Carta 389 Estado/Cidade



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Carta 449



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 20 de setembro de 1854 / seção: A pedido

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

A PRESA CAHIO NAS GARRAS DO TIGRE. || Domingo passado, que se contaram 15 | dias do corrente mez de outubro, todos | nós presenciámos que fez grande ventania | pela volta do meio dia. Possuia eu um | galo, que sahio á rua por aquella mesma | hora, e o vento o fez arribar a uma loja | de ferragem da rua do Commercio; – o lo- | gista logo que viu a presa nos seus do- | minios lançou-lhe as garras e entregou a | pobre ave a um moleque, indicando – ao | mesmo tempo a sua moradia – e descon- | fiando que o moleque se poderia enganar | com a casa partio atraz do mesmo. Eu | que presenciava o facto, dirigi-me então á loja | – reclamando a minha propriedade e | o caixeiro da loja respondeu-me que não | poderia entregar-me sem ordem de seu | amo. || Tem já decorrido dias depois do facto, | porém, babào Senhor Doutor, o pobre galo a | esta hora está na salmoura na secreta do tal | logista || Tenham pois as quitandeiras muita | cautella com as suas aves; sobre tudo não | as deixem passeiar em dias ventosos. || O Logrado




Carta 450



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 29de julho de 1857 / seção: A pedido

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

OS CARROS EM SÃO FRANCISCO || Custa a crer, mas é certo que na | pequena distancia de 10 passos do | principal estabelecimento scientifico | desta cidade, da Faculdade de Direito, | onde a mocidade vai beber instrucção | onde deve reinar o maior silencio, e | se deve evitar a menór distracção | dos alumnos para poderem ouvir e | comprehender as prelecções de seus | Lentes, prestando a mais apurada | attenção, se reunão aos sabbados no | mesmo pateo de São Francisco todos os | carros que condusem madeiras para | serem vendidas na cidade, e que | se faça em um lugar, como aquelle | tao improprio – praça de mercado | deste genero, de maneira que esta | o Lente em sua cadeira, e mal póde | ser percebido, porque á sua vóz sobre | sahe – o terrivel chiado de taes car- | ros! || Si em São Paulo não houvesse ou- | tro lugar para esta especie de com- | mercio, teriao os carreiros alguma | razao, mormente aquelles que tra- | zem suas madeiras de Santo Amaro, | merecerião desculpa as autoridades | publicas em consentir neste deposi- | to, mas havendo como ha tantos lar- | gos, que não tem os mesmos incon- | venientes porque não intervem nes- | te abuso a policia, ou a camara ? || Existe o campo dos Curros que é lar- | go, e o mais espaçoso, ahi se deverião | reunir todos os carros de madeiras, e | quem as quizesse comprar em vez de | dirigir se a SãoFrancisco com mais | meia duzia de passos indo aos Curros, | poderia compral-as a seu gosto: E’ to | do coberto de uma relva ou gramado, | os laboriosos bois pódem pastar em | quanto não apparece um comprador | que os alivie do pezo; o pateo de São| Francisco é lugar improprio porque o | pateo é estreito, não offerece espaço | necessario para este deposito de carros, | chega mesmo a estorvar o transito pu | blico; e é aos sabbados q’ ha o exerci- | cio das sabbatinas: o Lentes q’ tem de | explicar uma materia procura silen- | cio para melhor enunciar suas ideias, | o discipulo que tem de attendel-o | precisa silencio para melhor compre- | hender as explicações. – Passem pois | quanto antes os carros para os Curros. || O Censor




Carta 451



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 30 de dezembro de 1857 / seção: Correspondencia

