Cartas sobre a educação infantil



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Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827):

Cartas sobre a educação infantil”

Angela Mara de Barros Lara1

Este texto tem como tema a educação das crianças no século dezoito e, para delimitá-lo, foi escolhido um teórico de relevância fundamental para a educação de todos os tempos, bem como a sua contribuição para a educação infantil, Johann Heinrich Pestalozzi. O objetivo mais amplo a ser considerado é tratar a proposta de educação infantil pensada por ele, tendo como base a experiência. Para tanto, faz-se necessário definir a perspectiva histórica como proposta teórico-metodológica que subsidiará esta análise, esta nos proporcionará uma leitura nas múltiplas determinações econômicas, políticas e sociais daquela época.

A questão que mobilizou este texto foi: qual a proposta de educação infantil que Pestalozzi propõe no século dezoito? A sua pedagogia foi criadora da escola popular em seu espírito social. Colocou a família como núcleo primordial que possibilitou a criação das demais instituições sociais, mas a educação das crianças não pode depender apenas dela, necessita da escola para tanto.

Cabe aqui ressaltar como serão desenvolvidas as unidades no texto: no primeiro momento, destaca o Iluminismo, a vida de obra do autor; num segundo momento, salienta o seu pensamento pedagógico e suas idéias sobre a educação e, no terceiro momento apresenta sua obra “Cartas sobre educación infantil”. A escolha de uma obra para discussão no texto foi pensada, tendo em vista que este texto não é de fácil acesso aqueles que trabalham com crianças de 0 a 6 anos. E esta seria uma oportunidade para divulgar a obra, bem como as idéias educacionais do filósofo.


O Iluminismo, sua vida e sua obra

A perspectiva desta apresentação terá como eixo o Iluminismo, pois este é o momento em que as questões filosóficas e, não apenas estas estão se constituindo, fazendo deste momento histórico um dos mais significativos da humanidade. Isto se fará a partir do pensamento dos seguintes autores: Manacorda (1995), Cambi (1999), Luzuriaga (2001), Kreimendahl (2004) e Palmer (2005).

Reconhecer no Iluminismo2 os princípios e fundamentos da obra de Pestalozzi é fundamental, pois é a partir destes que se discute a questão da infância na perspectiva do filósofo. Faz-se necessário tratar desta, tendo em vista que a concepção de infância como um período distinto da vida adulta tem raízes no período aqui determinado entre os séculos XVII e XVIII.
O século XVIII liga-se ao XVII de maneira muito forte, a ponto de se poder falar de capítulo seqüencial na história da filosofia, ao qual se poderia dar o título de era da razão e que poderia ser distin­guido do Iluminismo do século XVIII pela entrada de idéias e posi­cionamentos característicos do Racionalismo, bem como por sua aplicação em aspectos de relevantes problemas sociais por parte do público culto. [...] (KREIMENDAHL, 2004, p. 25).
A discussão básica do Iluminismo busca a compreensão da autonomia do sujeito. O Eu supera os laços da tradição por meio de um ato libertador e é restituído de seu direito original. Como salienta Kreimendahl (2004), o centro de interesse é o ser humano. Do meio antropológico existe a melhor possibilidade de compreender o século dezoito como um todo e, o movimento iluminista, em especial.
A racionalização de toda a prática da vida é o meio de o Ilumi­nismo atingir seu objetivo principal, qual seja, a entronização do su­jeito racional e autônomo. Este programa funda-se na aceitação de que a realidade apresenta uma ordem racional e que a razão - e so­mente ela - tem a capacidade de perceber essa ordem que, quando perseguida, proporciona o progresso e possibilita ao ser humano atingir a felicidade na medida do possível [...] (KREIMENDAHL, 2004, p. 30).

Segundo Luzuriaga (2001), é preciso salientar três aspectos do século dezoito: Filosoficamente, é "o Século das Luzes", "da Ilustração", da Aufkärung. Nesse movimento aparecem mescladas as idéias do sensualismo e do idealismo, do empirismo e do racionalismo de séculos anteriores. Seus pensadores não são grandes filósofos originais como os do século anterior. Descartes, Leibniz ou Locke, nem como os que haviam de vir, Kant, Fichte ou Hegel; são antes divulgadores, que expõem as idéias didática e literariamente. Sua expressão é encontrada nos "enciclope­distas", tais como Diderot, D’Alembert, Voltaire e outros muitos. Todos coincidem no reconhecer a supremacia da razão. Politicamente, é, na primeira parte, a época do absolutismo e, mais concretamente, do "despotismo esclarecido", que de­seja o bem do povo, mas sem o povo. É a época dos reis aman­tes da ilustração, Frederico, o Grande, da Prússia, Catarina da Rússia, Maria Teresa da Áustria e Carlos III da Espanha. Na segunda parte, é a época da Revolução Francesa que muda essencialmente o giro da história, com o acesso do povo ao governo, e da difusão, na Europa, do regime parlamentar co­meçado na Inglaterra. Pedagogicamente, é o século de instrução sensorialista e racionalista, do naturalismo e do idealismo na educação, assim como da educação individual e da educação nacional. Desen­volve-se, assim, um movimento dialético de tensões e oposições que se resolvem em reconhecimento da personalidade plena, da educação integral, cabal, humana, representada essencialmente pela pedagogia de Pestalozzi.

