �s palavras m'hiro (seu sal�rio) e m'hiato (seu alimento) que s� diferem em uma letra no hebraico. A id�ia � repetida em outros pontos do Novo Testamento, de que, quem d� o p�o espiritual, pode receber sem escr�pulo o p�o material; no entanto, cremos que isso n�o justifique a "venda" de prega��es e atos religiosos por dinheiro (mesmo que se procure enganar a Deus e a si mesmo, utilizando sin�nimos e eufemismos: "troca" ou "esp�rtula", etc.). Eis outros locais: "n�o amarrar�s a boca do boi quando de- bulha" (Deut. 25:4, citado em 1." Cor. 9:9 e em 1.� Tim. 5:18); "digno � o trabalhador de seu sal�rio" (1.� Tim. 5:18); "Ser� que n�o temos o direito de comer e beber"? (1.� Cor. 9:4); e mais adiante: "O Senhor ordenou aos que pregam o Evangelho, que vivam do Evangelho" (1.� Cor. 9: 14). Esse princ�pio vale n�o apenas para a casa que o hospeda, mas para toda a cidade. E para que tamb�m se d� al�m do p�o do Esp�rito, a predisposi��o para ele, o Emiss�rio ter� o poder de curar os enfermos, como faziam os terapeutas ess�nios. Aqui, por�m, n�o s�o citados o poder de ressuscitar os mortos", nem a proibi��o de pregar fora de Israel (esta �ltima, ali�s, tamb�m n�o enumerada por Lucas no cap, 9). Entretanto, onde n�o fosse encontrada receptividade, se retirassem sem m�goa, mas tamb�m sem levar coisa alguma da cidade, nem mesmo a poeira na sola das sand�lias. N�o obstante a mensagem devia ser entregue, de que o reino de Deus se aproximou deles. A culpa da rejei��o � grave. E, em estilo oriental, s�o trazidas � medita��o compara��es vivas e cho- cantes entre cidades: Corazin e Betsaida opostas a Tiro e Sidon, e Cafarnaum oposta a Sodoma. Corazin, cidade da Galil�ia, na ponta norte do Lago de Tiber�ades, um pouco a leste de Cafarnaum. � identificada com as ru�nas de Khisbet Ker�zeh, a 4 km ao norte de Tell Houm. Betsaida, hoje El-Aradj, a 2 km a leste de onde Jo�o se lan�a no Lago Tiber�ades e na margem deste. � a Betsaida-J�lias, de Felipe, constru�da em homenagem � filha de Augusto (cfr. vol. 1 e vol. 3). Tiro, hoje Sour, cidade da Fen�cia, no litoral mediterr�neo. Sidon, hoje Saida, capital desse pa�s, 18 km ao norte de Tiro, tamb�m porto do Mediterr�neo (cfr. Mat. 15:21 e Marc. 7:24; vol 4). Cafarnaum "cidade de Jesus" (vol. 2, ver tamb�m vol. 1 e vol. 2), situada na Galil�ia, a 60 km ao norte de Jerusal�m. Sodoma, antiga cidade, celebre por sua destrui��o pelo fogo, na �poca de Abra�o e sempre citada como exemplo (cfr. G�n 10:19; 13:10, 12,13; 14:2, 8, 10, 11, 17, 21; 18:16, 20, 22, 26; 19:1, 24, 28; Deut. 19:23; 32:32; Is. 1:9, 10; 3:9; 13:19; Jer. 23:14; 49:18; 50:40; Thre 4:6; Ez. 16:46, 48, 49, 53, 55, 56; Sof. 2:9; Am�s, 4:11; Mat. 10:15; 11:23, 24; Luc. 10:12; 17:29; Rom. 9:29; 2.� Pe. 2:6; Jud. 7 e Apoc. 11:8). As oposi��es s�o feitas no estilo figurado, da suposi��o do que teria sucedido se uma causa tivesse sido interposta, e lan�ado o resultado no futuro, "no dia da triagem". J� vimos que "triagem" � o senti- do certo da palavra kr�sis, geralmente traduzida por "julgamento" ou "ju�zo" (cfr. vol. 2 e vol. 3). Se tudo o que foi feito em Corazin e Betsaida, deixando-as surdas e empedernidas, tivesse sido realizado em Tiro e Sidon - cidades "pag�s" � estas teriam radicalmente modificado sua mente (metan��sen). Porque em Corazin e Betsaida, como em Cafarnaum, Jesus "manifestara ("fizera nascer" eg�nonto) as suas maiores for�as" (kai ple�stai dyn�meis aut�u). Cafarnaum, ent�o, poderia Ter sido "exaltada at� o c�u", em virtude de nela Ter residido por tr�s anos o Mestre; mas por t�-lo rejeitado, cairia at� o "ha- des": ao recusar a luz, escolhera as trevas. Trata-se evidentemente de compara��es "por absurdo", pois se refletissem a realidade, sem d�vida o Cristo