Cathy williams



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CAPÍTULO OITO

O tempo estava tão violento que era como se uma terceira guerra mundial estivesse acontecendo lá fora, mas Rose nem tinha consciência disso. Gabriel encostou de novo os colchões e voltou-se para ela.

— Não tire as roupas, quero despi-la eu mesmo. Tenho essa fantasia há muito tempo.

— Tem mesmo? — Ela jamais pensara poder escutar essa observação sexy da boca de Gabriel, há anos objeto de suas próprias fantasias.

— Se tenho — murmurou ele. — Você não tem idéia de como seus terninhos abotoados até em cima podiam ser eróticos. — Ele começou a tirar muito lentamente sua camiseta, saboreando cada instante da progressiva nudez. O ventre liso, de pele doce e sedosa; os seios, plenos, de formas perfeitas, com grandes mamilos cor-de-rosa pedindo para serem sugados.

Ele a imaginou sentada a sua frente no escritório, pernas cruzadas, bloco nos joelhos, a síntese da eficiência sensata, comparando-a com a mulher que tinha diante de si, semidespida, gemendo quando tomou seus seios entre suas mãos... Teve que se controlar para ir mais devagar.

Ele a levou para a cama improvisada, desejando poder fazer amor com ela na cama king size de sua casa. Mas havia muitos outros lugares em que gosta-

ria de fazer amor com ela, de forma que dois colchões no chão também podiam servir.

A tempestade do lado de fora emprestava uma certa tensão ao ambiente.

Ele começou a se despir quando ela já estava deitada, olhando-o. Nunca fora esse tipo de homem que se vangloriava da aparência, mas era incrivelmente excitante fazer esse striptease improvisado diante dela.

Ele adorava suas calcinhas de algodão branco, muito mais do que as de renda, que deixavam muito pouca coisa à imaginação. Deitou-se lentamente sobre ela, querendo fazer amor bem devagar, para saborear cada minuto. Começaria com sua boca carnuda e convidativa. Ele cuidaria mais tarde daqueles seios macios. A expectativa era quase dolorosa.

Tê-lo deitado sobre ela, sentir a rigidez de seu corpo contra suas coxas... Rose não tinha dúvidas de que estava fazendo a coisa certa. O passar dos anos tinha transformado sua paixão em algo muito profundo e, mesmo que aquilo não fosse para ele senão um ato físico, para ela era tudo. Gemeu docemente à medida que sua boca percorria, com suaves beijinhos, a distância entre seu pescoço e os ombros. Quando atingiu seus seios, ela mudou de posição, e só então suspirou em êxtase quando ele tomou entre os lábios um mamilo ereto, começando a sugá-lo.

A tempestade dentro dela chegara ao ápice. O barulho selvagem da chuva e do vento não impediam que ela se ouvisse gemendo enquanto se contorcia sob sua boca gulosa.

Ele não tinha pressa. Parecia querer se demorar para sempre em seus seios. Rose sempre sentira vergonha de seu corpo, os seios eram muito grandes. Nunca se recuperara totalmente da vergonha de ter sido a primeira da classe a ver despontar os seios, de tamanho considerável. Tinha engordado para camuflá-los um pouco. O excesso de peso tinha, por sua vez, feito com que sentisse vergonha diante dos homens, e nunca tinha apreciado o sexo com qualquer dos dois parceiros que tivera anteriormente.

Estava recuperando o tempo perdido. Não sentia vergonha ou reserva enquanto Gabriel continuava concentrado em seus seios. Quando ele ergueu a cabeça e lhe disse que seus seios eram os mais lindos que tinha visto, sentiu-se louca de prazer.

— Mamilos fantásticos — murmurou ele. — Podia sugá-los para sempre. Você gostou?

Rose acenou que sim. Ele murmurou em seu ouvido:

— Então por que é que não me diz ...?

— Eu disse. Gostei, você sabe que sim.

— Será que sei mesmo?

— Deveria... Se ainda tem dúvidas... adorei que lambesse os bicos dos meus seios, brincando com eles com sua língua...

— Ótimo.


Rose sentiu seu riso contra o pescoço.

— Quero que você continue a dizer essas coisas eróticas para mim enquanto exploro um pouco mais seu corpo...