A perspectiva filosófica a ser tratada neste texto implica na compreensão do Iluminismo alemão3. Cabe salientar que este entende como secundária a influência da ciência natural e da técnica como força propulsora do progresso e uma maneira de submeter a natureza na busca pela felicidade por parte do homem. A mentalidade alemã:

[...] é mencionada para explicar esse fenômeno, uma vez que o Iluminismo alemão desdobra seu efeito não apenas com significativo atraso, mas é muito me­nos radical que o francês. Seus portadores advêm prioritariamente da categoria de professores - como Thomasius e Wolff -, de pasto­res protestantes ou filhos destes - como Spalding e Herder - ou de altos funcionários públicos - como a maioria das cabeças que se reu­niam na chamada sociedade da quarta-feira berlinense. [...] (KREIMENDAHL, 2004, p. 21).


O Iluminismo germânico não exportou muitas idéias da Inglaterra e da França, tendo em vista o atraso com que se estabeleceu, mas apesar das diferenças, há certa quantidade de convicções comuns que são encontradas em todos os lugares em que se fala sobre este e que permite a seus estudiosos justificar a junção de todos esses movimentos em uma tendência, tendo seu nome como título unificador, segundo Kreimendahl (2004). Cabe salientar que este foi orientado pela metafísica em oposição à orientação científica e empírica inglesa e sociocrítica e materialista francesa.

O Iluminismo alemão e suas discussões que dão suporte aos princípios filosóficos de Pestalozzi foram tratados e a partir daqui se salienta sua vida e sua obra, tendo como ponto de partida às discussões de Cabanas, no Estudo Preliminar, do livro traduzido por este, “Cartas sobre educación infantil”. As dimensões de educador e pedagogo fizeram deste uma pessoa que possuía dois lados, um “mestre” eficiente e abnegado, entregando sua vida de corpo e alma, de um modo exemplar, a humildade e paciente trabalho na escola; e ainda aquele que, às vezes, escreveu uns livros onde se enunciam uns princípios novos que haveriam de renovar a educação e ensinar-lhes novos rumos. Pestalozzi é um dos precursores imediatos da pedagogia contemporânea, ele seguiu o caminho da experiência, segundo Cabanas (19964 apud PESTALOZZI, 1996, p. XIX).

Johann Heinrich Pestalozzi era um suíço alemão, nascido em 12 de janeiro de 1746. E, portanto, um filho do Iluminismo. Segundo Luzuriaga (2001), ele era filho de médico e neto de pastor protestante, de família de estirpe social e intelectual. Aos cinco anos, órfão, ficou aos cuidados da mãe c de uma fiel criada. A pri­meira influência na sua formação foi, pura­mente maternal e feminina, o que lhe explica certos traços de caráter. Freqüentou a escola primária e, depois, a secun­dária da cidade natal, e nisso esteve sete anos. Tranferiu-se, mais tarde, para um centro de caráter superior, o "ColIegium Caro­linum", onde estudou humanidades. Portanto, é igualmente errônea a opinião de que carecesse de educação elevada, posto ele mesmo o afirmasse repetidas vezes. No "Collegium" re­cebeu a influência de uma grande personalidade espiritual, seu professor Bodner, que o pôs em contato com as realidades econômicas e educacionais do povo. Inicia-se na atividade política e social, associando-se a uma sociedade patriótica liberal, depois dissolvida pelo governo. As duas obras fundamentais de Rousseau o Contrato social e o Emílio, ao publicarem-se, em 1762, produziram nele profunda impressão. Influenciado pelas idéias rousseauístas, dedica-se à agricultura. Em 1769 contrai matrimônio com uma moça da burguesia de Zurique e tem seu primeiro e único filho, mu­dando-se com a família para sua propriedade Neuhof (Granja nova).

Ele esteve animado pelo espírito revolucionário, entrando em contato com lojas maçônicas e fundando a Sociedade Helvética, que se propunha a reforma democrática de seu país e uma renovação moral e cívica do povo através da educação, como salienta Palmer (2005, p. 86), “A Revolução Helvética de 1798 mudou dramaticamente a vida de Pestalozzi. Confiante que essa revolução haveria de restabelecer a velha república virtuosa e convencido da integridade moral dos novos líderes, logo esboçou o projeto de um instituto de aprendizagem industrial para crianças pobres. [...]”.É preciso ressaltar que a preocupação dele, no livro que vamos tratar, é com a educação das classes populares, e, de outros, em que a fala de um verdadeiro homem do Iluminismo, pregando os tópicos do progresso e da liberdade próprios de sua época.

