Casa do sino filosofia e literatura- handout 8 I. do mito à filosofia (handout 2) II. Os Pré-Socráticos



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CASA DO SINO - FILOSOFIA E LITERATURA- HANDOUT 8

I. do mito à filosofia (HANDOUT 2)

II. Os Pré-Socráticos

1. a escola de Mileto (HANDOUT 4)

2. escola itálica: Pitágoras de Samos (HANDOUT 4)

3. escola eleática

3.1. A UNIDADE DO DIVINO: xenófanes de cólofon (HANDOUT 4)

3.2. parmênides de eléa: O QUE É — É O QUE É (HANDOUT 5/ aula 6)

3.3. Zenão de eléia

4. heráclito de éfeso: O FOGO ETERNAMENTE VIVO [escola jônica]


5. empédocles

5.1. [contra o monismo corporalista, pela revalorização do movimento e da multiplicidade]

a. O eleatismo e, em particular, as aporias de Zenão de Eléia tinham mostrado as conseqüências extremas a que conduzia o monismo corporalista.

b. E como não havia ainda possibilidade, naquele momento da cultura grega, de se Udefender a tese da incorporeidadeU, a solução para o impasse levantado pelo eleatismo teve de provir da Usubstituição do monismo pelo pluralismoU.

c. [influência da democracia política no princípio da isonomia, princípio legalizador da multiplicidade política ou igualdade perante a lei]

5.2. [aspectos biográficos]

a. Já na Antigüidade a vida de Empédocles suscitou relatos diversos e, à semelhança da de Pitágoras, foi envolvida numa atmosfera de lendas.

b. ... nascido em Agrigento, na Magna Grécia, em aproximadamente 490 a.C, e vivido cerca de sessenta anos.

c. [defensor da democracia, ativista político]

5.3. [obras e aspectos gerais do pensamento]

a. Em dois poemas, Empédocles expôs seu pensamento: em Sobre a Natureza e nas Purificações.

b. O poema Sobre a Natureza exprime uma nova concepção de verdade e de razão [em oposição ao eleatismo]

c. Empédocles altera essa concepção de verdade, declarando em seu poema que pretende apresentar "apenas o que pode alcançar a compreensão de um mortal".

d. Isso significa que a evidência procurada não é a do intelecto puro: é a exigência de clareza racional, porém aplicada aos dados fornecidos pelos sentidos.

e. Desaparece a monarquia da razão, o conhecimento se democratiza: todos os recursos de apreensão da realidade são igualmente legítimos e devem ter sua parte na constituição da verdade.

f. Resultado dessa democratização do processo gnosiológico é também a natureza do logos de Empédocles: não mais o solitário e pessimista discurso heraclítico, mas discurso dirigido a um ouvinte, a uma outra consciência: "Escuta, pois, Pausânias..." — assim começa o poema Sobre a Natureza. Abre-se o caminho para o socrático diálogo, filho posterior da democracia.

5.4. [as quatro raízes]

a. A conciliação entre razão e sentidos, proposta por Empédocles, conduz à substituição do monismo corporalista pelo pluralismo: o universo pode ser entendido então como o resultado de quatro raízes — a água, o ar, a terra, o fogo.

b. Essas raízes estão governadas pela isonomia: são "iguais", nenhuma é mais importante, nenhuma mais primitiva, todas eternas e imutáveis.

c. Nem há mudança substancial: as raízes permanecem idênticas a si mesmas.

d. A diversidade das coisas delas resultantes advém de sua mistura em diferentes proporções.

e. Proclama Empédocles: "Não há nascimento para nenhuma das coisas mortais; não há fim pela morte funesta; há somente mistura e dissociação dos componentes da mistura. Nascimento é apenas um nome dado a esse fato pelos homens".