Dito e feito. Massageou os seios, sentindo seu peso nas mãos. As mulheres tendiam a ser tão esqueléticas! Apesar de ter emagrecido, Rose ainda tinha curvas. Ele agarrou a ponta de um mamilo entre os dentes, fazendo com que Rose soltasse um gritinho e sentiu-a ofegar quando rodeou seu umbigo com a língua.

Ele colocou as duas mãos em seus quadris e enfiou a cabeça na calcinha de algodão, respirando o doce odor almiscarado de sua feminilidade. Rose o agarrou pelos cabelos, puxando-os até que olhasse para ela.

— Não, não...

— Você nunca fez...? Prometo que não farei nada que você não curta...

Gabriel se esforçou para se concentrar. Estava tão perto do limite que teve que fazer uma pausa de alguns segundos para se controlar. Ele olhou de relance para ela: suas costas estavam arqueadas, a cabeça jogada para trás, os seios ofegantes. Estava à beira do orgasmo. Tudo o que tinha que fazer era possuí-la e ambos chegariam ao clímax juntos. Mas ainda não queria fazer isso, ainda não.

Ele puxou a calcinha para o lado e respirou sobre os pêlos finos e macios de Rose. Quando passou a língua sobre a fenda úmida, ela se contorceu e depois avançou com os quadris, oferecendo-se à sua boca ansiosa.

Gabriel lhe tirou a calcinha. Agora ambos estavam inteiramente nus, carne contra carne. Ele apoiou suas pernas sobre os ombros e, sob o barulho da chuva e do vento, levou-a até onde nunca suspeitara ser possível.

Sua língua invasora desencadeou nela um êxtase selvagem. Rose arquejou e gemeu e teria gozado ali mesmo, contra sua boca, se ele não tivesse recuado, sentindo a fragilidade do momento, penetrando-a imediatamente. Ambos não demoraram muito a gozar. Rose permaneceu encaixada nele e suspirou.

— É minha imaginação ou parece que a tempestade está amainando?

— Isso é tudo o que você tem a dizer, minha querida?

Ele a chamara mesmo de minha querida? Será que falava assim quando acabava de fazer amor com todas as mulheres?

— O que você queria que eu dissesse? — provocou ela, colando-se contra ele. Mesmo depois do amor, ainda podia sentir a rigidez de sua excitação, o que lhe dava um senso de poder intoxicante. Incrível o que podia fazer com ele!

— Você poderia ter-me dito que a terra tinha se movido...

— Não... não creio que fosse moralmente responsável fazer um comentário que pudesse contribuir para inflar ainda mais o seu ego... — Gabriel riu baixinho, seus lábios acariciaram os dela.

— Então me diga se ainda está interessada naquele... como é mesmo que ele se chama?

Rose ficou imóvel.

— É por isso que... você... porque você queria provar que eu o achava mais atraente?

— Que tipo de homem você pensa que sou? — Perguntou Gabriel. — Nunca dormiria com você apenas para mostrar que estou certo. Mas não quero que você acorde de manhã e diga que vai ter que fingir que tudo isso nunca aconteceu, para poder fingir que está interessada em alguém para quem você visivelmente não dá muita bola.

— Mas gosto muito do Joe. — No entanto, era cada vez mais difícil até mesmo se lembrar de como ele era. O charme infantil de seus cabelos louros e dos olhos azuis tinham sido completamente esquecidos por causa de um homem charmoso, com diabólicos encantos morenos.

— Mas você não se sente atraída por ele. Pode ser conveniente levar as coisas na maciota, mas... é característico da atração física ser rápida e violenta! — disse ele, com um sorriso meio de lado.

Rose não tinha como discordar dele.

— Nem sempre é conveniente que as coisas aconteçam rápida e violentamente — disse ela.

— Mas é muito mais divertido. — Gabriel acariciou sua coxa e agarrou sua feminilidade com um gesto quase de proprietário... e extremamente prazeroso, por mais que lhe custasse admitir.

— Quero que você reconheça isso porque egoisticamente pretendo que continuemos a desfrutar disso tudo...



Por quanto tempo?

— O patrão é você.

— Então posso dizer a você o que tem que fazer... humm?

