Caxias do sul tem



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CAXIAS DO SUL TEM

DUAS HISTÓRIAS (I)

Desde o início de 1980 tenho procurado desenvolver e divulgado um trabalho de pesquisa sobre aspectos especiais da História de Caxias do Sul.

Agora, com este site, pretendo retomar um caminho que se tornou muito áspero no decorrer do tempo.

Sei que os confrades e confreiras que acessam este espaço, principalmente os que residem em outras regiões do Brasil não entenderiam ou não teriam interesse sobre o assunto1. Mesmo assim, sempre existirá um pesquisador que necessita de algumas informações subsidiárias que se relaciona a este rincão.

Ocorre que, na historiografia oficial, o momento importante como referência foi a chegada de um contingente numeroso de imigrantes italianos a partir de 1875.

Sabe-se que os europeus chegados por aqui durante o século XIX tiveram uma influência fundamental no desenvolvimento econômico de todo o Estado do Rio Grande do Sul.

As experiências trazidas do Velho Continente, a cultura milenar com tradições, hábitos, arte e funcionalidade laboral deram um impulso inegável no processo de consolidação de características até hoje valorizadas: perseverança, trabalho, empreendedorismo e

facilidade de adaptação às novas situações das gerações que passaram a amar o Brasil como Pátria, querência amada. Enfim, fincaram raízes sólidas num conjunto que traduz

toda a multicidade étnica e cultural do País.

Ocorre que algumas análises e fatos importantes não foram tratados com igualdade. Propositadamente ou involuntariamente histórias foram excluídas, escondidas ou mal contadas.

Para entender bem esta posição crítica há necessidade de rever a História, recontá-la, “in totum” e não apenas uma parte que foi colocada à disposição dos interessados em livros, monografias, teses ou matérias jornalísticas.

Em outros trabalhos situei o assunto com uma frase: “omitindo-se parte da História, nega-se a cidadania”.

Logicamente e com toda a justiça, a imigração italiana mereceu destaque. E não quero desmerecê-la. No entanto, peço licença para dizer que muita gente que não era “italiana” também fez a sua parte no desenvolvimento e progresso da cidade e da região.

Afora os assentamentos de batismos e casamentos pesquisados por mim que mostram um grande contigente de “pelo-duros”, pesquisadores como Mário Gardelim e Frei Rovílio Costa demonstraram que desde o início da fundação de Caxias do Sul, o número de descendentes de portugueses, índios e negros foi significativo. Se assim é colocada a questão, por que será que até agora, não foi incorporada esta História àquela oficial?

Foram diversos os motivos, penso eu. À medida que for desenvolvida a minha “tese”, neste espaço, serão expostos os principais elementos que tornaram de difícil compreensão este reconhecimento “novo” da História da cidade.

Nesta primeira tentativa, solicito aos pesquisadores que, dentro das possibilidades, informar se conhecem pessoas que são descendentes daqueles primeiros habitantes da cidade de Caxias do Sul segundo uma lista que estarei postando abaixo. São os “não italianos” ou “não alemães” que referi anteriormente. Em 2010 muitos eventos estão sendo programados para lembrar acontecimentos históricos, como a chegada do trem e aniversário da imigração.

Na minha ótica, apesar de muita oposição, há necessidade de apontar fatos que não foram “trabalhados muito bem”, tanto pelas instituições de ensino superior, órgãos públicos, políticos e imprensa em geral.

A estrutura desta modesta amostragem genealógica é apenas mais um indicativo para comprovar uma idéia básica de que TODOS FAZEM PARTE DA HISTÓRIA. Se, por acaso alguém disser que 90% do progresso de Caxias foi trabalho dos imigrantes italianos, tudo bem. Mas não podemos esquecer os 10% restantes....