5.5. O AMOR E O ÓDIO

a. Por exigência da razão, as raízes são concebidas por Empédocles como imóveis; mas, por exigência dos sentidos, o movimento percebido no universo não pode ser tido como mera ilusão.

b. ... Empédocles apela para mais dois princípios cosmogônicos: o Amor (Philia) e o Ódio (Neikos).

c. Empédocles estabelece paridade entre Amor e Ódio e as quatro raízes: são também corpóreos (são "fluidos-forças") e têm a mesma "idade" das raízes (o que exclui qualquer preeminência por anterioridade).

d. O princípio de igualdade, regendo a atuação do Amor e do Ódio, resulta num processo cíclico, que oscila entre um estado de máxima junção (obra do Amor) e de máxima separação das raízes (obra do Ódio).

e. O processo cosmogônico repete-se indefinidamente e representa, assim, uma perene tensão entre o Um e o Múltiplo.

f. Da alternância da supremacia ora do Amor, ora do Ódio, surgem as quatro fases que Empédocles descreve em Sobre a Natureza:

5.6. [importância da concepção física de empédocles]

a. O princípio de isonomia, que impõe a compensação cíclica das ações de Amor e Ódio, resulta na adoção da doutrina do eterno retorno — doutrina que contém em si a idéia do equilíbrio relativo entre as forças do universo e a da conservação perfeita de sua energia.

b. Além disso, a formação do universo atual como resultado da progressiva separação das raízes leva Empédocles a formular uma concepção evolucionista, na qual já aparece a noção de "sobrevivência dos mais aptos".

c. [o princípio de isonomia aplicado ao organismo humano; adesão à linha médica do pitagórico Alcméon de Crotona]

d. Mas Empédocles vai além: para ele a igualdade democrática era o princípio que dirigia todo o cosmo, desde sua gênese. Por isso, o principal papel do filósofo seria o de lutar por democratizar a polis, integrando-a na lei universal.

e. [sobre sua morte]

f. Mais provável, porém, é que, por motivos políticos, tenha sido banido de sua cidade, indo acabar seus dias no Peloponeso.

6. anaxágoras: EM TUDO UMA PORÇÃO DE TUDO

6.1. [a filosofia nasce na periferia do mundo grego e é repelida no continente]

a. ...a península grega desenvolvia-se política e socialmente alicerçada em valores que apenas indiretamente recebiam o influxo da novidade filosófica nascida nas colônias:

b. Atenas chegou à fase democrática sem ter gerado um único filósofo. E ainda perseguiu aquele que primeiro para lá se transferiu: Anaxágoras.

c. Nascido em Clazômena, aproximadamente em 500-496 a.C., Anaxágoras levou para Atenas as idéias novas que estavam sendo produzidas na Jônia.

6.2. [tentativa de conciliação do pensamento jônico com o eleatismo; o infinitamente pequeno; a divisibilidade infinita]

a. [sua obra tenta] conciliar a doutrina eleática de uma substância corpórea imutável com a existência de um mundo que apresenta a aparência do nascimento e da destruição.

b. Anaxágoras introduz a noção do Uinfinitamente pequenoU: "Todas as coisas estavam juntas, infinitas ao mesmo tempo em número e em pequenez, porque o pequeno era também infinito".

c. Essa idéia, contrária à concepção da extensão no pitagorismo primitivo (que admitia a extensão como composta de unidades indivisíveis), torna-se fundamental na cosmogonia e na cosmologia de Anaxágoras. A tese de que "em cada coisa existe uma porção de cada coisa" (frag. 11) sustenta-se na divisibilidade infinita.