O verdadeiro Pestalozzi se faz presente na escola e sua entrega exclusiva e inteira a educação das crianças. Aos vinte e cinco anos comprou uma granja chamada Neuhof, ele não soube administra-la. “[...] Nela começa sua primeira experiência educacional, ao converter a granja num estabelecimento para educação de me­ninos pobres, que trabalhavam ao mesmo tempo que se edu­cavam, tornando-a, dessa forma, verdadeira escola ativa ou do trabalho. [...]” (LUZURIAGA, 2001, p. 174), devendo fechá-la uns anos depois, em 1779. Dedicou-se a refletir e escrever, até que em 1799 o estado Suíço lhe ofereceu a direção de um instituto de órfãos em Stanz; tanto como professor, foi pai de quatrocentas crianças de cinco a quinze anos que lhe foram dados para seus cuidados, e com eles começou a aplicar os princípios fundamentais do seu sistema. A experiência durou poucos meses, pois o edifício teve que ser transformado em um hospital de guerra e aceitou uma sala como professor em uma escola em Burgdorf, onde utilizou seu método “intuitivo”; ali se fundou logo um colégio e uma escola para formação de professores, centros em que ele contou com valiosos e leais colaboradores, auxiliando-o a elaborar suas teorias pedagógicas.

Ao ser obrigado a desalojar-se do abrigo de Burgdorf por estar destinado a outros usos pelas autoridades, em 1805 Pestalozzi se estabeleceu em Iverdon, onde fundou uma instituição educativa que atendia a diversos graus de ensino e que adquiriu fama na Europa, aceitando alunos e visitantes de diversos países atraídos pelo espírito renovador da educação e instrução que ali era oferecida. Funcionava em regime de internato e com espírito de família, aplicando-se em sua plenitude os métodos pestalozzianos. Mas algumas dificuldades sugiram neste período. O governo se mostrou receoso com o espírito que animava a instituição e surgiramcolaboradores, elaborando suas teorias pedagcom valiosos e leaiscola em Burgdorf, onde utilizou seu maplicar os princgigi diferenças entre os melhores mestres com que ele contava, alguns dos quais abandonaram o centro. Ele tentou mantê-lo ainda algum tempo, mas as dificuldades o obrigaram a fechá-lo, vinte anos depois de sua fundação.

Quase aos oitenta anos, Pestalozzi voltou a Neuhof, onde ele começou e agora estava administrada por um sobrinho seu, que lhe ofereceu hospitalidade. Todavia ainda teve forças para redigir diversos escritos nos quais havia o resumo de suas experiências e defendia seus sistemas. Morreu pouco depois, em 1987. Como apresenta Luzuriaga (2001, p. 175), “[...] No túmulo colocaram a seguinte inscrição, que dá idéia de sua obra educativa: "Salvador dos pobres de Neuhof; pregador do povo em Leonardo e Gertrudes; em Stanz, pai dos órfãos; em Burgdorf e Münchenbuchsee, funda­dor da escola primária; em Iverdon, educador da humanidade. Homem, cristão, cidadão. Tudo para os outros, nada para si. Paz a suas cinzas".

Ao longo de sua vida foi escrevendo muitas obras. As principais são nove e entre elas existem três que constituem, poderíamos dizer seus livros fundamentais e mais conhecidos. São os seguintes, Leonardo e Gertrudes, sua obra mais característica, foi escrita e publicada entre 1781 e 1787, depois de suas primeiras experiências em Neuhof, durante os anos de inatividade docente que seguiram. Como Gertrudes ensina seus filhos, escrito em 1801, corresponde ao período de Burgdorf e é fruto dos fecundos ensaios metodológicos feitos naquele momento. O canto do cisne foi escrito em 1826 em Neuhof, pouco antes de extinguir a fecunda vida do autor e constitui como o arremate de toda sua obra teórica.

Pestalozzi é um clássico da Pedagogia. Daí se faz a necessidade de seu conhecimento e o estudo de suas obras segue vigente na atualidade para todos aqueles que se interessam por este ramo da cultura. Um clássico é um autor que não perdeu, hoje em dia, nem seu significado e nem toda sua mensagem, constituindo sua obra um motivo de reflexão para todo aquele que deseja formar-se e, entender, a linha que seque, o pensamento humano. Isto é o que se passa com o pegagogo e por isso L. Meylan escreveu sobre ele “Se a didática de Pestalozzi (a forma, o número e o nome) só oferece hoje um interesse histórico, suas idéias sobre o fim e a obra da educação, paradoxal, humoradas, apóstrofes, efusivas, como a lava de uma garganta vulcânica, continuam incandescentes embaixo de uma tênue capa”5 (Cabanas, 19966 apud PESTALOZZI, 1996, p.XII).

Cabe ainda ressaltar qual a perspectiva de uma síntese de sua vida e obra, Cabanas (19967 apud PESTALOZZI, 1996, p.XIX) nos apresenta esta possibilidade:

Primeiro faz e observa, logo pondera e critica, e por último escreve. Repetidas vezes no presente livro afirma que apóia esta base empírica todas suas conclusões, com a consciência de que, por este motivo, são irrefutáveis; e tanto o tempo como o atual espírito científico, que impera também nos domínios pedagógicos, tem demonstrado que se descobriu o certo. A pedagogia de Pestalozzi é fruto da observação e da experimentação, a qual não exclui, senão que implica um grau nada comum de genial intuição sobre a natureza da criança e do processo educativo8.

