Carta dos Moradores do Laboriaux para a Audiência Final da Missão da



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Carta dos Moradores do Laboriaux

para a Audiência Final da Missão da

Relatoria do Direito à Cidade
RESUMO DA SITUAÇÃO NA COMUNIDADE DO LABORIAUX, RIO DE JANEIRO, APÓS CHUVAS TORRENCIAIS DE ABRIL DE 2010.
A Vila Laboriaux, localizada no topo da Rocinha, entre Alto Gávea e São Conrado, é uma das 8 comunidades selecionadas pela Prefeitura do Rio de Janeiro para a remoção total e imediata, decisão tomada após as forte chuvas e deslizamentos do início de abril 2010 por, supostamente, estarem em região de alto risco. Como moradores de outras destas comunidades, a comissão de moradores do Laboriaux procurou o Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro para apoiá-los em sua luta contra a remoção pretendida.
Este relatório, elaborado pelos moradores, visa proporcionar um resumo dos acontecimentos desde abril de 2010, principalmente no Laboriaux. Primeiro, uma breve história da Vila Laboriaux será fornecida, a fim de enquadrar a situação. Em seguida, as chuvas, deslizamentos de terras e tragédias posteriores de abril de 2010 serãõ mencionados, incluindo um relato fiel do que ocorreu no Laboriaux. Depois disso, eventos-chave que têm tido ocorrido desde as chuvas de abril serão detalhados. Em nome da brevidade, alguns eventos importantes serão deixadas de fora, mas os pontos de maior importância serão cobertos. Em conclusão, as questões mais importantes para os moradores do Laboriaux serão descritas.
Laboriaux: Breve História e Informações Gerais