teria pregado naquelas cidades, e n�o nestas. Anotemos, P�gina 5 de 146 <-----------Page_Break-----------> C. TORRES PASTORINO por�m, que em nenhum ponto do Novo Testamento se fala da prega��o de Jesus em Corazin; deduzi- mos, da� quanto as narrativas s�o resumidas a respeito da a��o de Jesus no planeta (cfr. Jo�o 21:25). Aos setenta e dois, tanto quanto fizera aos doze, � atribu�da delega��o plena, no mesmo p� de igualda- de: todos s�o Emiss�rios ("ap�stolos") que representam Jesus como embaixadores plenipotenci�rios: "quem vos ouve � como se a mim mesmo ouvira; quem vos rejeita, a mim mesmo rejeita; e quem me ouve ou rejeita, est� ouvindo ou rejeitando o Cristo, uno com o Pai, que impulsionou ou "enviou" o Filho. E esta verdade vale ate hoje, para os que receberam a tarefa da prega��o falada ou escrita. A express�o "sentadas em saco e cinza" � tipicamente b�blica: v'schaq va-epher iatsiah, (Isaias 58:5). Esta li��o � preciosa, porque nos revela o plano executado por Jesus, quando de sua estada na Terra. Em primeiro lugar, convoca doze elementos e lhes d� um curso intensivo de inicia��o, revelando-lhes os "segredos do reino". Aptos a passar adiante os ensinos, s�o eles enviados dois a dois. Cada dupla consegue (naturalmente por indica��o de Jesus), exatamente mais doze elementos, sobre os quais. possivelmente, exercessem dire��o. Seis vezes doze, formaram, ent�o, os setenta e dois disc�pulos con- vocados, que se aproximaram do Mestre para ouvir-Lhe os ensinos e serem, por sua vez, iniciados nos "mist�rios do reino". Da� a necessidade que Pedro sentiu (At. 1:21) de designar um substituto para Judas, a fim de chefiar o grupo dos doze que ficara ac�falo e poder, dessa forma, prosseguir no tra- balho silencioso. Agora, novamente, Jesus envia os setenta e dois, em duplas. S�o, por conseguinte, trinta e seis grupos, cada um dos quais convocar� doze novos iniciados, perfazendo, portanto, o total de 432 disc�pulos, que estariam espiritualmente aptos a divulgar o ensino inici�tico do Mestre. Cremos que esta nova teoria n�o poder� ser tachada de imagina��o nossa, j� que, na 1.� Cor (15:5-6), Paulo relata que os "disc�pulos" englobavam exatamente os setenta e dois MAIS os quatrocentos e trinta e dois (que so- mam 504), quando diz: "Apareceu (Jesus) a Cefas, e depois aos doze: depois apareceu a mais de qui- nhentos irm�os de uma vez". Ora, "irm�os" (adelpho�) era o termo t�cnico para designar os compa- nheiros de inicia��o. Portanto, quando Jesus desencarnou, deixou, ao todo, 516 disc�pulos j� inicia- dos e pronto para o trabalho da divulga��o de Sua doutrina, garantindo, assim, a continuidade do ensino. Estivesse, pois, a humanidade preparada, e dentro de poucos anos mais a Terra se teria podi- do transformar pois no 12.� envio dessas duplas (dois j� haviam sido feitos), ter�amos 4.353.564.672 "irm�os", ou seja, a popula��o toda do planeta! Mas a humanidade se encontrava (e se encontra ain- da!) muito retardada no caminho evolutivo. Aguardemos com paci�ncia, at� que a Lei se cumpra. Essa maneira de agir explica-nos por que Jesus escolheu pequena aldeia desconhecida e se manifes- tou a homens socialmente sem posi��o destacada, pois j� eram humildes por sua pr�pria condi��o. E por isso o cristianismo se difundiu entre o povo pequeno, mais apto a receber a li��o e a transmiti-la. N�o eram as grandes prega��es nos centros populosos e cosmopolitas, que visassem a uma impress�o e a um aplauso externo, mas facilmente sufoc�veis pela bacanal do "mundo". Jamais interessou ao Mestre, que SABIA como agir, a aprova��o exterior da personagem transit�ria: Ele queria a trans- forma��o �ntima e profunda, a CRISTIFICA��O REAL. E por isso tem sempre falhado os grandes pregadores