Rose não resistiu. Seus lábios se contraíram.

— Apenas quando tem a ver com o trabalho — respondeu com voz grave.

— Então se lhe disser que vamos transar de novo...?

— Posso concordar ou não... — Mas os dedos dele já tinham começado a explorar de novo seu corpo, fazendo com que seus pensamentos se dissipassem por completo.

Ela pegou o membro ereto entre os dedos, massageando-o sensualmente, apertando-o contra ela.

E que tal se eu disser a você que nós vamos transar agora de novo...? — disse Rose maliciosamente. — Você está preparado para que a situação se inverta?

— Claro que sim, mais do que preparado para aceitar ordens de uma mulher. Sou feminista...

Mais tarde, depois de fazer amor longa e lentamente, adormeceram. Quando Rose abriu os olhos e se espreguiçou, descobriu que Gabriel não estava mais na cama, e que o sol penetrava através das venezianas de madeira.

Ela ficou recostada alguns segundos, saboreando as lembranças da noite passada. Correu ao banheiro para mudar de roupa. Queria evitar que Gabriel voltasse, possivelmente lamentando as ações da noite anterior, e a encontrasse sonhadoramente esperando sua volta. Vestiu rapidamente uma minissaia de seda que comprara na Austrália e uma camiseta azul. Sem saber o nível de destruição que encontraria do lado de fora, preferiu usar as sandálias de dedo com que viajara.

Ela se encaminhou para a porta da frente, e a casa lhe pareceu intacta. Havia alguns destroços, mas não parecia haver danos estruturais. O cenário era inteiramente diferente quando se aventurou para fora da casa. Jamais havia testemunhado em primeira mão o grau de destruição que podia acarretar uma tempestade daquelas: árvores desenraizadas, ramos jogados a distância, material de construção espalhado pelos quatro cantos da ilha. Parecia incrível ver o sol brilhando agora e o mar azul e calmo. Podia supor que a praia estava tão coberta de detritos quanto os jardins.

Olhando à esquerda, localizou Gabriel, absorto numa conversa com dois habitantes locais, rindo e gesticulando. De bermuda e camiseta, parecia informal, descontraído, mas totalmente senhor da situação. Ela respirou profundamente e dirigiu-se para onde eles estavam, parecendo estar explorando o horizonte.

Não podia esquecer que seu papel na ilha era de natureza prática, ainda que este papel tivesse ficado um tanto indefinido após a última noite. Também não podia esquecer que, para Gabriel, o sexo não indicava que as coisas tivessem importância, pelo menos não no sentido que ela atribuía à palavra importância. Podia ser que não quisesse nem se lembrar do que acontecera entre eles na noite anterior e, ainda que quisesse, não esperava que sua atitude com relação a ele tivesse se alterado.

Rose queria estar preparada para qualquer eventualidade e se comportar como adulta. Dormira com seu Patrão mas não ia permitir que isso afetasse sua razão.

Ela se aproximou, escondendo a ansiedade sob um sorriso simpático.

Quanto viu Gabriel retribuir o sorriso, soube que, pelo menos, não ia olhar para ela com repulsa pelo comportamento da noite anterior. Quando pôs a mão sobre seu ombro, Rose teve que se esforçar para não atribuir a isso um grande significado; tratava-se apenas de um homem satisfeito que previa que suas necessidades continuariam a ser satisfeitas. Mas, depois de algum tempo, parecia-lhe natural estar colada a ele. E só então começou a prestar atenção à conversa.

Por mais terrível que aquela destruição pudesse lhe parecer, a ilha tinha sido atingida apenas pelo rabo do furacão. Seu poder devastador se dirigira às praias americanas. A pequena ilha não chegara a sofrer uma verdadeira devastação: a única estrada principal e suas poucas tributárias estavam intactas, assim como os prédios. A eletricidade seria normalmente restabelecida no decorrer da manhã, e o programa de limpeza levaria apenas alguns dias. A limpeza dos jardins seria feita rapidamente. A maioria dos operários estaria de volta na manhã seguinte e colocaria tudo em ordem.