A
Laboriaux


Historia do Laboriaux com a antiga Companhia Francesa Laboriaux. Ironicamente, em consideração da historia de luta pelo moradia, a palavra ‘laborieux’ da onde vem a palavra laboriaux, significa em francês ‘duramente conquistado’ ou ‘desafiador’. Alem dos arquivos historicos provando isto, ainda existe uns moradores no Laboriaux quem estao na area desde a decade de 40 do seculo passado para comprovar essa historia pouca conhecida. No Censo Predial de 1933 já se contavam 354 casebres na Estrada da Gávea e 13 casebres no caminho do Laboriaux (Andrade, 2002:66-67). Decadas depois, em 1971, Laboriaux foi planejada pela Prefeitura para reassentar 75 familias que moravam na parte baixa da Rocinha, e que precisavam ser removidas porque se encontravam em areas de risco e inundação. Mas parte da população remanejada no Laboriaux vendeu seus imoveis e voltou para a antiga região que é mais plana e perto da estrada Lagoa-Barra, e na epoca o acesso a Laboriaux era muito mas dificil que hoje em dia.
O
Laboriaux
momento mais relevante dessa luta contra remoção começou no início da década de 1980, com a canalização da vala do Campo Esperança, percorrendo trecho do Bairro Barcelos até a autoestrada Lagoa-Barra. A Prefeitura determinou, ainda, reassentar 75 famílias que estavam em moradias construídas sobre a vala existente, para um novo “bairro”, o bairro Laboriaux (Leitão, 2009:97-98). Novamente uma ironia da história: Laboriaux, hoje em dia considerado “alto risco” foi estabelecido pela mesma entidade, a Prefeitura do Rio de Janeiro, como local seguro para reassentar 75 famílias de uma área considerada ‘alto risco’
Calcula-se que hoje morem aproximadamente 7 mil pessoas na região (Andrade, :2002:91). De acordo com um Censo do Governo do Estado1 de julho de 2009, o Laboriaux tem 823 residências/domicilios. Utilizando os dados mais recente da Instuição Perreira Passos de 2000 que indica a média de moradores por domicílio particular permanente na Rocinha como 3.30 por domicilio, podemos calcular que Laboriaux tem aproximadamente 2716 moradores. Porem, uma amostra representativa feita pela ONG Mundo Real indica que a maioria do moradores colocam o numero de moradores do Laboriaux em mais de 4000. Ainda assim os dados do governo mencionados são os unicos oficiais. Em abril de 2010 a Defesa Civil entrecruzaram Laboriaux e marcaram com pichacões todas as residencias para ser removidas. De qualquer forma os números desse prefeito subestimam significamente a população do Laboriaux.
Desde 2006, Laboriaux vem sendo objeto de execução do Programa Papel Passado, do Ministerio das Cidades, visando a regularização fundiária da área. A ação, coordenada pela Fundação Centro de Defesa dos Direitos Humanos Bento Rubião, já avançou no cadastramento das residências e no levantamento tipográfico local.
Resumindo, Laboriaux é uma comunidade com fortes vínculos intrapessoais e redes de sociabilidade interna. A maior parte dos seus moradores é composta por nordestinos ou seus descendentes, que migraram da para Rio em busca de melhores oportunidades de vida.
As Chuvas e suas Conseqüências
Chuvas torrenciais atingiram o Rio de Janeiro entre o dia 5 e 7 de abril de 2010, causando deslizamentos de terra que devastaram muitas áreas da cidade; os deslizamentos mataram aproximadamente 65 pessoas2 na cidade do Rio de Janeiro e deixaram milhares desabrigados. Na favela da Rocinha, 3 pessoas morreram como resultado de chuvas e deslizamentos, 2 delas no Laboriaux. Muitas casas foram danificadas ou destruídas no Laboriaux e dezenas de pessoas ficaram desabrigados.
Ameaças vindo da Prefeitura e da Midia
Já na noite de quarta-feira, o dia 7 de abril, enquando o tempestade ainda estava por terminar completaente o jornal O Globo publicou matéria informando que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes anunciou que as casas instaladas na região do Laboriaux seriam inteiramente removidas, por estar em área de risco e que a decisão resultava da avaliação da Fundação GEO-Rio, o órgão geólogico oficial da prefeitura, segunda a qual o custo das obras de contenção para evitar novos deslizamentos seria muito alto, tornando o investimento inviável.3 No dia seguinte, 8 de abril, Paes já havia assinado um decreto permitindo remoção a força4 dos moradores de 16 áreas da cidade, incluída a região do Laboriaux na Rocinha. Tudo isso foi decidido antes que GEO-Rio concluísse qualquer laudo técnico sobre estas áreas de ‘alto risco.’ Já no dia 11de abril, o jornal O Globo anunciava que a Prefeitura realizaria a remoção imediata de milhares de famílias vivendo em 8 comunidades e que a decisão se baseava num relatório conduzido pela GEO-Rio. Nele se recomendava a completa e imediata remoção das seguintes comunidades: Urubu (em Pilares); Prazeres (Rio Comprido), Fogueteiro (Centro); São João Batista (Botafogo), Cantinho do Céu e Pantanal (na região do Turano, na Tijuca), Laboriaux (Rocinha) e Parque Columbia (em Acari). Essas 8 comunidades não constam na lista anunciada em janeiro de 2010 de outras 119 favelas que a prefeitura prometeu remover até 2012.5