de multid�es, e t�m obtido �xito os Mestres escondidos e silenciosos, quase an�nimos das grutas da �ndia ... Todas as vezes que o culto se propaga horizontalmente entre milhares de crentes, crescendo em n�mero, com pompas e rumores e trombetas, observamos que se trata de um movimento de superf�cie que encrespa as �guas, mas n�o as revolve, que entusiasma, mas n�o dura. Frutos s� poder�o ser colhidos, quando o trabalho � realizado verticalmente, na profundidade do ser. Da� a decep��o de tantos pregadores c�lebres, que falam a milhares de criaturas entusiasmadas e dispostas a sacrif�cios "naquela hora", mas que n�o chegam a transformar nenhuma: as sementes lan�adas se esriolam ao sol, ou s�o comidas pelas aves do c�u, ou sufocadas pelas ervas daninhas (cfr. vol. 3). Que os setenta e dois foram iniciados mostra-nos o verbo anade�knymi: "elevar, mostrar no alto", e portanto, "consagrar como sacerdote". As instru��es, iguais �s do primeiro lote de doze, revelam que estavam no mesmo grau, tanto que lhes foi confiada tarefa igual. Os requisitos foram os mesmos para os dois grupos. O termo "enviou" P�gina 6 de 146 <-----------Page_Break-----------> C. TORRES PASTORINO (ap�stelen) � o mesmo. Por que s� d�o aos primeiros o t�tulo de "ap�stolos"? Todos os oitenta e qua- tro o foram, leg�tima e oficialmente consagrados por Jesus. A Tradi��o n�o os reconheceu? Observe- mos um fato: o mais antigo documento da tradi��o escrita, a DIDACH�, em seu cap. 11, vers. 3 a 6. diz: "enquanto aos ap�stolos e profetas, agi conforme a doutrina do Evangelho. Ora, qualquer ap�s- tolo que chegue a v�s, recebei-o como (vindo) do Senhor. No entanto, n�o permanecer� mais que um dia s�. Se houver necessidade, mais um dia. Mas se ficar tr�s dias, � falso profeta. Ao sair o ap�stolo, nada leve consigo, a n�o ser p�o, at� a nova hospedagem. Se pedir dinheiro, � falso profeta". Racioci- nemos. Se houvesse apenas os doze, a comunidade crist� os conheceria imediatamente, e saberia quais eram os verdadeiros ap�stolos. Como, entretanto, eram mais de quinhentos, f�cil seria que al- gum aventureiro se apresentasse como sendo "ap�stolo", n�o no sendo. No vers. 9, de Lucas, traduzimos o verbo �ggiken (perfeito de egg�z�) por "aproximou-se", e n�o como nas tradu��es correntes: "est� pr�ximo"; e tamb�m eph'hum�n, traduzimos por "sobre v�s", literalmente. Pode parecer algo duro", no portugu�s, mas exprime a id�ia original: o reino dos c�us, que � a realiza��o interna, no cora��o j� fez sua aproxima��o, chegando do Alto, das vibra��es mais elevadas, para atrair a si o Esp�rito, convidando-o a corresponder ao chamado e unificar-se com o Amado. Para apenas acenar ao sentido dos termos usados: Corazin significa "o Segredo" e Betsaida, "Casa dos Frutos". Realmente elas revelam a chave usada pelo Mestre: buscar os frutos em segredo, pela inicia��o INTERNA. E lamenta-se: quem sabe se n�o obteria maior �xito se o tivesse feito em Tiro, ou "for�a" ou em Sidon, a "ca�ada" (vol. 4), ou seja, se lan�asse � humanidade uma "cacada � for�a"? Quem sabe se ao inv�s de "Casa do Consolador" (Cafarnaum) se agisse na "aridez" (Sodoma), isto �, com dureza, os resultados teriam sido melhores? Depois do desabafo, vem a confirma��o de que os setenta e dois estavam no grau do sacerd�cio, ca- pazes de passar adiante a inicia��o: � a alus�o ao logos ako�s, � "palavra ouvida": quem vos ouve, me ouve, e quem me ouve, ouve meu o Pai". A linha da tradi��o (par�dosis) inici�tica divina prosse- gue na Humanidade. O essencial � que a "palavra ouvida" seja realmente o Logos DIVINO, e n�o o logos dos homens. Quando o ensino (logos) � verdadeiro e testificado pelo CRISTO, sua rejei��o apresenta consequ�ncias graves: o afastamento da vibra��o