As previsões de Wilson, o intendente, eram perfeitamente otimistas no que dizia respeito à finalização do projeto. Na ausência do intendente, eles poderiam tratar do pouco que restava a ser feito. Estaria tudo pronto na época do Natal, e eles poderiam voltar para passar os feriados ali, desfrutando do sol. Rose pensou que as chances de que os dois ainda estivessem juntos no Natal eram inimagináveis.

Rose estava começando a sentir calor e muita fome. Eram quase 11h e tinham ido dormir de madrugada. Só Deus sabia a que horas Gabriel tinha se levantado!

— Desculpe-me por ter acordado tão tarde — foi a primeira coisa que lhe disse, para que ele não pensasse que ela já estava tomando liberdades por terem dormido juntos. — Você devia ter me acordado.

— Você está muito sexy — disse Gabriel, fazendo-a virar de frente para ele e apertando-a contra si. — Trouxe essa saia pensando em me provocar?

— É claro que não. — Mas quase não teve tempo de protestar, pois ele pressionou sua boca sobre a dela e seu corpo reagiu automaticamente. Ela lhe devolveu o beijo avidamente. A mão dele tocou levemente seu seio por sob a camiseta.

— Você botou um sutiã — murmurou em seu ouvido. — Não gosto disso. Com esse calor, restringir a circulação do sangue pode ser extremamente perigoso.

Rose riu veladamente.

— Você recomendaria que eu o tirasse?

— Sem hesitação. Imediatamente, na verdade.

Rose olhou em volta. Ser sexy e ousada entre as paredes do quarto, à noite, era uma coisa, mas no meio do dia, em presença de espectadores...

— Não há ninguém aqui — disse Gabriel, colocando ambas as mãos em suas nádegas e apertando-a contra ele. — Você poderia estar em trajes de Eva, livre de olhos indiscretos.

E Wilson e aquele outro cara?

— Foram embora. Todos os outros estarão muito ocupados limpando os estragos da tempestade e aposentaram seus binóculos. — Ele desatou seu sutiã com eficiência e riu maliciosamente, quando notou sua expressão chocada. — Você nunca fez isso, não é mesmo, Rose?

— Não tenho muita oportunidade de me despir n meu quintal — disse ela — a menos que queira um platéia.

— Você nunca transou num lugar público?

— Não!

— Feche os olhos e deixe-se levar... Foi o que ela fez. Era fantástico sentir o calor do sol sobre a pele nua. Gabriel inspirou fundo ao ver, subitamente, aqueles seios abundantes. Ele tinha um milhão de coisas para fazer: tinha que ir à cidade, ver se achava um telefone que os pudesse ligar com o mundo exterior para começar a trabalhar. A vida em Londres não tinha parado por causa de uma tempestade numa ilha perdida no meio do Atlântico. Tinha também que pensar em verificar que danos haviam sido causados no interior da casa, ver o que podia ou não ser coberto pelo seguro e tomar as providências necessárias.



Por outro lado... poderia, como aconselhara a Rose, abandonar-se e deixar-se levar... Que mal haveria em vagabundear um dia ou dois, quando tinha tais delícias ao alcance da mão? A tentação era forte demais...

— Se quiser curtir o sol, tem que usar protetor solar. — Os seios nus faziam seu corpo estremecer de desejo. — Vamos dar uma olhadinha nos arredores para ver os prejuízos, depois poderemos fazer um piquenique na praia? Para verificar os danos que houve por lá? Hummm? — Gabriel apertou os rijos bicos do seio e Rose sentiu sua respiração se interromper.

— Boa idéia! — gemeu.

— Vou tirar minha camisa, para fazer companhia a você. Nós dois vamos precisar daquele protetor solar...

Aquela viagem estava se tornando uma experiência maravilhosa, surrealista. Jamais sonhara ver Gabriel espalhar protetor solar em seus seios nus. Pela primeira vez na vida, estava vivendo o momento presente e gozando cada minuto.

Os arredores não tinham sido excessivamente danificados pelo vento. Gabriel mostrou-lhe o que restava a ser feito e contou-lhe seus planos para aquele lugar, mostrando o que queria fazer, onde e por que, perguntando sua opinião sobre isto ou aquilo e parecendo ouvi-la com muita atenção.