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

RARIDADE || Erão hoje 5 horas da tarde, quando, | estando eu em minha casa, chegou | um homem, que parecia marinhei- | ro, de cara sinistra, tez morena, quei- | xo perpendicularmente longo, com | voz rouca e cavernoza, soltando bafo- | radas asquerozas, arreganhando seus | dentes semelhantes ao de um  cão | de fila, dizendo-me leia lá isso, ouvio? | atirando-me com um papel impres- | so, e retirando-se cambaleando. Pas- | sado este primeiro momento de sur- | preza, apanhei o papel, e vi ser | a Lei, periodico impresso hoje mes- | mo, no qual deparei com um art- | tigo, assignado, por  João Gomes dos | Santos, e em que dizendo algumas | cousas a meu respeito, respondo, que | os juizes da provedoria, antecessores | do Senhor Doutor Getulio, nunca descerão, | a ponto de prestarem attençao à re- | presentação d’aquelle assignatario, | destituida de formalidades essencias, | de razões, ou pravos ettendiveis, asse- | verando ao mesmo Senhor Doutor, que o | escrivão da provedoria, sincero e inof- | fensivo com é, não costumando a fa- | zer parte, nas miseraveis intrigas, q’ | desde certo tempo para cá se desem- | volvem no fôro desta capital, ás quaes | se prestão pessoas, que ás mesmas se | devião tornar sobranceiras, tem sua | reputação firmada na opinião publica, | e no conceito de todos os juizes, com | quem elle tem servido, não entrando | talvez neste numero o dito Senhor Doutor,| por que não ha regra sem execpção; | notando aqui de passagem, que o es- | crivão da provedoria, tem direito á | minha gratidão, pois sendo elle brazi- | leiro nato, auxilia-me nos meios de | minha subsistencia e da de minha fa- | milia, ao mesmo tempo, q’ de mãos | dadas com alguem, d’elles procura privar-me um homem de senti- | mentos miseraveis, á pouco naturali- | sado no paiz, onde nada tem que o | prenda, e que diz ser meu patricio; | mas o que Deos não permitta – Vade | retro ! Porém querem formar uma | idéa (se bem que mui distante) de quem | é esse  João Gomes dos Santos, | hoje procurador, nesta capital? aquel- | le q’ está endeosando ao Senhor Doutor Ger- | tulio, que diz mal de mim, e do es- | crivão da provedoria? E’ um sugei- | to, que na cidade de Santos (onde é | bem conhecido pelo nome de João | Guerra,) como procurador de An- | tonio da Cunha Guimarães, cobrou | certa quantia, ficou-se com ella, não | a satisfazendo a seu constituinte, a | quem por fim de contas passou uma | clareza, declarando n’ella do q’ pro- | veio essa divida, cuja obrigação, com | procuração bastante, me veio dirigi- | da d’aquella cidade, achando-se pre- | sentemente uma e outra cousa em | poder do Senhor Vianna, morador na | rua Casinhas: é elle, que dizendo ser | natural de Portugal, (o que duvido | e muita gente, porque parece gallego) | intumesse as bochecha, com o pala- | vrão de – estrangeiro – por ter-se á | pouco segundo dizem, naturalisado | brasileiro: Oh, q’ bom cidadão adqui- | rio o Brasil !) não se querendo lem- | brar, de que é mesmo na qualidade | de estrangeiro, que foi repellido do | fôro de Itú, onde consta andára acor- | rentado, ignorando ao certo o por | que: é aquelle mesmo que, segundo | se diz, em sua cara, por pessoa mui- | to circunspecta, foi chamado a bas- | tante tempo, em lugar muito pu- | blico de ladrão, ladrão, e reladrão, | tendo-se conservado té o presente, a | esse respeito, em muito silencio ! || Aqui fico por ora (se assim qui- | zerem) dando no em tanto os para- | bem ao Senhor Doutor Getulio, pelos elo- | gios, (se os acceitar) que lhe tece | aquelle homem, declarando porém, | que muito me glorio, em têl-o por | meu inimigo, rogando ao mesmo | tempo a Sua Senhoria, q’ quando es- | tiver com a vara de juiz municipa,| não sedeixe insuflar por algum baju- | lador, que o procure fazer persegui- | dor do escrivão da provedoria, o qual | não tem parte neste artigo, porque | me responsabilizo. || São Paulo 23 de novembro de 1857. || Antonio José Mauricio Pereira


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