Esta unidade do texto procurou apresentar as perspectivas do iluminismo alemão que respaldam as reflexões e proposições metodológicas de Pestalozzi, bem como alguns aspectos da sua vida e da sua obra. O que cabe na próxima unidade é tratar do pensamento pedagógico do filósofo abordado. Algumas questões serão tratadas bem como teóricos que contribuíram para sua construção metodológica.



O pensamento educacional
Pestalozzi tinha uma ambição a de juntar aquilo que Rousseau separou, isto é, o homem natura e a realidade histórica; e o fez aderindo a seu tempo e, também, fechando-se dentro dos limites ideais de uma sociedade predominantemente pré-industrial, segundo Manacorda (1995). Toda filosofia leva consigo uma pedagogia e, o inverso, toda pedagogia supõe uma filosofia. Já foi dito que a pedagogia de Pestalozzi foi influenciada pelo sistema filosófico de Kant. É claro que isto é certo só no que se refere aos fins morais da educação, pois no mais toda relação que se quisera ver não será mais escassa e analógica. Em troca, no que tange ao papel e a importância da moral no que se refere ao ser do homem, lendo-o parece que as vezes estamos lendo Kant.

Assim, por exemplo, ele entendia a educação como formação do homem enquanto ser individual, escrevendo “o homem não chega a ser homem se não por meio da educação”9; e também: “Me aperfeiçôo a mim mesmo quando faço o que devo na lei e não o que quero10. Típico de Pestalozzi é que faz uma aplicação do moral e do social: para que a vida social não seja construtiva, se não que nela pode o homem independente e livre, deve embasar-se em uma acepção dos vínculos sociais não por meras conveniências práticas, se não por uma livre acepção do dever: a educação deve levar o homem a adotar esta atitude, com a que conseguirá sua autonomia espiritual. Fora isto, estamos longe de afirmar que a filosofia pedagógica de Pestalozzi seja a kantiana, pois naquela não seria difícil assinalar a presença de correntes como o sensualismo, o empiricismo e o racionalismo; com o qual, será o mais adequado seja afirmar que o que há em Pestalozzi é um ecletismo filosófico.

Pestalozzi queria que fosse dada a criança uma formação religiosa, que deveria ser apreendida, sobretudo pela via do sentimento: entre a fé religiosa e o amor aos pais existe uma continuidade. “[...] reconhece constantemente o valor da educação religiosa; só que, para ele, sem caráter dogmático e confes­sional: sua religiosidade é antes amor, aspiração ao aperfei­çoamento, que submissão a seita ou dogma. Por isso, quase não é suscetível de ensino. [...] A educação reli­giosa baseia-se no amor materno e daí se eleva à crença e ao amor cristãos”, segundo Luzuriaga (2001, p. 175). Adivinha-se aí algum parentesco com a postura de Rousseau, que é tanto mais evidente se tivermos em conta que nas concepções pestalozzianas não é difícil rastrear alguns aspectos de deísmo e de naturalismo. É por isto que sua concepção tem da religiosidade não agrada aos cristãos e lhe proporcionou, em seu tempo e mais tarde, um bom número de adversários. De todo o modo é justo reconhecer que, ainda em seus possíveis exageros, o que faz é clamar por uma religiosidade autêntica que não foi sempre bem compreendida.

Mas o que é mais notável em Pestalozzi – o mais característico – é seu método de educação intelectual, seu sistema de instrução, sua didática, que se resume na doutrina da “intuição” dos objetos aprofundada na base dos três famosos elementos de número, forma e linguagem. Acreditava Pestalozzi que, com isto, reduziria o processo de aprendizagem intelectual da criança pequena a seus elementos mais simples, com o que, usando este método de um modo quase mecânico, daria lugar a resultados necessariamente satisfatórios. “Durante muito tempo não se viu em Pestalozzi mais que o criador e organizador de métodos de ensino. Depois, negou-se a eficiência deles, considerados então como algo mecânico e, automático. Hoje, entretanto, acabou-se por dar-lhe a verdadeira significação de auxiliares e instrumentos do mestre, que pode alterá-los segundo as condições psíquicas do aluno e as circunstâncias do momento, continuando em pé as linhas essenciais, o arcabouço do método” (Luzuriaga, 2001, p. 177). É por isso que abrigou a ilusão de que, aplicando-o, qualquer mãe, por inculta que fosse, se converteria em uma professora eficiente de seus filhos. Este afã de esquemismo e práxis infalível seduziram alguns outros pedagogos, especialmente Froebel, e, num momento posterior, M. Montessori.