Ações Iniciadas pela Prefeitura
Na semana seguinte à tragédia causada pelas chuvas, a Prefeitura chegou ao Laboriaux com toda força. Dezenas de oficias e funcionários da Prefeitura andaram pela comunidade, muitos deles agindo de forma impaciente, rude e arrogante com os moradores. Eles se irritavam quando os moradores lhes perguntavam, de forma legítima, porque toda a comundade tinha que ser removida. Alguns funcionários da Defesa Civil declaravam de forma convicta que a área estava sob iminente risco de deslizamento e que todos os residentes que escolhessem permanecer ali estavam arriscando sua própria vida e de suas famílias. Quando indagados sobre qual o fundamento para aquelas afirmações de risco iminente, eles se irritavam, utilizavam de suas credenciais de autoridade como forma de justificar uma afirmação sem argumentos convincentes, o que demostrava que os argumentos não tinham qualquer embasamento técnico. Passando pelo Laboriaux os funcionários da prefeitura marcaram as com letras e números garrafais as casas de todos os moradores, indicando que elas estavam marcadas para demolição e, ainda, que nenhuma residência seria poupada. Da mesma forma eles pediram aos moradores para assinar Autos de Interdição, na hora, e já começaram medindo a casa para estimar seu valor, desconsiderando, por exemplo, que muitas daquelas propriedades teriam valor de mercado muito alto, pela vista panorâmica que detêm da Zona Sul, do bairro de São Conrado, da pedra da Gávea e do oceano Atlântico. A notícia das demolições foi chocante para os moradores do Laboriaux, e chegou em um momento em que todos estavam traumatizados com a morte das duas pessoas, ocasionadas pelas chuvas e com o sofrimento de dezenas de desabrigados. Para alguns moradores a intensidade e autoritarismo da Prefeitura foi simplesmente demais, acachapante, desrespeitoso e sem considerar direitos básicos dos indivíduos. Vários moradores ficaram doentes, fruto da ansiedade e medo das ameaças. Dois moradores morreram na mesma semana em que a Prefeitura iniciou sua campanha de ‘terror psicologico’ no Laboriaux. Um deles foi Seu Adão, um comerciante muito respeitado quem teve um acidente vascular cerebral (AVC), menos de duas horas depois de ter recebido o Auto de Interdição de sua residência. Seu Adão, que era pai de família, não tinha antecedentes médicos. Morreu dois dias depois.
A trágica morte do Sr. Adão foi apenas um exemplo da histeria que ações da prefeitura e da mídia tem causado para os moradores dessas regiões ameaçadas de morte, desde abril de 2010. A maioria dos moradores de Laboriaux sentem uma sensação de ansiedade e desespero, pois vivem vidas em constante estado de imprevisibilidade e confusão. A vida e os sonhos de moradores foram literalmente colocadas em pausa enquanto esperamos para ver os próximos passos da Prefeitura. Familias quem estavam fazendo reparos essenciais ou acréscimos a suas casas pararam porque temem ser removido a qualquer dia. Foi nesses dias, logo depois das chuvas, que moradores do Laboriaux comecarem procurar a Defensoria Pública do Rio de Janeiro, em conjunto com moradores de outras comunidades sendo terrorizadas pela Prefeitura, e a Pastoral das Favelas do Arquidiocese do Rio de Janeiro. Todas as comunidades mobilizadas estão submetidas às mesmas ameaças da Prefeitura.
D
Escola Municipal Abelardo Chacrinha Barbosa
e todas as propriedades interditadas no Laboriaux, a mais importante é a Escola Municipal Abelardo Chacrinha Barbosa.