divina, que � repelida, e a queda nas ilu- s�es de falsas e vazias teorias humanas, que a nada conduzem, que nada constr�em, que levam � per- di��o. COINCID�NCIAS H� certas coincid�ncias em nossos vidas que nos causam impress�o. Eis alguns exemplos, cuja desco- berta nos alegrou: 1) Nos coment�rios evang�licos ("Sabedoria do Evangelho") adotamos o princ�pio (vol. 1) de escre- ver com E (mai�sculo) a palavra Esp�rito, quando nos refer�amos � Individualidade; e com "e" (min�sculo), esp�rito, quando quis�ssemos designar a personagem, a psych�. Ora, no ano passado (1967) chegou a nossas m�os o volume "The Hidden Wisdom in the Holy Bible", da autoria de Geofrey Hodson (The Theosophical Publishing House, Adyar, Madras 20, �ndia, 1963). Lemos a�, na p�g. 58, nota I: "Throughout this work, in order to reduce ambiguity concerning the meaning of this term to a minimum, a capital initial is used when the unfolding, immortal, spiritual principle of man is meant, e. g. Spiritual Soul. The term "Ego" is also used to denote this centre of the sense of individuality in man. A small "s" is used when the psyche, the mental and emotional aspects of the mortal personality, are referred, - e. g. soul". A �nica diferen�a � que, na personalidade, deno- minar�amos aspecto "Intelectual", e n�o "mental". 2) Outro ponto de coincid�ncia ocorre quando consideramos em nossos coment�rios, como s�mbolo da individualidade no homem (do homem-futuro) a figura de Jesus, ou seja, quando os evangelistas atribuem esta ou aquela a��o a Jesus, e quando Jesus age deste ou daquele modo, isso representa em n�s o que deve fazer a individualidade, o Eu Profundo (vol. 1). Lemos em Hodson: "Jesus Christ Who personifies God's Spirit and presence within man" (p�g. 63). P�gina 7 de 146 <-----------Page_Break-----------> C. TORRES PASTORINO 3) Quando dissemos que as pessoas citadas historicamente nas Escrituras representavam, al�m de seu papel hist�rico, a caracteriza��o de uma qualidade ou defeito humano, ou um ve�culo, um plano de consci�ncia (vol. 1). Na obra citada, lemos: "The second key is that each of the persons introduced into the stories represents a condition of consciousness and a quality of character. All actors are personifications of human nature, of attributes, principles, powers, faculties, limitations, weaknes- ses and errors of man" (p�g. 63). 4) Afirmamos ainda (vol. 3) que at� mesmo a hist�ria do povo hebreu, como outras, representavam os passos da evolu��o do Esp�rito. Eis o que diz o autor na p�gina 90: "The third key is that each stary is thus regarded as a graphic description of the human soul as it passes through the various phases of its evolutionary Journey to the romised Land, or Cosmic Consciousness � the goal and summit of human attainment". 5) Quando comentamos o caso da "Samaritana", salientamos (vol. 2) a incongru�ncia do pedido de Jesus: "Chama teu marido", esclarecendo que isso alertava para um sentido mais profundo. Cite- mos Hudson (p�gina 93): "incongruities are clues to deeper meanings", o que � explicado longa- mente nas p�ginas seguintes. 6) Dissemos que os fatos narrados nas Escrituras se realizaram mesmo (vol. 1) e o simbolismo deles � extra�do por quem o consiga. Mas o simbolismo n�o invalida a realiza��o dos fatos, como preten- dem alguns ocultistas. Escreve Hodson (p�g. 208): "Thus whilst the historicity of Bible is not con- tested, the idea is advanced that the related incidents have both a temporal, historical significance AND a timeless meaning, universal and human". Em numerosos outros pontos a obra de Hodson concorda com a nossa "Sabedoria do Evangelho", em- bora divirja em muitos outros. Dissemos, no in�cio, que esse fato muito nos alegrou. Com