Este espírito analista de Pestalozzi o levou igualmente a outras inconveniências, como foi seu afã – sobre todo o desenho – de que a criança descomponha as coisas em seus elementos simples, quando na realidade parece que o todo tem maiores intenções de ser o processo natural de aprendizagem. Isto seria a maior objeção que, desde um desenvolvimento posterior dos conceitos pedagógicos, poderíamos fazer a ele. Pois ficou sempre em pé uma série de princípios imortais e geniais que são os que constituem em sua maior glória, por haver se incorporado ao que poderíamos chamar de “Pedagogia perene”. Vamos mencionar sucintamente os mais importantes.

A instituição é o fundamento do conhecimento e, portanto, da instrução. O saber puramente verbal e memorístico não é autêntico saber, estreita a compreensão das coisas e de suas relações; e para chegar a isto o trabalho é mais da própria criança do que do professor. Como disse W. Schohaus, “o método de Pestalozzi, em suas linhas gerais, tende a capacitar a pessoa para poder valer-se de si mesma”11. Isto se entende melhor se recordarmos que Pestalozzi preconiza a primazia da educação sobre a instrução, e do “saber fazer” sobre o “fazer”, com o que elabora as bases da pedagogia ativa.

Dentro desta linha tão moderna, recordamos que advoga por uma educação integral que forme o coração, a cabeça e a mão; com o qual a educação escolar é um complemento da educação doméstica e uma preparação para a educação dada pela vida. A instrução não é mais do que uma tarefa, e certamente não a mais importante. A supera em valor a educação moral, que é uma obra de amor e de fé que inspira na criança amor e respeito a “ordem” estabelecida pelo Criador.

Um acerto típico de Pestalozzi e que está muito de acordo com as afirmações dos psicólogos atuais é sublinhar o papel transcendental e insubstituível que exerce a mãe na formação da personalidade da criança, cujos mecanismos de reação se formam, para toda a vida, em seus primeiros anos. Para ele todo o posterior desenvolvimento espiritual da pessoa se baseia em seu vínculo natural (ou “animal”) entre filho e mãe. Por isto insiste na influência da família como fator da educação e, diz, que a arte do educador é como a do jardineiro.

Para dar uma idéia acerca da influência exercida pelo nosso autor sobre a educação nos tempos que se seguiram, digamos que o consideraram como o promotor e reformador da escola popular. A organização escolar e a didática (aplicação de métodos, redação dos programas) de todo o século dezenove tiveram em conta os princípios deste pedagogo, que alcançaram uma enorme difusão. O nome de Pestalozzi exerce uma grande sugestão e foi convertido em um símbolo da vocação educadora.

[...] O meio de encontrar essa perfeição é a educação tanto para o indivíduo como para a espécie. O ponto de vista liberal de John Locke, defendido sob o título de Some Thoughts Concerning Education (Alguns pensa­mentos referentes à educação), publicado em 1693, destaca a neces­sidade de se respeitarem as habilidades e necessidades individuais de cada criança no processo educativo. Seu principio pedagógico era coerente com a convicção iluminista e exerceu grande influência não apenas sobre o romance educativo Émile, de Rousseau (1762). Se pedagogos como Basedow e Pestalozzi insistem na educação do in­divíduo isso ocorre porque o olho pedagógico direciona-se à ques­tão de saber se a espécie é educável ou não. Lessing percebe a Histó­ria como sendo a educação da espécie humana na busca por uma moralidade autônoma. Também Schiller quer lapidar a moral do ser humano, mas ele não aposta no imperceptível passo da providência, ele mesmo assume e acredita no desenvolvimento da moralidade por meio do caminho indireto da educação estética do ser humano (KREIMENDAHL, 2004, p. 34-35).



É importante perceber como podemos partilhar das discussões dos filósofos deste período sobre a criança e o processo educativo. Em Locke, Rousseau, Basedow, Pestalozzi, Lessing e Schiller podemos aperfeiçoar nossa compreensão de educação no século estudado. “[...] toma corpo na Europa uma nova pedagogia teoricamente mais livre, socialmente mais ativa, praticamente mais articulada e eficaz, construída segundo modelos ideais novos (burgueses: dar vida a um sujeito-indivíduo e recoloca-lo, construtiva e ao mesmo tempo criticamente, na sociedade) e orientada, sobretudo para fins sociais e civis” (CAMBI, 1999, p. 330).
Algumas reflexões sobre o livro: “Carta sobre a educação infantil”
A discussão proposta para esta unidade do texto compreende a apresentação das propostas educacionais de Pestalozzi no livro “Carta sobre a educação infantil”, ele data de 1818-1819 e, foi escrito em forma de cartas, no número de trinta e quatro, endereçadas a um amigo e admirador de seu trabalho interessado em sua teoria e sua prática. Este era inglês, James Pierpoint Greaves, que visitou Yverdon entre 1817 e 1822. A obra em questão é sistemática, sem dúvida a mais ordenada e completa que escreveu o autor, pelo que se refere ao delineamento de toda a problemática educacional, a fundamentação das soluções propostas e a multiplicidade de aspectos com que são tratadas as questões. Engana-se o leitor se crer que vai ler uma série de cartas esporádicas e ocasionais; mas, sim, de uma obra bem planejada e realizada, ainda que em formato epistolar. Foi escrita na sua maturidade, quando a experiência deste havia alcançado já todas suas possibilidades. Pestalozzi escreveu estas cartas para que fossem publicadas em formato de livro. As referências que nelas fez a seu destinatário teórico são poucas, estando redigidas estas de forma muito impessoal e doutrinal. Ele abrigava uma intenção bem concreta: dar a conhecer seu sistema na Inglaterra, que era onde deveria ser publicada a mesma. Por isso tratou de escrevê-la de um modo esquemático, direto e metódico, com o qual intentou adaptar-se a mentalidade prática, própria dos ingleses.