6.3. [o movimento e o o nous]

a. O universo atual constitui-se, segundo Anaxágoras, a partir de um todo originário no qual todas as coisas estavam juntas e "nenhuma delas podia ser distinguida por causa de sua pequenez".

b. O movimento e a diferenciação só surgem nesse conjunto aparentemente homogêneo devido à interferência do Espírito (Nous).

c. Mas, na verdade, o Nous é uma corporeidade sutil e sua ação é de natureza mecânica: move e separa os opostos (frio-quente, pesado-leve etc.) que inicialmente estavam juntos. Devido a essa ação é que surgem os seres diferenciados.

d. A ação do Nous decorre de uma característica que lhe é peculiar: a imiscibilidade, que lhe garante a pureza.

e. Afirma Anaxágoras: "Em todas as coisas há uma porção do Nous e há ainda certas coisas nas quais o Nous está também" (11 D).

f. Sobre uma Umatéria divisível ao infinitoU, o Nous exerce apenas uma função motora inicial (o que será criticado pelo Sócrates do Fédon de Platão), produzindo na mistura original composta por todas as coisas juntas um Umovimento rotatórioU, que se expande por razões meramente mecânicas e ocasiona o surgimento do universo.

g. Todavia, "há coisas nas quais o Nous está também" — o que marcaria a Udistinção, para Anaxágoras, entre seres animados e seres inanimadosU.

h. Dentre os seres animados, animais e vegetais, o homem se destaca como o mais sábio. Mas sua forma de conhecer não pode depender do Nous, que, sempre idêntico a si mesmo, é o mesmo em todos os seres animados.

i. A posição de Anaxágoras diante do problema do conhecimento revela então grande originalidade: os graus de inteligência manifestados pelos seres animados dependem não do Nous presente neles, mas da estrutura do corpo a que o Nous está ligado sem se misturar.

j. Segundo o depoimento de Aristóteles, Anaxágoras teria afirmado que "o homem pensa porque tem mãos", tese que mais tarde será combatida (inclusive pelo próprio Aristóteles), quando se intensificar, na sociedade grega, o preconceito contra o trabalho manual, geralmente atribuído a escravos.



III. Para Ler Os Fragmentos Dos Pré-Socráticos (aula 6)

IV. Tales De Mileto

V. Anaximandro De Mileto

VI. Anaxímenes De Mileto

VII. Pitágoras De Samos

VIII. Xenófanes De Colofão

IX. Heráclito De Éfeso

X. Parmênides De Eléia

XI. Zenão De Eléia (cerca de 504/1-? a.c.)

XII. Melisso De Samos (floresceu cerca de 444/1 a.c.)

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XIII. Empédocles De Agrigento (cerca de 490-435 a.c)

1. [super síntese]

1.1. DADOS BIOGRÁFICOS

a. Empédocles era natural da colônia de Agrigento, na Sicília.

1.2. [doutrina e pensamento: síntese de várias correntes ]

a. Empédocles era um misto de cientista, de místico, de alcmeônida, de pitagórico e de órfico.

b. Sua doutrina pode ser vista como uma primeira síntese filosófica.

c. Substitui a busca dos jônicos de um único princípio das coisas pelos quatro elementos: fogo, terra, água e ar;

d. combina ao mesmo tempo o ser imóvel de Parmênides e o ser em perpétua transformação de Heráclito, salvando ainda a unidade e a pluralidade dos seres particulares.

2. DOXOGRAFIA

3. Fragmentos

4. Crítica Moderna: NIETZSCHE

4.1. [o caráter “excêntrico” de empédocles]

a. Empédocles é de família agonal; em Olímpia fez sensação.

b. Tentou, evidentemente, converter todos os gregos à nova maneira de viver e filosofar dos pitagóricos;

c. [acreditava-se um deus imortal]

4.2. [aspectos gerais de seu pensamento]

a. Procurou, pois, inculcar em todos a unidade de tudo o que vive, explicando que comer carne é uma espécie de autofagia, o assassínio do que nos é próximo.

b. Queria fazer os homens passarem por uma purificação inaudita.

c. Sua eloqüência se resume no pensamento de que tudo o que vive é um, os deuses, os homens e os animais.