efeito, veri- ficamos que as mesmas id�ias foram captadas por v�rias criaturas, em continentes diferentes e long�n- quos; e n�o sabemos se ter�o aparecido as mesmas id�ias em outros lugares, pois assim como essa obra levou quatro anos a chegar a nossas m�os, outras podem ter sido divulgadas sem que as conhe�amos. Alegra-nos o fato, pois segundo Allan Kardec, quando as mensagens s�o recebidas por diversas pesso- as, em lugares diferentes, isso constitui uma prova de sua autenticidade. E uma confirma��o indireta do que escrevemos, conforta-nos o esp�rito, porque nos demonstra que estamos sendo fi�is pelo menos nesses pontos, :n�o traindo o pensamento emitido do Alto. P�gina 8 de 146 <-----------Page_Break-----------> SABEDORIA DO EVANGELHO O SAMARITANO Luc. 10:25-37 25. E ent�o levantou-se certo doutor (da lei), tentando-o e dizendo: "Mestre, que farei para herdar a vida imanente?" 26. Ele disse-lhe: "Na lei, que est� escrito? Como l�s? 27. Respondendo-lhe, disse; "Amar�s o Senhor teu Deus de todo o teu cora��o, de toda a tua alma, de toda as tuas for�as, e de todo o teu intelecto, e a teu pr�ximo como a ti mesmo". 28. E disse-lhe (Jesus): "Respondeste corretamente; faze isso e viver�s". 29. Mas, querendo justificar-se, ele disse a Jesus "E quem � meu pr�ximo"? 30. Replicando, disse Jesus: "Certo homem descia de Jerusal�m a Jeric� e caiu entre la- dr�es que, tendo-o n�o s� despido como batido at� cheg�-lo, foram embora deixando- o meio-morto. 31. Por coincid�ncia, descia por aquele caminho um sacerdote e, vendo-o, passou ao lar- go. 32. Igualmente um levita, vindo a esse lugar e vendo-o, passou ao largo. 33. Certo samaritano, por�m, viajando, chegou junto dele e, vendo-o, teve compaix�o. 34. E aproximando-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando sobre elas azeite e vinho; e colocando-o sobre seu jumento, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele. 35. E no dia seguinte, tirando dois den�rios, deu-os ao hospedeiro, e disse "Cuida dele, e o que quer que gastes a mais, eu te pagarei no meu regresso". 36. Qual destes tr�s te parece ter-se tornado o pr�ximo do que caiu entre ladr�es? 37. Respondeu-lhe: "O que teve miseric�rdia para com ele". Disse-lhe Jesus: "Vai tam- b�m tu fazer do mesmo modo". A li��o � de extraordin�ria beleza em sua simplicidade. Como tantas outras vezes, o doutor da lei (no- mik�s) quer "tent�-lo" (ekpeir�z�n). Sua pergunta, que visa a entabolar uma discuss�o, � semelhante �s apresentadas por Mat. 22:34-40 e Marc. 12:28-34. Mas as circunst�ncias e a resposta variam de forma a mostrar-nos que se trata de epis�dios diferentes. O sistema de fazer perguntas para embara�ar o in- terlocutor era habitual entre os doutores da lei e os escribas (grammateus) que, em se aproveitando de seu profundo conhecimento da Torah e dos coment�rios do Talmud e da Mishna, com facilidade con- fundiam os outros, firmando ent�o seu conceito de s�bios perante o p�blico. Para ganhar terreno, logo de in�cio, Jesus inverte os pap�is e responde com nova pergunta, exatamente dentro do campo que, para o doutor, era o mais f�cil: o da Torah: "Que diz a Torah"? Mas, a fim de evitar longas cita��es, limita o que deseja como resposta: "como l�s", isto �, como a entendes em suas palavras escritas? A resposta � pronta e clara. tirada do Deut. 6:5 (que resume Deut. 6:4-9 e 11:13-21, bem como N�m. 15:37-4l) e que duas vezes por dia os israelitas repetiam no in�cio do sema (ora��o). A segunda parte � extra�da de Lev. 19:18, n�o fazendo parte do sema. Mais tarde (Mat. 22:40) Jesus dir� que "nestes dois preceitos est�o resumidos toda a lei e os profetas". P�gina 9 de 146 <-----------Page_Break----------->
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