CARTAS SOBRE EDUCACION INFANTIL

I

Propósito de este libro

II

Aptitud de la madre para cumplir con su misión

III

Primeras manifestaciones del desarrollo del niño

IV

Tomada de consciencia de la madre con respecto a educación de su hijo

V

Importancia del corazón en la conducta humana

VI

En el niño aflora una vida espiritual.

VII

Predisposición del niño a la bondad

VIII

Discusión de la tesis anterior

IX

Desvalimiento del niño en el primer periodo de su vida

X

Los primeros indicios de la vida superior en el niño

XI

La corriente afectiva madre-hijo

XII

Seriedad en el modo de satisfacer las necesidades del niño

XIII

El afecto, no el temor, constituye el medio de dominar los impulsos instintivos del niño

XIV

La educación del sentimiento de amor y confianza del hijo hacia su madre

XV

Función superior del afecto del niño hacia su madre. Actitud de ésta ante el afecto de su hijo

XVI

La función educadora de la madre exige en ésta abnegación personal

XVII

El verdadero amor materno implica corregir al hijo

XVIII

La vinculación y la desvinculación afectiva en­tre madre e hijo

XIX

Cómo reaccionar ante las tendencias naturales del niño. Los primeros pasos que éste da

XX

Comienza la formación de la inteligencia. Ampliación del circulo de relaciones .

XXI

Ideas sobre educación. Atención que hay que prestar al desenvolvimiento de todas las facultades

XXII

La educación física por la gimnasia

XXIII

Ejercicios para el desarrollo de los sentidos. La música como medio educativo

XXIV

Utilidad pedagógica del dibujo y el modelado .

XXV

Evolución social positiva en cuestión de educación. Importancia de la función educativa de la familia

XXVI

Toda madre es la primera educadora e instructora de su hijo

XXVII

Conveniencia de que la madre sea una persona culta y formada. Ideas sobre educación femenina

XXVIII

LA superación del memorismo mediante la com­prensión y la intuición de las cosas

XXIX

Enseñemos al niño a entender las cosas y a refle­xionar sobre ellas

XXX

El interés del niño por el aprendizaje. Medios adecuados y medios inadecuados de suscitarlo

XXXI

El método de la «intuición» con sus elementos de número, forma y lenguaje. Resultados excelen­tes a que da lugar en aritmética. El aprendizaje de la lengua materna

XXXII

El fin moral de la educación. Importancia del carácter moral de la persona. La felicidad humana

XXXIII

Critica de los medios de estimulo basados en el temor y en la ambición personal del niño. La edu­cación de la vida afectiva. El sentimiento religioso

XXXIV

El cristianismo en la educación del niño

Discutiremos o conteúdo das cartas elaboradas por Pestalozzi no intuito de salientar apenas algumas das que mais tem importância a discussão que ora intentamos, é claro que a consulta as cartas na sua totalidade pode dar ao leitor uma dimensão mais ampla das questões por ele tratadas. Basta recorrer ao índice do livro acima para observar que esta obra sistemática e completa em sua exposição da uma visão da pedagogia do autor. Este propõe tocar a todos e a cada um dos temas, com o qual nenhum deles aparece tratado de um modo profundo e detido, com exceção deste que trata da educação que, para ele, é o vínculo afetivo entre a mãe e o filho, e que justifica o título do livro que foi dado a edição alemã (“Mãe e filho”); este tema é apresentado na primeira metade do livro, com o que mostra claramente o papel fundamental que julga o autor, que se adiantou às discussões dos psicólogos modernos, assim como em atribuir aos primeiros anos da vida da criança grande importância para o tipo de comportamento que se desenvolverá, posteriormente, em sua vida (carta XVIII).

Vamos destacar a continuação de algumas das idéias do presente livro que representam um passo adiante na doutrina pedagógica e uma parte positiva que Pestalozzi fez dela mesma, que merecem ser levadas especialmente em conta. Uma delas é o conceito de “desenvolvimento”, que, como é sabido, representa uma oposição e uma correção a Rousseau. O pedagogo genebrino, com efeito, havia concebido o desenvolvimento da criança como um processo de desdobramento sucessivo de capacidades, pois que na criança surgiam primeiro as sensitivas, mais tarde as intelectuais, posteriormente as sociais, as morais, as religiosas, etc. Pestalozzi, em oposição, pensa de um modo muito diverso: entende que o desenvolvimento é um processo de desdobramento simultâneo de atitudes, já que “uma criança é um ser dotado com todas as capacidades da natureza humana, se bem que nenhuma delas alcançaram ainda seu desenvolvimento total”12, coisa que se vai conseguindo gradualmente em todas as dimensões uma a cada vez (carta III). É por isso que a educação deve ser, em cada momento, harmônica e completa (e não especializada e unilateral, como queria Rousseau): “há de cultivar de tal modo as capacidade da pessoa que nenhuma delas predomine a custa da outra”13 (cartas V e XXI).