4.3. [a unidade dos viventes; compaixão; combate ao ódio]

a. A unidade dos viventes é o pensamento parmenidiano da unidade do ser, sob uma forma infinitamente mais fecunda;

b. uma simpatia profunda com toda a natureza e uma compaixão transbordante aliam-se a ele.

c. A finalidade de sua existência parece-lhe ser sanar os males causados pelo ódio,

d. Ele sofre por viver neste mundo de tormento e contradição;

4.4. [PENSAMENTO TRÁGICO, PESSIMISMO ATIVO]

a. Ele é o filósofo trágico, o contemporâneo de Esquilo.

b. O que mais surpreende nele é seu extraordinário pessimismo, mas um pessimismo ativo e não quietista.

c. Se suas opiniões políticas são democráticas, seu pensamento básico é levar os homens à "sociedade de amigos", dos pitagóricos; quer, pois, a reforma social e a abolição da propriedade.

d. Para fundar o reino exclusivo do amor fraternal, escolheu a vida de profeta errante, depois de ter fracassado em Agrigento.

e. Sua influência está no domínio das influências pitagóricas, que se desenvolveram nessa época (mas não na Sicília).

4.5. [PENSAMENTO “ECLÉTICO”]

a. E. está na mesma relação com o misticismo pitagórico e órfico que Anaxágoras com a mitologia helênica.

b. Vincula esses instintos religiosos a explicações científicas.

c. É racionalista e, por essa razão, odiado pelos crentes.

d. admite ainda todo o mundo dos deuses e dos demônios, em cuja realidade acredita tanto quanto na dos homens. Ele mesmo se sente um deus no exílio;

e. Maldiz o dia em que tocou com os lábios o alimento sangrento; isso parece ser seu crime, sua mácula pelo assassinato.

f. Descreve o sofrimento dos criminosos primitivos: a cólera do éter os precipitou no mar, o mar os repeliu para a terra, a terra os atira para as chamas do sol, e este os lança de volta ao éter. [a origem dos mortais]

g. Os mortais lhe parecem, portanto, ser deuses decaídos e punidos.

h. ... o todo não está destinado a ser visto nem entendido pelos homens, nem captado pela inteligência.

4.6. [afrodite como princípio cósmico]

a. Nesse mundo de discórdia, de sofrimento e de conflito, ele só descobre um princípio que lhe garanta uma ordem do mundo inteiramente diferente: é Afrodite [a vida sexual como resistência à discórdia]

b. A philía quer triunfar sobre o império do neikos;

c. A mola íntima dessa tendência é a nostalgia do semelhante;

d. Ora, o verdadeiro pensamento de Empédocles é a unidade de tudo aquilo que se ama: há em todas as coisas um elemento que as impele a se misturar e a se unir, mas também uma força hostil que as separa brutalmente; esses dois instintos estão em luta. Essa luta produz todo o vir-a-ser e toda a destruição. É um castigo terrível estar sujeito ao ódio.

4.7. [a dificuldade em explicar o movimento , devido à mescla do pensamento mítico com o científico; tenta reduzir tudo ao conflito philia x neikos]

a. A migração através de todos os elementos corresponde, na ordem da natureza, à metempsicose de Pitágoras;

b. O que o torna difícil de compreender é que nele o pensamento mítico e o pensamento científico avançam lado a lado;

c. Aqui e ali a alegoria já é perceptível no lugar do mito; é assim que ele crê em todos os deuses, mas são Uos elementos da naturezaU que ele designa desse modo.

d. Sua interpretação de Apoio é a mais notável de todas, pois ele vê neste o espírito:

e.U Esse espírito não é o motor do movimento, como pensa AnaxágorasU. Mas basta para tornar compreensível todo movimento, desde que seja afetado de ódio ou de amor.

f. o Nous lhe parece ainda demasiado complexo e demasiado pleno; o prazer e a dor, os fenômenos últimos da vida lhe bastam, por serem os resultados dos instintos de atração e de repulsão.

g. Empédocles substitui o Nous indistinto pela philía e pelo neikos, mais precisos.