Era-lhe impossível permanecer como a secretária consumada depois de ter dormido com o patrão e de estar andando ao lado dele apenas com uma minissaia. Como podia continuar a ser eficiente e metódica quando, com muita freqüência, como se não pudesse evitar, ele vinha beijá-la, tocar seus seios, acariciá-los, brincar com os bicos até que se eriçassem? Impossível.

Enquanto preparavam um almoço leve para levar Para a praia, conversaram como se se conhecessem há anos — como de fato se conheciam, refletiu Rose. Quatro anos juntando todos os detalhes que compõem a personalidade de alguém. Jamais tinham experimentado um momento de intimidade durante todos aqueles anos, mas ela se sentia como se o conhecesse intimamente e se surpreendia porque ele também parecia conhecê-la, embora nunca lhe tivesse permitido entrar em sua vida privada.

A praia estava exatamente como eles esperavam. Ela tinha começado a se habituar a ter os seios expostos ao sol, uma estranha sensação de liberdade. Na frente dela, Gabriel segurava uma caixa improvisada com sanduíches de carne, água e um pacote de biscoitos, o melhor que puderam desencavar. Gabriel parecia não se importar. Para alguém que podia ter caviar e champanhe servidos por um mordomo em toalha de linho engomado, parecia contente com o pouco que o armário tivera para oferecer.

Para Rose, nenhum piquenique podia ser melhor. A desordem dos galhos, os cocos caídos na praia ou os corais e as algas que tinham se acumulado depois da tempestade, não chegavam a destruir a perfeição daquele momento. Eles tinham conseguido desencavar uma coberta grosseira, possivelmente usada pelos operários. Para Rose, isso era o mais perto do paraíso que ela jamais poderia imaginar.

— Agora — disse Gabriel, instalando-se junto a ela sobre a coberta — você terá que tirar essa saia bem pouco prática que está usando, para que eu possa terminar de lhe passar o protetor solar.

Ele encheu as mãos de creme, e Rose se deixou — levar pelo prazer de sentir o cheiro do ar salgado, o calor do sol e a perícia de suas mãos. Ela se sentia como um gato voluptuoso, mas ele lhe dizia para deitar e relaxar. Precisava que ela ficasse absolutamente imóvel para poder trabalhar direito.

— Feche os olhos — mandou. Seu desejo de possuí-la mental e fisicamente era avassalador. Foi descendo dos seios até seu ventre, percorrendo a pele macia e quente do sol. Mas antes que pudesse chegar até aquele ponto sem volta, Rose se ergueu e empurrou-o para a coberta.

— Quem vai fazer amor com você agora sou eu — disse-lhe ela. — Você vai fazer tudo o que eu disser... Ficar absolutamente quieto... para que eu possa passar protetor em cada centímetro de seu corpo...

Ela pensou que aprenderia rapidamente a fazer amor num lugar público com aquele homem. O homem que ela amava e sempre amaria até o fim do mundo. Não queria pensar além da sensação de estar deitada naquela coberta, ao som do mar lambendo a areia, com a brisa marinha refrescando seus corpos.

Rose pensou que gostaria de guardar aquele momento numa garrafa, para que durasse para sempre. Sabia que, se o perdessem, jamais o recuperariam. Tampouco poderiam existir numa bolha, vivendo de momento em momento...

—... como eu gostaria de fazer... — terminou ela de explicar. Tinham acabado de fazer amor de maneira surpreendente e tinham dado um mergulho naquelas águas azuis tão transparentes e tranqüilas que era impossível pensar nelas açoitando as rochas na noite anterior.

Gabriel se apoiou num cotovelo e a imobilizou de todo a que ela não pudesse desviar o olhar.

— Quem falou alguma coisa sobre viver numa bolha? — perguntou ele.

— Como é que você chama isso...?

— Chamo de... minha secretária perfeita... — Ele passou um dedo entre seus seios, circundou um mamilo, depois o outro, esfregando finalmente sua extremidade com os dedos. Seus olhos fizeram um festim de seu corpo, das lisas planícies de seu ventre já cor de ouro velho, do V de pêlos macios que protegia sua feminilidade. Seu gosto ainda permanecia em sua boca.

Rose olhou-o seriamente.