O distanciamento de Rousseau neste ponto não impede uma notável afinidade em outras questões, pois Pestalozzi o tem como uma de suas principais fontes de inspiração. Como Rousseau, também nosso pedagogo está preocupado em fundamentar a educação sobre as leis da natureza, crendo que a solução dos problemas pedagógicos “pode dar-se unicamente como resultado de averiguar o que é a natureza humana”14 (cartas XVI e XXI). Isto não autoriza, contudo – e como tem feito -, a considerar Pestalozzi como um naturalista a mais; podemos chamá-lo, em suma, de um naturalista “moderado” que, se bem coincide com Rousseau em crer que a natureza constituiu uma pauta fundamental para a ação educativa, se separa de modo claro e preciso quando afirma a necessidade de atuar contra as inclinações instintivas que se manifestam já na criança pequena.

Esta postura de Pestalozzi nos revela sua atitude, típica, que nunca é extremista senão que se coloca sempre num meio termo. Isto poderia valer a nosso autor o título de “pedagogo de sentido comum”, que sem dúvida constitui o segredo de seu êxito, de sua aceitação e de sua influência. Sabemos que é difícil entender e definir a natureza do ato educativo, pleno de antinomias e de termos contrários que tenham que coexistir. As teses extremas de certos pedagogos, como o afirmam – opinam, entre outros Herbart e Mararenko – que na educação todos os resultados dependem exclusivamente do método e do educador; ou a tese oposta, defendida por Lombroso, segundo a qual o processo educativo vem determinado pelas disposições internas e da personalidade do educando. Frente a ambas as concepções, ele adota uma posição conciliadora e equilibrada, pois entende que “a condição prévia da obra educadora não reside na amplitude dos educadores; está igualmente na disposição da criança”15 (carta VIII).

Indicamos já que, a questão dos fins da educação, é sobretudo a Kant que Pestalozzi deve suas idéias. No presente livro são várias as passagens em que isto se mostra plenamente obvio. A finalidade da educação, escreve o autor, é “a elevação da pessoa a verdadeira dignidade é própria de uma ser espiritual”16, (carta XVI). A educação converterá o homem em membro útil da sociedade fazendo-lo “autônomo”, pois temos que temer o presente que “a autentica autonomia é coisa que vai estreitamente unida ao caráter moral”17 (carta XXXII). O fim supremo da educação é, pois, o fim moral.

Falando dos fins da educação escreve Pestalozzi: “o fim último da educação não está no aperfeiçoamento dos conhecimentos escolares, se não na eficiência para a vida”18 (carta XXI). Pois aqui nosso pedagogo está pisando já em outro terreno. Entende, de acordo com o aforismo clássico, que non scholae, sed vitae discimus. Com o qual se apresenta como de vanguarda da pedagogia ativa, realista, natural e humana. O princípio do ativismo é formulado claramente nas cartas XVIII e XXX: “A primeira regra a que se deve ater a mãe é a ensinar servindo-se sempre das coisas, mais do que de – palavras”19; convém fazer ver a criança “que não há modo de adquirir um saber básico sem colocar esforço de sua parte”20; na carta XXXI se diz que o melhor meio para que a criança aprenda as coisas é que as “descubra” por si mesmo, para o qual “devemos ensinar servindo-nos mais de objetos do que de palavras”21.

É no campo da educação intelectual que o ensino possui sua aplicação mais clara. Na carta XXIX Pestalozzi afirma que saber as coisas é entendê-las; de modo que formar a criança é formar o hábito da reflexão pessoas sobre as coisas, o qual é tanto como educar sua inteligência; e na carta XXVIII arremete contra o memorismo propondo superá-lo a base da “compreensão” e da “intuição” das coisas; esta intuição se fará metódica e exaustivamente de acordo com os três consagrados elementos de número, forma e linguagem (carta XXXI).

A criança tem sempre um interesse espontâneo pela aprendizagem, de modo que “quando as crianças se mostram distraídas e claramente com falta de interesse para o ensino que se lhes dá, o professor deveria sempre procurar buscar em si mesmo a causa disto”22 (carta XXX). Este interesse é preciso aproveitar e cultivar, é o meio mais adequado e não serão os castigos nem outros recursos negativos. A aprendizagem da língua materna, proposta igualmente por P. Girard, um contemporâneo e compatriota de Pestalozzi, que se apresenta também dentro desta linha que segue e aproveita o interesse espontâneo (ver a carta XXXI).

Considerações finais...

