Carta 389 Estado/Cidade



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Carta 471



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 12 de agosto de 1865 / seção: A pedido

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

QUEIJOS E CARTAS || Senhor Redactor: || Hontem cheguei a esta São Paulo, montado no meu | baio e entrámos n’um hotel, que pelo nome não pérca. || Nem um de nós tinha ainda vindo a esta terra, por | isso não conheciamos aqui ninguem. || Mas lá em Paracatú deram-me umas cartas e uns | queijos para entregar a uns homens aqui de São Paulo. || Quando me entregaram estas encommendas me dis- | seram: || – Estas (as cartas) entregue na rua do Rosario número 49 | e estes (os queijos) na rua da Boa Vista número 39. || – Sim, senhor, não tem duvida; eu sei ler e vou lá | direito como um gancho. || Despedi-me, etcoera e tal, e parto com vontade de | chegar cedo. || No caminho apanhei uma chuva que nem o diabo; | mas não foi nada, estou na terra. || Agora porém, é que são ellas. || Desde que cheguei tenho andado mais do que o diabo | nunca andou na sua vida, e quem diz que eu encontre | tais ruinhas! Tenho gyrado pr’a baixo e pr’a riba, de | roda, atravessado, mas qual historia todas as ruas são a | mesma! || Afinal desanimei com o negocio e disse com os meus | botões: – vendo os queijos e queimo as cartas! Quize- | ram cassoar comigo; deram-me lá uns nomes e uns nu- | meros de sua invenção, quando aqui tudo se chama São | Paulo e as casas são todas umas. Pois espera! e come- | cei a andar para o hotel, afim de trepar no baio e pôr- | me de veréda para casa. || Mas, ao atravessar d’um becco (não sei se é becco, | mas em Minas é becco) dou com um moleque trepado | n’uma escadinha, com uma vassourinha pequena a bor- | rar com tinta preta o lettreiro da rua. || Ai! quando eu vital, dei tres berros tezos que o mo- | leque até ficou pallido. || – Oh! negro, disse eu, como tu estás a borrar o let- | treiro da rua. || – E’ ordem... || – E’ ordem! de quem? || – Do senhor fiscal. || – Para que isso, agora? || – E’ para fazer numeros e nomes novos nas portas e | ruas. || – Ah! o caso é esse! E quando ficará isso prom- | pto? || – Lá para o fim do anno, talvez. || – Então bem. Vem cá comigo. || – Sim, senhor. || O moleque acompanhou-me até a casa e entreguei- | lhe as cartas e os queijos para elle entregar ao senhor fis- | cal, e disse-lhe: || – Diz ao senhor fiscal que quando tiver mandado pintar | os nomes e numeros da rua do Rosario número 49 e 39 da | da Boa Vista, que mande entregar lá essas cartas e | esses queijos. E tu, toma, Dei-lhe meia pataca! || Agora, vou até ao meu paiz; vossa mercê publique este caso | que é para a todo tempo eu ter um documento da mi- | nha probidade. Não se vá pensar que eu comi os quei- | jos. || sabino luiz pitanga || 9 de agosto de 1865.




Carta 472



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 20 de agosto de 1865 / seção: A pedido

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

COMADE TUDINHA || Muito estimarei que ao receber estas mal traçadas | regras, se ache já quasi boa do seu romatismo. || Eu, louvado seja Deus, vou indo boa de saude, an- | dando somente tresnoitada, porque, além de estranhar | a casa, que não é como aquella em que morei na Luz, | não tenho podido mais pregar olho com a gritaria das | sentinellas da cadêa, que tem garganta como esses bar- | cos que os estrangeiros inventarão pr’a bala não furar. | Olhe, nha Chiquinha, berrão, berrão os taes como as | vaccas na porta do quintal, chamando as cria. || Mariquinha, que mecê sabe que soffre muito das lom- | brigas, leva a noite inteira se acordando assustada com | semelhantes berros. || E’ uma penuria! || As vezes custa-me acreditar que os que morão mais | pegado á cadêa, e mesmo os proprios presos, já não | estejão dementes da cabeça. Pois tenho muito dó | delles. || Na casa de correcção, onde ha presos de crimes mais | feios que os da cadêa, não se houve nada; apenas as | sentinellas dão de quarto em quarto uma batida na | espingarda pr’a mostrar que ainda estão acordados. || Porque não hão de fazer o mesmo os pilatos da ca- | dêa, que além de berrarem “a...ler...ta!” ainda mis- | turão certa gritalhada destemperada, que só o Santo | Padre póde aguentar? Se berrassem pr’a assustar esse | maldito imperador do Paraguay bem, mas pr’a assustar | a gente, que denoite quer descançar, principalmente eu | que engommo mais de 6 duzias de roupa por dia... é | muito atrevimento, é até muita relaxação se quer que | diga: parece que elles não tem commandante pr’a os | reprehender! || Arrematando esta, peço-lhe o favor de ver se por | ahi ha alguma casinha vaga, porque quero me safar | daqui como o diabo da - cruis. || Adeus; espero sua resposta || Sou sua comadre || Tudinha




Carta 473



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 25 de agosto de 1865 / seção: A pedido

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

LEMBRANÇAS MINHAS || Senhor redactor. || Sou uma assignante das suas folhas por minha con- | veniencia e das meninas, que gostão de ler os romances | e as pilherias que o senhor bota todos os dias. || Na realidade são muito bonitas. || Vossa mercê é muito espirituoso, e aquella sua cousa do ju- | ry já me arrebentou os cordões às saias de tanto rir. || As meninas ficão doudas de alegria quando leem es- | ses romancinhos tão bem contados. || O seu jornal é muito boa cousa, benza-o Deus. || Mas para o negocio é que elle não anda cá a minha satisfação. || Eu e as meninas vivemos das obras que fazemos e | dos ovos da nossa creação. || O senhor bota sempre nos jornaes os preços dos co- | mestiveis e etc; mas não falla do preço das costuras, | nem do valor dos ovos. Isso é uma falta, perdoe-me. || Olhe, se não se costurasse, nós andavamos nús. Cre- | do, que vergonha! Não acha? || E os ovos são muito peitoraes. Se em vez do expe- | diente do thesouro vossa mercê pozesse o custo destas cousas, | olhe que havia de ter mais assignantes. || A tia Escolastica prometteu-me que assignava se no | Correio fallasse dos preços da quitanda. || A pobre tem dias que não sabe quanto hade pedir | por uma couve! Vossa mercê veja se introduz este melhora- | mento. E’ lembrança minha, mas que eu supponho | boa! || Se concordar com estas idéas, que são as mais puras, | mande-me contar. || Quero que faça um elogio das minhas materias a ver | se tem mais sahida. || A qualidade é boa, eu não encareço a minha fazenda, | creia. || Conforme fôr, se eu vir que o negocio deixa, dou | mais elasticidade ao estabelecimento e o senhor ha de ter | um interesse sacudido! || Faça alguma cousa neste assumpto que não hade | perder comigo. || Desculpe o bote de rapé Princeza, que envio para | consolo dos seus narizes. || Sua predilecta || Generosa Maxima




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