A interdição da escola, onde estudam 307 crianças da comunidade, tem sido outro choque para a comunidade. Construída em 1987 e aberta em 1988, a escola beneficiava um grande número de crianças da comunidade. Desde abril de 2010, ela está interditada pela prefeitura e abandonada. Os alunos passaram mais de um mês sem aulas, comprometendo sua formação e o ano letivo. Desde maio, foram transferidos para uma escola no bairro do Humaitá, um bairro de acesso muito mais difícil, ainda mais para crianças que moram próximo ou na região do Laboriaux. Para transportar os alunos haveria a necessidade de disponibilizar 5 ônibus. A Prefeitura colocou apenas 2 micro-onibus. Os pais das crianças se perguntavam como era possível acomodar 307 crianças em apenas 2 pequenos ônibus! O resultado, esperado, aliás, foi o aumento drástico da evasão escolar. Estima-se que aproximadamente 150 alunos, dos 307 alunos quem estudavam na Escola Municipal Aberlardo Chacrinha Barbosa, abandonarem seus estudos por causa das dificuldades de transporte. Ironicamente, a Defesa Civil informa que a escola não mais está interditada, mas a prefeitura se nega a restaurar seu funcionamento.
Infelizmente a Prefeitura e principalmente o jornal O Globo aproveitam, mas uma vez, o desespero dos pais, alunos e dos moradores do Laboriaux. No dia 7 de maio de 2010 aquele jornal publicou um artigo com argumentos falso sobre a questão da escola. O artigo, de uma página inteira, tentou, sem qualquer informação, relacionar sua sem veracidade nenhuma ligar a situção da escola ao tráfico de drogas na Rocinha.6 Esse foi mais um trauma para a comunidade, se considerarmos que o que a mídia diz é assumido como verdade por aqueles que não conhecem a real situação. Basta ver o papel dela como um dos agentes importantes a estimular violação dos direitos humanos em nome da legitimidade do combate ao crime.
Este rápido processo de remoção, baseado em supostas provas científicas fornecidas pela GEO-Rio, começou antes que qualquer evidência ou laudo técnico fosse apresentado à comunidade. Após reclamar da falta de transparência nas decisões, um representante da GEO-Rio foi ao Laboriaux e apresentou para os moradores um relatório que foi baseado inteiramente em imagens de satélite, indicando que toda a comunidade está em ‘alto risco’ de futuros deslizamentos. Quando perguntado se foi realizado um trabalho de campo, tais como coletar dados locais, analisar fatores topográficos como solo, floresta, uso da terra, inclinação etc., a resposta dada foi que isso não havia sido feito. Por isso, moradores do Laboriaux procuraram outro corpo técnico, formados por especialistas que se voluntariam a avaliar, com rigor, as verdadeiros riscos que a região apresentava.
No dia 29 de abril, o Engenheiro Civil e Mecânico Mauricio Campos dos Santos, CREA/RJ, membro do corpo de assessores técnicos, acompanhado pelo Núcleo de Terras e Habitação da Defensoria Publica do Estado do Rio de Janeiro, e a comissão de moradores do Laboriaux, realizou visita técnica para averiguar as condições das encostas na comunidade.
No dia 27 de junho Sérgio Cabral visitou a Rocinha para um evento da sua campanha eletoral para inaugurar a nova passarela da Rocinha, cujo custo está entre R$26 milhoes e R $ 15 milhões (dependendo da fonte). No local um grupo de moradores Laboriaux esteve presente manifestando com faixas ao redor da passarela. Cabral chegou mais de 2 horas de atrasado e estava visivelmente nervoso com os manifestantes. O evento, que era planejado para lhe dar capital político, acabou recebendo a mesma quantidade de atenção negativa por causa da presença dos manifestantes.7 Depois desse episódio, e por conta das eleições vindouras, em outubro, a situção do Laboriaux e de outras comunidades ameaçadas deixou de ser publicamente discutida. Isso nos deixa num estado de perpétua confusão sobre nosso futuro.
Desde abril de 2010 os moradores do Laboriaux têm feito todo possível para lutar contra este plano vergonhoso e irresponsável iniciado de remover toda a comunidade. Durante estes meses, os moradores permanecerem calmos, sempre agindo de forma pacífica dentro dos limites da lei, mesmo enquando enfrentando um governo agressivo e uma mídia enganosa. Em maio, participamos de audiências na ALERJ, onde uma comissão que se chama Morar Seguro, formada por deputados estaduais do Rio de Janeiro. Essa comissão foi representada por membros da Câmara dos Vereadores para monitorar o plano de remoção da Prefeitura e do governo. Só que, nós do Laboriaux estamos sem resposta dos envolvidos nesta Comissão. Também, em maio moradores do Laboriaux participaram numa audiência na Câmara Municipal sobre as ameaças e as ações autoritárias do prefeito Eduardo Paes. Continuamos em contato consistente com a Defensoria Pública e a Pastoral das