Carta 389 Estado/Cidade



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Carta 460



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 01 de janeiro de 1865 / seção: A pedido

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

QUERO MAIS "CORREIOS" || Senhor redactor. – Findou-se hontem o bixesto de 1864. || Segundo os annuncios que você fez no seu jornal a | cousa não correu lá muito agradavel. || Quebras, guerras, chuvas de pedra e outras polemi- | cas tudo incommodou os nossos cidadãos. || A mim, graças a São Benedicto, de que Sou irmão, não | me chegou mal. Só tive augmentos; e senão veja; || A minha Eva deu à luz um pequeno, que se chama | Juca, e já tem dous dentes. || As galinhas pozeram ovos como nunca se vio. || Nasceu-me um bezerro e as cabras pariram todo o |anno que foi o diabo. || Para mais fortuna já não bebo pinga, no que faço | muita economia. || Plantei o quintal de capim, com que se sustenta a | familia, e ainda o burro do meu sogro anda gordo a mi- | nha custa. || O meu filho Manoel, vulgo o Manduca, está fino co- | mo um doutor. Já soletra a carta de nomes que dá gostos. || A senhora vive gorda, que é um louvar a Deos. || A mim, não me falta saude e estou pansudo como | o maior bumbo. || Nos meus negocios todos andei a quatro pés; fui mais | feliz do que uma besta, segundo diz minha mulher. || De forma que, pelo que lhe digo, fique você sciente | que nada me falta e tenho mais do que preciso. || Nas horas vagas leio o seu Correio Paulistano que | traz sempre bem boas pêtas, e depois embrulho queijo | no papel. || Agora, como o tal anno acabou-se, a mulher disse-me | que escrevesse ao homem das folhas para tornar a ser | assignante. || Eu não queria mais saber de historias; mas emfim | mande você outra vez o papelucho, e ahi vai o cobre | para 6 mezes. || Ponha este anno cousas bem engraçadas; quero-me | rir a custa dos tolos; senão dou com o jornal nas ven- | tas do folheiro e leva tudo o diabo. || Por oras, adeos e sou || O Seu freguez das folhas || Mendo Paes


Carta 461



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 31 de janeiro de 1865 / seção: A pedido

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

Senhores Bachareis – Homens da Sciencia. || As armas; é chegada a occasião de prestares serviços | ao paiz: a patria está ameaçada e reclama o concurso | de todos seus filhos. || Aceitai o convite do homem do povo, e organizae o | vosso batalhão de voluntarios bachareis: animai o po- | vo com o exemplo de vossas pessoas e não com a pa- | lavra. || Ha 15 annos a esta parte que collocaste-vos em todos | os empregos publicos e em todas as posições officiaes, | uzofruistes as honras e os proveitos. || Ha 15 annos atraz em todas as provincias do impe- | rio, havia credito e animação. Hoje em todas as pro- | vincias ha atraso e miseria!... || Ha 15 annos a esta parte principiou a desmoronar- | se o grande edificio levantado pelos Paula Souzas, | Evaristos, Feijós, Alvarez Machados e tantos outros il- | lustres varões. || Hoje gastamos mais do que vendemos, nossa venda | é menor que a despesa e estamos a braços com duas | republicas; uma pobre em homens e recursos e outra | pobre de recursos, porém rica em homens. || Bachareis, bachareis; senhores homens da sciencia, | ás armas, hide aos campos paraguayos buscar glorias, e depois voltai ao vosso pais a plantar a illustração pe- | la penna e pela palavra. || Outro homem do povo.




Carta 462



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 28 de março de 1865 / seção: A pedido

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

Minha mãe, hoje 25 do corrente de 1865. – Cidade de | São Paulo. – Corpo de Voluntarios da Patria. || Oh! que satisfação para mim em saber que estas | miseraveis lettras vão achar a vossa mercê. com feliz saude em | companhia de toda nossa familia; vou por meio d’esta | pedir-lhe sua benção, e participar-lhe os successos de | minha vida, hoje 25 de março, para mim um dia festi- | vo, foi hoje que vi sahir o batalhão dos voluntarios da | patria, acompanhado pela musica voluntaria; ia então | adiante do batalhão o commandante do corpo volunta- | rio commandando todo aquelle exercito no largo do pa- | ço ao encontro do presidente. Participo-lhe tambem | que hoje ou amanhã passo para o corpo fixo; não vou | lhe visitar porque não foi possivel obter licença de | meus commandantes. || Oh! minha mãe lembre-se de mim, porque de vossa mercê | não me esqueço; acceite um louvado meu, não repare | na nota da carta porque, ah! esta carta foi notada | com lagrimas;... pois adeus mamãe, oh! meu pae | lance-me tambem sua benção, Joãozinho lembrai-vos | de mim, que eu logo vou para a batalha, n’essas cam- | panhas do Paraguay. Tive 200$000 de gratificação, | mas nada posso mandar, nada para você nem para nos- | sa mãe, o que confesso com pezar. Adeos, Joãozinho, de vosso irmão que muito vos estima o || Felix de Amaral Gurgel.




Carta 463



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 28 de março de 1865 / seção: A pedido

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

Ingratidões do Cazuza || Senhor Cazuza – Tenho-o atravessado nas goélas. Foi | a Pirapóra, trouxe rapaduras para todos e para mim | uma figa. || Pois olhe, escusa de me trazer calças velhas para | remendar que perde o tempo. || Ora, vejam, se eu não tenho razão? || O senhor Cazuza sempre que tem meias esburacadas, ca- | misas sem botões calça rota nos fundilhos põe-se co- | migo de voltas e não me deixa enquanto o não sirvo, | agora foi a Pirapóra, trouxe o “Sapicuá” a derramar | rapaduras, deu-se todas as essas tinhosas e eu fiquei a | lamber imbiras! || Eu não faço conta de uma rapadura ou duas, enten- | da-se. || Mas era politica do senhor Cazuza trazer-me uma lem- | brança de sua romaria. || Agora, a senhora Chiquinha está muito ancha a contar- | me prosas que o senhor Pitanga lhe trouxe rapaduras, e | toddas as minhas amizades, mais ou menos tiveram | o seu môlho e eu a olhar... || Isto não são miserias que se contem ao publico, mas | estou offendida e gravemente, magoada. É uma ingra- | tidão do senhor Cazuza, que cem annos que eu viva não | esquecerei. || Olhe, senhor Cazuza o senhor não me deu da sua rapadu- | ra, mas para o anno, se eu lá chegar, hei de ir a Pira- | pora e trazer muita, mas da minha rapadura o senhor não chuca.|| Fique-se com o que trouxe, metta-a nos focinhos do | demonio que eu nada tenho com isso. Já escrevi no li- | vro dos meus assentos: – O Cazuza é um ingrato, não me deu da sua ra- | padura. || Tenho dito e acabou-se. || Ismaela Venancia do Doce Amor.




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