— Mas isso não é a realidade — insistiu ela com voz suave. — A realidade é Londres. A realidade é que eu trabalho para você, que vou trabalhar de ter-ninho, que me sento em frente a uma escrivaninha... Nós dois numa praia, isso não é a realidade, é tempo roubado.

— Só é roubado se o deixarmos aqui — disse Gabriel, curvando-se para beijar o canto de seus lábios perfeitos, cheios e bem definidos. — Quando voltarmos a Londres, as coisas podem continuar como sempre... no escritório. E exatamente como estão se passando aqui, com você na minha cama.



Mas ela queria passar o resto de sua vida levando isso adiante.

O beijo no canto da boca se tornou mais urgente, fazendo com que seu corpo se derretesse imediatamente. Ela se entregou a ele, cabeça jogada para trás, narinas abertas num puro prazer sensual diante de sua excitação pressionada contra ela. Quando meteu a coxa entre suas pernas e começou a penetrá-la, todos os pensamentos fugiram de sua mente.

Para Gabriel, aquela conversa tinha terminado. Rose sabia disso com instinto certeiro e preparou-se para desfrutar a oferta espetacular que lhe fora feita. Eles fizeram amor com uma intensidade e uma paixão crescentes, quase incontroláveis. Prolongaram a estada além do projeto original de quatro dias, coisa quase impensável para Gabriel. Ficariam uma semana inteira, dissera-lhe Gabriel. Havia coisas sendo feitas nas casas e, além disso, ele bem precisava de umas férias. A semana acabou virando duas e encheram o tempo com viagens às outras ilhas, um pouco de trabalho e muito sexo. Escolheram juntos azulejos e acessórios. À noite, sentindo-se ainda quente do toque de Gabriel em seu corpo, Rose ficou acordada refletindo nas opções que se apresentavam para ela.

Mais cedo ou mais tarde Gabriel despertaria daquele sonho pouco familiar e voltaria à luta. Ele podia querer continuar aquela relação pouco comprometedora com ela em Londres, mas Rose sabia o que acontecia com as mulheres que dormiam com ele depois que seu tempo já 'havia passado. Mais cedo ou mais tarde, provavelmente mais cedo, terminaria mandando flores de adeus para si mesma. Gabriel não tinha intenção de ter outra coisa com ela que não um caso. Até agora, nunca tivera nem nunca teria vontade de assumir qualquer compromisso, enquanto não encontrasse a mulher certa — que certamente não era ela.

Rose não ia esperar até se tornar um empecilho. Nem ia tentar aprisioná-lo com questões de permanência. Assim, quando, depois de duas semanas, ele começou a falar sobre a necessidade lamentável de ter que voltar a trabalhar, ela fez a única coisa em que pôde pensar: inventou um telefonema para si mesma.

Isso tinha exigido uma certa astúcia: ela telefonara para sua vizinha, deixando-lhe instruções para que ligasse para ela, deixando uma mensagem urgente. Rose lhe responderia dali mesmo. A vizinha ficou espantada, mas felizmente teve tato e, durante o almoço seguinte, saindo de um telefone público na cidade com uma expressão ansiosa, Rose disse a Gabriel que tinha que voltar a Londres imediatamente. Uma emergência.

— Uma morte na família — disse-lhe, fazendo a mala para não olhar para ele. — Minha tia... — ela cruzou os dedos — repentinamente. Preciso ir. Mamãe... bem, pode-se dizer que elas eram próximas...

O nítido corte que planejara ao voltar da Austrália era agora a única alternativa. Se não seguisse esse caminho, sabia que, em algum momento, seu amor e seu desejo por ele se transmitiriam apenas por osmose, dela para ele. Ficava paralisada só de pensar na humilhação de uma situação como essa.

Ela o veria quando voltasse a Londres, mentiu, jogando as coisas na mala, sabendo bem que deveria apagar da memória todas essas lembranças. Três dias — ela sorriu, virando-se para ele — não era muito tempo!

Havia uma pungência agridoce quando ele a abraçou por trás, quando sua mão encontrou aqueles lugares que podiam mandar sua alma às alturas, quando fizeram amor mais tarde, desfrutando um do outro pelo que parecia ser uma eternidade.

Ela queria guardar cada um daqueles segundos em sua memória, porque ela precisaria durar.

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