4.8. [E. tenta explicar a ordenação do mundo através de uma “teoria da evolução”]

a. Mas seu problema capital consiste em fazer nascer o mundo ordenado destes instintos opostos, sem o auxílio de nenhum fim, de nenhum Nous;

b. ele se contenta aqui com o pensamento grandioso de que, entre as inumeráveis formas monstruosas e impossíveis da vida, pode-se encontrar algumas que sejam bem formadas e aptas para a vida;

c. a boa adaptação determina o número dos seres existentes.

d. Os sistemas materialistas jamais abandonaram essa idéia. Temos uma aplicação particular dela na teoria de Darwin.

4.9. [o problema do movimento continua sem uma solução satisfatória]

a. aquilo que é movido são os seres, tais como os imagina Parmênides: que não vieram a ser, indestrutíveis, invariáveis.

b. Enquanto Anaxágoras admitia que todas as qualidades são reais, portanto eternas, Empédocles encontra somente quatro realidades verdadeiras: a terra, o fogo, a água e o ar...

c. Esses quatro elementos primordiais contêm em si toda a matéria, que não pode aumentar nem diminuir.

d. Se dois corpos estão substancialmente separados um do outro e se, apesar disso, agem um sobre o outro, isso se produz pelo destacamento de partículas minúsculas e invisíveis, que penetram nos orifícios do outro corpo.

e. os corpos de mesma espécie e fáceis de misturar são corpos amigos, o semelhante deseja o semelhante; aquilo que não se pode misturar se odeia.

f. Os verdadeiros motores são sempre philía e neikos, isto é, há uma relação necessária entre seus efeitos e a forma das coisas. E preciso que os corpos sejam misturados ou conformados de tal modo que sejam análogos e se correspondam; só então a philía se produz.

g. Mas o que forma as coisas é, na origem, anánke e não inteligência.

h. Todos os movimentos, segundo Empédocles, nasceram de maneira não mecânica, mas só levam a um resultado mecânico; curiosa mistura de noções materialistas e idealistas.

4.10. [os princípios de anaxágoras não podem ser aplicados ao pensamento de empédocles, para explicar o movimento, pois a plena atuação de philia e neikos levam sempre a um equilíbrio estático]

a. Em seguida, uma tentativa de abolir esse dualismo do movimento, admitido por Anaxágoras, ação dos Nous e Umovimento de choqueU. [produzido pela atração entre os semelhantes]

b. Pois Empédocles viu com razão que dois seres absolutamente diferentes não podem exercer um sobre o outro nenhum efeito de choque.

c. Mas ele não foi bem sucedido em reencontrar em toda espécie de movimento ulterior essa força motriz primordial, somente philía e neikos agindo, como únicos princípios motores.

4.11. [E. recorre então a heráclito e estabelece o princípio de alternância]

a. É preciso, pois, que esses dois princípios [philia e neikos] estejam em luta [permanente].

b. Ele se aproxima aqui de Heráclito, glorificando o pólemos, pai de toda ação simultânea, não se produzirá de novo nenhum movimento.

c. É preciso então que se alternem os períodos de preponderância de um ou de outro.

d. No Sphairos reinam, no princípio, a harmonia e o repouso; depois o ódio começa a se agitar e tudo se dispersa em todos os sentidos; em seguida, o amor age, forma-se um turbilhão em que os elementos se misturam e produzem os diversos seres naturais. Pouco a pouco o ódio diminui e dá lugar ao amor etc.