As variáveis dominantes ao Imperialismo cultural (duplo sentido) devem ter influenciado o processo de exclusão2. Este tema também será abordado com o tempo já que até nos dias de hoje sinto uma dificuldade muito grande em divulgar estas idéias. Não sei ainda se é porque esta nova geração de políticos e jornalistas não “estão nem aí” para fatos novos ou porque realmente não houve divulgação e estudos acadêmicos suficientes.

Assim, neste primeiro momento, relacionarei alguns nomes “não italianos ou alemães”

que também fizeram parte daquele rol de “primeiros” proprietários de lotes na cidade.

Num segundo momento, mais adiante, entrarei em outro assunto tratado em diversas publicações e que, infelizmente, não mereceu atenção da mídia, políticos e professores em geral: mais da metade do atual território de Caxias do Sul pertencia a São Francisco de Paula!3

Sempre encaminhei aos Prefeitos e Vereadores eleitos e Chefes de Departamento da Universidade de Caxias do Sul correspondência apontando que haveria necessidade de estudos sobre esta “outra História”. Além do mais, indicava onde estavam os documentos principais que poderiam ser incorporados aqueles outros que se encontram no Arquivo Público Municipal. Esta documentação, é lógico, não estava em Caxias do Sul e sim em São Francisco de Paula, Santo Antônio da Patrulha, São Sebastião do Caí, Viamão, Montenegro e Triunfo, principalmente.4

Nunca fui atendido. Quem sabe, por não ter titulação suficiente ou por pertencer a uma “etnia” que não fez parte da História de Caxias5?



Assim, solicito penhoradamente aos amigos e amigas que acessam este site, de que se souberem alguma informação sobre os listados abaixo, enviem para meu e-mail tonybel@uol.com.br .

A sua localização seria importante para conclusão da pesquisa.

Repito: é uma amostra de pessoas que adquiriram os primeiros lotes na sede urbana da primitiva Caxias do Sul e que considero como sendo “pelo-duros” (uma combinação ancestral entre branco, negro e indígena). A questão é a seguinte: seus descendentes ainda vivem na cidade ou no município? Ou por onde andam?
OS PRIMITIVOS POVOADORES

DE CAXIAS DO SUL

NÃO ITALIANOS”6


João Antonio dos Santos (carreteiro), Leonardo Carlos Garcia (jornaleiro-tropeiro), Joaquim Ourique de Menezes, Luiz Carlos Lahn (fazendeiro), José Antonio Rodrigues Rasteiro, Edmundo Paredes, Jerônimo Ferreira Porto (professor), Nicolau Luiz Amoretti (negociante), Bento de Lavra Pinto (funcionário público), José de Moraes Lima (agricultor), Alexandrina Sousa, Manoel de Campos Salvaterra (agente do correio), Antonio Francisco Ramos (pecuarista), Glodomiro Paredes (agrimensor), Manoel Fernandes, Antonio Machado de Souza (tropeiro), Maria Eufrásia Correa (costureira), Joaquim Sutil da Trindade (tropeiro), João Ribeiro Chaves, Elisário Vidal da Silva, Lídio Gomes da Silva (tropeiro), João Silveira Gomes, Wendelino Lahn, Anacleto Ricardo dos Reis, Bernardino Neves da Rocha (tropeiro), José Maria da Silva (tropeiro), Jordão Pedroso de Menezes, Joaquim Francisco de Souza, Saturnino Souza, José Eleutério da Silva, João Batista de Lucena, José Vargas de Almeida, Belchior Vargas de Andrade, Benjamin Cortes Rodrigues (funileiro-argentino), Antonio Francisco da Rosa, Inácio Marcelino dos Santos, João José Rodrigues, José de Morais dos Santos, Francisco Soares França, Roberto P dos Santos (carreteiro), Generoso Mainardo Cardoso, Pedro Pinto Guerreiro, Virgílio de Souza Conceição, José Carlos Muniz Francisco D’ávila, Erminio Oliveira, Estácio Luiz Pereira, José Carlos Muniz Bittencourt, Luiz Antônio Feijó Júnior.