Favelas. Nós, os moradores de Laboriaux queremos ter voz, falar de nossa história, ser ouvidos! Como qualquer outra pessoa, desejamos viver e criar nossos filhos em um ambiente seguro e pacífico. Se é possível comprovar cientificamente, com intenções sinceras e honestas, com métodos e dados, que Laboriaux é inseguro para se viver, então vamos deixá-lo e encontrar uma alternativa de moradia que seja próxima. No entanto, até este momento não há evidência confiável que indique estarmos em região de alto risco. Queremos permanecer na área onde nós vivemos, e pedimos a Cidade, de imediato, que o poder público comece a trabalhar para aumentar a segurança da área, para evitar possíveis tragédias futuras.
A mídia:
A grande mídia brasileira apóia fortemente os planos de remoção de inúmeras favelas da cidade, mas as a resistência à ‘remoção totala’ se tornou um movimento altamente disseminado e forte dentro das regiões afetadas. Contudo, raramente é mencionado na mídia. Muito ao contrário, as matérias que aparecem na mídia retratam, de forma nitidamente forjada, moradores felizes com a notícia de que sairão da favela e irão morar em áreas seguras.
O governo tem realizado o processo de expulsão de forma rápida e silenciosa. Até o momento, poucos jornais reportaram sobre as remoções forçadas e a desconfiança que paira sobre os moradores locais. Os residentes locais e alguns grupos de defesa dos direitos humanos acreditam que este processo de remoções está ocorrendo de forma para evitar questionamento e mobilizações coletivas contra ela, principalmente matérias desfavoráveis na mídia internacional.
Dúvidas que pairam:
Apesar de haver muitas áreas, ricas e pobres, da cidade, que tiverem inundações, deslizamentos de terra e casas destruídas, todas as 8 áreas marcadas para remoção total são, única e exclusivamente, favelas. Esta questão é fundamental em uma cidade como o Rio de Janeiro, que breve sediará a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Nesta cidade o histórico de remoção forçada de favelas e os valores da terra estão entre os mais altos do mundo. No passado, autoridades usaram supostos ‘dados científicos’ para forçar os moradores das favelas a deixar ‘áreas de alto risco’, mas muitas dessas mesmas áreas, apenas alguns anos depois, estavam tomadas por mansões e pequenos prédios de luxo. Um caso interessante, que dá base para a suspeição de interesses vinculados à especulação imobiliária é o que ocorre no bairro de Botafogo. Lá, toda uma comunidade, uma pequena favela chamada São João Batista, está sendo expulsa, apesar de não haver registro de sequer uma morte ou uma casa destruída. Entretanto, toda a comunidade, que está localizada em uma região bastante valorizada da cidade, está enfrentando um processo de rápida remoção. No é segredo para ninguém que as pessoas das classes sociais mais altas, que vivem próximas a essas comunidades, sonham há tempo com a remoção destas. Parece haver poderosos grupos de interesse a tirar vantagens da tragédia recente, manipulando de forma estratégica o medo e as emoções das pessoas e recorrendo sempre às supostas “evidências científicas”, para alcançar seus objetivos. Muitas pessoas que estão sendo expulsas de suas casas estão convictas que esta é a motivação por trás dos movimentos de remoção.
O que Defendem Aqueles que Desconfiam do Atual Processo de Remoção:
Que as obras tais como reforço das encostas, melhora das fundações de casas pouco seguras, provimento de saneamento e água e outras melhoras para a região, que a tornarão mais seguras para todos serão iniciadas imediatamente. Que o governo pare de falar em remoção total e conduza de uma forma responsável e de forma compassiva. As coisas precisam ser feitas de forma adequada, sem necessidade de provocar histeria dentro da comunidade, que ocorre por um processo tão célere de remoção não-negociada. Casas que foram danificadas ou destruídas, ou que estão em áreas de visível risco de futuro desastre, devem ser reassentadas com acompanhamento das lideranças locais; e que as famílias afetas recebam rápida e adequada assistência. Que a prioridade seja dada também as 307 crianças que estudaram na escola do Laboriaux. Que aos moradores locais seja permitido se envolverem em todo o processo das obras e possíveis reassentamentos. Pedimos que outros especialistas/cientistas, que não venham dos círculos da Prefeitura também possam dar suas opiniões e analisar os pareceres oficiais.
SUGESTÕES / DEMANDAS

