Carta 389 Estado/Cidade



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Carta 446



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 12 de julho de 1854 / seção: A pedido

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

Senhor Redactor. – Tenho ouvido dizer | que é prohibida a sahida de escravos de- | pois do toque de recolher, sem uma se- | nha de seu senhor, que lhe serve de pas- | saporte. || É louvavel semilhante disposição, que | previne os desmandos dos escravos que | deixão a casa, para fazer aventuras noc- | turnas. Mas vejo que as patrulhas ob- | servão a ordem de recolher á prisão os | que não apresentarem o salvo conducto, | quando para isso estão dispostos. || Sirva isto de avizo ao Senhor delegado de | policia, em quem o povo começa á ter | confiança, por ver os esforços que faz, | para bem cumprir suas obrigações. || Faço este reclamo para que fique por | uma vez estabelecido – que o escravo | que sahir depois do recolher sem escripto | de seu senhor, vai passar a noite fóru, | isto é, dentro da cadea. || Cumpre cortar este abuso das patru- | lhas que não são poder moderador. || Veja-se a consequencia de vir os abu- | sos de cima: elle chega até a ultima es-| cala, que tambem se julga com faculdade | de dispensar pa lei. || É preciso, Senhor Redactor, que o Corre- | io va prestando estes serviços ao interes-| se publico. || Eu me proponho á ir fazendo estes e | outros lembretes, em quanto elles forem | recebidos gratis, pois não escrevo por | gloria, e sim por ser. || Ratão.




Carta 447



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 13 de julho de 1854 / seção: Correspondencias

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

Senhores Redactores. – Em que paiz vive- | mos nós? Por ventura não temos nós | direito a hygiene publica, para se tolerar | o passeio dos lazaros pelas praças mais | publicas da cidade, como hontem se vio | nos quatro cantos? || Pelo interior é muito comezinho en- | contrar-se frequentemente esses infortu- | nados a pedir o seu obolo; mas nós não | estamos na roça, onde a auctoridade está | administrando justiça plantando feijão e | colhendo café? As autoridades estão | aqui as nossas barbas, e as barbas d’ellas | se admittem estas e outras coisas. || Acuda-nos Senhores Redactores, a nossa | saude honra e vida estão em perigo: não | é possivel que continue o escandalo. || Por ventura estamos tambem concilia- | dos com os lazaros? || O hygienico




Carta 448



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 22 de julho de 1854 / seção: A pedido

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

Senhor Redactor. – Não se póde ser auto- | ridade hoje em dia! Qualquer parvo | se julga apto para discutir todas as suas | medidas, embora avance proposições que, | proferidas na academia illustrada de São | Paulo, faria cahir por terra os bancos das | aulas. É o que acontece com o corres- | pondente que hontem estigmatisou a or- | dem do Senhor Cantinho, tendente a prohi- | bir o uso de assignalamentos na platéia. || Não merecia resposta o bolonio: tal- | vez não a entenda. || Todavia por distracção deixe-me gastar | um canto de sua folha. || O direito costumeiro dos lenços é in- | conveniente; já se demonstrou isto em | correspondencia passada. É por isso que | o Senhor Cantinho prohibio. Mas, o tal | anasphalto da correspondencia, vitupéra o | delegado por não mencionar no edital a | razão em que elle se estriba. Ora, meu | pedaço d’asno, nenhuma auctoridade, | quando lavra uma ordem, tem obrigação | de dizer o motivo por que faz: ella não | está argumentando, meu caro; se há | abuso, a auctoridade superior corrige. Es- | taes pois muito atrazado, ponde-vos na | pira meu ignorantão. || Seria bonito que todas as disposições e | ordens fossem precedidas de seu funda- | mento. Onde iria parar a lei. De que | tamanho ficaria? Esta theoria é nova. Hade ser remettida á academia pura ser | registada no livro das vaias. || Dizeis ainda, meu jurisconsulto de ta- | rimba, que o delegado não podia derro- | gar um uso, e invocastes o chavão, que | citasteis de orelha – que o uso faz lei. Para que vos metteis á tralhão, meu ra- | bula quadrado? Já que fallasteis em | uso fazendo lei, pergunto-vos, com que | condição o uso faz lei? Não sabeis, caro jogodes, venha a palmatoria. Olhai. | Ha uma coisa, que se chama de 18 de | agosto de 1769 (vós não sabeis disto; | pois eu vos conto) a tal lei da boa razão, | diz que o uso deve ter cem annos para ter| força de lei. Porque não pescasteis isto | ahi com algum moço do 3.o anno? Isso | evitaria que viesseis tocar rabeca com ar- | co de taquara. || Pensasteis então que impunemente se | vai citando estas coisas, assim como se | decora a taboada? || Já vedes que vos espichasteis. Não | entendeis destas coisas, ouvisteis fallar | em uso que faz lei, e encaxasteis o axio- | ma juridico á martelo. || Não é bom ser mettido, meu bolonio; | bem diz o Genuense que – fallar em ma- | teria que se não entende, é causa de erro. || Ora bem; tomai esta lição, e não con- | tinueis a pedantizar em materia em que | não petiscaes. Seria bonito que as leis, | editaes, ordens, fossem sempre acompa- | nhadas de argumentações, para justifica- | las; seria ainda melhor que qualquer | costume, ainda o barbaro, e exotico, re- | pugnante com as circumstancias da loca- | lidade, fosse erigido em lei, sem mais nem | menos. Isto tudo é um direito adminis- | trativo novo, meu bolonio. || Ora ide plantar batatas. Se reincidir- | des chamo-vos á palmatoria. || Está fresco! Hoje qualquer barbeiro | falla em jurisprudencia, só porque ouvio | fallar em uso e costumes, em lei, e racio- | nal. || Ande, vai para escola orelhudo. || O amigo da policia.


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