4.12. [mas como explicar a relação entre analogia [=semelhança?] e philia?

a. Mas nem tudo ficou claro: a analogia é uma conseqüência da philía, ou a philía se produz na analogia? De onde vem, então, a analogia?

b. Como a força da philía e dos neikos não se deixa medir, Empédocles, no fundo, não explica nada: não se sabe nem qual das duas forças prevalece nem quanto prevalece.

c. Faltava ainda deduzir uma conseqüência natural: remeter esse poder da philía a uma força latente nas coisas [remete a Demócrito]

d. Somente em um ponto desafiou Anaxágoras sem vencê-lo, ao propor seus princípios da philía e do neikos para eliminar a dualidade do movimento. Anaxágoras havia recorrido somente uma vez ao reino inexplicável do Nous; Empédocles admite constantemente um tal reino, inexplicável, impenetrável, irracional, e mesmo assim não se satisfaz.

e. Se se remete todo movimento à ação de forças impalpáveis, à inclinação e à aversão, a ciência se dissolve em magia.

f. Empédocles mantém-se constantemente nesse limite, e quase sempre oferece esse rosto equívoco. Médico ou mago, poeta ou retórico, deus ou homem, sábio ou artista, homem de Estado ou sacerdote, Pitágoras ou Demócrito, ele flutua entre dois. É a figura mais matizada da filosofia antiga; põe fim à idade do mito, da tragédia, do orgíaco, mas ao mesmo tempo surge nele a imagem do grego mais moderno, democrata, orador, racionalista, criador de alegorias, homem de ciência. Dois séculos se defrontam nele; ele é, dos pés à cabeça, o homem agonal.

5. crítica moderna: GEORG W. F. HEGEL

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PASSAGENS DE SCHOPPENHAUER (1788-1860) CITADAS POR nIETZSCHE (O MUNDO COMO VONTADE DE REPRESENTAÇÃO, EDITORA CONTRAPONTO, TRAD. M. F. SÁ CORREIA, 2001)

LIVRO PRIMEIRO • O MUNDO COMO REPRESENTAÇÃO

...Toda a realidade da matéria reside, com efeito, na sua atividade, e nenhuma outra lhe poderia ser atribuída, mesmo em pensamento. É por ser ath-a que ela preenche o espaço e o tempo; e é a sua ação sobre o objeto mediato, ele mesmo material, que cria a percepção, sem a qual não há ma­téria; o conhecimento da influência exercida por um objeto material qual­quer sobre outro só é possível se este último atuar por sua vez sobre o obje­to imediato, de maneira diferente da anterior: a isso se reduz tudo aquilo que podemos saber.

Ser causa e efeito, eis portanto a própria essência da matéria; o seu ser consiste unicamente na sua atividade. (Ver para mais detalhes a Disserta­ção sobre o princípio da razão, § 21, p. 77) É, pois, com uma singular preci­são que em alemão se designa o conjunto das coisas materiais pela palavra Wirirklichkeit (de wirken, agir),3 termo muito mais expressivo do que Realitãt realidade). Aquilo sobre o que a matéria age é sempre a matéria; a sua rea-fidade e a sua essência consistem portanto unicamente na modificação pro­duzida regularmente por uma das suas partes sobre uma outra; mas esta é uma realidade relativa: as relações que a constituem, aliás, são válidas ape­nas nos próprios limites do mundo material, exatamente como o tempo. ...

3. Mira in quibusdam rebus verborum proprietas est et consuetudo sermonis antiqui quaedam efficaássimis notis signat ("Admirável é a propriedade das palavras em determinadas situações e a utilização de uma palavra antiga produz conhecimen­tos muito eficazes") (Sêneca, Epistulae, 81).

LIVRO SEGUNDO • O MUNDO COMO VONTADE



Assim, em toda parte na natureza, nós vemos luta, combate, e alternativa de vitória, e deste modo chegamos a compreender mais claramente o divór­cio essencial da vontade com ela mesma. Cada grau da objetivação da von­tade disputa ao outro a matéria, o espaço e o tempo. A matéria deve mudar constantemente de forma, atendendo a que os fenómenos mecânicos, físi­cos, químicos e orgânicos, segundo o fio condutor da causalidade, e apres­sados para aparecerem, disputam-na entre si obstinadamente para manifes­tar cada qual a sua ideia. Pode-se seguir esta luta através de toda a natureza — que digo eu? —; só através dela a natureza existe ...
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