Não se discute a relevância da discussão proposta pela pedagogia pestalozziana, o que foi demonstrado é a contribuição atemporal do pedagogo. Ele foi um homem do seu tempo pensando, na educação e na criança, elaborando um método e proporcionando formas para viabilizar o ensino, a instrução, o conhecimento. Não podemos perder de vista a relação que estabeleceu com seus contemporâneoso e na criança, elaborando um msando, na educaçqueremos demonstrarntada sobretudo para fins sociais e civismais articulada e ef no aspecto teórico-metodológico, bem como na perspectiva em que o período em que ele viveu deixou marcas na sua forma de “fazer, observar, ponderar, criticar e escrever”.

Apresentamos algumas das questões tratadas neste texto e, que, fazemos questão de salientar: a importância que dá a mãe em relação à educação de seu filho, na força dos aspectos religiosos que compõe a educação das crianças, na importância da escola no papel do ensino, como a pedagogia ativa forma o potencial das crianças, a sua perspectiva em antecipar as discussões dos psicólogos contemporâneos; estas são para serem pensadas e trabalhadas por todos aqueles que lidam com as crianças hoje.

Referências

CAMBI, F. História da pedagogia. São Paulo: Editora UNESP, 1999.
Kreimendahl, L. (Org.) filósofos do século XVIII. São Leopoldo, RS: Editora UNISINOS, 2004.

LUZURIAGA, L. História da educação e da pedagogia. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2001.


MANACORDA, M. A. História da educação: da antiguidade aos nossos dias. São Paulo: Cortez, 1995.
PALMER, J. A. 50 Grandes educadores: de Confúcio a Dewey. São Paulo: Contexto, 2005.
PESTALOZZI, J. H. Cartas sobre educación infantil. Madrid: Tecnos, 1996.


1 Professora do Departamento de Fundamentos da Educação, vinculada ao programa de Pós-Graduação em Educação atuando no mestrado e doutorado.


2 “O século XVIII é considerado o século do Iluminismo, que se impõe em todas as áreas, não só na filosofia. É, portanto a marca desse período, que engloba a secularização na política, na cultura na literatura e na religião, ou seja, em todas as manifestações da atividade humana” (KREIMENDAHL, 2004, p. 07).


3 Cabe ressaltar que o Iluminismo na França e na Inglaterra tem um papel muito relevante na discussão do período, mas este texto tratará apenas deste na Alemanha, tendo em vista o filósofo em questão.

4 CABANAS, J. M. Q. Estudio Preliminar. In: PESTALOZZI, J. H. Cartas sobre educación infantil. Madrid: Tecnos, 1996.


5 “Si la didáctica de Pestalozzi (la forma, el número y el nombre) sólo nos ofrece hoy un interés histórico, sus ideas sobre el fin y la obra de la educación, paradojas, humoradas, apóstrofes, efusiones, como la lava de una colada volcánica, continúan incandescentes bajo una tenue capa de escorias”.


6 CABANAS, J. M. Q. Estudio Preliminar. In: PESTALOZZI, J. H. Cartas sobre educación infantil. Madrid: Tecnos, 1996.


7 Idem.

8 “Primero hace y obser­va, luego pondera y critica, y por último escribe. Repeti­das veces en el presente libro afirma que apoya en esta base empírica todas sus conclusiones, con la conciencia de que, por tal motivo, son irrebatibles; y tanto el tiempo como el actual espíritu científico, que impera también en los dominios pedagógicos, han demostrado que se halla­ba en lo cierto. La pedagogía de Pestalozzi es fruto de la observación y la experimentación, lo cual no excluye, por supuesto, sino que implica un grado nada común de genial intuición sobre la naturaleza del niño y del proce­so educativo”.

9 “el hombre no llega a ser hombre sino por medio de la educación”.


10 “Me perfecciono a mí mismo cuando hago de lo que debo la ley de lo que quiero”.

11 “el método de pestalozzi, en sus líneas generales, tiende a capacitar a la persona para poder valerse por si misma”.

12 “un niño es un ser dotado con todas las facultades de la naturaleza humana, si bien ninguna de ellas ha alcanzado aún su desarrollo total”.


13 “hay que cultivar de tal modo las facultades de la persona que ninguna de ellas predomine a costa de otra”.


14 “puede darse únicamente como resultado de averiguar lo que es la naturaleza humana”.


15 “la condición previa a la obra educadora no reside en la aptitud de los educadores; está igualmente en la disposición del niño”.


16 “la elevación de la persona a la verdadera dignidad propia de un ser espiri­tual”.


17 “la auténtica autonomía es cosa que va estrechamente unida al carácter moral”.

18 “El fin último de la educación no está en el perfeccionamiento de los conocimientos escolares, sino en la eficiencia para la vida”.


19 “La primera regla a la que debe atenerse la madre es la de enseñar sirviendo-se siempre de cosas más que de – palabras”.


20 “que no hay modo de adquirir un saber básico sin poner un esfuerzo de su parte”.


21 “debemos enseñar sirviéndonos más de objetos que de palabras”.


22 “cuando los niños se muestran distraídos y claramente faltos de interés para la enseñan­za que se les da, el maestro debería siempre empezar por buscar en si mismo la causa de ello”.



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