Outra lista de nomes aparece logo no final do Século XIX e início do Século XX, contando com administradores, diretor da colônia, intendentes, militares e políticos que fizeram parte da História do Município.
Oliveiros Sambaquy, Djalma M Selistre, José Cândido de Campos Júnior, Augusto F Miranda, Manoel Bezerra, José Castello Branco, Hygino José dos Santos, Salmar Laurt du Bosquet, Luiz Manoel de Azevedo, José Maria de Almeida Portugal, Manoel Barata Góes, Ernesto Rodocanachi, Henrique Cristino da Silva, Francisco Carlos Resin Barreto Leite, José Montaury de Aguiar Leitão, Antonio Xavier da Luz, Belisário Baptista de Almeida Soares, Benjamin Cortes Rodrigues, Benjamin Moreira Alves, Alfredo Soares de Abreu, Paulino Dutra, José Schmitt, Armando de Azambuja, Raul Antonio de Villeroy, Luciano Horároi Coutois, Oliverio Pires Parise, Antonio José Barbosa Júnior, Antonio de Oliveira Santos, Martin Francisco Ayres, Rosa Leopoldina de Almeida, Emília da Silva Bandeira, Maria Cândida Pedrosa Bay, Amélia Nunes de Oliveia, Benta Kahn, Antonieta da Fonseca Rangel, Ercília Petry, Olympia de Moura Clessa.

Portanto, nesta pequena amostra, são inventariados diversas pessoas que não pertenciam ao contingente de imigrantes italianos. Todos eles também fizeram parte da História de Caxias. Em outra postagem serão acrescidos nomes levantados pelo ilustre Professor Mário Gardelin considerados imigrantes espanhóis, alemães, franceses, ingleses, suíços, belgas, russos alemães e até mesmo índios colonos.

Assim, pretendo demonstrar que Caxias do Sul, desde seus primórdios, recebeu gente de muitas outras regiões do Planeta e do País.

LUIZ ANTÔNIO ALVES





1 Em muitas regiões do País também acontecem fatos semelhantes. Em termos de Estado do Rio Grande do Sul, como abordado na obra Memorial Açoriano houve um processo de desvalorização da importância dos ilhéus no povoamento e na formatação da cultura gaúcha. No caso da imagem típica do gaúcho foi “extirpada” por muito tempo e em muitas regiões as tradições açorianas e birivas como se elas não fizessem parte do mito e da realidade, ao mesmo tempo.

2 Estou correndo um perigo para a má interpretação. Tenho comigo que Caxias do Sul, como em outras partes do mundo, o chamado imperialismo cultural também bateu ponto e chegou à Chefia. Veio devagarinho, em lances visíveis e invisíveis e se associou a elite (empresários, políticos, religiosos e imprensa). Assim ficou fácil anunciar uma História capenga , parcial onde diversos protagonistas foram “esquecidos”.

3 E, antes de 1878, pertencia a Santo Antônio da Patrulha. São os Distritos atuais de Vila Seca, Fazenda Souza, Vila Oliva, Criúva e parte de Santa Lúcia do Piai.

4 Outros em Lages, Laguna, Rio de Janeiro e até no Arquivo Público Mineiro!

5 Entendam como queixa, protesto, reclamação ou simples e modesta colocação... É que vivemos numa sociedade onde quem reclama e protesta é chato. Se tratamos todos com educação, humildade por muito tempo e não temos oportunidade, quando a gente levanta a voz para ser ouvido, nos tratam como radicais ou terroristas... Obs: esta notas são apenas de cunho literário...

6 Nomes encontrados em GARDELIN, Mário e COSTA, Rovílio “Colônia Caxias: Origens”. EDIÇÕES EST – Porto Alegre, 1ª Ed., 1993. Moradores da sede Dante, 1881-1884. Obs: se eu estivesse em atividade em veículos de comunicação teria mais facilidade para alcançar o objetivo. Logicamente uma das manchetes poderia ser “Procura-se famílias pioneiras de Caxias!”.


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