Carta 389 Estado/Cidade



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Carta 532



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Redator

Título do Jornal: Correio Paulistano

Data/Edição: São Paulo, quarta-feira, 18 de junho de 1890/Ano XXXVI, nº 10133

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo, nº 13/410

Volta a fazer parte da redacção desta folha o senhor doutor Almeida Nogueira... mas quer elle mesmo fazer os commentarios da noticia. Cedemos-lhe, pois, a palavra. || _ || ... E sou, com effeito, o mais competente para dar essa noticia e explicar, como convém, o facto. Ficarei, não importa! Privado dos honrosos qualificativos com que talvez quizesse, como costuma, obsequiar-me o illustrado noticiarista do Correio: || Logo que os actuaes administradores desta folha fizeram acquisição da propriedade della, convidaram-me com insistencia a conservar-me em sua redacção politica. Declararam-me então que o programma do Correio não seria alterado, e que a orientação que desejavam vêr desenvolvida – não era senão aquella a que desde muito obedecia o Correio Paulistano. || Affirmava-se-me que era deliberado proposito do Centro Republicano deste Estado iniciar uma politica, se bem que accentuadamente democratica, toda de cordialidade e de plena confiança para com os sinceros neophytos da republica, para com os cidadãos que, sem reserva de pensamento, haviam lealmente adherido ao novo regimen e, por amor á ordem e á liberdade, concorriam para a consolidação delle em nossa patria. || Não era sómente minha aptidão para o jornalismo (reproduzo alheio conceito) que motivava o convite dos novos proprietarios do Correio: era também, diziam elles, a significação politica de meu nome. Sua permanencia nessa redacção definiria de modo expressivo os intuitos conciliadores do partido republicano de São Paulo, as normas de moderação que pretendiam observar, as vistas de congraçamento que o animavam. || Não me era licito, tendo, com effeito, constantemente propugnado, nesta mesma folha, pela salvadora idéa que agora vejo affagada na phase de transformação que o paiz atravessa. Recusar-lhe o contingente de meu fraco concurso, afim de que alcance decisivo triumpho. Fôra negar meus serviços á causa da sociedade brazileira, do progresso e properidade do Estado de São Paulo. || Entendi, porém, que deveria retirar-me da redacção, para que fosse definido, não por mim, mas pelos antigos republicanos, o programma do congraçamento e a completa cohesão ao fortalecimento de todos os elementos favoraveis do novo governo do Brazil. || O artigo editorial da nova redacção e a direcção posterior que tem sido dada ao Correio pelo meu illustre collega senhor doutor Jorge Miranda, satisfizeram-me completamente. || Julguei, entretanto, dever ouvir, sobre o convite que me era feito, a opinião abalisada de alguns companheiros meus e meus chefes, do antigo partido conservador, aos quaes, na ausencia do senhor conselheiro Antonio Prado, costumo consultar sobre assumptos politicos. || De accôrdo com elles e com meu intimo sentimento, volto hoje a collaborar nesta folha, da qual, como eloquentemente exprimiu-se a sua illustrada redacção em artigo por demais benevolo para comigo – eu me havia separado tão sómente de corpo, deixando presa a elle minha alma. || Volto, pois, ao Correio, mas volto sem me haver separado de meus antigos correligionarios politicos. Venho com elles, ou pelo menos com a grande maioria delles, e ate com antigos adversários politicos: com todos aquelles, em summa, que desejam a regeneração de nossa patria pela consolidação da republica, tendo por base a ordem, a liberdade por meio, e por objectivo – o progresso material e moral do paiz e do povo. || J. L. de Almeida Nogueira.


Carta 533



Estado/Cidade: SP/São Paulo

Tipo de Texto: Carta de Redator

Título do Jornal: Estado de São Paulo

Data/Edição: São Paulo, 1891

Fonte/Cota: Arquivo do Estado de São Paulo, nº 01.01.017

FF E RR || Venho hoje expor ao público sansato o procedimento do doutor Marcos Dolzani Inglez de Souza como redactor proprietário do dito jornal. || Fui incubido da impressão desse jornal illustrado, e o Dom Caralampio ou T. da Rocha, querendo negar os defeitos de seu trabalho, defeitos que atribuia a impressão, tratou outra casa onde fosse impresso o jornal, sem que o doutor Dom Iz[i]ni soubesse (como elle o affirma), e dê-se me aviso para que eu fosse empossado da pedra que me pertence. || Sabendo eu desse facto na noite de 31 de Dezembro, mandei no dia 1o. do corrente cedo avisal o que não coasentia que ellla fosse levada para outra lithographia: meu empregado e eu, sendo maltratados nessa occasião, fui no dia seguinte entrar em accordo com o doutor Dom Iz[i]mi, que esperei se levantasse, e comunarmos que a pedra vinha para minha casa, e que na presença delle (doutor Iz[i]mi) offerecia meios para que elle pudesse não soffrer atrazo no jornal, ao que elle accedeu, prometendo mandar – [ilegível]. || Uma hora depois, indo avisar Dom Caralampio, do accordo, encontrei-o altercando com 3 meus empregados, que desde cedo havia mandado, para impedirem que a pedra fosse levada para outra casa, o que qualquer em meu logar faria, porque quem não tem pedras, não tem tambem a ousadia de imprimir em pedra alheia, e sem consentimento do proprietario. No dia 3, cedo, procurando auxilio da autoridade policial para evitar disturbios, fui de Poncio a Pilatos, e na occasião de ser attendido pelo senhor doutor 2o delegado o mesmo senhor avisou me que o doutor Dolzani era possuidor de uma ordem de retenção dada pelo excelentísssimo doutor juiz de direito, e nessa mesma occasião dava-se o encontro da pedra com os meus empregados a quem tinha acompanhado para tirarmos dos carregadores a pedra, caso não fosse acompanhado de autoridade; como, porem, ella o fosse pelo doutor Eduarado Chaves, delegado, e sua ordenança, sendo o mesmo obedecido e respeitado pelos meus empregados, não porque fossem cobardes ou tivessem medo, mas sim porque pensavam que o doutor Dolzani cumpri se a sua palavra e a mandasse, como o promettera, em minha casa nesse mesmo dia e na presença de meus empregados, a pedra. || Quanto a Dom Caralampio, em resposta aos seus insultos e desafios, que me dirigiu na officina e em presença dos empregados, só respondo a que respondeu-me quando fui participa lhe o accordo havido entre mim e o doutor Dolzani. É o que tenho a expor aos meus amigos e ao publico que me conhece, e ao doutor Dolzavi peço devolver-me a pedra (se já a descecupou!) e receber seu papel e pedra inferior que tenho as suas ordens. || Declaro mais não voltar á imprenssa. || São Paulo, 5 de Janeiro de 1891. || Martin Junior.




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