Carta 389 Estado/Cidade



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Carta 392



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Farol Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 28 de junho de 1828 / seção: Correspondencia

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

Senhor Redactor, – O que comeremos nós hoje? É | a pergunta que fazem todos os que s’encontrão ac- | tualmente n’esta Cidade. Carne não ha; nas casinhas | nada se encontra: aves, donde? De que virá isto Senhor | Redactor? Dizem que he de haver nesta Cidade atra- | vessadores, que á vista de Deos e todo o Mundo es- | tão monopolisando todos os generos, e principalmente | gado, que vem para se cortar no açougue, a ver | se se levanta o preço da carne, para assim tirarem | maior lucro, esfamando uma Cidade inteira. E será | isto verdade, Senhor Redactor? não sei, mas o povo no- | mêa esses atravessadores, e a sua fama é pública Que | providencias terá dado a Camara? ouvi dizer, que accor- | dou que se levantasse o preço da carne a 960 réis; mas que | isto não foi bastante, porque os atravessadores, que | eu reputo criminosissimos estão a impor tacitamente con- | dições a um povo inteiro, e ás auctoridades, a quem | incumbe zelar dos direitos d’esse mesmo povo? tam- | bem não sei, mas o que é verdade, é que esses | homens passeão impunes pela Cidade. E o Governo | o que faz? tambem não sei, mas é de querer, que | tenha mandado algum officio, ou Portaria á Camara, | ou ao Juiz Almotacel recommendando providencias. || Se tudo isto é assim, ja vejo que não ha re- | medio, e que havemos de morrer a fome, quer | queiramos, quer não. Mas, Senhor Redactor, como há | um dictado – a necessidade põe a lebre a caminho – | pode ser que a fome, que ao menos nesta vida é a | primeira necessidade, me tenha lembrado um expe- | diente, que escapasse as auctoridades, que não tem | tanta, como eu. Pelo sim, pelo não, lá vai o ex- | pediente. É mandar ou recommendar o Governo a um | Juiz competente, que proceda a uma rigorosa de- | vassa sobre os atravessadores, depois de um sum- | mario que comprove a existencia do delicto; e ao | mesmo tempo se permitta vender cada um a carne | que cortar pelo preço que lhe parecer. Talvez isso | seja uma asneira, Senhor Redactor, mas que importa? | a lembrança não faz mal a ninguem; e se tiver al- | gum prestimo póde aproveitar a muita gente, fazen-do haver | carne para matar a fome a || Um esfaimado




Carta 393



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Farol Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 27 de agosto de 1828 / seção: Correspondencia

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

Senhor Redactor. – O anno proximo passado | tive a honra de lhe dirigir uma cartinha, | na qual perguntava como é que a Nação | dava cento e cincoenta mil reis, a um | Senhor Proffessor para ensinar Grammatica | Latina aos meninos do Côro, quando es- | te não dava Aula: julguei que minha tão | justa quão razoavel advertencia produzi- | ria todo o effeito desejado; porém hoje | soube que continuava no mesmo deslei- | xo, dando Aula de 15, em 15 dias; outras | vezes concedendo ainda maiores ferias, de | maneira que o pequeno estudo (que ao | meu ver, não é nem-um) dos meninos | com umas tão longas, e continuadas ferias, | ficão no mesmo estado como que nunca es- | tudassem, e no entanto a soffredora Na- | ção concorrendo com os 150:000 réis annuaes | sem que d’elles provenha-lhe o menor bem. | Parece isto abusar da bondade do publi- | co, ou àlias, julgar tão froxa a Auctorida- | de que deve velar sobre estes objectos, que | não se receie resultado algum. Espero pois | que com esta minha segunda adver- | tencia se não deixe de dar Aula nos | dias marcados por Lei (segundo eu penso) | a fim de que faça jus n’este mundo aos | 150:000 réis, e n’outro, quando Deos | for servido chamal-o ao seu Sancto Reino, | não preste contas por semelhante Empre- | go. Senhor Redactor, queira dar á luz de seu | interessante Farol esta verdade (segundo | dizem) que por ella responde. || O Teimoso




Carta 394



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Leitor

Título do Jornal: Farol Paulistano

Data/Edição: São Paulo, 10 de dezembro de 1828 / seção: Correspondencia

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo

Senhor Redactor. – Ha tempo - se bem me | lembro - Senhor Redactor, que vi no seu | Farol, de cujo Número não estou certo, uma | correspondencia, que julgava acerto, e | util ao público o lançarem-se abaixo os | muros que bordão pela fronte o Convento | que foi dos Menores Observantes n’esta | Capital; ficando naquelle lugar uma ex- | cellente praça, na qual se podia colocar | um bom chafariz - de que tanto se ne- | cessita - e até me parece que o Auctor | da correspondencia lhe parecia estár-se já | regosijando de beber da agoa do mesmo | chafariz naquella hora: Ora isto era em | tempo, que os Religiozos erão inda Senhores | daquella casa, e era Claustro, mas ho- | je que por Deliberação de Sua Majestade Imperial foi | dada para o Estabellecimento d’Academia | do Curso Juridico, melhor, que nunca | pode ter lugar a tal lembrança; acrescendo | eu a isto uma outra, que não deixará de | ser d’utilidade ao mesmo público; vindo | a ser, que aquella parte da cerca alem do cor- | rego se podia muito bem vender em | porçoes para n’ellas se edificar, e o seu | producto applicado para as despezas da mes- | ma Academia, e quando este destino não | se possa verificar, então pode muito bem | servir de um cercado para se apascentarem | os gados que vem para o córte, e alli se con- | servarem até que se matem, escusando-se | por isto de estarem dias e dias enserrados | no curral, perecendo por consequencia a | fóme, e sêde, que quando vão morrer es- | tão enfeleados, da maneira, que jamais | pode ser boa a carne, mas até muito per- | necioza a quem a come. Lembrei-me d’is- | to, porque me parecêo acêrto, e se outros | o julgarem desacertado não heide questio- | nar; seja o que elles quizerem. Rogo-lhe | portanto queira fazer inserir isto mes- | mo no mesmo Farol, pelo que lhe ficará | obrigado || Um amante das boas obras.




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