A comunidade do Laboriaux na Rocinha que desde o dia 05 de abril de 2010 encontra-se esquecida pelo Poder P­úblico, vem por meio desta cominicar alguns de nossos problemas e na medida do possível pedir soluções, levando em consideração o fato de alguns de nossos problemas afetar não só a nossa comunidade colocando em risco a saúde de nossas crianças, mas também todos os bairros no entorno de nossa comunidade por este motivo estamos humildimente solicitando o atendimento de nossos pedidos:


01 – Não queremos ser removidos, sabemos que dar pra fazer obras no Laboriaux


02 - Manutenção do piso da Rua Maria do Carmo, nossa principal via, que pela ação do tempo esta desgastada apartir do N˚. 18 até o final da rua com prioridade em frente ao N˚. 22, a mesma encontra-se em péssimo estado, estamos fazendo a manutenção de forma precária através de mutirão entre os moradores e comerciantes.

03 - Manutenção das contenções de nossas encostas, que desde o mês de abril de 2010 quando tivemos problemas pontuais, não tivemos por parte do Poder Público, soluções práticas no sentido de resolver tais problemas que são de conhecimento do Poder Público, a não solução destes problemas que são pontuais, implicam em risco de vida para alguns moradores que lá residem, a mais de trinta anos, quando o governos transferiu os moradores que moravam de forma precária a beira de um valão perto do Largo do Boiadeiro, na época foi respeitado o artigo 429 da Lei Orgânica Municipal.


04 – Retirada do material resultante da demolição das casas que a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro entendeu estar em área de risco, a empresa contratada simplesmente demoliu as casas e não retirou o entulho, por consequência o número de ratos e focos de mosquitos da dengue está incontrolável, o mato que deveria crescer de forma natural não consegue, pois no lugar de terra temos placas de lage, de piso, de paredes, e até resto de móveis.


05 - Manutenção da rede de esgoto da CEDAE já existente, e localizada no atalho do fim da rua José Inácio, pois o mesmo encontr-se jogando toda agua de esgoto na mata, além do fato da poluição do parque ecoló­­gico, anda temos o ácumulo de água nas nossas encostas aumentando de forma significativa o risco de desabamento.


06 – Liberação do caminho para a quadra de esportes, por ser este o único ponto de lazer para nossas crianças e adolecentes, pois o mesmo encontr-se parcialmente obstruído.


07 – Melhoria na iluminação pública, varias lámpadas encontram-se apagadas colocando em risco os trabalhadores que voltam para suas casas a noite.


08 – Inclusão da comunidade Laboriaux no PAC II.


09 – Ressaltamos a importancia da Escola dentro da comunidade por este motivo pedimos humildadmente a reativação da escola municipal Abelardo Chacrinha Barbosa, cujo prédio encontr-se em perfeito estado tendo sido reformado no mês de março de 2010.


10 – Inclusão da comunidade do Laboriaux no plano para receber uma estação do futuro teleférico assim fechando o anel do teleférico até o metro; PAC II.
11- Queremos obras, queremos fazer parte do asfalto com cidadania saúde, melhoria em nosso bairro e não ser removidos, estamos bem aqui!
Agradecemos o apoio de todos os moradores e amigos que nos tem dado força as outras comunidades e solicitamos ajuda de que pode nos ajudar com estes problemas.
Rio de Janeiro 20 de maio de 2011

1 O PRODERJ – Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro – autarquia vinculada à Secretaria de Estado da Casa Civil é o órgão gestor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) do Governo do Estado. <http://www.proderj.rj.gov.br/>.

2 Bruno Boghossian e Gabriela Moreira. “Rio anuncia criação de centro para prever temporais,” Versão online do jornal O Estadão 05/10/2010. Acessado 07/10/2010. <http://www.estadao.com.br/noticias/geral,rio-anuncia-criacao-de-centro-para-prever-temporais,620816,0.htm>.

3 Magalhães, Luiz Ernesto. “Chuva no Rio: após deslizamentos, Paes anuncia remoção de comunidades em Santa Teresa e na Rocinha.” Versão online do jornal O Globo 07/04/2010. Acessado 08/10/2010. <http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/04/07/chuva-no-rio-apos-deslizamentos-paes-anuncia-remocao-de-comunidades-em-santa-teresa-na-rocinha-916277388.asp>.

4 Paes, Eduardo. Decreto N˚ 32081 de 07 de abril de 2010. Versão Digital do Diário Oficial. <http://doweb.rio.rj.gov.br/sdcgi-bin/om_isapi.dll?&softpage=_infomain&infobase=08042010.nfo>.

5 Versão online do Terra. 08/01/2010. “Prefeitura do Rio de Janeiro irá remover 119 favelas de áreas de risco.” Acessado 09/10/2010. .

6 Versão online do jornal O Globo. 07/05/2010. “Traficantes proíbem profissionais de escola da Rocinha de tirar materiais da unidade.”

.

7 Merola, Ediane. “Cabral inagura passarela na Rocinha, e moradores fazem protesto.” Versão online do jornal O Globo 27/06/2010. Acessado 08/10/2010.

<http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/06/27/cabral-inaugura-passarela-na-rocinha-moradores-fazem-protesto-916990034.asp>.




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